Fechamento de Corpo…

Chaka de Virgem, o mais místico dos cavaleiros. O cara é “zica”!!!

Saudações amados… Aqui quem vos fala é esse cabra rabugento, o neófito.

O artigo dessa semana refere-se a um bate-papo que tive com a irmã Simone Duarte e que achei prudente, e como o outro artigo que estou desenvolvendo sobre “trocar de casa”, acho que demorei demais escrever sobre um tema tão “estressado” e mencionado nas casas de Umbanda.

Ano passado, tive um e-mail de uma irmã de MG que vendeu até carro para “fechar” o corpo, esse fato de fechar o corpo tem vários significados, dos quais serão explanados no decorrer do texto.

O ato de fechar o corpo em muitas crendices, significa proteger o corpo contra influências negativas, seja contra o olho gordo, a própria inveja (alguns diferem do olho gordo), a demanda, a magia negra, o feitiço, a amarração e afins. Há quem venda em OFF, esse povo aí que ministra cursos de magia, que vendem patuá contra qualquer negatividade pela bagatela de R$ 200,00, e vende muito minha gente, como vende.

O maior inimigo do ser humano é a ignorância, e muitos se aproveitam desse grande adversário, desse grande satanás para converter em riquezas, e muitos me acham severo e austero por não ter dó dessas pessoas e continuo afirmando, não o tenho, que perca menos tempo no whatsapp e Facebook e utilize seu tempo para o estudo, para a busca de conhecimento, para a remoção de dúvidas, e baseado nessas crendices populares é que muitos dirigentes ganham MUITO dinheiro com SACUDIMENTO, EBÓS, BANHOS DE LIMPEZA, AMULETOS, PATUÁS e outros “Trabalhinhos” para remover demanda do filho.

Em meus quase 20 anos de Umbanda, em meus quase 24 anos de misticismo e já tendo uma casa sob minha responsabilidade durante seis anos, afirmo com veemência que o principal elemento de “fechamento” de corpo (Se é que essa disgrama existe) é o seu plano mental, o médium que quer bloquear influencias negativas, deve começar em sua própria mente, não adorando objetos, mas sim conhecendo e valorizando a si mesmo, muitos se rendem ao efeito placebo, às vezes o dirigente não fez nada, mas um banho diferente que ele deu, pronto, está aí a nova figura Divina em nosso plano para esse necessitado. Elementos magísticos existem, possuem energia, mas são ELEMENTOS AUXILIADORES.

Tenho um caso muito comum sobre “trazer o amor de volta”, uma amiga, que terminou do seu noivo por motivos que não fazem parte do escopo do assunto, ela simplesmente terminou e deixou o noivo na pior, o cidadão ficou o bagaço, ficou triste, deprimido, não comia, mas ela me disse que ainda gostava demais dele e fez isso para ele abrir os olhos, que iria voltar com ele, mas ele precisava mudar, aprender, ela confidenciou isso somente a mim, e como eu era muito amigo dos dois, o noivo me informou que estava procurando um terreiro, para trazê-la de volta na marra, à força. Eis que esse meliante pagou pela bagatela de R$ 3000,00 e 3 semanas depois teve o seu amor de volta, do qual já estava CERTO de voltar, foi apenas uma forma dela fazê-lo amadurecer, mas bastou isso para ele depender de qualquer coisa para o dirigente, era para emprego, era para passar no vestibular, era pra tirar dúvidas, até ele abrir o olho de toda essa ilusão, já havia investido quase R$ 20.000,00 para esse dirigente extremamente impreciso e desonesto.

Em uma visita que eu fiz com esse meu amigo, o noivo dela, esse dirigente me disse que eu tinha amarração de uma ex-mulher e que eu teria que remover urgente essas duas pomba-giras que atentavam contra minha vida, e me disse que por apenas R$ 2000,00 removia-as e a mandava de volta, eu só não fiz isso, como 4 anos depois ainda fui tirar sarro da cara dele.

Então, temos que nos atentar a esse objetivo de “FECHAR” o corpo. É realmente necessário? Por que? Fechar para o que? Que provas vocês tem que foram “demandados”? Ainda existe o fator psicológico que conta muito, e esses dirigentes sabem como ninguém plantar a sementinha da discórdia, basta a palavra certa para remoerem e definharem em pensamentos tudo o que poderia ocorrer de ruim e começa o desespero para remover essa suposta demanda.

AFIRMO COM TODA A CERTEZA, FECHAR O CORPO É TÃO EFICIENTE QUANTO DEIXAR DE COMER DURANTE 30 DIAS PARA EMAGRECER. NÃO FUNCIONA!!! (Podem pesquisar o pq)

Como acabei de dizer, o que mantém seu corpo fechado são seus pensamentos, o que te blinda contra qualquer influência que pode ocorrer é o patamar vibratório do qual você está inserido, no Popular, se você está na MERDA, não adianta lavar com perfume de alfazema e farofa de banana, vai FEDER do mesmo jeito, é o mesmo que medicar um xarope para um paciente que está tossindo, você está atacando apenas o sintoma, a doença que gera esse sintoma continua ali, pode ser tuberculose, pode ser coqueluche, sinusite, bronquite, asma e até mesmo câncer. Como vão curar um câncer com xarope expectorante? Significa que elementos para o fechamento são totalmente SUPERFICIAIS e quando funcionam, é por um breve período de tempo.

Se quiserem pagar R$ 2000,00 para fechar o corpo, estou aceitando R$ 1000,00 para converter em cestas básicas a quem precisa e não para pai de santo safado, aproveitador e ignorante, e ainda passo a vocês como afastar toda essa parafernália que incomoda alguma área de sua vida.

Me lembra muito a famosa água benta, o padre dá uma rezadinha na água e ela já se torna poderosa, e sabemos que as coisas não são bem assim.

Fujam dessa cilada de fechar o corpo, de passar galo, farofa, ovo, perfume, tomar surra de espada de são Jorge, nada disso vai funcionar se sua mente não está no patamar vibratório de negação dessa força, como disse acima sobre a tosse, estão pagando, tratando com um xarope onde na verdade, vocês possuem um câncer, uma inflamação ou qualquer coisa perigosa. Antes de receitas miraculosas, entendam o motivo, a causa das perturbações de vocês, a intuição é sempre uma ótima aliada nessa situação, antes de se aventurarem a ouvirem charlatões, procurem a verdade em vocês mesmos, não adianta o cidadão fazer trabalho para arrumar um emprego e ficar dentro de casa o dia inteiro ou ele fazer todo um trabalho espiritual e ficar achando que não vai sair do buraco.

A limitação está somente na mente de vocês, lembrem-se disso, podem se encher de patuás, banhos de ervas, possuírem 5 pais de santo na causa, mas se a cabeça de vocês não está conduzindo de forma correta as bênçãos recebidas, se você está bloqueando a graça, não adianta q nada dará certo, sua mente é sempre 80%,90% do processo, o resto é auxilio, superstição ou elemento de direcionamento de fé, apenas isso.

Ainda tem aqueles que desejam fechar o corpo para não receberem mais entidades, ledo engano, pobres ignóbeis que acham que os dirigentes possuem poder para “lacrar” todo o canal mediúnico que possuem, nenhum dirigente é digno de poder e conhecimento para BLOQUEAREM sua mediunidade, outros falam sobre fazer diversos agrados para os guias deixarem o médium em paz, como se os guias fossem mendigos sedentos por esmola e no primeiro prêmio imbecil desistem de tudo o que foi preparado, da missão para com os que necessitam e da missão para com o seu protegido.

É o que eu falo, senhores, irmãos leitores, não precisa ser gênio, basta um pouco de reflexão, de lógica de raciocínio para compreendermos que essas fórmulas mágicas são mecanismos do opróbrio, essa leniência que ocorre nos terreiros é que devem acabar.

NÃO EXISTE AGRADO PARA GUIA TE DEIXAR EM PAZ, SE ELES OS DEIXARAM EM PAZ, NÃO FOI MANDIGA, PODER DE DIRIGENTE OU FECHAMENTO DE CORPO, FOI APENAS OPÇÃO DELES, OPÇÃO ESSA QUE LHE CUSTARÁ MUITO CARO, NESSA OU EM OUTRA EXISTÊNCIA, PORQUE VOCÊ SIMPLESMENTE FUGIU DE UM COMPROMISSO E DEIXOU AMIGOS E IRMÃOS “NA MÃO”.

Trancar a mediunidade é tão eficiente quanto colocar um cadeado em um portão de gelo, tão eficiente quanto colocar várias fechaduras e trincas em um portão de 1,30m de altura.

O que a espiritualidade imprime a vocês, somente com a intervenção de algo divino ou devidamente evoluído para interromper o fluxo cármico sobre vocês, o que é um caso extremamente raro de acontecer.

Para não ficar demasiadamente comprido o texto, que fique aqui a minha conclusão resumida:

Fechamento de corpo existe para supersticiosos e aproveitadores, seja para afastar uma demanda, uma amarração ou qualquer outro trabalho feito, o que blindará vocês será a camada vibratória da qual estão inseridos, repito, não adianta estarem no frio do inferno esperando que a faísca de um fósforo os aquecerão por completo, aprendam a andar com suas próprias pernas, sejam menos dependentes, a Umbanda é para ajuda, para auxílio, conhecimento, para nos dar um norte, é nossa bússola espiritual, não é para viver a nossa vida, não é para viverem por nós e para limparem todas nossas “cagadas”.

E por fim, se já pisaram em algum terreiro e seus guias espirituais precisam realmente trabalhar, eles podem até aceitar ficar um tempo fora, compreender que você precisa do seu tempo, de desenvolver a sua vida, porque estamos vivos, precisamos estudar, precisamos trabalhar, precisamos curtir, esse tempo obviamente é compreensível, mas se acham que ficarão ilesos da responsabilidade mediúnica sem nenhuma sequela: LEDO ENGANO!

E não é que cobrarão através de castigos, te punirão, farão você comer o pão que o diabo passou, não, não é isso, mas todo médium tem o seu canal aberto e vive captando frequências externas, e o médium é um holofote cósmico, atrai tudo o que há de bom e ruim também, então, baseado no grosseiro exemplo do futebol (QUEM NÃO FAZ, TOMA!!!) assim é a mediunidade, se você não a canaliza com elementos sutis, elementos de alto patamar vibratório, e não digo somente incorporação não, é fazer da sua mediunidade a ferramenta de caridade, seja com passes fluídicos, seja com uma intuição, uma clarividência, não estou só falando de ficar “espiritando” não, mas se não canalizam para o bem, esse canal pode ser utilizado de forma maestral para o mal. Não duvidem e nem hesitem quanto a isso. O canal não é preenchido com luz, ele “atrofiará” e será preenchido com trevas! FATO!

Um copo de coca, um brigadeiro e uma maçã tem a mesma quantidade calórica, qual é a mais saudável? Ambas te fornecerão a energia necessária (energeticamente falando), porém, qual é a mais saudável? E que possui mais nutrientes? A grosso modo, assim é o seu canal mediúnico, ele terá que ser preenchido de alguma forma, cabe a você escolher.

Se ouvirem qualquer dirigente falar que por alguns elementos mágicos seus guias se afastarão e não precisarão mais trabalhar, é a famosa máxima capitalista: Pra todo esperto, tenho alguns trouxas e com isso, te afirmo veementemente que você não está fazendo o papel de inteligente, da mesma forma que te cobrarem para fechar o corpo, como se fosse um repelente de insetos que qualquer remedinho no corpo afastará todo o mal, LEDO ENGANO. Deixe isso para os filmes sobrenaturais, os filmes de bruxaria e afins, na vida real, a coisa não é tão simples!

Um texto extenso, chato e sem revisão, porque nem eu estou com paciência para relê-lo! Rsrs

Namastê.

Neófito da Luz .’.

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Desobsessão do Sr. Marabô

Disponibilizamos um trecho do livro Os Dragões, que mostra um trabalho de desobsessão realizado pelos espiritos que se apresentam na falange do Sr. Exu Marabô.

Sem se opor à minha presença, partimos em direção às furnas do mal. Clarisse, eu, Cornelius e mais um grupo de defesa do Hospital Esperança.

Chegando ao local, presenciei algo inusitado. O ciclope da mitologia grega não era pura imaginação. Indaguei de chofre:

— Quem são os ciclopes, Clarisse?

— Espíritos rudes a serviço do mal. Estamos na região subcrostal chamada Pântano das Escórias, subúrbio enfermiço do Vale do Poder. Aqui são feitos prisioneiros os servidores da maldade organizada que não obtiveram êxito em seus planos nefandos. Castigos e sevícias de todo o porte são levados a efeito nestas plagas.

— Por que viemos aqui?

— Venha! Vamos encontrar nossa equipe.

Logo adiante estava Eurípedes com uma equipe de vinte a trinta defensores. Tinha o braço ferido. Quem imagina os espíritos isentos dessa contingência, não concebe com exatidão os mecanismos fisiológicos e anatômicos do corpo espiritual, sujeito, nas proximidades vibratórias da Terra, às mesmas injunções de saúde e doença, dor e prazer. Um corte de dez centímetros na altura do ombro do benfeitor era cuidado com carinho por uma diligente enfermeira da equipe. A diferença ficava por conta do domínio mental. Enquanto era tratado, conversava atentamente com os presentes sem demonstrar uma nesga de sofrimento. Os ciclopes o feriram com seus chicotes impiedosos. Tive ensejo, ali mesmo, de manifestar meu carinho ao amigo querido. Embora minha surpresa, o tempo e a experiência foram me mostrando que tudo era possível ocorrer em tais tarefas socorristas. Incêndios, tiroteios, ciladas, guerras armadas e outras tantas manifestações de violência já conhecidas da humanidade. Não cheguei a ver os ciclopes naquela ocasião, mas só a onda de crueldade deixada no ambiente já me apavorava. Clarisse não regateava esclarecimentos a mim.

— Estamos no inferno de Dante, dona Modesta.

— Parece-me ser até pior do que ele descreveu.

— Sem dúvida.

— O que faremos agora?

— A tarefa por aqui já está cumprida. As entidades que necessitavam de socorro já foram levadas para onde prosseguirá o trabalho.

— Eram almas arrependidas?

— Não. Eram escravos da perversidade. Servidores inconscientes das sombras. Foram necessárias mais de quatro horas de intensas iniciativas para alcançar resultados no amparo. Ainda assim, veja o estado de nossos companheiros. Eurípedes ferido, os defensores exaustos e tudo isso apenas para que seis entidades pudessem ter acesso à manifestação mediúnica.

— Vão se comunicar a essa hora da noite? Que centro abriria suas portas? – expressei sabendo que já passava da meia-noite no relógio terreno.

— Os verdadeiros servidores cristãos só se utilizam do relógio com intuito disciplinar. Não condicionam o ato de servir aos ponteiros limitantes do tempo. Visitaremos o Centro Umbandista Pai Guiné, nos arredores de Uberaba.

— O pai-de-santo Ovídio?

— Ele mesmo.

Tive de confessar, em um primeiro momento, meu preconceito. Guardava respeito pelas demais religiões, entretanto, nunca havia refletido sobre quem seriam e onde estariam as cartas vivas do Cristo. Por uma tendência natural asilei o despeito. Ainda bem que foi algo muito passageiro em meu coração, porque as experiências fora e dentro da vida corporal, cada dia mais, apresentavam-me uma realidade distante das ilusões que adulamos sob o fascínio impiedoso do orgulho na sociedade terrena dos mortais.

Após as despedidas, a equipe de Eurípedes regressou ao hospital. O pedido de socorro foi uma medida preventiva. Apesar dos feridos e exaustos, todos guardavam o clima da paz.

Por nossa vez, partimos para o Centro Pai Guiné. Era um ambiente agradável em ambos os planos. Ao som dos atabaques, eram cantados os pontos em ritmo vibratório de alta intensidade. Cada canto era como uma verdadeira queima de fogos de artifício. Uma bomba energética explodia no ar em multicores.

Em uma das várias dependências astrais da casa havia uma enfermaria com oitenta leitos bem alinhados. Tudo nesse salão era limpeza e calmaria. Lá não se ouviam mais os cantos, e a conexão com o plano físico limitava-se ao trânsito de enfermeiros pelos vários portais interdimensionais. Regressamos ao ponto de intersecção vibratória com o plano físico.

Seis macas estavam dispostas no canzuá (terreiro). Em cada qual havia uma entidade de aspecto horripilante. Olhos que quase saíam das órbitas oculares, pele murcha, enrugada e suja, garras enormes no lugar das unhas, com dez centímetros, nas mãos e nos pés, todas retorcidas como as de águia. Magérrimos e nus. Causavam náuseas pelo odor. Olhavam para nós deixando claro que nos viam e, literalmente, grunhiam como porcos com a boca semiaberta. Alguns deles estavam muitos inquietos nas macas. Retorciam-se como se estivessem com dor, sem manifestar nenhum som. Vários hematomas estavam expostos em todos eles, devido aos castigos impostos nos paredões de penitência.

— As garras são colocadas para impedir a fuga. Não andam nem têm grande habilidade manual – informou Clarisse, com manifesto sentimento de piedade.

— Como serão socorridos?

— Pela incorporação profunda ou vampirismo assistido.

— Nos médiuns umbandistas?

Mal terminei a pergunta e vi uma cena nada convencional. Um dos enfermeiros da casa pegou uma das entidades no colo e jogou-a no corpo do médium.

Demonstrando câimbras na panturrilha, o médium, incontinenti, absorveu mental e fisicamente o comunicante que se ajeitou no corpo do medianeiro como se deitasse em um colchão, buscando a melhor posição. Os atabaques aceleraram o ritmo, criando um frenesi de energia no ambiente. Formavam-se pequenos redemoinhos de cor violeta e prata, que se desfaziam e refaziam em vários cantos do terreiro. Modulavam conforme a nota musical dos hinos cantados.

O médium estrebuchou no chão. Convulsões e grunhidos seguidos de gritos de dor. Ovídio, o pai-de-santo aproximou-se e disse:

— Oxalá proteja seus caminhos, filho de Zambi (Deus).

— Eu sou filho do capeta. Quem és tu para falar comigo? – redarguiu a entidade, que agora falava com facilidade por intermédio do médium.

— Sou um tarefeiro da luz.

— Eu sou uma escória da sombra.

— Engano, criatura!

— Não vê minhas garras? Sabe o que isso?

— Conheço essa técnica. São ferrolhos do mal.

— Vejo que estais acostumados ao mal.

— Vim desses vales da sombra e da morte – falava Ovídio com firmeza na voz.

— Mas andas e és livre. Estais no corpo, enquanto eu… Eu sou um verme roedor… Ou quem sabe uma águia que não voa… Nem sequer consigo andar graças a essa maldição que colocaram em meus pés… Nem comer mais… Veja minhas mãos… Eu tenho fome e sede.

— Em que te posso ser útil irmão? – indagou Ovídio debaixo de uma forte vibração.

— Quero bebida e comida. Quero que cortem minhas garras.

— Laroyê! Laroyê1 – gritou Ovídio já incorporado por um de seus guias que entoava o canto: “Eu sou Marabô2, rei da mandinga. Eu sou Marabô, exu de nosso Senhô. Laroyê!”

Uma energia colossal movimentou-se com a chegada do Exu Marabô. Os filhos-de-santo o saudavam com palmas rítmicas e pontos próprios da entidade. Muitos deles iam até Marabô, baixavam a cabeça em sinal de reverência à sua frente e batiam três palmas rítmicas na altura do abdômen do médium.

— Que tu quer, homem esfarrapado. Bebida pra mode se arrebentá mais?

— Não, senhor Marabô. Não é isso não.

— Não mente pra Marabô. Marabô sabe ler os ói (olhos). Nos ói tá a visão, mas tá também a verdade e a mentira.

— Eu não minto, senhor. Quero liberdade.

— Pra fazer o que dá na cabeça? Home tu preso é um perigo, livre é um desastre.

— O que o senhor vai fazer por mim? Não pedi a ninguém pra sair daquela joça de lugar fedorento. Por que me trouxe aqui?

— Não fui eu quem trouxe home. O véio Bezerra da luz é teu protetor. Sirvo a ele na graça de Oxalá, Pai de poder e misericórdia.

— Que queres comigo?

— Está feliz na matéria do cavalo (médium)?

— Sei que não é minha. Quero uma só pra mim.

— Esta gostando do contato?

— Só fartó bebida e comida.

— Olha suas garras.

— Não pode ser! O que aconteceu?

– O cavalo (médium) ta dissolvendo suas algemas.

– Pra sempre?

– Pra sempre!

– Quanto vai me custar?

– Nada. É serviço de Pai Oxalá. É de graça. Pedido do veio Bezerra de Menezes. Se voltar pro inferno, elas crescem de novo. Se subir com Bezerra da luz, vai ser cuidado no hospital da sabedoria, onde reina os filhos de Gandhi.

– Filhos de Gandhi? Por que se interessaria por escórias como nós. Veja lá nas macas os amigos estropiados – e apontou para a sala ao lado.

– Nada retira do ser humano a condição de Filho do Altíssimo…

Ramatís e a Pólvora

PERGUNTA: Há fundamento na queima de pólvora ou círculo de fogo em torno das pessoas enfeitiçadas, como é próprio dos terreiros?

RAMÁTIS: Quando a pólvora é queimada num ambiente “ionizado” pelos técnicos benfeitores do mundo espiritual, ela age por eletrização e pode até causar queimaduras violentas em certas entidades ali presentes, cujo perispírito muito denso e sobrecarregado de éter-físico ainda reage sob os impactos do mundo material. Os espíritos subversivos ou obsessores fogem espavoridos do ambiente onde atuam, quando a queima de pólvora é feita por médiuns ou magos experientes, pois alguns deles são bastante escarmentados em tais acontecimentos. A pólvora prepara pela arte da magia age de modo vigoroso e positivo no lençol elétrico e magnético do mundo oculto, pois além de acicatar os espíritos malfeitores desobstrui as cortinas de miasmas estagnadas em ambientes enfermiços.
Já explicamos que toda substância, coisa, objeto ou planta do mundo material, inclusive os seres vivos, são núcleos energéticos que exalam energia radioativa, formando-lhes uma aura fortemente impregnada no éter-físico em efervescência na circulação do seu duplo etérico. A rosa física, por exemplo, é a representação exterior e mais grosseira da verdadeira rosa cintilante de cor e exuberância de perfume, que palpita na vivência do mundo oculto. Da mesma forma, o enxofre material é apenas a cópia ou duplicata do mesmo enxofre etérico, que atua mais vivamente no mundo étero-astral. A pólvora, conseqüentemente, cuja forma comum é constituída de uma mistura de enxofre, salitre e carvão, tanto explode no campo físico, como ainda eclode mais intensamente no mundo oculto, libertando as energias entéricas das substancias de que se compõe. Mesmo a pólvora sem fumaça, feita de nitroglicerina misturada a nitrocelulose, também é um produto de elementos que atuam possivelmente no mundo etérico e desintegram os fluídos daninhos.
Nos trabalhos mediúnicos sob o comando dos pretos-velhos, índios e caboclos experimentados na técnica de física transcendental, as pessoas cujo o perispírito sobrecarregado de fluidos perniciosos mostra-se com sinais de paralisia, são submetidas a “roda-de-fogo”, ou queima de pólvora, cuja a descarga de ação violenta no mundo etereoastral desintegra as escórias perispirituais e saneia a aura humanal. O mesmo salitre, que os entendidos usam para dissolver a aura enfermiça dos objetos enfeitiçados, depois de misturado ao enxofre e carvão, constitui a pólvora, que ao explodir compõe um ovo áurico no mundo etero-astral, muito semelhante ao cogumelo da bomba atômica, desagregando miasmas, bacilos, vibriões e microorganismos psíquicos atraídos pelo serviço de bruxaria e obsessão.

Ramatis
Hercilio Maes
Magia de Redenção

Bate-Papo Com “Nego-Veio”

Abaixo está mais um texto de um irmão que respeito muito, o Fernando Sepe, aliás, um dos poucos ainda sérios que são conhecidos na mídia Umbandista.

À noite, quando a maioria das pessoas estão dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual desprende-se naturalmente do corpo físico.

Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato a elas diretamente em espírito, ou, simplesmente, trabalhando as energias do assistido com mais liberdade a partir do plano espiritual da vida.

Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um Preto Velho, que responde nas lidas de Umbanda, pelo nome de pai José da Guiné. Segue o diálogo:

— Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme, não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?

— É sim fio. trabalho grande, toda noite. Mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir. Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalhoespiritual é o dia de trabalho no terreiro. É uma pena.

— É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.

_ Preparar? Muitas vezes eles nem se preparam fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações na cabeça. Dá um trabalhão danado acoplar na aura toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não…

— Ué, mas o banho de erva é importante, não é pai?

— É, claro que é. Mas num é tudo. Antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom-humor, com folhas de tranqüilidade e flores de simplicidade, hehehe… Isso sim ajudaria. Num adianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado. Limpeza interna fio, antes de limpeza externa…

— Tá certo…

— Tá certo, mas você muitas vezes num faz isso né? Hehehe… Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins, o problema é quando isso se torna constante. Fio, a Umbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade. Mas isso deve ser utilizado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos dentro de nós. Não uma fuga do que carregamos aqui dentro. Volta seus olhos pra dentro e lá presta culto aos Orixás. Só depois disso, canta e dança…

— Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. Antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintonia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintonia com os Orixás.
Nesse momento, você e Eles não estão separados pela ilusão da matéria. Tão juntos. Em espírito e verdade…

— Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defuma seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.

— Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio. Mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro! Lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás…

— Mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixá, espiritualidade. Mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro. A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso. Em cada palavra, em cada expressão de nosso ser…

— Percebe fio? Você é médium o tempo todo, não só no dia de trabalho, mas todo dia. Você é médium até quando tá dormindo…hehehe
Pai José fez uma pausa e eu fiquei a pensar a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalho espiritual que as muitas correntes de Umbandadesenvolvem. De como, a vivência de terreiro, demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, pai José disse:

— É por aí mesmo fio. A partir do momento que a pessoa internaliza os valores espirituais, um novo mundo, cheio de novas perspectivas surge. Novas idéias, novos ideais. Uma forma diferente de encarar a vida. Esse é o resultado do trabalho. A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a respiração. A sintonia acontece esteja onde ele estiver, carregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração…

— Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito… Você a carrega para onde for. Isso é trabalho. Isso é sacerdócio. Isso é viver buscando a espiritualização…

— Por isso, meu fio, faz de cada trabalho espiritual que você participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo… Sempre!
Notas do médium: Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como um negro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito direto e reto de falar as coisas sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalhoespiritual. É um espírito muito bondoso com quem já aprendi muitas coisas.

Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o terreiro para o nosso dia-dia.

Texto de Fernando Sepe.

Banhos Ritualísticos

A Umbanda, religião ligada aos Orixás e a natureza, tem como fundamentos a utilização de elementos da natureza, que são “regidos”pelos Orixás. Os elementos são : AR ,TERRA ,FOGO, ÁGUA
Estes elementos podem estar reunidos ou não em diversos rituais umbandistas, no intuito de manipulação de energias. Em todo Universo, temos o Prana ou Éter Vital, que é energia essencial para a manutenção da vida em vários níveis energéticos. O Prana é absorvido pelos elementos da natureza e por nós direta ou indiretamente.
A respiração, o “banho” de sol, a alimentação adequada, são alguns dos meios desta absorção energética.
Nos rituais da Umbanda, podemos manipular, então os elementos da natureza e o Prana, através de vários rituais. Alguns exemplos: 
A vela – Temos os elementos Fogo, Ar, Água e Terra. O Fogo consome o Ar e a resina da vela (Terra) e transforma a Água, contida na resina da vela, em vapor. Isto apenas falando materialmente deste ritual, sem contar o aspecto religioso e mágico.
A defumação – Temos o Fogo, Ar, a Terra e a Água envolvidos. A Água a Terra, estão contidos nas ervas defumadas.
Como podemos constatar, estes elementos estão sempre presentes nos rituais, sendo essenciais para o bom êxito de cada ação ritualística.
A magia, contida em muitos rituais umbandistas, tem a necessidade de elementos materiais de ligação entre a matéria e o plano espiritual.
Os ciclos da natureza e os astros influenciam a vida de todos os seres vivos, aqui na Terra, pois regulam toda a vida, trazendo o equilíbrio.
Devemos entender o máximo possível sobre estas influências, pois é de grande importância, obter o melhor resultado na extração e manipulação energética.
Os banhos ritualísticos de uma maneira geral, são rituais, onde utilizamos determinados elementos da natureza, de maneira ordenada e com conhecimento de causa, com o intuito de troca energética entre o indivíduo e a natureza, afim de fornecer-lhe equilíbrio energético e mental.
Estes banhos prestam-se para limpar as energias negativas, livrar as pessoas de influências negativas, reequilibrar a pessoa, aumentar a capacidade receptiva do aparelho mediúnico, já que os chacras serão desobstruídos, enfim, tem grande importância na manutenção dos corpos.
Embora o banho utiliza-se de elementos materiais, que serão jogados sobre o corpo físico, a contraparte etérica será depositada sobre os chacras, corpo astral e aura que receberão diretamente o prana ou éter vital, bem como a parte astral dos elementos densos.
Não somente os médiuns ativos na Umbanda devem tomar determinados banhos, mas todos nós, em geral, podemos usá-los.
Temos algumas categorias de banhos :

a)* Banhos de Descarrego*

Esta categoria de banho, conhecido também como banho de descarga ou desimpregnação energética é o mais comum e mais conhecido.
Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Conforme vivemos, vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias negativas são abundantes. Todo este egrégora formado por pensamentos, ações, vão criando larvas astrais, miasmas e todo a sorte de vírus espirituais que vão se aderindo ao aura das pessoas. Por mais que nos vigiemos, ora ou outra caímos com o nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando neste egrégora. Se não nos cuidarmos, vamos adquirindo doenças, distúrbios e podemos até sermos obsediados.
Há dois tipos de banhos de descarrego :
a1) Banho de Sal Grosso
Este é o banho mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e eficiência. O elemento principal que é o sal grosso, é excelente condutor elétrico e “absorve” muito bem os átomos eletricamente carregados de carga negativa, que chamamos de íons. Como, em tudo há a
sua contraparte etérica, a função do sal é também tirar energias negativas aderidas no aura de uma pessoa. Então este banho é eficiente neste aspecto, já que a água em união como o sal, “lava” todo o aura, desmagnetizando-o negativamente.
O preparo deste banho é bem simples, basta, após um banho normal, banhar-se de uma mistura de um punhado de sal grosso, em água morna ou fria. Este banho é feito do pescoço para baixo, não lavando os dois chacras superiores (coronal e frontal).
O porquê de não poder lavar os chacras superiores, está ligado ao fato de serem estes chacras ligados à coroa da pessoa, tendo que ser muito bem cuidada, já que é o elo de ligação, através da mediunidade, entre a pessoa e o plano astral superior.
Após o banho, manter-se molhado por alguns minutos (uns 3 minutos) e enxugar-se sem esfregar a toalha sobre o corpo, apenas secando o excesso de umidade.
Algumas pessoas, neste banho, pisam sobre carvão vegetal ou mineral, já que eles absorverão a carga negativa.
Este banho é apenas o banho introdutório para outros banhos ritualísticos, isto é, depois do banho de descarrego, faz-se necessário tomar um outro banho ritualístico, já que além das energias
negativas, também descarregou-se as energias positivas, ficando a pessoa desenergizada, que só é conseguido com outro tipo de banho.
Este banho, não deve ser realizado de maneira intensiva (do tipo todos os dias ou uma vez por semana), pois ele realmente tira a energia do aura, deixando-o muito vulnerável.
Existem pessoas que usam a água do mar, no lugar da água e sal grosso.
a2) Banho de Descarrego com Ervas
Este banho é mais complexo e menos conhecido do que o de sal grosso. A função deste banho é a mesma que a do sal grosso, só que tem efeito mais duradouro e conseqüências maiores. Quando uma pessoa está ligada à uma obsessão e larvas astrais estão ligadas a ela, faz-se necessário
um tratamento mais eficaz. Determinadas ervas, são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente o aura de uma pessoa, eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas.
b) *Banho de Defesa*
Este banho serve de manutenção energética dos chacras, impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais. 
Quando vamos num sítio energético para determinados rituais com ou sem incorporação, enfim, “fechamos” os nossos chacras.
As ervas para estes banhos, podem ser aquelas relacionadas ao próprio Orixá regente da pessoa, ou aquelas que uma entidade receitar.
c) *Banho de Energização*
Após tomarmos um banho de descarrego, é importante que restabelecemos o equilíbrio energético, através de um banho de energização. Este banho reativa os centros energéticos e refaz o teor positivo do aura. É um banho que devemos usar quando vamos trabalhar normalmente em giras de direita, ou mesmo, após uma gira em que o ambiente ficou
carregado.
Também, podemos usá-lo regularmente, independente se somos ou não médiuns.
Um bom e simples banho : pétalas de rosas brancas ou amarelas, alfazema e alecrim.
d) *Banho de Fixação*
Este banho é usado para trabalhos ritualísticos e fechados ao público, onde se prestará a trabalhos de magia, iniciação ou consagração. Este banho é realizado apenas por quem é médium e irá realizar um trabalho aprofundado, onde tomará contato mais direto com as entidades
elevadas. Este banho “abre” todos os chacras e a percepção mediúnica fica aguçadíssima.
As ervas utilizadas para este tipo de banho estão diretamente relacionadas ao Orixá regente do médium e à entidade atuante. São assim receitados apenas por um verdadeiro chefe de terreiro ou médium-magista ou pela própria entidade.
*PREPARAÇÃO DOS BANHOS*
*Em todos os banhos, onde se usam as ervas, devemos nos preocupar com alguns detalhes :
A colheita deve ser feita em fases lunares positivas, devido a abundância de prana.
– Antes de colhermos as ervas, toquemos levemente a terra, para que descarreguemos nossas mãos de qualquer carga negativa, que é levada para o solo;
– Não utilizar ferramentas metálicas para colher, dê preferência em usar as próprias mãos, já que o metal faz com que diminua o poder energético das ervas;
– Normalmente usamos folhas, flores, frutos, pequenos caules, cascas, sementes e raízes para os banhos, embora dificilmente usamos as raízes de uma planta, pois estaríamos matando-a;
– Colocar as ervas colhidas em sacos plásticos, já que são elementos isolantes, pois até chegarmos em casa, estaremos passando por vários ambientes;
– Lavar as ervas em água limpa e corrente;
– Os banhos ritualísticos, devem ser feitos com ervas frescas, isto é, não se demorar muito para usá-las, pois o prana contido nelas, vai se dispersando e perde-se o efeito do banho;
– A quantidade de ervas, que irão compor o banho , são 1 ou 3 ou 5 ou 7 ervas diferentes e afins com o tipo de banho. Por exemplo, num banho de defesa, usamos três tipo de de ervas (guiné, arruda e alecrim);
– Não usar aqueles banhos preparados e vendidos em casas de artigos religiosos, já que normalmente as ervas já estão secas, não se sabe a procedência nem a qualidade das ervas, nem se sabe em que lua foi colhida, além de não ter serventia alguma, é apenas sugestivo o efeito;
– Alguns banhos, são feitos com água fria e as plantas são maceradas com as próprias mãos e só depois, se for o caso, adicionar um pouco de água quente, para suportar a temperatura da água;
– Banhos feitos com água quente, devem ser feitos por meio da abafação e não fervimento da água e ervas, isto é, esquenta-se a água, até quase ferver, apague o fogo, deposite as ervas e abafe com uma tampa, mantenha esta imersão por uns 10 minutos antes de usar. Alguns dizem que a água quente não é eficiente para um banho, mas esquecem que o elemento Fogo, também faz parte dos rituais de Umbanda. A água aquecida “agita” a mistura, liberando o prana das ervas;
– Não se enxugar, esfregando a toalha no corpo, apenas, retire o excesso de umidade, já que o esfregar cria cargas elétricas (estática) que podem anular parte ou todo o banho;
– Embora todo o corpo será banhado, a parte da frente do corpo é que devemos dar maior atenção, já que estão as “portas” dos chacras, além da parte frontal possuir uma maior polaridade positiva, que tem propriedades elétricas de atrair as energias negativas e que são eliminadas com o banho, recebendo carga positiva e aceleradora;
– Após o banho, é importante saber desfazer-se dos restos das ervas.
Aquilo que ficou sobre o nosso corpo, nós retiramos e juntamos com o que ficou no chão. Colocamos tudo num saco plástico e despachamos aquilo que é biodegradável, em água corrente.

*Banhos Naturais*

São banhos que realizamos em sítios energéticos, onde as energias estão em abundância. Neste caso, não precisamos em nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronal e frontal), localizados na cabeça, é uma ótima chance de naturalmente tratar da “coroa”, claro que se efetuarmos em locais livres da poluição.
Dentre eles podemos destacar :

*Banhos de Mar* (ótimos para descarrego e para energização, principalmente sob a vibração de Yemanja)

Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença para o povo do mar e para Mamãe Yemanjá. No final, podemos dar um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol.

*Banhos de Cachoeira

*Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d´água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao mesmo tempo que limpamos toda a nossa alma. Saudemos, pois Mamãe Oxum e todo povo d´água. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol.

*Banhos de rio e lagoas

Tem também grandes propriedades, desde que não estejam poluídos.
Saudemos Nanã Buruquê.
*CONSIDERAÇÕES FINAIS*
Apesar do que tudo que aqui foi escrito, vale lembrar que o assunto pode ser aprofundado em vários aspectos. Não me preocupei em receitar banhos com determinadas ervas, pois, isto deve ser feito por pais e mães de santo e entidades, já que eles tem larga experiência em cada tipo de banho e sabem recomendar a melhor ervas, o melhor método. A intenção foi apenas demonstrar a importância que os banhos tem sobre todos nós, principalmente para aqueles que são umbandistas e praticam estes rituais. Além de criar nas mentes daqueles que sejam adeptos da Umbanda, a consciência de que não cultuamos uma religião fetichista, mas uma religião que sabe integrar o espírito com a própria natureza e indiretamente com Deus, com os Orixás e todo o plano astral, porque é isto que eles querem de nós, que sejamos libertos das amarras da matéria e nos voltemos a Eles de maneira mais natural possível.
Namastê.

Energias que nos prejudicam

A inveja, “mau olhado”, magia, “eguns” (espíritos) … Existem pessoas, ainda que involuntariamente, por uma sensibilidade ou fraqueza astral/espiritual, absorvem cargas negativas de outras pessoas ou ambientes.

 

Origens:
– Dirigida: resultado de ação de magia, de inveja sofrida, mau olhado …
– Ambiental: locais como cemitério e hospital (onde existe uma concentração de espíritos), casas, local de trabalho …
– Egun: são de dois tipos distintos; 1) espíritos “sem luz” altamente destrutivos que “encostam” nas pessoas, quer por ação de magia ou ainda por sensibilidade da pessoa. 2) espírito de parentes ou amigos quando em vida, que no seu desconhecimento inicial do mundo espiritual, tentam nos “ajudar” mas acabam nos prejudicando sem perceber.
– Retorno: toda energia por nós emitida, seja positiva ou negativa, sempre volta com as suas conseqüências da Lei do retorno.

Os sintomas provocados pelas cargas negativas nos atingem de várias formas

Vida afetiva
Relacionamentos abalados ou destruídos, falta de atração pessoal, solidão.

Caminhos, trabalho e objetivos materiais
Projetos que não se realizam, dificuldade de relacionamento e produtividade no trabalho, desemprego e dificuldade para obtê-lo, “portas que se fecham”, perdas e prejuízos …

Disposição física e mental
Sensação de “corpo pesado” e peso sobre os ombros, pressão na nuca, tirando nossa energia e poder de reação, causando angústia, depressão, pessimismo, inquietação, nervosismo exagerado, insônia, sonolência durante o dia, cansaço, desânimo, vendo as coisas mais feias do que realmente são, sofrendo por antecipação, idéias ruins e de auto destruição.

Saúde
Saúde frágil, doenças que não curam, males que a medicina não explica ou detecte sua origem, dores de cabeça freqüentes, enxaquecas, dificuldade de cura…

As Soluções

“A solução dos problemas muitas vezes não é um fenômeno (como uma varinha de condão que batemos e o mal some ou as coisas se modificam instantaneamente) mas cada um tem uma forma de tempo de resolução.”

“Através do trabalho de limpeza – ebó – que eliminam as energias negativas, que agem como um campo de força em torno da nossa aura, impedindo que coisas boas se aproximem e atraindo mais negatividade e dificuldades.”

As soluções passam por uma “limpeza” e fortalecimento da aura, e são as mais diversas, através da diversidades de “sacodimentos” , oferendas, ebós, boris, obis, abôs, pembas … sempre de acordo com o indicado pelo jogo de búzios, ou mesmo pela vasta experiência prática do babalorixá, o qual já sabe o que fazer em situação conhecida, pois muitas vezes não há a necessidade de se jogar os búzios, como nem sempre é preciso “fazer” alguma coisa, em virtude desta experiência, o babalorixá se torna um psicólogo prático, e um bom conselho e orientação resolvem situações. A forma varia de nação para nação, que são as origens dos locais africanos das diversas casas de candomblé; keto, angola, gêge, fon, ijexá…

Existem casos em que a “limpeza” por si só não é suficiente, oferendas aos orixás, para obtenção de alguma ajuda específica ou generalizada, é preciso, bem como, só oferenda e pedidos não é o suficiente – “para tratar uma ferida, é preciso, antes limpá-la” – há necessidade de se deixar a aura limpa para receber o axé necessário.

“A abertura de melhoria de determinados caminhos pode se obter através de pedidos aos orixás por meio de oferendas e Orô – reza dos orixás.”

Oferenda
“Quando fazemos alguma oferenda, comida aos orixás, o orixá se utiliza dos elementos símbolos ali contidos e transforma em energia positiva, seu axé.”

Ebó
“Trabalho de lipeza de aura das energias negativas (encosto de espíritos – magias – doenças de plano astral)”

Abô
“Banho de ervas (selecionadas) maceradas para lipeza de aura.”

Pemba
“Favas – sementes – raladas com pemba (giz especial) branca, utilizada para limpeza da aura. Este pó deve ser passado na cabeça e corpo – utilizado para limpeza e energização.”

Qualquer problema é tratável sem a necessidade de uma iniciação, por mais grave que seja, a iniciação é um exercício de vontade, de amor ao orixá, o qual requer dedicação; fazer o “santo” é uma missão, é mais um elemento para atender ou auxiliar no atendimento à quem da religião necessitar, com todos os requisitos necessários ao bom cumprimento, seriedade, humildade, fé, disponibilidade de tempo quando solicitado em detrimento a um lazer pessoal.

Em muitos casos se restaura uma energia pessoal, que de certa forma foi “contaminada” e se acrescente uma boa dose de energia positiva a qual está necessitando para desempenho das suas funções. Este tipo de tratamento eu comparo como uma limpeza de caixa d’agua, onde se tira toda água suja, esfrega-se as paredes com um bom produto de limpeza e coloca-se água limpa, aliás operação que deveria ser feita periodicamente, pois o contato com essas energias negativas é comum e constante. Sabiamente em alguns lugares da China e da África um doente antes de se internar num hospital , passa por uma limpeza de aura, que vai auxiliar a sua cura. Assim como a gordura de uma cozinha se acumula sobre o azulejo, as energias negativas se acumulam sobre nossa aura, formando um “campo de força negativo” , onde as energias boas “batem e resvalam” , nos deixando expostos a toda gama de consequências já relatadas, que estamos sujeitos; e assim como não basta um pano com água para “lavar” a gordura do azulejo, mas um bom detergente; em nossa aura, é pura inocência achar que simples banho de água e sal ou poucas ervas, serão suficientes para um bom resultado, é como dar aspirina infantil para úlcera.

“Nosso orixá não tem obrigação de nos dar mas, o receber é consequência dos nossos atos.”

“Receberemos o axé pedido se: Merecermos e se for o tempo de recebermos.”

“Quem vê a vida somente com os olhos do interesse não enxerga o caminho.”

Entidade incorpora em qualquer ocasião?

 

Ontem foi aberto um trabalho excepcionalmente a uma filha que estava necessitando de ajuda, dizia que não importava o local, sentia a vibração e recebia, gostaria de abrir um parêntese antes de iniciar o comentário dos trabalhos.

Realmente as entidades incorporam em locais fora de hora? São entidades do próprio filho ou são eguns? Não será fruto da própria consciência do médium?

Bom, antes gostaria de esmiuçar em algumas linhas, a experiência e a teoria que criei a partir dessas circunstâncias, antes de tudo, sendo entidade, egun ou não, parto do princípio que o médium antes de tudo obrigatoriamente deve ter a mente forte, firmeza de propósitos e acima de tudo, um bom embasamento de como funciona a espiritualidade, é isso que eu sempre gosto de enfatizar em minhas palestras. Acho necessário antes mesmo de iniciar o médium na corrente ou no próprio trabalho de incorporação, é ensiná-lo de como funciona a espiritualidade de acordo com a filosofia da casa. E eu possuo uma teoria que indubitavelmente é muito evidente durante os trabalhos de Umbanda.

Médium ruim = Guia Ruim.

Gostaria de colocar em poucas palavras, como funciona o mecanismo da incorporação pelo menos para mim, antes disso, gostaria de salientar que eu particularmente não acredito em mediunidade inconsciente, alguma coisa o médium sempre sabe, vê ou escuta.

Vamos lá, você é o principal elo de ligação entre o consulente e a entidade, e se você está semiconsciente, é evidente que a entidade terá que utilizar de fatos que você conhece ou sabe para poder passar ao consulente, baseado nisso, gostaria de exemplificar de uma forma mais “grosseira”: Se você é um poeta, a entidade dará a consulta através de poesias, rimas e combinação de palavras, se é um engenheiro, dará a consulta através de medidas, leis físicas e tudo mais, por isso, acho essencial o médium sempre dar uma pincelada em diversos artigos sobre espiritualidade, entre outros, para não entrar “cru” no trabalho mediúnico.

Mas voltando… Portanto, é imprescindível que o médium possua conhecimento, com isso, tenho plena convicção que um médium com firmeza de cabeça e conhecimentos suficientes não passara por algo tão constrangedor como esse, e particularmente, eu duvido que uma entidade de Luz incorpore no filho em circunstâncias desagradáveis ou desfavoráveis, para mim, é fruto da própria consciência do médium, é claro que não podemos generalizar os fatos, já dizia o sábio filósofo que toda generalização é errônea, então partimos do princípio que seja um egun (espírito desencarnado), para o egun ter mais força para tomar a consciência desse médium, irrefutavelmente o mesmo não está muito bem psicologicamente ou não possui os devidos conhecimentos para que isso não ocorra, então, para via das dúvidas, é imprescindível que o médium leia, aprenda e procure questionar sobre os fenômenos espirituais, para que com isso, não seja mais um coitado na armadilha das hordas bestiais que acercam nosso orbe.

Enfim, esse assistente que foi lá em busca de ajuda, era muito carente de conhecimento, então antes que os trabalhos se iniciassem, foi efetuada uma orientação ao filho, sobre os fenômenos mediúnicos, o porquê de cada coisa e assim por diante. Então vamos lá:

Como era uma gira excepcional, então não abrimos de acordo com as giras habituais, foi defumado com mirra e logo abrimos os trabalhos com a linha das águas, um elementar excepcional para limpeza de miasmas e “lavagem” de ori, logo, veio o Marinheiro Chefe da Casa e em seguida, o outro marujo, Sr. Martinho Parangolá já riscou seu ponto de trabalho e colocou o consulente sobre ele, solicitou o acendimento das velas e com isso, toda a falange de marinheiros estava presentes na casa ajudando com o descarregamento dos miasmas e outras larvas astrais…

Efetuando a limpeza, foi chamado o orixá do assistente, ela é filha de Iansã e já efetuou toda a limpeza e sua vibração já se encarregou de afastar todos os eguns que estavam à espreita da filha…

Logo depois, o Exú da Casa, Senhor Capa Preta veio para a consulta e assim se deu mais um trabalho de Umbanda para a prática da caridade em uma filha necessitada.

Mas confesso, esse tipo de coisa, de entidades incorporar em qualquer lugar, além de duvidar que um ser de Luz nos exponham ao ridículo assim, duvido que isso ocorra em um médium