Personalidade dos Filhos de Iemanjá

Iemanjá é a senhora do mar, é o próprio mar divinizado, representa a beleza, a família, a maternidade e o amor. Suas funções mágicas vêm de épocas remotas, pois todas as civilizações antigas sempre endeusaram a mulher e seus atributos. ela é a mãe dos peixes, reverenciada pelos pescadores que a associam a Nsa dos Navegantes e fazem procissões de barcos em sua homenagem, sincretizada também a Nsa da Gloria festejada em 15 de agosto e a Nsa das Candeias ou da Candelária festejada em 2 de fevereiro, e também a Nsa de Aparecida. Mas a sua homenagem mais representativa da devoção do povo brasileiro a este Orixá ocorre em 31 de dezembro quando milhares de pessoas em todo litoral brasileiro, aproveitando a festa da passagem de ano a homenageiam com presentes que são lançados ao mar. Sua saudação é “Odoyá Iemanjá” ou “Marabô Doyá Iemanjá” ou mesmo “Odociabá Iemanjá”. Seu dia na semana é o sábado, na mitologia romana pode ser considerada correspondente a Venus, na grega a Afrodite. Seus elementos na natureza são a água do mar, o cristal e a prata, além da lua. Sua cor na Umbanda é o azul claro. No Tarô tem ligação com o Arcano XVII a Estrela, que indica um momento de esperança. Coincidentemente a estrela de cinco pontas aparece com muita freqüência nos pontos riscados por entidades que trabalham nessa linha.

O Físico e o Temperamento

As mulheres e os homens filhos de Iemanjá são na maioria das vezes de corpo delicado e belos, de traços finos, não são muito gordos nem altos, mas possuem beleza acentuada. Refletem limpeza e parecem sempre estar de roupa que acabou de ser passada. São caseiros e gostam de conforto.
Comportam-se gentilmente com todos, sabem perdoar e compreender os erros das pessoas com quem se relacionam. Com o cônjuge, com os filhos e os parentes cedem bastante, pois fazem de tudo para manter o ambiente familiar em paz.
Trabalham diligentemente, mas sem pressa, seguindo uma rotina diária constante. Seguem as tradições os padrões já fixados pela sociedade sem pensar em alterá-los. Suas ações são previsíveis, quem convive com esse filho sabe exatamente o que ele fará nesta ou naquela situação. Mas apesar disto é agradável estar em sua companhia, pois ele não tumultua as situações. Seu estado de ânimo é variável, suas oscilações são sutis, é preciso observar bem para ver como ocorrem a todo instante, na verdade ele muda tanto como a lua e as marés, só que procura manter um comportamento externo igual,quando consegue, para que os outros não oscilem junto com ele.
Esse filho consegue o que quer sem estardalhaço, não usa a força ou a violência para intimidar os outros. A fé, a generosidade e a simpatia são armas que usa para alcançar seus propósitos. São mais maternais com seus afetos do que sensuais. Quando se apaixonam usam o raciocínio e da reflexão para viver este momento equilibradamente. Sua sensibilidade artística é grande, quando não se envolve diretamente com o mundo das artes gostam de apreciá-las.
O amor ao lar e ao lugar de onde vem faz com que sempre volte de viagens saudosos e felizes.
A futilidade e a superficialidade das aparências são defeitos que quando ocorrem prejudicam sua vida financeira. Gostam de objetos caros e de pouca utilidade. Socialmente é muito admirado e sua companhia é afável e tranqüila, cortês com todos, tem amigos que conserva através dos anos. Não costuma abrir a boca para agredir nem para falar mal dos outros. É bom ouvinte e costuma dar conselhos equilibrados. quando chamado a resolver casos conflituosos normalmente tem decisões acertadas
O ciúme que o filho de Iemanjá tem de suas coisas é grande, mas não se manifesta agressivamente. A limpeza, o conforte e a segurança do lar são muito importantes, a mulher de iemanjá vive preocupada com a higiene da casa chegando a alguns casos ao fanatismo, já o homem precisa ter em sua casa um ambiente harmônico sem barulho ou bagunça. Para cativar um filho de iemanjá o primeiro caminho é elogiá-lo, eles gostam disto, pois são inseguros de suas qualidades. A aprovação e o apoio fazem com que eles se sintam estimulados.
Um dos seus defeitos é ter teoria de fraternalismo que ele mesmo não pratica, pois embora defenda um mundo onde todos se dão as mãos e trabalham por um objetivo comum, ele próprio é egoísta e preocupado demais com seus problemas pessoais.
Sua intuição acentuada aliada a dons mediúnicos pode ser fonte de desenvolvimento espiritual que conduzirá a iluminação. Muitas vezes sem perceber o que dizem conseguem prever fatos. mas também são impressionáveis e podem se assustar quando percebem sua mediunidade, nestes casos precisam de orientação segura e firme para se desenvolverem de forma sadia e correta, já que podem ser vítimas de charlatanismo.
Seus defeitos são a inconstância, a indecisão, o desanimo, a rabugice a intriga que devem ser combatidos com suas qualidades mais vibrantes como a amizade, a paz, a imparcialidade, a sociabilidade a diplomacia. Os filhos de Iemanjá gostam de viver no mundo da imaginação. Apreciam ficar sentados às vezes por horas deixando a mente divagar. Neste momento criam ilusões românticas idéias que satisfazem seus anseios profundos. Se conseguirem usar a imaginação como exercício de visualização que os conduza ao caminho do progresso pessoal conseguirão concretizar seus amores e sucesso profissional. Agora isto se tornará um problema se ele s começarem a se satisfazer apenas com os momentos em que divagam.

Amor e Casamento

Os filhos de iemanjá são compreensivos, harmoniosos, pacientes, afetuosos e idealistas no amor. sua natureza ardente é controlada e a aparência nem sempre traduz o que vai no íntimo, a calma e o equilíbrio muitas vezes parece pouca paixão. A busca constante da harmonia define o tipo de relacionamento que o filho (a) de Iemanjá procura, mas quando encontra alguém que lhe parece perfeito ele costuma vacilar.
O sorriso de um filho ou filha de Iemanjá é sedutor, suas palavras cativam, sua doçura prende. Quando eles querem conquistar nada é feito de forma comum. Seus argumentos são usados com arte, seus truques são sutis e sua atração é natural. As lendas dizem que Iemanjá seduz os pescadores e os levam para o fundo do mar, seus filhos são praticamente irresistíveis e preocupados em agradar seus parceiros. Contudo falham em não perceber quais são as reais necessidades íntimas de seus parceiros, eles não tem o poder de análise dos filhos de outros Orixás, enganam-se quanto ao que é importante e tomam decisões erradas por falta e percepção.
Quando jovens seus filhos são namoradores, mas na se prendem por muito tempo, confundem amor com amizade emitas vezes levam um tempo enorme para conseguir dizer a alguém que se enganou em relação aos seus próprios sentimentos. os corações partidos que Iemanjá deixa pelo caminho são difíceis de consertar.
O filho de Iemanjá não é volúvel embora tenha interesse vivo por qualquer bela mulher, mas é comodista e uma vez tendo encontrado sua parceira será com facilidade mantido longe de tentações.
A filha de Iemanjá tem que se cuidar, pois é vítima de conquistadores mal intencionados, ela é confiante e ingênua na juventude e deixa-se iludir com facilidade. Mais tarde será ela que gostará de conquistar e fascinar os homens. Quando casa costuma ser fiel, mas convém ao seu marido procurar agradá-la constantemente, pois ela será alvo do desejo de outros homens, aos quais não incentivará de forma alguma.
O desejo de associação se deve a necessidade de ter alguém para compartilhar a vida, mas a escolha deve ser cuidadosa, pois a tendência a ceder de modo a manter a paz e a harmonia a qualquer custo pode acabar colocando o casamento em uma situação restritiva.

Trabalho e Dinheiro

As atividades onde o filho de Iemanjá poderá conseguir uma aplicação correta de seus talentos são a psicologia, a estética facial e corporal, as artes em geral, o trabalho com líquidos, as viagens. Em qualquer atividade esse filho(a) terá percepção que lhe permitirá introduzir novos métodos e proporcionar uma perspectiva renovadora ao trabalho , mas nas atividades descritas ele terá mais chance de sucesso.
Idealista se envolve em projetos futuristas. Felizmente tem aptidão para visualizar algo em que possa criar circunstancias ideais de realização. A aplicação prática torna suas concepções boa fonte de renda.
As qualidades criativas são o ponto de partida que este filho (a) precisa para se posicionar, nada que o faça seguir regras impostas irá lhe proporcionar satisfação profissional. Diplomático, uma posição que o obrigue estar constantemente tomando decisões rápidas irá cansá-lo, precisa de situação em que possa elaborar seus pensamentos com calma, o silêncio em que se coloca nesta hora é sinal de que está planejando. Ele precisa de tempo para chegar a uma decisão final que considere lógica e sensata, neste processo é comum pedir opinião a outras pessoas, mesmo as não envolvidas no assunto, pois levará em consideração os comentários antes de se decidir finalmente.
O trabalho em equipe agrada muito a esse filho (a), ele gosta de ver várias pessoas agindo por um objetivo comum. Isso o incentiva a produzir. Nesses momentos surgirão suas qualidades de liderança e seus dotes diplomáticos seu tato com as pessoas, seu juízo claro e sensato e sua capacidade de liderança o fazem subir naturalmente.
A mulher filha de Iemanjá que trabalha mantém sua graça e encanto, mas é firme e não se deixa iludir. Não é fácil obter vantagens com ela.
A fama da indecisão do filho de iemanjá é famosa, essa fama será descrita em vários arquétipos descritos por outros dirigentes, mas o filho (a) não costuma concordar com esta fama, afinal estará pesando os pró e os contras, e se você o (a) acha muito demorada o problema será só seu, pois quando ele (a) resolver agir será eficiente e decidido, conseguindo superar e muito seus concorrentes.
Os filhos de Iemanjá apreciam serem juízes das disputas que acontecem no trabalho. Os colegas e subordinados levam até ele (a) as reivindicações deixando com ele (a) a decisão do que fazer ou como fazer certos que ele (a) será muito hábil em conseguir vantagens para seus pares. Gosta de discutir, não impõe suas idéias, prefere argumentar nem que isto seja exaustivo e demorado

Saúde

O filho de iemanjá tem boa saúde quando conseguem uma vida equilibrada. Tudo que eles fazem em excesso produz um resultado negativo em seu corpo e mente.
As pedras nos rins, as dores renais, os distúrbios no aparelho urinário, as verrugas, feridas, machucados, cicatrizes ou pancadas nas nádegas são as primeiras manifestações que seu corpo sofre quando desarmônico.
Os doces e as bebidas alcoólicas são responsáveis por seus problemas de obesidade, estomago pele, rins e bexiga. As dores de cabeça, as coceiras e os furúnculos refletem também estes excessos.
O peito e os pés são outros pontos sensíveis no filho de Iemanjá que podem sofrer resfriados fortes ou pneumonias, além de pancadas e ferimentos nestes lugares.
O repouso é o primeiro remédio que o filho de Iemanjá precisa para se restabelecer. A paz e a harmonia precisam retornar à vida dele (a), quando quer ter sua saúde de volta. Dormir muito refaz sua energia, música e cores suaves igualmente colaboram para reequilibrá-lo.
Se seu sangue vier a sofrer alterações por causa da má circulação ou outras disfunções, ele terá problemas na coluna vertebral ou hormonais. A coluna lombar e os quadris são os pontos mais atingidos. As supras renais costumam causar alguns distúrbios de saúde ao filho (a) de Iemanjá.

O Homem de Iemanjá
Ele é bondoso, delicado, justo, sedutor, imparcial, equilibrado, intuitivo, suave, mas também indeciso e rabugento, desanima por pouca coisa. Como quer ser aceito socialmente, é muito sensível ás opiniões que os outros tem sobre ele.
Não suporta a grosseria, a vulgaridade, a falta de refinamento.
Alguns homens de Iemanjá, quando jovens, têm problemas para enfrentar a realidade de um dia-a- dia duro e sem encanto. Com o tempo aprenderá a passar pelas obrigações diárias mais facilmente, encontrando em seus gostos pessoais um refúgio recuperador.
Normalmente bonito fisicamente, tem presença marcante, intenso e ardente pode ser vítima de parceiros manipuladores tornando-se infeliz por não conseguir se libertar.
Sabe guardar segredos e gosta de receber confidencias, mas nem sempre sabe analisar o que ouve porque é deficiente na análise dos motivos que levaram as pessoas a se comportar desta ou aquela maneira, embora consiga aconselhar com propriedade devido a seu senso justo e equilibrado.

A Mulher de Yemanjá
Ela é a mais amorosa das mulheres, a mais delicada e feminina, vaidosa e sedutora, seus traços são suaves e finos, reservada procura não chamar atenção.
Desde jovem busca a independência, intelectual estudará para subir na vida. O trabalho é importante para ela, pois lhe proporcionará independência e bancará as despesas que terá com seus gostos pessoais. Seu atrativo está em sua aparente fragilidade, no seu parecer indefeso e na sua carência de cuidados e atenções. Admirada e muito cortejada quando moça, se confunde com sua dificuldade em dizer não. Profissional competente tem bom poder de análise e é boa para comandar uma equipe. Sensata e equilibrada com as finanças não consegue tomar decisões rápidas, ela precisa de tempo para se resolver, se forçada a fazê-lo sem a análise necessária, muda de idéia quando menos se espera.
Confidente guarda segredos como ninguém. Outra face de Yemanjá dota suas filhas de firmeza. Apesar de sua aparência delicada pode ser bastante teimosa quando se trata de exigir o que julga ser seu de direito.
A mãe de Yemanjá é excelente para os filhos menores, os protege de tudo, satisfaz suas necessidades, mimando ao extremo. A educação que lhes dá inclina-se a mais tradicional, cheias de proibições. Tempera com bastante amor sua severidade e é fácil reconhecer seus filhos, ele terá sempre as roupas limpas, o cabelo bem penteado de aparência notável. Quando crescem seus cuidados diminuem ela volta a se dedicar mais ao seu marido
Sua saúde pode ter problemas em áreas bem definidas, dores de cabeça, tensões pré menstruais, que as tornam irritadiças e choronas, acúmulo de água nas pernas e os rins podem ser outros pontos fracos.
Em cada filha de Yemanjá há um pouco de homem assim como em cada filho de Yemanjá há um pouquinho de mulher. Ambos são como as ondas do mar que às vezes ficam revoltas. Quando tudo passa o equilíbrio retorna trazendo a bonança da paz.

Extraído do Livro “Conheça seu Orixá” de Barbara Triana.

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Curando Suas Mazelas com Exús

Era mais um dia de trabalho na tenda umbandista, iniciou-se os trabalhos com a linha de caboclos, onde comumente são os que iniciam o trabalho na sessão desse templo. Por regra da casa, são os caboclos que efetuam os passes fluídicos nos filhos da assistência que ali adentram. Calmamente um a um vai adentrando no espaço de trabalho e recebendo os fluídos benévolos da linha de caboclos.

Enquanto todos os filhos incorporados e ocupados com os assistentes, uma senhora em seu silêncio esconde uma dor inimaginável, ela sofre em silêncio aguardando alguém que possa apaziguar sua aflição, mas ela não fala ninguém sabe, para todos, é apenas uma pessoa em busca de um conselho ou um passe.

Começam as curimbas para a subida dos caboclos, um a um esses bravos e maravilhosos irmãos deixam seus aparelhos, e consequentemente o recinto físico da casa.

Começam-se os pontos para os baianos, o louvor aos baianos é sempre entoado com grande festa e expectativa, são os nossos queridos camaradas que nos ajudam aconselhando e batendo um papo descontraído fazendo-nos esquecer nossas aflições que ficaram de fora desse humilde trabalho.

Um a um os assistentes vão conversando, tirando duas dúvidas e solicitando conselhos, e essa senhora, não fugindo da regra, também o fez. Mas algo a incomodava, mas ela talvez preferiu manter o silêncio.

Durante os trabalhos dos baianos, a gira descontraída, fui tomado por um êxtase inexplicável, eu não sou muito a favor de trabalhar com a linha da esquerda, confesso, não por preconceito ou porque gosto de menosprezar essa fantástica linha de guias, mas por opção e afinidade talvez.

Um baiano a chamou e foi onde ela começou a mancar, começou a chorar de dor, dizendo que estava com problemas nos rins, na perna esquerda e no braço direito, sentia muitas dores na coluna também.

Sinto a vibração do Sr. Marabô e me pergunto qual é o propósito de senti-lo em uma gira de baianos, além disso, qual é o propósito de senti-lo se eu mesmo sentia que os trabalhos corriam muito bem e sem maiores complicações?

A Vibração ficava mais forte, até que eu não pude segurar, como sou um médium semiconsciente, passivamente participei do trabalho dele e atento gostaria de saber do porque de sua aparição. Eu, já sabia que ele é uma das entidades que sirvo que atua enfaticamente na linha médica, mas qual o motivo para sua presença ali? Mil coisas se passam na cabeça, até achei que algum filho seria repreendido ou estaria ali alguma presença que por algum erro deixaram passar… É incrível como o tempo é relativo, em questão de segundos, veio um turbilhão de indagações em minha cabeça, até que…

– Tu, mocinha, venha cá! Disse ele.

Ela atônita e assustada faz com o dedinho indicador da mão direita em relação ao seu tórax, como quem diz: Eu?

– É, você mesma! Me acompanhe.

Vagarosamente a mulher o acompanhou e a levou para outro setor dentro do centro, um setor mais calmo para trabalhos mais tranqüilos. Com ele, foi chamado mais dois médiuns, que eram de Iemanjá por sinal, para acompanhá-lo no trabalho.

Chegando ao recinto, ele mandou pegar quatro bancos e ordenou a cada uma das filhas:

– Eu quero a linha de preto-velhos aqui, preciso fazer um trabalho conjunto com o início da cirurgia que irei prestar, portanto, firmem a cabeça que eu quero suas vovós aqui.

Enquanto os médiuns se preparavam para efetuar a comunicação mediúnica, ele já sentou, pediu a sua adaga, o marafo, seu charuto, e começou os trabalhos.

Lembro-me que uma preta-velha ficou posicionada ao lado direito dessa filha, outra ficou na parte posterior e o Sr. Marabô ao lado esquerdo, e iniciaram a triangulação terapêutica sobre a filha.

Foi solicitado mel e um chá de ervas, como temos essa disponibilidade no centro, fica muito mais fácil quando se existe uma urgência. Assim que esse chá de ervas e mel foi preparado, foi solicitado ao cambono ministrar três colheres na boca da senhora.

– Funcionará como anestesia, minha moça

– Espero, senhor, a dor é indescritível

– Tenha paciência, agirei em três frentes com você, você receberá passes fluídicos nas áreas menos graves, como seu braço direito e sua coluna, mesmo assim, teremos que fazer um tratamento de seis sessões, sua coluna deve-se a um reumatismo que iremos remover com o tratamento, o cansaço de sua perna deve-se a energias deletérias que serão excluídas de seu corpo, assim como seu braço direito.

Com o punhal na mão ele continua:

– A situação mais sensível é o seu rim, terei que fazer uma cirurgia psicossomática nele e te receitar alguns chás, tenha paciência que em duas luas será solucionado seu problema.

Após alguns minutos, ela dizia sentir uma pontada muito forte na dor, em contrapartida, estava tendo um alivio, uma espécie de formigamento em todo o corpo, e o preparado com o mel anestesiou um pouco suas dores, nisso, já se ouvia ela dizer: Graças a Deus, que Deus abençoe vocês.

Durante o trabalho, Sr. Marabô não parou, muitas fumaçadas de charuto ao redor da paciente, muita conversa, dizem que ele acalma muito os seus pacientes, contanto piadas e brincando, atuando também no corpo mental do paciente.

Durante o trabalho ela perguntou:

– Que estranho exu fazendo cirurgia e cura, vocês não são da encruzilhada e servem pra proteger o terreiro? Disse ela.

– Sim, a linha de exu em geral possui essa característica, mas tive um ofício na terra, que por sinal era médico, por não me achar digno de ainda caminhar na luz, caminho nas trevas, onde me sinto mais útil, e além de trabalhar sim, com a defesa do centro, pois eu também sou um exu que é firmado na tronqueira, eu também trabalho paralelamente com outros guias desse menino para atuar com a cura.

– Interessante, disse, nunca conheci um exu que trabalhasse com cura.

– Talvez você já conheça, ele apenas não se plasma dessa forma a você, dando uma gargalhada ele retruca.

Com isso, ele passou pela última vez sua adaga e disse:

– Minhas velhas, agradeço, o primeiro estágio da cirurgia foi concluído.

Nisso as preta-velhas que participaram ativamente da doação fluídica, de todo o magnetismo energético, trocando más energias por boas energias, também devagar foram desocupando seus aparelhos e fazendo com que as médiuns voltassem a si.

Disse a paciente:

– Obrigado senhor, vocês foram uma benção, eu andava com dificuldade pela dor, e agora consigo andar sem incômodo no rim ou na minha costela, vocês são uma benção, obrigado a você Exu.

– Agradeça a Deus, pois ele que deu a oportunidade para você aqui se curar e eu aqui atuar.

Com isso, a mulher foi levando muitas outras pessoas com problemas de saúde e com a graça de Deus, as graças também foram alcançadas por ela, e sinto-me muito feliz de ter sido um instrumento para essa benção e muito honrado por servir a esse Exú e a toda a Benevolência Cósmica.

Comentários:

Algumas lições tirei com isso, alguns dizem que exus só podem trabalhar no escuro e não incorporam com a presença da direita, percebe-se que isso é um mito, ele só não veio durante um trabalho da direita, como também não foi chamado, mas para atuar na Lei e praticar a Caridade tão pregada nos templos, ele veio em nome da urgência que ali existia.

O exu não é apenas uma entidade de encruzilhada ou de porteira, exu tem fundamento, exu tem Luz, exu tem conhecimento, portanto, também existem exus que possam atuar na cura, que também pode atuar com energias mais sutis.

E muitas escolas dizem que exu é um exu de Xangô ou Oxossi, o meu é um exu que vem na vibração de Iemanjá. E pelos meus ensinamentos, como os guias de Iemanjá trazem o poder da cura, não é nenhum pouco surpreendente que o exu que “ela escolheu” em minha linha, seja um digno mensageiro da vibração dela.

Saravá os Preto-Velhos

Saravá Sr. Marabô

Saravá os Exus

Saravá a Corrente Médica

Namastê

Neófito da Luz

Saravá os Marinheiros

Composta por espíritos que se apresentam com a roupagem fluídica de trabalhadores do mar, sejam marinheiros, pescadores, corsários, piratas, é uma falange que abrange todo o povo que de alguma forma, foram envolvidos com o mar.

Sim, nem todos os marinheiros possuem o uniforme branco como vemos nas imagens, muitos usam bandanas na cabeça, brincos, eram marinheiros da idade média, que viviam de pirataria, corso, alguns espíritos dessa falange se apresentam com roupas de bucaneiros, para quem assistiu “Piratas do Caribe” deve saber do que eu to falando, inclusive, um dos meus pede um pano na cabeça, eu achei pra lá de estranho e foi quando eu o vi plasmado, e sim, não usa essa farda e nem tampouco a roupa de gala da Marinha e sim é um negro, que foi escravo durante as navegações, como eu sempre digo, não sigam estereótipos ou paradigmas, muitos médiuns com certeza, com medo de fugirem do padrão, usam acessórios que não é solicitado pelo seu marujo e sim porque a regra do terreiro exige tal, enquanto outros só querem ter os capitães do mar.

É muito importante lembrar que a Marinha é a Força Armada mais Antiga do Mundo, e os países que dominavam as embarcações na época, seja para exploração ou para a Guerra, eram Potência Mundial. Tudo era explorado através do mar, muitos alimentos também eram extraídos do mesmo, isso só corrobora com a vasta falange de espíritos que podem atuar nessa linha.

Marinheiros indiscutivelmente representam a alegria, chegam em sua grande maioria festeiros, brincalhões, abraçando a todos, são espíritos muito camaradas, amigos que estão sempre de prontidão e alegria para realizar suas consultas.

Sua saudação é “Salve a Marujada”, sua cor geralmente é o azul, seu dia da semana em muitas casas é o sábado.

Aceita como oferendas, a cerveja, peixe cozido ou frito, alguns solicitam conhaque, vinho ou até whisky, suas velas azuis ou brancas, e sua oferenda geralmente é na beira do mar ou em barco para o meio do mar.

Trabalham sob os auspícios das vibrações do Mar, Iemanjá e Oxum, mas vale ressaltar que muitos trabalham cruzados e podem carregar mais de uma vibração em seus trabalhos, podem vir também sob os auspícios de Ogum, Oxalá ou outros orixás, dependendo da corrente vibratória do filho.

Como trabalham muito bem com o elementar água, também são ótimos curandeiros e magos, muito evocados em trabalhos de limpeza quando é necessária a energia sutil do elementar água.

NA minha opinião também é a linha que atua com maestria no corpo emocional do médium e dos consulentes, trazendo em suas vibrações a alegria e a paciência e todo o espírito Materno de Iemanjá.

Existem muitas dúvidas sobre a forma de trabalho deles, que normalmente eles vêm bêbados e cambaleando, aí é um ponto que temos que dar razoável atenção.

Se pesquisarmos um pouco da história, os marinheiros, mesmo os da idade media ficavam muito tempo em alto mar e nem sempre havia comida o suficiente para a viagem, ocorriam muitos imprevistos e para saciar a fome, se embebedavam, tomavam muito rum, e posteriormente isso foi mudando, para conhaque, whisky e outras bebidas. Então, é sabido que muitos marinheiros em seu ofício, bebiam demais, por conta disso, ocorrem algumas coisas relacionadas a esse fato, os marinheiros dos terreiros além de virem cambaleando como bêbados, pedem muitas bebidas. Como eu sou adepto a que nada segue um padrão fixo e pré-estabelecido, até acredito que o marinheiro possa vir um pouco “alterado” mas existem fundamentos por trás disso.

Já é sabido da benevolência do álcool para muitas funções, inclusive no campo imagístico, e justamente por essa linha trabalhar sob o magnetismo aquático, onde a vibração se dá através de ondas, é necessário que isso seja diminuído no corpo espiritual do médium, e uma forma de diminuí-la é através da ingestão pequena de álcool.

Alguns marinheiros tombam de um lado para o outro, outros preferem vir dançando, alguns vem soluçando, mas sempre alegres e dispostos.

Como atuam no campo emocional do médium e trabalham com o elementar água,  o que também ajuda na cura e na revitalização de muitas funções do nosso corpo e as bebidas alcoólicas contêm uma parcela de água, e é comprovado cientificamente alguns dos seus benefícios, segue abaixo um trecho extraído do site do Dráuzio Varella:

 “1) Consummators de quantidades moderadas de álcool apresentam níveis de HDL (“o colesterol protetor”) 10% a 20% mais altos do que os abstêmios;

2) A presença de álcool na circulação interfere com os mecanismos de coagulação do sangue, aumentando o tempo de coagulação. Com o sangue menos coagulável, haveria mais dificuldade para a formação de trombos nas artérias coronárias. A ingestão de quantidades maiores de álcool, no entanto, reverte essa relação, favorecendo a coagulação mais rápida e a trombogênese;

3) Beber moderadamente pode reduzir a probabilidade de infarto indiretamente, ao diminuir o risco de desenvolver diabetes do tipo 2, aquele que costuma se instalar na vida adulta. Beber muito, ao contrário, aumenta os níveis de glicose no sangue, indicador de aumento de risco para diabetes.”

Justamente por trabalharem na vibração do mar, trazer o elemental água que corresponde a pelo menos 65% do nosso organismo e atuar com maestria em nosso corpo psíquico, trazem sim, um pouco do encanto do alcool e sabem manipular muito bem isso para nosso benefício.

Talvez seja essa a razão, virem cambaleando por causa da frequencia vibratória da água, do mar, das ondas e sim, consumir bebida alcoolica por também existir uma parcela de água no alcool e por trazer tantos benefícios em nossa saúde. Ou também tem o fato de virem cambaleando e meio “alterados” por atuarem no nosso corpo mental, e com isso, absorverem um pouco do que seria o efeito do alcool em nosso corpo, de uma forma ou de outra, é para a prática do amor e da caridade. Cabe a nós refletirmos, não?

Alguns marinheiros que conheci: Mané Jangadeiro, Tiago, Tonhão, João Marina, Martim Pescador, Martim Parangola, Martim Ignacio, Gerson, Sete Jangadas, Jorge, entre outros.

Namastê.

Neófito da Luz

Identificando e Entendendo a Regência dos Orixás de Cabeça

Muitas são as questões referentes ao Orixá de Cabeça, eu diria que praticamente 50% das questões que eu recebo é referente a saber qual o Orixá de Cabeça, me fornecem data de nascimento, nome completo e outras diversas metodologias que utilizam para descobrir qual é o Orixá de Frente que temos.

Esse post é para desmistificar um pouco essas questões, e abordar de uma forma mais complexa como se identifica o Orixá de Cabeça.

Importante salientar e repetir mais uma vez que Orixá é um Aspecto Vibratório de Deus, uma vibração que habita no Cosmos, todos nós fomos feitos “À sua Imagem e Semelhança” e indiscutivelmente carregamos uma centelha Dele dentro de nós, os africanos, traduziram essa centelha como o orixá (Ori = Cabeça, Xá = Energia) e atribuíram que essa energia fica em nossa cabeça, ou seja, em nosso chacra coronário que é o chacra principal para recebermos as energias do Universo.

Todos nós nascemos com um propósito e existem diversas formas de descobrimos esse propósito, isso se dá através do autoconhecimento e o Criador nos forneceu diversas ferramentas para isso, seja a numerologia, a astrologia, os oráculos, o eneagrama, entre outras diversas ciências que auxiliam em nosso autoconhecimento identificando nossos defeitos e qualidades.

Todos nós viemos do Cosmos e trazemos conosco, uma Centelha desse Cosmos, e na Umbanda, denominam-se “Orixás”. Apenas repetindo para frisar bem isso.

Existem diversas literaturas que explanam o arquétipo dos Orixás, características dos filhos, entre outras questões e ao descobrirmos, corremos para a internet para saber das lendas, das características, das preferências e tudo o que tange o nosso Orixá de frente.

Primeiramente vou explicar sobre o fundamento por trás dos Orixás (Mãe, Pai, Djuntó, Padrinho) e tudo mais e posteriormente, como podemos suprimir a característica negativa e potencializar a positiva. Primeiramente usarei como analogia a astrologia:

Na astrologia, temos o signo solar, que é o que encontramos em várias revistinhas de horóscopo e tudo mais, que eles pegam uma mensagem aleatória e coloca para as pessoas, eu por exemplo, sou do signo solar de escorpião e possuo características que se assemelham ao signo, OBVIAMENTE, nem todo escorpiano é igual, isso se deve a diversos aspectos da formação do ser, como criação, educação e outras várias, uma delas é o SIGNO ASCENDENTE.

O SIGNO ASCENDENTE é o signo que está no horizonte no momento do seu nascimento, ele está ascendente em linha com o SOL no ato do seu nascimento, buscando a referência de uma astróloga que respeito muito, Graziella Marraccini, ela diz:

Signo Ascendente, antes de mais nada, rege o corpo físico da pessoa e influencia a sua personalidade sendo o veículo da expressão do Eu Interior que é representado pelo Signo Solar. Na palavra personalidade, temos a raiz persona, que pode significar também personagem. Desta feita o Ascendente influenciará a personalidade ‘aparente’ da pessoa, o seu modo de agir, as respostas e necessidades de seu corpo físico, se misturando assim com as influências do Signo Solar e com a Lua, para compor a personalidade. “

Então como podem observar, o ascendente também COMPÕE a personalidade de cada pessoa, indubitavelmente um escorpiano se difere do outro justamente porque os seus ascendentes também não são iguais, aí ocorre uma mistura entre as duas características possibilitando diversas combinações de personalidade.

Também temos o SIGNO LUNAR, que segundo a mesma astróloga:

A Lua é responsável também pela nossa receptividade, pela nossa imaginação, por nossa sensibilidade, pelas nossa reações, hábitos e memórias, pela forma como nos adaptamos ao meio-ambiente e expressamos nossas emoções. O signo tradicionalmente ligado à Lua é o signo de Câncer, que indica o sentimento de proteção e nutrição. Nos Mapas masculinos, a Lua, representando a mãe ou anima, reflete muitas vezes o tipo de esposa que o homem irá buscar na fase adulta para substituir a própria figura materna. Nos Mapas femininos porém, a Lua assume uma maior importância. De fato, a mulher sendo um ser “dual” precisará se identificar seja com o seu lado solar que com o seu lado lunar. Isso explica porque muitas mulheres não conseguem se identificar com o seu signo solar. “

O que eu quero dizer com tudo isso?

Não podemos generalizar que todo escorpiano é igual, que tem certas deficiências, porque todo escorpiano pode ter características semelhantes, mas quando combinamos com o seu ascendente e sua lua, tornamos mais assertiva a identificação desse ser. Isso também acontece com os orixás regentes (Orixás de frente comumente chamados também)

Não é porque eu sou um filho de Xangô que serei possessivo, violento, ciumento e as demais características pejorativas encontradas no arquétipo do Orixá, eu também tenho a minha “Mãe de Cabeça” e também tenho o orixá que rege os meus caminhos e eles alternam sua predominância em todo tempo de nossas vidas.

Existe as combinações, por exemplo:

Um filho de Xangô que tem como mãe de cabeça Iemanjá e “padrinho” Oxóssi, é diferente de um filho de Xangô que tem como mãe Oxum. Ocorrerão semelhanças, mas quando identificarmos profundamente certas características, existirão mudanças.

Dentro do próprio Orixá regente, ele tem a qualidade, o aspecto vibratório, por exemplo, um filho de Ogum, ele pode ser de Ogum Beira-Mar (Vibra com Iemanjá), filho de Ogum Iara (Vibra com Oxum), Ogum Megê (Vibra com Obaluaie), então, o Ogum tem uma qualidade, ou seja, ele carrega mais de uma vibração com ele. Continuando no mesmo contexto, vamos desmembrar Ogum Beira-Mar:

Ogum Beira-Mar: Orixá Ogum, que atua na vibração de Iemanjá, ou seja, a característica de um filho de Ogum Beira-Mar pode ser bem diferente da característica de um Ogum Rompe-Mato, justamente por a vibração é Ogum, mas ele traz mais de uma vibração.

Bem difícil passar isso em texto [risos].

Vou tentar definir o meu caso:

Sou filho de uma qualidade de Xangô que traz vibração com Oxalá, alguns chamam de Xangô Agodô e o seu sincretismo é São Pedro, outros dizem que é Oxalá velho, cada um tem a sua concepção individual nesse caso, eu percebia que todo guia meu aparecia de branco, achei estranho porque era convicto que eu era filho de Xangô, foi através de uma senhora que eu perdi o contato e de um excelente babalaô que fez a transição que descobri que na nação chamam-no de Xangô Airá, ou Sango Ayra, e na Umbanda é Xangô Agodô (Alguns chamam de Alafin).

Muitas pessoas utilizam dia da semana, dia de nascimento e outros diversos métodos, mas é importante salientar que não existe uma regra oficial para isso, dizem que quem nasce em outubro é filho de Obaluaie, eu sou de Xangô, que quem nasce de terça é filho de Ogum, e assim vai.

O Mundo espiritual possui diversas regras, mas é importante salientar que essas regras de dias, data de nascimento, muitas regrinhas dessas foram criadas por homens, e quando as coisas são criadas por homens, existe a sua margem de erro e muitas vezes, uma margem muito alta.

As formas mais adequadas de descobrir quem realmente é o seu Orixá Regente, ou Orixá de Cabeça ou Orixá de Frente como dizem, é com o seu próprio dirigente ou com sua intuição, eu percebi que geralmente, eu disse, GERALMENTE somos filhos do primeiro orixá que damos passagem. O primeiro orixá que eu dei passagem foi Xangô, sem saber como vinha, veio com as duas mãos fechadas, cruzadas e gritando Kio e Kao.

Muitos médiuns que começaram comigo, ocorreu a mesma coisa, um amigo de Oxum, meu irmão de Obaluaie, um outro amigo de Oxóssi, meu pai com Ogum e assim foi.

Um outro fator interessante para observar, é que nem sempre somos regidos pelo nosso orixá de frente, sim, eles alternam com o tempo, e também não existe somente a regência dos três principais: Pai, Mãe e Djuntó (Não gosto muito dessa nomenclatura), vai depender muito da missão do médium, eu já conheci pessoas que ao invés de três orixás, eram cinco que respondiam, além do fator de cruzamento de vibrações que eu citei acima como Ogum Beira-Mar, ele traz duas vibrações, aí você tem uma mãe como Iansã (Que algumas vibram com Oxum) e com Oxum (Algumas trazem vibração de Iemanjá) então você fica com seis vibrações dentro da sua cabeça. Mas isso é conversa lá para frente, que é um assunto bem complexo.

Mas não se apeguem a regras, quizilas, eu mesmo tenho como caboclo de frente, Sr. Urubatão da Guia, que se for estudar sua nomenclatura, ele vem com Obaluaie (Dizem ter quizila com Xangô), Xangô, Ogum e Oxalá. É um caboclo que traz quatro vibrações, existem caboclos que trazem Sete vibrações, como o caso do Sr. Sete Flechas, e assim vai.

Não existe receita de bolo, não existem regras pré-estabelecidas, a regra principal é acreditar em si mesmo, se você tem cinco caboclos, ótimo, pode acontecer, se tem apenas dois, ótimo também, cabe a você descobrir qual a sua missão dentro dessa jornada chamada vida.

Um outro fator importante salientar, criou-se uma lenda que “assentar” o orixá errado atrapalha a vida do filho e tudo mais, eu fiz todas as minhas obrigações para Ogum, que o mesmo não saía do meu pé [risos], Ogum me regeu por quase uma década porque ele precisou, eu precisava de força para muitas coisas, precisava de iniciativa, poderio de guerra e justamente por isso, ele me regeu por tanto tempo, mesmo eu sendo filho de Xangô, justamente por isso, fiz todas as obrigações possíveis pra ele e graças a Deus, nunca tive problemas. Assentar Orixá errado não atrapalha a vida de ninguém e não dá quizila também, isso é coisa que colocam em sua cabeça.

Importante salientar que muitos exemplos que eu dou, apesar de citar somente eu, se baseia conhecendo a vida de outras pessoas também, fui pai pequeno durante seis anos e consegui ver os bastidores de muita coisa.

Quer saber seu orixá de cabeça? Vivência ou Confiança no seu sacerdote. Apesar de achar que todos nós no fundo sabemos quem é o nosso orixá regente.

Ferramentas como astrologia, dia da semana, dia de nascimento, regras de cálculos, muitos utilizam o biótipo, tem centro que não pode ver um gordinho que já dão Xangô a ele, não podem ver uma baixinha que já dão Oxum a ela e assim vai [risos]. Muitas ferramentas podem ajudar sim, podem dar um norte, MAS NEM SEMPRE é um fato!

Em nosso plano, tudo o que se refere ao mundo espiritual são especulações e isso vai depender justamente dos olhos de quem vê e dos ouvidos de quem ouve.

Desculpem-me se os decepcionei tentando dar a fórmula certa para descobrir seu Orixá, porque ela não existe!

Linha de Caboclos – Parte III

Axé,  prezados irmãos.

Esse post vou me focar apenas no aspecto vibratório e no nome magístico do caboclo. Eu acredito que os nomes não são por acaso e nem tampouco o campo vibratório do qual o caboclo atua. Claro que existem algumas raras excessões.

Vou pegar por exemplo, um caboclo que conheço bem e é um caboclo de trabalho, caboclo do Sol.

Geralmente os caboclos que possuem nomes de astros, são caboclos atuam também sob os auspícios da vibração de Xangô, não quer dizer que o mesmo não trabalhe sob outras irradiações, mas como vibração Nativa, é a Vibração de Xangô. Mais alguns exemplos:

Caboclo da Lua, Sete Luas, Sete Estrelas, Sol Nascente, Estrela Dalva, entre outros.

Voltando ao aspecto Caboclo do Sol, ele possui a vibração Nativa de Xangô, mas também atua sob a vibração de Oxalá, porque Sol é o Astro Regente da Vibração de Oxalá. Vamos desmembrar mais um pouco.

Sol = Composto por Fogo (Elementar de Xangô), é o Astro responsável por irradiar nossa galáxia, astro correspondente a Oxalá. Por ser um índio, também pode trazer sob sua vibração Oxóssi.

Caboclo da Lua – Lua por muitas vezes é cultuado como Oxóssi e/ou Iemanjá, a Lua geralmente é reservada à Grande Mãe das Águas, então, podemos concluir que o caboclo da Lua, pode trabalhar com Xangô, porque a Lua é um Astro, pode ser de Oxóssi e/ou Iemanjá. Muitas casas também atribuem a Lua ao Orixá Ogum. Todos podem estar certos, então temos um caboclo que atua sob os auspícios de quatro orixás.

Caboclo Tupã – Significa trovão  em Tupi e é o Deus que concebeu a Terra, só aí já temos Oxalá e/ou Xangô no nome desse caboclo, fora que por ser da tribo de Tupis, conforme exemplificarei abaixo, pode ser também um caboclo de Oxóssi.

Um outro caboclo que conheço muito bem é o Sr. Rompe-Mato. Desmembrando seu nome, temos o “romper” que é o significado de força, o que simboliza Ogum e em seu nome, encontramos “mato” que é de Oxóssi.

O que mais me espanta é que muitos sacerdotes que conhecem muito bem a Umbanda, sabiam da irradiação do caboclo sem muito espanto, a minha madrinha quando chegava o caboclo em terra ela já sabia quem era e com qual orixá ele trabalhava. Hoje, com muito estudos, conseguimos chegar a um patamar razoável, e que confirma muita coisa que os antigos já diziam a respeito dos caboclos e suas vibrações, com isso, conhecendo bem nossas entidades, sabemos quais são os nossos orixás e com isso, identicarmos qual a nossa missão e propósito na Terra dentro do autoconhecimento da Umbanda. Claro, como eu disse, existe algumas raras excessões, esse caboclo, Sr. Rompe-Mato, também vibra e muito bem na linha de Xangô.

Em minha humilde opinião, acredito veementemente que trabalhamos com os guias que estão na mesma sintonia vibratória que nossos Orixás regentes, salvo raras excessões pode aparecer um guia que precisa trabalhar e nós como mediuns, cedemos por um tempo a nossa matéria para que ele possa atingir o seu objetivo, obviamente com a permissão de nossos Orixás e do Guia Chefe.

Um outro fator muito interessante, é a linha de caboclos Tupis, seja Tupinambás, Tupiniquins, Tupinarés, são caboclos que possuem como vibração nativa do Orixá Oxóssi e através de algumas pesquisas, como sempre, tudo o que me vem à mente, gosto de procurar e pesquisar com coisas que corroboram com minhas idéias, aí vi que a linha de Saraceni também identifica através do nome do caboclo qual é o seu Orixá regente e achei isso muito interessante.

Vou postar abaixo um trecho do qual eu concordo veementemente e pude vivenciá-los durante meu tempo dentro da religião, inclusive, o que fala do meu mentor chefe, Urubatão da Guia corrobora perfeitamente com o que ele me ensinou:

Icaraí- Icaraí significa “água santa”. A água é um elemento de Yemanjá. O que torna algo “santo” é a Presença de Deus (o Alto do Altíssimo); e o Orixá que representa o mais Sagrado é Oxalá (porque rege o Sentido da Fé, base da religião). Logo, é um Caboclo de Oxóssi, Yemanjá e Oxalá;

Tupinambá- Tupinambá significa “filhos de Tupi” (ou de Tupã). Tupi é a Raiz, o Pai. Por analogia, o Orixá Oxalá é “o Pai” (porque o Seu Fator Magnetizador é a base da Criação). Logo, é um Caboclo de Oxóssi e Oxalá;

Urubatão – Urubatão (ou Urubatã) significa “madeira dura”. Madeira vem de árvore=Oxóssi; mas a madeira é a árvore que foi cortada e passou por uma transformação= Obaluayê; e dura= dureza= força=Ogum. É um Caboclo de Oxóssi, Obaluayê e Ogum;

Urubatão da Guia – Valem as explicações anteriores. Acrescente-se que “guia” vem de “estrela guia”, um símbolo de Oxalá. Logo, este Caboclo é de Oxóssi, Obaluayê, Ogum e Oxalá;

Ubirajara- Ubirajara significa “o atirador de lança”. A lança é de Ogum. Logo, é de Oxóssi e Ogum.

Jaci – Jaci é “a deusa da lua”, que é associada às Divindades Ísis (egípcia) e Lakshmi (hindu). Estas, por sua vez, são relacionadas a Oxum. Logo, seria uma Cabocla de Oxóssi e Oxum. Mas a lua também pode ser associada a Oyá-Tempo, Yemanjá e Nanã, de modo que pode ser uma Cabocla com essas regências.

Jacira – Jacira significa “inseto que produz mel”. Quem produz mel é a abelha, que pertence ao reino de Oxóssi. Mas o mel também representa a doçura, que se associa a Oxum. Logo, é uma Cabocla de Oxóssi e Oxum.

Indaía – Indaiá, em tupi-guarani, é um tipo de palmeira. Sendo um elemento vegetal, está ligado a Oxóssi. Seria um Caboclo (a) na Irradiação pura de Oxóssi.

Caboclo “Pena”: Todo Caboclo Pena traz uma qualidade voltada para ensinar, doutrinar. A pena é de Oxóssi, Orixá do Conhecimento.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Pena Branca- o branco é a cor de Oxalá; logo, é um Caboclo voltado para ensinar a Fé (é de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Pena Dourada- o dourado é uma cor de Oxum; logo, vem para ensinar o Amor (é de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Pena Verde- o verde é de Oxóssi; logo, vem para expandir o Conhecimento; (atua na Irradiação pura de Oxóssi); ●Caboclo Pena Marrom- o marrom é de Xangô; logo, vem para ensinar a Justiça (é de Oxóssi e Xangô); ●Caboclo Pena Vermelha- o vermelho é de Ogum; logo, vem para o ensino da Lei (é de Oxóssi e Ogum); etc. A cor que aparece no nome do Caboclo indica a qual Orixá está relacionado e em qual Sentido da Vida ele vai atuar, especificamente.

No caso do Caboclo Sete Penas, o “sete” indica que ele atua nos Sete Sentidos da Vida, ou seja, na Irradiação de todos os Orixás, sendo um doutrinador de almas

Caboclo “Flecha”: Todo Caboclo Flecha traz duas qualidades fundamentais: uma voltada para o Conhecimento (pois a flecha é de Oxóssi) e a outra voltada para o Sentido da Direção (porque a flecha também aponta numa direção, ela dá direção- Qualidade de Yansã). São Caboclos que atuam para dar um direcionamento na busca do Conhecimento, na expansão do nosso aprendizado. E a cor que aparecer no nome do Caboclo dará o campo específico da sua atuação.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Flecha Branca= direcionador do Conhecimento no campo de Oxalá= Fé; ●Caboclo Flecha Dourada= direcionador do Conhecimento no campo de Oxum= Amor; etc.

Já o Caboclo Sete Flechas é um direcionador do Conhecimento nos Sete Sentidos da Vida (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração). É um direcionador de almas, de espíritos.

Caboclo “Folha”: Todo Caboclo Folha traz qualidades de Oxóssi, pois a folha é de Oxóssi, o Senhor do Reino Vegetal.  E a cor da folha indicará qual outro Orixá os rege e o campo específico de suas atuações.

Nessa Falange, temos: ●Caboclo Folha Branca (de Oxóssi e Oxalá); ●Caboclo Folha Dourada (de Oxóssi e Oxum); ●Caboclo Folha Verde (Irradiação pura de Oxóssi); etc.

Quanto ao Caboclo Sete Folhas, há uma particularidade: a folha serve para curar; e o Orixá “dono de todas as folhas” e que cura pelas folhas é Ossaim. Como o Caboclo Sete Folhas trabalha com todas as folhas (nas sete Irradiações), vemos que traz qualidades de Ossaim. (Ossaim não é cultuado diretamente na Umbanda, e sim dentro do campo de Oxóssi.)

Caboclo “Pemba”: Todo Caboclo Pemba traz qualidades de Oxum (Trono Mineral), pois a pemba é um mineral. São Caboclos de Oxóssi e Oxum. Oxóssi traz o Conhecimento e a expansão; Oxum é agregadora, atrai e reúne com harmonia.

Como nos exemplos anteriores, a cor que aparece no nome (Pemba Branca, Pemba Roxa etc.) indica o campo específico da sua atuação. Já o Caboclo Sete Pembas atua nos Sete Sentidos da Vida. (Fonte dos itens I/V: Anotações de aula do Curso Virtual de Teologia de Umbanda ministrado por Alexandre Cumino, turma 11, Plataforma EAD do Instituto Cultural Aruanda.)

Outros nomes:

●Os elementos, pontos de forças, as cores, instrumentos (flecha, escudo etc.) e condições climáticas que aparecem no nome do Caboclo dão uma indicação do Orixá que o rege e do seu campo de atuação. Exemplos: Caboclo dos Rios (Oxum); Caboclo Ventania (ventania= ar em movimento= Yansã); Caboclo do Fogo (Xangô); Caboclo da Terra (Omolu); Caboclo do Mar (Yemanjá); Caboclo do Ouro (Oxum); Caboclo do Lago (Nanã); etc.

●Há nomes ligados a verbos ou ações. Exemplos: Caboclo Rompe-Mato: romper é um ato de força= Ogum; mato= Oxóssi; logo, é de Oxóssi e Ogum; Caboclo Quebra Pedra: quebrar= Ogum; pedra= mineral=Oxum; logo, é de Ogum e Oxum.

●Os nomes de animais, em especial os de felinos (gato, jaguatirica, leopardo, leão, onça, tigre, pantera, jaguar), em geral estão diretamente associados a Oxóssi, que é o Senhor do Reino Vegetal (flora) e também da fauna (animais).

Mas alguns têm outras particularidades. Exemplo: Cobra Coral. A cobra é um animal associado ao Orixá Oxumarê (a Serpente de Dan). E a cobra coral tem as cores vermelha (de Ogum), preta (de Omolu), amarela (de Yansã) e branca (de Oxalá). Logo, é um Caboclo que atua na Irradiação de Oxumarê, Ogum, Omolu, Yansã e Oxalá.

(Fonte: Rubens Saraceni, “Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada” e “Tratado Geral de Umbanda”, ambos da Madras Editora.)

E por fim, só queria ressaltar que não estou fazendo nenhuma apologia a nenhuma escola de Umbanda, mesmo porque, como enfatizo, eu sigo a dos meus guias, mas é sempre importante termos a humildade de olhar para o lado e verificar que mesmo discordando de alguns pontos, podem ocorrer semelhanças doutrinárias, e no caso dos nomes, concordei perfeitamente com o que foi ensinado.

Sempre tento unir o misticismo, esoterismo com a Umbanda, afinal, são todos galhos de uma mesma árvore.

E como sabem, quem tiver mais dúvidas e eu poder contribuir um pouco com isso, meu e-mail é neofitodaluz@gmail.com ou podem comentar no post.

Posteriormente farei uma tabela dos elementais dos orixás, seu campo de atuação e suas respectivas cores. Inclusive já estou concluindo.

Namastê.

Neófito da Luz.

A Linha de Marinheiros.

Composta por espíritos que se apresentam com a roupagem fluídica de trabalhadores do mar, sejam marinheiros, pescadores, corsários, piratas, é uma falange que abrange todo o povo que de alguma forma, foram envolvidos com o mar.

Sim, nem todos os marinheiros possuem o uniforme branco como vemos nas imagens, muitos usam bandanas na cabeça, brincos, eram marinheiros da idade média, que viviam de pirataria, corso, alguns espíritos dessa falange se apresentam com roupas de bucaneiros, para quem assistiu “Piratas do Caribe” deve saber do que eu to falando, inclusive, um dos meus pede um pano na cabeça, eu achei pra lá de estranho e foi quando eu o vi plasmado, e sim, não usa essa farda e nem tampouco a roupa de gala da Marinha e sim é um negro, que foi escravo durante as navegações, como eu sempre digo, não sigam estereótipos ou paradigmas, muitos médiuns com certeza, com medo de fugirem do padrão, usam acessórios que não é solicitado pelo seu marujo e sim porque a regra do terreiro exige tal, enquanto outros só querem ter os capitães do mar.

É muito importante lembrar que a Marinha é a Força Armada mais Antiga do Mundo, e os países que dominavam as embarcações na época, seja para exploração ou para a Guerra, eram Potência Mundial. Tudo era explorado através do mar, muitos alimentos também eram extraídos do mesmo, isso só corrobora com a vasta falange de espíritos que podem atuar nessa linha.

Marinheiros indiscutivelmente representam a alegria, chegam em sua grande maioria festeiros, brincalhões, abraçando a todos, são espíritos muito camaradas, amigos que estão sempre de prontidão e alegria para realizar suas consultas.

Sua saudação é “Salve a Marujada”, sua cor geralmente é o azul, seu dia da semana em muitas casas é o sábado.

Aceita como oferendas, a cerveja, peixe cozido ou frito, alguns solicitam conhaque, vinho ou até whisky, suas velas azuis ou brancas, e sua oferenda geralmente é na beira do mar ou em barco para o meio do mar.

Trabalham sob os auspícios das vibrações do Mar, Iemanjá e Oxum, mas vale ressaltar que muitos trabalham cruzados e podem carregar mais de uma vibração em seus trabalhos, podem vir também sob os auspícios de Ogum, Oxalá ou outros orixás, dependendo da corrente vibratória do filho.

Como trabalham muito bem com o elementar água, também são ótimos curandeiros e magos, muito evocados em trabalhos de limpeza quando é necessária a energia sutil do elementar água.

NA minha opinião também é a linha que atua com maestria no corpo emocional do médium e dos consulentes, trazendo em suas vibrações a alegria e a paciência e todo o espírito Materno de Iemanjá.

Existem muitas dúvidas sobre a forma de trabalho deles, que normalmente eles vêm bêbados e cambaleando, aí é um ponto que temos que dar razoável atenção.

Se pesquisarmos um pouco da história, os marinheiros, mesmo os da idade media ficavam muito tempo em alto mar e nem sempre havia comida o suficiente para a viagem, ocorriam muitos imprevistos e para saciar a fome, se embebedavam, tomavam muito rum, e posteriormente isso foi mudando, para conhaque, whisky e outras bebidas. Então, é sabido que muitos marinheiros em seu ofício, bebiam demais, por conta disso, ocorrem algumas coisas relacionadas a esse fato, os marinheiros dos terreiros além de virem cambaleando como bêbados, pedem muitas bebidas. Como eu sou adepto a que nada segue um padrão fixo e pré-estabelecido, até acredito que o marinheiro possa vir um pouco “alterado” mas existem fundamentos por trás disso.

Já é sabido da benevolência do álcool para muitas funções, inclusive no campo imagístico, e justamente por essa linha trabalhar sob o magnetismo aquático, onde a vibração se dá através de ondas, é necessário que isso seja diminuído no corpo espiritual do médium, e uma forma de diminuí-la é através da ingestão pequena de álcool.

Alguns marinheiros tombam de um lado para o outro, outros preferem vir dançando, alguns vem soluçando, mas sempre alegres e dispostos.

Como atuam no campo emocional do médium e trabalham com o elementar água,  o que também ajuda na cura e na revitalização de muitas funções do nosso corpo e as bebidas alcoólicas contêm uma parcela de água, e é comprovado cientificamente alguns dos seus benefícios, segue abaixo um trecho extraído do site do Dráuzio Varella:

 “1) Consummators de quantidades moderadas de álcool apresentam níveis de HDL (“o colesterol protetor”) 10% a 20% mais altos do que os abstêmios;

2) A presença de álcool na circulação interfere com os mecanismos de coagulação do sangue, aumentando o tempo de coagulação. Com o sangue menos coagulável, haveria mais dificuldade para a formação de trombos nas artérias coronárias. A ingestão de quantidades maiores de álcool, no entanto, reverte essa relação, favorecendo a coagulação mais rápida e a trombogênese;

3) Beber moderadamente pode reduzir a probabilidade de infarto indiretamente, ao diminuir o risco de desenvolver diabetes do tipo 2, aquele que costuma se instalar na vida adulta. Beber muito, ao contrário, aumenta os níveis de glicose no sangue, indicador de aumento de risco para diabetes.”

Justamente por trabalharem na vibração do mar, trazer o elemental água que corresponde a pelo menos 65% do nosso organismo e atuar com maestria em nosso corpo psíquico, trazem sim, um pouco do encanto do alcool e sabem manipular muito bem isso para nosso benefício.

Talvez seja essa a razão, virem cambaleando por causa da frequencia vibratória da água, do mar, das ondas e sim, consumir bebida alcoolica por também existir uma parcela de água no alcool e por trazer tantos benefícios em nossa saúde. Ou também tem o fato de virem cambaleando e meio “alterados” por atuarem no nosso corpo mental, e com isso, absorverem um pouco do que seria o efeito do alcool em nosso corpo, de uma forma ou de outra, é para a prática do amor e da caridade. Cabe a nós refletirmos, não?

Alguns marinheiros que conheci: Mané Jangadeiro, Tiago, Tonhão, João Marina, Martim Pescador, Martim Parangola, Martim Ignacio, Gerson, Sete Jangadas, Jorge, entre outros.

Namastê.

Neófito da Luz

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe