O Papel do Sacerdote Nos Terreiros

Essa é a minha humilde opinião sobre qual deveria ser o papel do Zelador de Santo.

Partindo da premissa que eu não gosto desse nome, e já expliquei algumas vezes porque, prefiro sacerdote ou dirigente, não temos porque zelar o santo, mesmo porque Umbanda não trabalha com Santo, trabalha com desdobramento vibratório do Criador, não existe santo, existe vibração e essa vibração não precisa ser cuidada, ela já é nata, incriada, divina.

O papel do dirigente do centro deve ser primeiramente de acolhimento, ele deve abraçar a causa do filho, entender o que se passa e se há um momento em que a palavra ZELAR faz algum sentido, é no que tange os cuidados ao filho.

O dirigente é um guia espiritual, ele é o patriarca ou a matriarca dessa egrégora, o centro é uma comunidade espiritual onde ali existem dois tipos de pessoas: Os auxiliares e os necessitados.

Para uma corrente coesa e poderosa, cabe ao dirigente dar o conhecimento necessário aos filhos e passar a sua experiência aos mesmos para evitar quaisquer sintonias desagradáveis durante a corrente mediúnica que ali se encerra.

O trabalho do dirigente é instruir, é amar, é cuidar, o trabalho do dirigente é se preocupar com a vida espiritual de seus filhos e consequentemente, apoiar a vida material também.

O que eu vejo muito nos dias de hoje e acontece com 90% dos leitores que me escrevem, é que o dirigente simplesmente larga lá, quando questionados sobre qualquer coisa, a resposta é sempre a mesma: Não é a hora ou não tenho permissão para dizer ainda. Quando indagados sobre qualquer fundamento, a resposta é quase sempre unânime: “Porque sim” ou “Porque não”.

Um centro organizado, primeiramente, deve haver uma cartilha que instrui a forma do médium agir na casa, os banhos de defesa, a hora correta de se chegar, a sua obrigação como médium e como pessoa, porque vestir branco, porque usar a toalha e porquê de diversos outros fundamentos, o mínimo que o dirigente deve passar, são as diretrizes da casa e como funciona os fundamentos espirituais da mesma.

O que eu vejo em sua maioria das vezes são os médiuns com dúvidas, perdidos e com receio de tirar suas dúvidas com quem teria que ser o SEU PRINCIPAL PONTO FOCAL de questionamento: O dirigente. Mas o mesmo está sempre ocupado ou indisponível para sanar as dúvidas.

Recentemente tive dois casos, e gostaria de enfatizar que não falo isso para me promover, como podem perceber, não vendo consultas e nem faço trabalhos espirituais a custo financeiro, não vivo DA Umbanda, mas gostaria de enfatizar que se eu sou capaz de enxergar coisas tão simples, porque não alguém mais capacitado que eu e que está muito mais próximo ao filho para poder ajuda-lo em seus problemas? Má vontade? Incompetência?

O primeiro caso é uma cambone de 14 anos, que estava com forte irritação nos pulsos, estava com uma alergia fortíssima e já havia passado todo tipo de remédio e nada de melhorar, vale salientar que cambone é um dos cargos mais importantes na casa, lida direto com todas as energias que circulam no centro, principalmente ela, que é cambone de todos os guias da casa; Já havia algumas semanas com essa ferida e nada do dirigente perceber, isso porque o mesmo é próximo da médium em questão. Ela me contando, tive a intuição de pedir à mãe dela dar banho de rosa branca e alfazema (Não me lembro se foi só isso) e esfregar no pulso em sentido horário. Em questão de três ou quatro dias, não havia mais nada no pulso.

O segundo caso é uma filha que está com diversos problemas, principalmente afetivo, só aparecem pessoas estranhas como homens e em questão de meses, o relacionamento dela termina, recentemente ela ficou desempregada e ela consultando os guias e o sacerdote da casa, o mesmo dizia que não era tempo de saber ainda o que se passava. Ela falando comigo, percebi (ou tive uma intuição, nem sempre sabemos) que seria cobrança de Oxum. Sim, existe a cobrança da vibração e farei posts que identificam um pouco isso, e perguntei a ela se ela estava agindo com promiscuidade, se estava com muito desejo sexual, se estava contrariando os próprios princípios dela e a resposta foi SIM para todas as questões, o que me deu a certeza da cobrança da mesma, no caso, o orixá Oxum.

Mas ela não tem Oxum, e eu disse a ela: Você tem algum problema com filha? Ela me disse que tem uma filha, mas havia perdido a guarda. Questionei novamente: Tem ido vê-la? Está resolvendo isso na Justiça? E a resposta foi sim, faz tempo que ela não a vê e tá enrolado na justiça a situação.

Aí eu falei a ela que certeza que essa cobrança de Oxum seria a falta desse instinto materno da mesma e que ela necessitava impor mais energia nesse caso da filha dela e tudo mais, falei pra ela acender uma vela para Oxum pedindo ajuda em uma terça-feira (Sim, não é dia de Oxum, eu sei, porém não acredito em dia certo para acender velas para os Orixás) e na quinta-feira, apareceu um amigo dela que conhecia uma delegada e uma advogada que resolvia esses casos de família.

Então isso só deu a certeza que era isso que “Oxum” queria.

Agora me pergunto: Cadê o sacerdote para resolver essa questão que se arrastava há mais de um ano?

Uma coisa que eu abomino são esses tipos de dirigentes que ficam sentados no trono como se fossem reis e na hora de serem eficientes em ajudar os seus filhos, dizem que ainda não é o momento, e o infeliz não tem a força de vontade de acender uma vela ao orixá para sequer fazer uma pergunta para o próprio filho da casa. Esquecem que sua missão espiritual além de dirigir um centro, é centralizar a vida espiritual dos seus filhos, muitos abrem a casa por vaidade ou por status para tocar o centro de acordo com o que ele acredita ser verdadeiro e não por capacidade ou características semelhantes.

Sim, ESTAMOS CARENTES DE DIRIGENTES COMPETENTES e infelizmente dirigentes incompetentes criam médiuns ineficientes, o que gera todo um ciclo vicioso de incorporações medíocres corroborando com a má reputação da religião. A Umbanda sofre preconceitos por culpa dos seus próprios adeptos.

Se o seu dirigente é daqueles que não ajuda com as suas dúvidas, não sabe acolher, só sabe exigir e mandar, procure outro lugar que esse tipo de pessoa não é um dirigente e sim um Líder Tribal.

Já temos diversas questões para lidar na vida, o centro, a religião que teria que ser um ponto de relaxamento, de paz, de tranquilidade, se torna para muitos, mais um ponto de estresse, mais um ponto de angústia, dúvidas e tristeza, religião, como o próprio nome já diz, é RELIGAR o nosso Eu Material com o nosso Eu Espiritual e muitas vezes o que os centros e outras ordens religiosas fazem hoje é justamente o inverso.

Outro tipo de dirigente que eu abomino é aquele que faz os filhos de escravos, os mesmos têm que fazer serviços domésticos em sua casa, isso é muito mais comum na nação, muitos dirigentes fazem seus filhos de escravos porque zelam pelos seus santos. E digo-lhes, amados irmãos, com toda a certeza do mundo: Seu orixá não precisa de cuidados, principalmente de mãos alheias.

Eu mesmo já tive um dirigente que se o encontrássemos na rua, teríamos que ajoelhar e beijar sua mão, mais um retrato da vaidade e do conceito de líder tribal e não dirigente espiritual, ninguém é melhor do que eu para eu me ajoelhar (sim, pode ser ego, mas com argumentos bem fundamentados).

Esse mesmo dirigente INFLADO pela vaidade, em trabalhos de marinheiros, nenhum marinheiro poderia usar quepe porque o dele era o único capitão do mar em terra. (Só por Deus)

O papel do dirigente seria o de instruir, conhecer qual é o seu Orixá Regente para que ele possa saber onde te ajudar, onde te fazer crescer, onde potencializar suas qualidades e onde suprimir os seus defeitos, o dirigente correto, ele é amável, ele é compreensível, ele é querido. Claro que muitas vezes ele deve ser duro, ele deve ser imponente, porque sem seriedade não existe Lei e sem Lei não existe Ordem (Olha o filho de Xangô falando).

A Umbanda antes da prática mediúnica do Amor e da Caridade, é Respeito, é Ciência, é Conhecimento, é Compreensão e todos devem andar juntos para que haja equilíbrio e união.

Dirigente que corrobora com outros médiuns falando mal de outros, daqueles que desabafam de uma atitude alheia, jogando uns contra os outros, só facilita a desunião da casa, a quebra de corrente e consequentemente a firmeza espiritual do lugar, fofocas só denigrem a egrégora do lugar e consequentemente enfraquecem o dirigente e todos os filhos, centro que existe fofoca, inveja e gente falando mal pelas costas não é centro, é baile funk!

Já vi diversas casas o próprio dirigente falando mal de um filho para outro, o que é um erro comum até no nosso ambiente familiar, pais que se queixam dos irmãos e tudo mais, isso só fomenta a discórdia, só fomenta a desunião e um dirigente sério e sábio evita justamente fragmentos dentro da sua própria corrente. Fofoca existe, o ser humano é crítico por natureza, porém cabe ao dirigente saber dizimar qualquer discórdia dentro do centro, partindo dele mesmo, não cabe a ele comentar ou desabafar dos filhos, cabe a ele chegar ao centro, já que ele é o líder e resolver a questão.

O que mais me repudia, é que as fofocas e as brigas partem do próprio dirigente e desculpem-me, um dirigente que age dessa maneira dificilmente receberá guias espirituais de luz para realização de seus trabalhos.

Um dirigente nato, sabe delegar e assumir a liderança quando preciso, um líder é aquele que cava a trincheira junto com seus filhos, é aquele que se suja junto, é aquele que fica sem dormir junto, é aquele que ama o que faz e desprende do seu precioso tempo para tal, se você não tem tempo ou discorda de qualquer coisa que está escrito aqui, desculpe-me, mas em minha opinião, você nem deveria ter nenhum tipo de centro, terreiro, barracão ou qualquer denominação que dão à comunhão espiritual dos mentores de Aruanda.

O problema é que estamos tão acostumados com coisas ruins, que nivelamos sempre por baixo, eu já fui pai pequeno e muitas vezes tive maiores responsabilidades que o pai da casa, porém, tenho plena convicção que fiz o meu melhor, já deixei de fazer muitas coisas em meu auge da juventude (Entre 24 e 30 anos) para dedicar-me aos filhos necessitados. Nem sempre temos gratidão, mas como sempre me disse Marabô, se eu abracei a causa, eu tenho que abraça-la feliz, de bom grado e sem esperar a troca, porque o retorno nem sempre é material e sim, cósmico.

A jornada para o dirigente é difícil, mas se assim o escolheu, que faça da melhor forma possível, e se muitos filhos chegam a mim através do blog, é sinal que suas angústias e dúvidas não são extraídas dentro do seu próprio centro, o que só demonstra estatisticamente a carência de boas casas que temos.

Meus sinceros votos de paz e Luz.

Neófito.

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Zeladores de Santo, Curso de Sacerdócio, Guias de Reserva, Evangelho nos Trabalhos.

Saudações fraternas, irmãos de fé.

Mais um texto do formato bate-papo sobre os zeladores de santo, os médiuns que não podem trabalhar com outro guia da mesma linha e a evangelização nos trabalhos umbandistas.

Primeiramente, gostaria de expor a minha humilde opinião sobre o Zelador de Santo, primeiramente, na Umbanda não trabalhamos com Santos, Santos são espíritos que já encarnaram e podem continuar encarnando na Terra pelos mais variados objetivos, segundo a liturgia Cristã, foram todos aqueles que foram salvos por Jesus Cristo ou tiveram uma consulta ilibada em Vida, de devoção e de Trabalho Altruísta, essa é a definição básica de santo, claro, que se consultarmos com calma a história da maioria dos Santos, nada mais foram que pessoas comuns, algumas até hediondas, mas isso não é o assunto do Post. Não incorporamos o Santo, não incorporamos São Jorge, São Sebastião, nenhum deles, isso é apenas Sincretismo, consequentemente Santo é diferente de Orixá, porque Orixá é desdobramento Vibratório, é Vibração Divina, á uma Força Natural dispersa no Cósmico. Nem o próprio Orixá, incorporamos, e sim um representante Natural daquela Força, daquela Vibração. Então, irmãozinhos, não confundam Orixá e Santo, são assuntos completamente distintos, o Santo pode estar contido na Vibração do Orixá, e não o contrário é a mesma analogia de que Cristo é Deus, e não é bem assim, Deus está em Cristo e não o contrário. De certa forma, Cristo é a representação de Oxalá, porque ele veio para Terra, trazer a Fé, a Paz, trazer o Conhecimento Divino e acender a Luz Divina Interior que cada um nós temos, ele não é Oxalá, mas trouxe consigo toda essa vibração, compreenderam?

Com isso, espero ter sido o mais claro possível quanto a esse fundamento, então para que teremos zeladores de santo em um local que não existem Santos?

Agora vamos desmembrar o que significa um zelador: É aquele que zela, é aquele responsável por cuidar de um determinado assunto, então zelador de santo, é aquele que zela e cuida do santo. Contraditório.

Vale deixar bem claro que não estou questionando a serventia de um zelador de santo, pra mim, esse nome nem deveria existir mais, primeiramente porque é sabido que não temos santos na Umbanda, outro motivo, é que quem zela realmente pelo nosso orixá, somos nós mesmos, nós que damos as oferendas, trazemos sua Energia em nossa matéria, acendemos as Velas, vibramos com ele, então, todos nós somos zeladores de nossos próprios orixás, correto?

Então, está aí mais um estudo de vício, zelador de santo, pai de santo, são nomes que não fazem muito sentido quando estudamos minuciosamente o assunto. É um dos exemplos que eu sempre digo sobre estudar o vício, seguir uma tradição sem estudar a causa da mesma.

Esse é um termo que veio do candomblé, junto com os sacrifícios e outras centenas de fundamentos que incorporaram na Umbanda atual. Como dizia Pai Agenor, “No meu tempo o candomblé era de morim, hoje é de plumas e lantejoulas”.

Portanto, pai-de-santo, zelador de santo não é usual na Umbanda porque não ocorre esse tipo de zelo por parte do dirigente.

Agora vamos falar um pouco sobre o curso de sacerdócio.

Já conheci alguns irmãos que realizaram esse curso e gostaram bastante, mas é importante lembrar que esse curso o torna sacerdote de uma linha apenas dentro do contexto do Saraceni, é importante dizer que já é um tipo de Umbanda que sofreu algumas adaptações, já presenciei alguns centros que possui essa linha e para mim, particularmente não agradou muito, já vi muitas pessoas felizes com esse tipo de liturgia e eu mesmo já presenciei a eficiência dos trabalhos, mas é muito importante salientar, que te torna sacerdote de um tipo específico de liturgia de Umbanda, pra mim, já não seria útil, porque além de preferir um “curso” direto com os meus mentores, eu sou adepto e até mesmo parte de uma liturgia totalmente diferente. Os centros que eu presenciei que trabalham com essa linha, trabalha muito com o Orixá, e eu já não sou tão adepto a essa forma de trabalho, eu mesmo já fui instruído a ter um tipo de trabalho mais centralizado e focado em assistência e não muito em rituais, e a abertura para mim é um pouco cansativa.

Mas é o que eu sempre digo, para cada qual é dado conforme seu merecimento e conhecimento, como já havia dito. Já vi funcionar muito bem esse trabalho, os centros dessa linha são relativamente cheios, funciona pra muita gente, mas não para mim, o mesmo acontece com pessoas da linha Guaracyana, é muito bacana, um ritual agradável, mas não é a minha praia.

O curso de sacerdócio para quem GOSTA da linha do Saraceni, que tem muitos livros dentro da Umbanda, quem gosta de todo aquele Esoterismo explanado em seus livros, é um curso bacana, mas é muito importante salientar que o sacerdócio de um Terreiro, quem o torna é o seu mentor, é a corrente mediúnica que você tem, não adianta você ter uma missão de ser filho de fé, de você ter mentores que ainda não querem uma casa e fazer esse curso, você será sacerdote no “diploma”, mas não terá preparo “espiritual” para tal, o curso é um apoio, mas isso não o torna um dirigente e nem tampouco capaz para dirigir um terreiro, nem todo médico é bom, como nem todo formando é competente em sua área, nesse mesmo preâmbulo, um pedaço de papel não o tornará capacitado para dirigir um templo espiritual, isso é muito importante ter em mente.

Nesse mesmo assunto de linha de Saraceni, linha de Carlos Buby, que é a linha Guaracyana, tem também algumas limitações da forma de trabalho dos médiuns, por exemplo, conheço alguns irmãos de algumas escolas umbandistas que não podem trabalhar com mais de um caboclo, ou melhor, com mais de um mentor durante os trabalhos na casa, uma vez que seu caboclo deu o nome ou apareceu no terreiro, será esse até o fim de seus trabalhos dentro da casa. Eu particularmente não concordo, mas como eu sempre digo, dentro da Umbanda existe diversas linhagens, e com elas, as suas vantagens e desvantagens de cada liturgia, isso me remete ao centro do dirigente vaidoso onde só o marinheiro dele é o capitão do mar.

Eu particularmente não gosto de limitar o médium e nem a forma de trabalho da corrente dele, obviamente dentro do meu conceito de boas práticas, é claro, e é muito importante salientar que todo dirigente já foi um médium iniciante, portanto, pra mim seria muito importante realizar um bom desenvolvimento em um médium que um dia terá a sua casa, seria até mesmo um grande prazer.

Todos os médiuns possuem mais de um mentor em cada linha, uns tem mais, outros menos, não existe uma regra, uma linha de Produção no Mundo Espiritual, cada médium vem em Terra desempenhar um papel diferente do outro, o médium de cura, por exemplo, não precisaria ter 500 exus, diferente de um médium que vem com o objetivo de ser um dirigente, quanto mais guardiões para sustentar a casa, melhor fica. Então, irmãozinhos, cada qual com o seu merecimento e missão designada.

Acontece o fato de que talvez o seu caboclo de trabalho estar em uma outra missão, como já citei aqui no blog, Tranca-Rua que eu sirvo,  uma vez se ausentou e avisou uma semana antes avisando do desencarne massivo em nosso plano, isso aconteceu com o tsunami na Tailândia.

Então o médium vai ficar parado sem ter o que fazer? Importante também lembrar que temos pelo menos um par de orixás, onde cada um trará o mentor de sua vibração para trabalhar junto com o médium, então, por que não deixar o médium trabalhar com pelo menos dois de cada linha de sua corrente? É muito comum você ter um “mentor de reserva”. O que não pode é virar circo, dentro de uma mesma corrente vir três ou quatro na mesma linha, mas isso pode ser evitado se for explicado calmamente ao médium.

Portanto, limitar o número de mentores de cada linha nos trabalhos em minha opinião não seria uma prática habitual.

Agora falando um pouquinho sobre os Evangelhos dentro das liturgias.

Evangelho nos trabalhos eu acho uma prática excelente, aquela leitura do evangelho segundo o espiritismo ou até mesmo da bíblia, e refletirmos uns 10 minutos sobre aquele assunto, eu acho uma prática imprescindível para todos os trabalhos, para os que me conhecem, sabem que eu prezo o conhecimento, os estudos acima de tudo, e isso não seria diferente antes da abertura dos trabalhos, sempre bom aquele assunto antes de abrir os trabalhos, aquele debate filosófico, onde cada médium poderia contribuir com sua opinião e experiência, acho que se a grande maioria das casas adotassem essa prática, não teríamos tanto irmãozinhos perdidos e que necessitam recorrer a meios externos para aprendizado. Além do Evangelho, acho interessante um tipo de trabalho aonde o mentor vem e dá o seu recado, passa o seu ensinamento, a sua experiência.

Tudo o que traz conhecimento, experiência e desperta no médium a curiosidade e a saciedade, eu acho imprescindível e já foi determinado pelos meus mentores quando chegar o meu momento, a casa terá palestras, doutrina aberta ao publico sobre os mais variados assuntos esotéricos, cada um fazendo a sua parte e aprendendo um pouquinho de cada, chegaremos muito longe.

Nenhuma Senda trabalha melhor a evolução das pessoas do que a própria Senda do Conhecimento, ela nos leva a todas as outras.

Esse foi apenas um bate-papo rápido.

Com amor.

Neófito da Luz.

Agô no cemitério e na encruza, sexo na sexta, antropomorfismo e vaidade do dirigente.

Agô no cemitério e na encruza, sexo na sexta, antropomorfismo e vaidade do dirigente.

Caros irmãos, Namastê.

Hoje vou tentar uma modalidade diferente de post, vou pegar pequenos posts, tentar encontrar alguma relação entre eles e colocar dois, três assuntos diferentes e relativamente coligados.

Esse post esmiuçará um pouco velhos hábitos que temos dentro de muitas religiões, o porquê existem e se realmente fazem sentido. Falaremos um pouco de hábitos e antropomorfismo. Eu encontrei outro dia com uma pessoa passando em frente ao cemitério e pedindo “Agô” a Omulu para que pudesse passar pela porteira.

Eu lembro que já questionei alguns sacerdotes, fui informado que não pedir “Maleme” ou “Agô” na encruzilhada cruzando os dedos e abaixando as duas mãos, dá quizila. Nem preciso falar o quanto eu amo essa palavra “quizila”. Não só pode ocorrer a quizila com o irmão, como também uma punição pela falta de respeito do mesmo ao passar pelo campo mágico de Omulu ou dos Exus.

Mais uma vez é evidente o emprego do antropomorfismo, para quem ainda não sabe o que é essa palavra, segue o link: http://www.infoescola.com/cultura/antropomorfismo-2/

Isso é muito utilizado em religiões monoteístas, principalmente no Antigo Testamento, o Deus Vingativo, aquele que pune, aquele que não perdoa, aquele que condena os errantes ao Fogo Eterno.

Sinceramente, isso pra mim é algo que está mais do que ultrapassado, infelizmente isso é muito cultuado em centros, aquele orixá castigador, punidor, que não perdoa quaisquer falhas dos filhos. Quantas vezes eu já presenciei ameaças de mentores?

Sinceramente, queridos irmãos, eu mesmo nunca me relacionei com esse tipo de mentor, os meus sempre eram passíveis, sempre compreensíveis, amáveis, e olha que já cometi muitas falhas em terreiros, não eram vingativos e sim ilustrativos, eram mentores e não carrascos, existia uma filha na casa que eu trabalhava que falava muito mal de mim, um dia, Chico Preto veio em uma linha que não era dele, desceu pra fazer o trabalho e depois abraçou essa filha e disse baixo, com aquele jeito paternal dele: “Menininha, cuidado com o que tu sai falando, isso deixa as pessoas tristes, eles não sabem, mas eu vejo o que tu tá fazendo”. Isso foi entre ela e ele, até o momento eu não sabia do que se tratava, até que veio em outra linha o exu de outra vítima da calúnia dessa irmã e falou alto, gritou e ameaçou. Aí eu me pergunto: Será que realmente era espírito ou aquilo que eu sempre digo, o animismo exacerbado e o campo emocional do médium tomando conta?

Existem casos e casos, claro que se você desrespeita uma Ordem Direta do seu mentor, DEPENDENDO da vibração dele, você pode sofrer certos castigos, tomar tapinhas, por exemplo, eu tinha um caboclo que pulava muito alto e dava um brado bonito de guerra, já até contei isso no blog, e o centro estava cheio de meninas (sim, já tive 18 anos, [risos]) e eu queria com certeza fazê-lo vir pra inflar o meu ego, infelizmente, naquele dia não era o dia dele, e sim o simpático Senhor Rompe-Mato (Acho que ele só falou uma vez na vida, [risos]) que não vinha de uma forma tão glamorosa, aí firmei, firmei, firmei no outro caboclo, quando senti o caboclo, pulei, na que eu pulei, acho que foi fortes emoções ou ele me jogou no alto de propósito, e estourei o joelho no chão, ficou uma bola enorme durante 20 dias, aí aprendi a lição, fora a vergonha, centro cheio e queria sumir dali.

São muitas pontos que devem chamar a nossa atenção, não acredito em punições severas por parte de mentores de luz, acredito em conversa, em aconselhamento, existe certos castigos, cada caso é um caso, mas muitos temem uma punição severa, perda de trabalho, acidentes. Esse tipo de punição é executada pelos mestres cármicos, através da lei do Retorno, e muitos exus que fazem parte desse trabalho, não descem em Terreiro causando ameaças e sim avisos. Se eu passasse em cada esquina e pedisse licença, seria um transtorno e até mesmo vexaminoso, porque eventualmente cruzo esquinas com amigos, colegas de trabalho, etc.

Nunca fui punido por ninguém por não pedir essa licença, e graças a Deus tenho ótimo relacionamento com a linha da esquerda.

Logo, vamos começar a pensar mais e esquecer velhos hábitos, tentar entender porque existem certos fundamentos e conceitos, o que acontece com muita gente, a esmagadora maioria é que segue o que é dito, não perguntam o porquê, agem por osmose, fazem porque outras pessoas fazem e isso é causa tanto desentendimento, superstição e ignorância dentro dos terreiros e até mesmo igrejas. Entendam o porquê vocês fazem certas coisas e se o sacerdote te diz que não tem permissão para dizer ou ainda não é o momento de explicar conceitos tão simplórios, é que ele mesmo não sabe!

Eu frequentei um centro uma vez onde comemorava-se o dia de Oxalá na sexta-feira, onde não poderíamos fazer nada, nem sexo, nem bebida alcóolica, o que nunca foi problema pra mim que raramente eu bebo, não podia nem dar um beijo gostoso na namorada e nem tampouco, já que somos todos adultos aqui, se masturbar.

Eu concordo plenamente em se abster de certos elementos e hábitos no dia que precede os trabalhos mediúnicos, mas em uma sexta-feira onde o sábado não terá trabalhos espirituais, nada mais é que superstição ou vício de estudo, ou seja, uma tradição que seguimos por hábito e não por fundamento. Alguém lá atrás teve uma coincidência e decidiu que seria assim. Eu trabalho muito com mentores de Oxalá, mesmo porque meu Xangô é cruzado com Oxalá e Sr. Urubatão da Guia, Rei das Sete Encruzilhadas, Rei Boiadeiro são todos mentores da vibração de Oxalá e nunca recebi nenhuma punição por isso. Existe muitas superstições dentro dos terreiros e esquecem demasiadamente que o que faz um excelente médium ter um excelente trabalho, é o seu coração, a sua dedicação para com o próximo, o seu amor para com seus mentores e os preceitos solicitados. Eles entendem perfeitamente que você é vivo, tem uma vida, repleta de defeitos e paixões, e que você deve vive-la para aprender, e esses preceitos de dia de Oxalá sem sexo, preceitos que fica 30 dias sem relações sexuais ficou lá atrás.

Até acredito sim, que devemos guardar o corpo por alguns dias, sim, acredito, mas não tanto tempo, eu já fui mais novo, meus hormônios estavam à flor da pele, saí de um preceito, mesmo solicitado pelo mentor três dias de resguardo, saí correndo para ter relações com a namorada e tomei uma queimada do nada em meu braço, depois meu marinheiro disse que foi porque eu não respeitei e queimou o charuto no meu braço.

Ai entra a questão: Ué, você não disse que não punem? Eu também disse que há casos e casos, essas são pequenas advertências mais enfáticas, não é um caso de perder namorada, ficar doente, perder o carro ou até mesmo o trabalho, o que eu ouço muito “mentor” ou sacerdote dizendo.

Não existe uma Regra Universal, como eu sempre digo, mas um Conjunto de Boas Práticas e uma boa dose de Bom Senso.

Se você não é casado com alguém da religião, fica impraticável a convivência, principalmente começo de casamento onde os hormônios e paixões sobressaltam nossos sentidos, se você vai fazer uma obrigação que demanda 30, 60 dias de resguardo, fica complicado, mesmo porque nunca os meus me pediram isso, como já relatei, foram no máximo três dias que por ser muito novo, não havia respeitado e aprendi de forma “quente” a lição.

Portanto, sexo na sexta-feira pra mim nunca foi um problema, desde que não precedesse os trabalhos da casa, dia de Oxalá é uma coisa, agora não precisa de abdicar de tudo, Oxalá é Paz, Equilíbrio, não dá quizila nenhuma curtir sua sexta-feira, quando suas obrigações mediúnicas foram cumpridas. Muitos médiuns confundem obrigação mediúnica, com dedicação e resguardo.

Você pode viver felizmente a sua vida, curtir seus amigos, ir para um “Happy Hour” na sua sexta-feira, curtir a sua vida, afinal, viemos aqui para viver de forma intensa, obviamente não estou falando pra você se alcolizar, participar de orgias, mas curta, tome um vinho com sua companheira, curta-a, faça da noite algo especial, aliás, é o dia que precede o final de semana, o dia tão esperado por muitos. Eu mesmo já fiz sem aquele peso na consciência porque nunca me obrigaram a tal. Antes de acreditar nessas superstições e preceitos da religião, consulte os seus guias, eles te informarão melhor do que ninguém o que deve ser feito.

Outro caso complicado são os sacerdotes que exigem que os filhos se ajoelhem ou peçam a benção independente de onde encontram, esse mesmo centro, o sacerdote inflado de vaidade exigia isso, em um dia eu o vi de longe do outro lado da rua e estava com dois amigos, confesso que fingi que não vi, mas ele mais esperto que eu percebeu e depois, uma coisa que era muito comum no centro, o que ele tinha que falar, usava o Sr. Zé Pelintra, era incrível, toda coisa que o irritava, o Sr. Zé Pelintra que falava e ficava impressionado como todos ficavam boquiabertos ou até mesmo pasmos com esse Zé Pelintra, que dava bronca e falava. E eu já como era meio cético por volta dos meus 22 anos, já ia a fundo nos estudos, percebia que o Zé Pelintra era a forma que ele tinha de se manifestar e ter mais respeito dos médiuns e assistentes da casa.

Quantas vezes eu vi aquele Zé também dizendo tudo o que ele havia feito, vivia falando: “Não falei que isso ia acontecer?”, “Eu falei que isso não daria certo!”, “Eu que fiz isso, você viu que quando prometo, eu cumpro?”. Isso nada mais é que a vaidade do médium tomando conta da comunicação. Atentem-se. Aquele que ajuda de coração, ele ajuda sem precisar dar satisfação, aquele que ajuda e quer mostrar, nada mais quer que holofotes sobre ele. Existe uma grande diferença entre ajudar porque faz parte da natureza em ajudar, em querer bem e ajudar para mostrar, isso não é ajuda e sim vaidade! Quem faz por amor, faz no anonimato não esperando reconhecimento. E isso não é diferente no mundo espiritual.

Esse mesmo sacerdote, não deixava médiuns que mesmo que tinha caciques usar cocares grandes e nem marinheiros usarem quepe, mesmo sendo Martinho onde a grande maioria utiliza, porque o único capitão do mar era o marinheiro dele. Medíocre!

Sacerdote que pede para se ajoelhar não quer respeito, quer inflar o seu ego, é vaidoso. E o mais importante, que vai ficar para o próximo post, ele exige isso, porque zela pelo seu santo, e seu “santo”, não precisa de zelador! [Risos].

Zelador que exige ter sua mão beijada, quer seguidores, se considera acima dos seus filhos, onde está tudo errado, já vi médiuns, filhos da casa serem médiuns muito superiores ao próprio sacerdote da casa.

Esse foi um mix de assuntos, teremos mais em breve para assuntos que são muito curtos.

Namastê.

Neófito da Luz.