Mediunidade ou Loucura? A Mediunidade Consciente!!!

Axé amados irmãos.

Quem de nós no ato de uma comunicação não nos deparamos com a seguinte pergunta: Será que estou incorporado? Será que sou eu? Mas o que é isso?

Isso afeta 100% dos mediuns na Umbanda, já foi muito comum, a mediunidade inconsciente, mas como sempre afirmo no blog, isso está cada vez mais raro segundo alguns, segundo o Neófito, isso foi extinto!

Sim, não acredito mais em pessoas que falam que não lembram de nada, isso é absolutamente impossível, inegável lembrarmos de alguns tópicos ou dependendo de como foi a comunicação, lembrarmos de tudo, vale salientar que isso não quer dizer que sua comunicação foi mal realizada. Também é INEVITÁVEL em alguns momentos, conseguirmos “passar a frente” das entidades, sim, meus caros, isso pode acontecer, mesmo estando em um estado alterado de consciência, podemos a qualquer momento, “cortar” esse processo.

Por esses motivos, temos que esquecer problemas pessoais, esquecer quaisquer mazelas que deixamos do lado de fora no terreiro, porque o canal de comunicação é sutil, e como seu corpo e dotado de meios seguros de sobrevivência, não apagamos, ficamos sempre em um onírico estado de alerta.

Naturalmente nós que estamos iniciando a caminhada mediunica, é imprescindível acreditarmos que estamos realizando a comunicação, a incorporação, temos que acreditar, isso é uma máxima; Vejo muitos mediuns segurando o processo ou até mesmo desconfiando, o que desacelera ainda mais o mecanismo mediúnico da “incorporação”.  A principal causa dos mediuns iniciantes segurarem é que não querem mistificarem, não querem enganarem a si, aos irmãos e aos consulentes, vejo muitos mediuns falando: “Eu tenho medo de fingir”.

Primeiramente, temos que ter consciência de nossa dedicação, nosso empenho e acima de tudo na Fé em nossos guias, se estamos ali de coração aberto, de coração limpo e receptivos às vibrações sutis e verdadeiras do Universo, você NÂO ESTARÁ ENGANANDO NINGUÉM, VOCÊ NÃO ESTARÁ MISTIFICANDO. Se deu vontade de pular de joelho, o faça, se ocorreu a vontade de dar um belo grito de guerra, o faça, deixe a vibração tomar conta de cada cm do seu ser, deixe a energia do seu mentor fluir sobre seus chakras, tenha fé nessa comunhão, nesse sincronismo energético. Se sentiu vontade de dançar, dance, de girar, gire e qualquer excesso, tenho a certeza que seu dirigente terá o discernimento e a didática de te informar se algo não for de acordou com a doutrina da casa.

NÃO SEJAM TÍMIDOS, NÃO TENHAM VERGONHA, é natural no mecanismo de incorporação, durante o começo da jornada, o mentor mudar um pouco a aproximação, a vibração ou até mesmo a forma de chegar, isso é totalmente natural, às vezes até pensamos ser outra entidade, mas muitas vezes não o é, é um processo de adaptação, a acoplagem fluidica do corpo espiritual ao corpo material ele tem um custo, e esse custo deve ser minimizado para que ambos sejam beneficianos desse processo e consequentemente, dando uam comunicação firme e confiável.

A Grande sacada para facilitar todo esse processo é CONFIANÇA! Confiem em quem os acompanha, pelo menos eles, temos a certeza que quererão o melhor de vocês. Sigam o post “Firmeza de Cabeça” tão conhecido aqui no blog.

Não hesitem quando sentir vontade de dançar, girar, fumar, repito, liberem esse fluído energético maravilhoso e se deixem levar pela vontade, pelo processo de acoplagem de seus mentores, retire o sentimento de dúvida, tenham fé, bom senso, amor e ACIMA DE TUDO: A VONTADE, que é o que eu sempre digo no blog, a Vontade é a Energia Divina Manifestada. Querer é Poder!!!

Muitas vezes pensamos que somos nós, isso é um processo que infelizmente o acompanharão em grande parte da vida, somos mecanismos principais do processo de incorporação e, infelizmente, somos falhos, o que significa que algumas vezes, esse processo também será falho, não é uma EXATA, a incorporação depende de vários fatores, e a principal, é a sua mente, o que  nem sempre está 100%.

Sempre enfatizo no blog a importância da dedicação e do estudo, conheço pessoas que só conseguem proferir uma palavra de carinho ou de amor, incorporado, desculpem-me e sinceridade, esse tipo de medium não passa de marionete!

Temos que ser princípios ativos de nossos mentores, afinal, trabalhamos com eles e é nossa obrigação propagar e perpetuar seus ensinamentos, nem sempre temos a disponibilidade de incorporar para poder proferir uma palavra amiga, e com isso, você vai pedir a esse necessitado esperar uma semana para poder falar com um guia seu?

Isso será assunto para outro post, o escopo desse é sobre a incorporação, essa inexorável dúvida presente em todos os mediuns da Umbanda, e eu digo com total verdade, ACREDITEM, o estado alterado de consciência existe e quanto mais liberdade vocês fornecem a ele, mais graças poderão presenciar, e isso é indizível!

Não estão loucos, estão apenas influenciados e irradiados pelos nossos irmãos espirituais, nossos companheiros de jornada, são nossos mentores, mas acima de tudo, nossos irmãos, amigos e grandes companheiros de Senda, que visam o aprimoramento de todos que os cercam, seja de seu aparelho (cavalo, burro, medium), seja do consulente e ou de qualquer um que os cercam!

A mediunidade existe para a propagação do bem, para o auxílio aos encarnados, a Umbanda atua de forma presente no mundo físico, no mundo material da pessoa, é nela que são depositadas a confiança dos necessitados, é nela que está o imediatismo, a possibilidade de uma resposta imediata para nossos problemas, é nela que existe o amparo, a doação e a caridade, e você, meu querido medium, foi o escolhido pelas hostes cósmicas para a realização desse trabalho. Você foi convocado e agraciado por esse dom divino de ajudar simultaneamente os amigos espirituais e os carnais, então faça disso, o seu propósito, o seu objetivo, não temos espaço para dúvidas, para descrenças, para a loucura e sim para o objetivo de se conectar ao Bem Maior!

Seja a propagador da Fé que você foi destinado, ou o propagador da justiça, o propagador da força, do amor, da transmutação, da cura, do conhecimento, ou de qualquer outra vibração divina da qual você foi confiada.

Seja você consciente ou semiconsciente, faça desse trabalho o propósito da vida de quem te procura, seja aquele que muda, aquele que consola, aquele que ama, isso só depende de você, se não confia que está incorporado, confie que Deus destinou a você a capacidade de propagar a Sua misericórdia, então durante sua incorporação, ACREDITE, ORE, SEJA UMA FERRAMENTA DE SUA GRAÇA, afinal, a limitação é apenas na cabeça de vocês!

A Consciência é um Presente para Você Testemunhar que Você é Dotado do Poder de Mudar!!!

Paz e Luz.

Neófito

 

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Doutrinando Guias e Orixás???

Saudações fraternais amados irmãos…

Muito se ouve o termo de doutrinar os seus orixás e mentores nos trabalhos mediúnicos. Mas que raios de autoridade nós temos para ensinar espíritos supostamente de luz que suspostamente viriam em nosso auxílio e dos quais necessitam de nossa doutrina??? Pra mim é no mínimo um paradoxo, eu chamo um professor de matemática porque tenho dificuldade em uma matéria mas eu tenho que ensiná-lo como agir com essa matéria. Paradoxal, não?

Isso ocorre muito na nação, o médium que se diz inconsciente, tem que vir o Iaô ou até mesmo o Babá ensinar a dança para o Orixá, e incrivelmente cada barracão de nação tem a sua forma peculiar de dança, mesmo seguindo os preceitos da tradição, mas cada casa coloca o seu “plus” no pé de dança do Orixá. É o Orixá que precisa desse ensinamento ou o médium? É o guia que precisa aprender a se comportar ou é a grande parcela do médium durante o fator mediúnico?

Muitas casas, quando o mentor chega pela primeira vez, o filho mais velho o ensina a saudar a casa, como faz as devidas saudações à assistência, ao atabaque, à entrada da corrente, entre outros fatores. Como saudar cada irmão da casa, será mesmo que o guia que precisa de tudo isso ou é a nossa mente inferior que cuida desse fator?

Todos nós sabemos que no começo somos totalmente conscientes, e apesar de muita gente da nação negar, pelas “curas” realizadas no roncó, pelo ejé (sangue) derramado na coroa auxilia na incorporação inconsciente, digo com total e absoluta certeza: Balela. É muito fácil falar que tá inconsciente sendo que o espírito que está supostamente incorporado não fala…

Sempre repito no blog, que a comunicação se dá com a firmeza do médium e o esclarecimento do guia, com o seu conhecimento, cada dia que passa, essa afirmação fica ainda mais evidente quando se presencia novos médiuns adentrando nas casas e repetindo o que os mentores mais velhos da casa fazem, isso gera um processo anímico intensivo e se não se atentar, acabamos virando fantoches de nosso próprio subconsciente, em suma, eu prefiro e muito que vocês firmem a cabeça a repetir o que os mais velhos e os guias mais antigos fazem no centro, é interessante ressaltar que serve como referência e não como BASE PRINCIPAL DE APRENDIZADO.

Isso devido a dois principais motivos:

  1. Você não sabe se ali, onde você se espelha, existe realmente tem uma entidade ou o médium em um processo anímico, o que significa que muitas vezes o guia atuando é na verdade o processo anímico do médium em piloto automático;
  2. Não necessariamente os seus mentores trabalharão de forma similar aos mentores mais antigos da casa, como sempre repito no blog, cada um tem a sua corrente mediúnica, o seu grau evolutivo, bem como o grau evolutivo dos mentores que te acompanham, a bagagem de aprendizado entre outros fatores.

Vale salientar que estou falando de ANIMISMO e não MISTIFICAÇÃO, existe um post no blog que relata essa diferença aqui. Muito observo nas casas, um caboclo pulando com uma perna só e quase todos os guias da corrente fazendo a mesma coisa, o estalar dos dedos durante o passe, a postura de mãos e braços, muitas vezes é perceptível cópias na casa. No começo é normal copiarmos, isso é um processo inerente a todo médium, mas ao passo que a mediunidade vai se desenvolvendo, é necessário dar o espaço necessário ao trabalho do mentor que está servindo durante a comunicação, nem todo marinheiro vem cambaleando, nem todo boiadeiro vem laçando e nem todo exú vem corcunda, isso é importante enfatizar a todo momento.

Também existe um processo de adaptação do mentor que você trabalha no chão que ele pisa, isso em virtude do respeito ao chão que ele está pisando e aos mentores que dirigem a casa, então ele pode adaptar algumas formas de trabalho para que fique dentro do processo da casa, aí pode entrar o fator do guia mais antigo da casa querer “doutrinar” o seu guia para trabalhar dentro da casa, e esse “doutrinar” é muito mais na cabeça do médium ao mentor que está ali irradiando, mesmo porque sabemos que no começo da mediunidade, é muito mais o médium que o mentor.

Existia um médium na casa logo quando comecei que trabalhava muito bem, os guias chegavam bonitos e isso é algo legal para se usar como referência, até o caboclo dele chegar e arrancar a camisa, ali eu já comecei a me questionar de todas as formas possíveis, toda vez que vinha, o caboclo rasgava a camisa, até eu refletir e perceber que ali não era entidade e sim a vaidade de um médium, mas mesmo assim, custou acreditar nessa possibilidade, já que ali era um médium que eu respeitava demais e achava linda as entidades dele, ou seja, toda aquela minha admiração nem era totalmente pelas entidades, muitas vezes talvez era a própria vaidade dele que me encheu os olhos, porém, não alimentou o meu coração e nem tampouco a minha sede de conhecimento.

Não há doutrina mais eficiente entre você e seus mentores do que a conversa, o conhecimento de ambos, o respeito de limites, se um médium tem um caboclo que pula de joelho e o mesmo tem problemas na mesma região, obviamente um guia de luz não vai pular para arrebentar o joelho do médium, e se assim o fizer, indubitavelmente levará a dor (Isso falando normalmente), há casos em que a entidade deixa a dor por alguma lição a ser apresentada ao médium.

É o que eu sempre digo aqui no blog, vejo muitas pessoas temerem as entidades, medo de sofrer represálias, nem brinca com a entidade com temor, vejam seus mentores como companheiros de jornada, como amigos espirituais e muitos dos quais já são seus amigos muito antes de você nascer, são verdadeiros irmãos e amparadores e não Deuses da Cólera que vem para punirem, afastem esse pensamento, tem que ocorrer o respeito, mas também a conversa mútua, o carinho e dedicação e isso se dá com velas, com orações, com pedidos e durante a incorporação, com conversa…

Seus guias não precisam de doutrina, eles já vêm doutrinados, quem precisa de doutrina é você, claro, salva raras exceções porque também existem mentores em início de carreira, mas para ser um mentor de luz, ele já passou por todo processo de aprendizado nas escolas espirituais, não chegará “cru” fazendo um monte de besteiras como muito dirigente acha que acontece.

Aprendam vocês o fundamento da casa, como funciona, exija do seu sacerdote os procedimentos e como funciona a cartilha da casa, você se sentirá mais seguro para incorporar e a comunicação será melhor, justamente porque você já sabe o que acontece, como acontece e porquê acontece, e lembrem-se sempre, “incorporação” é muito mais doação do médium, com isso, sejam um recipiente limpo para o seu mentor para que ele possa realizar um trabalho bem feito.

Apenas isso.

Abraços fraternos,

Neófito.

Animismo x Mistificação – Imprescindível a Leitura

Realmente existe a diferença entre a mistificação e o animismo porém ela é de caráter moral ou intencional. A mistificação é o embuste , a mentira aplicada no sentido de levar vantagens pessoais ou prejudicar a outrem interferindo na comunicação ou na total inexistência do espírito. O animismo é a interferência na comunicação em diferentes graus sem a intenção de prejudicar ou levar vantagens porém desvirtuando a mensagem podendo ocorrer também a inexistência do espírito ; Ou seja a diferença básica é que a mistificação é dolosa enquanto o animismo é sem dolo.

A definição dada pela ciência do animismo é o sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais.

Edgard Armond em sua obra ” Mediunidade” (Cap 11 – pag 56 ) diz : ” A mediunidade consciente é aquela que mais permite interferência dos fatores subconscientes do médium ,que se costuma denominar animismo e que tem servido de motivo para se bater, injustamente , na tecla da mistificação.”

Conforme a definição Espírita como no livro “Mecanismos da Mediunidade”(pag 163- Cap XXIII) diz André Luiz: ” Alinhando apontamentos sobre mediunidade , não será lícito esquecer algumas considerações em torno do animismo ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação”.

Analisando a tudo isto , uma vez produzidos pelo médium, seja consciente ou não, advém não do Plano Espiritual mas sim do médium onde portanto fogem da linha de trabalho da Umbanda desenvolvida pelos Mentores e Guias pois quem em sã consciência se julga apto espiritualmente para dar consultas ou adotar práticas ritualísticas e magísticas próprias dos Guias dentro dos Templos? Por tal motivo e principalmente por segurança ,caridade e honestidade nos Templos sérios e honestos que os Mentores Espirituais educam mediunicamente os filhos da casa orientando na fase antecedente e posterior aos trabalhos para melhorar a receptividade( vida regrada, bons pensamentos, banhos, prática de orar ,estudo, etc) como também durante os trabalhos (deixar os problemas pessoais fora do Templo, meditação , concentração , contenção da ansiedade ,etc) para com isto diminuir ao máximo o efeito anímico e impedir a tendência dele se transformar em mistificação.

Segue André Luiz : ” Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais , com a própria inteligência encarnada comandando manifestações ou delas participando com diligência , numa demonstração que o corpo espiritual pode efetivamente desdobrar-se e atuar com os seus recursos e implementos característicos , como consciência pensante e organizadora , fora do corpo físico.”

Realmente a ação de nosso espírito( nós mesmos melhor assim dizer) agir fora do nosso corpo é sabido( aqui o animismo se confunde com o desdobramento e projeção astral) mas a análise em questão é a de estarmos fisicamente num Templo. Oras, lógico que não iremos sair de nosso corpo para incorporar nele mesmo ; Portanto os pensamentos e ações que deveriam vir dos Guias sofrem a interferência dos pensamentos e ações do médium seja uma interferência consciente ou proveniente do subconsciente. Aí está o animismo que varia de intensidade de acordo com o grau de interferência e este é observado pelo Mentor Espiritual do Templo que em grau mínimo é tolerado(onde geralmente é cuidado através de orientações coletivas), em grau médio é acompanhado (neste caso o médium recebe orientação individual ) e em grau máximo é tratado ( neste caso a linha divisória entre animismo e mistificação é tênue e no caso do médium honesto e bem intencionado é um desvio mediúnico a ser corrigido com presteza).

Dentro do Espiritismo o animismo não é caracterizado como problema pois devido a forma adotada onde o contato da assistência com a Espiritualidade é praticamente inexistente se comparada aos rituais Umbandistas onde as pessoas tem o contato direto com os Guias. A analogia feita por Ramatís das comunicações mediúnicas da Umbanda e do Espiritismo em seu livro “Mediunismo” (Hercílio Maes-Cap VI-pag 57) retrata bem : “…a prática mediúnica do Espiritismo é semelhante a uma agência de informações civil , em que é bem mais importante o assunto do seu fichário, do que mesmo as pessoas que o informam; A Umbanda , no entanto, é como uma agência de informação sobre assuntos militares onde antes de tudo convém conhecer a graduação do informante , pois, assim como acontece realmente no mundo físico, é muito grande a diferença e responsabilidade entre aquilo que diz o cabo e o que informa o general …”.

Ou seja , no Espiritismo se a mensagem é boa não importa quem a deu e, como conhecemos nos Centros Espíritas, as mensagens duvidosas não são repassadas ,sendo apenas desconsideradas e somente as de teor mais elevado e consideradas confiáveis chegam as mãos daqueles que ali se achegam em busca de notícias de entes queridos desencarnados. Na Umbanda a conversa é direta onde a presença do cambono nem sempre ocorre e aí o animismo nos centros Espíritas torna-se completamente diferente no sentido da responsabilidade, honestidade e caridade do animismo nos Templos Umbandista. Então torna-se imperativo analisar animismo sob a ótica Umbandista e não Espírita até por que somos Umbandistas e o nosso dia a dia religioso é diferente em inúmeros aspectos que vai desde a adoção de rituais e culmina na proximidade encarnado-desencarnado que a Umbanda oferece.

Aproveitando Ramatís e esta mesma obra(Mediunismo) Ele afirma (Cap-XIX-pag 136-137):
PERGUNTA= Então a comunicação do médium completamente anímico não passa de mistificação inconsciente?
RAMATÍS= Quando o médium não tem o intuito de enganar os que o ouvem , não podeis admitir a mistificação inconsciente . A comunicação anímica é decorrente da falsa suposição íntima de a criatura julgar-se atuada por espíritos , por cujo motivo transmite equivocadamente suas próprias idéias . A mistificação , no entanto, é fruto da má intenção .
Segue a frente Ramatís afirmando: ” A criatura anímica , quando em transe , pode revelar também o seu temperamento psicológico, as suas alegrias ou aflições , suas manhas ou venturas , seus sonhos ou derrotas”
E na página 139 afirma: “O médium totalmente anímico é sempre vítima passiva do seu próprio espírito que pensa e expõe sua mensagem particular sem qualquer interferência exterior ; O médium propriamente dito , mesmo quando obsidiado , ainda é um medianeiro, um instrumento das intenções ou desejos de outrem “.

Usamos referências de obras Espíritas e fora da DE ,caso de Ramatís, como ilustrativas pois servem para exemplificar alguns pontos de vista, porém reafirmo ilustrativas, pois a realidade Umbandista deve ser observada sob a ótica Umbandista. É certo que a Espiritualidade é uma só e os espíritos habitam um Universo Espiritual único , porém cada corrente religiosa é supervisionada por espíritos e nem por isso fazem católicos, protestantes, espíritas, candomblecistas, umbandistas ,budistas, hinduistas, etc, serem iguais . O cotidiano de cada corrente religiosa embasado nos diferentes níveis evolutivos, culturais, kármicos e morais é o que dá o grande diferencial da ação da Espiritualidade na Terra. São escolas diferentes com salas de aulas diferentes reunindo em cada uma o que há de mais próximo em relação a similaridades espirituais dentro do universo individual de cada ser com o único intuito de evolui-los onde cada uma nas suas diferenças conduzem a todos a este único objetivo , observando a capacidade de assimilação individual e após a coletiva.

Particularmente eu somente refiro-me as interferências nas comunicações nos Templos sérios e honestos como animismo pois tenho a absoluta certeza e confiança que nestes Templos Umbandistas os Mentores Espirituais amorosos e caridosos por natureza são também zelosos , responsáveis e atentos eliminando do seio Sagrado de seus Templos indivíduos maldosos que utilizam a prática da mistificação que iria não só macular os dedicados e honestos filhos da casa , prejudicar os necessitados que confiantes ali buscam soluções aos seus mais diversos problemas como também enlamear o sagrado nome da Umbanda. De forma alguma posso conceber mistificação em verdadeiros Templos Umbandistas e sendo assim os pequenos deslizes que ocorrem diz-me a lógica serem frutos de animismo.

Quanto a fazer a distinção se é animismo, mistificação ou se o médium consciente está realmente “tomado” , existem meios para isso ? Podemos inumerar uma série de “métodos” porém creio não caber a nós tal julgamento neste caso pois a partir do momento que “achamos” automaticamente já julgamos e demos a sentença em relação a nosso irmão de estrada, o que é incompatível a um verdadeiro Umbandista que é plenamente consciente que dentro de um Templo Umbandista sério e honesto quem dirige tem maior competência e conhecimento para julgar o caso.

Se a dúvida é em relação a um irmão,fazemos o que é coerente para um adepto que confia na envergadura moral e intelectual dos Espíritos Superiores ,deixamos nas mãos da Espiritualidade que tem a capacidade moral e técnica para detectar e sanear o problema ou então estaremos atestando a nossa desconfiança e descrença na capacidade do Guia Chefe do Templo a ponto de fazermos testes e posterior julgamento às vezes condenatório de irmãos honestos e bons trabalhadores que por serem médiuns conscientes e às vezes justamente naquele dia por algum motivo ,que foge a nossa capacidade de espíritos encarnados e imperfeitos de entender , os colocamos no rol dos médiuns duvidosos , enquanto os Mentores com sua infinita capacidade de compreensão e discernimento tem a justificativa e relevam desde que não haja a mínima possibilidade de prejuízo ao próximo.

Quantos de nós bons pais , bons filhos, bons irmãos ou bons amigos falhamos por motivos variados e nem por isso nos fazem dignos de dúvida em nossas relações. Já disse o Cristo: ” Com a medida que julgares será a medida com que serás julgado.” Somos Umbandistas e isto não nos fazem perfeitos e infalíveis para julgar ninguém dentro de um Templo Umbandista sério e honesto. Devemos sim cuidar de nossas obrigações religiosas e deixar a Espiritualidade cuidar das obrigações que a competem ; Se a dúvida é em relação a nós mesmos então após cada incorporação devemos humildemente ir até os pés do Mentor Espiritual do Templo (Guia Chefe) e perguntar se fomos mediunicamente corretos , se de alguma forma interferimos com o trabalho de nosso Guia, se é necessário fazermos alguma coisa para melhorarmos mais, enfim nos aconselhar sempre.

Muitos podem pensar: “Ah! Mas vamos perturbar o Guia Chefe toda vez.”…. Parece assim mas não é. Por vezes desconhecemos a boa vontade e atenção que Eles tem por todos , principalmente aos médiuns responsáveis ,honestos ,preocupados em se aprimorar cada vez mais e assim servir mais e melhor ao próximo, ao Templo, a Espiritualidade e ao Criador. Os Guias conhecem a responsabilidade e ficam extremamente felizes e gratificados quando observam que nós também adquirimos a consciência desta responsabilidade; Para Eles ver que nós somos responsáveis , honestos e dedicados vale muito mais que homenagea-los com milhões de oferendas , porque a luz da consciência de um trabalhador ilumina muito mais que milhões de velas .

Anjo Ariano
Luz e Paz.

Um Conto de Sr. MaraBô

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Exu Marabô está em terra. Os poucos filhos que acompanham aquele terreiro vibram com sua presença. Na assistência algumas pessoas ansiosas aguardam para serem atendidas. O Exu ri, dança, bebe desenfreadamente. Atende uma filha da casa recém-casada. Fala para a filha tomar cuidado com o marido, pois ele vai traí-la em breve. A moça desespera-se. Ele então passa uma longa lista para realizar o trabalho salvador. Sabe que já plantou a semente irreversível da desconfiança no jovem casal. Na assistência um pequeno empresário aguarda atendimento.

O Exu diz que a firma não falirá, para isso precisa de vultuosa quantia em dinheiro para trabalho urgente. Chega a vez de uma médium, filha de outro terreiro, que visita pela primeira vez a casa. Mais uma vez o compadre não se faz de rogado. Diz para a pequena sair do terreiro que freqüenta, pois segundo ele a mãe de santo não entende nada sobre Umbanda. E assim ele vai plantando a discórdia, a desunião, a dor. Sempre que pode humilha publicamente os filhos da casa. Os dias passam sem novidades. O que ninguém ali imagina é que por trás daquela entidade que se diz chamar Marabô, está escondido um enorme Kiumba. Aproveitando-se do fato do tal pai de santo ser pessoa leiga, gananciosa e, totalmente despreparado ele domina o mental do incauto médium.

Diverte-se com a angústia dos outros. Sempre que pode põe o pai de santo em enrascadas (cheques sem fundos, golpes que são descobertos constantemente, brigas e desunião em família). E o pai de santo não tem escrúpulos algum em usar o nome de um grande e respeitado Exu de Lei. Ao contrário, fica feliz em saber que aos poucos vai minando a credibilidade do verdadeiro Marabô. O Kiumba raciocina que o dia em que as trapalhadas colocarem tudo a perder ele simplesmente abandonará o falso pai de santo à própria sorte. Não será o primeiro nem o último que ele abandonará.

Afinal pensa o Kiumba, não fora o falso pai de santo que médium ainda novo, desenvolvendo, resolveu mistificar para dar uma abreviada no processo mediúnico de desenvolvimento? Não fora também por conta própria que o médium abandonara o terreiro de sua mãe de santo, sem ter preparo algum? Sem falar que enquanto esteve lá, desrespeitava os ensinamentos da casa, zombava dos irmãos de santo, dava golpes em tantos médiuns que muitos pediram até sua expulsão da casa? Pois então fora ele mesmo que atraiu o Kiumba e sendo assim essa sociedade duraria até quando fosse possível.

O ser do umbral ganhando energia negativa, achincalhando Marabô, e o falso pai de santo ganhando dinheiro. O Kiumba também aproveitava para trazer em terra seus falangeiros, que se aproveitam dos médiuns titubeantes da casa. Hoje é dia de gira, no atabaque o ogã já está devidamente bêbado e sob influência dos asseclas do Kiumba. As filhas e filhos da casa cegos em sua fé e sob forte energia maléfica, são capazes de aceitar qualquer loucura ali realizadas.
O falso Marabô está feliz, já olhou a assistência antes de incorporar. Notou algumas pessoas que não lhe despertaram interesse. Algumas mulheres velhas e sem dinheiro, um homem que também não traz dinheiro algum. Vai se divertir com eles. Pronto já está em terra! Atende a assistência como de costume, diverte-se com as angústias, os medos, as dores daquelas pobres almas.

Chega a vez do homem que estava na assistência, ele adentra de maneira lenta. O Kiumba não lhe dá a mínima atenção. Um erro fatal. Pois assim que o homem fica frente a frente com o ser do umbral algo inusitado acontece: o homem incorpora, solta uma gargalhada jovial e desafiadora. Alguns médiuns do terreiro que mistificavam ou recebiam alguns asseclas do Kiumba “desincorporam” convenientemente. O ogã de tão bêbado, acaba por cair ao lado do tambor. A assistência não entende o que se passa. O Kiumba entende, mas para ele é tarde demais. Por estar incorporado ele não tem tanta desenvoltura como gostaria nesse momento crucial. Está só, já que os covardes que o seguiam fugiram dali.
O verdadeiro Marabô está ali diante dele e avança em sua direção. No congá as velas começam a queimar a cortina que protege o altar. Na cafua a pinga aquecida pelas velas também se incendeia. A assistência percebe que algo muito errado está acontecendo e fogem todos. Antes o verdadeiro Marabô se vira para eles e mostra o quanto foram tolos em se deixar enganar.

Fala que devem procurar ajuda, mas em terreiros sérios aonde se pratica a caridade, o amor e a união. Mostra o quanto foram usados. O Kiumba protesta, mas é inútil, a máscara já caiu. Marabô não está só, sua falange e muitos Exus de Lei estão adentrando no falso terreiro. O Kiumba é capturado e levado para o Reino de Exu, onde pagará caro pela insolência. O falso pai de santo está entregue a própria sorte. As chamas consomem o terreiro velozmente. Ao chegar as primeiras viaturas do Corpo de Bombeiro o oficial de plantão presencia uma cena que jamais esquecerá: no meio das chamas o pai de santo é “tragado” por um buraco negro, e some diante dos olhos do atônito bombeiro. Uma risada se faz ouvir. 

Marabô gargalha satisfeito do outro lado. Apesar das chamas o bombeiro sente um frio que lhe percorre a espinha. O terreiro vira cinza e não se acham vestígios do corpo do pai de santo. Justiça foi feita. Saravá Senhor Marabô!!!

Cassio Ribeiro

A Umbanda como Bengala

Bengala

Axé queridos irmãos de fé.

Esse será mais um post com caráter observatório que presenciei durante a minha peregrinação dentro da religião.

A dependência demasiada de alguns irmãos de fé, principalmente alguns mediuns dos mentores para tomarem decisões em suas vidas.

Já é evidente e já deixei claro a minha atual desconfiança com a comunicação de muitos mediuns para com o seu mentor, e isso não me isenta, porque às vezes eu mesmo entro em parafuso se estou ou não, “incorporado”.

O grande problema é que a falta de conhecimento de muitos mediuns aliada a uma comunicação inapropriada gera uma consequência terrível, o medium infelizmente vai falar o que quer para aquele consulente que deposita toda sua fé e esperança naquela entidade. Quantas vezes já presenciei você notar que ali não tem entidade nenhuma, e a pessoa depositar toda sua fé, confidenciar seus segredos, pedir conselhos e quem sabe, saber alguma coisinha que está por vir…

Deixa eu dar minha breve e modesta opinião sobre o assunto: Acredito sim que existem certas tendências no seu destino, acredito piamente que você deve ter algo traçado, destinado a fazer, mas a realização vai depender unica e exclusivamente da sua força de vontade. Tem muitos mediuns que para qualquer coisinha que for fazer, sempre tem que consultar a entidade, vira praticament eum dependente químico, não anda com suas próprias pernas.

Quantas vezes presenciei apenas o ano passado, você sentir, porque minha gente, quem é medium sente, que aquela entidade que você está conversando é praticamente o medium mistificando, seja inconsciente ou conscientemente.

Para esses que mistificam de forma inconsciente, precisam de estudo, de doutrina, quem sabe o tempo ensina, a dedicação ensina, muitos mediuns até entendo que estão lá com ótimo coração, dedicados, empenhados em praticar a caridade, mas no primeiro foco da entidade, já soltam o seu corpo e deixa a “comunicação” falha, suscetível a interferências do próprio medium.

E quando você vai fazer a consulta com a entidade, você ouve mais perguntas que respostas? Ou a entidade começa a falar coisas que nem acontece na sua vida, aquela entidade que fica “adivinhando” as coisas?

Ser medium é extremamente difícil, principalmente dentro da Umbanda, nem todo dia você está bem, nem todo dia a comunicação está perfeita, e nesses dias, seu moral é totalmente degradado, porque uma pessoa mais esperta, percebe na hora que ali não tem praticamente nada do que o próprio medium, graças a essas circunstâncias, muita gente não crê no poder da mediunidade e na existência dos mentores.

Mas voltando ao escopo do assunto, me entristece e até me assusta muitas pessoas contando com esses mediuns para decidirem suas vidas, em um momento de desespero, não conseguimos perceber se ali é o medium ou o mentor porque estamos tão tristes e desesperados para resolver nossos problemas que não nos atentamos aos sinais, aí a suposta entidade concede um conselho errado, a vida da pessoa piora e onde fica a culpa? Na Umbanda.

Ou quando ocorre do guia começar a dar conselhos genéricos e superficiais:

Cuidado com seus amigos… Olha, tem gente com inveja de você, para de sair mais de noite porque está previsto acontecer um assalto… Enfim, são tantos que eu precisaria de vários posts…

Outra coisa que eu acho muito engraçado, é o guia se engrandecendo pelos seus feitos, relembrando as pessoas quando falou isso ou aquilo e aconteceu, para isso eu dou uma simples denominação: Vaidade do Medium!

Já vi pessoas saírem chorando de uma consulta onde era perceptível que não havia NADA ali, só um medium se fazendo de baiano e já de fogo, cambaleando, é lamentável… Para os fracos, ocorre o placebo mental, ouve da entidade que nem é entidade que não vai dar certo, você já energiza toda aquela negatividade  e frustração então a tendência de dar errado é muito maior!

Enfim, o objetivo do post é confiar primeiramente em vocês e na intuição, eu percebi que muitos que leem esse blog não são mediuns, tem muitos simpatizantes e trouxeram-me casos bem parecidos, sobre coisas que as entidades falam, como são genéricas as informações, enfim…

Uma das piores é o mentor olhar pra sua cara e perguntar se você é medium, e não aconteceu comigo apenas uma vez não, aí eu me pergunto, ou eu realmente mistifiquei todos esses anos ou misticando está o medium que está me atendendo…

Uma vez falei com um mentor que possuía um hábito chamado rinotilexomania, ou seja, o vulgo tirar “catota do nariz”. Gente… Pelo amor de Deus né?

Então, como eu disse no ultimo post, estou muito mais focado em depender de mim do que depender de uma consulta, uma irmã veio me trazer um caso que se ela não fizesse um trabalho em até 21 dias, certos espíritos iriam tirar a vida dela, e que a entidade disse isso, duas entidades do mesmo medium. Eu não sou um exímio conhecedor da Espiritualidade, agora uma entidade ter o poder de tirar uma vida em troca de uma mera entrega, vulgo despacho?

Eu ando recebendo muito mais e-mails de assistentes e consulentes do que mediuns, e quando eu acho que já vi de tudo, surge algo para me surpreender.

Senhores, somente uma coisa pra nos livrar de todos esses males: Estudo! É o medium se empenhar em estudar, limpar seu corpo e espírito para que a comunicação possa sair de forma adequada, é o que eu digo, existem iogues e monges que meditam horas e horas por dia e não consegue um transe inconsciente, quem dirá e nós Umbandistas que vivenciamos isso semanalmente, alguns quinzenalmente e assim por diante? A mediunidade consciente é muito COMUM atualmente, é a mais COMUM, então temos obrigação de honrar nosso compromisso de medium para com a espiritualidade e para com nossos mentores afim de levar adiante a bandeira da prática do amor e da caridade, ultimamente a Umbanda vem servindo para levar a bandeira da dúvida e indignação e isso tem que mudar.

E acima de tudo, confiar em nossos próprios intintos, intuição e nossa comunicação, afim de não sofrer frustrações e desilusões com o que nos foi contado.

Confesso que não tive muito tempo de revisar, depois eu vou dar uma relida e corrigir alguns erros de concordância, mas como prometi que ia postar rápido, segue aí o blog que eu havia conversando com alguns irmãos através do e-mail.

Desculpem se esse ano estou mais ácido, menos polido, é que minha indignação está atingindo o ápice! Rs

Neófito da Luz.

Umbanda no Fim dos Tempos?

Saudações Fraternais queridos irmãos.

Recebi alguns e-mails perguntando o porque do meu sumiço repentino. Posso enumerar diversos fatores que contribuíram para isso mas para aqueles que aspiram a Luz Maior, não é desculpa. Quem quer arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. Logo, nada justifica o meu sumiço repentino. Me desculpem.

Precisei sim, me afastar, rever alguns conceitos, estudar um pouco mais a Doutrina, visitar mais casas, e sim, confesso que a minha decepção pelos adeptos da religião fica cada dia mais evidente. Cada dia que passa, quero menos depender de mediuns e sim, depender unica e exclusivamente de mim e dos meus mentores.

Existe um termo muito comentado dizendo “Não sou dono da verdade”, o que eu discordo, eu sou DONO sim da MINHA verdade e da minha concepção de vida, eu sou DONO da verdade que me faz bem, da verdade que me causa alegria, felicidade que me engrandece, sim, eu sou DONO de uma das VERDADES, a que me faz feliz e se adequa ao meu modo de vida.

Visitando algumas casas, pude verificar o indizível desleixo de muitos sacerdotes, inclusive a sujeira do lugar, seja física ou espiritual, mediuns sem doutrina que ficam degladiando-se em toda a corrente, machucando outros mediuns, derrubando atabaques. Infelizmente é incrível quando a religião realmente se adequa à massa, fica submersa a uma ignomínia infinita.

Sim, estou decepcionado com toda a vaidade que presencio dentro dos centros que visitei, um “mentor” querendo aparecer mais do que o outro, um medium recebendo quatro, cinco caboclos em um mesmo trabalho, um baiano que só toma bebida refinada, outra entidade dizendo que só fuma cubano.

Sim, estou indignado com a hipocrisia, com o ego, com a vaidade presente e preponderante nos terreiros, tenho saudades dos preto-velhos que se nao tinha o seu fumo para acender o cachimbo, usavam de qualquer outro artifício para causar o “fumacê”, saudade dos caboclos que não exigiam Heineken ou Serra Malte, e sim, um suco para que pudessem completar sua mandinga, saudades dos exús, que não precisavam ostentar suas capas de cetim aveludado, que podiam fazer qualquer trabalho com Marafo e não “Red Label”. Saudades dos exús que trabalhavam de forma eficiente com um cigarro “Derby” e não charuto cubano importado aromático.

É minha gente… É o antropomorfismo hediondo e ignorante prevalecendo nos terreiros, é a falta de doutrina, de estudo e o oportunismo exacerbado de muitos sacerdores e até mesmo mediuns que se aproveitam da ignorância dos que ali, desesperadamente adentram a procura de socorro.

Ultimamente o que eu ando reparando de guias “chiques”, que só tomam coisas de primeira, que exigem a sua roupa para trabalhar, que a roupa tem que ser de tecido fino, desculpem-me, se for pra depender de guias que ainda infla mais o meu ego, que não me ensina o valor da simplicidade e sim do status, ignoro e aprendo pelos meus próprios passos.

Simplicidade e Humildade não são questionáveis, qualquer imbecil sabe o que é e se essa guerra de vaidades dentro do terreiro é correta, sim, prefiro uma boa literatura a seguir exemplos tão vis.

Isso porque nem vou querer entrar no detalhe daquele show gastronomico, vamos encher a barriga do Orixá para ter o meu pedido realizado… Não consigo limitar a linha entre o fanatismo e a ignorancia, infelizmente!

O maior dos problemas da Umbanda, indubitavelmente é a MISTIFICAÇÃO, seja consciente ou inconsciente.

Sei que serei criticado duramente com esse post, mas não me importo, não vivo disso, e tenho plena consciência do amor pelos meus mentores e pela seriedade que sempre levei a religião, ao contrário de muitos, não procurei desde cedo por cobrança, e sim por curiosidade e amor, a bandeira da prática da caridade, o altruísmo incondicional e o amor recíproco entre terrícolas e habitantes de outro plano.

O que infelizmente presencio hoje é um arsenal de mediuns despreparados,  com a comunicação, ou como queiram dizer, incoporação, em um estado deficiente, dando consultas, utilizando elementos de baixa vibração para trabalhar com magia, presencio “mentores” dando consulta e dizendo coisas infundáveis, desagradáveis, mentores que possuem os mesmos erros do seu próprio medium. Um guia de luz denunciando quem é que enviou a demanda, delatando familiares… Que guia de luz é esse que ao invés de solucionar o problema prefere disseminar a discórdia, a vingança e o ódio delatando quem foi o emissor da demanda? Será que eu que sou tão ignorante a ponto de discordar disso ou tem alguma coisa errada?

Me pergunto exaustivamente, onde iremos parar? Muitos vão dizer: A Espiritualidade sabe o que faz e nós em nossa limitada ignorância não devemos questionar. Sim, é a mesma desculpa que outros fanáticos de outras doutrinas utilizam para o que não podem explicar ou que suas mentes trevosas não podem conceber.

Eu realmente fico triste de como a religião mudou em 15 anos, tenho inveja daqueles que a conheceram ainda antes que eu e puderam sim, presenciar essa maravilhosa doutrina em toda sua essência, sinto imensurável tristeza e me questiono de forma exacerbada:  Onde Vamos Parar???

É medium falando: Eu tenho um pé de Dança maravilhoso, o meu guia dança que é uma beleza, sem falar em mediuns que utilizam suas pombagiras de forma demasiadamente vulgar porque não possuem a coragem de se assumirem e aceitar quem são.

Cada vez que mais adeptos adentram à religião, menos preparados estão os sacerdotes e mais banalizada fica a religião.

Importante salientar que não estou dizendo que existem casas sérias, em nome de Deus, rogo que existam, existem casas que o axé ainda é forte, que existe estudo, existe preparo, existe direção, mas são poucas, quase raras. Visitei dezenas de terreiros esse ano que passou, e posso falar com propriedade, de uns 50 visitados, 2 em minha concepção eu digo, vale a pena explorar a corrente. Obvio que desses dois, capaz de entrar e começar a fazer parte da corrente, muito “podre” será exposto, como um deles mesmo, o sacerdote dormia com os ogans.

Saudades daquela Umbanda simples, de mediuns dedicados, daquele guia que falava e você poderia SEGUIR COM FÉ que dava certo, saudades daquelas mandigas de onde o consulente voltava pra agradecer, saudades daquela simplicidade e eficiência que havia na Umbanda.

Sinceramente, eu em minha limitada existência desconheço os desígnios da Espiritualidade, mas sou de uma filosofia deísta, Deus existe, mas outras forças atuam em nosso plano, e acho pura hipocrisia deixar essa responsabilidade para a espiritualidade, não acredito em um Deus interferente, porque senão o que seria do Livre Arbítrio?

Penso eu que a Espiritualidade está assistindo com Tristeza o futuro de tal maravilhosa religião, sem poder interferir de forma eficaz, porque o Livre Arbítrio é Sagrado, então cada um colherá o que plantou, mas até aí, o que será da Imagem da Religião?

Profundamente chateado com tudo o que eu vi, presenciei, tenho certeza que para muitos o que falei é normal, é aceitável, mas para mim que questiono e reflito sobre tudo, se for procurar bem mesmo e com calma, vão perceber que está tudo errado!

Saudações

Neófito da Luz

Animismo e Mediunidade

 

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Definição de animismo

A palavra ANIMISMO vem do latim ANIMA que significa alma e foi usada, pela primeira vez, por Alexander Aksakov em seu livro “Animismo e Espiritismo” para designar “todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e, mais especialmente, os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo.”

André Luiz em seu livro “Mecanismos da Mediunidade”, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, define animismo como sendo “o conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.” Já Richard Simonetti em seu livro “Mediunidade – Tudo o que você precisa saber”, diz que animismo, “na prática mediúnica, é algo da alma do próprio médium, interferindo no intercâmbio.”

Ramatis no livro “Mediunismo”, pela psicografia de Hercílio Maes, diz que “animismo, conforme explica o dicionário do vosso mundo, é o “sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais”.

“O fenômeno anímico, portanto, na esfera de atividades espíritas, significa a intervenção da própria personalidade do médium nas comunicações dos espíritos desencarnados, quando ele impõe algo de si mesmo à conta de mensagens transmitidas do Além-Túmulo.”

Partindo de definições como estas o termo passou a ser usado de forma negativa e pejorativa para tudo aquilo que fosse produzido por um médium, mas que não tivesse qualquer contribuição ou participação de espíritos desencarnados. Com essa definição o animismo passou a ser o pesadelo de todos os médiuns, especialmente os iniciantes, por ser usado como sinônimo de mistificação e fraude.

Animismo e mistificação

No entanto, mistificação é outra coisa completamente diferente, caracterizada pela fraude consciente do médium e a simulação premeditada do fenômeno mediúnico, com intenção de enganar os outros. Médium mistificador, portanto, é aquele que FINGE, premeditada e conscientemente, estar em transe mediúnico, recebendo comunicação de espíritos desencarnados quando, na verdade, está apenas inventando a mensagem para impressionar ou agradar as pessoas que estão à sua volta.

A atuação anímica do médium, por sua vez, acontece de forma quase sempre insconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é criação mental do comunicante, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente.

É o que nos diz Hermínio C. Miranda em seu livro “Diversidade dos Carismas”, quando afirma que“o fenômeno fraudulento nada tem a ver com animismo mesmo quando inconsciente. Não é o espírito do médium que o está produzindo através de seu corpo mediunizado, para usar uma expressão dos próprios espíritos, mas o médium como ser encarnado, como pessoa humana, que não está sendo honesto nem com os assistentes nem consigo mesmo. O médium que produz uma página por psicografia automática, com os recursos do seu próprio inconsciente não está, necessariamente, fraudando e sim, gerando um fenômeno anímico. É seu espírito que se manifesta. Só estará sendo desonesto e fraudando se desejar fazer passar sua comunicação por outra, acrescentando-lhe uma assinatura que não for a sua ou atribuindo-a, deliberadamente, a algum espírito desencarnado.”(grifo nosso)

Animismo não é defeito mediúnico

O animismo não é, portanto, defeito mediúnico e nem deve ser tratado como distúrbio ou desequilíbrio da mediunidade ou do médium. Na verdade, como parte dos fenômenos psíquicos humanos, deve ser considerado também parte do fenômeno mediúnico já que, como diz Richard Simonetti no livro já citado, “o médium não é um telefone. Ele capta o fluxo mental da entidade e o transmite, utilizando-se de seus próprios recursos“.(grifo nosso) “Se o animismo faz parte do processo mediúnico sempre haverá um porcentual a ser considerado, não fixo, mas variável, envolvendo o grau de desenvolvimento do médium.”

Hermínio Miranda, no livro já citado, diz que, “em verdade, não há fenômeno espírita puro,(grifo nosso) de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, anímicas.”

Interessante também vermos algumas anotações de Kardec referentes a instruções dos espíritos, em “O Livro dos Médiuns”: “A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra.” (…) “O espírito do médium é o intérprete porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância e, na ponta do fio, uma pessoa inteligente que a receba e comunique.”

Em nota de rodapé, José Herculano Pires que traduziu a 2ª edição francesa de “O Livro dos Médiuns” diz que “o papel do médium nas comunicações é sempre ativo. Seja o médium consciente ou inconsciente, intuitivo ou mecânico, dele sempre depende a transmissão e sua pureza.”

Quando Kardec, ainda no mesmo livro, pergunta se “o espírito do médium não é jamais completamente passivo”, os espíritos lhe respondem dizendo que “ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.”

Hermínio Miranda, citando ensinamento dos espíritos no livro de Kardec, diz ainda que “assim como o espírito manifestante precisa utilizar-se de certa parcela de energia que vai colher no médium para movimentar um objeto, também para uma comunicação inteligente ele precisa de um intermediário inteligente, ou seja, do espírito do próprio médium. (…) O bom médium, portanto, é aquele que transmite, tão fielmente quanto possível, o pensamento do comunicante, interferindo o mínimo que possa no que este tem a dizer. Reiteramos, portanto, que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica. (grifo nosso) O cuidado que se torna necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita de animismo, como se o animismo fosse um estigma e sim, ajudá-lo a ser um instrumento fiel traduzindo, em palavras adequadas, o pensamento que lhe está sendo transmitido sem palavras pelos espíritos comunicantes.

Animismo como coadjuvante no fenômeno mediúnico


Quando Kardec, ainda no “O Livro dos Médiuns”, pergunta aos espíritos se “o espírito do médium influi nas comunicações de outros espíritos que ele deve transmitir”, recebe a seguinte resposta: “Sim, pois se não há afinidade entre eles, o espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências.” Em seguida, Kardec lhes pergunta se “é essa a causa da preferência dos espíritos por certos médiuns”, ao que os espíritos respondem: “Não existe outro motivo. Procuram intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento.” 

 

Vemos, portanto, que mais que parte integrante, o animismo é, até certo ponto, condição necessária para o fenômeno mediúnico, garantindo a sintonia adequada para que a transmissão seja o mais fiel possível às idéias do comunicante. Sem o conteúdo do médium é muito mais difícil para o espírito transmitir-lhe suas idéias e o que pretende com elas. De posse do conteúdo mental e até emocional do médium, no entanto, torna-se muito mais fácil para o espírito fazer-se entendido podendo, assim, transmitir com mais naturalidade e desenvoltura o seu raciocínio.

No livro “Mediunismo”, Ramatis nos diz que “mesmo na vida física é necessário ajustar-se cada profissional à tarefa ou responsabilidade que favoreça o melhor êxito ou eficiência para alcance dos objetivos em foco. (…) Da mesma forma, o espírito do médico desencarnado logrará mais êxito ao se comunicar com o mundo material, se dispuser de um médium que também seja médico. Quando o médium e o espírito manifestante afinizam-se pelos mesmos laços intelectivos e morais, ou coincide semelhança profissional, as comunicações mediúnicas tornam-se flexíveis, eloqüentes e nítidas. (…) Os espíritos não se preocupam em eliminar radicalmente o animismo nas comunicações espíritas porque o seu escopo principal é o de orientar os médiuns, aos poucos, para as maiores aquisições espirituais, morais e intelectivas, a ponto de poderem endossar-lhes, depois, as comunicações anímicas, como se fossem de autoria dos desencarnados.”


Notamos, assim, que a preocupação com o animismo é muito mais de médiuns e dirigentes, do que dos espíritos que se comunicam nas reuniões mediúnicas. 

Mediunidade consciente, semiconsciente e inconsciente


Mediunidade consciente é aquela em que o médium, como o próprio nome diz, permanece consciente durante todo o transe, registrando a mensagem e quase tudo o que se passa à sua volta durante a comunicação e participando ativa e conscientemente do fenômeno, imprimindo à mensagem muito de suas características pessoais. Neste caso, a comunicação se faz mente a mente, telepática e/ou energeticamente, sem o desdobramento do médium. Mais de 70% dos médiuns apresentam este tipo de fenômeno.


Mediunidade inconsciente é aquela em que, ao contrário da anterior, o médium, a partir da ligação com o espírito comunicante, fica inconsciente, incapaz de registrar qualquer parte da mensagem ou mesmo de qualquer coisa que ocorra à sua volta durante o transe. Neste caso, o médium é totalmente afastado de seu corpo físico, permanecendo projetado durante a comunicação, e o espírito assume o comando do órgão físico correspondente ao tipo de mensagem (psicografia – braço e mão; psicofonia – garganta; ectoplasmia – cérebro) a ser transmitida, sem que o conteúdo da mensagem passe pela sua mente.

Entre as duas, poderíamos citar a mediunidade semiconsciente que é aquela em que o médium percebe o que se passa à sua volta, mas não é capaz de registrar completamente todos os detalhes, nem mesmo da mensagem que está transmitindo. Neste caso o médium é afastado parcialmente de seu corpo físico e o comunicante se coloca entre este e o seu perispírito, ligando-se tanto com a sua mente como com o órgão físico correspondente ao tipo de mensagem, atuando duplamente.

Importante notar que fenômeno mediúnico consciente não é o mesmo que fenômeno anímico. 


No fenômeno consciente, a mensagem não é do médium, embora ele esteja consciente de todo o processo e participe do fenômeno que ocorre com ele, sem interferir no seu conteúdo, sem deturpar a idéia central da mesma. O estilo, o vocabulário, a forma e o tom da mensagem são seus, mas o tema, a idéia, a essência e o conteúdo são da entidade. Por este motivo, médiuns conscientes costumam transmitir mensagens muito parecidas em termos de estilo e forma, porque é mais ou menos como se recebecem dos mentores um tema e alguns tópicos para redação e coubesse a eles desenvolvê-los, com seu jeito e palavras.

Já no fenômeno anímico, é o espírito do próprio médium que se comunica e dá a mensagem através de seu próprio corpo em transe, na maioria das vezes sem que tenha consciência de que é ele mesmo que está passando a mensagem, mesmo que esteja consciente do fenômeno e durante o fenômeno. Ou seja, ele pode até estar consciente de tudo, mas não tem consciência de que é ele mesmo que está se comunicando e transmitindo uma mensagem. Ele pode acompanhar o desenrolar da comunicação, mas não sabe que o comunicante é ele mesmo, ou uma porção inconsciente de sua própria consciência ou espírito…


Importante ressaltar também que é possível a espíritos encarnados se afastarem de seu corpo físico, em desdobramento ou projeção, e se manifestarem por intermédio de outros encarnados que sejam médiuns sem que, no entanto, este seja um fenômeno anímico. Na verdade, este é um fenômeno mediúnico entre encarnados (ou entre vivos como, incorretamente, se convencionou chamar, já que vivos somos todos encarnados e desencarnados), pois caracteriza-se pela interação espiritual de duas consciências encarnadas diferentes.

 

Por Maísa Intelisano