Preceitos, Sacrifícios e Superstições

Saudações amados…

Primeiro começaremos com a palavra “Preceito”, falar um pouco dessa palavra tão amada, odiada e controversa dentro dos cultos umbandistas.

Etimologia

Do latim praeceptuim seria uma ordem ou até mesmo a proibição da realização de determinados atos, ou até mesmo nos abstermos deles. Podemos defini-lo também como um conjunto de normas que existem em muitos meios litúrgicos, como na Igreja Católica, Candomblé e até mesmo em muitas templos Umbandistas. Podemos entender que são regras estabelecidas afim de atingir o sucesso de um determinado ritual.

Utilização do Preceito e sua relação com sacrifícios e superstição.

Os preceitos variam de casa a casa, o que entra mais uma vez naquele meu conceito que REGRAS não EXISTEM e se EXISTEM, é para serem QUEBRADAS ou ao menos QUESTIONADAS. Algumas casas que “fazem” o santo pede ao filho para ficar de obrigação durante três meses, ou seja, sem sexo, sem álcool e sem carne. Outras casas, reduzem para 21 dias e assim vai variando de acordo com a experiência de trabalho de casa dirigente. O meu pupilo, do qual abriu uma casa, para obtenção do sucesso mediúnico, absteve-se do álcool e do sexo casual, só terá relações sexuais quando realmente tiver uma namorada firme, o que não ocorre há 3 anos.

Só com simples exemplos, já podemos compreender que o preceito nada mais é que concepções individuais de cada centro, de cada dirigente. Existem muitos dogmas que exigem o sacrifício renunciando aos maiores prazeres que podemos ter, no hinduísmo, existem vários tipos de sacrifícios que possuem como objetivo principal o aperfeiçoamento do ser, no hinduísmo são conhecidos como Yajna, então todo sacrifício está ligado à renúncia e evolução do ser, podemos compreender que nos sacrificarmos é mostrar a Algo ou Alguém a nossa dedicação e irrefutável adoração para um determinado objetivo, correto?

Podemos compreender que o Preceito é renunciar a algo, e quando estamos renunciando a algo, estamos fazendo um sacrifício a isso, que recorrendo à etimologia da palavra sacrifício podemos compreendê-la como SACRO OFÍCIO.

Então podemos entender que o preceito é um sacrifício a algo, é uma renúncia e no caso em questão, para os Orixás e Guias, isso me remete novamente a tempos imemoriais, onde era necessário o sacrifício de animais para acalmar Deuses, não tínhamos a compreensão de como ocorriam os terremotos, tempestades, chuvas torrenciais e como somos condicionados desde novo à adoração de Ídolos e “Endeusar” o desconhecido, criamos seres extraterrestres, Deuses antropomórficos, Anjos e Demônios para não nos sentirmos sozinhos no Universo e consequentemente isso tornou-se um hábito que virou tradição ou cultura, como queiram, e perpetuou os costumes até os dias de hoje. Vale lembrar que não estou questionando a existência de ETs, Anjos e tudo mais, é apenas para ilustrar uma ideia.

Um irmão me disse uma vez: Se está ou não certo, tenho que respeitar como é cultuado os Orixás, se é antigo ou não, como estou no culto aos orixás, devo vestir a camisa que me foi concedida.

Acho nobre o pensamento, sem dúvidas, mas quem disse que temos que fazer tudo isso? O Orixá chegou a você e criou dezenas de regras e fundamentos para você seguir cegamente ou te foi passado por um dirigente mais experiente (ou pelo menos devia) e repassou o que seu antigo dirigente que repassou o que seu antigo dirigente passou?

Vejo muitos dirigentes AFIRMANDO que o sexo denigre o corpo espiritual e com isso, prejudica o seu trabalho espiritual, com isso, volto novamente àquela excelente médium que fazia programas e trabalhava muito melhor que qualquer puritano dentro do centro. Será que é necessária toda essa carga de preceitos?

Não estou entrando no mérito se sexo faz bem ou não nos momentos que precedem os trabalhos, nem estou fazendo uma apologia para isso, mas convido-os a se questionarem, qual a necessidade de ficar 21 dias após uma obrigação pro Orixá? Purificação? Será que cultuamos seres tão LIMITADOS a ponto de Exigir tamanho sacrifício? Com que fim?

Já fui novo, já fui solteiro, e lembro-me de um trabalho que ocorreu excepcionalmente no domingo, os filhos foram avisados de última hora, fui em uma churrascaria no mesmo dia e tive relações com a mina namorada, eu totalmente envolto de culpa, acendi uma vela pedindo perdão aos meus orixás porque teria que trabalhar (Nessa época já não falava tudo pra minha madrinha pra não ser julgado, quem tem que me julgar são apenas os que eu sirvo e mais ninguém) e senti que tinha que ir trabalhar, e quem foi o sortudo a ajudar no descarrego da casa e do filho? Eu! No final do trabalho ainda recebi um elogio pela minha firmeza. Tenho certeza que se ela soubesse que tive relações 6h antes e comi carne pra caraca, o discurso seria outro!

Esses preceitos podem até ter sua relevada significância, mas acho que não pode se ruma regra, cada pessoa tem uma vibração diferente, uma fraqueza diferente, um ponto de força diferente, para alguns, talvez seria impeditivo um bom trabalho, para outros, talvez não interferiria em nada, como foi o meu caso. Então eu acho que criar regras engessadas generalizando a todos, é errado, do mesmo modo que algumas pessoas bebem um pouco e já ficam tontas, outras mesmo não bebendo, são muito mais resistentes, assim também é nosso corpo espiritual. Após acender a vela, senti vontade de trabalhar, me senti capaz e apto para julgar e a tradição, a superstição, deu lugar a certeza e a vontade de fazer o meu melhor, por isso, sempre digo no blog, a vontade e a capacidade falam mais alto que qualquer outra coisa.

Não acredito em Orixás castigadores, não acredito em medidas punitivas, pelo menos não é o que os meus demonstram, nem tampouco muitos que conheci, já temos tantos problemas na vida, já temos tantas inseguranças, incertezas, mágoas, você entrar dentro de um terreiro pra ser ainda mais humilhado? Vá pra …

Sobre esse monte de obrigações da época da Pedra Lascada, ainda mesmo que eu estou sendo hipócrita, respeito quem ainda tem essa tendência, de sacrificar animais, de raspar a cabeça, fazer as curas, mesmo sabendo que isso é desnecessário, pelo menos pra mim, evolutivamente falando, não faz mais o menor sentido PARA MIM, nunca necessitei, mas posso entender que ainda existem pessoas que devem passar por esse processo, mas o que mais me revolta, é que muitos o fazem sem saber porque, fazem porque muitos possuem a promessa de ter seus “Caminhos Abertos”.

Venho pensando muito sobre a atitude dos guias e orixás que decorrem de diversos centros, vejo pessoas MORRENDO DE MEDO porque trocaram os orixás em sua feitura, pessoas que POSSUEM PAVOR porque seu dirigente morreu e precisam urgente tirar a MAO dele. Me questiono muito: Somos tão medíocres, somos tão sensíveis a ponto de ter nossas vidas modificadas por uma pessoa como nós? Só porque ela tem um título significa que são melhores que nós? Estão acima de nós? Que possuem um pdoer sobrenatural porque “fizeram”a nossa cabeça? Será que realmente precisamos dessa feitura?

Existem dirigentes que tem seu potencial mediúnico muito inferior a um filho iniciante da casa.

Quantos doutores não erram seu diagnóstico? Quantos Ph.D. não erram suas teorias? Quantas mentes ilustres da história chegaram a conclusões com tanta convicção e séculos depois foram “derrubados”? Até hoje me pergunto, em 2015, quantos evangélicos acreditam cegamente em seu pastor como o enviado de Cristo e os mesmos se enriquecem às custas da santa ignorância de seus fiéis? E na Umbanda é diferente? No Candomblé é diferente? Conheço um dirigente aqui em Guarulhos que é extremamente ignorante, mas a casa é cheia de filhos (tão ou mais ignorantes quanto ele) e ele andando extremamente bem, de Azera com motorista enquanto seus filhos vendem o Vale Alimentação para alimentar “o santo”?

Acho que a simplicidade fala mais alto que qualquer coisa, se o Orixá não entende que você está sem dinheiro, não tem tempo para buscar alguma coisa ou não consegue fazer a sua oferenda e te castigará por isso, mais uma vez um grande “Vá pra …”. Já foi o tempo de conseguir as coisas na base do medo, pessoas esclarecidas, inteligentes, sabe que o respeito só pode ser verdadeiro quando você tem um líder, quando você idolatra, compreende, admira alguém, quando você segue algo ou alguém por medo de represália, isso não é respeito e sim OPRESSÃO, uma prática ainda mesmo que arcaica, muito comum em diversos terreiros.

Se Orixá Representa Vida, tem que ser às custas da Vida de Outrem???

Se realmente Guias e Orixás são tão ignorantes ao ponto de exigir tantos sacrifícios, se um dia eu tiver prova cabal dessa afirmação, eu fecho esse blog e mando tudo para onde a luz do sol não alcança. O sacrifício é inerente para o desenvolvimento humano, quantas vezes deixamos de pensar em nós para agradar a outros? A Própria mediunidade já é um sacrifício, você doando seu corpo, seu tempo, tendo que se abster de algumas coisas no dia dos trabalhos, já é um grande sacrifício? E ainda querem mais? Para muitos, principalmente pra mim, murchar o ego, perdir desculps para certa pessoa, já é um sacrifício e é esse tipo de sacrifício que acredito que eles cobrem, o sacrifício de você ser alguém melhor. Evoluído e não ter que matar bichos para acalmar o santo!

Muitas religiões “populares” infelizmente sofrem com o tradicionalismo mal fundamentado, a superstição, o medo de experimentar e a fé cega e inabalável em algo que eles mesmos não entendem, vejo por esse blog, quantas pessoas me elogiam e quantas me apedrejam porque eu não respeito. Sim, eu respeito sim se você tem argumentação válida para isso, não com desculpas medíocres dizendo que o Orixá é assim, quem te disso isso? Seu dirigente que se enriquece às suas custas?

Uma coisa é fato, se somos uma Centelha Divina, porque somos tão sensíveis às energias de outrem? Simples… Porque nos deixamos nos influenciar? Quantas pessoas são curadas com pílula de açúcar? Quantas pessoas em doenças terminais, como o Câncer sofrem de cura espontânea? Quantas pessoas com vitiligo, que é dito uma doença evolutiva deixa de crescer? Tudo vai do que acreditam. Se acreditam piamente que Orixá é essa energia imbecil que cobra, que exige, que te suga, assim o será, agora se acreditam no Deus Misericordioso, no Orixá que é desdobramento puro do Universo, que é aquele que te consola, te compreende e te ajuda, assim ele também o será.

Feliz ou infelizmente somos capazes de criar nosso próprio universo, nossa própria versão da realidade, existe um artigo no blog de uma conversa que eu tive com um exu que ajuda a ilustrar essa ideia: http://www.umbandadochico.com.br/blog/2013/11/12/a-questao-da-percepcao-um-caso-de-ponto-de-vista/

Se acha que Orixá é gastar R$ 4000,00 em uma feitura para ele ter “orgulho” de você ou que sua mediunidade ficará mais firme (sim, eu já busquei por isso também) tudo bem, mas te digo, é muito mais fácil dizer que está inconsciente com uma entidade que só vem pra dançar e comer, é muito simples dizer que é inconsciente nessas condições.

Dirigentes não são Deuses, Pastores não são Deuses, parem de acreditar cegamente em tudo o que veem e ouvem, tenham sua personalidade, questionem, tenham sua concepção individual das coisas, podemos ter um outro exemplo. O que esperar de uma entidade de um filho que tem problemas de alcoolismo e que exige a cachaça em seus trabalhos, mesmo sabendo que o filho é consciente e que OBVIAMENTE a entidade não levará tudo? Se é esse tipo de Umbanda que querem acreditar, idolatrar, parabéns, vão com fé, depois não digam que a religião é ridícula ou que é malévola.

Se você é daquele que acha que sua vida vai virar porque trocaram seu orixá! Vá com fé, te respeito, porque cada um tem o seu tempo, porém, quando acordar, não culpe o orixá e sim a sua ignorância.

Se você é daquele que acha que se o dirigente morreu, a sua energia, a sua centelha morrerá com ele, parabéns! Você precisou so seu dirigente para nascer? Você precisou dele para o que? Ele foi apenas uma ajuda, um pequeno elo de ligação entre você e seu orixá, porque o orixá é seu, ele já nasceu pronto pra você, o dirigente só facilita o intermédio, pelo menos, deveria.

Todos nós somos centelhas pulsantes no Universo, autossuficientes, temos a nossa própria luz, mas muitos são como a Lua, passam a vida toda achando que tem alguma luz, mas a luz da lua é o reflexo do sol, ela possui uma fonte de luz secundária, assim agem muitas pessoas, buscam ídolos, fontes externas de adoração e acabam sendo apenas reflexo daquilo que admiram, não contendo sua própria luz, ignoram suas propria personalidade e com isso, deixam de fazer questionamentos. Muitas vivem nas Trevas da Ignorância, não assumem a responsabilidade do presente mais valioso que receberam: O Livre Arbítrio. Questionem, tenham como principal ídolos, vocês mesmos, alguns irmãos no blog, acham que eu sou iluminado, obiviamente o meu ego rejubila-se com isso, mas a verdade é que sou outro errante, buscador, cheio de defeitos e qualidades, que tem vários problemas, que muitas vezes mal se entende, mas pelo menos, sou fiel a mim mesmo.

Superstição cega o homem, faz ele perder a razão, seguir o que outros dizem sem questionarem ou ao menos entenderem o ponto de vista, chegarão ao mesmo lugar. Se acreditam piamente que Deus os condenará ao fogo Eterno por mazelas em sua vida Terrena, parabéns!!! Para quem é pai, sabem que nós, mesmo com personalidade imperfeita, é inconcebível condernamos nosso filho a um mal eterno, mesmo com nossa personalidade manchada de miasmas, quem dirá Deus, o Grande Pai Eterno criador de todo o Universo, como Ele em toda sua misericórdia nos condenaria ao Inferno, à Punição do Foto Eterno, na suposta morada do “kapeta” pela nossa ignorância? Basta refletir durante 2 minutinhos! Para aqueles locais que pregam tanto a Palavra do senhor, mas em 90% do culto só se fala do inimigo.

Fui apedrejado por muitos quando falei da Quaresma, já imaginava, posso estar errado em tudo o que eu falo, porém, eu estudo, pesquiso, vou atrás, posso estar errado, mas tenho argumentos para sustentar a minha ideia, não faço porque um dirigente que às vezes tem uma personalidade muito pior que a minha, o faz e eu o seguirei cegamente, mesmo porque, confesso achar uma grande hipocrisia falarmos que somos todos iguais, viemos todos sim, da mesma essência, porém, não somos todos iguais e nunca seremos, sempre haverá pessoas melhores que nós e piores que nós, sempre haverá pessoas com atitudes deprimentes e pessoas com atitudes louváveis, assim é a vida, independente se iremos todos para o mesmo buraco, podemos ser iguais em essência, porém, muito diferentes em vibrações.

E o que nos fará melhor ou pior que outros, não é um brajá, não é uma toquinha dizendo que sou mago e nem tampouco um título de sacerdote, é a minha prática, é o meu empenho, é o meu estudo e minha ligação honesta com o mundo espiritual, muitos nasceram pra seguir, infelizmente faz parte da evolução, muitas vezes somos capachos, quantos centros já entrei que o dirigente fazia um ou outro de motorista sem nem ajudar com a gasolina? Ótimo, você está fazendo de coração, mas o bom senso existe não? Todo local sempre haverá o bem intencionado e sempre haverá o mal intencionado que se aproveita disso.

E aqueles centros que testam a entidade? Colocando em risco a integridade física e moral do filho? Muitos podem achar lindo, eu acho uma baboseira, uma lambança, dirigente que é dirigente só de olhar para o filho sabe se ele está em condições ou não de trabalhar, essas atitudes só o deixará mais inseguro, menos propício a um bom trabalho.

Tem dirigentes que andam até pensos, com tanto brajá no pescoço. Pra que? Somos condicionados a títulos, ostentação, é intrínseca à nossa personalidade, muitos confiarão mais em um dirigente que tem 1000 brajás no pescoço a um que só tem um mísero fio de Oxalá, somos condicionados a isso. Mesma coisa quando estamos em alguma arte marcial e vemos um faixa preta, o que julgamos que aquele atingiu a maestria, mas quantas vezes, já presenciei a derrota do mesmo para alunos com 2 ou 3 faixas abaixo? Isso porque artes marciais tem todo um treinamento, na Umbanda, o cara tem uma grana, tá entediado e decide abrir uma casa sem preparo algum ou tem um espaço no fundo de casa e começa o centro. Sim, isso pode ser desígnio da espiritualidade, OK, mas antes de achar que tá tudo escrito, acredito no livre arbítrio.

Acredito piamente na compreensão de nossos amigos espirituais, da mesma forma que compreendemos manias, hábitos e atitudes de nossos filhos, de crianças de um modo geral, justamente porque já passamos por isso, quantas vezes meus filhos cometem alguma atitude que pra mim sobe o sangue, mas relembro que eu já fui igual, rapidamente sou tomado por uma onda de compaixão, compreensão e amor, logo, voltando para o aspecto religioso, se aquilo que eu sigo, não for melhor do que eu, não serve pra mim, como já exemplifiquei acima, só sigo e respeito, o que eu admiro, e pra eu admirar tem que ter o mesmo nível ou ser muito superior a mim e baseado nessa premissa, que compreendo meus amigos espirituais. Sem represálias, sem julgamentos, sem opressões e sim compreensão, fraternidade e amor.

DA mesma forma que já passaram tudo o que passamos, somos crianças aos olhos de muitos deles, e por que não ser compreendido pelos mesmos?

Já temos tantos problemas na vida, se o mundo espiritual for mais um, prefiro não seguir nada.

Portanto, saí totalmente dessas crendices de Orixá que castiga, que você vai ter a vida torta se fizeram o seu “santo” errado, que seu exú precisa de frango, posso até ACREDITAR que possam existir essas coisas, obviamente, eu posso, no mundo material só vivemos em conjecturas, mas isso não existe no MEU UNIVERSO, porque NÃO é algo bom pra mim, não deixo isso me abalar, o primeiro dirigente que passou a mão na minha cabeça faleceu há 8 anos, o segundo que também me fez pra Ogum, supostamente errou o meu “santo” até eu passar pelo terceiro, que eu fiz tudo pra Xangô, isso não me mudou em nada, apenas me fortaleceu, me fez pesquisar ainda mais e me fez acreditar que há uma Umbanda amorosa, fraterna, simples e compreensível lá fora e não ao que eu fui condicionado a acreditar.

Um dia isso chegou a ser realidade pra mim, como já postei em vários artigos, hoje não faz parte da minha realidade, vi que foram apenas tradições e ensinamentos supersticiosos, tradicionalistas e ignóbeis.

Apenas um desabafo de um rabugento.

Paz Profunda.

Neófito da Luz.’.

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O Papel do Sacerdote Nos Terreiros

Essa é a minha humilde opinião sobre qual deveria ser o papel do Zelador de Santo.

Partindo da premissa que eu não gosto desse nome, e já expliquei algumas vezes porque, prefiro sacerdote ou dirigente, não temos porque zelar o santo, mesmo porque Umbanda não trabalha com Santo, trabalha com desdobramento vibratório do Criador, não existe santo, existe vibração e essa vibração não precisa ser cuidada, ela já é nata, incriada, divina.

O papel do dirigente do centro deve ser primeiramente de acolhimento, ele deve abraçar a causa do filho, entender o que se passa e se há um momento em que a palavra ZELAR faz algum sentido, é no que tange os cuidados ao filho.

O dirigente é um guia espiritual, ele é o patriarca ou a matriarca dessa egrégora, o centro é uma comunidade espiritual onde ali existem dois tipos de pessoas: Os auxiliares e os necessitados.

Para uma corrente coesa e poderosa, cabe ao dirigente dar o conhecimento necessário aos filhos e passar a sua experiência aos mesmos para evitar quaisquer sintonias desagradáveis durante a corrente mediúnica que ali se encerra.

O trabalho do dirigente é instruir, é amar, é cuidar, o trabalho do dirigente é se preocupar com a vida espiritual de seus filhos e consequentemente, apoiar a vida material também.

O que eu vejo muito nos dias de hoje e acontece com 90% dos leitores que me escrevem, é que o dirigente simplesmente larga lá, quando questionados sobre qualquer coisa, a resposta é sempre a mesma: Não é a hora ou não tenho permissão para dizer ainda. Quando indagados sobre qualquer fundamento, a resposta é quase sempre unânime: “Porque sim” ou “Porque não”.

Um centro organizado, primeiramente, deve haver uma cartilha que instrui a forma do médium agir na casa, os banhos de defesa, a hora correta de se chegar, a sua obrigação como médium e como pessoa, porque vestir branco, porque usar a toalha e porquê de diversos outros fundamentos, o mínimo que o dirigente deve passar, são as diretrizes da casa e como funciona os fundamentos espirituais da mesma.

O que eu vejo em sua maioria das vezes são os médiuns com dúvidas, perdidos e com receio de tirar suas dúvidas com quem teria que ser o SEU PRINCIPAL PONTO FOCAL de questionamento: O dirigente. Mas o mesmo está sempre ocupado ou indisponível para sanar as dúvidas.

Recentemente tive dois casos, e gostaria de enfatizar que não falo isso para me promover, como podem perceber, não vendo consultas e nem faço trabalhos espirituais a custo financeiro, não vivo DA Umbanda, mas gostaria de enfatizar que se eu sou capaz de enxergar coisas tão simples, porque não alguém mais capacitado que eu e que está muito mais próximo ao filho para poder ajuda-lo em seus problemas? Má vontade? Incompetência?

O primeiro caso é uma cambone de 14 anos, que estava com forte irritação nos pulsos, estava com uma alergia fortíssima e já havia passado todo tipo de remédio e nada de melhorar, vale salientar que cambone é um dos cargos mais importantes na casa, lida direto com todas as energias que circulam no centro, principalmente ela, que é cambone de todos os guias da casa; Já havia algumas semanas com essa ferida e nada do dirigente perceber, isso porque o mesmo é próximo da médium em questão. Ela me contando, tive a intuição de pedir à mãe dela dar banho de rosa branca e alfazema (Não me lembro se foi só isso) e esfregar no pulso em sentido horário. Em questão de três ou quatro dias, não havia mais nada no pulso.

O segundo caso é uma filha que está com diversos problemas, principalmente afetivo, só aparecem pessoas estranhas como homens e em questão de meses, o relacionamento dela termina, recentemente ela ficou desempregada e ela consultando os guias e o sacerdote da casa, o mesmo dizia que não era tempo de saber ainda o que se passava. Ela falando comigo, percebi (ou tive uma intuição, nem sempre sabemos) que seria cobrança de Oxum. Sim, existe a cobrança da vibração e farei posts que identificam um pouco isso, e perguntei a ela se ela estava agindo com promiscuidade, se estava com muito desejo sexual, se estava contrariando os próprios princípios dela e a resposta foi SIM para todas as questões, o que me deu a certeza da cobrança da mesma, no caso, o orixá Oxum.

Mas ela não tem Oxum, e eu disse a ela: Você tem algum problema com filha? Ela me disse que tem uma filha, mas havia perdido a guarda. Questionei novamente: Tem ido vê-la? Está resolvendo isso na Justiça? E a resposta foi sim, faz tempo que ela não a vê e tá enrolado na justiça a situação.

Aí eu falei a ela que certeza que essa cobrança de Oxum seria a falta desse instinto materno da mesma e que ela necessitava impor mais energia nesse caso da filha dela e tudo mais, falei pra ela acender uma vela para Oxum pedindo ajuda em uma terça-feira (Sim, não é dia de Oxum, eu sei, porém não acredito em dia certo para acender velas para os Orixás) e na quinta-feira, apareceu um amigo dela que conhecia uma delegada e uma advogada que resolvia esses casos de família.

Então isso só deu a certeza que era isso que “Oxum” queria.

Agora me pergunto: Cadê o sacerdote para resolver essa questão que se arrastava há mais de um ano?

Uma coisa que eu abomino são esses tipos de dirigentes que ficam sentados no trono como se fossem reis e na hora de serem eficientes em ajudar os seus filhos, dizem que ainda não é o momento, e o infeliz não tem a força de vontade de acender uma vela ao orixá para sequer fazer uma pergunta para o próprio filho da casa. Esquecem que sua missão espiritual além de dirigir um centro, é centralizar a vida espiritual dos seus filhos, muitos abrem a casa por vaidade ou por status para tocar o centro de acordo com o que ele acredita ser verdadeiro e não por capacidade ou características semelhantes.

Sim, ESTAMOS CARENTES DE DIRIGENTES COMPETENTES e infelizmente dirigentes incompetentes criam médiuns ineficientes, o que gera todo um ciclo vicioso de incorporações medíocres corroborando com a má reputação da religião. A Umbanda sofre preconceitos por culpa dos seus próprios adeptos.

Se o seu dirigente é daqueles que não ajuda com as suas dúvidas, não sabe acolher, só sabe exigir e mandar, procure outro lugar que esse tipo de pessoa não é um dirigente e sim um Líder Tribal.

Já temos diversas questões para lidar na vida, o centro, a religião que teria que ser um ponto de relaxamento, de paz, de tranquilidade, se torna para muitos, mais um ponto de estresse, mais um ponto de angústia, dúvidas e tristeza, religião, como o próprio nome já diz, é RELIGAR o nosso Eu Material com o nosso Eu Espiritual e muitas vezes o que os centros e outras ordens religiosas fazem hoje é justamente o inverso.

Outro tipo de dirigente que eu abomino é aquele que faz os filhos de escravos, os mesmos têm que fazer serviços domésticos em sua casa, isso é muito mais comum na nação, muitos dirigentes fazem seus filhos de escravos porque zelam pelos seus santos. E digo-lhes, amados irmãos, com toda a certeza do mundo: Seu orixá não precisa de cuidados, principalmente de mãos alheias.

Eu mesmo já tive um dirigente que se o encontrássemos na rua, teríamos que ajoelhar e beijar sua mão, mais um retrato da vaidade e do conceito de líder tribal e não dirigente espiritual, ninguém é melhor do que eu para eu me ajoelhar (sim, pode ser ego, mas com argumentos bem fundamentados).

Esse mesmo dirigente INFLADO pela vaidade, em trabalhos de marinheiros, nenhum marinheiro poderia usar quepe porque o dele era o único capitão do mar em terra. (Só por Deus)

O papel do dirigente seria o de instruir, conhecer qual é o seu Orixá Regente para que ele possa saber onde te ajudar, onde te fazer crescer, onde potencializar suas qualidades e onde suprimir os seus defeitos, o dirigente correto, ele é amável, ele é compreensível, ele é querido. Claro que muitas vezes ele deve ser duro, ele deve ser imponente, porque sem seriedade não existe Lei e sem Lei não existe Ordem (Olha o filho de Xangô falando).

A Umbanda antes da prática mediúnica do Amor e da Caridade, é Respeito, é Ciência, é Conhecimento, é Compreensão e todos devem andar juntos para que haja equilíbrio e união.

Dirigente que corrobora com outros médiuns falando mal de outros, daqueles que desabafam de uma atitude alheia, jogando uns contra os outros, só facilita a desunião da casa, a quebra de corrente e consequentemente a firmeza espiritual do lugar, fofocas só denigrem a egrégora do lugar e consequentemente enfraquecem o dirigente e todos os filhos, centro que existe fofoca, inveja e gente falando mal pelas costas não é centro, é baile funk!

Já vi diversas casas o próprio dirigente falando mal de um filho para outro, o que é um erro comum até no nosso ambiente familiar, pais que se queixam dos irmãos e tudo mais, isso só fomenta a discórdia, só fomenta a desunião e um dirigente sério e sábio evita justamente fragmentos dentro da sua própria corrente. Fofoca existe, o ser humano é crítico por natureza, porém cabe ao dirigente saber dizimar qualquer discórdia dentro do centro, partindo dele mesmo, não cabe a ele comentar ou desabafar dos filhos, cabe a ele chegar ao centro, já que ele é o líder e resolver a questão.

O que mais me repudia, é que as fofocas e as brigas partem do próprio dirigente e desculpem-me, um dirigente que age dessa maneira dificilmente receberá guias espirituais de luz para realização de seus trabalhos.

Um dirigente nato, sabe delegar e assumir a liderança quando preciso, um líder é aquele que cava a trincheira junto com seus filhos, é aquele que se suja junto, é aquele que fica sem dormir junto, é aquele que ama o que faz e desprende do seu precioso tempo para tal, se você não tem tempo ou discorda de qualquer coisa que está escrito aqui, desculpe-me, mas em minha opinião, você nem deveria ter nenhum tipo de centro, terreiro, barracão ou qualquer denominação que dão à comunhão espiritual dos mentores de Aruanda.

O problema é que estamos tão acostumados com coisas ruins, que nivelamos sempre por baixo, eu já fui pai pequeno e muitas vezes tive maiores responsabilidades que o pai da casa, porém, tenho plena convicção que fiz o meu melhor, já deixei de fazer muitas coisas em meu auge da juventude (Entre 24 e 30 anos) para dedicar-me aos filhos necessitados. Nem sempre temos gratidão, mas como sempre me disse Marabô, se eu abracei a causa, eu tenho que abraça-la feliz, de bom grado e sem esperar a troca, porque o retorno nem sempre é material e sim, cósmico.

A jornada para o dirigente é difícil, mas se assim o escolheu, que faça da melhor forma possível, e se muitos filhos chegam a mim através do blog, é sinal que suas angústias e dúvidas não são extraídas dentro do seu próprio centro, o que só demonstra estatisticamente a carência de boas casas que temos.

Meus sinceros votos de paz e Luz.

Neófito.