Agô no cemitério e na encruza, sexo na sexta, antropomorfismo e vaidade do dirigente.

Agô no cemitério e na encruza, sexo na sexta, antropomorfismo e vaidade do dirigente.

Caros irmãos, Namastê.

Hoje vou tentar uma modalidade diferente de post, vou pegar pequenos posts, tentar encontrar alguma relação entre eles e colocar dois, três assuntos diferentes e relativamente coligados.

Esse post esmiuçará um pouco velhos hábitos que temos dentro de muitas religiões, o porquê existem e se realmente fazem sentido. Falaremos um pouco de hábitos e antropomorfismo. Eu encontrei outro dia com uma pessoa passando em frente ao cemitério e pedindo “Agô” a Omulu para que pudesse passar pela porteira.

Eu lembro que já questionei alguns sacerdotes, fui informado que não pedir “Maleme” ou “Agô” na encruzilhada cruzando os dedos e abaixando as duas mãos, dá quizila. Nem preciso falar o quanto eu amo essa palavra “quizila”. Não só pode ocorrer a quizila com o irmão, como também uma punição pela falta de respeito do mesmo ao passar pelo campo mágico de Omulu ou dos Exus.

Mais uma vez é evidente o emprego do antropomorfismo, para quem ainda não sabe o que é essa palavra, segue o link: http://www.infoescola.com/cultura/antropomorfismo-2/

Isso é muito utilizado em religiões monoteístas, principalmente no Antigo Testamento, o Deus Vingativo, aquele que pune, aquele que não perdoa, aquele que condena os errantes ao Fogo Eterno.

Sinceramente, isso pra mim é algo que está mais do que ultrapassado, infelizmente isso é muito cultuado em centros, aquele orixá castigador, punidor, que não perdoa quaisquer falhas dos filhos. Quantas vezes eu já presenciei ameaças de mentores?

Sinceramente, queridos irmãos, eu mesmo nunca me relacionei com esse tipo de mentor, os meus sempre eram passíveis, sempre compreensíveis, amáveis, e olha que já cometi muitas falhas em terreiros, não eram vingativos e sim ilustrativos, eram mentores e não carrascos, existia uma filha na casa que eu trabalhava que falava muito mal de mim, um dia, Chico Preto veio em uma linha que não era dele, desceu pra fazer o trabalho e depois abraçou essa filha e disse baixo, com aquele jeito paternal dele: “Menininha, cuidado com o que tu sai falando, isso deixa as pessoas tristes, eles não sabem, mas eu vejo o que tu tá fazendo”. Isso foi entre ela e ele, até o momento eu não sabia do que se tratava, até que veio em outra linha o exu de outra vítima da calúnia dessa irmã e falou alto, gritou e ameaçou. Aí eu me pergunto: Será que realmente era espírito ou aquilo que eu sempre digo, o animismo exacerbado e o campo emocional do médium tomando conta?

Existem casos e casos, claro que se você desrespeita uma Ordem Direta do seu mentor, DEPENDENDO da vibração dele, você pode sofrer certos castigos, tomar tapinhas, por exemplo, eu tinha um caboclo que pulava muito alto e dava um brado bonito de guerra, já até contei isso no blog, e o centro estava cheio de meninas (sim, já tive 18 anos, [risos]) e eu queria com certeza fazê-lo vir pra inflar o meu ego, infelizmente, naquele dia não era o dia dele, e sim o simpático Senhor Rompe-Mato (Acho que ele só falou uma vez na vida, [risos]) que não vinha de uma forma tão glamorosa, aí firmei, firmei, firmei no outro caboclo, quando senti o caboclo, pulei, na que eu pulei, acho que foi fortes emoções ou ele me jogou no alto de propósito, e estourei o joelho no chão, ficou uma bola enorme durante 20 dias, aí aprendi a lição, fora a vergonha, centro cheio e queria sumir dali.

São muitas pontos que devem chamar a nossa atenção, não acredito em punições severas por parte de mentores de luz, acredito em conversa, em aconselhamento, existe certos castigos, cada caso é um caso, mas muitos temem uma punição severa, perda de trabalho, acidentes. Esse tipo de punição é executada pelos mestres cármicos, através da lei do Retorno, e muitos exus que fazem parte desse trabalho, não descem em Terreiro causando ameaças e sim avisos. Se eu passasse em cada esquina e pedisse licença, seria um transtorno e até mesmo vexaminoso, porque eventualmente cruzo esquinas com amigos, colegas de trabalho, etc.

Nunca fui punido por ninguém por não pedir essa licença, e graças a Deus tenho ótimo relacionamento com a linha da esquerda.

Logo, vamos começar a pensar mais e esquecer velhos hábitos, tentar entender porque existem certos fundamentos e conceitos, o que acontece com muita gente, a esmagadora maioria é que segue o que é dito, não perguntam o porquê, agem por osmose, fazem porque outras pessoas fazem e isso é causa tanto desentendimento, superstição e ignorância dentro dos terreiros e até mesmo igrejas. Entendam o porquê vocês fazem certas coisas e se o sacerdote te diz que não tem permissão para dizer ou ainda não é o momento de explicar conceitos tão simplórios, é que ele mesmo não sabe!

Eu frequentei um centro uma vez onde comemorava-se o dia de Oxalá na sexta-feira, onde não poderíamos fazer nada, nem sexo, nem bebida alcóolica, o que nunca foi problema pra mim que raramente eu bebo, não podia nem dar um beijo gostoso na namorada e nem tampouco, já que somos todos adultos aqui, se masturbar.

Eu concordo plenamente em se abster de certos elementos e hábitos no dia que precede os trabalhos mediúnicos, mas em uma sexta-feira onde o sábado não terá trabalhos espirituais, nada mais é que superstição ou vício de estudo, ou seja, uma tradição que seguimos por hábito e não por fundamento. Alguém lá atrás teve uma coincidência e decidiu que seria assim. Eu trabalho muito com mentores de Oxalá, mesmo porque meu Xangô é cruzado com Oxalá e Sr. Urubatão da Guia, Rei das Sete Encruzilhadas, Rei Boiadeiro são todos mentores da vibração de Oxalá e nunca recebi nenhuma punição por isso. Existe muitas superstições dentro dos terreiros e esquecem demasiadamente que o que faz um excelente médium ter um excelente trabalho, é o seu coração, a sua dedicação para com o próximo, o seu amor para com seus mentores e os preceitos solicitados. Eles entendem perfeitamente que você é vivo, tem uma vida, repleta de defeitos e paixões, e que você deve vive-la para aprender, e esses preceitos de dia de Oxalá sem sexo, preceitos que fica 30 dias sem relações sexuais ficou lá atrás.

Até acredito sim, que devemos guardar o corpo por alguns dias, sim, acredito, mas não tanto tempo, eu já fui mais novo, meus hormônios estavam à flor da pele, saí de um preceito, mesmo solicitado pelo mentor três dias de resguardo, saí correndo para ter relações com a namorada e tomei uma queimada do nada em meu braço, depois meu marinheiro disse que foi porque eu não respeitei e queimou o charuto no meu braço.

Ai entra a questão: Ué, você não disse que não punem? Eu também disse que há casos e casos, essas são pequenas advertências mais enfáticas, não é um caso de perder namorada, ficar doente, perder o carro ou até mesmo o trabalho, o que eu ouço muito “mentor” ou sacerdote dizendo.

Não existe uma Regra Universal, como eu sempre digo, mas um Conjunto de Boas Práticas e uma boa dose de Bom Senso.

Se você não é casado com alguém da religião, fica impraticável a convivência, principalmente começo de casamento onde os hormônios e paixões sobressaltam nossos sentidos, se você vai fazer uma obrigação que demanda 30, 60 dias de resguardo, fica complicado, mesmo porque nunca os meus me pediram isso, como já relatei, foram no máximo três dias que por ser muito novo, não havia respeitado e aprendi de forma “quente” a lição.

Portanto, sexo na sexta-feira pra mim nunca foi um problema, desde que não precedesse os trabalhos da casa, dia de Oxalá é uma coisa, agora não precisa de abdicar de tudo, Oxalá é Paz, Equilíbrio, não dá quizila nenhuma curtir sua sexta-feira, quando suas obrigações mediúnicas foram cumpridas. Muitos médiuns confundem obrigação mediúnica, com dedicação e resguardo.

Você pode viver felizmente a sua vida, curtir seus amigos, ir para um “Happy Hour” na sua sexta-feira, curtir a sua vida, afinal, viemos aqui para viver de forma intensa, obviamente não estou falando pra você se alcolizar, participar de orgias, mas curta, tome um vinho com sua companheira, curta-a, faça da noite algo especial, aliás, é o dia que precede o final de semana, o dia tão esperado por muitos. Eu mesmo já fiz sem aquele peso na consciência porque nunca me obrigaram a tal. Antes de acreditar nessas superstições e preceitos da religião, consulte os seus guias, eles te informarão melhor do que ninguém o que deve ser feito.

Outro caso complicado são os sacerdotes que exigem que os filhos se ajoelhem ou peçam a benção independente de onde encontram, esse mesmo centro, o sacerdote inflado de vaidade exigia isso, em um dia eu o vi de longe do outro lado da rua e estava com dois amigos, confesso que fingi que não vi, mas ele mais esperto que eu percebeu e depois, uma coisa que era muito comum no centro, o que ele tinha que falar, usava o Sr. Zé Pelintra, era incrível, toda coisa que o irritava, o Sr. Zé Pelintra que falava e ficava impressionado como todos ficavam boquiabertos ou até mesmo pasmos com esse Zé Pelintra, que dava bronca e falava. E eu já como era meio cético por volta dos meus 22 anos, já ia a fundo nos estudos, percebia que o Zé Pelintra era a forma que ele tinha de se manifestar e ter mais respeito dos médiuns e assistentes da casa.

Quantas vezes eu vi aquele Zé também dizendo tudo o que ele havia feito, vivia falando: “Não falei que isso ia acontecer?”, “Eu falei que isso não daria certo!”, “Eu que fiz isso, você viu que quando prometo, eu cumpro?”. Isso nada mais é que a vaidade do médium tomando conta da comunicação. Atentem-se. Aquele que ajuda de coração, ele ajuda sem precisar dar satisfação, aquele que ajuda e quer mostrar, nada mais quer que holofotes sobre ele. Existe uma grande diferença entre ajudar porque faz parte da natureza em ajudar, em querer bem e ajudar para mostrar, isso não é ajuda e sim vaidade! Quem faz por amor, faz no anonimato não esperando reconhecimento. E isso não é diferente no mundo espiritual.

Esse mesmo sacerdote, não deixava médiuns que mesmo que tinha caciques usar cocares grandes e nem marinheiros usarem quepe, mesmo sendo Martinho onde a grande maioria utiliza, porque o único capitão do mar era o marinheiro dele. Medíocre!

Sacerdote que pede para se ajoelhar não quer respeito, quer inflar o seu ego, é vaidoso. E o mais importante, que vai ficar para o próximo post, ele exige isso, porque zela pelo seu santo, e seu “santo”, não precisa de zelador! [Risos].

Zelador que exige ter sua mão beijada, quer seguidores, se considera acima dos seus filhos, onde está tudo errado, já vi médiuns, filhos da casa serem médiuns muito superiores ao próprio sacerdote da casa.

Esse foi um mix de assuntos, teremos mais em breve para assuntos que são muito curtos.

Namastê.

Neófito da Luz.

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Diálogo sobre Masturbação na Umbanda

Por Benjamim Teixeira (Esp. Eugênia)

(B) – Eugênia, seria abusivo perguntar sobre masturbação?

(E) – A forma de me perguntar já revela a necessidade de se ventilar a temática. Claro que sim. Tudo deve ser falado, sob a perspectiva da Espiritualidade, principalmente o que é foco de tabu, porque, então, os automatismos neuróticos e destrutivos, bem como as fixações culturais e sociais, agem mais livremente a prejuízo de comunidades e indivíduos.

(B) – No passado, Eugênia, tratava-se a masturbação como pecado ou como desequilíbrio que até poderia causar distúrbios mentais e físicos. A medicina (auxiliada pela psicologia e pela sexologia) eliminou os fundamentos de tais crendices populares (que tiveram muito apoio de gente instruída, em tempos idos), mas, no meio espírita, ainda se considera a masturbação, como vampirismo ou desvio de função das energias sexuais, um desperdício, qual se todo ato masturbatório indicasse uma queda em tentação. Poderia nos falar algo sobre estas considerações?

(E) – Sim. É gritantemente necessário que o postulado básico de acompanhar a ciência seja lembrado entre aqueles que desejam, sinceramente, desposar o Espiritismo como filosofia de vida. Apegar-se a velhos conceitos, por tradição, por medo de enfrentar o novo ou por receio de ser plenamente responsável pelos próprios atos, é de tal modo descompassado com a modernidade, que nos eximimos de expender mais comentários a respeito. Importante lembrar que médiuns acabam filtrando, inconscientemente, o pensamento das entidades que se manifestam por seu corpo mental, de modo que refrações sutis e graves podem se dar (e se dão sempre, em algum nível). Eis por que a vigilância deve ser acentuada, sobremaneira quando condicionamentos culturais e convenções muito cristalizadas estão envolvidos.

O que tem dito a ciência sobre o assunto? Que a masturbação é algo natural e até desejável para o indivíduo adulto; e que, mesmo entre aqueles que já têm a vida afetiva disciplinada nos corredores da educação conjugal, é compreensível aconteça o fenômeno do onanismo (para os dois gêneros), que se revela mesmo imperioso, amiúde, quando os ritmos sexuais dos parceiros não se alinham, a fim de que um não incomode o outro na satisfação de suas necessidades de fundo psicofisiológico, nem alguém se frustre na quota de libido que lhe não seja possível imediatamente canalizar para atividades não-sexuais, sem gerar recalques indesejáveis.

Seja na tenra idade, seja em idade avançada, para solteiros ou casados, hétero ou homossexuais, o fenômeno masturbatório pode ser comparado à ida ao banheiro para a excreção dos detritos alimentares. Há abusos, sem dúvida, como os há em tudo na existência humana. Os ritmos sexuais podem ser exacerbados, na compulsão, ainda que se não tenha parceiro para a prática. Cada caso é um caso, e, somente com profundo autoconhecimento, a criatura descobre o sistema apropriado ao seu modo de ser, em função do bem-estar geral, da produtividade, da criatividade e do sentimento de equilíbrio íntimo, que constituem alguns dos resultados da vida sexual resolvida.

Quanto ao vampirismo, pode acontecer também na vida afetiva a dois, sempre que os desajustes da perversão e da promiscuidade invoquem, para a alcova do casal, presenças extrafísicas de baixo calão vibratório, pelo próprio diapasão de desequilíbrio em que se expressam em seu momento de intimidade.

(B) – Que bom, Eugênia! Creio que estas suas colocações esclarecedoras vão ajudar muitas pessoas. Entretanto, você aludiu a “perversão”, e este conceito me parece muito amplo e difuso, pelo mesmo motivo de os preconceitos adentrarem este departamento valorativo. Temos muita dificuldade em aceitar e conviver com nosso lado animal, e muitos são os que têm vergonha e não se soltam em funções elementares de sua própria fisiologia, tudo tendo como sinal de depravação, primitivismo e imoralidade. O que você quis dizer por “perversão”? Digo, porque, inclusive, na temática “masturbação”, está em jogo, normalmente, o fator “fantasia”, que pode incluir itens que não sejam desejados também na relação concretizada a dois – estou certo?

(E) – O tema é muito complexo, e, sem dúvida, não o esgotaremos nesta nossa primeira fala a respeito. Por outro lado, não somos autorizados por Nossos Maiores, ainda, a discorrer abertamente sobre o assunto, porque mentes menos amadurecidas, levianas, despreparadas para nos ouvir, poderiam fazer mau uso de nossas afirmações. O que podemos dizer é que tudo que lese física, emocional ou moralmente alguém pode ser enquadrado no capítulo “perversão”, ao passo que tudo quanto promova o bem-estar biopsíquico, o crescimento psicológico e a boa relação entre as criaturas não pode ser considerado como distúrbio moral ou patologia psíquica.

O quesito “fantasia” é ainda mais intrincado, porque, freqüentemente, melhor que se liberem certos conteúdos indesejados (e ainda não de todo domesticáveis) da psique, por meio das ferramentas imagéticas, do que fazê-los colapsarem no próprio comportamento, em surtos que se chamam, em psicologia junguiana, de “possessão pela sombra” (*). Os princípios de civilização, entretanto, devem sempre reger tais processos mentais, na promoção da educação e da melhoria progressiva dos indivíduos, dos mais ínfimos aos maiores gestos, dos mais secretos aos públicos. A gerência de tais impulsos – que, como disse, não podem, em sua totalidade, ser de pronto sublimados – corre por conta da responsabilidade de cada um, em função do próprio e do bem comum.

(B) – Algo mais desejaria dizer, por ora?

(E) – Que se procure, em tudo, o ponto de vista do bom senso, do equilíbrio, da visão de conjunto, e dificilmente se incorrerá em erros graves de conduta, seja consigo mesmo, seja nas relações interpessoais.