Personalidade dos Filhos de Oxum

Oxum é o Orixá da fertilidade. Simboliza o amor, a união e o casamento. Seu elemento é a água doce e está presente nos rios, lagos, fontes, cachoeiras e regatos. O dia da semana consagrado a Ela é o sábado.

Ela protege as mães e as crianças, cuidando de nutrir, zelar e proteger todos que necessitam de seus cuidados. Por associação as fases da lua, é um pouco volúvel em suas vontades, refletindo novas faces a todo o momento. Sua palavra-chave é: fertilidade.Está sempre preocupado com o conforto das pessoas que o cerca, querendo atender suas necessidades. A graça e as boas maneiras e a sensibilidade e a compaixão são seus atributos, já que é muito dedicado ao próximo.Dotado de boa memória, veremos que este atributo será marcante em suas ações, pois os filhos de Oxum não esquecem o passado.Magoar um filho de Oxum é fácil, qualquer grosseria ou gesto mais brusco o deixa muito ofendido. Quando se entristece, derrama toneladas de lágrimas e tristezas em torno de si.Toda a pessoa filha de Oxum é mãe. Tanto homem, quanto mulher vai cuidar de seus filhos como mãe, é comodista e apegado ao que lhe pertence, seja objeto, ou amor.É extremamente teimoso, quando desaprova algo nada o faz mudar de ideia, tornando-se resistente e desconfiado. Não gosta muito de ir ao médico e quando se sente doente deixa a doença tomar conta, até ficar realmente mal, para então pedir socorro. Seu reino é sua casa, lá ele jamais ficará entediado, pois sempre encontrará o que fazer. Sua maior preocupação serão os filhos, que ele insistirá em proteger excessivamente.Não se pode entender um filho de Oxum por meio de um modelo básico, porque seu Orixá dá a ele muitos temperamentos, alguns dos quais conflitantes e opostos.O mau humor e as lágrimas são os comportamentos de um filho de Oxum que está infeliz no amor ou magoado. Seu companheiro precisa evitar criticá-lo ou censurá-lo, devendo sim estimulá-lo com elogios.Vive para o seu trabalho e sua casa e é cauteloso e tímido ao escolher seu par. Tem um mau humor extremo, que se transforma em rabugice intolerável, fica remoendo e resmungando pelos cantos de forma lamuriosa, neste momento é aconselhável deixa-lo a sós. Seu aspecto negativo é o excesso de cautela, preguiça, egoísmo e muita pena de si mesmo. Sentimentos de posse geram ciúme exagerado e a sovinice.Embora dificilmente parta dela a iniciativa para iniciar um relacionamento, depois que se envolve é excitante e participativa, romântica e delicada.Como atrai todo o tipo de pessoa, ela tem que se habituar a selecionar quem merece atenção. Sua energia pode ser afetada por aqueles que vêm apenas para sentir sua proteção maternal. Seu equilíbrio emocional pode ser desfeito e ela vir a esquecer sua vida pessoal para se dedicar a problemas alheios.No sincretismo é associada a Nossa Senhora da Conceição, cuja festa é comemorada no dia 8 de dezembro. Em outros estados brasileiros tem ligação com N.Sa das Candeias, N.Sa Aparecida, N.Sa da Glória ou N.Sa das Graças.No Tarô pode ser comparada ao Arcano XVIII: a lua, pois é encantadora e sedutora. É a profundidade da alma, emergindo das águas do inconsciente para a luz da compreensão íntima. Associar Oxum a lua é fácil, tanto o Orixá, quanto o astro representam tradicionalmente a mulher em todas as suas funções: mãe, esposa, amante e sacerdotisa. Ambas se ocultam por vezes e estão ligadas aos órgãos reprodutores.Os trabalhos domésticos, a culinária, a agricultura, os partos, a amamentação, a fecundidade da natureza e a geração estão sob domínio de Oxum.

O Físico e o Temperamento

O filho de Oxum tem rosto redondo, mãos cheias e é ou foi, em alguns casos, gordinho em um dado momento de sua vida.

O filho deste Orixá, seja homem ou mulher, trata a todos com dedicação maternal, se interessando por tudo o que acontece e sofrendo quando vê um pobre, um doente ou uma criança desamparada em má situação. Sua compaixão será seguida de cuidados, pois Oxum auxilia a quem precisa. Além de agradar aos outros, o filho deste Orixá também agrada a si mesmo. É vaidoso e despende tempo fazendo comidas de que gosta, mudando os cabelos, comprando roupas joias ou bijuterias.

A sua casa é seu lugar preferido, defenderá o lar com tenacidade, não deixando que nada perturbe a tranquilidade e o equilíbrio.

Extremamente cauteloso, parece perder oportunidades de agir, mas na verdade sua cautela não tem origem no medo, mas sim numa intuição profunda do que vai dar certo ou não. Convém a ele separar sua natureza negativa de sua intuição negativa, a intuição deve ser seguida, pois ela vem de seu Orixá regente, já o espirito negativo deve ser combatido, pois poderá ser um entrave ao seu progresso.

Sua capacidade mediúnica é manifestada por clarividência, premonição e psiquismo profundo. Os menos evoluídos podem ser vítimas de perseguições de espíritos atrasados.

Na personalidade humana, Oxum representa o “anima”, que a psicologia considera a faceta feminina, sendo sensível, intuitiva e vulnerável.

Amor e Casamento

O filho de Oxum é sentimental, romântico e necessita receber retribuição tão ardente, quanto a que dá. Gosta de se sentir admirado e desejado. Apaixonado, fica momentaneamente cego e neste período não percebe se a pessoa lhes convém ou não. Por isso, não deve ser precipitado ao escolher um companheiro, já que o casamento para o filho de Oxum é muito importante, devendo dar tempo para conhecê-lo melhor.

Tem tendência a reviver momentos passados e usa a sua boa memória para os bons e os maus momentos, inclusive revivendo brigas passadas e problemas não resolvidos.

Quando é solteiro, o homem de Oxum vacila quanto ao casamento por medo de se decepcionar. Já a mulher, estará sempre a procura de um amor e quando encontrá-lo nada a fará separar-se dele.

Trabalho e Dinheiro

As profissões mais adequadas aos filhos de Oxum são as ligadas à estética corporal, a alimentação, a psicologia, mas o verdadeiro progresso virá para esse filho quando ele vencer seu pessimismo e a vontade de abandonar tudo quando as coisas ficam difíceis.

Sociedades comerciais não o favorecem, pois podem sofrer prejuízos por sócios inescrupulosos ou exigentes demais.

Negócios em que tem afluência de público são bons para eles, bem como áreas ligadas às artes e à literatura.

É conservador e bastante equilibrado para lidar com dinheiro, mas tem um lado generoso de forma que é capaz de ajudar quem estiver realmente necessitado. Quando empresário, estimula seus empregados a produzirem para ganharem mais e é formal e compreensivo ao tratar com seus subordinados. Quando empregado, é competente e dedicado e tem a capacidade de se tornar indispensável, chamando cada vez mais para si responsabilidades sobre novas tarefas, visando um ganho maior e promoções.

Saúde

Todas as inseguranças que atormentam o filho de Oxum, seus medos e rejeições, produtos de sua instabilidade emocional, se refletem na sua condição física.

O aborrecimento e a angústia causados pelo temor de perder sua segurança o levam a depressão e provocam as doenças. Acidentes também acontecem quando fica desligado e imerso em suas meditações.

Seu melhor remédio está em manter uma vida animada e solta, encarar com otimismo suas apreensões e rir sempre. Ao meditar, ele consegue se recuperar, pois é capaz de controlar suas funções com a mente voltada positivamente para seu corpo.

O homem de Oxum

Há bem menos filhos de Oxum do que filhas, mas Seu filho é vaidoso, escolhe suas roupas com cuidado, combinando bem as cores, e dá muito valor a essa vaidade. É também calmo, sensível, firme, tenaz, doméstico, muito fiel e preza a estabilidade familiar.

A mulher de Oxum

A filha de Oxum recebe de seu Orixá regente dons preciosos que a tornam mãe, esposa e amante adoradas. Envolvente, delicada e feminina, quase tímida ao se apaixonar, gosta de ser elogiada e de ouvir declarações de amor de seu par, pois é insegura. Suas preocupações a afetam bastante, tem medos que a deprimem.

Considera-se bonita, mas não o bastante, tem medo de ficar pobre e sempre acha que não é amada o suficiente.

Não recebe bem críticas, já que elas aumentam sua depressão e reforçam seus complexos de inferioridades. É preciso tato ao criticá-la, pois se magoa com facilidade. Essa filha não pode ser ridicularizada.

Os aspectos negativos da filha de Oxum são a autopiedade e orgulho que, quando ferido, pode desequilibrar sua vida. Tem também mania de se comparar com outras pessoas conhecidas, ou parentes.

Seu mau humor a prejudica e nessa hora ou na hora da mágoa se isola, deprime-se, reclama da vida, chora bastante, mas de repente enxuga as lágrimas e começa a arrumar a casa, esquecendo seus desgostos. Busca no casamento proteção e amor.

Extraído do Livro “Conheça seu Orixá” de Barbara Triana.

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Saravá os Marinheiros

Composta por espíritos que se apresentam com a roupagem fluídica de trabalhadores do mar, sejam marinheiros, pescadores, corsários, piratas, é uma falange que abrange todo o povo que de alguma forma, foram envolvidos com o mar.

Sim, nem todos os marinheiros possuem o uniforme branco como vemos nas imagens, muitos usam bandanas na cabeça, brincos, eram marinheiros da idade média, que viviam de pirataria, corso, alguns espíritos dessa falange se apresentam com roupas de bucaneiros, para quem assistiu “Piratas do Caribe” deve saber do que eu to falando, inclusive, um dos meus pede um pano na cabeça, eu achei pra lá de estranho e foi quando eu o vi plasmado, e sim, não usa essa farda e nem tampouco a roupa de gala da Marinha e sim é um negro, que foi escravo durante as navegações, como eu sempre digo, não sigam estereótipos ou paradigmas, muitos médiuns com certeza, com medo de fugirem do padrão, usam acessórios que não é solicitado pelo seu marujo e sim porque a regra do terreiro exige tal, enquanto outros só querem ter os capitães do mar.

É muito importante lembrar que a Marinha é a Força Armada mais Antiga do Mundo, e os países que dominavam as embarcações na época, seja para exploração ou para a Guerra, eram Potência Mundial. Tudo era explorado através do mar, muitos alimentos também eram extraídos do mesmo, isso só corrobora com a vasta falange de espíritos que podem atuar nessa linha.

Marinheiros indiscutivelmente representam a alegria, chegam em sua grande maioria festeiros, brincalhões, abraçando a todos, são espíritos muito camaradas, amigos que estão sempre de prontidão e alegria para realizar suas consultas.

Sua saudação é “Salve a Marujada”, sua cor geralmente é o azul, seu dia da semana em muitas casas é o sábado.

Aceita como oferendas, a cerveja, peixe cozido ou frito, alguns solicitam conhaque, vinho ou até whisky, suas velas azuis ou brancas, e sua oferenda geralmente é na beira do mar ou em barco para o meio do mar.

Trabalham sob os auspícios das vibrações do Mar, Iemanjá e Oxum, mas vale ressaltar que muitos trabalham cruzados e podem carregar mais de uma vibração em seus trabalhos, podem vir também sob os auspícios de Ogum, Oxalá ou outros orixás, dependendo da corrente vibratória do filho.

Como trabalham muito bem com o elementar água, também são ótimos curandeiros e magos, muito evocados em trabalhos de limpeza quando é necessária a energia sutil do elementar água.

NA minha opinião também é a linha que atua com maestria no corpo emocional do médium e dos consulentes, trazendo em suas vibrações a alegria e a paciência e todo o espírito Materno de Iemanjá.

Existem muitas dúvidas sobre a forma de trabalho deles, que normalmente eles vêm bêbados e cambaleando, aí é um ponto que temos que dar razoável atenção.

Se pesquisarmos um pouco da história, os marinheiros, mesmo os da idade media ficavam muito tempo em alto mar e nem sempre havia comida o suficiente para a viagem, ocorriam muitos imprevistos e para saciar a fome, se embebedavam, tomavam muito rum, e posteriormente isso foi mudando, para conhaque, whisky e outras bebidas. Então, é sabido que muitos marinheiros em seu ofício, bebiam demais, por conta disso, ocorrem algumas coisas relacionadas a esse fato, os marinheiros dos terreiros além de virem cambaleando como bêbados, pedem muitas bebidas. Como eu sou adepto a que nada segue um padrão fixo e pré-estabelecido, até acredito que o marinheiro possa vir um pouco “alterado” mas existem fundamentos por trás disso.

Já é sabido da benevolência do álcool para muitas funções, inclusive no campo imagístico, e justamente por essa linha trabalhar sob o magnetismo aquático, onde a vibração se dá através de ondas, é necessário que isso seja diminuído no corpo espiritual do médium, e uma forma de diminuí-la é através da ingestão pequena de álcool.

Alguns marinheiros tombam de um lado para o outro, outros preferem vir dançando, alguns vem soluçando, mas sempre alegres e dispostos.

Como atuam no campo emocional do médium e trabalham com o elementar água,  o que também ajuda na cura e na revitalização de muitas funções do nosso corpo e as bebidas alcoólicas contêm uma parcela de água, e é comprovado cientificamente alguns dos seus benefícios, segue abaixo um trecho extraído do site do Dráuzio Varella:

 “1) Consummators de quantidades moderadas de álcool apresentam níveis de HDL (“o colesterol protetor”) 10% a 20% mais altos do que os abstêmios;

2) A presença de álcool na circulação interfere com os mecanismos de coagulação do sangue, aumentando o tempo de coagulação. Com o sangue menos coagulável, haveria mais dificuldade para a formação de trombos nas artérias coronárias. A ingestão de quantidades maiores de álcool, no entanto, reverte essa relação, favorecendo a coagulação mais rápida e a trombogênese;

3) Beber moderadamente pode reduzir a probabilidade de infarto indiretamente, ao diminuir o risco de desenvolver diabetes do tipo 2, aquele que costuma se instalar na vida adulta. Beber muito, ao contrário, aumenta os níveis de glicose no sangue, indicador de aumento de risco para diabetes.”

Justamente por trabalharem na vibração do mar, trazer o elemental água que corresponde a pelo menos 65% do nosso organismo e atuar com maestria em nosso corpo psíquico, trazem sim, um pouco do encanto do alcool e sabem manipular muito bem isso para nosso benefício.

Talvez seja essa a razão, virem cambaleando por causa da frequencia vibratória da água, do mar, das ondas e sim, consumir bebida alcoolica por também existir uma parcela de água no alcool e por trazer tantos benefícios em nossa saúde. Ou também tem o fato de virem cambaleando e meio “alterados” por atuarem no nosso corpo mental, e com isso, absorverem um pouco do que seria o efeito do alcool em nosso corpo, de uma forma ou de outra, é para a prática do amor e da caridade. Cabe a nós refletirmos, não?

Alguns marinheiros que conheci: Mané Jangadeiro, Tiago, Tonhão, João Marina, Martim Pescador, Martim Parangola, Martim Ignacio, Gerson, Sete Jangadas, Jorge, entre outros.

Namastê.

Neófito da Luz

Linha de Caboclos – Parte III

Axé,  prezados irmãos.

Esse post vou me focar apenas no aspecto vibratório e no nome magístico do caboclo. Eu acredito que os nomes não são por acaso e nem tampouco o campo vibratório do qual o caboclo atua. Claro que existem algumas raras excessões.

Vou pegar por exemplo, um caboclo que conheço bem e é um caboclo de trabalho, caboclo do Sol.

Geralmente os caboclos que possuem nomes de astros, são caboclos atuam também sob os auspícios da vibração de Xangô, não quer dizer que o mesmo não trabalhe sob outras irradiações, mas como vibração Nativa, é a Vibração de Xangô. Mais alguns exemplos:

Caboclo da Lua, Sete Luas, Sete Estrelas, Sol Nascente, Estrela Dalva, entre outros.

Voltando ao aspecto Caboclo do Sol, ele possui a vibração Nativa de Xangô, mas também atua sob a vibração de Oxalá, porque Sol é o Astro Regente da Vibração de Oxalá. Vamos desmembrar mais um pouco.

Sol = Composto por Fogo (Elementar de Xangô), é o Astro responsável por irradiar nossa galáxia, astro correspondente a Oxalá. Por ser um índio, também pode trazer sob sua vibração Oxóssi.

Caboclo da Lua – Lua por muitas vezes é cultuado como Oxóssi e/ou Iemanjá, a Lua geralmente é reservada à Grande Mãe das Águas, então, podemos concluir que o caboclo da Lua, pode trabalhar com Xangô, porque a Lua é um Astro, pode ser de Oxóssi e/ou Iemanjá. Muitas casas também atribuem a Lua ao Orixá Ogum. Todos podem estar certos, então temos um caboclo que atua sob os auspícios de quatro orixás.

Caboclo Tupã – Significa trovão  em Tupi e é o Deus que concebeu a Terra, só aí já temos Oxalá e/ou Xangô no nome desse caboclo, fora que por ser da tribo de Tupis, conforme exemplificarei abaixo, pode ser também um caboclo de Oxóssi.

Um outro caboclo que conheço muito bem é o Sr. Rompe-Mato. Desmembrando seu nome, temos o “romper” que é o significado de força, o que simboliza Ogum e em seu nome, encontramos “mato” que é de Oxóssi.

O que mais me espanta é que muitos sacerdotes que conhecem muito bem a Umbanda, sabiam da irradiação do caboclo sem muito espanto, a minha madrinha quando chegava o caboclo em terra ela já sabia quem era e com qual orixá ele trabalhava. Hoje, com muito estudos, conseguimos chegar a um patamar razoável, e que confirma muita coisa que os antigos já diziam a respeito dos caboclos e suas vibrações, com isso, conhecendo bem nossas entidades, sabemos quais são os nossos orixás e com isso, identicarmos qual a nossa missão e propósito na Terra dentro do autoconhecimento da Umbanda. Claro, como eu disse, existe algumas raras excessões, esse caboclo, Sr. Rompe-Mato, também vibra e muito bem na linha de Xangô.

Em minha humilde opinião, acredito veementemente que trabalhamos com os guias que estão na mesma sintonia vibratória que nossos Orixás regentes, salvo raras excessões pode aparecer um guia que precisa trabalhar e nós como mediuns, cedemos por um tempo a nossa matéria para que ele possa atingir o seu objetivo, obviamente com a permissão de nossos Orixás e do Guia Chefe.

Um outro fator muito interessante, é a linha de caboclos Tupis, seja Tupinambás, Tupiniquins, Tupinarés, são caboclos que possuem como vibração nativa do Orixá Oxóssi e através de algumas pesquisas, como sempre, tudo o que me vem à mente, gosto de procurar e pesquisar com coisas que corroboram com minhas idéias, aí vi que a linha de Saraceni também identifica através do nome do caboclo qual é o seu Orixá regente e achei isso muito interessante.

Vou postar abaixo um trecho do qual eu concordo veementemente e pude vivenciá-los durante meu tempo dentro da religião, inclusive, o que fala do meu mentor chefe, Urubatão da Guia corrobora perfeitamente com o que ele me ensinou:

Icaraí- Icaraí significa “água santa”. A água é um elemento de Yemanjá. O que torna algo “santo” é a Presença de Deus (o Alto do Altíssimo); e o Orixá que representa o mais Sagrado é Oxalá (porque rege o Sentido da Fé, base da religião). Logo, é um Caboclo de Oxóssi, Yemanjá e Oxalá;

Tupinambá- Tupinambá significa “filhos de Tupi” (ou de Tupã). Tupi é a Raiz, o Pai. Por analogia, o Orixá Oxalá é “o Pai” (porque o Seu Fator Magnetizador é a base da Criação). Logo, é um Caboclo de Oxóssi e Oxalá;

Urubatão – Urubatão (ou Urubatã) significa “madeira dura”. Madeira vem de árvore=Oxóssi; mas a madeira é a árvore que foi cortada e passou por uma transformação= Obaluayê; e dura= dureza= força=Ogum. É um Caboclo de Oxóssi, Obaluayê e Ogum;

Urubatão da Guia – Valem as explicações anteriores. Acrescente-se que “guia” vem de “estrela guia”, um símbolo de Oxalá. Logo, este Caboclo é de Oxóssi, Obaluayê, Ogum e Oxalá;

Ubirajara- Ubirajara significa “o atirador de lança”. A lança é de Ogum. Logo, é de Oxóssi e Ogum.

Jaci – Jaci é “a deusa da lua”, que é associada às Divindades Ísis (egípcia) e Lakshmi (hindu). Estas, por sua vez, são relacionadas a Oxum. Logo, seria uma Cabocla de Oxóssi e Oxum. Mas a lua também pode ser associada a Oyá-Tempo, Yemanjá e Nanã, de modo que pode ser uma Cabocla com essas regências.

Jacira – Jacira significa “inseto que produz mel”. Quem produz mel é a abelha, que pertence ao reino de Oxóssi. Mas o mel também representa a doçura, que se associa a Oxum. Logo, é uma Cabocla de Oxóssi e Oxum.

Indaía – Indaiá, em tupi-guarani, é um tipo de palmeira. Sendo um elemento vegetal, está ligado a Oxóssi. Seria um Caboclo (a) na Irradiação pura de Oxóssi.

Caboclo “Pena”: Todo Caboclo Pena traz uma qualidade voltada para ensinar, doutrinar. A pena é de Oxóssi, Orixá do Conhecimento.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Pena Branca- o branco é a cor de Oxalá; logo, é um Caboclo voltado para ensinar a Fé (é de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Pena Dourada- o dourado é uma cor de Oxum; logo, vem para ensinar o Amor (é de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Pena Verde- o verde é de Oxóssi; logo, vem para expandir o Conhecimento; (atua na Irradiação pura de Oxóssi); ●Caboclo Pena Marrom- o marrom é de Xangô; logo, vem para ensinar a Justiça (é de Oxóssi e Xangô); ●Caboclo Pena Vermelha- o vermelho é de Ogum; logo, vem para o ensino da Lei (é de Oxóssi e Ogum); etc. A cor que aparece no nome do Caboclo indica a qual Orixá está relacionado e em qual Sentido da Vida ele vai atuar, especificamente.

No caso do Caboclo Sete Penas, o “sete” indica que ele atua nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, na Irradiação de todos os Orixás, sendo um doutrinador de almas

Caboclo “Flecha”: Todo Caboclo Flecha traz duas qualidades fundamentais: uma voltada para o Conhecimento (pois a flecha é de Oxóssi) e a outra voltada para o Sentido da Direção (porque a flecha também aponta numa direção, ela dá direção- Qualidade de Yansã). São Caboclos que atuam para dar um direcionamento na busca do Conhecimento, na expansão do nosso aprendizado. E a cor que aparecer no nome do Caboclo dará o campo específico da sua atuação.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Flecha Branca= direcionador do Conhecimento no campo de Oxalá= Fé; ●Caboclo Flecha Dourada= direcionador do Conhecimento no campo de Oxum= Amor; etc.

Já o Caboclo Sete Flechas é um direcionador do Conhecimento nos Sete Sentidos da Vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). É um direcionador de almas, de espíritos.

Caboclo “Folha”: Todo Caboclo Folha traz qualidades de Oxóssi, pois a folha é de Oxóssi, o Senhor do Reino Vegetal.  E a cor da folha indicará qual outro Orixá os rege e o campo específico de suas atuações.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Folha Branca (de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Folha Dourada (de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Folha Verde (Irradiação pura de Oxóssi); etc.

Quanto ao Caboclo Sete Folhas, há uma particularidade: a folha serve para curar; e o Orixá “dono de todas as folhas” e que cura pelas folhas é Ossaim. Como o Caboclo Sete Folhas trabalha com todas as folhas (nas sete Irradiações), vemos que traz qualidades de Ossaim. (Ossaim não é cultuado diretamente na Umbanda, e sim dentro do campo de Oxóssi.)

Caboclo “Pemba”: Todo Caboclo Pemba traz qualidades de Oxum (Trono Mineral), pois a pemba é um mineral. São Caboclos de Oxóssi e Oxum. Oxóssi traz o Conhecimento e a expansão; Oxum é agregadora, atrai e reúne com harmonia.

Como nos exemplos anteriores, a cor que aparece no nome (Pemba Branca, Pemba Roxa etc.) indica o campo específico da sua atuação. Já o Caboclo Sete Pembas atua nos Sete Sentidos da Vida. (Fonte dos itens I/V: Anotações de aula do Curso Virtual de Teologia de Umbanda ministrado por Alexandre Cumino, turma 11, Plataforma EAD do Instituto Cultural Aruanda.)

Outros nomes:

●Os elementos, pontos de forças, as cores, instrumentos (flecha, escudo etc.) e condições climáticas que aparecem no nome do Caboclo dão uma indicação do Orixá que o rege e do seu campo de atuação. Exemplos: Caboclo dos Rios (Oxum); Caboclo Ventania (ventania= ar em movimento= Yansã); Caboclo do Fogo (Xangô); Caboclo da Terra (Omolu); Caboclo do Mar (Yemanjá); Caboclo do Ouro (Oxum); Caboclo do Lago (Nanã); etc.

●Há nomes ligados a verbos ou ações. Exemplos: Caboclo Rompe-Mato: romper é um ato de força= Ogum; mato= Oxóssi; logo, é de Oxóssi e Ogum; Caboclo Quebra Pedra: quebrar= Ogum; pedra= mineral=Oxum; logo, é de Ogum e Oxum.

●Os nomes de animais, em especial os de felinos (gato, jaguatirica, leopardo, leão, onça, tigre, pantera, jaguar), em geral estão diretamente associados a Oxóssi, que é o Senhor do Reino Vegetal (flora) e também da fauna (animais).

Mas alguns têm outras particularidades. Exemplo: Cobra Coral. A cobra é um animal associado ao Orixá Oxumarê (a Serpente de Dan). E a cobra coral tem as cores vermelha (de Ogum), preta (de Omolu), amarela (de Yansã) e branca (de Oxalá). Logo, é um Caboclo que atua na Irradiação de Oxumarê, Ogum, Omolu, Yansã e Oxalá.

(Fonte: Rubens Saraceni, “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada” e “Tratado Geral de Umbanda”, ambos da Madras Editora.)

E por fim, só queria ressaltar que não estou fazendo nenhuma apologia a nenhuma escola de Umbanda, mesmo porque, como enfatizo, eu sigo a dos meus guias, mas é sempre importante termos a humildade de olhar para o lado e verificar que mesmo discordando de alguns pontos, podem ocorrer semelhanças doutrinárias, e no caso dos nomes, concordei perfeitamente com o que foi ensinado.

Sempre tento unir o misticismo, esoterismo com a Umbanda, afinal, são todos galhos de uma mesma árvore.

E como sabem, quem tiver mais dúvidas e eu poder contribuir um pouco com isso, meu e-mail é neofitodaluz@gmail.com ou podem comentar no post.

Posteriormente farei uma tabela dos elementais dos orixás, seu campo de atuação e suas respectivas cores. Inclusive já estou concluindo.

Namastê.

Neófito da Luz.

A Linha de Marinheiros.

Composta por espíritos que se apresentam com a roupagem fluídica de trabalhadores do mar, sejam marinheiros, pescadores, corsários, piratas, é uma falange que abrange todo o povo que de alguma forma, foram envolvidos com o mar.

Sim, nem todos os marinheiros possuem o uniforme branco como vemos nas imagens, muitos usam bandanas na cabeça, brincos, eram marinheiros da idade média, que viviam de pirataria, corso, alguns espíritos dessa falange se apresentam com roupas de bucaneiros, para quem assistiu “Piratas do Caribe” deve saber do que eu to falando, inclusive, um dos meus pede um pano na cabeça, eu achei pra lá de estranho e foi quando eu o vi plasmado, e sim, não usa essa farda e nem tampouco a roupa de gala da Marinha e sim é um negro, que foi escravo durante as navegações, como eu sempre digo, não sigam estereótipos ou paradigmas, muitos médiuns com certeza, com medo de fugirem do padrão, usam acessórios que não é solicitado pelo seu marujo e sim porque a regra do terreiro exige tal, enquanto outros só querem ter os capitães do mar.

É muito importante lembrar que a Marinha é a Força Armada mais Antiga do Mundo, e os países que dominavam as embarcações na época, seja para exploração ou para a Guerra, eram Potência Mundial. Tudo era explorado através do mar, muitos alimentos também eram extraídos do mesmo, isso só corrobora com a vasta falange de espíritos que podem atuar nessa linha.

Marinheiros indiscutivelmente representam a alegria, chegam em sua grande maioria festeiros, brincalhões, abraçando a todos, são espíritos muito camaradas, amigos que estão sempre de prontidão e alegria para realizar suas consultas.

Sua saudação é “Salve a Marujada”, sua cor geralmente é o azul, seu dia da semana em muitas casas é o sábado.

Aceita como oferendas, a cerveja, peixe cozido ou frito, alguns solicitam conhaque, vinho ou até whisky, suas velas azuis ou brancas, e sua oferenda geralmente é na beira do mar ou em barco para o meio do mar.

Trabalham sob os auspícios das vibrações do Mar, Iemanjá e Oxum, mas vale ressaltar que muitos trabalham cruzados e podem carregar mais de uma vibração em seus trabalhos, podem vir também sob os auspícios de Ogum, Oxalá ou outros orixás, dependendo da corrente vibratória do filho.

Como trabalham muito bem com o elementar água, também são ótimos curandeiros e magos, muito evocados em trabalhos de limpeza quando é necessária a energia sutil do elementar água.

NA minha opinião também é a linha que atua com maestria no corpo emocional do médium e dos consulentes, trazendo em suas vibrações a alegria e a paciência e todo o espírito Materno de Iemanjá.

Existem muitas dúvidas sobre a forma de trabalho deles, que normalmente eles vêm bêbados e cambaleando, aí é um ponto que temos que dar razoável atenção.

Se pesquisarmos um pouco da história, os marinheiros, mesmo os da idade media ficavam muito tempo em alto mar e nem sempre havia comida o suficiente para a viagem, ocorriam muitos imprevistos e para saciar a fome, se embebedavam, tomavam muito rum, e posteriormente isso foi mudando, para conhaque, whisky e outras bebidas. Então, é sabido que muitos marinheiros em seu ofício, bebiam demais, por conta disso, ocorrem algumas coisas relacionadas a esse fato, os marinheiros dos terreiros além de virem cambaleando como bêbados, pedem muitas bebidas. Como eu sou adepto a que nada segue um padrão fixo e pré-estabelecido, até acredito que o marinheiro possa vir um pouco “alterado” mas existem fundamentos por trás disso.

Já é sabido da benevolência do álcool para muitas funções, inclusive no campo imagístico, e justamente por essa linha trabalhar sob o magnetismo aquático, onde a vibração se dá através de ondas, é necessário que isso seja diminuído no corpo espiritual do médium, e uma forma de diminuí-la é através da ingestão pequena de álcool.

Alguns marinheiros tombam de um lado para o outro, outros preferem vir dançando, alguns vem soluçando, mas sempre alegres e dispostos.

Como atuam no campo emocional do médium e trabalham com o elementar água,  o que também ajuda na cura e na revitalização de muitas funções do nosso corpo e as bebidas alcoólicas contêm uma parcela de água, e é comprovado cientificamente alguns dos seus benefícios, segue abaixo um trecho extraído do site do Dráuzio Varella:

 “1) Consummators de quantidades moderadas de álcool apresentam níveis de HDL (“o colesterol protetor”) 10% a 20% mais altos do que os abstêmios;

2) A presença de álcool na circulação interfere com os mecanismos de coagulação do sangue, aumentando o tempo de coagulação. Com o sangue menos coagulável, haveria mais dificuldade para a formação de trombos nas artérias coronárias. A ingestão de quantidades maiores de álcool, no entanto, reverte essa relação, favorecendo a coagulação mais rápida e a trombogênese;

3) Beber moderadamente pode reduzir a probabilidade de infarto indiretamente, ao diminuir o risco de desenvolver diabetes do tipo 2, aquele que costuma se instalar na vida adulta. Beber muito, ao contrário, aumenta os níveis de glicose no sangue, indicador de aumento de risco para diabetes.”

Justamente por trabalharem na vibração do mar, trazer o elemental água que corresponde a pelo menos 65% do nosso organismo e atuar com maestria em nosso corpo psíquico, trazem sim, um pouco do encanto do alcool e sabem manipular muito bem isso para nosso benefício.

Talvez seja essa a razão, virem cambaleando por causa da frequencia vibratória da água, do mar, das ondas e sim, consumir bebida alcoolica por também existir uma parcela de água no alcool e por trazer tantos benefícios em nossa saúde. Ou também tem o fato de virem cambaleando e meio “alterados” por atuarem no nosso corpo mental, e com isso, absorverem um pouco do que seria o efeito do alcool em nosso corpo, de uma forma ou de outra, é para a prática do amor e da caridade. Cabe a nós refletirmos, não?

Alguns marinheiros que conheci: Mané Jangadeiro, Tiago, Tonhão, João Marina, Martim Pescador, Martim Parangola, Martim Ignacio, Gerson, Sete Jangadas, Jorge, entre outros.

Namastê.

Neófito da Luz

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe

Vibração Oxum – Parte II

Aranauam.

Tentei fazer um texto compacto sobre a vibração Oxum, mas infelizmente pela minha falta de didática, gerei algumas dúvidas, então esse texto é apenas para exemplificar de forma esotérica sobre a alquimia.

A alquimia por muitos, existe desde a Atlantida, para outros, foram conhecimentos de Iniciados de Confrarias Egípcias, como existem diversas especulações sobre o assunto, então prefiro que isso seja uma opinião particular de cada irmão.

Vou resumir o conceito em Alquimia em uma palavra: Transmutação, esse conceito sera interessante uma maior abrangência porque ele será citado na vibração Obaluaie e Omulu.

Em poucas palavras, transmutar é Transformar, Converter, Mudar, no conceito de alquimia, é transformar um elemento químico em outro, no caso da alquimia, conhecida por muitos, transformar o Chumbo em Ouro. Transmutar também podemos compreender em transformar uma enfermidade em algo saudável, transformar algo pútrido em algo puro, então o conceito é bem simples: Rejuvenescer ou até mesmo trazer de volta ao estado natural algo que já está perdido ou finalizado.

No contexto esotérico, ou até mesmo o ditado antigo, aprendemos que só o Amor Transforma, por isso, adequei esse conceito à vibração Oxum, como eu concordo que Amar é Transformar, é Mudar, que somente com o Amor somos capazes de entender as coisas de uma forma tridimensional, e através da minha vivência com a Umbanda, com as Vibrações e com as energias sutis de forma geral, compreendi que a Pedra Filosofal nada mais é que o Amor em Movimento, e como algumas Ordens Iniciáticas diz, somos diamantes a sermos lapidados, assim assemelha-se o conceito em transformar o chumbo bruto, que é um metal pesado com poucas propriedades além de sua forte consistência em ouro, que é um metal precioso, rígido, cintilante e belo. E é interessante que a própria cor da vibração de Oxum é dourada, o que me remete a pensar que a Umbanda é apenas mais um Galho da Grande Árvore do Conhecimento, é apenas uma das centenas de Fragmentos de um mesmo espelho. Mais uma forma de Compreender a Verdade Universal.

De modo geral, o ato de transformar o chumbo em ouro através da Pedra Filosofal, nada mais é que extinguirmos Antigos e intrínsecos conceitos humanos, como orgulho, arrogância e vaidade, em Virtudes, como a Compreensão, a Temperança e a Humildade. Então, conforme eu disse, a vibração Oxum é a nossa Pedra Filosofal, a Pedra Filosofal é o sentimento mais sublime que podemos sentir, e é esse sentimento frequentemente presente na Vibração Oxum: Amor.

Como até mesmo uma planta quando é regada em excesso pode morrer ou murchar, assim também é o conhecimento, ele deve ser regado vagarosa e diariamente para que possa crescer saudável e duradouro, então com outros posts vamos desmembrando melhor o conceito.

Espero que tenha sido claro. [risos]

E me desculpem se ainda não me fiz compreender.

Paz Profunda

A Vibração Oxum

Oxum é considerado o orixá mais meigo que existe dentro do panteão Umbandista, talvez a que é cultuada como a mãe carinhosa, a mãe meiga e amiga, ela é a vibração do amor, da compaixão, da ternura. Sua cor é geralmente  o amarelo, mas já presenciei casas que utiliza o dourado, o azul e até mesmo o branco.

Suas festividades ocorrem normalmente dia 08 de dezembro, e seu dia da semana é considerado por alguns, a quarta-feira ou terça-feira, mas como sempre venho dizendo, cada casa trabalha de acordo com um rito particular, portanto, não gusto de fixar as idéias e apenas apresentá-las. Na minha casa, era de sábado, que acreditávamos ser um dia propício para a vibração das águas.

Na mitologia, já foi esposa de Oxossi e Xangô, em algumas casas de nacão, até mesmo mulher de Ogum e mãe de Exú, isso é apenas para referências, já que não sou muito apegado a essas lendas.

Sua saudação é Ora ie ieu.

Sabe-se que Oxum é a vibração que impulsiona o amor, é considerada a senhora das águas doces e das cachoeiras, quando sua vibração é imantada com Xangô. É a vibração do amor, da união, do sentimento que nos impulsiona a praticar o bem, é a Divina Proteção, também é considerada a vibração da riqueza e da fecundidade, ela traz o tesouro, tesouro esse que não é apenas o ouro que conhecemos e como é entoada em tantos pontos, sabemos que na propria alquimia, dizia-se que através da Pedra Filosofal, era possível transformer o chumbo em ouro, no sentido figurado da frase, nós somos o chumbo, o metal que deve ser trabalhado, e através da pedra filosofal, ou seja, o conhecimento perdido, podemos nos tornar ouro, em outras palavras, podemos evoluir a um estágio puro e cintilante, aí também se encaixa a vibração Oxum, sabemos que o Amor transforma, e tranforma de forma digna e duradoura, então está aí um Orixá que devemos apelar para quando queremos nos modificar, nos purificar, que toda a riqueza fecunda e infinita de Oxum possa nos banhar, para que assim, possamos nos tornar um metal preciso e duradouro.

É a vibração Oxum que traz o amor entre os povos, a paz uni e bilateral. É a vibração de Oxum a verdadeira Pedra Filosofal.

A Vibração de Oxum é o Amor, o Amor que nos leva a Deus e nos traz virtudes, a paciência, a compreensão e o entendimento entre as pessoas, é o amor que nos move a um único Caminho, o Caminho para a Evolução e o conhecimento da Face de Deus.

Oxum também é considerada a rainha dos feitiços e encantamentos, justamente por sua doçura, tem grande facilidade para manipular os elementos e os elementais, justamente por isso, muitas casas regidas por Oxum são prósperas e excelentes casas, mas vale lembrar, desde que o filho de Oxum esteja regido por boas vibrações, o que muitas vezes não acontece.

Também falamos que Oxum é a fecundidade, ou seja, parte do poder de criação, é a fecundidade que faz mover a roda cármica, é o ciclo de nascimentos, independente do que seja, que nos faz mover, evoluir e aprender, a cada novo nascimento, uma alma surge para nos trazer o entendimento, a evolução. Recentemente tive um lindo filho, e confesso, o seu nascimento e o meu amor por ele me fez mudar demais, me fez enxergar a vida de uma nova forma. Uma forma quadridimensional.

Quando o filho de Oxum está negativado, podem perceber que dificilmente ele encontra um novo amor ou até um bom companheiro, então para aqueles filhos de Oxum, dos quais eu tenho experiência, são pessoas relativamente difíceis quando não trilham o caminho da Pura Vibração, fica a dica de qual função foram incubidos durante o nascimento, compreender e fazer com que o Amor vibre em sua forma mais sublime.

Os filhos de Oxum quando positivados, são pessoas sábeis, ótimos intermediadores, pessoas que sabem compreender os dois lados da moeda e sabem distribuir o sentimento, levar a palavra correta para aquelas que precisam, então lembre-se: Oxum é a vibração do Amor.

É também a vibração da fecundidade, ou seja, tratem a todos como seus verdadeiros filhos, pois cabem a vocês agirem como verdadeiras mães: Protetoras, compreensíveis e cheias de ternura.

As oferendas de Oxum podem variar, entre champagnes, vinhos, feijão fradinho, ovos e até mesmo certos tipos de doces ou frutas, como manjar, doce de abóbora, maçã, banana, peras, entre outros. Gostaria de enfatizar que DESCONHEÇO E IGNORO A QUIZILA. [risos] (Não mudei tanto assim!)

Durante a incorporação, também vi algumas variedades de Oxum, umas vem chorando, outras dançando e algumas até mesmo sentadas. Uma vez presenciei uma Oxum com espada, muito bonita por sinal.

Paz Profunda.

Neófito da Luz