Lendas e Qualidades de Oxumaré

É a cobra-arco-íris em nagô, é a mobilidade, a atividade, uma de suas funções é a de dirigir as forças que dirigem o movimento. Ele é o senhor de tudo que é alongado. O cordão umbilical que está sob o seu controle, é enterrado, geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.

Ele representa também a riqueza e a fortuna, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás. Em alguns pontos se confunde com oVodun Dan da região dos Mahi.

É o símbolo da continuidade e da permanência, algumas vezes, é representado por uma serpente que morde a própria cauda. Oxumarê é um orixá completamente masculino, porém algumas pessoas acreditam que ele seja macho e fêmea, porém o orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ewá sua irmã gêmea que tem dominios parecidos com o dele. Enrola-se em volta da terra para impedí-la de se desagregar. Rege o princípio da multiplicidade da vida, transcurso de múltiplos e variados destinos.

De múltiplas funções, diz-se que é um servidor de Xangô, que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.

É o segundo filho de Nanã, irmão de OsanyinEwá e Obaluayê, que são vinculados ao mistério da morte e do renascimento. Seus filhos usam colares de búzios entrelaçados formando as escamas de uma serpente que tem o nome de Brajá, usam também o Lagdigbá como Nanã e Omolu.


Oxumarê no Brasil

No Brasil, as pessoas dedicadas a Oxumarê usam colares (fio-de-contas) de missangas ou contas de vidro amarelas e verdes; a terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seus iniciados usam Brajá – longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente. Quando dançam levam nas mãos pequenas serpentes de metal, apontam o dedo indicador para o céu e para a terra, num movimento alternado. A Suas oferendas são feitas de patosfeijãomilhocamarões cozidos no azeite de dendê

Na Bahia, Oxumarê é sincretizado com São Bartolomeu e festejado no dia 24 de agosto.

Certa lenda conta que ele era, outrora, um (Babalawo) adivinho, “filho de proprietário-da-estola-de-cores-brilhantes”. Em outra lenda o mesmo tema aparece: “Este mesmo Babalawo Oxumarê vivia explorado por Olofin-Odudúa, o rei de Ifé, seu principal cliente”. Oxumarê consultava-lhe a sorte de quatro em quatro dias.

Sua nação é o Jeje, onde é considerado como Dan, e tido como rei do povos Djedje (jeje) é uma palavra de origem yorubá que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército.

Na nação Jeje, sua cor é o amarelo e preto de miçangas rajadas. Já no Ketu, suas cores são o verde e amarelo intercaladas. Porém essas cores definem apenas o fio-de-contas, pois todas as cores do arco-íris lhe pertencem.

Arquétipo

Seus filhos, assim como conta a lenda de Oxumarê, em sua maioria no início passam por muitas dificuldades, quase miseráveis, porém mais tarde, dando a grande volta em seu caminho, se tornando ricos, poderosos, e muitas vezes orgulhosos. Porém, nunca se negam a ajudar quando alguém realmente precisa deles. E não raro, é ver um filho de Oxumarê se desfazer de algo seu, em favor dos necessitados, com a maior facilidade, contrapondo seu estado de orgulho e ostentaçao, a exibir sua riqueza. Nessa fase estão no arco-íris, a fase mais doce e sincera que possuem.

São pessoas de temperamento fácil de se lidar estando calmas, porém, se tornam terríveis quando com raiva, representando nesse estado a Serpente, que vem trazendo o lado negativo de Oxumarê, o seu lado mais perigoso, que é a falsidade e a perversidade.

Tudo muda em suas vidas: Os amigos, os romances, as cidades que moram. Gostam de mudanças e quando a fazem, se tornam radicais. Podem desenvolver a bissexualidade, pois faz parte da característica deste orixá, que é 6 meses homem e 6 meses mulher, não que seus filhos tenham os dois sexos, mas que podem gostar e sentir atração por homem e mulher, de forma natural.

Duas fases de Oxumarê

Oxumarê dentro do candomblé, se divide em duas qualidades : – Oxumarê macho, representado pelo arco-íris _ Oxumarê fêmea, chamado de Frekuem, representado pela Serpente. Identificado no jogo do merindilogun pelo odu iká e representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba oxumare. A entidade é 6 meses homem e 6 meses mulher, mas é considerado pai de cabeça e não mãe.

LENDAS

O exótico e o mistério são os seus domínios. Tudo nele é repetitivo, variando apenas as formas, como no ciclo da chuva: a água que evapora, retorna como chuva. Ou como no universo dos corpos celestes, onde a lua, o sol, a terra e os demais astros e planetas executam os seus movimentos com metodicidade harmoniosa. No ciclo “vida e morte”, ele também está presente; e seu símbolo mais forte é o da cobra mordendo a própria cauda, numa atitude que representa o ciclo vital: vida, morte e renascimento. Enrola-se também em torno da terra para impedi-la de se desagregar. Acredita-se que se perdesse as forças seria o fim do mundo.

A marca mais evidente de oxumaré é o arco-íris, de quem é senhor.

Sendo ao mesmo tempo macho e fêmea, esta natureza aparece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris. Ele representa também o bem, a riqueza e os benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás.

Ele se paramenta de búzios como o bradjá (longos colares enfiados de maneira a aparecer escamas de serpentes) e com colar de lagdbá (relação com a terra e os ancestrais). Representa a sabedoria, o equilíbrio ecológico e a evolução. Patrono do arco-íris e outros fenômenos da atmosfera, está relacionado com o conceito de terra e infinito. Símbolo da fecundidade e da eternidade.

Ele é a morbilidade e a atividade, pois uma de suas obrigações é a de dirigir as forças que produzem o movimento. Ele é o Senhor de tudo que é alongado: como o cordão umbilical. Este está sob seu controle e é enterrado sob uma palmeira, que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.

Os Eleguns de Òsùmàré trazem na mão um Eberi (espécie de vassoura feita com nervuras das folhas das palmeiras), outras vezes seguram também uma serpente de ferro forjado.

O lugar de origem deste Orixá seria Mahi, no ex-Daomé. Òsùmàré é Orixá da riqueza e é chamado de Ajé Sàlugá na religião de Ifé, onde dizem que chegaram os 16 companheiros de Odùdùwa.

Ele é simbolizado por uma grande concha. Registram-se 4 qualidades sendo a de Abessem – a Cobra Sagrada – a mais conhecida.

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Fonte: http://wikipedia.org

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Lendas e Qualidades de Logun-Edé


Logunedé ou Logun Ede, do iorubá Lógunède, é um orixá africano que na maioria dos mitos costuma ser apresentado como filho de Oxum Ipondá e Oxóssi Ibualama, do iorubá Ibùalámo. Segundo as lendas, vive seis meses nas matas caçando com Oxóssi e seis meses nos rios pescando com Oxum. É cultuado na nação Ijexá como sua mãe, mas também nas nações Ketu e Efan, sendo o seu culto muito difundido no Rio de Janeiro.

No entanto, existem outras versões acerca de sua filiação. Se na maioria dos mitos, Logunedé surge como filho de Oxum e Oxóssi, em outros, um pouco mais raros, aparece como filho de Ogun e Iansã. Há, ainda, histórias que contam a lenda de Logunedé como filho desses quatro Orixás, apresentando-o como nada mais, nada menos que uma representação dos Orixás Gêmeos, Ibeji.

Simultaneamente caçador e pescador, Logunedé é o herdeiro dos axés de Oxum e Oxóssi que se fundem e se mesclam como mistério da criação, trata-se de um orixá que tem a graça, a meiguice e a faceirice de Oxum à alegria, à expansão de Oxóssi. Se Oxum confere a Logunedé axés sobre a sexualidade, a maternidade, a pesca e a prosperidade, Oxóssi lhe passa os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento.

Essa característica de unir o feminino de Oxum ao masculino de Oxóssi, muitas vezes o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno ou adolescente, formando mais uma tríade sagrada na História das religiões. Com Logunedé, completa-se o triângulo iorubá pai, mãe e filho que também se repete nas trilogias católica (Pai, Mãe e Espírito Santo), egípcia (ÍsisOsíris e Hórus), hindu e tantas outras.

Como símbolo da pureza, muitas vezes Logunedé também é visto como um ser andrógino. Ao contrário do que muitos pensam, Logun Ede não é de características masculina e feminina, não é bissexual. Na verdade possui uma grande relação com Òsun, sua mãe e com Erinlé, seu pai, trazendo consigo a personalidade desses dois Òrìsà e algumas características marcantes, mas nada que o transforme em um hermafrodita que durante seis meses é Oboró e seis meses Ìyábá como algumas pessoas assim o dizem e usam deste artifício para denotações homossexuais.

Existem templos para Logun Ede em Ilesa, seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada a de um leopardo. Casado com três esposas. De culto diferenciado e totalmente ligado ao culto a Òsun, é um Orisa de extremo bom gosto. Seus objetos devem permanecem junto aos assentos de Osun e sempre quando agradado devemos agradar sua mãe. Tem predileção ao dourado, é um Orisa muito vaidoso, é considerado o mais elegante de todos os Orisas.

De Òsun, sua mãe, Logun Ede herdou o lado belo e vaidoso. Pois Òsun lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada. Deusa da fertilidade, na Nigéria é dela o rio que leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos lagos, fontes e rios. Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida. Òsun menina dengosa, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Òsun é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos.

De Erinlé, seu pai, Herdou o dom da caça pois Erinlé é da família dos Ode e seu símbolo é o ofá, a lança de caça e o ogue. Erinlé é a representação do desenvolvimento do homem, conhece os segredos da caça, também símbolo de prosperidade e formação de comunidades. Ele busca o alimento com coragem e é considerado o guerreiro das matas, é corajoso, viril e Logun-odé tem estas características, é um Òrìsà guerreiro. Mas se, em várias tradições, ele é considerado um orixá masculino, em algumas é confundido com a homossexualidade ou a bissexualidade, o que ocorre quando se interpreta ao pé da letra o mito que afirma viver Logunedé seis meses como homem e seis meses como mulher. Na verdade, a interpretação mais aceita seria que essa se trata de uma metáfora para falar dos axés herdados por ele de seus pais, Oxum e Oxóssi.

Após ser abandonado e viver com Ogum, aprende com ele as artes da guerra e da metalurgia. É coroado por Iansã como o príncipe dos Orixás. É amigo íntimo de Yewá, seriam eles os Orixás que se complementam, considerados o par perfeito.

Num mito raro, Logunedé se perde no caminho entre as casas de Oxum e Oxóssi, é encontrado pelo velho Omolu que o ampara e protege. Com Omolu, Logunedé aprende a arte da cura e a feitiçaria. O seu primeiro nome, Logun, no Brasil se mesclou ao segundo, Edé, nome da cidade iorubá na qual o seu culto se fortaleceu, formando Logunedé. Logun pode ser uma abreviatura de Ologun que, em iorubá, quer dizer feiticeiro.

Então, feiticeiro, caçador, pescador, príncipe guerreiro, esses são alguns títulos, alguns epítetos dados à Logunedé. Para Mãe Menininha do Gantois“Logun é santo menino que velho respeita”.

Costuma ser cultuado no candomblé, mas não na umbanda.

É filho de ÒSÓÒSÌ YBUALAMO e ÒSUN YPONDÀ. Na parte masculina êle veste azul claro e na feminina amarelo ouro. Suas ferramentas ( IBÁ ) levam sete espadas pequenas, amarelas, sete ofas pequenos, amarelos; usa arco e flecha, um leque e uma trombeta ( berrante ) , mas delicado. Seus bichos são o faisão, canário da terra, coelho e periquito. LOGUN não come frangos, e sim galo e galinha garnizé, porco da índia, tatu e bode castrado.

Tudo dêle é dobrado. Êle só responde chorando.

É a divindade das águas doces e do mato baixo.

Sua saudação: LÒGÚN Ó AKOFÀ, quer dizer: Êle é LOGUN, peguemos o arco e a flecha.

QUALIDADES

– EDÈ LOKO
Tem fundamento com ÈSÙ

– EDÈ YBAYN
Leva carrinhos e bola de gude, pois êle é um recem-nascido.

– APANAN .
Todos comem com ÈSÙ e ÒSÓÒSÌ. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, ONIRA, sem ela LOGUN não caminha. Toda pessoa de LOGUN tem que assentar ONIRA e de ONIRA tem que assentar LOGUN. LOGUNEDE assenta, também, YBUALAMO, YPONDA e OPARÁ.

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Egunitá

Egunitá é considerado um orixá feminino cuja existência tem sido questionada por alguns adeptos da Umbanda e do Candomblé
Para muitos estudiosos e seguidores não seria um orixá singular mas, uma das qualidades (manifestações) de Iansã ou Oyá que vestiria rosa, visão mais comum dos fiéis do Candomblé. Como Oyá do Culto Igbalé é associada aos mortos, aos ventos e ao bambuzal, é ligada aos orixás Oxalá e Nanã.
Existiam mesmo terreiros que veiculavam essa mensagem. Um exemplo advém do falecido escritor e sacerdote, José Ribeiro, que era dirigente do Terreiro de Iansã E

Lendas e Qualidades de Otin


Otin – Orixá da caça filha de Enrilé. Alguns dizem ser esposa de Oxóssi(ou irmã),e que o acompanha pelas matas, caçando. Defende tanto o caçador, quanto a caça. Andei pesquisando sobre este Orixá, e descobri que é cultuado no Batuque como Orixá feminino. No candomblé (Nação Ketu e nagô) existem dois Orixás (qualidades de Orixás, mas como no candomblé não existem qualidades…) Odé Inlé e Oxum Otin-caçadora, arisca, que dizem não incorporar. Também achei esta informação: Tim foi criada pela imaginação de Odé, pois era muito sozinho. Ele imaginou tanto e com tanta vontade uma companheira, que Otin apareceu para ele, sendo o único Orixá que não esteve viva na Terra. A função de Otin é levar água para os Orixás. Aparentemente, Otin (Orixá) é um Orixá feminino, ligada a Oxóssi, Ossaim, Oxum, Yemanjá, Ogum, dentre outros. Orixá da caça, das presas, da floresta, aparentemente também tem domínio sobre as águas. É representada carregando uma jarra na cabeça, pois é ligada também a agricultura. Odé Otin, qualidade de Oxóssi-Um Oxóssi azul, Otin! Usa capanga e lança. Vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça mas gosta muito de búfalo. Oxum Otin (qualidade de Oxum) arisca, caçadora, dizem não incorporar em seus filhos.

São Poucas as qualidades deste orixá, até mesmo pela cultura deste ter se perdido, São Elas:

  • Otin Obá Lè – Caminhos com Orixá Xangô
  • Otin Là Mirò – Caminhos Com Orixá Oxum
  • Otin Mawá – Caminhos com Orixa Odé Erinlé
  • Otin usa capanga e lança e vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça assim como Odépássaroscoelhos etc. Mas aprecia mesmo é o porco.

    Otin é uma Iyabá que possui quatro seios. Ao se casar com Oxóssi pede para que ele não conte esse segredo a ninguém. As esposas de Oxóssi enciumadas embriagam-no e ele acaba por contar o segredo de Otin. Apavorada Otin foge e se afoga no rio de seu pai Erinlé.

    Orixás iorubanos da caça e do mato, no batuque, uma das Religiões Afro-brasileiras do Rio Grande do Sul.

    Ode é o terceiro filho de Yemanjá com Oxalá senhor da caça e Rei do Ketu o único verdadeiro amor de Oxum, diz uma lenda que Odé um dia saiu de casa e ficou preso nas matas de Ossaim apesar de sua mãe o ter avisado teimoso foi até as matas e ossanha apaixonado o prendeu lá, Yemanjá ficou muito triste com a ausência de seu filho e se pôs a chorar então Oxalá deu ordem para Ossaim soltar Odé para ver sua mãe, mais por ter passado muito tempo Odé se acostumou em viver nas matas sendo assim visita sua mãe mais mora nas matas

    Outra versão:

    Companheira de Odé, vive no mato em sua companhia, esta Iyabá é pouco cultuada no Brasil, seu culto é mais conservado nas nações de Batuque no Sul do país. É raro encontrar filhos de Otin; é um Orixá feminino que se alimenta de todo tipo de caça, porém seu alimento preferido é a carne de porco.

    Outra versão

    Ela vivia nas matas com o Odé pois é a sua esposa Otin não chega em pessoas na nação do jeje, cabinda e outras nações do sul. Otin só pega o corpo e casa só com Odé ela é uma caçadora que se alimenta de tudo quanto é carnes e frutos. Odé é o único filho de Iemanjá!

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Lendas e Qualidades de Ossãe (Ossayin)

Ossain era o único orixá que sabia reconhecer e despertar os poderes mágicos das plantas e usá-los para curar as enfermidades, ou nos rituais litúrgicos. Ele sabia, como ninguém, fazer misturas mágicas com os vegetais, raízes e folhas.

Os outros orixás também tinham o desejo de possuir suas próprias folhas, bem como o conhecimento necessário para receber o axé proveniente delas, mas Ossain não revelava seus segredos e não deixava ninguém apanhar folhas em suas florestas.

Oyá (Yassan) não aceitava essa situação, pois sua aldeia estava sendo assolada por doenças, e nada podia ser feito. Foi, então, que ela pediu a Ossain que lhe desse algumas folhas e seus respectivos encantamentos, mas este negou-se a fazê-lo. Oyá ficou muito contrariada, não se conformando com uma atitude tão insensível. Sua fúria incontrolável fez levantar o vento. E o vento foi tão forte, que as folhas se desprenderam das árvores, voando para todos os cantos da floresta. Ossain gritava: “Minhas folhas, minhas folhas”. A cabaça com os segredos ficou exposta por algum tempo, possibilitando aos orixás a oportunidade de absorver uma pequena parte desse conhecimento. Assim, os orixás cataram suas folhas, que seriam utilizadas em seus rituais sagrados; porém, não podiam dispensar a ajuda de Ossain, pois ele sempre será o grande sábio da floresta.

Outra lenda nos conta que Ossain trabalhava na roça de Orunmilá, que é um orixá fun-fun (da cor branca) e detentor do conhecimento do oráculo divinatório. Ossain tinha a tarefa de cultivar os campos, mas recusava-se a limpar o terreno para fazer a semeadura. Ele não conseguia podar as plantas, pois achava utilidade em todas elas. Essas folhas podiam curar todo tipo de doença existente.

Orunmilá, vendo que o serviço não saía, foi ver o que estava acontecendo.

Ossain explicou seus motivos, fazendo com que o grande orixá fun-fun percebesse estar diante de um ser encantado e de grande conhecimento. Ao invés de castigá-lo, deu-lhe uma posição de destaque dentro do oráculo de Ifá. Dessa forma, Orunmilá teria, perto de si, alguém para lhe revelar os segredos das folhas.

II

OSSAIN, O SENHOR DAS FOLHAS

Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas.

Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor.

Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidente.

Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta.

Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar a Ossain a propriedade das folhas.

Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos.

Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas.

“Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias”, disse-lhe Xangô.

Iansã aceitou a missão com muito gosto.

O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada.

A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.

Os orixás se apoderaram de todas.

Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação.

E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto.

Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.

III

Desde garoto, Ossain gostava mais de ficar sozinho vagando pela mata do que na companhia da família. Muito cedo, ele saiu de casa e foi morar no meio da floresta, onde se dedicou a estudar os poderes mágicos e medicinais das plantas. Depois de algum tempo, ele sabia tudo sobre o assunto e, quando alguém precisava de um remédio ou feitiço, recorria a ele.Mas ele guardava as folhas numa cabaça e não mostrava para ninguém. Os outros orixás ficaram aborrecidos por dependerem dele. Decidiram fazer alguma coisa, e Iansã se dispôs a resolver o problema. Foi ao encontro de Ossain e fez soprar uma ventania que derrubou a cabaça e espalhou as folhas. Então, cada Orixá correu e pegou um pouco para si. Ossain só conseguiu guardar as mais secretas, mas continuou dono do poder mágico, e por isso todos têm de lhe pedir licença para usar as folhas.

IV

Houve um rei que tinha três filhas muito bonitas. Quando elas chegaram à idade de casar, o rei disse que a mais velha casaria com quem adivinhasse o nome das três. Muitos pretendentes apareceram mas todos fracassaram; até que um dia chegou à cidade um rapaz que todos chamavam de Aroni, o aleijado, porque tinha uma só perna. O aleijado se apaixonou pela filha do rei e se apresentou como pretendente. O rei lhe deu um prazo de três dias. Passeando perto do palácio, o aleijado descobriu um arvoredo onde as princesas passeavam. Subiu num pé de Obi e, quando elas apareceram, fingiu ser o Deus da Árvore e deu a cada uma delas uma noz de cola. Em troca delas disseram seus nomes. No dia marcado, foi à presença do rei, matou a charada e casou com a princesa. Só então revelou que era Ossain, o deus das folhas.

V

Quando Ossain nasceu, os pais o deixaram nu. Por isso, ele cresceu cheio de ressentimento contra eles. Vivia mais na floresta que em casa, e assim aprendeu os segredos das folhas. Um dia, jogou um feitiço sobre o pai, que não conseguia respirar, e só o curou quando o pai lhe deu uma roupa e um gorro; e assim Ossain não precisou mais se vestir de folhas. Depois, jogou um feitiço na mãe, que ficou com dor de barriga; e só a curou quando ela lhe deu um pano listado. Quando teve um filho, Ossain teve medo de que ele o tratasse como ele tratara o pai; então, matou-o e fez um pó de seu corpo. Mais tarde, usou esse pó para curar o rei, que em recompensa o cobriu de honrarias.

VI

Quando Ossain trabalhou para Olorum, recebeu a função de ajudante do adivinho Orumilá. Mas como ele sabia muito sobre ervas medicinais, não quis ser inferior ao outro. Para testá-los, Olorum resolveu enterrar os filhos dos dois por 7 dias; o que respondesse primeiro quando fosse chamado, venceria. Orumilá consultou Ifá, que o aconselhou a fazer oferendas a Exu. Orumilá obedeceu e Exu mandou um coelho levar comida para Sacrifício ( o filho de Orumilá ). Remédio, o filho de Ossain, usou seu poder mágico para falar com Sacrifício, a quem pediu comida; este lhe deu, com a condição de que Remédio não respondesse quando o chamassem. Ele assim fez e Orumilá venceu a prova. Em agradecimento, compartilhou o poder de adivinhação com Exu.

VII

Quando Orunmilá veio ao mundo, quis um escravo para lavrar o seu campo. Comprou um no mercado. Era Ossayn. Quando Ossayn ia começar a sua tarefa de cortar as ervas, gritou: “impossível cortar esta erva, já que é muito útil” servia para baixar a febre; a segunda sanava as dores de cabeça, e também recusou cortar; a terceira acabava com as cólicas. E disse: “Em verdade, não posso arrancar ervas tão úteis.

Orunmilá tomando conhecimento da conducta do escravo, demonstrou o seu desejo de ver essas ervas, que Ossayn não queria cortar já que mantinham o corpo saudável e decidiu que Ossayn lhe poderia ser útil e por isso estaria sempre ao seu lado explicando-lhe as ervas, e as folhas no momento da consulta”.

VIII

Como Òsanyìn descobre o nome das folhas.

Òrúnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas.

Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ?

Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra.

Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.

Perguntou: Òsanyìn onde vai?

Òsanyìn disse; “Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios”.

Òrúnmílá disse, muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pôde apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes.

Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia.

Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos.

Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.

IX

Ossayn, o Curandeiro

Desde pequeno Ossayn andava metido mata a dentro. Conhecia todas as folhas, sabendo empregá-las na cura de doenças e outros males. Um dia Ossayn resolveu partir pelo mundo. Por onde andava era aclamado como o grande curandeiro.

Certa vez salvou a vida de um rei, que em recompensa deu-lhe muitas riquezas. Ossayn não aceitou nada daquilo; disse que aceitaria somente os honorários que seriam pagos a qualquer médico.

Tempos depois, a mãe de Ossayn adoeceu. Sendo procurado por seus irmãos e para espanto destes, Ossayn exigiu o pagamento de sete kauris por seus serviços, pois não poderia trabalhar para quem quer que fosse no mundo, sem receber algo. Mesmo contrariados os irmãos pagaram-lhe os sete kauris e sua mãe foi salva. Ossayn curou a mãe e seguiu caminho, pois ele é a folha e tinha que estar livre para o mundo.
olojé ikú ikê óbárainan

Lendas e Qualidades de Nanã Buruquê (Buruku)


Nanã Buruku (ou Nanã, Nanã Buluku, Nanã Buru, Nanã Boroucou, Nanã Borodo, Anamburucu, Nanã Borutu), é um nome pertinente a um vodun e orixá das chuvas, dos mangues, do pântano, da lama (barro molhado), senhora da Morte, e responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne). Identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejilobon e representado materialmente pelo candomblé através do assentamento sagrado denominado igba nanã.

África

Assentamento de Nanã – No candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi.
Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iyabá e a mais vaidosa, em nome da qual desprezou seu filho primogênito com Oxalá, Omolu, por ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou abandonando-o numa praia, Iemanjá o achou abandonado, quase morrendo e o curou e o criou como se fosse sua mãe, dando todo o amor e carinho. Sabendo do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (Oxumarê, Ewá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio, lugar onde pensou em abandonar seu pobre filho, mas desistiu, pois na praia seu filho morreria mais rápido.
Nanã é dona de um cajado, o ibiri. Suas roupas parecem banhadas em sangue, Orixá das águas paradas que mata de repente, ela mata uma cabra sem usar faca. É considerada o Orixá mais antigo do mundo. Quando Orunmilá chegou aqui para frutificar a terra, ela aqui já estava. Nanã desconhece o ferro por se tratar de um Orixá da pré-história, anterior à idade do ferro. O termo “nanan” significa raiz, aquela que se encontra no centro da terra. Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que em algumas tribos quando seu nome era pronunciado todos se jogavam ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolu. Protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. É um vodun, segundo alguns pesquisadores, originário de Dassa-Zoumé, é uma velha divindade das águas. Pierre Verger encontrou um Templo Dassa-Zoumé e o sacerdote do seu culto.
A área que abrange seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do rio Níger, até a região Tapá, a oeste, além do rio Volta, nas regiões dos “guang”, ao nordeste dos Ashanti.
Entre os fon e mahi ela é considerada uma divindade hermafrodita, anterior a Mawu e Lissá, aos quais teria dado origem em associação com a “serpente do Universo” Dan Aido Hwedo. Para os ewes e minas, ela é às vezes vista como um vodun masculino (Nana Densu), esposo da grande mãe das águas Mami Wata.

Brasil

Nanã Buruku é cultuada no Candomblé Jeje como um vodun e no Candomblé Ketu como um orixá da chuva, das águas paradas, mangue, pântano, terra molhada, lama e considerada a mãe dos orixás Obaluaiyê, Iroko, Osanyin, Oxumarê e Yewá.
Nanã é chamada carinhosamente de “Avó”, por ser usualmente imaginada como uma anciã. É cultuada em todo o Brasil nas religiões Afro-brasileiras. Seu emblema é o Ibiri que caracteriza sua relação com os espíritos ancestrais. Como “Mãe-Terra Primordial” dos grãos e dos mortos, Nanã Buruku poderia ser equiparada à deusa greco-romana Deméter-Ceres-Cíbele.
A existência do culto de Nanã Buruku é atribuída a tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro, por isso, em seus rituais, não costumam ser utilizados objetos cortantes de metal.
O baobá (“Adansonia digitata L.”, em iorubá ossê e em Fon akpassatin) é sua árvore sagrada.
No sincretismo afro-católico, Nanã Boroquê, como é chamada na Umbanda, é equiparada à Sant’Ana.
Nanã no Batuque – RS: Nanã no Batuque (Religião Afro-Gaúcha) é a Iemanjá mais velha de todas, embora não seja Iemanjá.
Arquétipo[editar]

São conservadores e presos aos padrões convencionais estabelecidos pelos homens. Passam aos outros a aparência de serem calmos, mudando rapidamente de comportamento, tornando-se guerreiros e agressivos; quando então, podem ser perigosos, o que assusta as pessoas. Levam seu ponto de vista às últimas conseqüências, tornando teimosia. Quando mãe, são apegadas aos filhos e muito protetoras. São ciumentas e possessivas. Exigem atenção e respeito, são pouco alegre e não gostam de muita brincadeiras. Os filhos deste grande Orixá são majestosos e seguros nas ações e procuram sempre o caminho da sabedoria e da justiça.

Qualidade de Nanã

Nana Buruku.jpg
Igbayin
Buruku
Igbónán
Asayio
Asanan
Insele
Tinoloko
Ajaosi
Ìkure
Dia: sábado Data: 26 de Julho (dia dos avós no Brasil) Metal: Latão Cores: Branco  e azul ou preto e roxo Comidas: Aberém, mugunzá, mostarda e taioba Símbolos: Ibiri e bradjá Elementos: Águas paradas e lamacentas Região da África: Ex-Daomé Pedra: Ametista Folhas: Folha-da-costa, folha de mostarda, manacá, ojú oro, oxibatá, papoula roxa, quarana Odu que Rege: Odilobá Domínios: Vida e morte, saúde e maternidade Saudação: Salúba!

Lendas de Nanã

Afirma-se que Nanã era a rainha de um povo e que tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá desposou-a, mas não ligava para ela. Nanã, então, fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho, Omolu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. Assim, nasceu Oxumaré, que durante seis meses do ano vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.
Em outra lenda, conta-se que, na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore. Nanã então chamava os Eguns para assustá-lo. Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu a sua entrada no Jardim dos Eguns. Oxalá então espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecessem “ao homem que vivia com ela” (ele mesmo).

Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido. Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para invocar os Eguns.
Uma terceira lenda refere que, certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal..
óloje iku ike obarainan

Lendas e Qualidades de Xangô e Airá

Falar em qualidades de Xangô implica falar sobre a dinastia Ifé/Oyó. Ou seja, Cada “passagem” do orixá na transição do poder da cidade de Oyó, onde ele foi o quarto governante, desde sua partida de Ifé, terra de Oxalufã, até seu apogeu no trono de Oyó, terra de seu pai Oraniã. Sendo assim, vale ressaltar que estamos falando não apenas do Orixá Xangô, mas, bem como, toda sua família que, aqui no Brasil, são cultuados como qualidades deste orixá. Portanto, antes de cada qualidade, iremos, sempre, sobrepor a palavra irorubá Obá, que significa Rei.

 Qualidades:

 Obá Afonjá –

 Afonjá, o Bale (governante) da cidade de Ìlorin. Era o ARE-ONA-KAKA-N-FO, ou seja, líder do exército providencial do império. Afonjá é o Xangô da casa real de Oyó. Nesse avatar, é aquele que está sempre em disputa com Ogum. Ora o amor da mãe, Iyemanjá, Ora, disputando os romances por Oyá e Oxum.

É o patrono de um dos terreiros mais antigos do Brasil, o Ilê Axé Opô Afonjá – Assim, contam os mais antigos, que este seria, miticamente, o primeiro Orixá a ser cultuado em nosso país.

Afonjá é jovem, porém maduro. Sábio, feiticeiro, de espírito libertino, galante, obstinado. Muito orgulhoso, jamais perdoa um inimigo, tornando-se violento. Adora um peleja.

 Alafim – É o dono do palácio real de Oyó. É Jovem, guerreiro, ligado à Oxaguian. Veste-se de Branco com detalhes vermelhos.

Xango Alafin extraído do site: http://oradine.deviantart.com/art/

 Obá Kossô – Jovem, nesse momento, Xangô casa-se com Òbá e funda a cidade de Kossô, nos arredores de Oyó. Tornando-se o Rei de Kossô. Veste-se de vermelho e branco. Chamado, erroneamente, aqui no Brasil, de Obô Kossô, este perde esse título para Ayrá. (ver postagens de Ayrá).

 Obá Lubê – Neste momento, Xangô destrona seu irmão Dadá-Ajaká e assume o reino de Oyó – Neste caminho, Xangô consolida a “trigamia” com Oyá, Òbá e Oxum. Portanto tem fundamento com as três orixás; veste-se de vermelho e branco.

 Obá Irù ou Barù – É o apogeu do império de Xangô, em Oyó. Nesse momento ele cria o culto à Egungun ( ou sociedade Egungun), afim de, exaltar seus ancestrais e afugentar os espíritos dos mortos, já que este orixá possui aversão à morte. É o senhor absoluto dos raios, trovões e do fogo em todas as suas formas. É nesse caminho, que Xangô acaba por destruir a capital do reino, em crise de cólera, depois, arrependido, se suicida, adentrando na terra. Daí o nome – Obá Irú – “Rei sepultado”.

É nesta passagem que, Oyá ao saber da morte do amado, implora a Olurun que o transforme em orixá, vencendo à morte. Portanto, os fundamentos de Obá Irù, sempre , terão ligação estreita com as Oyás, especialmente as Igbales.  Nesta qualidade, veste-se marrom e branco, ou apenas branco, possuindo também fundamentos com Oxalufã.

Obá Ajaká – Também conhecido como Bayaniyn (o pai me escolheu), Seria o irmão mais velho de Xangô, por ele destronado. Por ser o filho mais velho de Oraniã, o trono de Oyó é dele, por direito. É jovem, veste-se de vermelho e branco, ou marrom e branco.

 Airanã – É a personificação do próprio fogo.

Obá Orugã – Filho de Oraniã com Iyemanjá violentou a própria mãe, na ausência do pai. Este é o orixá senhor do sol. Veste-se de vermelho alaranjado.

Agodô – Velho, rege os trovões e os tremores de terra. Veste-se de marrom e branco, ou apenas branco. Tem fundamentos com Oyá, Oxum e Iyemanjá.

Oraniã – O patriarca. Pai de Xangô, foi ele quem fundou a cidade de Oyó. É jovem, guerreiro e muito poderoso. Veste-se de vermelho. Suas ferramentas são douradas, possui fundamentos com Oxalufã e Iemanjá.

Olookè – Velho, pertence a família de Xangô. È o dono das montanhas, veste-se de branco com detalhes marrons… As vezes é confundido com Agodô, mas não é o mesmo. Possui fundamentos com Ewá, o horizonte.

Alufãn –  É idêntico a um Airá, veste-se de branco também. Possui fundamentos com Oxalufãn. Suas ferramentas são prateadas.

Obain – Jovem, veste-se de marrom, ligado à Oyá. Também possui fundamentos com Exú.

Oranfé – É o justiceiro, reto e impiedoso. Mora na cidade de Ifé – Terra de Oxalá. Tem fundamentos com Oxaguian – veste-se de vermelho e branco. É Jovem.

Fundamentos de Ayrá – Um Orixá Funfun

Airá era um orixá do fundamento de Xangô. Airá era um dos servos de confiança de Xangô e, seguindo a mitologia, Airá tentou instaurar um atrito entre Oxalá e Xangô, graças a isso, Airá, deve ser tratado de forma diferente de Xangô e seu assentamento deve ficar na casa de Oxalá. Por essa rivalidade com Xangô, não se deve coloca-los juntos, jamais, na mesma casa, nem por os assentamentos de Airá sobre o pilão, pois isso provoca a ira de Xangô. Sua cor é o branco e seus ornamentos são prateados.

Airá é um orixá da família dos raios mas, é relacionado com o vento. Seu nome pode ser traduzido como redemoinho. Redemoinho é o encontro dos ventos, assemelha-se a um furacão. Airá pode ser reverenciado como o encontro dos ventos.

Pouco se sabe sobre o surgimento ou nascimento de Ayrá, por esta razão, muitos atribuem sua filiação à Iyemanjá e Oraniã, assim como Xangô e Aganjú. No Brasil, Airá é visto, erroneamente, como uma qualidade de Xangô. Airá é visto como uma face mais pacífica e amena de Xangô.

Ao contrário de Xangô, Airá não é rei, nem possui o caráter, punitivo e colérico. Este caráter mais ameno, pode ser evidenciado numa das cantigas que diz:

” A chuva de Ayrá apenas limpa e faz barulho como um tambor…”

Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz, Airá a estabelece e possui uma ação muito mais direta em sua imposição. Airá pode ser enquadrado como um sentinela  de Oxalufã, e seria ele, Airá, quem estabelece sua vontade.

Apesar de Airá ser considerado por muitos uma qualidade de Xangô, não é. Airá era, como contam alguns itans, um dos súditos de Xangô, talvez um dos seus escravos, que, a pedido do rei, acompanhou Obatalá até seu reino, após este ter sido liberto do calabouço no qual fora prisioneiro, por engano, de Xangô. Obatalá, fragilizado e sem forças para caminhar, é carregado nas costas, por Airá, durante vários dias. A noite, Airá ascendia um fogueira para aquecer Obatalá e contava-lhe histórias. Ao final dessa trajetória, Obatalá, determinou que Airá o acompanhasse para sempre, dando-lhe status de orixá. Desde então, Airá, tornou-se um orixá Funfun, que veste o branco e não aceita dendê. A fogueira, comemorada por muitos terreiros, no mês de junho de cada ano, é dedicada à Airá, onde ele canta e dança, acompanhado por Oyá, sobre as brasas.

Três caminhos de Airá são mais conhecidos: Igbonã, Intilé e Adjá Osì; sendo o primeiro ligado à Xangô, tendo a fogueira como símbolo.

Ayrá é o verdadeiro Obá Kossô, tendo ganhado esse posto em certa ocasião, quando Xangô o pede para buscar a coroa que estava guardado na casa dos mortos, por Oyá, que temia por seu amado ocupar o trono de Kossô. Para entrar na casa dos mortos, Airá, utiliza-se do Ajerê, que consistia em uma vasilha com bolas de algodão embebidas no dendê, em chamas, que Airá tirava uma a uma, colocando-as na boca, com isso ele conseguia enxergar o Adê Baiyani, que era o nome desta coroa. Ela só podia ser carregada na cabeça, e ela escolhia em que cabeça queria ficar. Airá após levar Adê Baiyani até Xangô, este não consegue suportá-la na sobre sua cabeça, e a devolve a Airá, neste momento o povo de Kossô ovaciona Airá como o novo rei. Cantando:

“Obá Kossô Ayrá ê!

Ayrá Inan!

Obá Kossô Ayrá ê!

Ayrá Inan!”

Títulos de Ayrá

Ayrá Intilé – Veste branco, ligado a Iyemanjá Soba e Oxum Karé. É rebelde, segundo os mitos, foi ele quem provocou a quizila entre Obatalá e Xangô. Por ser um filho rebelde, Oxalá retirou de seu pescoço o colar de contas vermelhas e o transformou com contas alternadas em vermelho e branco, assim toda a terra saberia que Intilé era seu filho.

Os filhos de Intilé são altivos, prepotentes, equilibrados, sábios, serveros, moralistas e galantes.

Ayrá Igbonã – É considerado o Pai do fogo. Ele que carregou Obatalá nas costas, e ascendia a fogueira para aquecê-lo. Seus filhos são de espírito jovem, intolerante, brincalhões, alegres e gostam de dançar. Veste branco.

Ayrá Adja Osì – É o eterno companheiro de Oxaguiã, aprendeu a lutar com ele. Veste o branco. Seus filhos são jovens, batalhadores, guerreiros, persistentes, mas, às vezes, deixam-se enganar pela impetuosidade. São calmos, amorosos, alegres, sentimentais, delicados e sensíveis.

Modè ou Mòfé ou Alàmodé – É um título de Ayrá. Considerado o pai das águas quentes, pouco difundido nos terreiros. Vem acompanhado de Oxum Iypondá. Conta o mito que Modé vestiu-se de Oxum para ser confundido durante uma busca para prendê-lo. Sendo assim, geralmente ele é cultuado como uma Iyagbá, seus animais são fêmeas e seus filhos, geralmente, mais delicados e ardilosos, que choram com facilidade para chegarem onde querem.

Lojó – Outro título de Ayrá, faz referencia à chuva acompanhada de vento.

Óbómim/ Bómim/ Ygbómim – Mais um título de Ayrá. É bom, conselheiro, dono da verdade, reina nas águas junto com Oxum, foi ele quem Oxalá transformou em seu primeiro ministro. Não faz nada sem consultar Oxalá.

Curiosidades:

No Brasil, normalmente confundido e cultuado como uma qualidade de Xangô, Ayrá, portanto, deve ser considerado como uma divindade individual. Ayrá não é de origem Iyorubà, seu culto está restrito à região de Savé, em território Jeje, talvez por essa razão seu culto não tenham ganho expressividade, já que nesta região da áfrica os cultos predominantes são voltados à Oxumaré, Obaluayê e Nanã. Não se sabe ao certo sobre sua ascendência, por isso Ayrá é considerado como filho de Iyemanjá e Oraniã, assim como Xangô e Aganjú.

Em contexto Geral, Ayrá é considerado como um orixá Funfun, ou seja, orixá que veste o branco. É considerado uma divindade de caráter passivo, seus fundamentos são relacionados a água e o ar, mas no Brasil, foi atribuído também a esta divindade o elemento fogo, isso devido a sua associação com Xangô. Ayrá possui uma ligação muito mais forte com Oxalá que do que com Xangô e, na verdade, tudo que for oferecido a ele, não deve conter sal, dendê e, jamais, deve ter seus assentamentos junto com Xangô e, também, sobre o pilão. Isso acarreta em quizila entre os dois orixás. Suas comidas votivas, em vez de dendê, é usado banha de ori africana. Come Ebô, Ejá e Quiabo.

Observação: No Brasil, devido aos festejos de São João, criou-se uma tradição de se ascender uma fogueira em homenagem a Xangô e Ayrá. Na realidade esse ato não existe na África. A cerimônia que ocorre na áfrica é o Jerê de Xangô, cerimônia em que o iniciado de Xangô em Oyó (nação), carrega um jarro com inúmeros orifícios, carregado com fogo sobre sua cabeça. Também, neste ato, pode ser acompanhado por Oyá Kará, que também carrega o Jerê na cabeça.

Aganjú não é um Xangô. Mas foi incluso aos cultos do candomblé, QUE É BRASILEIRO, como uma qualidade de Xangô. Ele é o orixá dos vulcões e montanhas e, é um orixá presente na criação da terra. Orixá da terra inculta, Aganjú é o orixá dos vulcões. O senhor das cavernas, o Barqueiro divino.

 Aganjú é um doador de força e da saúde. É o transportador da carga (os ombros e as costas pertencem a ele), é o defensor dos menos favorecidos, oprimidos e escravizados. Aganjú fornece acesso ao desconhecido, as profundezas no qual o mundo foi e é criado, (Okum –”A obscuridade”, o reino de  Olokum).

 Aganjú é o governante que propicia acesso a todas as áreas inexploradas, inacessíveis. Ele, propicia, também, acesso a climas hostis e potencialmente hostis à existência humana, como o deserto, floresta, Ártico, Antártico, a altura das montanhas, grutas, cavernas, abismos, minas e etc. Aganjú pode ser traduzido como: Agan= estéril ; Ju= deserto, ou mais precisamente como local inexplorado, desabitado, desconhecido.

 Aganjú se encontra nas profundezas da terra, dos oceanos, nas profundezas do espaço, na energia que ainda não foi explorada, na compreensão da mente e da emoção. Aganjú é o guardião, o canal através do qual, profundidades inexplicáveis das emoções, humanas, são vividas e expressadas. Medos paralisantes são do âmbito de Aganjú, é através dele que aprendemos a suprir nossos medos. Quentes emoções, perigosas, mortal, incontroláveis é Aganjú.

 Aganjú tem uma estreita ligação com Oxum. Eles estão ligados de diversos modos: pela emoção, Aganjú é a emoção em sua forma bruta, a profundidade da emoção. Encarnação grosseira, rude. Em quanto Oxum, é a profundidade da emoção e sua forma suave, em sua forma comovente, doce. Amargo e doce. Aganjú explora, supera e vence o rio à cima. Em quanto Oxum, promove o comercio e as relações, pelos mesmos meios. Aganjú supera os obstáculos para ver o que está do outro lado. Oxum, planta a cultura e traz a luz da civilização. Aganjú é o proprietário do rio e o deu para Oxum.

 Aganjú é a abertura de novas possibilidades, o inesperado. É, também, todas as riquezas do mundo. Aganjú é o desafio, a luta do impedir, do desejo que leva a superá-los. Aganjú é primordial. O homem do fogo de todos os tipos, o sol e outras estrelas e cometas. Um dos nomes de Aganjú é Iyrawo, que pode ser traduzido como uma estrela. O fogo nas entranhas da terra, geotérmicas, fontes termais. Os vulcões (Oke onine – Montanhas de fogo), são um símbolo importante de Aganjú.

Os mitos descrevem Aganjú como as câmaras de Magma, na crosta interior da terra. De acordo com a criação do mundo, segundo os mitos , Obatalá, o céu, com sua esposa, Oduduwá, a terra; nasceram dois filhos: Aganjú, a terra firme e rochosa, e Iyemanjá, as águas. Da união com Aganjú, Iyemanjá deu a luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu.

Outro mito o aponta como filho de Sogba, sendo o rei de Ijesà (Ijexá), foi esse orixá que casou com Oxum. No Brasil, Aganjú é, ou Xangô Aganjú, considerado uma qualidade de Xangô, sendo o dono das leis, da escrita, padroeiro dos intelectuais, em contraste com Xangô Agodô ( o mais velho) que é, principalmente, o orixá do equilíbrio e da justiça.

Aganjú, sendo cultuado como qualidade de Xangô, veste-se como o rei, e tem seus fundamentos como o soberano de Oyó, come carneiro. Porém, se cultuado como um orixá independente, Aganjú, possui fundamentos com Ogum, veste-se de Azul com vermelho, come bode castrado, carrega na mão um Oxé e na outra uma espada. Come amalá com gotas de dendê e azeite doce, Ajebô normal. Primeiro se dá comida à Xangô, depois à Ogum.

Aganjú –  Mais uma versão

Obá Aganjú

Obá Aganjú, o sexto alafim ou rei de Oyó. Como Xangô não deixou descendentes diretos, já que seus filhos foram todos mortos graças a sua experiência fatídica que ele mesmo promoveu. Aganjú, filho de Ajaká, subiu ao trono de Oyó sem qualquer tipo de disputa.

O reinado dele se mostrou longo e muito próspero. Ele possuía uma habilidade para domesticar animais selvagens e repteis venenosos, alguns dos quais podiam ser vistos rastejando sobre seu corpo. Ele também possuía em seu palácio um leopardo dócil.

Com um bom gosto apurado, embelezou seu palácio acrescentando praças na parte da frente e de traz, com filas de postes de bronze. Ele que deu o costume de decorar o palácio com tapeçarias.

Perto do fim de seu reinado, travou guerra com um homônimo seu: Aganjú Onisambô. Por recusar-lhe a mão de sua filha Iyayun. Nesta guerra, quatro chefes foram capturados, ao saber, Onisambô, concentiu a mão de Iyayun a Aganjú, à força.

Mas seu reinado foi ofuscado por um grande problema familiar que se transformou em tragédia. Lubegò, seu único filho, foi descoberto mantendo relações ilícitas com Iyayun, por conta disso, muitos príncipes e pessoas comuns perderam a vida. Aganju, enfurecido, sentenciou o filho com a pena máxima, a morte. Após, entristecido, Aganjú morreu, não muito tempo depois, mesmo antes do nascimento de um sucessor para o trono.

Mas Iyayun carregava, em seu ventre, um filho de Lubegò, a única esperança de um sucessor direto para o trono de Oyó. Em consequência disso, eram oferecidos no tumulo de Aganjú, oferendas para que ele deixasse que Iyayun pudesse dar a luz ao herdeiro, e, assim, sua dinastia não acabaria. Aganju, então, assim o fez, permitiu que Iyayun concebesse o filho de Lubegò, seu neto. Sendo assim, a criança foi chamada de Kori, e até ter idade para assumir o trono do Pai/Avô, Iyayun governou o reino como um homem.

No Brasil, Aganjú é cultuado como uma qualidade de Xangô, mas, segundo esse mito, ele seria seu sobrinho. E assim, mais um rei se torna Orixá, inspirando as multiformes de Deuses da Justiça.