Sincretismo: Uma Verdadeira Lambança

Saudações, Prezados Irmãos de Senda.

Depois de levar uma dezena de pedradas quanto ao meu posicionamento aos trabalhos na Quaresma, eu não aprendo, e vamos lá expor a minha inútil opinião sobre o sincretismo.

Etimologia

Oriunda do termo grego sygkretismós, “reunião de vários Estados da ilha de Creta contra o adversário comum”.

O que é Sincretismo?

Podemos entender que sincretismo é uma junção de doutrinas e fundamentos que são absorvidas pelo culto em questão, podemos lembrar que o Cristianismo na verdade foi um grande compilado de religiões pagãs e outras cultos romanos da época, sim, a vocês que acham que o Cristianismo é puro, meus pêsames, e digo mais, se existe uma certeza que eu tenho sobre Cristo, é que ele não era Cristão! Rsrs

Mas sem mais delongas, podemos observar isso nos cultos afros, para muitos, Ogum e São Jorge é a mesma entidade e fim de conversa! Muitos centros de Umbanda cultuam os orixás com imagens de santos católicos, isso deve-se somente ao fato de termos as raízes cristãs tão impostas em nossa cultura e pela nossa colônia portuguesa. Porque Ogum aqui não poderia ser Ares? Marte? Thor? Montu? Até mesmo o Guerreiro Arjuna nos contos de Gita? Hachiman nos contos míticos japoneses? Mas por que São Jorge? Justamente pela nossa pesada e chata imponência católica que temos em nossas raízes desde os primórdios; Mas como todo personagem Mítico, Jorge também além de não ter sido nenhum santo e nenhum exemplo de conduta, também está envolvido em várias lendas, como o cavalo albino, a morte do dragão, todas ilustrações de vagas ideias antropomórficas impregnadas em nossas mentes ávidas por ídolos.

O Sincretismo na Umbanda

É sabido que Zélio Fernandino de Moraes, o dito fundador da Umbanda tinha raízes católicas e espíritas, tanto que os sete centros abertos pelo seu mentor Sete Encruzilhadas levava no nome de “Espírita” e o nome de um santo católico como podemos observar o nome de seu primeiro centro foi chamado de “Tenda Espirita de Umbanda Nossa Senhora da Piedade”. Muitas casas adoram a imagem de São Jorge como se fosse Ogum, isso pela semelhança em seus arquétipos, ambos guerreiros, ambos “montados no cavalo”, ambos trazem para si a energia e a bravura que são preponderantes na Guerra, assim também como Santa Bárbara para Iansã, Nossa Senhora dos Navegantes para Iemanjá, se presenciarem, ambos possuem arquétipos semelhantes, e como a Umbanda era muito “popular” era muito mais fácil associar nomes complicados de Orixás com nomes corriqueiros em nosso cotidiano, obviamente, ninguém iria colocar a imagem de Marte, o Deus Romano da Guerra ou Ares, o Deus grego da guerra para sincretizar Ogum, por ser um conhecimento mais restrito para muitos.

Conforme mencionei, a Umbanda possui várias vertentes, a vertente designada pelo Zélio indubitavelmente sofreu centenas de mudanças para até o dia de hoje, fato que comprova a veracidade dessa informação é a Tenda Mirim, fundada em 1924, passou a ignorar o culto aos santos católicos em sua casa, com exceção de Jesus Cristo. Entendo que na época de Zélio, já era chocante ter em uma mesa branca a existência de um índio, dito ignorante por muitos, ainda trazendo nomes de “santos” africanos, obviamente Sete Encruzilhadas com todo o seu conhecimento quis fazer com que a transição para o novo culto fosse extremamente suave e o mais sutil possível para não abalar intensamente nossa cultura e nem tampouco nosso vago conhecimento de como funciona o mundo espiritual.

Sincretizar os santos obviamente é uma questão de opinião e prática, como diz o meu artigo, eu acho uma verdadeira lambança essa mistura, o sincretismo não fica somente nessa associação de imagens de santos com orixás, é a reza do pai nosso na abertura de muitos centros, sim, pai-nosso é uma prática CATÓLICA e não Cristã, e sim CATÓLICA, tanto que muitas vertentes do Cristianismo, como presbiterianos, pentecostais não rezam o pai nosso durante o culto justamente por não fazer parte da tradição cristã original.

Diversos traços católicos são encontrados no culto umbandista, a reza já citada, as imagens, a própria defumação,( utilizada pelos católicos, mas absorvida pelos cultos pagãos como forma de trazer à energia natural dos elementares), para isso, existem os dois lados, como sempre falo, a Umbanda é uma verdadeira mãe abrigando em seu seio todos os ritos que praticam o amor e a caridade, em contrapartida, eu não acho interessante justamente pela falta de identidade que a mesma possui, podem me criticar, mas uma vez vi um médium se debatendo inteiro em um trabalho, não sei se era o kabrunko na matéria dele, que raios que era, na hora a gira foi interrompida, assim com os atabaques, o baiano do dirigente começou a colocar a mão na cabeça do pirilampo e começou a rezar pai nosso e ave Maria (Desculpem, é demais pra mim). Mas como eu digo, é questão de opinião, de egrégora, de aprendizado. Como podem observar em meus posts, não sou nenhum pouco simpático ao catolicismo, respeito toda a iconografia, todos os aspectos eclesiásticos, mas eu acho uma das maiores hipocrisias da história, alguém pregar acabar com a fome e não vende muitos bens de um país considerado um dos mais ricos do mundo, mas Ostentação tá na moda!

Eu li um livro de Decelso, escrito em 1967 chamado “Umbanda de Caboclos”, ele compara e sincretiza as divindades iorubas (Orixás) com as indígenas, segue um trecho dessa comparação:

IARA – Divindade ou “deusa” das águas = Iemanjá;
TUPI – Divindade ou “deus” do Fogo = Erê;
CARAMURU – Divindade do Trovão = Xangô;
URUBATÃO – Divindade ou “deus” = Ogum;
AIMORÉ – Divindade ou “deus” da caça = Oxóssi;
JUREMA – Divindade das matas, cachoeira = Oxum;
JANDIRA – Divindade dos grandes rios = Nanã
MITÃ – Divindade criança = Ibeji;
IURUPARI – Divindade do mal = Elebá ou Exu;
ANHANGÁ – Divindade da peste = Omulu.
GUARACI – Divindade representativa do Sol = ORUM;
JACI – Divindade da Lua = OXU;
PERUDÁ – Divindade do Amor = OBA;
CAAPÓRA – Divindade protetora dos animais = OSSONHE (Ossãe);
CURUPIRA – Divindade dos Campos = CORICO-TÔ;
IMBOITATÁ – Divindade dos Montes = OKÊ;
TUPÃ – Divindade Suprema, pode ser identificada como Oxalá, ou melhor, Obatalá ou Zambi.

Com isso, compreendemos que é possível sincretizar os Orixás com outros cultos, como a Umbanda tem grande influência indígena, por que não cultuar Ogum com a Imagem de Urubatão, por exemplo? O Sincretismo é apenas uma percepção material e não espiritual, podemos observar os cultos do Primado de Umbanda, do próprio pai Rivas onde a utilização de imagens é praticamente inexistente. E depois de 100 anos de religião, acho que já passou da hora de entender que Ogum é Ogum, pode sim, entrar no arquétipo da Imagem do Guerreiro, isso também é muito mencionado nos livros de Joseph Campbell onde “humanizamos” qualquer tipo de ídolo denominado herói, mas se formos partir dessa premissa, Ogum pode ser outras divindades de Guerra como mencionei no começo do artigo. Ainda existe a teoria de serem todos a mesma Divindade, mas com outras denominações devido à região, por que não? Não Seria Peter, Pedro, Petrus, o mesmo nome com terminologias diferentes? Se formos partir dessa premissa, o que é algo para se pensar, obviamente São Jorge não está incluso, porque ele foge de todo o panteão mítico, não é um Deus que nasceu em uma incontável Era e sim um ser que viveu na Idade Média e conforme já frisei, não tinha nada de santo.

O Sincretismo e a Influência Católica é tão enraizada na liturgia Umbandista que até o dia de Ogum na Umbanda é o mesmo dia de São Jorge na Igreja

Existem casas que sincretizam Ogum como o Arcanjo Miguel, o que ainda pode fazer mais sentido que São Jorge, em termos de vibração, desprendimento divino, Segundo a Angiologia, são seres que estão mais próximos de Deus e que já alcançou a Grande Iluminação, é dessa mesma forma que eu compreendo os Orixás, que também são partes Dele, tanto que os nomes de Arcanjos (Vem da raiz arch que deriva de arché, que refere-se a “ponto de partida” “suprema substância subjacente” o que governa”) se forem observarem toda a etimologia, podem verificar:

Miguel – Vem do Hebraico Mikael – Mi – Quem/Aquele; Ka – como; El – Deus (Quem/Aquele Como Deus);

Gabriel – Vem do Aramaico Gavriel – Ga – Homem; Vri – Forte; El – Deus (Homem Forte de Deus) – Também tradicionalmente considerado do Anjo da Morte;

Rafael – Vem do Aramaico Rafael – Rafa – Cura; El – Deus (Cura de Deus).

Interessante mencionar que as três maiores religiões monoteístas, falam de Anjos em suas escrituras, a Torá, a Bíblia e o Alcorão.

Sincretismo é apenas uma forma de referência, uma forma de referenciar alguma coisa que não sabemos, ter uma relação, apenas isso, mas como a Espiritualidade é compreensível com nossa ignorância, permitem que essas coisas ocorrem, uma vez, em um centro, Tranca-Ruas desceu para trabalhar e um dirigente chamou-o de Tiriri, um irmão que também conhecia toda a forma de sua manifestação, chegou perto dele e perguntou: Meu pai, vós não é o Tranca-Ruas? Ele disse: – Se for pra me deixar trabalhar e fazer o que eu devo fazer, pode até me colocar saia rodada e me chamar de Maria Padilha.

Às vezes é evidente que o dirigente não confia somente na força da Egrégora da Umbanda e tem que apelar para outros ritos, defumação recitando o Salmos como já presenciei, Oração a São Jorge Guerreiro em Giras de Ogum, como eu disse, é questão de opinião e não estou entrando no mérito do certo ou errado e sim a falta de identidade existente nos centros umbandistas, como disse uma irmã essa semana, mencionando que passou da hora da Umbanda andar com suas próprias pernas e isso vem acontecendo com codificações doutrinárias, como mesmo mencionei o Primado de Umbanda.

Para muitos que me conhecem, sabem que eu sou universalista, aprecio todas as formas de alcançar a Deus, desde que estejam bem fundamentadas e argumentadas, justamente pela ojeriza com muitos ritos eclesiásticos eu prefiro que a Umbanda que eu pratico, tenha uma raiz mais oriental, menos dogmática e Deus em sua infinita sabedoria, trouxe a mim irmãos de Jornada afim com meus interesses e propostas para que possamos galgar juntos para a senda da evolução.

Em minha modesta opinião, uma meditação antes dos trabalhos, bem como uma evangelização teria muito mais utilidade do que um conjunto de palavras decoradas, obviamente, para a constituição de uma egrégora e um ambiente de trabalho firme, vale muito mais a firmeza e desprendimento do médium a qualquer ritual engessado e decorado, se você está rezando um Pai Nosso pensando na camisa do filho ao lado, aquele que está em silêncio pedindo ao Altíssimo amparo e sabedoria terá muito mais poder durante os trabalhos que você.

Algumas considerações pessoais sobre todo o sincretismo umbandista

Muitos dizem que na Umbanda, os escravos utilizavam as imagens para esconder os orixás, mas eu reflito, se a Umbanda foi fundada em Novembro de 1908 e a abolição da escravatura realizada em maio de 1888, não faz muito sentido essa “desculpa” não? O que constata que os escravos não praticavam a Umbanda e se a praticavam, Zélio apenas publicou a reinvenção da roda. Alguém está errado aí!

Acho que deixei claro a minha opinião que discordo veementemente do sincretismo, e que se for pra acreditar em mitologia (Porque um homem com uma lança em um cavalo branco é coisa de filme não?) prefiro acreditar nas antigas que possuem toda uma alegoria filosófica por trás e não a ostentação de poder tão imposta pelos nossos colonos eclesiásticos.

Se fosse sincretizar Orixá, como eu acredito em desprendimento de Deus e não um ser vivente que saiu matando todo mundo, estourou a espada no chão e se “encantou” como se a Lei do Carma não existisse, eu preferiria sincretiza-lo como um Arcanjo ou até mesmo um Deva (Seres de Grande Pureza no Hinduísmo) porque é assim que eu vejo a vibração Orixá.

Acho o sincretismo um grande aliado ao “emburrecimento” e degradação do culto umbandista, na verdade, às vezes acho que é uma carência exacerbada que resulta uma necessidade demasiada de aceitação por todos. Esse emburrecimento é no sentido de que muitas casas que eu conheci que acham que Ogum é São Jorge, são as mesmas que cultua o Exú como o servo de satanás, um ser chifrudo com pata de cavalo e vermelho, como a maioria das imagens dos exús que aceitamos e engolimos com todo o prazer). E a parte da carência é que queremos ser aceitos, então copiamos algo impregnado na nossa cultura que é esse monte de santos e ritos “aceitos” pela sociedade.

Veja o período de quaresma é mais um grande ponto que demonstra nossa amarração litúrgica com o sincretismo cristão

Discordo veementemente do sincretismo entre orixás e santos católicos, mas tento respeitar o máximo que eu posso, mesmo porque aqui em nosso plano só vivemos em conjecturas, mas podemos sim retirar aos poucos o véu de Isis e através de muitas pesquisas, migrarmos das Trevas de nossa Ignorância para a Luz da Sabedoria Universal.

As Imagens de Santos são apenas um potencializador de energia, muitos de nós, infelizmente ainda precisamos ver para crer, ou pelo menos ver através de um de nossos sentidos para acreditarmos na existência de algo, sentir através do nosso sexto sentido não é o suficiente, temos que ver e para isso, criamos diversas ferramentas, criamos ícones, ídolos para que possam suprimir nossa vasta solidão nessa Imensidão chamada Universo, precisamos crer em alguma coisa e para isso, precisamos “ver” e para isso, criou-se esses sincretismos para auxiliar-nos em nosso mecanismo de fé sem que abandonássemos nossa zona de conforto (nossa cultura católico-cristã).

O sincretismo culturalmente falando, é bem vindo, pois abraça as pessoas de outras liturgias e facilita a aceitação dos mesmos para uma nova liturgia, no caso a Umbanda, mas junto com esse ponto extremamente positivo, vem com outros muitos negativos, como o exú ser o diabo, como a necessidade de rezar o Salmos, o terço e toda aquela herança cultural que tivemos, com isso, MUITAS VEZES, desprezamos a sabedoria indígena, africana e afins  se perdendo em tantos ritos católicos e cristãos dentro da Umbanda.

O Cristianismo é uma corrente importante de nossa herança religiosa, tanto que muitos ritus espiritualistas usa como base, porém, Oxalá também não é Jesus Cristo, Oxalá é uma Manifestação de Fé da Própria Vibração de Deus e Jesus foi um dos muitos Avatares que veio em nossa Terra para trazer os ensinamentos do Altíssimo, assim também, como tivemos Krishna, Buda, Akhenaton, Confucio, Haiawatha, Moisés e muitos outros missionários Portadores da Palavra, portanto, graças ao nosso berço impositivo e religioso, só aceitamos Cristo como filho de Deus, o que é uma ignorância na minha opinião, existiram muitos outros Iluminados de outros continentes que vieram trazer os mesmos ensinamentos e também operar grandes milagres.

A História só é contada por aqueles que possuem poder e persuasão sobre a massa, portanto, sempre desconfiei de supostos “Santos” e sejam fiéis aos princípios umbandistas adotados pelos guias espirituais, independente da corrente do qual é oriunda o seu mentor, seja transparente e fiel aos princípios ensinados por eles.

E como eu sempre digo, isso aqui é apenas um espaço para divulgação de minhas ideias e conhecimento, não de traduz a mais absoluta verdade, e confesso, pode ter um monte de baboseira nesse blog, mas tenho certeza que instigo a muitos refletirem.

Tenham a certeza que pelo menos sou extremamente sincero em minhas palavras e honesto com minhas buscas, pois vou deixar uma máxima de Bruce Lee abaixo:

“Um homem sábio pode aprender mais com uma pergunta tola do que um tolo com uma resposta sábia.”

Paz Profunda

Neófito da Luz .’.

Nota: Não quis entrar no mérito de outros santos e seus respectivos orixás para o texto não ficar muito extenso.

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Personalidade dos Filhos de Ogum

Ogum é um poderoso Orixá, dono do ferro e do fogo. Ele é um guerreiro,um lutador que defende a lei e a ordem. Este Orixá abre os caminhos e vence as lutas, agindo pelo instinto para defender e proteger os mais fracos. Todas as lutas, as conquistas, as vitórias são presididas por Ogum.

Ele é a lei divina em ação, que pune e premia, mas não gosta de ser invocado em vão. É fácil invocar Ogum, mas controlar as suas ações é impossível.

O dia da semana consagrado a Ogum é a terça-feira, que coincide com o dia dedicado pelos romanos a Marte, o deus da guerra. Sempre ligado à força e ao poder, ele é o dirigente que não quer ter suas ordens desobedecidas. Ogum pode ser associado ao arcano IV do Taro: o Imperador; como esse arcano ele encarna a vontade firme aliada a força de execução, as energias fluindo para uma realização material. Ele protege seus domínios de forma consciente, seguro do poder que representa. Enfocado como arquétipo, Ogum contém elementos fortes e consistentes que o mantém como uma figura viva e atuante na esfera psíquica do homem.

O Físico e o Temperamento

O filho e a filha de Ogum são geralmente magros e altos (pode haver exceções). Apesar de ser um pouco tímido e discreto quase nunca passa despercebido.

O temperamento reflete o vigor físico do filho de Ogum: ele está sempre em atividade, é determinado e criador. O espírito de competição é evidente e a impaciência e as frustrações ao perder criam mais incentivo para ele seguir em frente.

Ele não reflete sobre os riscos de uma ação, pois é impetuoso e impulsivo e está sempre travando batalhas.

Sem o impulso e a coragem de Ogum a humanidade demoraria muito para alcançar o progresso; é ele o desbravador, aquele que abre o caminho para quem vem atrás. Moisés é uma personalidade típica de Ogum: a sua ira ao quebrar as tábuas da lei divina, a coragem para dirigir seu povo numa viagem para o desconhecido, o poder a ele atribuído de abrir caminhos são atributos de um homem de Ogum.

Como todo homem possui seus defeitos o filho de Ogum considera apenas o seu próprio ponto de vista, seguir metas que lhe são importantes sem considerar todos os que direta ou indiretamente estão envolvidos com ele.

Os desafios aguçam o espírito combativo de Ogum e o modo dele utilizar a sua força pode parecer, aos olhos de quem não o compreende bem, altivez e arrogância.

Qualquer forma de limite representa uma prisão para uma pessoa regida por Ogum. Ele precisa se enxergar livre para ir e vir á sua vontade, não consegue expandir sua alegria, força e energia em um ambiente restritivo e sempre igual. A novidade serve de estímulo à ação.

Com capacidade de liderar e coragem suficiente para enfrentar qualquer missão, consegue reunir a sua volta pessoas que colaboram com ele por prazer sentindo-se revitalizadas pelas qualidades magnéticas e energéticas dessa personalidade tão forte.

Sem aceitar palpites no que faz , ele é franco e rude ao impor a sua vontade aos seus subordinados. É capaz de castigar prontamente qualquer falha , mas seu perdão vem depressa e logo pede desculpas quando se excede no seu comportamento.

Gosta da verdade acima de tudo, nunca fala por trás de alguém, suas críticas são abertas, pois detesta dissimulação.

Amor e Casamento

Quem consegue cativar e manter junto a si um filho de Ogum tem o privilégio de saber que jamais será enganado. Nunca ouvirá desculpas esfarrapadas para explicar onde ele esteve ou o que fez. O filho de Ogum não mente, ele diz a verdade espera ser acreditado, qualquer duvida irá ofendê-lo.

Quando um filho de Ogum encontra uma pessoa de temperamento cordato, porém que possua opiniões fortes e próprias ele fica feliz. Se essa pessoa souber se manter equilibrada na difícil corda bamba que é agradar sem ceder, ela conseguirá manter o relacionamento vivo.O filho de Ogum não gosta de pessoas sem idéias próprias, vai querer para companheiro(a) alguém que as possua em quantidade, mas que também saiba expô-las de modo especial.

Saúde

A saúde de um filho de Ogum é boa, ele é resistente e sua constituição forte evita as doenças. Os seus pontos fracos são as articulações, as dores de cabeça, as febres fortes.

Quando está doente o filho de Ogum não quer ficar em repouso, é muito trabalhoso convencê-lo a descansar e dar tempo ao seu corpo para se recuperar. Só fica na cama quando está verdadeiramente mal, aí então fala pouco e fica nervoso com a obrigação de parar para se refazer.

Seus problemas de saúde são mais para o tipo violento e repentino do que para doenças crônicas e demoradas.

As doenças nervosas como úlceras, esgotamentos e depressão são menos comuns, mas podem atingi-lo se ele cometer excessos de trabalho ou for mal sucedido em seus empreendimentos.

 O Homem de Ogum

Ele é confiante ,entusiasmado, generoso,solidário, enérgico, ousado, ativo em seu lado positivo e pode também ser intolerante, violento, impulsivo, obstinado, egoísta e exigente em seu lado negativo.

 A mulher de Ogum

Elas são  sinceras, encantadoras, vigorosas, corajosas, entusiasmadas, românticas que são qualidades que excedem seu lado negativo já que ela também pode ser mandona, irritada e impulsiva.

Extraído do Livro “Conheça seu Orixá” da Barbara Triana.

Exu, o Escravo do Orixá?

 

Saudações Fraternais, irmãos de senda.

Hoje venho escrever sobre um fato muito mencionado em terreiros de nação e as famosas Umbandas Traçadas, o Exu ser o escravo do Santo, ou do Orixá como muitos dizem.

Mais uma vez gostaria de ressaltar que eu não sou adepto ao antropomorfismo, acredito que Orixá é um desprendimento do Divino, nesta mesma filosofia, entra o estudo de anjos, que todos possuem nomes como Miguel (Igual a Deus), Gabriel (Mensageiro de Deus),  Rafael (Companheiro de Deus), a partícula EL, ELI em hebraico significa Deus, o prefixo é a “qualidade” ou “definição da função” do Anjo.  O que também considero serem “qualidades” de Deus.

Tudo pra mim é desprendimento da Vibração Universal, assim como também somos parte desse desprendimento, Fomos Feitos à Imagem e Semelhança, nesse preambulo, acho inconcebível uma vibração, no caso, a vibração Exu ser ESCRAVA de outra vibração, que é a vibração dos Orixás.

Os exus que conhecemos, Tranca-Ruas, Marabô, Meia-Noite, entre outros são guias que trabalham sob a vibração Exu, que já tem um post específico para isso no blog, assim como existem caboclos que atuam sob a égide de Oxóssi, Ogum e assim por diante.

Não existe escravidão e servidão no Plano Espiritual, existe cooperação, existe união de energias, um exu pode trabalhar com outro Exu, um caboclo também pode vir na esquerda, dependendo      do patamar vibratório e da necessidade do mesmo.

Orixá não tem escravo, Orixá é energia, é vibração e tem todo um exército de prontidão e competente para trabalhar sob seus auspícios, e é claro que essa Vibração existe os seus representantes puros, que são os espíritos que vem como orixá na Umbanda, um representante daquela vibração, como Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Xangô Sete Pedreiras, Xangô Pedra Branca que são representantes diretos da vibração e consequentemente os outros guias, como caboclos, preto-velhos e diversas outras linhas.

Exu tem vibração própria, isso não significa que existe uma vibração cooperativa ou até mesmo cruzada com outra vibração, por exemplo, na Umbanda, existem Exus de Ogum, como por exemplo Tiriri, Tranca-Ruas, Sete Encruzilhadas, Exus de Xangô como Meia-noite, Rei das 7 Encruzilhadas e assim por diante, mas isso é uma cooperação, é a linha de Exu cooperando com a Vibração dos Orixás.

O seu Orixá traz o seu respectivo guardião para dar embasamento em sua linha e dar suporte aos seus trabalhos mediúnicos, ele é um cooperador da vibração do seu Orixá e não o escravo.

Namastê

Neófito da Luz

Linha de Caboclos – Parte III

Axé,  prezados irmãos.

Esse post vou me focar apenas no aspecto vibratório e no nome magístico do caboclo. Eu acredito que os nomes não são por acaso e nem tampouco o campo vibratório do qual o caboclo atua. Claro que existem algumas raras excessões.

Vou pegar por exemplo, um caboclo que conheço bem e é um caboclo de trabalho, caboclo do Sol.

Geralmente os caboclos que possuem nomes de astros, são caboclos atuam também sob os auspícios da vibração de Xangô, não quer dizer que o mesmo não trabalhe sob outras irradiações, mas como vibração Nativa, é a Vibração de Xangô. Mais alguns exemplos:

Caboclo da Lua, Sete Luas, Sete Estrelas, Sol Nascente, Estrela Dalva, entre outros.

Voltando ao aspecto Caboclo do Sol, ele possui a vibração Nativa de Xangô, mas também atua sob a vibração de Oxalá, porque Sol é o Astro Regente da Vibração de Oxalá. Vamos desmembrar mais um pouco.

Sol = Composto por Fogo (Elementar de Xangô), é o Astro responsável por irradiar nossa galáxia, astro correspondente a Oxalá. Por ser um índio, também pode trazer sob sua vibração Oxóssi.

Caboclo da Lua – Lua por muitas vezes é cultuado como Oxóssi e/ou Iemanjá, a Lua geralmente é reservada à Grande Mãe das Águas, então, podemos concluir que o caboclo da Lua, pode trabalhar com Xangô, porque a Lua é um Astro, pode ser de Oxóssi e/ou Iemanjá. Muitas casas também atribuem a Lua ao Orixá Ogum. Todos podem estar certos, então temos um caboclo que atua sob os auspícios de quatro orixás.

Caboclo Tupã – Significa trovão  em Tupi e é o Deus que concebeu a Terra, só aí já temos Oxalá e/ou Xangô no nome desse caboclo, fora que por ser da tribo de Tupis, conforme exemplificarei abaixo, pode ser também um caboclo de Oxóssi.

Um outro caboclo que conheço muito bem é o Sr. Rompe-Mato. Desmembrando seu nome, temos o “romper” que é o significado de força, o que simboliza Ogum e em seu nome, encontramos “mato” que é de Oxóssi.

O que mais me espanta é que muitos sacerdotes que conhecem muito bem a Umbanda, sabiam da irradiação do caboclo sem muito espanto, a minha madrinha quando chegava o caboclo em terra ela já sabia quem era e com qual orixá ele trabalhava. Hoje, com muito estudos, conseguimos chegar a um patamar razoável, e que confirma muita coisa que os antigos já diziam a respeito dos caboclos e suas vibrações, com isso, conhecendo bem nossas entidades, sabemos quais são os nossos orixás e com isso, identicarmos qual a nossa missão e propósito na Terra dentro do autoconhecimento da Umbanda. Claro, como eu disse, existe algumas raras excessões, esse caboclo, Sr. Rompe-Mato, também vibra e muito bem na linha de Xangô.

Em minha humilde opinião, acredito veementemente que trabalhamos com os guias que estão na mesma sintonia vibratória que nossos Orixás regentes, salvo raras excessões pode aparecer um guia que precisa trabalhar e nós como mediuns, cedemos por um tempo a nossa matéria para que ele possa atingir o seu objetivo, obviamente com a permissão de nossos Orixás e do Guia Chefe.

Um outro fator muito interessante, é a linha de caboclos Tupis, seja Tupinambás, Tupiniquins, Tupinarés, são caboclos que possuem como vibração nativa do Orixá Oxóssi e através de algumas pesquisas, como sempre, tudo o que me vem à mente, gosto de procurar e pesquisar com coisas que corroboram com minhas idéias, aí vi que a linha de Saraceni também identifica através do nome do caboclo qual é o seu Orixá regente e achei isso muito interessante.

Vou postar abaixo um trecho do qual eu concordo veementemente e pude vivenciá-los durante meu tempo dentro da religião, inclusive, o que fala do meu mentor chefe, Urubatão da Guia corrobora perfeitamente com o que ele me ensinou:

Icaraí- Icaraí significa “água santa”. A água é um elemento de Yemanjá. O que torna algo “santo” é a Presença de Deus (o Alto do Altíssimo); e o Orixá que representa o mais Sagrado é Oxalá (porque rege o Sentido da Fé, base da religião). Logo, é um Caboclo de Oxóssi, Yemanjá e Oxalá;

Tupinambá- Tupinambá significa “filhos de Tupi” (ou de Tupã). Tupi é a Raiz, o Pai. Por analogia, o Orixá Oxalá é “o Pai” (porque o Seu Fator Magnetizador é a base da Criação). Logo, é um Caboclo de Oxóssi e Oxalá;

Urubatão – Urubatão (ou Urubatã) significa “madeira dura”. Madeira vem de árvore=Oxóssi; mas a madeira é a árvore que foi cortada e passou por uma transformação= Obaluayê; e dura= dureza= força=Ogum. É um Caboclo de Oxóssi, Obaluayê e Ogum;

Urubatão da Guia – Valem as explicações anteriores. Acrescente-se que “guia” vem de “estrela guia”, um símbolo de Oxalá. Logo, este Caboclo é de Oxóssi, Obaluayê, Ogum e Oxalá;

Ubirajara- Ubirajara significa “o atirador de lança”. A lança é de Ogum. Logo, é de Oxóssi e Ogum.

Jaci – Jaci é “a deusa da lua”, que é associada às Divindades Ísis (egípcia) e Lakshmi (hindu). Estas, por sua vez, são relacionadas a Oxum. Logo, seria uma Cabocla de Oxóssi e Oxum. Mas a lua também pode ser associada a Oyá-Tempo, Yemanjá e Nanã, de modo que pode ser uma Cabocla com essas regências.

Jacira – Jacira significa “inseto que produz mel”. Quem produz mel é a abelha, que pertence ao reino de Oxóssi. Mas o mel também representa a doçura, que se associa a Oxum. Logo, é uma Cabocla de Oxóssi e Oxum.

Indaía – Indaiá, em tupi-guarani, é um tipo de palmeira. Sendo um elemento vegetal, está ligado a Oxóssi. Seria um Caboclo (a) na Irradiação pura de Oxóssi.

Caboclo “Pena”: Todo Caboclo Pena traz uma qualidade voltada para ensinar, doutrinar. A pena é de Oxóssi, Orixá do Conhecimento.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Pena Branca- o branco é a cor de Oxalá; logo, é um Caboclo voltado para ensinar a Fé (é de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Pena Dourada- o dourado é uma cor de Oxum; logo, vem para ensinar o Amor (é de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Pena Verde- o verde é de Oxóssi; logo, vem para expandir o Conhecimento; (atua na Irradiação pura de Oxóssi); ●Caboclo Pena Marrom- o marrom é de Xangô; logo, vem para ensinar a Justiça (é de Oxóssi e Xangô); ●Caboclo Pena Vermelha- o vermelho é de Ogum; logo, vem para o ensino da Lei (é de Oxóssi e Ogum); etc. A cor que aparece no nome do Caboclo indica a qual Orixá está relacionado e em qual Sentido da Vida ele vai atuar, especificamente.

No caso do Caboclo Sete Penas, o “sete” indica que ele atua nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, na Irradiação de todos os Orixás, sendo um doutrinador de almas

Caboclo “Flecha”: Todo Caboclo Flecha traz duas qualidades fundamentais: uma voltada para o Conhecimento (pois a flecha é de Oxóssi) e a outra voltada para o Sentido da Direção (porque a flecha também aponta numa direção, ela dá direção- Qualidade de Yansã). São Caboclos que atuam para dar um direcionamento na busca do Conhecimento, na expansão do nosso aprendizado. E a cor que aparecer no nome do Caboclo dará o campo específico da sua atuação.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Flecha Branca= direcionador do Conhecimento no campo de Oxalá= Fé; ●Caboclo Flecha Dourada= direcionador do Conhecimento no campo de Oxum= Amor; etc.

Já o Caboclo Sete Flechas é um direcionador do Conhecimento nos Sete Sentidos da Vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). É um direcionador de almas, de espíritos.

Caboclo “Folha”: Todo Caboclo Folha traz qualidades de Oxóssi, pois a folha é de Oxóssi, o Senhor do Reino Vegetal.  E a cor da folha indicará qual outro Orixá os rege e o campo específico de suas atuações.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Folha Branca (de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Folha Dourada (de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Folha Verde (Irradiação pura de Oxóssi); etc.

Quanto ao Caboclo Sete Folhas, há uma particularidade: a folha serve para curar; e o Orixá “dono de todas as folhas” e que cura pelas folhas é Ossaim. Como o Caboclo Sete Folhas trabalha com todas as folhas (nas sete Irradiações), vemos que traz qualidades de Ossaim. (Ossaim não é cultuado diretamente na Umbanda, e sim dentro do campo de Oxóssi.)

Caboclo “Pemba”: Todo Caboclo Pemba traz qualidades de Oxum (Trono Mineral), pois a pemba é um mineral. São Caboclos de Oxóssi e Oxum. Oxóssi traz o Conhecimento e a expansão; Oxum é agregadora, atrai e reúne com harmonia.

Como nos exemplos anteriores, a cor que aparece no nome (Pemba Branca, Pemba Roxa etc.) indica o campo específico da sua atuação. Já o Caboclo Sete Pembas atua nos Sete Sentidos da Vida. (Fonte dos itens I/V: Anotações de aula do Curso Virtual de Teologia de Umbanda ministrado por Alexandre Cumino, turma 11, Plataforma EAD do Instituto Cultural Aruanda.)

Outros nomes:

●Os elementos, pontos de forças, as cores, instrumentos (flecha, escudo etc.) e condições climáticas que aparecem no nome do Caboclo dão uma indicação do Orixá que o rege e do seu campo de atuação. Exemplos: Caboclo dos Rios (Oxum); Caboclo Ventania (ventania= ar em movimento= Yansã); Caboclo do Fogo (Xangô); Caboclo da Terra (Omolu); Caboclo do Mar (Yemanjá); Caboclo do Ouro (Oxum); Caboclo do Lago (Nanã); etc.

●Há nomes ligados a verbos ou ações. Exemplos: Caboclo Rompe-Mato: romper é um ato de força= Ogum; mato= Oxóssi; logo, é de Oxóssi e Ogum; Caboclo Quebra Pedra: quebrar= Ogum; pedra= mineral=Oxum; logo, é de Ogum e Oxum.

●Os nomes de animais, em especial os de felinos (gato, jaguatirica, leopardo, leão, onça, tigre, pantera, jaguar), em geral estão diretamente associados a Oxóssi, que é o Senhor do Reino Vegetal (flora) e também da fauna (animais).

Mas alguns têm outras particularidades. Exemplo: Cobra Coral. A cobra é um animal associado ao Orixá Oxumarê (a Serpente de Dan). E a cobra coral tem as cores vermelha (de Ogum), preta (de Omolu), amarela (de Yansã) e branca (de Oxalá). Logo, é um Caboclo que atua na Irradiação de Oxumarê, Ogum, Omolu, Yansã e Oxalá.

(Fonte: Rubens Saraceni, “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada” e “Tratado Geral de Umbanda”, ambos da Madras Editora.)

E por fim, só queria ressaltar que não estou fazendo nenhuma apologia a nenhuma escola de Umbanda, mesmo porque, como enfatizo, eu sigo a dos meus guias, mas é sempre importante termos a humildade de olhar para o lado e verificar que mesmo discordando de alguns pontos, podem ocorrer semelhanças doutrinárias, e no caso dos nomes, concordei perfeitamente com o que foi ensinado.

Sempre tento unir o misticismo, esoterismo com a Umbanda, afinal, são todos galhos de uma mesma árvore.

E como sabem, quem tiver mais dúvidas e eu poder contribuir um pouco com isso, meu e-mail é neofitodaluz@gmail.com ou podem comentar no post.

Posteriormente farei uma tabela dos elementais dos orixás, seu campo de atuação e suas respectivas cores. Inclusive já estou concluindo.

Namastê.

Neófito da Luz.

Vibração Ogum – Ogum Malê / Ogum Malei

Hoje, sábado, 26 de maio de 2012, acordei com uma vibração de significância razoável de Ogum Malei. Um Ogum que conheço muito pouco, principalmente sobre o que significa o povo Malei. Sinceramente, nunca o vi em Terra, e existe muito pouca informação sobre o mesmo. É um Ogum que só atua realmente na Quimbanda? Junto com isso, quem é Ogum Malei ou o que é o povo Malei?

Para algumas questões, recorri sim a algumas pesquisas e para outras, tentei fechar meus olhos, colocar uma música relaxante e acender um incenso para ver se obtinha alguma resposta, mesmo assim, como todo bom escorpiano de Xangô, decidi tirar a prova real em pesquisas online.

Muita informação se perde com a forma que nós pronunciamos as palavras, foi bem enfático o nome de MALÊ durante essa vibração e não MALEI como vimos em vários sites a respeito do assunto.

Apenas como referência, utilizaremos o termo Malê, que foi um povo africano que sabiam ler e escrever em árabe e haviam difundido seus cultos e extases com o islamismo, alguns se tornando até sufis, que é uma corrente mística do islamismo. Eram considerados “letrados”.  Com uma simples busca pela wikipedia, temos:

Malê (do hauçá málami, “professor”, “senhor”, pelo iorubá imale, “muçulmano”) era o termo usado no Brasil, no século XIX, para designar os negros muçulmanos que sabiam ler e escrever em língua árabe. Eram muitas vezes mais instruídos que seus senhores, e , apesar da condição de escravos, não eram submissos, mas muito altivos. Na História do Brasil, notabilizaram-se pela chamada Revolta dos Malês, que ocorreu em 1835, na Bahia, onde eram encontrados em maior número, embora fossem encontrados também em PernambucoAlagoas e Rio de Janeiro[1]

 Eram um povo muito culto, possuía uma hierarquia organizada dentro de seu povo  e que também havia em sua hierarquia, guerreiros, o que condiz e muito com a vibração de Ogum em seu povo. Juntamente com essa mescla entre o islamismo, o sufismo e os cultos pagãos do qual não abdicaram, evocavam os djins. Vamos explicar um pouco o que vem a ser um Djin, o que já é algo muito conhecido e foi inserido de forma fantasiosa pela nossa cultura, para economizar algumas palavras, recorrerei novamente ao meu amigo Wiki, para definir rapidamente o que é um Djin.

Um gênio (português brasileiro) ou génio (português europeu) (do latim genìus) é uma espécie de espírito que rege o destino de alguém ou de um lugar. O termo em grego para o mesmo conceito é daimon e pode ser empregado como um equivalente em português ao árabe “jinn | جن”, uma vez que na mitologia árabe pré-islâmica e no Islã, um jinn (também “djinn” ou “djin”) é um membro dos jinni (or “djinni”), uma raça de criaturas sobrenaturais[1].

Os Genios eram espíritos que habitavam o mundo extrafísico, muito conhecido na literatura das “Mil e Uma Noites” como um espírito que habitava uma lâmpada e para aquele que a encontrasse, tinha direito a três desejos, muito parecido com a crença que algumas pessoas ainda possuem sobre os exús. Para a maioria dos islâmicos, são demônios que tem a facilidade de seduzir as pessoas, como ilustra o exemplo dos três desejos, ou seja, algo maléfico. Alguma semelhança com nossos queridos exús segundo a crença popular?

Algumas comparações características retiradas do wikipedia:

Exemplos de Modificações feitas por Deus através de Mohammad no AlCorão, na crença dos Djinn Exemplos de crenças na arabia pré-islamica e em outros locais
Foram criados por Deus e não podem enfrenta-lo. Os Djinn eram todos-poderesos e eternos.
Foram criados por Deus e não podem enfrenta-lo. Homens não devem se comunicar com Djinn e Djinn’ não se deve comunicar com homens.
Não inspiram ninguem, não podem fazer mal nem bem a ninguem foram criados como nós. os Djinn inspiravam poetas, filosofos e profetas. Também acreditavam que os que os Djinn ajudavam as pessoas a obter riquezas ou ajudavam nos problemas do cotidiano.
Não podem fazer magia e ninguém pode, tais coisas não existem. Os Djinn tinham poderes quase “mágicos” e poderia usa-lo contra ou a favor dos homens.
Como tem livre arbitrio os Djinn serão julgados também por seus atos e podem ir para o céu ou inferno. Nunca em local algum se acreditou em tais coisas para os Djinn , os Djinn sempre foram vistos como eternos e imortais e como os anjos nunca seriam julgados, no islam Deus ab-rogou estas crenças sobre os Djinn.

Então aí já encontramos e forte a razão para ser um povo muito presente tanto na Vibração de Ogum quanto na Vibração dos Exús. Ainda podemos acrescentar o fato de ser um povo de origem negra, com conhecimentos árabes, o que ainda podemos compreender que pode vibrar no Oriente.

Então é um povo que possuía um conhecimento absurdamente fantástico, misturar o culto aos ancestrais, algo que os africanos sabiam fazer muito bem, com o que se ensina no Sufismo, que é uma corrente islâmica mística de grande Sabedoria, os Dervixes, e ainda mesclar com o conhecimento monoteísta maometano, temos sim, um povo que foi muito pouco conhecido mas que teve grande importância na revolução da escravatura, segundo alguns dados históricos.

Como os africanos eram exímios evocadores de ancestrais, principalmente a todos os espíritos ligados à natureza, aprenderam também a trabalhar com os Djins, que eram entidades que já poderiam estar ligadas à Quimbanda há muito mais tempo, mas com outros nomes ou classificações, na verdade, tudo pode ser a mesma coisa, somente denominamos de formas diferentes porque todos temos idiomas diferentes.

Com isso, mesmo deduzindo, confirmei que é um Ogum extremamente ligado ao Povo do Oriente e seu conhecimento, é um Ogum que consegue atuar também nas vibrações da Quimbanda, no Polo Negativo do Astral. Por isso, dizem que é um Ogum que lida de forma fantástica com a Linha da Esquerda.

Também explica porque existe uma Falange da Quimbanda totalmente dedicada a esse Povo, a esses Negros que foram Tatás (Mestres/Sacerdotes)  ou até mesmo N’Gangas (Feiticeiros) .  O que podem contribuir e muito com a atuação da Quimbanda, desmanchando quaisquer tipos de malefícios causados a nós, mediuns ou a qualquer outra pessoa.

Esse Ogum diferente das imagens de cavaleiros que se observam em imagens em casas religiosas, se apresentou como um Negro, robusto e vestes brancas com um lado do ombro à mostra, um cinturão de corda e duas adagas. Não consegui ver seu rosto, mas suas cores predominantes eram o vermelho, dourado, algumas detalhes em verde e branco. Vestes muito bonitas, lembrando um Guerreiro Oriental. Não carregava escudos.

Assim que obtiver mais informações a respeito do mesmo, postarei no blog e posteriormente já mandarei o Post de Ogum Nagô e Naruê se assim me permitirem, já que estou fortemente sobre essa irradiação no dia de hoje, espero aprender e compartilhar as informações que obtiver. Só queria aproveitar as informações quentinhas na cabeça e postar rapidamente.

Na mais perfeita Vibração de Deus.

Patacori Sr Ogum.

Salve a Falange de Ogum Malê

E Obrigado pela Oportunidade.

Namastê.

Neófito da Luz

Umbanda – Monolatria, Monoteísmo, Panteísmo ou Politeísmo.

Saudações Fraternais Prezados Irmãos.

Antes de começar a redigir esse tópico, primeiro vou fazer um breve comentário dos  conceitos do título do post:

Monolatria: É a crença em mais de um Deus, porém é escolhido apenas um para se devotar, na mitologia Nordica era muito comum acreditar em Deuses de Asgard, mas geralmente a devoção era realizada para apenas um deles, seja Thor, Odin ou os demais.

Monoteísmo (do grego Mono: Um, Theos: Deus): É a crença da existência de um Único Deus, como as maiores religiões do mundo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

Panteísmo (do grego Pan: Tudo, Theos: Deus): É a crença de Uma Fonte de Energia, seja qualquer denominação como Deus, Universo, Cósmico e que Anima a todas as coisas. Está na Natureza, está nas pessoas. Essa Energia anima todo o Universo e é muito comum encontrar essa forma de pensamento em filosofias orientais como o Budismo, Taoísmo, Confucionismo, entre outros.

Politeísmo (do grego Poli: Muitos, Theos: Deus) : É a crença em Diversos Deuses, cada um atuan do em um Campo, cada um tendo o seu poder particular sobre pontos e circustâncias naturais, como a Justiça, como a Guerra, muito comum em religiões antigas como o Hinduísmo, Xintoísmo e as próprias religiões africanas.

E realmente nas práticas Umbandistas presenciamos essas quatro categorias dentro da prática, ou seja, a Umbanda é uma religião aberta, Universalista, o que por um lado é excepcional, abre as portas para diversos irmãos das mais diferentes crendices, por um outro lado, é péssimo, não existe a Uniformidade de Informações, cada um a compreende e pratica de uma forma diferente, não existe uma Regra e sim especulações onde cada casa trabalha de uma forma. No meu atual ponto de vista, não vejo nada bom nesse aspecto.

A Umbanda como Monolatria.

Algumas liturgias Umbandistas, principalmente as que usam como base o Candomblé acredita nos Orixás como Verdadeiros Deuses, como Ogum o Deus da Guerra, Xangô o Deus da Justiça e dos Trovões, em algumas casas, até mesmo o Deus do Fogo (Nem nisso há uma descrição uniforme sobre o assunto), onde esses Deuses punem, possuem total autonomia para fazer o necessário com os filhos da Terra. Era muito comum acreditar nos Deuses mas escolher um de sua Devoção, seja pela posição social ou pela região que o adepto ocupava. Até hoje se vê muitas casas praticando dessa forma, com isso, veio o termo Filho do Orixá.

A Umbanda Monoteísta

Algumas casas de Umbanda acreditam que os Orixás são vibrações da Natureza, dispersas no Cosmico, outras que são tronos Divinos, qualidades de Deus e outras acreditam que são apenas semi-Deuses, mas que existe apenas Um Único Deus, essa Umbanda tem uma raíz muito mais cristã que africana propriamente dita. Acredita em um Deus Unico e nas Palavras de Cristo.

A Umbanda Panteísta

Há aquela prática que acredita que Deus está em todas as coisas, é uma Umbanda mais mística, a Centelha Divina anima qualquer coisa existente no Universo, Deus, assim como os Orixás que são suas próprias vibrações, estão na cachoeira, nas matas, nas árvores, no ceu, no mar, em qualquer lugar.

A Umbanda Politeísta

Parecida com o conceito da Monolatria, acreditam na existência de vários Deuses chamados Orixás, e para cada situação da qual o filho passa, ele evoca um orixá diferente, seja Xangô em problemas de Justiça, seja Oxum em problemas com o amor, seja Obaluaie com problemas de doença. São Deuses que atuam em diferentes aspectos da Natureza e da Vida Terrestre. Não evocam a um Deus Unico e sim os Deuses em seus campos sagrados, como Ogum para vencer demanda ou quebrar olho gordo.

Existem também algumas casas que mesclam as categorias supracitadas, eu como venho de uma linha mais mistico-esotética, acredito em Vibrações, os Orixás são vibrações Naturais dispersas no Cosmico, quando fala que se é filho do Orixá, eu entendo que eu nasci com aquela Vibração Nativa, no meu caso Xangô, justamente com essa Vibração Nativa eu tenho um Papel determinado para preencher durante minha existência, ser Justo acima de tudo é uma delas, é uma vibração que também atua nos escritores, pesquisadores, advogados, então são as armas que eu tenho para que eu possa ter uma existência tranquila na Terra e sendo assim, prosseguir com a missão que me foi dada.

Não acredito e nunca acreditei em Orixás como Deuses, como seres que viveram na Terra Encantada, como seres que já encarnaram, talvez seus falangeiros possam até ter vivido na Terra em algum dia, mas Orixás são desdobramentos Vibratórios do Divino, mas como é um conceito muito complexo de se absorver logo de cara, talvez pelas alegorias, as lendas, tenham dando essa impressão sobre os Orixás.

A Monolatria acredita muito em Orixás como Deuses, mas escolhemos apenas um deles para Devoção, seja por afinidade, seja por região ou até mesmo porque você é “filho” dele. Já conheci muitos filhos que não negam a existência de outros orixás, mas sua devoção é apenas por Ogum, o Deus da Guerra, o vencedor de Demandas. Eu tiro base pelo meu Blog, o post mais acessado, SEMPRE, é sobre OGUM.

Já vi muitos filhos também louvarem a todos os Orixás, dependendo de qual era sua necessidade, apelava sempre para o Orixá correspondente à sua necessidade, problemas jurídicos, por exemplo, era Xangô que tinha sua devoção, problemas com o conjuge, era sempre Oxum ou até mesmo Obá, e assim por diante.

Já o Monoteísmo é muito comum em algumas casas de Umbanda, quando louvam a Deus e Cristo em suas aberturas, ou até mesmo a Olorun ou Oxalá, para alguns Zambi ou Obatalá. Mas a Umbanda raíz, mencionada por Sete Encruzilhadas era Monoteísta e seguia as palavras de Cristo.

O objetivo desse post era apenas uma pincelada mesmo para que todos pudessem refletir sobre o assunto de como vêem a Umbanda. Muitos hoje, ainda cultuam Orixás como Deuses, passíveis de paixões, o antropomorfismo ainda fala muito alto em muitas casas, principalmente as de nação. Xangô se enfureceu, terá o seu filho um alto preço por causar a fúria do mesmo. Muitos comentários sobre o filho apanhar de Ogum por ter quebrado algum preceito ou contrato. E assim vai, as raízes antropomórficas ainda são muito enfáticas nos dias de hoje.

Minha Concepção eu já mencionei, Orixá não tem paixão, Orixá é uma Vibração Pura, não carrega o ódio, não carrega a vingança, nunca vou “apanhar”de Xangô porque ele ficou bravo comigo.

Só para ilustrar o conceito de Antroporfismo de forma prática, lembrem-se na Mitologia Grega, Zeus Punia os humanos quando erravam na Terra,  Afrodite com seus feitiços, não hesitava em venenar alguém que fugia dos seus propósitos, Artemis puniu um Rei por falar que sua filha seria mais bonita que ela, e assim por diante. É colocar os Deuses com a psiquê humana, o que é muito comum hoje em dia.

Então como disse, foi apenas um post para reflexão, como enxergam os Orixás? Como pais? Como Deuses? Como Vibrações? Muitas pessoas com 10, 15 anos de Umbanda nunca chegaram a pensar sobre o assunto, então é sempre interessante construir os alicerces em cima de fundamentos, qual a sua concepção sobre isso?

Reflita, ouça seus guias, com isso, obterão as respostas que desejam.

Não quis dar uma conclusão ao artigo, apenas um meio de refletirem.

Que a Graça Cosmica estejam com vocês.

Meus sinceros votos de Paz Profunda.

Neófito da Luz.

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe