Personalidade dos Filhos de Xangô

Xangô é o Orixá dos reis, dos justos e dos poderosos. Ele próprio foi um rei guerreiro que conquistou reinos e enriqueceu seu povo. O seu trabalho entre os homens é cobrar de quem deve e premiar a quem merece, agindo sempre com sabedoria, justiça e poder.

Este Orixá é vaidoso, violento e atrevido. Gosta de festas e comemorações. É o Orixá do raio e do trovão, o seu elemento é a pedra.

No sincretismo os africanos o ligaram a São João Batista a São Pedro e a São Jerônimo.

Conforme a região do Brasil, Xangô é sincretizado a um destes três, em algumas regiões, como o Rio de Janeiro, a dois simultaneamente (São João Batista comemorado a 24 de junho e São Jerônimo comemorado a 30 de setembro).

Seu dia na semana é a quarta feira sua cor na Umbanda é o marrom.

Na mitologia romana é Júpiter, o pai e mestre dos deuses, para os gregos é Zeus, aquele que usava seus raios para punir os mortais, esta correspondência pode ser feita pelo poder supremo que ambos encarnam.

No Tarô há uma lâmina que contém o principal arquétipo de Xangô, é a Justiça representada pelo arcano VIII, que é quem encarna a recompensa justa, a distribuição do prêmio e do castigo. A espada de ouro que a justiça carrega assim como o Orixá em sua representação simboliza as lutas necessárias para se conseguir o equilíbrio, que a balança na outra mão indica ser possível.

A palavra de Xangô é a Justiça

O Físico e o Temperamento

O filho de Xangô não costuma ser muito alto, tem tendência a calvície e seu porte é altivo transmitindo vigor e sensualidade.

Gosta de comer e beber bem, é um apreciador das coisas boas da vida e gosta de compartilhar tudo com aqueles a quem estima, pois faz parte de sua natureza agradar os amigos.

A ambição do filho de Xangô é enorme, desde jovem ele procura o sucesso e a fortuna, mas às vezes gasta as suas energias em atividades que não são as mais indicadas, nestas ocasiões deve ser deixado à vontade, pois é através dos erros e tentativas que vai encontrar sua vocação.

É difícil um filho de Xangô admitir que esteja errado, ele é inflexível e intratável quando contrariado. Seus inimigos serão tratados com rigor e ele fará tudo para desacreditá-los frente aos outros. Mas por maiores sejam as provações que ele tenha que passar haverá sempre uma sorte fantástica a protegê-lo que o anima e encoraja a prosseguir.

Apesar de autoritário a bondade do filho de Xangô é grande, ele concilia severidade com justiça, exigência com reconhecimento, cobrança com recompensa.

Um dos seus defeitos é a falta de criatividade, já que ele não é muito bom para inventar, prefere aperfeiçoar o que já foi criado. É franco, não esconde seus sentimentos, não finge nem dissimula. Sua franqueza faz com colecione alguns inimigos durante a vida, o que não o impede de continuar agindo desta forma.

As emoções desta pessoa são variáveis. Por vezes é orgulhoso, impulsivo, mutável, rebelde. Noutras ocasiões é cortês, generoso e diplomata.

Alguns seguem o caminho da filosofia e teologia, mas a grande maioria deles prefere usufruir apenas da vida material.

Os filhos de Xangô têm boas aptidões para ganhar dinheiro, mas também tem grande capacidade de gastá-lo. Esbanjam com bens pouco duráveis, sem preocupação de criar um patrimônio sólido que o garanta na velhice.

Sua capacidade de aprendizagem está mais ligada aos aspectos práticos do que aos teóricos. Adquire conhecimentos que lhe sejam úteis no desempenho de suas atividades e é muito rápido nisto. Mas não será o pai de uma criação totalmente inovadora.

Amor e Casamento

O filho de Xangô não gosta de pessoas pessimistas, ele quer alguém ativo e dinâmico, com vontade de manter a relação nova sempre.

Se você é incomum, estimulante, sempre notada ou notado quando entra em uma sala, terá grande possibilidade de ser escolhido(a) por ele(a), pois é o filho de Xangô quem escolhe o seu par.

Encantador e envolvente sabe conquistar, mas o desafio da conquista pode fazer com que ele (a) use a pessoa sem se preocupar com os sentimentos dela. A competição para ele é importante e vencê-la mais prazeroso ainda, o problema é que ele(a) não sabe o que fazer com o troféu e sentir por causa disto frustração no amor.

Para manter um relacionamento estável com o filho(a) deste Orixá é necessária boa harmonia mental, bom humor, perspicácia e sensibilidade. A vida tem que ser levada com diversão e inovação bem dosadas. O filho de Xangô nem sempre é fiel a companheira, mas sempre se mantém fiel ao casamento, esta instituição e sua função legal e social são extremamente respeitadas por ele.

Discussões e desentendimentos são comuns numa ligação com um(a) filho(a) de Xangô, ele não gosta de ser cobrado ou vigiado, embora considere seus esses direitos, é zeloso com o que considera seu e não aceita traições.

Quando mais maduro e vivido torna-se muito mais estável e sincero, é nesta fase da vida que suas relações tornam-se duradouras.

Trabalho e Dinheiro

Sua vida profissional começará cedo, tem a sua disposição carreiras que o coloquem em contato com o público, tais como, vendas, política, advocacia e tudo que seja ligado à justiça, mercado financeiro e administração de bens de terceiros também lhe cabem.

Mas, qualquer que seja a atividade ele(a) lutará pra ter reconhecimento e destaque.

Embora seja desorganizado é exigente e rigoroso com seus comandados, que geralmente são leais e produtivos, pois apesar de sua severidade sabe como premiar e motivar aqueles que rendem bem. É crítico, mas faz as suas observações abertamente e com a mesma sinceridade com que critica distribui elogios a quem os mereça.

Não gosta de projetos a longo prazo pois se impacienta com a espera por resultados, é honesto, esperto e rápido, mas sempre fará tudo as claras, cumprindo sempre com sua palavra.

O filho de Xangô é protegido pela sorte com S maiúsculo, quando tudo parece dar errado no fim o sucesso baterá a sua porta. O problema para ele é saber conservar o que conquista, já que gasta demais com coisas que não constituirão reserva patrimonial.

Saúde

As áreas mais sensíveis para um filho de Xangô, aquelas que ele precisa atender para não ter problemas de saúde são: os quadris, os pulmões, o fígado e os intestinos.

A estafa por excesso de serviço pode comprometer e muito seu desempenho profissional, seus hábitos alimentares também comprometem sua saúde fragilizando seu fígado e intestinos.

Esses desequilíbrios alteram seu desempenho profissional, seu temperamento otimista e entusiasmado, tornando-o pouco inspirado em suas ações e impaciente com a família.

O Homem de Xangô

Este homem é um entusiasmado e idealista, tem capacidade de reunir uma multidão em seu redor, seu otimismo cativa as pessoas e as estimula. Cedo se tornará independente de sua família. Trabalhando muito com honestidade conquistará tudo o que merece amparado pela sorte com que seu Orixá lhe abençoa.

Quando as coisas não saem como ele deseja, não se deixa prender pelo desânimo, mesmo tendo que alterar seus planos iniciais, não deixa de acreditar que tudo vai mudar para melhor e quase sempre muda mesmo!

Sua franqueza lhe traz inimizades ou provoca situações embaraçosas, mas ele nunca fala para ferir. Ser franco em excesso é um defeito que deve ser considerado por ele.

Gostam das florestas, dos rios, das montanhas e dos desertos. As pedras são o elemento do qual ele pode se servir para recuperar as forças.

As extravagâncias deste filho estão ligadas ao seu prazer em usufruir das coisas boas que a vida lhe oferece. Convém a ele equilibrar suas despesas com poupança, pois é comum o filho de Xangô ser obrigado a viver uma velhice muito mais modesta do que sua vida na juventude. Manterá quando maduro e na velhice uma aura de juventude, pois conservará seu otimismo através dos anos.

 A Mulher de Xangô

Excelente companheira, com forte tino comercial, amante da natureza e da vida ao ar livre, atende sua casa com competência e é uma fonte renovadora com seu eterno positivismo.

Ao contrário dos homens de Xangô, as mulheres regidas por esse Orixá são muito fiéis no amor. Tem paixões honestas e rápidas, mas quando se decide por um companheiro será de uma lealdade a toda prova. Seu companheiro deverá compartilhar com ela sua alegria de viver, a vida ao lado dela é bastante movimentada, com atividades sociais e esportivas bastante intensas.

É sincera, mas nem sempre suas observações são cautelosas, fala sem pensar e isto pode lhe criar situações embaraçosas já que alguém poderá se sentir ofendido com comentários impensados, porém nunca intencionais.

Com o tempo e a maturidade aprenderá a ser mais diplomática e a medir mais suas palavras.

De personalidade forte e independente a mulher filha de Xangô, não gosta de ser mandada, às vezes precisa de um pulso firme para ser controlada.

De temperamento sincero e ingênuo pode ser vítima de desilusões desde cedo, o que forjará uma atitude de desconfiança em relação aos homens.

Detesta serviço doméstico, mas será boa dona de casa, pois odeia mais desorganização e sujeira, um ambiente limpo e bonito a faz se sentir muito bem.

Com os filhos é mais companheira que educadora, dela eles recebem estímulos, aprenderão a ser francos, otimistas e honestos, mas sua disciplina deixará a desejar.

Extraído do Livro “Conheça seu Orixá” da Barbara Triana.

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Identificando e Entendendo a Regência dos Orixás de Cabeça

Muitas são as questões referentes ao Orixá de Cabeça, eu diria que praticamente 50% das questões que eu recebo é referente a saber qual o Orixá de Cabeça, me fornecem data de nascimento, nome completo e outras diversas metodologias que utilizam para descobrir qual é o Orixá de Frente que temos.

Esse post é para desmistificar um pouco essas questões, e abordar de uma forma mais complexa como se identifica o Orixá de Cabeça.

Importante salientar e repetir mais uma vez que Orixá é um Aspecto Vibratório de Deus, uma vibração que habita no Cosmos, todos nós fomos feitos “À sua Imagem e Semelhança” e indiscutivelmente carregamos uma centelha Dele dentro de nós, os africanos, traduziram essa centelha como o orixá (Ori = Cabeça, Xá = Energia) e atribuíram que essa energia fica em nossa cabeça, ou seja, em nosso chacra coronário que é o chacra principal para recebermos as energias do Universo.

Todos nós nascemos com um propósito e existem diversas formas de descobrimos esse propósito, isso se dá através do autoconhecimento e o Criador nos forneceu diversas ferramentas para isso, seja a numerologia, a astrologia, os oráculos, o eneagrama, entre outras diversas ciências que auxiliam em nosso autoconhecimento identificando nossos defeitos e qualidades.

Todos nós viemos do Cosmos e trazemos conosco, uma Centelha desse Cosmos, e na Umbanda, denominam-se “Orixás”. Apenas repetindo para frisar bem isso.

Existem diversas literaturas que explanam o arquétipo dos Orixás, características dos filhos, entre outras questões e ao descobrirmos, corremos para a internet para saber das lendas, das características, das preferências e tudo o que tange o nosso Orixá de frente.

Primeiramente vou explicar sobre o fundamento por trás dos Orixás (Mãe, Pai, Djuntó, Padrinho) e tudo mais e posteriormente, como podemos suprimir a característica negativa e potencializar a positiva. Primeiramente usarei como analogia a astrologia:

Na astrologia, temos o signo solar, que é o que encontramos em várias revistinhas de horóscopo e tudo mais, que eles pegam uma mensagem aleatória e coloca para as pessoas, eu por exemplo, sou do signo solar de escorpião e possuo características que se assemelham ao signo, OBVIAMENTE, nem todo escorpiano é igual, isso se deve a diversos aspectos da formação do ser, como criação, educação e outras várias, uma delas é o SIGNO ASCENDENTE.

O SIGNO ASCENDENTE é o signo que está no horizonte no momento do seu nascimento, ele está ascendente em linha com o SOL no ato do seu nascimento, buscando a referência de uma astróloga que respeito muito, Graziella Marraccini, ela diz:

Signo Ascendente, antes de mais nada, rege o corpo físico da pessoa e influencia a sua personalidade sendo o veículo da expressão do Eu Interior que é representado pelo Signo Solar. Na palavra personalidade, temos a raiz persona, que pode significar também personagem. Desta feita o Ascendente influenciará a personalidade ‘aparente’ da pessoa, o seu modo de agir, as respostas e necessidades de seu corpo físico, se misturando assim com as influências do Signo Solar e com a Lua, para compor a personalidade. “

Então como podem observar, o ascendente também COMPÕE a personalidade de cada pessoa, indubitavelmente um escorpiano se difere do outro justamente porque os seus ascendentes também não são iguais, aí ocorre uma mistura entre as duas características possibilitando diversas combinações de personalidade.

Também temos o SIGNO LUNAR, que segundo a mesma astróloga:

A Lua é responsável também pela nossa receptividade, pela nossa imaginação, por nossa sensibilidade, pelas nossa reações, hábitos e memórias, pela forma como nos adaptamos ao meio-ambiente e expressamos nossas emoções. O signo tradicionalmente ligado à Lua é o signo de Câncer, que indica o sentimento de proteção e nutrição. Nos Mapas masculinos, a Lua, representando a mãe ou anima, reflete muitas vezes o tipo de esposa que o homem irá buscar na fase adulta para substituir a própria figura materna. Nos Mapas femininos porém, a Lua assume uma maior importância. De fato, a mulher sendo um ser “dual” precisará se identificar seja com o seu lado solar que com o seu lado lunar. Isso explica porque muitas mulheres não conseguem se identificar com o seu signo solar. “

O que eu quero dizer com tudo isso?

Não podemos generalizar que todo escorpiano é igual, que tem certas deficiências, porque todo escorpiano pode ter características semelhantes, mas quando combinamos com o seu ascendente e sua lua, tornamos mais assertiva a identificação desse ser. Isso também acontece com os orixás regentes (Orixás de frente comumente chamados também)

Não é porque eu sou um filho de Xangô que serei possessivo, violento, ciumento e as demais características pejorativas encontradas no arquétipo do Orixá, eu também tenho a minha “Mãe de Cabeça” e também tenho o orixá que rege os meus caminhos e eles alternam sua predominância em todo tempo de nossas vidas.

Existe as combinações, por exemplo:

Um filho de Xangô que tem como mãe de cabeça Iemanjá e “padrinho” Oxóssi, é diferente de um filho de Xangô que tem como mãe Oxum. Ocorrerão semelhanças, mas quando identificarmos profundamente certas características, existirão mudanças.

Dentro do próprio Orixá regente, ele tem a qualidade, o aspecto vibratório, por exemplo, um filho de Ogum, ele pode ser de Ogum Beira-Mar (Vibra com Iemanjá), filho de Ogum Iara (Vibra com Oxum), Ogum Megê (Vibra com Obaluaie), então, o Ogum tem uma qualidade, ou seja, ele carrega mais de uma vibração com ele. Continuando no mesmo contexto, vamos desmembrar Ogum Beira-Mar:

Ogum Beira-Mar: Orixá Ogum, que atua na vibração de Iemanjá, ou seja, a característica de um filho de Ogum Beira-Mar pode ser bem diferente da característica de um Ogum Rompe-Mato, justamente por a vibração é Ogum, mas ele traz mais de uma vibração.

Bem difícil passar isso em texto [risos].

Vou tentar definir o meu caso:

Sou filho de uma qualidade de Xangô que traz vibração com Oxalá, alguns chamam de Xangô Agodô e o seu sincretismo é São Pedro, outros dizem que é Oxalá velho, cada um tem a sua concepção individual nesse caso, eu percebia que todo guia meu aparecia de branco, achei estranho porque era convicto que eu era filho de Xangô, foi através de uma senhora que eu perdi o contato e de um excelente babalaô que fez a transição que descobri que na nação chamam-no de Xangô Airá, ou Sango Ayra, e na Umbanda é Xangô Agodô (Alguns chamam de Alafin).

Muitas pessoas utilizam dia da semana, dia de nascimento e outros diversos métodos, mas é importante salientar que não existe uma regra oficial para isso, dizem que quem nasce em outubro é filho de Obaluaie, eu sou de Xangô, que quem nasce de terça é filho de Ogum, e assim vai.

O Mundo espiritual possui diversas regras, mas é importante salientar que essas regras de dias, data de nascimento, muitas regrinhas dessas foram criadas por homens, e quando as coisas são criadas por homens, existe a sua margem de erro e muitas vezes, uma margem muito alta.

As formas mais adequadas de descobrir quem realmente é o seu Orixá Regente, ou Orixá de Cabeça ou Orixá de Frente como dizem, é com o seu próprio dirigente ou com sua intuição, eu percebi que geralmente, eu disse, GERALMENTE somos filhos do primeiro orixá que damos passagem. O primeiro orixá que eu dei passagem foi Xangô, sem saber como vinha, veio com as duas mãos fechadas, cruzadas e gritando Kio e Kao.

Muitos médiuns que começaram comigo, ocorreu a mesma coisa, um amigo de Oxum, meu irmão de Obaluaie, um outro amigo de Oxóssi, meu pai com Ogum e assim foi.

Um outro fator interessante para observar, é que nem sempre somos regidos pelo nosso orixá de frente, sim, eles alternam com o tempo, e também não existe somente a regência dos três principais: Pai, Mãe e Djuntó (Não gosto muito dessa nomenclatura), vai depender muito da missão do médium, eu já conheci pessoas que ao invés de três orixás, eram cinco que respondiam, além do fator de cruzamento de vibrações que eu citei acima como Ogum Beira-Mar, ele traz duas vibrações, aí você tem uma mãe como Iansã (Que algumas vibram com Oxum) e com Oxum (Algumas trazem vibração de Iemanjá) então você fica com seis vibrações dentro da sua cabeça. Mas isso é conversa lá para frente, que é um assunto bem complexo.

Mas não se apeguem a regras, quizilas, eu mesmo tenho como caboclo de frente, Sr. Urubatão da Guia, que se for estudar sua nomenclatura, ele vem com Obaluaie (Dizem ter quizila com Xangô), Xangô, Ogum e Oxalá. É um caboclo que traz quatro vibrações, existem caboclos que trazem Sete vibrações, como o caso do Sr. Sete Flechas, e assim vai.

Não existe receita de bolo, não existem regras pré-estabelecidas, a regra principal é acreditar em si mesmo, se você tem cinco caboclos, ótimo, pode acontecer, se tem apenas dois, ótimo também, cabe a você descobrir qual a sua missão dentro dessa jornada chamada vida.

Um outro fator importante salientar, criou-se uma lenda que “assentar” o orixá errado atrapalha a vida do filho e tudo mais, eu fiz todas as minhas obrigações para Ogum, que o mesmo não saía do meu pé [risos], Ogum me regeu por quase uma década porque ele precisou, eu precisava de força para muitas coisas, precisava de iniciativa, poderio de guerra e justamente por isso, ele me regeu por tanto tempo, mesmo eu sendo filho de Xangô, justamente por isso, fiz todas as obrigações possíveis pra ele e graças a Deus, nunca tive problemas. Assentar Orixá errado não atrapalha a vida de ninguém e não dá quizila também, isso é coisa que colocam em sua cabeça.

Importante salientar que muitos exemplos que eu dou, apesar de citar somente eu, se baseia conhecendo a vida de outras pessoas também, fui pai pequeno durante seis anos e consegui ver os bastidores de muita coisa.

Quer saber seu orixá de cabeça? Vivência ou Confiança no seu sacerdote. Apesar de achar que todos nós no fundo sabemos quem é o nosso orixá regente.

Ferramentas como astrologia, dia da semana, dia de nascimento, regras de cálculos, muitos utilizam o biótipo, tem centro que não pode ver um gordinho que já dão Xangô a ele, não podem ver uma baixinha que já dão Oxum a ela e assim vai [risos]. Muitas ferramentas podem ajudar sim, podem dar um norte, MAS NEM SEMPRE é um fato!

Em nosso plano, tudo o que se refere ao mundo espiritual são especulações e isso vai depender justamente dos olhos de quem vê e dos ouvidos de quem ouve.

Desculpem-me se os decepcionei tentando dar a fórmula certa para descobrir seu Orixá, porque ela não existe!

Bate-Papo Mesclado: A Sintonia com o Orixá e os estereótipos trazidos por eles.

Está aí uma das maiores buscas realizadas no site, como manter a sintonia com os seus guias, mentores e orixás.

E graças a esse texto, o Post Firmeza de Cabeça (Leia Aqui) é um dos mais acessados sobre o assunto e tantas vezes repostados em outros blogs.

Para não estender muito o assunto, o fato de manter a sintonia é aquele mesmo assunto do post anterior sobre o início da jornada mediúnica (Leia Aqui), é estarmos sintonizados em vibração, velocidade e intensidade com os chacras de nossos mentores, antes de estarmos alinhados com os chacras respectivos, é estarmos alinhados à energia Cósmica, estarmos receptivos às lições e inspirações provenientes do Universo.

Nossos pensamentos, independentemente do tipo, do grau, intensidade e forma, estão sempre sintonizados com alguma coisa, seja com a depressão ou a felicidade, seja com a tristeza ou a alegria, seja com o que há de inferior ou superior, sempre, estamos marcando impressões com a energia cósmica e essa sintonia depende única e exclusivamente de nós, lembrando a um aforismo muito conhecido como “Orai e Vigiai”. Podemos traduzi-lo como Pedir, Sintonizar e Vibrar de forma positiva com o Uno e nos manter sempre vigilantes para que esses pensamentos não mudem, o que é uma tarefa demasiadamente difícil no plano do qual estamos.

Conforme mencionado acima, estamos sempre sintonizados com algo, em diversas liturgias somos lembrados dos magos negros presentes no Astral, dos espíritos de baixo patamar vibratório sempre à espreita de uma brecha que podemos dar em um súbito ataque de fúria ou até mesmo um pensamento depressivo, e isso é o suficiente para sintonizarmos com as mais baixas vibrações e com isso, estarmos suscetíveis a atitudes pouco compreensíveis à nossa personalidade.

Então se o segredo para sintonizar com espíritos baixos é sempre pensarmos de forma negativa, pensarmos com raiva, com fúria, sempre estamos mal humorados ou irritados com algo, sintonizar com os nossos mentores de luz seria o princípio inverso. Correto??? Sim!

O segredo de uma boa sintonia com seu orixá é exatamente ser você mesmo, o Orixá é uma vibração, é uma energia e toda energia tem sua dupla polaridade, antes de obriga-los a não errar, o que é um processo vagaroso e complicado, é mais fácil eu pedi-los que aceitem seus erros! Exatamente, abracem essa causa, aceitem que são errados, aceitem que erram, errar é se conhecer e se conhecer, é ser feliz, é estar de bem consigo mesmo.

Existe um ditado oriental que diz:

“Aquele que vence 1.000 homens, é grande.
Aquele que vence 10.000 homens é poderoso
Aquele que vence a si mesmo é invencível”

Dizem que os filhos de Xangô são temperamentais, ciumentos, possessivos, violentos… Sim, podemos ser, a nossa energia (Sou filho de Xangô) nos traz tendências a isso, podemos sim carregar conosco esses estigmas de raiva, de cólera, temos a solução de aceita-las ou negá-las. Aqueles que não reconhecem, ainda estão no primeiro degrau da evolução. Ainda precisam passar por um processo de vivência e experiência até entenderem suas atitudes; Existem  aqueles que reconhecem e dizem: “Sou assim mesmo e não vou mudar”, em minha humilde opinião, são tão ignorantes como os primeiros, ter um defeito e negar a sua mudança ainda é mais grave que não reconhece-lo; Existem os que aceitam, esses já possuem um nível de consciência superior ao primeiro que ainda o nega, e ao segundo que reconhece-o mas acha que está tudo bem, o terceiro tipo, já está um passo a mais na escala evolutiva, Existe o próximo patamar que são aqueles que tem ciência dessa deficiência e tentam humildemente mudar, buscam referências, buscam apoio para que possam ser pessoas melhores, e existe, de fato, o último patamar: São os que evoluíram essa deficiência e deixaram de possuí-la.

Sim, enfatizo, aquele que conhece o seu defeito e por comodismo ou ego, diz em voz alta que é assim e não muda, são mais ignorantes que aqueles que ainda não o reconhecem, existem esses tipos de pessoas e irrefutavelmente cada tipo, vibra com um tipo de energia diferente.

E isso reflete muito nas religiões afros: Eu sou mentiroso porque sou filho de Exu, eu sou gordinho porque sou filho de Xangô, eu sou mandão e possessivo porque sou filho de Ogum, isso sim, pessoas, tem um CERTO e PEQUENO tipo de fundamento sim, mas é vocês têm algo que se chama livre-arbítrio e isso deve ser imperativo. Se possuem essas tendências energéticas, consequentemente são tendências e não regras, a pessoa que tem tendência a engordar, se ela cuidar de sua alimentação e praticar exercícios, dificulta o ganho de peso, assim somos nós em nosso campo mental e espiritual, tendência não é uma máxima que temos que ser.

Pelos Orixás trazerem essa energia é que criou-se as lendas, a mitologia, a história, repleta de histórias de traição, guerra, amor e ódio, baseado nesse princípio que os filhos de determinados orixás trazem seus defeitos e qualidades, assim criou-se essa apoteose para ilustrar a ideia do tipo de vibração que cada orixá imprime aos seus filhos, mas é importante salientar, não é o Orixá que tem o defeito e sim a energia antagônica que o mesmo traz para dentro da cabeça do filho!

Querem sintonizar melhor com seus orixás? Se aceitem primeiramente, segundo, saibam que possuem o elemento primordial para mudarem: O Livre-Arbítrio. Steve Jobs disse uma vez para alunos de Stanford: Sejam sempre famintos!!!

Então… Busquem sempre o conhecimento, busquem a evolução e ela só se dá com o autoconhecimento, que por sua vez, só se dá reconhecendo suas deficiências e aptidões.

A melhor sintonia com o seu Orixá é o conhecimento que você adquire com a prática do bem e da caridade para com os demais, sejam bons, sejam íntegros, não estou pedindo para serem perfeitos e sim, deem o seu melhor, façam o melhor que podem, essa sim, é a melhor sintonia que farão para serem excelentes recipientes de energia para os mestres de luz.

Namastê

Neófito.

Elemental Fogo

In Lak’ech = Um cumprimento Maia que significa “Eu sou outro você”.

Exaustivamente ouvimos que a Umbanda é uma religião que cultua a natureza bem como suas vibrações. Em muitas escolas, aprendemos que a Umbanda cultua o desdobramento ou qualidades ou até mesmo vibrações do Criador. Que os orixás nada mais são que forças da natureza presentes em nosso orbe. Baseado em tais afirmações, achei interessante começar a escrever sobre os elementais, começando pelo elementar FOGO, muito utilizado na liturgia umbandista, seja no ato de queimar a pólvora, comumente chamada de fundanga ou até mesmo tuia, seja na defumação, o ato de queimar as ervas e purificar o ambiente, seja no próprio fumo, onde as entidades queimam os condesadores de energia para realizar os seus trabalhos magísticos e também nas velas, no ato de acender a vela estamos automaticamente evocando a energia do elementar Fogo.

O Fogo desde os primórdios de nossa cultura é considerado um elementar de extrema importância, principalmente em rituais iniciáticos. O Fogo é a evocação da Energia Ígnea.

A Palavra Ígnea vem do Latim Ignis, que é originário do sânscrito Agni, o Deus do Fogo. No Panteão Hindú é um Deus Imortal, porque a chama não morre, a todo momento ela é reacesa e também é um Deus Jovem, porque o Fogo se Renova. No Zoroastrimo é também chamado de Atar.

Na mitologia Romana, o Deus do Fogo é Vulcano, e na Grega é Hefesto. Todas as grandes mitologias atribuíam o Fogo a Uma Energia Divina. No esoterismo, diz-se que os espíritos elementais dos fogos são as salamandras. Pouco se sabe sobre as salamandras, apenas que são espíritos gigantescos usando armadura de fogo, alguns dizem que possuem formato de dragão e outros dizem que são humanóides cobertos de fogo. Diz-se que o home,m não tem o conhecimento e nem pode lidar diretamente com as salamandras, pois como atuam no mundo ígneo, é capaz de transformar o homem em cinzas em questão de instantes. Apenas especulações, mas é importante sabermos um pouco de tudo… Conhecimento nunca é demais.

Nos rituais Afro-Brasileiros há uma controversia, para alguns o Deus do Fogo é Xangô, para outros, Ogum. Dentro do que eu estudei e que me foi ensinado, é Xangô.

Na Alquimia é o Elemento Preponderante para qualquer reação química, o Fogo é o Agente Transmutador, é o que altera e modifica partículas. É o elemento de combustão, de ignição, que gera calor e luz.

Peguei apenas um trecho de um site que eu gosto muito, o howstuffworks:

O que é fogo?

Os antigos gregos consideravam o fogo um dos elementos fundamentais do universo, junto com a água, a terra e o ar. Esse conjunto faz sentido intuitivamente: você pode sentir o fogo assim como pode sentir os outros três elementos. Você pode também vê-lo, cheirá-lo e movê-lo de um lugar para o outro.

Mas o fogo é algo completamente diferente. Terra, água e ar são formas de matéria (eles são feitos de milhões de átomos agrupados). O fogo não é matéria, mas sim um efeito secundário visível e tangível da matéria emmodificação (é parte de uma reação química).

Normalmente o fogo surge de uma reação química entre o oxigênio na atmosfera e algum tipo de combustível (madeira ou gasolina, por exemplo). Obviamente, a madeira e a gasolina não pegam fogo espontaneamente só porque estão cercados de oxigênio. Para que a reação de combustão ocorra, você precisa aquecer o combustível até sua temperatura de ignição.

Percebemos que em todas as filosofias o Fogo é Extremamente Importante, principalmente nas liturgias religiosas.

Posso dissertar várias páginas sobre o elemento Fogo, mas fugiria do escopo e as pessoas tendem a fugir de posts muito longos, então vou dividí-lo em partes. Por agora, preciso ser mais objetivo no assunto e posteriormente entrarei em maiores detalhes.

Conforme já mencionado anteriormente, o Fogo é um elemento de extrema importância para o ritual umbandista, aliás, em todas as religiões, sejam pagãs, neopagãs, o fogo tem importância primordial para qualquer ritual.

Na Umbanda, não foge o caso, o fogo está presente em todos os sacramentos, mas qual o valor espiritual e metafísico que o fogo representa?

Como já mencionado, fogo é o elemento da combustão, ignição, ele gera calor e luz, o fogo queima, transmuta, transforma, então vamos exemplificá-lo dentro de nossos rituais.

A queima da pólvora,  que é um elemento de aceleração de partículas, é capaz de romper a camada material infiltrando na camada espiritual e realizando a limpeza, em outras palavras, é uma função extremamente poderosa de limpeza no campo físico e extrafísico. A junção do Fogo que é o elementar que transcende os sentidos físicos com a pólvora, que é um acelerador de partículas, é um excelente meio para queima de miasmas e outras cargas deletérias, geralmente é utilizada por mentores que atuam no feixe negativo do Cosmico, muito comumente utilizada para o trabalhos dos guardiões, onde o trabalho é feito de uma forma mais intensa atuando no choque de forças.

No caso da defumação, o princípio é parecido, o elemento fogo transcende o portal da matéria e junto com as ervas, que são elementos do reino vegetal que também são ótimos condensadores e catalisadores de energia, atua na limpeza, firmeza, potencialização  e proteção dos templos. Cada erva possui a sua qualidade vibratória e está inerente às vibrações dos Orixás. As Ervas também são agentes mágicos e já é comprovado cientificamente pela aromaterapia e feng-shui todas suas qualidades e benefícios, seja pela queima, pelo banho ou pela ingestão das mesmas. É sabido que cada erva é utilizada para um determinado fim e a união do poder das ervas com a combustão da mesma, torna um agente extremamente eficaz para diversas funções. Sem contar com o elemento ar, o principal veículo de condução de energia que será comentado em posts posteriores.

A queima do fumo segue praticamente o mesmo princípio, mesmo porque a entidade não traga o fumo, ela só defuma o ambiente e o consulente se necessário, importante salientar que o recepiente de onde está armezado o fumo também é essencial, no caso, o Chico Preto exige o cachimbo de barro, que sabemos que é uma mistura heterogênea de terra e água, outros dois elementais que serão discutidos em posts posteriores no blog. Alguns também exige o cachimbo de madeira, nào a trabalhada, mas a madeira rústica, que é um elemento do reino vegetal também e ajuda no trabalho magístico das entidades.

Temos a vela, que é feita de cera animal ou pode ser feita também de parafina, que é um composto do petróleo, ótimo condutor e de baixa combustão, dentro da vela temos o pavio, que conduz muito bem o calor sendo suprimido pela evaporação da cera da vela. A vela possui inúmeros significados que eu preparei um post somente para isso, vou focar apenas no caso da Umbanda nesse post, que é um sinal de elevação, devoção e comunhão com o guia ou o orixá que estamos demandando nossa vibração. A Chama da Vela simboliza a Luz, o Elo de ligação entre a Luz que nos Anima que a Luz dos Guias e Orixás, que provém da mesma Fonte de Energia: Deus.

Importante salientar que nem os guias e Orixás dependem da vela para possuírem luz, muito se ouve falar que acendemos velas para dar mais luz aos guias, o que seria muito fácil, seria só eu acender vela todo dia pra mim que com 40 anos me tornaria um Deus. A Vela é apenas o elo de ligação, entre a Nossa Fonte de Energia e a dos nossos mentores, é uma forma de simbolizar a Luz que nos une e de certa forma de entrar em sintonia com aquela vibração para que possamos agradecer ou solicitar. Através da vela, podemos transmutar nossos pedidos de acordo com a vibração do Orixá que está recebendo-a. É uma forma de fundirmos com a energia daquele que estamos acendendo vela.

Por isso, em minha opinião, a cor da vela é mais um adorno, um ponto de referência de nosso veículo mental para uma determinada vibração do que a utilizada propriamente dita. A Chama não tem cor e a parafina é um colorante, o que no ponto de vista espiritual, não significa muita coisa.

A cor é uma referência apenas para que possa ajudar em nossa firmeza com a cor vibratória daquele orixá, por exemplo, como a cor vibratória de Oxóssi é o verde, acendemos a vela verde afim de entrarmos em sintonia com essa vibração, mas a eficácia do trabalho é muito mais a mente, ao poder ali direcionado juntamente com a fé, onde a cor não tem nenhuma importância.

Posteriormente elucidarei mais sobre o assunto e tentarei esmiuçar um pouco mais esse tópico.

Essa semana estive muito ocupado com o trabalho e só consegui me dedicar ao mundo extrafísico, ontem e hoje.

In Lak’ech

Neófito da Luz.

Linha de Caboclos – Parte III

Axé,  prezados irmãos.

Esse post vou me focar apenas no aspecto vibratório e no nome magístico do caboclo. Eu acredito que os nomes não são por acaso e nem tampouco o campo vibratório do qual o caboclo atua. Claro que existem algumas raras excessões.

Vou pegar por exemplo, um caboclo que conheço bem e é um caboclo de trabalho, caboclo do Sol.

Geralmente os caboclos que possuem nomes de astros, são caboclos atuam também sob os auspícios da vibração de Xangô, não quer dizer que o mesmo não trabalhe sob outras irradiações, mas como vibração Nativa, é a Vibração de Xangô. Mais alguns exemplos:

Caboclo da Lua, Sete Luas, Sete Estrelas, Sol Nascente, Estrela Dalva, entre outros.

Voltando ao aspecto Caboclo do Sol, ele possui a vibração Nativa de Xangô, mas também atua sob a vibração de Oxalá, porque Sol é o Astro Regente da Vibração de Oxalá. Vamos desmembrar mais um pouco.

Sol = Composto por Fogo (Elementar de Xangô), é o Astro responsável por irradiar nossa galáxia, astro correspondente a Oxalá. Por ser um índio, também pode trazer sob sua vibração Oxóssi.

Caboclo da Lua – Lua por muitas vezes é cultuado como Oxóssi e/ou Iemanjá, a Lua geralmente é reservada à Grande Mãe das Águas, então, podemos concluir que o caboclo da Lua, pode trabalhar com Xangô, porque a Lua é um Astro, pode ser de Oxóssi e/ou Iemanjá. Muitas casas também atribuem a Lua ao Orixá Ogum. Todos podem estar certos, então temos um caboclo que atua sob os auspícios de quatro orixás.

Caboclo Tupã – Significa trovão  em Tupi e é o Deus que concebeu a Terra, só aí já temos Oxalá e/ou Xangô no nome desse caboclo, fora que por ser da tribo de Tupis, conforme exemplificarei abaixo, pode ser também um caboclo de Oxóssi.

Um outro caboclo que conheço muito bem é o Sr. Rompe-Mato. Desmembrando seu nome, temos o “romper” que é o significado de força, o que simboliza Ogum e em seu nome, encontramos “mato” que é de Oxóssi.

O que mais me espanta é que muitos sacerdotes que conhecem muito bem a Umbanda, sabiam da irradiação do caboclo sem muito espanto, a minha madrinha quando chegava o caboclo em terra ela já sabia quem era e com qual orixá ele trabalhava. Hoje, com muito estudos, conseguimos chegar a um patamar razoável, e que confirma muita coisa que os antigos já diziam a respeito dos caboclos e suas vibrações, com isso, conhecendo bem nossas entidades, sabemos quais são os nossos orixás e com isso, identicarmos qual a nossa missão e propósito na Terra dentro do autoconhecimento da Umbanda. Claro, como eu disse, existe algumas raras excessões, esse caboclo, Sr. Rompe-Mato, também vibra e muito bem na linha de Xangô.

Em minha humilde opinião, acredito veementemente que trabalhamos com os guias que estão na mesma sintonia vibratória que nossos Orixás regentes, salvo raras excessões pode aparecer um guia que precisa trabalhar e nós como mediuns, cedemos por um tempo a nossa matéria para que ele possa atingir o seu objetivo, obviamente com a permissão de nossos Orixás e do Guia Chefe.

Um outro fator muito interessante, é a linha de caboclos Tupis, seja Tupinambás, Tupiniquins, Tupinarés, são caboclos que possuem como vibração nativa do Orixá Oxóssi e através de algumas pesquisas, como sempre, tudo o que me vem à mente, gosto de procurar e pesquisar com coisas que corroboram com minhas idéias, aí vi que a linha de Saraceni também identifica através do nome do caboclo qual é o seu Orixá regente e achei isso muito interessante.

Vou postar abaixo um trecho do qual eu concordo veementemente e pude vivenciá-los durante meu tempo dentro da religião, inclusive, o que fala do meu mentor chefe, Urubatão da Guia corrobora perfeitamente com o que ele me ensinou:

Icaraí- Icaraí significa “água santa”. A água é um elemento de Yemanjá. O que torna algo “santo” é a Presença de Deus (o Alto do Altíssimo); e o Orixá que representa o mais Sagrado é Oxalá (porque rege o Sentido da Fé, base da religião). Logo, é um Caboclo de Oxóssi, Yemanjá e Oxalá;

Tupinambá- Tupinambá significa “filhos de Tupi” (ou de Tupã). Tupi é a Raiz, o Pai. Por analogia, o Orixá Oxalá é “o Pai” (porque o Seu Fator Magnetizador é a base da Criação). Logo, é um Caboclo de Oxóssi e Oxalá;

Urubatão – Urubatão (ou Urubatã) significa “madeira dura”. Madeira vem de árvore=Oxóssi; mas a madeira é a árvore que foi cortada e passou por uma transformação= Obaluayê; e dura= dureza= força=Ogum. É um Caboclo de Oxóssi, Obaluayê e Ogum;

Urubatão da Guia – Valem as explicações anteriores. Acrescente-se que “guia” vem de “estrela guia”, um símbolo de Oxalá. Logo, este Caboclo é de Oxóssi, Obaluayê, Ogum e Oxalá;

Ubirajara- Ubirajara significa “o atirador de lança”. A lança é de Ogum. Logo, é de Oxóssi e Ogum.

Jaci – Jaci é “a deusa da lua”, que é associada às Divindades Ísis (egípcia) e Lakshmi (hindu). Estas, por sua vez, são relacionadas a Oxum. Logo, seria uma Cabocla de Oxóssi e Oxum. Mas a lua também pode ser associada a Oyá-Tempo, Yemanjá e Nanã, de modo que pode ser uma Cabocla com essas regências.

Jacira – Jacira significa “inseto que produz mel”. Quem produz mel é a abelha, que pertence ao reino de Oxóssi. Mas o mel também representa a doçura, que se associa a Oxum. Logo, é uma Cabocla de Oxóssi e Oxum.

Indaía – Indaiá, em tupi-guarani, é um tipo de palmeira. Sendo um elemento vegetal, está ligado a Oxóssi. Seria um Caboclo (a) na Irradiação pura de Oxóssi.

Caboclo “Pena”: Todo Caboclo Pena traz uma qualidade voltada para ensinar, doutrinar. A pena é de Oxóssi, Orixá do Conhecimento.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Pena Branca- o branco é a cor de Oxalá; logo, é um Caboclo voltado para ensinar a Fé (é de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Pena Dourada- o dourado é uma cor de Oxum; logo, vem para ensinar o Amor (é de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Pena Verde- o verde é de Oxóssi; logo, vem para expandir o Conhecimento; (atua na Irradiação pura de Oxóssi); ●Caboclo Pena Marrom- o marrom é de Xangô; logo, vem para ensinar a Justiça (é de Oxóssi e Xangô); ●Caboclo Pena Vermelha- o vermelho é de Ogum; logo, vem para o ensino da Lei (é de Oxóssi e Ogum); etc. A cor que aparece no nome do Caboclo indica a qual Orixá está relacionado e em qual Sentido da Vida ele vai atuar, especificamente.

No caso do Caboclo Sete Penas, o “sete” indica que ele atua nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, na Irradiação de todos os Orixás, sendo um doutrinador de almas

Caboclo “Flecha”: Todo Caboclo Flecha traz duas qualidades fundamentais: uma voltada para o Conhecimento (pois a flecha é de Oxóssi) e a outra voltada para o Sentido da Direção (porque a flecha também aponta numa direção, ela dá direção- Qualidade de Yansã). São Caboclos que atuam para dar um direcionamento na busca do Conhecimento, na expansão do nosso aprendizado. E a cor que aparecer no nome do Caboclo dará o campo específico da sua atuação.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Flecha Branca= direcionador do Conhecimento no campo de Oxalá= Fé; ●Caboclo Flecha Dourada= direcionador do Conhecimento no campo de Oxum= Amor; etc.

Já o Caboclo Sete Flechas é um direcionador do Conhecimento nos Sete Sentidos da Vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). É um direcionador de almas, de espíritos.

Caboclo “Folha”: Todo Caboclo Folha traz qualidades de Oxóssi, pois a folha é de Oxóssi, o Senhor do Reino Vegetal.  E a cor da folha indicará qual outro Orixá os rege e o campo específico de suas atuações.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Folha Branca (de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Folha Dourada (de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Folha Verde (Irradiação pura de Oxóssi); etc.

Quanto ao Caboclo Sete Folhas, há uma particularidade: a folha serve para curar; e o Orixá “dono de todas as folhas” e que cura pelas folhas é Ossaim. Como o Caboclo Sete Folhas trabalha com todas as folhas (nas sete Irradiações), vemos que traz qualidades de Ossaim. (Ossaim não é cultuado diretamente na Umbanda, e sim dentro do campo de Oxóssi.)

Caboclo “Pemba”: Todo Caboclo Pemba traz qualidades de Oxum (Trono Mineral), pois a pemba é um mineral. São Caboclos de Oxóssi e Oxum. Oxóssi traz o Conhecimento e a expansão; Oxum é agregadora, atrai e reúne com harmonia.

Como nos exemplos anteriores, a cor que aparece no nome (Pemba Branca, Pemba Roxa etc.) indica o campo específico da sua atuação. Já o Caboclo Sete Pembas atua nos Sete Sentidos da Vida. (Fonte dos itens I/V: Anotações de aula do Curso Virtual de Teologia de Umbanda ministrado por Alexandre Cumino, turma 11, Plataforma EAD do Instituto Cultural Aruanda.)

Outros nomes:

●Os elementos, pontos de forças, as cores, instrumentos (flecha, escudo etc.) e condições climáticas que aparecem no nome do Caboclo dão uma indicação do Orixá que o rege e do seu campo de atuação. Exemplos: Caboclo dos Rios (Oxum); Caboclo Ventania (ventania= ar em movimento= Yansã); Caboclo do Fogo (Xangô); Caboclo da Terra (Omolu); Caboclo do Mar (Yemanjá); Caboclo do Ouro (Oxum); Caboclo do Lago (Nanã); etc.

●Há nomes ligados a verbos ou ações. Exemplos: Caboclo Rompe-Mato: romper é um ato de força= Ogum; mato= Oxóssi; logo, é de Oxóssi e Ogum; Caboclo Quebra Pedra: quebrar= Ogum; pedra= mineral=Oxum; logo, é de Ogum e Oxum.

●Os nomes de animais, em especial os de felinos (gato, jaguatirica, leopardo, leão, onça, tigre, pantera, jaguar), em geral estão diretamente associados a Oxóssi, que é o Senhor do Reino Vegetal (flora) e também da fauna (animais).

Mas alguns têm outras particularidades. Exemplo: Cobra Coral. A cobra é um animal associado ao Orixá Oxumarê (a Serpente de Dan). E a cobra coral tem as cores vermelha (de Ogum), preta (de Omolu), amarela (de Yansã) e branca (de Oxalá). Logo, é um Caboclo que atua na Irradiação de Oxumarê, Ogum, Omolu, Yansã e Oxalá.

(Fonte: Rubens Saraceni, “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada” e “Tratado Geral de Umbanda”, ambos da Madras Editora.)

E por fim, só queria ressaltar que não estou fazendo nenhuma apologia a nenhuma escola de Umbanda, mesmo porque, como enfatizo, eu sigo a dos meus guias, mas é sempre importante termos a humildade de olhar para o lado e verificar que mesmo discordando de alguns pontos, podem ocorrer semelhanças doutrinárias, e no caso dos nomes, concordei perfeitamente com o que foi ensinado.

Sempre tento unir o misticismo, esoterismo com a Umbanda, afinal, são todos galhos de uma mesma árvore.

E como sabem, quem tiver mais dúvidas e eu poder contribuir um pouco com isso, meu e-mail é neofitodaluz@gmail.com ou podem comentar no post.

Posteriormente farei uma tabela dos elementais dos orixás, seu campo de atuação e suas respectivas cores. Inclusive já estou concluindo.

Namastê.

Neófito da Luz.

Umbanda – Monolatria, Monoteísmo, Panteísmo ou Politeísmo.

Saudações Fraternais Prezados Irmãos.

Antes de começar a redigir esse tópico, primeiro vou fazer um breve comentário dos  conceitos do título do post:

Monolatria: É a crença em mais de um Deus, porém é escolhido apenas um para se devotar, na mitologia Nordica era muito comum acreditar em Deuses de Asgard, mas geralmente a devoção era realizada para apenas um deles, seja Thor, Odin ou os demais.

Monoteísmo (do grego Mono: Um, Theos: Deus): É a crença da existência de um Único Deus, como as maiores religiões do mundo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

Panteísmo (do grego Pan: Tudo, Theos: Deus): É a crença de Uma Fonte de Energia, seja qualquer denominação como Deus, Universo, Cósmico e que Anima a todas as coisas. Está na Natureza, está nas pessoas. Essa Energia anima todo o Universo e é muito comum encontrar essa forma de pensamento em filosofias orientais como o Budismo, Taoísmo, Confucionismo, entre outros.

Politeísmo (do grego Poli: Muitos, Theos: Deus) : É a crença em Diversos Deuses, cada um atuan do em um Campo, cada um tendo o seu poder particular sobre pontos e circustâncias naturais, como a Justiça, como a Guerra, muito comum em religiões antigas como o Hinduísmo, Xintoísmo e as próprias religiões africanas.

E realmente nas práticas Umbandistas presenciamos essas quatro categorias dentro da prática, ou seja, a Umbanda é uma religião aberta, Universalista, o que por um lado é excepcional, abre as portas para diversos irmãos das mais diferentes crendices, por um outro lado, é péssimo, não existe a Uniformidade de Informações, cada um a compreende e pratica de uma forma diferente, não existe uma Regra e sim especulações onde cada casa trabalha de uma forma. No meu atual ponto de vista, não vejo nada bom nesse aspecto.

A Umbanda como Monolatria.

Algumas liturgias Umbandistas, principalmente as que usam como base o Candomblé acredita nos Orixás como Verdadeiros Deuses, como Ogum o Deus da Guerra, Xangô o Deus da Justiça e dos Trovões, em algumas casas, até mesmo o Deus do Fogo (Nem nisso há uma descrição uniforme sobre o assunto), onde esses Deuses punem, possuem total autonomia para fazer o necessário com os filhos da Terra. Era muito comum acreditar nos Deuses mas escolher um de sua Devoção, seja pela posição social ou pela região que o adepto ocupava. Até hoje se vê muitas casas praticando dessa forma, com isso, veio o termo Filho do Orixá.

A Umbanda Monoteísta

Algumas casas de Umbanda acreditam que os Orixás são vibrações da Natureza, dispersas no Cosmico, outras que são tronos Divinos, qualidades de Deus e outras acreditam que são apenas semi-Deuses, mas que existe apenas Um Único Deus, essa Umbanda tem uma raíz muito mais cristã que africana propriamente dita. Acredita em um Deus Unico e nas Palavras de Cristo.

A Umbanda Panteísta

Há aquela prática que acredita que Deus está em todas as coisas, é uma Umbanda mais mística, a Centelha Divina anima qualquer coisa existente no Universo, Deus, assim como os Orixás que são suas próprias vibrações, estão na cachoeira, nas matas, nas árvores, no ceu, no mar, em qualquer lugar.

A Umbanda Politeísta

Parecida com o conceito da Monolatria, acreditam na existência de vários Deuses chamados Orixás, e para cada situação da qual o filho passa, ele evoca um orixá diferente, seja Xangô em problemas de Justiça, seja Oxum em problemas com o amor, seja Obaluaie com problemas de doença. São Deuses que atuam em diferentes aspectos da Natureza e da Vida Terrestre. Não evocam a um Deus Unico e sim os Deuses em seus campos sagrados, como Ogum para vencer demanda ou quebrar olho gordo.

Existem também algumas casas que mesclam as categorias supracitadas, eu como venho de uma linha mais mistico-esotética, acredito em Vibrações, os Orixás são vibrações Naturais dispersas no Cosmico, quando fala que se é filho do Orixá, eu entendo que eu nasci com aquela Vibração Nativa, no meu caso Xangô, justamente com essa Vibração Nativa eu tenho um Papel determinado para preencher durante minha existência, ser Justo acima de tudo é uma delas, é uma vibração que também atua nos escritores, pesquisadores, advogados, então são as armas que eu tenho para que eu possa ter uma existência tranquila na Terra e sendo assim, prosseguir com a missão que me foi dada.

Não acredito e nunca acreditei em Orixás como Deuses, como seres que viveram na Terra Encantada, como seres que já encarnaram, talvez seus falangeiros possam até ter vivido na Terra em algum dia, mas Orixás são desdobramentos Vibratórios do Divino, mas como é um conceito muito complexo de se absorver logo de cara, talvez pelas alegorias, as lendas, tenham dando essa impressão sobre os Orixás.

A Monolatria acredita muito em Orixás como Deuses, mas escolhemos apenas um deles para Devoção, seja por afinidade, seja por região ou até mesmo porque você é “filho” dele. Já conheci muitos filhos que não negam a existência de outros orixás, mas sua devoção é apenas por Ogum, o Deus da Guerra, o vencedor de Demandas. Eu tiro base pelo meu Blog, o post mais acessado, SEMPRE, é sobre OGUM.

Já vi muitos filhos também louvarem a todos os Orixás, dependendo de qual era sua necessidade, apelava sempre para o Orixá correspondente à sua necessidade, problemas jurídicos, por exemplo, era Xangô que tinha sua devoção, problemas com o conjuge, era sempre Oxum ou até mesmo Obá, e assim por diante.

Já o Monoteísmo é muito comum em algumas casas de Umbanda, quando louvam a Deus e Cristo em suas aberturas, ou até mesmo a Olorun ou Oxalá, para alguns Zambi ou Obatalá. Mas a Umbanda raíz, mencionada por Sete Encruzilhadas era Monoteísta e seguia as palavras de Cristo.

O objetivo desse post era apenas uma pincelada mesmo para que todos pudessem refletir sobre o assunto de como vêem a Umbanda. Muitos hoje, ainda cultuam Orixás como Deuses, passíveis de paixões, o antropomorfismo ainda fala muito alto em muitas casas, principalmente as de nação. Xangô se enfureceu, terá o seu filho um alto preço por causar a fúria do mesmo. Muitos comentários sobre o filho apanhar de Ogum por ter quebrado algum preceito ou contrato. E assim vai, as raízes antropomórficas ainda são muito enfáticas nos dias de hoje.

Minha Concepção eu já mencionei, Orixá não tem paixão, Orixá é uma Vibração Pura, não carrega o ódio, não carrega a vingança, nunca vou “apanhar”de Xangô porque ele ficou bravo comigo.

Só para ilustrar o conceito de Antroporfismo de forma prática, lembrem-se na Mitologia Grega, Zeus Punia os humanos quando erravam na Terra,  Afrodite com seus feitiços, não hesitava em venenar alguém que fugia dos seus propósitos, Artemis puniu um Rei por falar que sua filha seria mais bonita que ela, e assim por diante. É colocar os Deuses com a psiquê humana, o que é muito comum hoje em dia.

Então como disse, foi apenas um post para reflexão, como enxergam os Orixás? Como pais? Como Deuses? Como Vibrações? Muitas pessoas com 10, 15 anos de Umbanda nunca chegaram a pensar sobre o assunto, então é sempre interessante construir os alicerces em cima de fundamentos, qual a sua concepção sobre isso?

Reflita, ouça seus guias, com isso, obterão as respostas que desejam.

Não quis dar uma conclusão ao artigo, apenas um meio de refletirem.

Que a Graça Cosmica estejam com vocês.

Meus sinceros votos de Paz Profunda.

Neófito da Luz.

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe