A Necessidade das Imagens e Paramentos na Umbanda

Nota da imagem: Imagine ter agilidade, força e destreza para lutar com um trombolho desse acima? E historiadores confirmam que a luta não era tão cinematográfica como nos filmes, assim como o excesso da paramentação atrapalhava as lutas, a mesma atrapalha o andamento dos trabalhos direcionando a atenção para outra direção divergente da Caridade e Humildade.

Saudações irmãos, aqui estou eu novamente, essa semana foi praticamente um COMBO de artigos… Fico um tempo entocado e quando saio, aí é um artigo atrás do outro.

O tema dessa vez é em relação aos diversos artigos que utilizamos durante os trabalhos, sejam chapéus, roupas, cachimbos, panos, fitas, imagens no altar entre outros.

Para isso, como tudo na vida, é importante ressaltar o caminho do meio, sabemos que o bom senso é extremamente relativo, porém, importante ressaltar alguns fatos que serão explanados no decorrer do texto.

Muitos centros utilizam cocares para os caboclos, capas, cartolas, espadas e afins, o que até então não vejo nenhum problema na utilização, isso ajuda na materialização de energia do guia, o seu orixá, o seu guia sabe o que é necessário para que você possa trabalhar de maneira correta, eu a priori, não suporto cocares para os caboclos, acho que vira um circo, porém, para alguns médiuns e até mesmo assistentes, é um importante caracterizador para dar mais credibilidade à consulta e consequentemente à incorporação.

Esses artefatos possuem mais valor visual a energético, sim, muitos exús envolvem seus filhos ou consulentes em suas capas, obviamente existe uma energia embutida ali, isso não me resta nenhuma dúvida, porém, é muito mais uma forma de dar credibilidade ao trabalho do que uma necessidade vibratória propriamente dita, o mesmo acontece com os chapéus, ajuda muito para o médium se concentrar, inclusive quando o guia coloca o chapéu na cabeça de outrem, isso ajuda com que aquele que está recebendo o chapéu em sua cabeça, tenha mais credibilidade no trabalho, o chapéu também serve para materializar determinada energia que o guia o utiliza ali, empregada na utilização para diversos fins, até aí sabemos que é muito útil e bem vindo, também é sabido que esses paramentos servem para auxiliar aquele que recorre a entender que tipo de guia ele está conversando, seja um baiano, seja um boiadeiro, seja um marinheiro, é uma caracterização que ajuda a identificar o arquétipo daquele espírito, e obviamente, o espírito que ali solicita tais paramentos, pede pela afinidade de experiências de vidas passadas, então com isso, une-se o útil ao agradável.

O guia espiritual usa aquilo que mais se adequa à forma de trabalho dele, ao arquétipo que ele traz, auxilia o próprio médium que o serve, identificando-o, sabendo mais sobre ele, vestindo melhor a “roupa” daquele espírito que está influenciando-o e tudo isso, ajuda o consulente a identificar, a dar maior credibilidade, possuir maior afinidade com aquela linha, com aqueles trejeitos, com aquela forma de trabalho e com isso, temos um objetivo único, o direcionamento de energia como um todo, a potencialização da fé, da verdade daquele guia. Além de ser um importante direcionador de fé, de credibilidade, isso faz com que os mentores de outro plano comportem-se como nós mesmos, afastando a distância sísmica que possuem de nosso plano, pelo contrário, se tornam amigos terrenos, justamente pela utilização da linguagem, dos trejeitos, da intimidade e isso tudo ajuda de forma mútua a todos dentro do terreiro.

Nesse mesmo preâmbulo, existem as imagens, que faz com o que o consulente sente-se mais acolhido, a imagem de Jesus no altar, causa um peso estrondoso, muitos incrédulos de Umbanda ou pessoas que não simpatizam-se, ao ver a imagem de Cristo no altar, a grande maioria delas muda de imediato a concepção da Umbanda e dos rituais no terreiro, o mesmo acontece quando um católico vê aquelas imagens de santos dos quais já estão totalmente familiarizadas. Os olhos tem um fator extremamente poderoso sobre os rituais, infelizmente, ainda confiamos demais nos olhos da carne, porém, como sendo o único sentido que definimos a nossa realidade, a utilização desses elementos tornam-se primordiais.

O meu mentor chefe, deixou claro que não é que usarei do sincretismo nos meus rituais, mesmo porque em minha linha isso não vai existir, porém, a necessidade de algumas imagens no terreiro é imperativa, justamente pelo fator do acolhimento a todos aqueles que buscam a graça, porém desconhecem a liturgia umbandista e seu principal objetivo, que é acolher a todos, independentemente de quaisquer características e trazendo-os a cura de suas mazelas, sejam físicas ou espirituais.

Até aí, eu acho tudo válido, muito bonito e interessante, nossa dependência exacerbada do sentido visual faz com que eles nos adaptem às nossas realidades e vale salientar: O GUIA OU O ORIXÁ NÃO NECESSITA DE TAIS PARAMENTOS PARA TRABALHO, SÃO APENAS FORMAS DE MATERIALIZAR AOS NOSSO OLHOS A ENERGIA NECESSÁRIA PARA UM DETERMINADO FIM.

Agora é onde começa a entrar o EXAGERO…

Guias rebeldes que não descem em terra se não tiver a sua capa, guias que tem que se vestir da cabeça aos pés, principalmente gira de ciganos ou pomba-giras que é um show de luxo, uma religião que faz questão de pregar a humildade, ciganos exigindo em suas camisas SEDA e CETIM para que fiquem vistosos em suas festas. Aí eu me pergunto: Que maldição, a humildade e a vaidade conseguem conviver juntas? Vejo pomba-giras com vestidos caríssimos exaltando a NECESSIDADE de ter a sua roupa para a festa, podem me fuzilar, mas me desculpe, ou é você que quer se aparecer ou você está com um tremendo de um EGUN OSTENTAÇÃO.

NÃO EXISTE GUIA OU ORIXÁ EXIGIR UMA ROUPA DE 2000,00, eles vem aqui pra TRABALHAR e não pra PASSEAR, eles tem como principal objetivo a prática do bem e da caridade, a lição de humildade, de altruísmo, de sabedoria, QUAIQUER FATOS QUE DIVERGEM DISSO NÃO É UM GUIA DE LUZ, É UM EGUN OU O SEU EGO EXACERBADO.

Em uma festa de pomba-gira, uma maldita festa, inclusive, onde chamam as mulheres de putas e sem vergonhas, foi meia-hora para as “raparigas” se arrumarem e falarem uma “merda atrás da outra”, sim, o papo era somente de putaria, macho de membro cumprido,     que posição mulher gosta, pelo amor de Deus né minha gente? É legal ter espíritos de outro plano como amigos e talz, poder falar tudo o que temos vontade, mas “PERA LÁ”.

E irmão Ronald, antes que você fale que virou desabafo, virou mesmo, qualquer problema, a gente discute pelo Skype (rsrsrsrs).

Então, acho que tudo na vida deve ser medido e refletido, o que eu acho interessante são centros que permitem as pomba-giras vestirem-se como verdadeiras meretrizes mas coíbem o uso de brilho labial para as mulheres! Não faz o menor sentido.

Tudo é bom senso, minha gente, eu particularmente, EU, Neófito, acho uma banalidade roupas para guias, acho que isso é muito mais o estímulo da vaidade à seriedade de trabalho, ciganos esnobes ostentando uma roupa da qual o cidadão já está morto, não basta estar morto e ter a oportunidade de vir prestar a caridade, tem que continuar ostentando e diminuindo os irmãos vivos? Que raios de Umbanda é essa? Exús que só bebem Blue Label que vivem na riqueza no outro plano e querem continuar dessa mesma forma? Um dia vi o Rei das 7 Encruzilhadas que é o mesmo exú que eu sirvo, o chefe da minha linha, ostentando em trono no centro, cartola de cetim, corrente enorme de ouro e tomando Blue Label, na consulta, o mesmo me diz que é milionário no inferno e quer manter o mesmo hábito aqui na Terra, então porque não reencarna como conde? Rs

Então senhores, tudo é bom senso, acho muito saudável o seu guia usar uma espada, usar seus paramentos, acessórios de fácil colocação para não atrapalhar o andamento dos trabalhos, isso por incrível que muitos neguem, é útil a muitas pessoas que ainda vivem o complexo de São Tomé (Só acredito vendo) porém acho que aí é o limite, agora ir fantasiar o guia todo, encher de batom, lápis, pentear o cabelo, se perfumar, só por Deus. Existe uma página do Facebook que eu me divirto chamado “Pérolas da Macumba”, acompanhem, é risada na certa!

Fechar uma balada para os exús se pegarem? Podem procurar nessa página.

E antes que receba e-mails, que vem aos montes, que eu não respeito muitos rituais, digo-lhes com veemência, respeito a Umbanda, qualquer coisa que foge da Lei da Caridade e Humildade não é Umbanda, então eu bagunço mesmo! Rs.

E por fim, os paramentos servem para caracterização, para familiarização e por ultimo, como principal objeto de trabalho do guia espiritual, já vi exús darem um show em trabalhos somente com a cuia d´agua, não precisa de whisky do mais caro, baiano só pedindo Malibu pra beber, na época deles nem existia isso, vale pensar, o principal foco é que aqueles que cheguem até vocês ouvindo uma palavra, veja em vocês e nos seus guias espirituais, igualdade, fraternidade, mostrar que estão no mesmo patamar “social”, não uma pessoa humilde desempregada se deparar com um cigano que só bebe vinho do Porto, que palavra de humildade esse cigano vai proferir? Como vai atingir aquele humilde sendo que ele mesmo se mostra superior? Fica a reflexão.

Roupas caras, ostentação é para médiuns fracos que não confiam em si próprios, não possuem a firmeza necessária para dar uma boa comunicação, para impressionar aquele adepto que se prostra à sua frente e necessita de fantasias, dessa exacerbada caracterização para impressionar os nossos olhos, e eu digo com certeza, mesmo nossos olhos sendo o cartão de visita, nada mais impressionante que uma consulta de um guia espiritual que atinge seu coração, que fala algo que realmente acontece, que toca sua alma retirando do fundo dela, suas trevas e demônios.

Como diz meu amigo Chico Preto: “Os olhos da carne traem”.

E como dizia um grande filósofo Antoine de Saint-Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”

Neófito da Luz .’.

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Bebida simples ou de qualidade?

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Bom, irmãos de fé, esse título foi algo que eu ouvi de uma irmã de santo da qual tenho muita confiança e entrou recentemente em nossa egrégora, o exú exigir um whisky de boa qualidade. Com isso eu me pergunto: Um exú quer um whisky de boa qualidade porque ele gosta de beber esse whisky, porque quanto maior a qualidade, melhor o trabalho ou seria porque seu aparelho faz questão de tomar um whisky de alta qualidade.

Para refletir sobre esse assunto, eu gostaria de expor um pouco a minha idéia em relação a isso, em minha opinião, o álcool é apenas um elemento de trabalho relativo à vibração da entidade que o utiliza, trocando em miúdos, quanto maior a necessidade de um trabalho mais próximo ao nosso plano, maior a necessidade em trabalhar com elementos mais densos, como o álcool no caso.

Em hipótese alguma, acredito que isso saia seriamente da boca de um exú, conheço sim, exús que brincam em relação ao whisky que tomam, mas exigir um whisky de boa qualidade para que possam apreciar e trabalhar com ele, para mim seria uma afirmação inadmissível, algo que contraria totalmente as leis da Umbanda, como a humildade tanto pregada pelos nossos queridos vovós e vovôs da Umbanda.

Qual a diferença de um whisky de boa ou má qualidade? Apenas o teor de álcool? A “esmaltação”? Tudo isso seria necessário para o bom andamento dos trabalhos? Creio que não, acredito sim na hipótese de mistificação, acho que o que vale lembrar é sim o teor de álcool e a utilização desse elemento para o trabalho, um exú de Lei, trabalha com qualquer bebida que contenha álcool, talvez, ele tenha uma afinidade maior com determinados tipos de bebidas, talvez alguns prefiram o conhaque, pela existência do gengibre, outros o vinho, pela existência da própria uva, isso realmente é relativo e cada entidade tem uma certa preferência para escolher seus elementos de trabalho, mas no caso exigir um whisky de boa qualidade, como por exemplo, um Red Label, um Chivas, eu acho realmente um absurdo, talvez uma forma materialista do próprio medium ostentar um certo poder ao seu guia, em outras palavras, minha entidade é “chique, enjoada” só toma coisas de boa qualidade. Isso é consequência de um grave defeito que existem entre os filhos da Umbanda, o Antropomorfismo, agora que discutiremos posteriormente, em poucas palavras, é a forma de atribuir todos os pensamentos, defeitos e qualidades humanas aos guias e orixás, como ocorriam com os Deuses Gregos, por exemplo, ninguém possuía a coragem de enfrentar a Fúria de Zeus.

É uma forma de “humanizar” os guias e orixás, e acredito estarem em um patamar que dispensa tais sentimentos e pensamentos primitivos. Portanto, minha gente, em meus 12 anos de Umbanda e um pouco de experiência que eu obtive com guias e orixás, acho uma luxúria tal solicitação, é claro que, ouvirei de certos filhos que isso pode ser um ensinamento que o guia tá dando, que o guia sabe o que faz e blá, blá, blá, mas vale lembrar que acima do guia no ato da incorporação, há sim a cabeça do medium que pode prejudicar a comunicação entre guia e matéria. Portanto, o intuito desse blog é além de compartilhar o pouco da minha experiência, é tentar desmistificar algumas tradições que foram oriundas de simples superstições sem o devido embasamento, que de certa forma, acho que é o caso dessa situação.

A Exigência de um whisky de boa qualidade para uma pessoa, que se ali houvesse uma entidade firme, não pediria algo tão caro para alguém desempregado, e isso, nada mais é, do que mais uma história de ignorância do Grande Livro que escreve a nossa Amada e Singular Umbanda.

Enfim, essa é minha opinião, para a entidade, whisky é whisky, e acima da qualidade do whisky, existe o pensamento, que é a maior força do Universo, existe sim a intencão, o objetivo do medium da entidade e da própria entidade, o álcool, é apenas algo superfluo que possui influência apenas em nosso limitado plano materialista, portanto, ele é secundário servindo apenas como base e auxílio para o trabalho terrícola. Portanto, de boa ou má qualidade, o mais importante é a vibração da entidade e do medium, e acima de tudo, as intenções de ambos para a prática do Amor e da Caridade.

Um cordial Saravá.

Aranauam.

Neófito da Luz.

Bebidas caras para entidades. É realmente necessário?

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Bom, irmãos de fé, esse título foi algo que eu ouvi de uma irmã de santo da qual tenho muita confiança e entrou recentemente em nossa egrégora, o exú exigir um whisky de boa qualidade. Com isso eu me pergunto: Um exú quer um whisky de boa qualidade porque ele gosta de beber esse whisky, porque quanto maior a qualidade, melhor o trabalho ou seria porque seu aparelho faz questão de tomar um whisky de alta qualidade.

Para refletir sobre esse assunto, eu gostaria de expor um pouco a minha idéia em relação a isso, em minha opinião, o álcool é apenas um elemento de trabalho relativo à vibração da entidade que o utiliza, trocando em miúdos, quanto maior a necessidade de um trabalho mais próximo ao nosso plano, maior a necessidade em trabalhar com elementos mais densos, como o álcool no caso.

Em hipótese alguma, acredito que isso saia seriamente da boca de um exú, conheço sim, exús que brincam em relação ao whisky que tomam, mas exigir um whisky de boa qualidade para que possam apreciar e trabalhar com ele, para mim seria uma afirmação inadmissível, algo que contraria totalmente as leis da Umbanda, como a humildade tanto pregada pelos nossos queridos vovós e vovôs da Umbanda.

Qual a diferença de um whisky de boa ou má qualidade? Apenas o teor de álcool? A “esmaltação”? Tudo isso seria necessário para o bom andamento dos trabalhos? Creio que não, acredito sim na hipótese de mistificação, acho que o que vale lembrar é sim o teor de álcool e a utilização desse elemento para o trabalho, um exú de Lei, trabalha com qualquer bebida que contenha álcool, talvez, ele tenha uma afinidade maior com determinados tipos de bebidas, talvez alguns prefiram o conhaque, pela existência do gengibre, outros o vinho, pela existência da própria uva, isso realmente é relativo e cada entidade tem uma certa preferência para escolher seus elementos de trabalho, mas no caso exigir um whisky de boa qualidade, como por exemplo, um Red Label, um Chivas, eu acho realmente um absurdo, talvez uma forma materialista do próprio medium ostentar um certo poder ao seu guia, em outras palavras, minha entidade é “chique, enjoada” só toma coisas de boa qualidade. Isso é consequência de um grave defeito que existem entre os filhos da Umbanda, o Antropomorfismo, agora que discutiremos posteriormente, em poucas palavras, é a forma de atribuir todos os pensamentos, defeitos e qualidades humanas aos guias e orixás, como ocorriam com os Deuses Gregos, por exemplo, ninguém possuía a coragem de enfrentar a Fúria de Zeus.

É uma forma de “humanizar” os guias e orixás, e acredito estarem em um patamar que dispensa tais sentimentos e pensamentos primitivos. Portanto, minha gente, em meus 12 anos de Umbanda e um pouco de experiência que eu obtive com guias e orixás, acho uma luxúria tal solicitação, é claro que, ouvirei de certos filhos que isso pode ser um ensinamento que o guia tá dando, que o guia sabe o que faz e blá, blá, blá, mas vale lembrar que acima do guia no ato da incorporação, há sim a cabeça do medium que pode prejudicar a comunicação entre guia e matéria. Portanto, o intuito desse blog é além de compartilhar o pouco da minha experiência, é tentar desmistificar algumas tradições que foram oriundas de simples superstições sem o devido embasamento, que de certa forma, acho que é o caso dessa situação.

A Exigência de um whisky de boa qualidade para uma pessoa, que se ali houvesse uma entidade firme, não pediria algo tão caro para alguém desempregado, e isso, nada mais é, do que mais uma história de ignorância do Grande Livro que escreve a nossa Amada e Singular Umbanda.

Enfim, essa é minha opinião, para a entidade, whisky é whisky, e acima da qualidade do whisky, existe o pensamento, que é a maior força do Universo, existe sim a intencão, o objetivo do medium da entidade e da própria entidade, o álcool, é apenas algo superfluo que possui influência apenas em nosso limitado plano materialista, portanto, ele é secundário servindo apenas como base e auxílio para o trabalho terrícola. Portanto, de boa ou má qualidade, o mais importante é a vibração da entidade e do medium, e acima de tudo, as intenções de ambos para a prática do Amor e da Caridade.

Um cordial Saravá.

Aranauam.

Neófito da Luz.

A Forma de Trabalho Umbandista: Vício ou Necessidade?

Axé queridos irmãos. Aproveitando o ensejo da última postagem, gostaria de debater o uso dos fumos, da bebida e outros artifícios terrícolas durante as reuniões umbandistas.

Para que a entidade utiliza de tais meios? Vícios não superados das existências anteriores? Apoteose? Caracterização do Corpo Fluídico do qual a entidade se apresenta? É realmente necessário tal uso? Tive algumas dúvidas sobre realmente da utilização disso, me perguntei do porque de várias sessões de cura de outras liturgias, só utilizarem água, passes e outros meios sutis de terapia. Aí, é claro, como todo bom curioso, fui entrevistar tais pessoas, para medir o tempo, a sensação e algumas delas aceitaram meu convite para tentar a mesma coisa durante uma sessão de Cura no Templo Umbandista.

A grande maioria respondeu que sentiu um choque grande, sentiu o ambiente mais pesado em relação às sessões de yoga, cromoterapia, TEAC, entre outras terapias holísticas, porém, sentiram que o resultado foi muito mais rápido que o esperado, que o tratamento durou menos tempo do que prometido em outras terapias holísticas. Baseado nessa coleta de informações e alguns estudos que eu já havia resolvido, propus o mesmo com alguns kardecistas, dos quais, hoje, tornaram filhos da casa.

Como alguns já possuíam experiência de efetuar passes, entraram em um contato forte com o kardecismo, começaram a aprender sobre a Umbanda também no aspecto apenas de cura e passes fluídicos. A Conclusão foi praticamente a mesma, os resultados foram mais rápidos, porém o choque também foi mais enfático. Já sabemos que a Umbanda, trabalha em grande parte dos trabalhos com a Energia Telúrica, a Energia da Mãe Terra, a Energia Física do Planeta, com isso, os resultados tendem a ser maiores justamente porque atuam enfaticamente na matéria, na área problemática, mas para que eles possam atuar enfaticamente na matéria, aí sim que entra o uso dos artifícios que estão em nossa mesma vibração.

Trocando em miúdos, os passes, atuarão em nosso corpo etéreo, atuam em nosso corpo espiritual, a Umbanda além disso, consegue atuar diretamente em nosso corpo material, para isso, utiliza de artifícios que vibram da mesma forma que nós, aqui nesse plano, no caso da fumaça do fumo, no caso da bebida terrena, justamente por atuarem e trabalharem com elementos de vibração tão densa, tão igual à nossa, é que os resultados ocorrem mais rapidamente. Portanto, em minha opinião particular, o guia não possui vício, se ele quiser alguma bebida alcoolica e o mesmo tem afinidade em trabalhar com whisky, para ele tanto faz se é um Chivas ou um Natu Nobilis, o importante são os elementares que existem nessa bebida.

Uma vez presenciei, falarei rapidamente para não fugir do escopo do assunto, um exú que só aceitava charuto cubano, para mim, nada mais é que a própria vaidade e luxúria contida na matéria da qual esse exú ocupada, mas enfim… Então, a entidade utiliza de tais elementos, para que possam efetuar o trabalho em uma vibração mais densa, é evidente que a utilização desses artefatos terrenos não resumem-se apenas em curas, é claro que há muitos outros trabalhos envolvidos através de uma simples fumaça de fumo ou bebida de um coité, por sinal, a vibração do orbe da qual vivemos é totalmente densa, e é claro que para nos auxiliar, porque nós desse orbe, gostamos de nomear e classificar as coisas, eles. os nossos maravilhosos guias se subdiviram em falanges e grandes classes de espíritos caracterizando os costumes da época.

Como por exemplo, os nossos vovôs e vovós utilizando o cachimbo, muitos além do fumo, gostam de queimar outras ervas para purificar o ambiente. Como os marujos, que em sua época, a cerveja era uma bebida muito acessível a todas as classes sociais, portanto, trabalham com a cerveja por terem afinidade com a bebida e para caracterizar a linha da qual se plasmam para praticar o amor e a caridade, isso ocorre com as demais linhas do nosso panteão Umbandista, como a batida dos baianos, comumente utilizadas durante o Brasil Colonial e perdura até os dias de hoje. O próprio Chico Preto solicitou uma batida de milho, que era muito utilizada nas Minas Gerais, onde ele viveu durante a maior parte da vida dele, além do fato do milho ser um elementar de Oxóssi, um orixá que traz a cura através dos frutos da Mae Natureza, e como o Chico Preto atua muito na área da cura, vem com o milho através de sua batida para auxiliar em seus trabalhos médicos e fitoterápicos.

Portanto, em minha opinião, essa caracterização auxilia muito na classificação dos Espíritos da Egrégora Umbandista, além disso, personifica vivências que já existiram, épocas que já ocorreram e com isso, familiariza e populariza a religião através de espíritos que se plasmam de formas simples e de espíritos que não viviam no topo da pirâmide social. Com isso, tem o intuito de espalhar os ensinamentos de Caridade, Humildade, Amor, Igualdade e outros aspectos positivos da existência humana, e acima de tudo, ensinando-nos que não é a classe social que nos evolui, e sim a sabedoria adquirida com o decorrer dos anos. Muitos afirmam que os espíritos que atuam na Umbanda não são evoluídos por possuírem vícios ou porque utilizam de meios nocivos à saúde para a prática do bem e da caridade dentro dos trabalhos, mas aí vai uma indagação: Eles utilizam isso porque realmente não são evoluídos ou devem usar isso para trabalhar em espíritos atrasados como nós?

Acho que a grosso modo, eles têm que dançar conforme a música, eles atuam num campo vibratório mais baixo, que é o nosso plano, portanto, acho imprenscindível utilizar de tais meios para alcançar a nossa vibração, da mesma forma que as vacinas e os antídotos são feios com os próprios agentes patogênicos ou o respectivo veneno, da mesma forma é utilizado o fumo e o alcool para poder manipular nas vibrações onde atuamos. E de certa forma, também há o fator placebo, a grande massa acreditaria muito mais em uma entidade que “borrifa” fumaça na região afetada do que em uma entidade que utiliza apenas a imposição das mãos, então como sabemos, a eficácia dos trabalhos também se dão de acordo com a fé da pessoa, a utilização de certos elementos serviriam como fator positivo para ajudar na fé do adepto que está recebendo a graça. Já vi casos de filhos necessitados chegarem na maior humildade ao guia e dizerem:

– Oh meu pai, não vai jogar a fumacinha milagrosa em mim não? Não vai dar para eu beber a bebida do seu axé? Portanto, eu acho que realmente é uma mistura dos fatores que eu citei logo no começo do texto, acho que em alguns casos, tem um sentido “apoteótico” para aquelas pessoas que precisam “ver para crer”, em muitos casos há a necessidade de tais artifícios para atuar na camada mais densa, mais grotesca de nosso corpo espiritual, decorrente disso, em um sentido relativamente apoteótico e organizacional eles se caracterizam como eu citei em alguns exemplos acima, na união de todos esses fatores, existe sim a REAL NECESSIDADE. Axé a todos os Maravilhosos Espíritos que prestam socorro em nosso denso Orbe.

 

Saravá Egégora Umbandista.

Aranauam a todos.

Neófito da Luz