A Necessidade das Imagens e Paramentos na Umbanda

Nota da imagem: Imagine ter agilidade, força e destreza para lutar com um trombolho desse acima? E historiadores confirmam que a luta não era tão cinematográfica como nos filmes, assim como o excesso da paramentação atrapalhava as lutas, a mesma atrapalha o andamento dos trabalhos direcionando a atenção para outra direção divergente da Caridade e Humildade.

Saudações irmãos, aqui estou eu novamente, essa semana foi praticamente um COMBO de artigos… Fico um tempo entocado e quando saio, aí é um artigo atrás do outro.

O tema dessa vez é em relação aos diversos artigos que utilizamos durante os trabalhos, sejam chapéus, roupas, cachimbos, panos, fitas, imagens no altar entre outros.

Para isso, como tudo na vida, é importante ressaltar o caminho do meio, sabemos que o bom senso é extremamente relativo, porém, importante ressaltar alguns fatos que serão explanados no decorrer do texto.

Muitos centros utilizam cocares para os caboclos, capas, cartolas, espadas e afins, o que até então não vejo nenhum problema na utilização, isso ajuda na materialização de energia do guia, o seu orixá, o seu guia sabe o que é necessário para que você possa trabalhar de maneira correta, eu a priori, não suporto cocares para os caboclos, acho que vira um circo, porém, para alguns médiuns e até mesmo assistentes, é um importante caracterizador para dar mais credibilidade à consulta e consequentemente à incorporação.

Esses artefatos possuem mais valor visual a energético, sim, muitos exús envolvem seus filhos ou consulentes em suas capas, obviamente existe uma energia embutida ali, isso não me resta nenhuma dúvida, porém, é muito mais uma forma de dar credibilidade ao trabalho do que uma necessidade vibratória propriamente dita, o mesmo acontece com os chapéus, ajuda muito para o médium se concentrar, inclusive quando o guia coloca o chapéu na cabeça de outrem, isso ajuda com que aquele que está recebendo o chapéu em sua cabeça, tenha mais credibilidade no trabalho, o chapéu também serve para materializar determinada energia que o guia o utiliza ali, empregada na utilização para diversos fins, até aí sabemos que é muito útil e bem vindo, também é sabido que esses paramentos servem para auxiliar aquele que recorre a entender que tipo de guia ele está conversando, seja um baiano, seja um boiadeiro, seja um marinheiro, é uma caracterização que ajuda a identificar o arquétipo daquele espírito, e obviamente, o espírito que ali solicita tais paramentos, pede pela afinidade de experiências de vidas passadas, então com isso, une-se o útil ao agradável.

O guia espiritual usa aquilo que mais se adequa à forma de trabalho dele, ao arquétipo que ele traz, auxilia o próprio médium que o serve, identificando-o, sabendo mais sobre ele, vestindo melhor a “roupa” daquele espírito que está influenciando-o e tudo isso, ajuda o consulente a identificar, a dar maior credibilidade, possuir maior afinidade com aquela linha, com aqueles trejeitos, com aquela forma de trabalho e com isso, temos um objetivo único, o direcionamento de energia como um todo, a potencialização da fé, da verdade daquele guia. Além de ser um importante direcionador de fé, de credibilidade, isso faz com que os mentores de outro plano comportem-se como nós mesmos, afastando a distância sísmica que possuem de nosso plano, pelo contrário, se tornam amigos terrenos, justamente pela utilização da linguagem, dos trejeitos, da intimidade e isso tudo ajuda de forma mútua a todos dentro do terreiro.

Nesse mesmo preâmbulo, existem as imagens, que faz com o que o consulente sente-se mais acolhido, a imagem de Jesus no altar, causa um peso estrondoso, muitos incrédulos de Umbanda ou pessoas que não simpatizam-se, ao ver a imagem de Cristo no altar, a grande maioria delas muda de imediato a concepção da Umbanda e dos rituais no terreiro, o mesmo acontece quando um católico vê aquelas imagens de santos dos quais já estão totalmente familiarizadas. Os olhos tem um fator extremamente poderoso sobre os rituais, infelizmente, ainda confiamos demais nos olhos da carne, porém, como sendo o único sentido que definimos a nossa realidade, a utilização desses elementos tornam-se primordiais.

O meu mentor chefe, deixou claro que não é que usarei do sincretismo nos meus rituais, mesmo porque em minha linha isso não vai existir, porém, a necessidade de algumas imagens no terreiro é imperativa, justamente pelo fator do acolhimento a todos aqueles que buscam a graça, porém desconhecem a liturgia umbandista e seu principal objetivo, que é acolher a todos, independentemente de quaisquer características e trazendo-os a cura de suas mazelas, sejam físicas ou espirituais.

Até aí, eu acho tudo válido, muito bonito e interessante, nossa dependência exacerbada do sentido visual faz com que eles nos adaptem às nossas realidades e vale salientar: O GUIA OU O ORIXÁ NÃO NECESSITA DE TAIS PARAMENTOS PARA TRABALHO, SÃO APENAS FORMAS DE MATERIALIZAR AOS NOSSO OLHOS A ENERGIA NECESSÁRIA PARA UM DETERMINADO FIM.

Agora é onde começa a entrar o EXAGERO…

Guias rebeldes que não descem em terra se não tiver a sua capa, guias que tem que se vestir da cabeça aos pés, principalmente gira de ciganos ou pomba-giras que é um show de luxo, uma religião que faz questão de pregar a humildade, ciganos exigindo em suas camisas SEDA e CETIM para que fiquem vistosos em suas festas. Aí eu me pergunto: Que maldição, a humildade e a vaidade conseguem conviver juntas? Vejo pomba-giras com vestidos caríssimos exaltando a NECESSIDADE de ter a sua roupa para a festa, podem me fuzilar, mas me desculpe, ou é você que quer se aparecer ou você está com um tremendo de um EGUN OSTENTAÇÃO.

NÃO EXISTE GUIA OU ORIXÁ EXIGIR UMA ROUPA DE 2000,00, eles vem aqui pra TRABALHAR e não pra PASSEAR, eles tem como principal objetivo a prática do bem e da caridade, a lição de humildade, de altruísmo, de sabedoria, QUAIQUER FATOS QUE DIVERGEM DISSO NÃO É UM GUIA DE LUZ, É UM EGUN OU O SEU EGO EXACERBADO.

Em uma festa de pomba-gira, uma maldita festa, inclusive, onde chamam as mulheres de putas e sem vergonhas, foi meia-hora para as “raparigas” se arrumarem e falarem uma “merda atrás da outra”, sim, o papo era somente de putaria, macho de membro cumprido,     que posição mulher gosta, pelo amor de Deus né minha gente? É legal ter espíritos de outro plano como amigos e talz, poder falar tudo o que temos vontade, mas “PERA LÁ”.

E irmão Ronald, antes que você fale que virou desabafo, virou mesmo, qualquer problema, a gente discute pelo Skype (rsrsrsrs).

Então, acho que tudo na vida deve ser medido e refletido, o que eu acho interessante são centros que permitem as pomba-giras vestirem-se como verdadeiras meretrizes mas coíbem o uso de brilho labial para as mulheres! Não faz o menor sentido.

Tudo é bom senso, minha gente, eu particularmente, EU, Neófito, acho uma banalidade roupas para guias, acho que isso é muito mais o estímulo da vaidade à seriedade de trabalho, ciganos esnobes ostentando uma roupa da qual o cidadão já está morto, não basta estar morto e ter a oportunidade de vir prestar a caridade, tem que continuar ostentando e diminuindo os irmãos vivos? Que raios de Umbanda é essa? Exús que só bebem Blue Label que vivem na riqueza no outro plano e querem continuar dessa mesma forma? Um dia vi o Rei das 7 Encruzilhadas que é o mesmo exú que eu sirvo, o chefe da minha linha, ostentando em trono no centro, cartola de cetim, corrente enorme de ouro e tomando Blue Label, na consulta, o mesmo me diz que é milionário no inferno e quer manter o mesmo hábito aqui na Terra, então porque não reencarna como conde? Rs

Então senhores, tudo é bom senso, acho muito saudável o seu guia usar uma espada, usar seus paramentos, acessórios de fácil colocação para não atrapalhar o andamento dos trabalhos, isso por incrível que muitos neguem, é útil a muitas pessoas que ainda vivem o complexo de São Tomé (Só acredito vendo) porém acho que aí é o limite, agora ir fantasiar o guia todo, encher de batom, lápis, pentear o cabelo, se perfumar, só por Deus. Existe uma página do Facebook que eu me divirto chamado “Pérolas da Macumba”, acompanhem, é risada na certa!

Fechar uma balada para os exús se pegarem? Podem procurar nessa página.

E antes que receba e-mails, que vem aos montes, que eu não respeito muitos rituais, digo-lhes com veemência, respeito a Umbanda, qualquer coisa que foge da Lei da Caridade e Humildade não é Umbanda, então eu bagunço mesmo! Rs.

E por fim, os paramentos servem para caracterização, para familiarização e por ultimo, como principal objeto de trabalho do guia espiritual, já vi exús darem um show em trabalhos somente com a cuia d´agua, não precisa de whisky do mais caro, baiano só pedindo Malibu pra beber, na época deles nem existia isso, vale pensar, o principal foco é que aqueles que cheguem até vocês ouvindo uma palavra, veja em vocês e nos seus guias espirituais, igualdade, fraternidade, mostrar que estão no mesmo patamar “social”, não uma pessoa humilde desempregada se deparar com um cigano que só bebe vinho do Porto, que palavra de humildade esse cigano vai proferir? Como vai atingir aquele humilde sendo que ele mesmo se mostra superior? Fica a reflexão.

Roupas caras, ostentação é para médiuns fracos que não confiam em si próprios, não possuem a firmeza necessária para dar uma boa comunicação, para impressionar aquele adepto que se prostra à sua frente e necessita de fantasias, dessa exacerbada caracterização para impressionar os nossos olhos, e eu digo com certeza, mesmo nossos olhos sendo o cartão de visita, nada mais impressionante que uma consulta de um guia espiritual que atinge seu coração, que fala algo que realmente acontece, que toca sua alma retirando do fundo dela, suas trevas e demônios.

Como diz meu amigo Chico Preto: “Os olhos da carne traem”.

E como dizia um grande filósofo Antoine de Saint-Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”

Neófito da Luz .’.

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Algumas considerações sobre pombagiras.

 

Saudações fraternais, irmãos.

Vamos falar um pouco sobre pombagiras (também conhecidas como pomba-giras ou bombogiras), uma linha tão mal compreendida como os exus, que estimula um excesso anímico por parte de muitos mediuns.

Não irei estender ainda mais o assunto sobre o dia da semana, oferendas, entre outras coisas porque pombagira é energia feminina da vibração Exu, é a vibração sendo manifestada com toda a doçura da Energia Feminina, a Fecundidade, a Vida.

Já falamos anteriormente que a vibração Exú também é a fecundidade, então temos aí a energia capaz de gerar vidas, o que também não é novidade para ninguém, mas o intuito desse post é falar um pouco mais sobre essa linha tão mal compreendida e consequentemente, mal utilizada.

Vamos salientar um pouco sobre a forma de trabalho dessa linha, mas antes, seria interessante deixar algumas coisas um pouco claras:

Primeiramente, pombagira não são garotas de programa e nem meretrizes de exus, eu tenho pavor quando ouço uma pombagira falar que “dorme” com outro exu, entre outras coisas. Pior ainda é quando a pombagira ou exu fala que “trabalha” com o exu ou pombagira do medium e com isso, ambos irão dormir juntos também.

Confundem demais a espiritualidade com o mundo material.

Nem todas as pombagiras foram meretrizes em sua vida terrena, e nenhuma hoje o é, existe na liturgia cristã demônios que favorecem atos sexuais como o Incubus, que é do gênero masculino e as sucubus, para o gênero feminino e isso sincretizou-se com as pombagiras e os exus na Umbanda justamente pela semelhança de funções entre eles.

Pombagira que chega no terreiro se esfregando em outros mediuns ou outros exus que vivem virando garrafas de champanhe, não são pombagiras, são os mediuns ou espíritos de baixa vibração. Pombagira não é prostituta, elas carregam a vibração da Lei Divina, por atuar em um plano vibratório mais próximo do plano material, elas ajudam a mulher estimular sua autoestima, valorizar a sua beleza, faz com que as mulheres sintam-se mais bonitas, quem nunca percebeu uma medium bem incorporada com uma pombagira ficar ainda mais bonita? A Pombagira atua no chakra básico, ela vem pra valorizar a mulher, valorizar seus traços femininos, como hoje a mediunidade é consciente e semiconsciente, auxilia nos trejeitos fazendo-as sentirem necessárias, atraentes. Isso é apenas mais um dos grandes poderes de pombagiras.

Uma outra coisa medíocre é quando ouço uma pombagira chamar o medium de bicha ou “puta”.  Fico horrorizado com a doutrina de muitas casas, uma doutrina pobre, sem fundamento, orientada ao vício. Pombagira de Lei trata com respeito os mediuns, é o que eu sempre digo aqui no blog, muita gente confunde os nossos queridos cumpadres e irmãs da encruzilhada como agentes do mal, prostitutas, como os gênios da lâmpada, que são pagos para a realização de nossos mais excusos desejos.

Irmãozinhos, o Universo está cheio de Espíritos, e junto com eles, todos os tipos de intenções possíveis, desde Espíritos que aceitam pinga para fazer amarrações, até Espíritos que não aceitam nada para ajudar uma multidão.

Antes de perguntar que tipo de Vibração, que tipo de Mentor você possui, pergunte a si mesmo quem você é e qual o seu objetivo dentro da espiritualidade. Com essa resposta, você saberá que tipo de “mentor” você atrairá para você!

Eu já vi pombagiras sérias, que fazem um excelente trabalho, e já vi aquelas “sujas”, que adoram se esfregar em mediuns e falar bobeiras, nós, da Terra, consequentemente adoramos uma sacanagem não? Todos nós temos a energia sexual muito constante e presente em nossas vidas, uns mais, outros menos, mas todos nós temos, quando isso é incentivado por um amigo espiritual então que nos “entende” é confortante não

É onde muita gente confunde, o mentor que ajuda, não é aquele que incentiva, mas é aquele que apoia e nos força a fazer direito, não é nem o que julga e nem o que incentiva, é aquele que nos sugere, nos ajuda a melhorar.

Uma outra coisa hedionda, e antes que eu seja taxado de preconceituoso, nada contra homossexuais, mas é nojento como a grande maioria utiliza as pombagiras para serem o que não possui a devida coragem de ser. Uma vez veio um homem incorporado com pombagira se esfregar em mim, imediatamente já disse: Minha mãe, agô, se afaste que eu não sou conivente com putaria dentro de terreiro, “ela” imediatamente se afastou.

É normal homem dar passagem para pombagiras muito eventualmente, eu mesmo já trabalhei três ou quatro vezes durante todos esses anos, mas nenhuma vez foi para dar consulta, trabalhar em assistência, ela veio, pediu o que queria e foi embora, normalmente, homens que trabalha sempre com pombagiras, a grande maioria que quer trabalhar sempre, são pessoas com dificuldade em assumir sua própria orientação ou se sente mais à vontade em trabalhar com elas porque a pombagira aflora a Força Feminina dentro dos mediuns.

Novamente não é preconceito, existe casos e casos, mas indubitavelmente quando uma pombagira vem muito em homens, ou ele a evoca por se sentir mais à vontade em ser mulher ou ele utiliza de “animismo” para tentar assumir quem é.

A espiritualidade respeita o preconceito terreno, a pombagira possui inúmeros mediuns mulheres para trabalhar, não precisa ficar vindo em homens para realização de seus trabalhos, e, não sejamos hipócritas, é muito estranho um homem com pombagira, isso é no mínimo constragedor.

Nao é preconceito, irmãozinhos, é lógica, é reflexão, antes de me tacarem pedras, primeiramente pensem…

Isso é muito comum no candomblé, vem aquele monte de pombagiras em homens, e é incrível, como elas são muito piores em mediuns homens, muito piores mesmo, por que? Vamos pensar..

Pombagira que chega em centro querendo esfregação, chamar a atenção, pedir pra ficar cantando, pedir ponto a todo momento, mandar abrir espaço para ela dançar, é no mínimo uma Pombagira que não é da Lei, pra não dizer que é o próprio medium que necessita de holofotes para ele.

Pombagira são moças lindas, que vem com o intuito de trazer à sensualidade, que é comumente confundida com vulgaridade, vem para trazer a Força Feminina à tona, a graça, o dengo da mulher, o charme existente na Força Feminina, acima de tudo isso, pombagira é uma irmã de Lei, vem pra trabalhar, vem com a Força Cosmica para fazer a diferença, não é para agir como uma meretiz dentro do terreiro e confundir ainda mais a cabeça de iniciantes.

Isso também acontece muito com a linha de ciganas, ultrapassam os limites da Graça e é onde começa a vulgaridade.

Assim como outras linhas, elas vem para trabalhar, ledo engano dos mediuns  ao achar que porque algumas foram mulheres da vida, não possuem nada a ensinar, somente rebolar e vir falar ainda mais baboseiras dentro de centro.

Já temos o SEXO estampado em todos os meios de comunicação, TV, rádio, internet, email, não precisamos mais disso dentro das reuniões mediúnicas, concordam?

Por isso, mediuns, amados irmãozinhos, antes de trabalharem com o espiritismo, espiritualismo, umbanda ou quaisquer outras doutrinas, perguntem-se a si mesmo o que vocês realmente são e o que querem, e ao decidir-se sobre isso, estudem, estudem e dediquem-se, para que não seja mais uma vítima das armadilhas espirituais e terrenas e que não seja mais um CANAL de disseminação negativa de tão brilhante religião.

Pombagira é amor, é doçura, é graça, é magia, é amizade, é fraternidade, quaisquer outras coisas diferentes disso, não é pombagira.

Pombagira é exatamente o que está na imagem do Post, é o estímulo do amor, da união entre casais, é o que traz a graça, é o que traz a sedução para o amado. Muito diferente de meretrício e sexo desenfreado.

Meus mais sinceros votos de Paz e Luz.

Com Amor.

Neófito.

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe

O Axé sem Sabedoria

12Pergaminho

Muitos que me conhecem, sabe da profunda importância que eu dou para o conhecimento dentro da liturgia umbandista, acima disso, todos os filhos da casa, de onde eu sou pai pequeno, faço questão de saberem todo o contexto introdutório dentro de minha teoria, é claro, sobre os guias, orixás, liturgias, entre outras coisas.

Para quem ainda não sabe, eu sou totalmente avesso ao batimento de cabeça, se em minha casa, enfatizo a humildade e a igualdade entre irmãos, todos nós estamos nessa eterna escola de aprendizado chamado Vida, por onde, todos erramos, portanto, não acho que ninguém nesse plano, ou melhor, quase ninguém, possui atributos irrefutáveis para as pessoas se ajoelharem a ela, não gosto de ninguém batendo cabeça a mim, pois não sou digno de tal, muitos podem falar que é uma demonstração de respeito, concordo plenamente, mas podem demonstrar isso ao meu orixá, pois sou tão igual como o adepto que ali adentra.

Mas voltando ao escopo da postagem, eu sou adepto ao meu teorema que eu costumo dizer na casa, “Medium ignorante, guia ignorante”, baseando nisso, faço questão de fornecer toda a teoria litúrgica da casa, bem como as formas das quais vemos as entidades, as linhas e o axé em si.

Para entenderem mais ou menos o que quero propor, vou contar uma pequena história que ocorreu há uns dias atrás:

Chegaram duas mediuns na casa no último domingo, eram de outra casa e estavam procurando um novo centro para frequentarem.

Nós sentimos quando as pessoas são mediuns, não? Mal iniciei com os pontos de abertura para os orixás, e já começaram a se “pipocar” dentro da assistência (Algo que eu discordo totalmente, se o guia quer trabalhar, ele aguarda o momento dele), tomei a atitude de costume, muito criticada por todos por sinal, de fingir que nem vi o que estava acontecendo.

Costumo ignorar para não dar mais asas à imaginação do medium.

É interessante como isso ocorre, você começa a ignorar, o guia deixa de fazer questão de vir, mas enfim, continuando… Gira de caboclo, hora do passe, as filhas adentraram-se na corrente, antes de ao menos algum guia da corrente chamar, já incorporaram e o caboclo já pedindo charuto.

Eu, com a calma de sempre, cortei…

Disse calmamente:

– Meu pai, é contra as regras da casa fornecer qualquer material para entidades que não fazem parte da corrente. Por incrível que pareça, o caboclo todo irritado, disse que sem aquilo não trabalhava. (Tudo bem, mas quem o chamou ali? rsrsrs).

O caboclo subiu todo irritado.  (Primeiro gente, guia irritado? Segundo, guia subir pq não satisfizemos às suas vontades? Vaidade?) Dando continuidade aos trabalhos, tive o azar do mentor da casa querer virar o trabalho para exú, logo pensei: “Pronto, é melhor nem incorporar porque vai dar pano pra manga”.

Começou a puxar a esquerda e a pombagira dessa filha já veio virada da assistência (Juro, era o que eu temia). O sacerdote da casa é a calma em pessoa, deixa tudo correr frouxo, ele mesmo me disse que me outorgou o título de pai pequeno, pq ele é o bom e eu o ruim, com isso a casa ficaria equilibrada.

E a pombagira veio, falou as “do fim” porque eu não dei charuto pro penudo, que ele precisava descarregar, que é uma falta de respeito e tudo mais. Que é inadmissível alguém negar algo pra um guia, que é uma falta de respeito e que o caboclo iria castigar a casa.

Eu disse: – Primeiro, falta de respeito é uma entidade vir, sem ao menos ser chamada, e já exigir fumo sem ao menos fazer parte da egrégora da corrente.

Pior ainda é vir na assistência, sem ao menos ser chamado para agregar nos trabalhos.

[É incrível como esse pessoal que vem de Umbanda traçada ou até mesmo candomblé gostam de roubar a cena e ainda querer dominar os trabalhos, já vi centro de Umbanda que quando chega um sacerdote de outra casa, principalmente candomblé, só falta bater cabeça pra ele, ali não, comigo não, rsrsrsrs.]

A pombagira começou a me ameaçar, que se eu não fizesse o que ela queria, ela tiraria a minha vida, ou meu carro ou até mesmo meu amor. Depois eu continuo a história….

Não percam o próximo capítulo da saga “A Pombagira e o pai-pequeno”.

Onde eu quero chegar com tudo isso? Primeiro, guia de luz não faz ameaça, é fato…

Segundo, que entidade teria o poder de levar a vida de alguém? Tomar meu carro?

Onde eu quero chegar, é que se o filho fosse devidamente doutrinado e instruído, fatalmente isso não aconteceria, principalmente não existiriam mediuns nômades, o que ocorre sempre, mediuns buscando casas para desafiarem e se exibirem com o que nada têm: O Conhecimento. Mediuns esses carentes de atenção e que procuram casas para serem bajulados e chamarem a atenção pelos seus guias. Vaidade, gente. Vaidade!!!

Em minha casa, prego muito mais o conhecimento, a sabedoria, a caridade à apoteose. É claro, há coisas que agradam aos nossos olhos, é muito legal ver uma entidade dançando bem, um belo grito de um boiadeiro, mas como já dizia o velho sábio: “O Essencial é invisível aos olhos”.

Então queridos mediuns, estudem, procurem, porque vocês são o princípio ativo da incorporação, o espírito amparador tem força, tem sabedoria, mas para ele atingir o consulente, ele necessita de você, cabe a você ter todas as ferramentas necessárias para auxiliar o trabalho de seu guia. Comecem com o conhecimento, com a sabedoria, é o princípio reagente para qualquer outras necessidades para se tornarem ótimos mediuns.

Paz Profunda

Neófito da Luz

Maga da Encruzilhada – Pombagira, Guardiã, Protetora, Guia

 

 

   

A SENHORA DA ENCRUZA.
Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamentada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola. Mas ela não se manifesta apenas em mulheres como também nos homens. Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pombagira ou um Orixá que a fundamentasse. Ela era apenas a parte feminina da personalidade de Exu. Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800 ou um pouco antes), estes aqui se encontram com outros povos e culturas religiosas e assimilam a poderosa Bombogira angolana que, muito rapidamente, conquistou o respeito dos adoradores dos Orixás. Porque sabemos da dualidade contida na natureza e ela está presente também em Exu.
E com o passar do tempo às formosas e provocativas Bombogira conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele. Na minha visão de Umbanda-Astrológica eu a vejo como a companheira de Exu, a Lilith, a Lua em sua fase negra, mas, de certa forma a outra metade de Exu ou sua natureza feminina é também aceitável. Porque sabemos que todos os seres muito provavelmente se dividiram, mas eram no principio hermafrodita.
No entanto mesmo se dividindo resta ainda em cada ser uma parte do outro sexo.
No entanto, Bombogira marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de superioridade e de independência. E não é possível se encontrar poderosas Pombagiras comandando vários exus com toda força de comando e inteligência magisticas. Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar, dar prazer na cama e cuidar dos filhos, eis que uma entidade feminina baixava e extravasava o “eu interior” feminino reprimido à força e dava vazão à sensualidade e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inveterados machistas. Mas sua força, além de complexa, trouxe confusões a muita gente. Aumentando assim fortemente a homossexualidade e comportamentos libidinosos nas pessoas. Sendo que o período mais pesado ocorreu com a passagem de Plutão pelo signo de Escorpião, a qual amplificou muito a liberdade sexual, mas também trazendo ao mundo o surgimento da AIDS com muita força destrutiva, a qual vem tirando o sossego da humanidade até hoje.
Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu e por todos os homens, vaidosos de sua força e poder sobre as mulheres. Enganam-se quem pensa que esta entidade só atua no Brasil. Ela trabalha em todos os continentes sob variadas formas e com diversos nomes.
Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal e liberada; exibicionista e provocante; insinuante e desbocada; sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade. Mas isso não é nem de longe benéfico a humanidade, não foi daí que surgiram o adultério, prostituição infantil, trafico de mulheres ou de drogas, mas foram amplificados, pela incompreensão das pessoas ao lhe dar com a verdadeira energia oculta da natureza de Bombogira. Essa é sim uma força muito perigosa. Conheço vários Pais-de-santo que pagaram caro por usaram exageradamente essa energia.
Ela foi logo se apresentando como a “moça” da rua, apreciadora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes. Mas esse não é nem de longe seu perfil verdadeiro. Essa é sim a Senhora ainda em evolução, que está em busca da luz espiritual. Ela é enxergada assim, porque assim se apresentam as que trabalham mais próximas do terra/terra. Mas na verdade a Bombogira já elevada ao posto de Senhora das Encruzas ou Rainha, não deseja nem necessita desse tipo de oferenda, ele e já um orixá e trabalha pelo equilíbrio da sexualidade humana.
“O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de convenções sociais”. Vejam nessa afirmação, que se trata de arquétipo ainda em evolução; que está em luta constante com as regras e que por isso requer também uma intervenção direta dos médiuns, pois a Umbanda e Quimbanda se entrelaçam em seus triângulos, sendo que a ajuda precisa ser mutua.
Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida, e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou: “É isso mesmo”! Mas não se enganem, pois há um segredo oculto por traz de tudo isso que só os verdadeiros buscadores vai compreender. E todos se quedaram diante dela, de sua beleza, feminilidade e liberalidade, e como que encantados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem-lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas. No entanto muitos exageram nessa busca pela tal “liberdade”, pois o homem tem a ilusão de que pode fazer o que quiser, mas ele vive debaixo de Leis.
Daí coloca para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimentos com os do sexo oposto. No entanto nem todos conseguem entender qual realmente é a verdadeira mensagem que essa Senhora nos quer passar. Mas, a todos eles ela ouviu com compreensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz. Sua desenvoltura e seu poder fascinam até os mais introvertidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades. Mas em meio a tudo isso muitos só conseguem confusão, por que a vêem como uma simples escrava, que recebe pagamentos nas encruzilhadas e que usara sua magia para realizar pedidos. Um outro erro notado em quase todas as casas de culto é o limitado numero de Pombagiras. Muitos chefes de terreiro só identificam Pombagira com poucos nomes sendo que a mais conhecida é Maria Padilha. Não sabendo que temos Pombagiras, do fogo, da água, do vento, das flores etc., e que cada uma tem uma afinidade, missão e atua num plano de ação muito bem definido.
Passou-se a admirar e amar esse fantástico arquétipo tão humano e tão liberalizado de sentimentos reprimidos à custa de muito sofrimento. Pois grande parte da humanidade se identifica facilmente com ele. Pombagira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação. Ela é a Kundalini Sagrada e em seu estado mais elevado quando se encontra repleta de Luz, pertence à Corrente Astral de Afrodite, atuando até mesmo como Eros.
Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa. Saibam que assim como a mulher não é só para estes afazeres, a Pombagira também não se presta apenas a atender pedidos e realizar desejos. Antes ela é um desafio que requer de nós compreensão e ajuda-nos a evoluir nossa espiritualidade por meio de nossos sentimentos.
Com isso feito, críticas contrárias à parte, o fato é que o arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas “Moças da Rua”, as companheiras de Exu. E quem compreendeu seu verdadeiro sentido e auxilio conseguiu sim evoluir e aliviar o carma.
A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda-Astrológica sinalizou à todos que não estava fechada para ninguém e que, como Cristo havia feito, também acolheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com o sexo oposto e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, o que gostam mesmo é de tudo o que a Pombagira representa com seu poderoso arquétipo. Mas, a maioria das pessoas não consegue admitir que tenha uma natureza cheia de defeitos que precisa ser remodelada e amoldada conforme suas necessidades carmicas.
Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos, mais profundos, intensos e desafiadores, mas também seus pesadelos; provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador. Por isso muitos se achando melhor que os demais passam a andar com uma Bíblia debaixo do braço dizendo que somente o Cristo é que importa. E só porque não trabalha nos sábados, paga o dizimo e vão à igreja todos os dias tem muita luz no espírito, se tornando uma pessoa sem pecados.
Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas. E não adianta ficar o tempo todo com a Bíblia na mão achando que se livrou dessa companhia, pois ele é parte de cada ser humano e se manifesta no sexo, nos desejos, como também no subconsciente. Certamente se Freud tivesse conhecido essa força desafiadora ele não teria sido tão atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos. Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas. No entanto, temos infelizmente muitas Pombagiras involuidas que trabalham em terreiros mal conduzidos que só fazem levar ao povo muitas confusões e desequilíbrios, muitas vezes irreversíveis. Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar, mas quando o ensinamento vem de mãos erradas induzindo a erros, como tomar o parceiro do próximo, ou jogar maldições, só o que se encontra é desarmonia.
Seus nomes, quando se apresentam, são simbólicos ou alusivos. E o pior é que a maioria dos templos só conhece e trabalha com um numero limitado de personificações. Na verdade existe uma quantidade quase inumerável de Pombagiras que trabalham na Linha de todos os Orixás. E tenham por certo que cada uma delas tem a afinidade perfeita com a energia cósmica de seu médium. Uma Pombagira das Sete Encruzilhadas para uma pessoa atua diferente para outra conforme o elemento, o signo e o seu poder ou grau na Hierarquia. Também como os orixás, existem as definições por ciclos, sendo que umas trabalham na linha vibratória dos Guias, outras com os Protetores e as mais fortes com os Orixás Menores. Para ter uma noção mais profundo sobre isso é que eu crie a UMBANDA-ASTROLÓGICA, um método inovador que estuda com precisão o mapa natal do individuo e tem uma visão mais profunda do que uma consulta por incorporações.
Que a Senhora Pombagira das Almas, traga luz ao caminho de todos os brasileiros na caminhada e na busca espiritual, trazendo amor para todos. E o mais necessário prudência!
O simbolismo dos nomes é típico da Umbanda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as levavam à perdição. Já na Umbanda e agora mais aprofundado aos astros na UMBANDA-ASTROLOGICA, é a configuração astrológica que vale, sendo que a própria posição das forças astrais apresentadas na hora do nascimento é que contem a visão da força que representa o lado oculto dos nativos. Assim orienta e ajuda a todos os que as respeitam e as amam, confiando-lhes seus segredos e suas necessidades, porque elas podem buscá-la com muito mais precisão e firmeza. Elas são ótimas psicólogas e podem orientar também nas giras de bons terreiros, mas nem todos estão aptos a entender seus ensinamentos. Sabemos que são muito boas psicólogas e se a procurarmos seus conselhos com a mente aberta e o coração limpo vamos sim encontrar uma resposta. E que psicólogas! “Salve as Moças da Rua”! No tarô poderemos identificá-la nos arcanos, assim como na Umbanda-Astrológica, através não de uma só força ou ponto, mas de uma leitura completa de toda configuração revelada.
Se quiserem fazer seu mapa de UMBANDA-ASTROLOGICO, contendo também, as dicas dos números, dos arcanos do tarô recebera em alguns dias o mapa via e-mail contendo também as previsões para o ano astrológico. Custa 60 reias, ou simplesmente de Umbanda-Astrologica, 50 reais.   

Carlinhos Lima – Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador.