Você pode harmonizar e pacificar as pessoas

Você está satisfeito com a sua contribuição ao mundo? Você acha que a sua parte já está de bom tamanho? Seria um erro pensar que somos pequenos para contribuir com o mundo. Você é espírito imortal, não é? Jesus Cristo, Ghandi, eu, você, o presidente dos Estados Unidos, todos somos espíritos imortais. Todos nós temos a mesma natureza de filhos de Deus, feitos à sua imagem e semelhança. Portanto, somos perfectíveis. Podemos contribuir. Se consultarmos a consciência, não só podemos, como devemos contribuir.

Talvez você já esteja se esforçando bastante, talvez suas responsabilidades já estejam exigindo muito de você. Há situações que realmente nos consomem bastante energia. Só não devemos esquecer que a energia é potencialmente infinita.

Existem pequenas coisas que podemos fazer em nosso pequeno mundo sem precisar de condições especiais. Uma dessas coisas é a harmonização dos ambientes em que permanecemos a maior parte do tempo. Nossa casa, nosso local de trabalho ou estudo.

Você contribui com o seu pequeno mundo à medida que faz algo em benefício das pessoas à sua volta, das pessoas que convivem com você no cotidiano. E isso só depende de você!

Nós somos protagonistas desse momento histórico! Por que “nós”? Por que nós despertamos para a realidade da reencarnação, que demonstra os resultados da Lei de causa e efeito. Colhemos o que plantamos. Estamos imbuídos da necessidade de realizar nossa reforma íntima. Se você não tivesse o menor interesse em ajudar o próximo, se você só se preocupasse consigo mesmo, não estaria perdendo o seu tempo lendo um assunto como esse; não gastaria cinco minutos do seu precioso tempo visitando este site.

Você tem a capacidade e a responsabilidade de harmonizar e pacificar as pessoas que compõe seu grupo de convívio. Como você faz isso?

Com o exemplo: Supere a si mesmo, nem que seja um mínimo de cada vez. A capacidade é um estado de espírito como qualquer outro. Acredite em sua capacidade e dê bons exemplos de conduta. Faça o que sabe que deve ser feito. Não tenha vergonha de ser bom. Não se preocupe se você parecer sem graça no começo. Poucas pessoas estão acostumadas com a ética e as atitudes corretas.

Com atitude positiva: Você pode, em pouco tempo, se tornar conhecido por sua atitude positiva diante da vida. Enaltecendo as qualidades do próximo ao invés dos defeitos; evitando falar mal dos outros; vendo o lado positivo das pessoas e das situações; valorizando a saúde e não a doença; elogiando em vez de criticar.

Com amor: Você conhece a diferença entre amar e gostar? Amar é desejar todo o bem possível, e isso você pode fazer. Deseje só coisas boas para todos os que o cercam, independente de gostar deles ou não.

O amor move o mundo, pois o amor é ação. Gosto muito do pensamento oriental, de suas filosofias e meditações. É realmente fascinante. Mas nossa realidade é extremamente dinâmica. Precisamos resolver as coisas através da ação. E amar é agir. Desejar o bem firmemente para os que convivem conosco, mesmo (e principalmente) para os mais difíceis, é um poderoso antídoto contra o desânimo e a falta de energia.

Já disse há pouco que a energia é potencialmente infinita. Ela está em toda parte. Nós temos a capacidade de absorvê-la pelo poder da vontade. Experimente! Imagine seu corpo absorvendo energia do Cosmos, do mar, das estrelas, do Sol. Sinta-se como um grande e potente ímã, atraindo irresistivelmente a energia esparsa no universo. Do mesmo modo, você é capaz de exteriorizar energia para o ambiente e para as pessoas que o cercam.

Talvez você já faça a sua parte, quem sabe até esteja sobrecarregado. Mas nenhuma dessas atitudes citadas dependem de condições especiais. Dependem da sua vontade. Se você parar para pensar, poderá se surpreender com quantas coisas dependem exclusivamente da sua vontade.

Veja mais em http://www.espiritoimortal.com.br/

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Reencarnação – porque esquecemos as vidas passadas?

Morel Felipe Wilkon

A reencarnação é uma realidade

O leitor Roger Silva  fez um comentário num artigo sobre reencarnação intitulado “Porque esquecemos as vidas passadas” (se quiser ler, clique sobre o título), de autoria de Ana Blume. Publico a seguir o seu comentário, a minha resposta ao seu comentário, e, no final, deixo um link para um trabalho primoroso realizado pelo Paulo Neto sobre as pesquisas científicas acerca da reencarnação. Aproveito para recomendar o trabalho do Paulo Neto, que você pode conferir clicando aqui: www.paulosnetos.net

Acho muito interessante essa visão que é compartilhada pela budismo, uma noção de darma e karma, do que precisa ser aprendido e o que se deve pagar. Mas não acredito, pois o que acontece se você não lembra o que fez? Comete o mesmo erro. As lembranças nos ensinam os caminhos errados e o que deve ser corrigido. Já disseram “Quem esquece a história, corre o risco de cometer os mesmos erros”. Então, sendo Deus tão onipotente e onisciente seria incapaz de fazer tal asneira. Lembrar é preciso. O aprendizado só se consolida com os erros.– Roger, darma é uma palavra do sânscrito que tem um grande leque de significados. Mas, para o budismo, seria o que no Cristianismo chamamos de Verdade, como quando Jesus diz “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Todosconheceremos a Verdade um dia. Mas uma existência é um período de tempo insignificante para chegarmos à Verdade. Por mais esforçados que sejamos, por mais diligentes, disciplinados e obedientes ao que entendemos ser a Vontade de Deus, é impossível conhecermos a Verdade em uma única existência.

Carma é uma palavra que também vem do sânscrito e que quer dizer ação. Sabemos que a cada ação corresponde uma reação. Podemos associar a noção de carma, então, ao que no Espiritismo chamamos de Lei de ação e reação, que nas palavras de Jesus, é “a cada um de acordo com as suas obras”.

Precisamos aprender, sim. Mas não há como aprender tudo em tão pouco tempo. Eu me dei conta, há alguns anos, de que mesmo que me esforce muito, não terei condições de ler todos os livros que gostaria. Não é possível, o tempo não é suficiente. Se não há tempo para ler, que é apenas um contato superficial com o conhecimento transmitido através do livro, como poderei “aprender” realmente?

Precisamos de inúmeras reencarnações para aprendermos alguma coisa. Se não houvesse a reencarnação, se nossa vida se resumisse a esse breve passeio pela Terra, como aprenderíamos o que precisamos aprender? É visível que há pessoas que aprendem com mais facilidade que outras. Há pessoas que são moralmente mais elevadas que outras. Há, mesmo, pessoas que alcançaram um grau de elevação extraordinário. Deveríamos supor, então, que estas pessoas foram creadas por Deus com vantagens sobre as demais? Por que Deus crearia algumas poucas pessoas bastante elevadas e com facilidade de aprendizado e outras tantas em situações difíceis?

Existe uma ordem que preside a tudo, e a Lei é a mesma para todos. As pessoas que hoje são melhores é porque já aprenderam mais, já experimentaram e conquistaram mais. São espíritos velhos que fizeram bom proveito de suas oportunidades.

Não reencarnamos para “pagar” nada. O Universo é harmonia. Qualquer erro que cometemos é contrário à harmonia do Universo, e compete a nós repará-lo.

Todos os nossos pensamentos, palavras e ações, de todas as nossas existências, ficam gravados em nosso subconsciente. Não podemos lembrar o que fizemos em outras existências, pois animamos nova personagem, estamos revestidos de outro corpo, temos outro cérebro físico, e este cérebro não pode armazenar informações que não foram experimentadas por ele.

Embora não os lembremos conscientemente, já que o cérebro físico não pode armazenar informações que não passaram por ele, somos o resultado do que pensamos, falamos e fizemos. A cada nova existência terrena nosso ponto de partida é o estado em que nos encontrávamos no final da reencarnação anterior ou o que tenhamos conquistado no intervalo entre uma reencarnação e outra.

Por isso as diferenças entre as pessoas. Cada qual apresenta como sua marca registrada o somatório da sua bagagem espiritual conquistada através de inúmeras existências.

Cometemos, sim, muitas vezes, os mesmos erros. Há erros que são repetidos em várias existências, às vezes envolvendo os mesmos espíritos, reencarnados próximos uns dos outros. Esse quadro se mantém até que haja o aprendizado efetivo através da conscientização e do reajuste entre as partes envolvidas.

Gosto de História, estudei História, mas o homem repete os mesmos erros sempre, mesmo com o conhecimento da História. Desde os primeiros registros da civilização o homem repete os mesmos erros. Aos poucos o grau de gravidade dos seus erros vai sendo amenizado, não por conhecimento da História, mas porque somos hoje os mesmos homens que construíram a História que conhecemos. A História narra a nossa história. Os diversos períodos da História foram construídos por nós em nossas existências anteriores.

O que nos ensina não são as lembranças, mas a conscientização. Os criminosos contumazes não sofrem de amnésia. Lembram dos seus erros e não se importam com eles, pois ainda não se conscientizaram, não se deram conta de que os erros que cometemos atingem, em primeiro lugar, a nós mesmos.

Para alcançarmos um estado de harmonia com as Leis divinas teremos que reparar todos os nossos erros.

Deus, sendo, como você diz, onipotente e onisciente, crearia seres programados para serem criminosos? Ou para sofrerem a vida inteira? Pois, se não existisse reencarnação, teríamos que admitir que os homens não existiam antes de nascer, e, se são creação divina, Deus, sendo onisciente, ou seja, sabendo tudo, os teria creado para serem assim, criminosos e eternos sofredores. Não podemos admitir isso.

Somos o fruto de uma longa evolução. Somos o resultado do que fizemos de nós mesmos. Você tem razão em sustentar que o aprendizado só se consolida com os erros. Mas, por errarmos muito, precisaremos de um longo tempo, para nós inimaginável, até evoluirmos a ponto de não mais errarmos.

O esquecimento de nossas reencarnações anteriores, ao invés de ser um empecilho para o nosso aprendizado, é um ato providencial da Sabedoria Divina. Analisando, como você bem lembrou, a História, percebemos que gradativamente vamos amenizando os nossos erros. Voltemos no tempo dois mil anos e nos depararemos com as carnificinas nas arenas romanas, que era a maior diversão da época. Depois vieram as invasões bárbaras, em que imperava a crueldade sem limites. A Idade Média, com a perseguição de todos os que pensavam diferente do que era proclamado pela Igreja e a condenação à morte na fogueira. A escravidão no Brasil, em que homens eram proprietários e muitas vezes algozes de outros homens.

Quem cometeu todos esses erros? Nós. Nós estivemos envolvidos com erros brutais, coletivos ou individuais. Quantas tragédias já protagonizamos em reencarnações anteriores? Admita, por um instante, que, numa reencarnação passada, o espírito que hoje é seu filho foi assassinado por você, ou que a mulher que hoje é sua esposa o traiu com seu melhor amigo, ou que o espírito que hoje é sua mãe foi abusado por você em outra existência. Você suportaria conviver com essas lembranças? Acredito que não.

Mantemo-nos ligados aos espíritos com os quais formamos vínculos emocionais fortes. Voltamos a reencarnar próximos uns dos outros para nos reajustarmos, pois a Lei é perfeita e não admite que a desarmonia seja mantida indefinidamente. Com nova roupagem terrena, temporariamente esquecidos dos papéis que exercemos conjuntamente no passado, somos atraídos novamente para junto daqueles com quem precisamos nos rearmonizar. Temos nova chance, nova oportunidade. Não lembramos, mas percebemos nitidamente laços de simpatia ou antipatia, atração ou aversão que não são plenamente explicáveis se desconsiderarmos o processo reencarnatório.

Quantos casamentos nós vemos em que os cônjuges parecem nutrir raiva um do outro e mesmo assim unem-se e têm filhos em comum? Quantos casos de mãe ou pai que adora um filho e não suporta outro? De onde vem essa aversão por esse filho? Pode-se alegar que haja uma incompatibilidade de gênios, mas isso é efeito, não causa. A causa está no passado. Não há efeito sem causa. Tudo o que não tem causa conhecida nesta existência tem sua causa em existências passadas.

Jogo Rápido: Doze Coisas Sobre Exús que não devemos esquecer

 

  1. Exú de Umbanda não aceita oferenda com sacrifícios de animais;
  2. Exú Pode trabalhar com água, isso não é problema algum;
  3. Exú não precisa trabalhar no escuro, exú não precisa trabalhar com roupas escuras;
  4. Exu usa preto por ser uma cor que absorve outras energias, também serve como repelente de más energias segundo as mais antigas crenças;
  5. Nem todo Exú se veste de preto, como já relatei no blog, muitos usam roupas de outras cores;
  6. Vibração Exú é um é um desprendimento divino, o guia exú, aquele que vem, fala, trabalha em nossa matéria é outro assunto, ambos estão intrinsecamente ligados, porém um é energia, vibração e outro é o espírito que atua nessa vibração;
  7. Exú exprime o que possuímos no nosso âmago, portanto, se policie, se vigie;
  8. Exú não tem necessidade de escrever sempre seu ponto riscado ou dar seu nome, mesmo assim, ainda pode dar seu nome errado;
  9. Nem todo Exú usa capa, cartola ou cajado, existem outras linhas de exús que podem se apresentar de formas animalescas, não no pior sentido, e sim por possuírem certos tipos de resgate a serem realizados;
  10. Exú possui o seu determinado campo de atuação, seja mata, pedreira, calunga pequena, calunga grande, almas, entre outros portais naturais do nosso Plano, nem todos aceitarão a oferenda no cemitério ou encruzilhada como muitos dizem;
  11. Exú, seja trabalhando na Quimbanda ou na Umbanda, independente de como é cultuado na sua casa, não é necessário que os mesmos virem de costas para o altar, pois ambos são trabalhadores da Lei Maior, seja atuando nas trevas ou não;
  12. Exú não é Escravo do Orixá e sim um trabalhador de sua Vibração Natural;

Linhas de Trabalho na Umbanda e suas Roupagens

PERGUNTA: A respeito dos pretos–velhos, a senhora poderia tecer alguns comentários a respeito da linha e da forma plasmada/roupagem fluídica utilizada pelos espíritos que nela militam?

VÓ BENEDITA: A linha de pretos – velhos, meus filhos, é uma linha como qualquer outra dentro da Umbanda. Um grande equívoco é pensar que todo preto–velho foi negro, ou morreu velho em sua última encarnação, o que muitos sabem não é bem verdade. Existem muitos irmãos que utilizam a aparência de preto–velho, mas nunca foram escravos nem aqui no Brasil nem em qualquer lugar do mundo. Na verdade essa linha nasce como forma de organização de todo um contingente de espíritos que iriam atuar dentro do movimento umbandista que surgia. As primeiras linhas fundamentadas foram a de caboclo e pretos–velhos. Utilizou–se uma figura mítica já presente dentro da cultura brasileira e criou–se toda uma linha de trabalho, onde todos os seus representantes teriam trejeitos e características similares. Surgia a linha de preto–velho, uma linha transmissora da calma, da sapiência, da humildade, detentora do conhecimento sobre os Orixás e que acima de tudo, falaria ao simples de coração até ao mais erudito doutor, sempre com palavras de amor e espalhando luzes dentro da espiritualidade terrena. Era uma forma de identificar e aproximar a população ao culto nascente. Era uma forma de homenagem. Era também uma forma de hierarquizar e organizar. Além disso, temos a questão arquetípica e mítica por detrás de cada uma das linhas. Os pretos-velhos estão fundamentados no arquétipo do sábio, ou, “ancião”, aquele que com as experiências vividas alcançou a sabedoria. Em cima desse arquétipo, criou-se muitos mitos dentro da cultura universal, onde a figura do ancião sempre foi utilizada como símbolo para a sapiência. Um dos mito brasileiro para esse arquétipo é a figura do preto-velho, que sofreu, tinha poucas condições, mas tudo isso superou, com fé, amor, determinação, etc. Na verdade, dentro da figura simbólica do preto-velho, vemos um ideal de luta e superação das pessoas. É preciso atentar para esses reais fundamentos dos chamados povos de Umbanda, ou linhas de trabalho. Por detrás de cada um deles encontramos um arquétipo universal e um mito fortemente arraigado a cultura afro-brasileira.

PERGUNTA: “Um arquétipo universal e um mito arraigado a cultura afro-brasileira?” A senhora poderia exemplificar melhor?

VÓ BENEDITA: Arquétipos são como estruturas que residem no inconsciente coletivo da humanidade, moldando de certa forma o pensamento universal. A forma mais simples de se entender isso é o estudo da mitologia comparada entre povos diversos. Caso façamos esse estudo, veremos que as lendas ou mitos de diversos povos que nunca tiveram um intercâmbio cultural são extremamente semelhantes na sua forma, apesar de diferirem de forma gritante no conteúdo. Podemos dizer, portanto, que arquétipos são como “fôrmas de bolo”. Todo bolo saído de uma fôrma redonda, será redondo, apesar de que com a mistura de ingredientes diferentes, podemos obter bolos de chocolate, cenoura, banana, ou seja, bolos diferentes. Nessa nossa analogia, entendam os arquétipos como as “fôrmas”, os mitos como os “bolos” e, seguindo ainda a linha de pensamento, os “ingredientes” como a cultura vigente de determinado povo. Dessa forma, um mito como o do dilúvio, por exemplo, está presente nas mais diversas culturas. Mas em cada uma delas ganha uma apresentação diferente, ou um conteúdo diferente, mesmo que a forma ou essência seja a mesma para todos os “dilúvios” já relatados. Esse mesmo raciocínio deve ser utilizado dentro das imagens arquetípicas e míticas utilizadas pelos guias de Umbanda. Como dito no meu comentário anterior, um preto-velho é um mito brasileiro, surgido através dos fatos históricos ligados a escravidão e resistência negra dentro desse país. Por detrás dele temos um arquétipo, o do “ancião” ou “sábio”, que é uma figura universal e irá ganhar outras formas, dependendo da cultura em que esteja inserido. Assim, o ancião sábio dentro da cultura oriental será retratado de uma forma, dentro da cultura indígena de outra, dentro da cultura européia de outra ainda, mas todos terão uma mesma forma, ou correspondências claras entre eles. Isso é arquétipo, uma estrutura de pensamento universal, que reside no inconsciente coletivo da humanidade e atua como modelador de símbolos, lendas, fábulas, histórias, religiões, mitos, comportamento e tudo mais que esteja relacionado ao pensamento humano. Dessa forma, as linhas de Umbanda também foram pensadas em cima de arquétipos e mitos, pois isso facilita a aceitação e o entendimento em relação as entidades espirituais. Por exemplo:A linha de caboclos foi pensada em cima do arquétipo do “herói”, ou seja, daquele que faz sempre a luz prevalecer sobre as trevas, um ser justo, puro, bondoso, mas ao mesmo tempo corajoso o bastante para lutar e defender seus filhos. Esse arquétipo tem sintonia ideal com o mito criado em cima da figura indígena, um povo forte, justo, guerreiro, etc. Dessa forma surgiu a linha de caboclos, fundamentada em cima da figura mítica do índio brasileiro e que logo se tornou a linha de frente dos trabalhos de Umbanda, por motivos obviamente relacionados às qualidades apresentadas pelos espíritos militantes dessa egrégora, assim como pela empatia que a figura arquetípica do “herói” desperta nas pessoas. E aqui não estamos comentado a respeito do que já foi falado e é de conhecimento dentro da Umbanda, pois em Oxossi a figura do índio ganha nova sustentação, assim como na figura de Ogum também, por exemplo. Seguindo a linha de raciocínio, temos em Exu o “anti-herói” típico, ou seja, espíritos tão valentes e guerreiros como os “heróis/caboclos”, mas que ainda apresentam traços extremamente humanos dentro de sua personalidade, em contraste com a postura sempre correta, pura e equilibrada dos caboclos. O mito utilizado como referência dentro da linha de guardiões foi a própria figura mitológica do Orixá Exu, que apresenta através do mito yorubano comportamento semelhante ao que aqui está descrito. Por isso também a linha de guardiões foi chamada de Linha de Exu, sendo totalmente diferente do que chamamos de Exu dentro do culto tradicional africano. Logo, entendam que os espíritos de caboclos, pretos-velhos e exus (assim como de todos os outros guias de Lei de Umbanda) ganham essa roupagem apenas dentro do culto umbandista, pois em outras culturas atuarão e se apresentarão de forma diversa, pois um mito é fruto do ambiente sócio-cultural, enquanto um arquétipo é universal e inerente a todos os povos. Por tanto, os próprios guias de Umbanda são universais, atuando de forma discreta e desprovida de ego em muitas religiões e tradições espirituais, ocultados por roupagens energéticas que simbolizam a egrégora, o arquétipo e a vibração que dá sustentação ao trabalho por eles realizado. A maioria das chamadas linhas de Umbanda são muito mais antigas que a própria Umbanda, tendo em sua militância espíritos das mais diversas etnias ou culturas. O fator agregador dessas consciências espirituais é a sintonia com o arquétipo que existe por detrás de cada linha, que também pode ser identificado como um Orixá, uma vibração, um sentido, um elemento, um Santo, etc. O comentário aqui tem como ponto central os arquétipos, por entender que com isso comenta-se algo não explicado de forma aberta dentro da Umbanda, mas principalmente, abre-se o conteúdo umbandista para pessoas não familiarizadas com o universo mítico afro-brasileiro. Para o Umbandista ou para alguém com algum conhecimento dentro dos cultos afro-brasileiros, chamar a linha de guardiões de Exu é muito útil, facilitando o entendimento, pois a própria figura de Exu já representa muita coisa a respeito daquela entidade. Mas para um espírita, por exemplo, é complicado compreender o uso desse termo. Seria melhor o termo “guarda” ou “guardião”. Agora imaginem para um oriental… Outra teria que ser a abordagem! Por isso desses comentários em cima dos arquétipos e mitos formadores das linhas de trabalho. Essa também é uma abordagem em sintonia com o que acontece no astral, pois nele os espíritos são agregados através da afinidade mental/emocional, que vai muito além da barreira da língua, religião, cultura, etc. O que é dentro da Umbanda chamado de linha de pretos-velhos (e surgiu com o nascimento da mesma), no astral é uma grande egrégora, grupo ou fraternidade espiritual (muito mais antiga que a própria Umbanda) que congrega espíritos que tem na maturidade consciencial sua principal característica. Que no arquétipo do “ancião” encontra seu eixo psicológico e em uma vibração conhecida como Obaluayê/Yorimá pelos umbandistas, mas que ganha outros nomes nas tradições religiosas mundiais, e mais outro dentro do plano espiritual, sua sustentação vibracional.

PERGUNTA: Quer dizer que a linha dos pretos-velhos surgiu com a Umbanda, mas no astral ela já existia como uma antiga egrégora que congregava espíritos com as mais diversas vivências?
PAI ANTÔNIO: Pedindo licença para minha irmã Benedita, vou comentar a esse respeito. É sim verdadeiro que o que chamamos de linha de pretos-velhos na Umbanda é muito antiga no astral, remontando as mais diversas épocas da humanidade. É claro que ela nunca foi conhecida como “linha dos pretos-velhos” ou continha em si divisões como “José da Guiné”, “João de Angola” ou “Maria Conga”, etc. E isso é uma coisa que gera ainda hoje muita confusão no meio umbandista, por isso deve ser muito bem explicada. Como fraternidade espiritual, essa egrégora vem acolhendo espíritos dos mais diversos, formando um contingente que conta aos milhões nos dias de hoje. Os próprios mentores maiores dessa fraternidade espiritual são espíritos elevadíssimos, que tem como trabalho cuidar da evolução da humanidade de forma a abranger todo o planeta. São senhores dos carmas coletivos, unificados em consciência com os Sagrados Orixás. Muitos deles atuam exclusivamente através do corpo mental, tendo abandonado a utilização do corpo espiritual/astral há milênios. Isso é um fato. Agora, a linha dos pretos-velhos, e com essa designação estamos envolvendo: a forma de se manifestar, as muitas linhas de trabalho, falanges, ritualística própria, etc, etc, apenas surgiu com o nascimento da Umbanda, em solo brasileiro. Tanto a Umbanda quanto os pretos-velhos foram “pensados” em cima do contexto social, cultural, ético, do Brasil e da atual humanidade. A figura do preto-velho foi aproveitada e ela obviamente só pôde surgir a partir da diáspora negra e a resistência da escravidão aqui no Brasil. A figura do índio/caboclo só pode surgir com a exploração e dizimação dos índios de então. Acredito que isso ficou muito claro na abordagem anterior feita por Vó Benedita, onde ela explicou a questão arquetípica e mítica. Dessa forma falamos de duas coisas distintas: Primeiro de uma egrégora ou fraternidade espiritual milenar e universal, formada por “anciões”, ou espíritos ligados à maturidade consciencial. Segundo, sobre uma forma de manifestação dessa fraternidade dentro dos trabalhos espirituais de Umbanda, que é a linha dos pretos-velhos, surgida e pensada no astral a não mais de 200 anos.

PERGUNTA: E quanto às outras linhas de Umbanda? Mesmo entendendo que a forma como elas se manifestam tenha surgido junto do movimento umbandista, elas também seriam mais antigas no astral que a própria Umbanda?
PAI ANTÔNIO: Sim, com certeza muitos dos agrupamentos espirituais que respondem dentro da Umbanda por nomes simbólicos e apresentam-se através da roupagem energética de caboclos, pretos-velhos, baianos, boiadeiros, exus, etc, são muito antigos dentro do astral. A linha de guardiões e guardiãs conhecida como linha de esquerda, atua há milênios no astral do planeta. A forma de entendê-la como linha de Exu é que nasceu dentro do movimento umbandista. Apesar do preconceito ainda existente, a Umbanda é responsável pela abertura do conhecimento em relação a essas entidades responsáveis pela LUZ nas regiões mais trevosas e densas ligadas ao astral da Terra. Daqui a alguns anos, muitos grupos espiritualistas estudarão Umbanda como uma forma de melhor conhecer a atuação dessas entidades protetoras. Quando as barreiras do preconceito caírem por inteiras, então os irmãos espiritualistas das mais diversas tradições verão o universo riquíssimo que a Umbanda descortina através de seus nomes simbólicos, ritualística, linhas de trabalho, etc, etc.

Ramatís e a Umbanda.

Identificando e Entendendo a Regência dos Orixás de Cabeça

Muitas são as questões referentes ao Orixá de Cabeça, eu diria que praticamente 50% das questões que eu recebo é referente a saber qual o Orixá de Cabeça, me fornecem data de nascimento, nome completo e outras diversas metodologias que utilizam para descobrir qual é o Orixá de Frente que temos.

Esse post é para desmistificar um pouco essas questões, e abordar de uma forma mais complexa como se identifica o Orixá de Cabeça.

Importante salientar e repetir mais uma vez que Orixá é um Aspecto Vibratório de Deus, uma vibração que habita no Cosmos, todos nós fomos feitos “À sua Imagem e Semelhança” e indiscutivelmente carregamos uma centelha Dele dentro de nós, os africanos, traduziram essa centelha como o orixá (Ori = Cabeça, Xá = Energia) e atribuíram que essa energia fica em nossa cabeça, ou seja, em nosso chacra coronário que é o chacra principal para recebermos as energias do Universo.

Todos nós nascemos com um propósito e existem diversas formas de descobrimos esse propósito, isso se dá através do autoconhecimento e o Criador nos forneceu diversas ferramentas para isso, seja a numerologia, a astrologia, os oráculos, o eneagrama, entre outras diversas ciências que auxiliam em nosso autoconhecimento identificando nossos defeitos e qualidades.

Todos nós viemos do Cosmos e trazemos conosco, uma Centelha desse Cosmos, e na Umbanda, denominam-se “Orixás”. Apenas repetindo para frisar bem isso.

Existem diversas literaturas que explanam o arquétipo dos Orixás, características dos filhos, entre outras questões e ao descobrirmos, corremos para a internet para saber das lendas, das características, das preferências e tudo o que tange o nosso Orixá de frente.

Primeiramente vou explicar sobre o fundamento por trás dos Orixás (Mãe, Pai, Djuntó, Padrinho) e tudo mais e posteriormente, como podemos suprimir a característica negativa e potencializar a positiva. Primeiramente usarei como analogia a astrologia:

Na astrologia, temos o signo solar, que é o que encontramos em várias revistinhas de horóscopo e tudo mais, que eles pegam uma mensagem aleatória e coloca para as pessoas, eu por exemplo, sou do signo solar de escorpião e possuo características que se assemelham ao signo, OBVIAMENTE, nem todo escorpiano é igual, isso se deve a diversos aspectos da formação do ser, como criação, educação e outras várias, uma delas é o SIGNO ASCENDENTE.

O SIGNO ASCENDENTE é o signo que está no horizonte no momento do seu nascimento, ele está ascendente em linha com o SOL no ato do seu nascimento, buscando a referência de uma astróloga que respeito muito, Graziella Marraccini, ela diz:

Signo Ascendente, antes de mais nada, rege o corpo físico da pessoa e influencia a sua personalidade sendo o veículo da expressão do Eu Interior que é representado pelo Signo Solar. Na palavra personalidade, temos a raiz persona, que pode significar também personagem. Desta feita o Ascendente influenciará a personalidade ‘aparente’ da pessoa, o seu modo de agir, as respostas e necessidades de seu corpo físico, se misturando assim com as influências do Signo Solar e com a Lua, para compor a personalidade. “

Então como podem observar, o ascendente também COMPÕE a personalidade de cada pessoa, indubitavelmente um escorpiano se difere do outro justamente porque os seus ascendentes também não são iguais, aí ocorre uma mistura entre as duas características possibilitando diversas combinações de personalidade.

Também temos o SIGNO LUNAR, que segundo a mesma astróloga:

A Lua é responsável também pela nossa receptividade, pela nossa imaginação, por nossa sensibilidade, pelas nossa reações, hábitos e memórias, pela forma como nos adaptamos ao meio-ambiente e expressamos nossas emoções. O signo tradicionalmente ligado à Lua é o signo de Câncer, que indica o sentimento de proteção e nutrição. Nos Mapas masculinos, a Lua, representando a mãe ou anima, reflete muitas vezes o tipo de esposa que o homem irá buscar na fase adulta para substituir a própria figura materna. Nos Mapas femininos porém, a Lua assume uma maior importância. De fato, a mulher sendo um ser “dual” precisará se identificar seja com o seu lado solar que com o seu lado lunar. Isso explica porque muitas mulheres não conseguem se identificar com o seu signo solar. “

O que eu quero dizer com tudo isso?

Não podemos generalizar que todo escorpiano é igual, que tem certas deficiências, porque todo escorpiano pode ter características semelhantes, mas quando combinamos com o seu ascendente e sua lua, tornamos mais assertiva a identificação desse ser. Isso também acontece com os orixás regentes (Orixás de frente comumente chamados também)

Não é porque eu sou um filho de Xangô que serei possessivo, violento, ciumento e as demais características pejorativas encontradas no arquétipo do Orixá, eu também tenho a minha “Mãe de Cabeça” e também tenho o orixá que rege os meus caminhos e eles alternam sua predominância em todo tempo de nossas vidas.

Existe as combinações, por exemplo:

Um filho de Xangô que tem como mãe de cabeça Iemanjá e “padrinho” Oxóssi, é diferente de um filho de Xangô que tem como mãe Oxum. Ocorrerão semelhanças, mas quando identificarmos profundamente certas características, existirão mudanças.

Dentro do próprio Orixá regente, ele tem a qualidade, o aspecto vibratório, por exemplo, um filho de Ogum, ele pode ser de Ogum Beira-Mar (Vibra com Iemanjá), filho de Ogum Iara (Vibra com Oxum), Ogum Megê (Vibra com Obaluaie), então, o Ogum tem uma qualidade, ou seja, ele carrega mais de uma vibração com ele. Continuando no mesmo contexto, vamos desmembrar Ogum Beira-Mar:

Ogum Beira-Mar: Orixá Ogum, que atua na vibração de Iemanjá, ou seja, a característica de um filho de Ogum Beira-Mar pode ser bem diferente da característica de um Ogum Rompe-Mato, justamente por a vibração é Ogum, mas ele traz mais de uma vibração.

Bem difícil passar isso em texto [risos].

Vou tentar definir o meu caso:

Sou filho de uma qualidade de Xangô que traz vibração com Oxalá, alguns chamam de Xangô Agodô e o seu sincretismo é São Pedro, outros dizem que é Oxalá velho, cada um tem a sua concepção individual nesse caso, eu percebia que todo guia meu aparecia de branco, achei estranho porque era convicto que eu era filho de Xangô, foi através de uma senhora que eu perdi o contato e de um excelente babalaô que fez a transição que descobri que na nação chamam-no de Xangô Airá, ou Sango Ayra, e na Umbanda é Xangô Agodô (Alguns chamam de Alafin).

Muitas pessoas utilizam dia da semana, dia de nascimento e outros diversos métodos, mas é importante salientar que não existe uma regra oficial para isso, dizem que quem nasce em outubro é filho de Obaluaie, eu sou de Xangô, que quem nasce de terça é filho de Ogum, e assim vai.

O Mundo espiritual possui diversas regras, mas é importante salientar que essas regras de dias, data de nascimento, muitas regrinhas dessas foram criadas por homens, e quando as coisas são criadas por homens, existe a sua margem de erro e muitas vezes, uma margem muito alta.

As formas mais adequadas de descobrir quem realmente é o seu Orixá Regente, ou Orixá de Cabeça ou Orixá de Frente como dizem, é com o seu próprio dirigente ou com sua intuição, eu percebi que geralmente, eu disse, GERALMENTE somos filhos do primeiro orixá que damos passagem. O primeiro orixá que eu dei passagem foi Xangô, sem saber como vinha, veio com as duas mãos fechadas, cruzadas e gritando Kio e Kao.

Muitos médiuns que começaram comigo, ocorreu a mesma coisa, um amigo de Oxum, meu irmão de Obaluaie, um outro amigo de Oxóssi, meu pai com Ogum e assim foi.

Um outro fator interessante para observar, é que nem sempre somos regidos pelo nosso orixá de frente, sim, eles alternam com o tempo, e também não existe somente a regência dos três principais: Pai, Mãe e Djuntó (Não gosto muito dessa nomenclatura), vai depender muito da missão do médium, eu já conheci pessoas que ao invés de três orixás, eram cinco que respondiam, além do fator de cruzamento de vibrações que eu citei acima como Ogum Beira-Mar, ele traz duas vibrações, aí você tem uma mãe como Iansã (Que algumas vibram com Oxum) e com Oxum (Algumas trazem vibração de Iemanjá) então você fica com seis vibrações dentro da sua cabeça. Mas isso é conversa lá para frente, que é um assunto bem complexo.

Mas não se apeguem a regras, quizilas, eu mesmo tenho como caboclo de frente, Sr. Urubatão da Guia, que se for estudar sua nomenclatura, ele vem com Obaluaie (Dizem ter quizila com Xangô), Xangô, Ogum e Oxalá. É um caboclo que traz quatro vibrações, existem caboclos que trazem Sete vibrações, como o caso do Sr. Sete Flechas, e assim vai.

Não existe receita de bolo, não existem regras pré-estabelecidas, a regra principal é acreditar em si mesmo, se você tem cinco caboclos, ótimo, pode acontecer, se tem apenas dois, ótimo também, cabe a você descobrir qual a sua missão dentro dessa jornada chamada vida.

Um outro fator importante salientar, criou-se uma lenda que “assentar” o orixá errado atrapalha a vida do filho e tudo mais, eu fiz todas as minhas obrigações para Ogum, que o mesmo não saía do meu pé [risos], Ogum me regeu por quase uma década porque ele precisou, eu precisava de força para muitas coisas, precisava de iniciativa, poderio de guerra e justamente por isso, ele me regeu por tanto tempo, mesmo eu sendo filho de Xangô, justamente por isso, fiz todas as obrigações possíveis pra ele e graças a Deus, nunca tive problemas. Assentar Orixá errado não atrapalha a vida de ninguém e não dá quizila também, isso é coisa que colocam em sua cabeça.

Importante salientar que muitos exemplos que eu dou, apesar de citar somente eu, se baseia conhecendo a vida de outras pessoas também, fui pai pequeno durante seis anos e consegui ver os bastidores de muita coisa.

Quer saber seu orixá de cabeça? Vivência ou Confiança no seu sacerdote. Apesar de achar que todos nós no fundo sabemos quem é o nosso orixá regente.

Ferramentas como astrologia, dia da semana, dia de nascimento, regras de cálculos, muitos utilizam o biótipo, tem centro que não pode ver um gordinho que já dão Xangô a ele, não podem ver uma baixinha que já dão Oxum a ela e assim vai [risos]. Muitas ferramentas podem ajudar sim, podem dar um norte, MAS NEM SEMPRE é um fato!

Em nosso plano, tudo o que se refere ao mundo espiritual são especulações e isso vai depender justamente dos olhos de quem vê e dos ouvidos de quem ouve.

Desculpem-me se os decepcionei tentando dar a fórmula certa para descobrir seu Orixá, porque ela não existe!

Uma breve narrativa sobre o início do desenvolvimento mediúnico (O Início da Incorporação)

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– Meu corpo se mexe de forma que eu até consigo me controlar, mas eu não quero, que coceira na perna, estranho, até consegui coçar, mas com dificuldade,

– Como é ruim ficar de olho fechado. Será que é vergonha? Algum tipo estranho de timidez? As pessoas me oferecem bebida, mas até sinto uma vontade estranha de beber, mas eu não quero, parece-me que ainda não tenho permissão para beber!!! Mas como é isso???

– Que sensação estranha… Que estranho, vontade de fumar, mas como assim? Eu não fumo! Aliás, agora que eu lembrei, que vontade é essa de beber se nem bebida alcoólica eu consumo? Hum… Aliás, eu até consumo sim, mas não desse tipo…

– Que som legal esses graves, essas batidas, que vontade de dançar, eita, que vontade de me mexer, tô dançando, mas parece que eu tô duro, mas tô dançando, deixe o som dessas batidas me levar, mas vamos parar com tudo… Essa sensação? Tô vendo tudo, me mexendo de certa forma, mas como eu quero, ouço tudo no mundo externo, mas meus olhos permanecem fechados, dá uma insegurança, vou abrir um pouco e consegui abri-los, entendi, estou no centro, e essa gira.

– Será que eu estou incorporado??? Isso é da minha cabeça??? Será que realmente tem algum guia em minha matéria ou estou louco? Eu consigo falar se eu quiser, consigo negar algo que eu muitas vezes até quero, mas que briga é essa do meu cérebro com meu sistema motor?

Sim… Meus irmãos, esse é um processo extremamente normal das primeiras fases do processo incorporativo, o que eu narrei de forma sucinta é o que aconteceu comigo e com mais milhares de médiuns que iniciam-se suas vidas dentro dos terreiros.

É extremamente normal observamos o ambiente, sabermos que estamos nele, os primeiros meses desse processo é complicado, muitos pensam em desistir ou desacreditar no poder das entidades ou até mesmo em si próprio. Será que é tudo fruto de nossa imaginação?

Os primeiros meses o sentimento de inutilização de si mesmo é enfático, o “mentor” chega, você anda um pouco, mas não anda muito, não fala, mal abre o olho, a postura corporal quase sempre é a sua, você não bebe, não fuma, não faz absolutamente nada, realmente é um processo adaptativo extremamente chato, cansativo e por vezes, demasiadamente lento.

Mas é a evolução, é o processo evolutivo que todos nós temos que passar, assim como a lagarta passa por um doloroso processo ao se libertar do casulo e se transformar na borboleta, assim é o processo mediúnico com todos nós, seja na Umbanda, seja no kardecismo ou qualquer outra liturgia espiritualista, o processo de desligar-se do seu “Eu Material” e religar-se com o seu “Eu Espiritual” é vagaroso, penoso e muitas vezes frustrante.

Mas como tudo na vida, é necessário Foco, Força e Fé, como vemos em muitos posts em redes sociais, acima de tudo isso, a determinação e a crença em Si mesmo, a fé é algo relativamente intangível, mas a crença em Si e no Criador é o que faz toda a diferença.

Existe o post Firmeza de Cabeça (Ler Aqui) que ajuda muito nessa empreitada, mas agora prefiro partir ainda mais do começo…

Os seus chacras que são seus vórtices energéticos trabalham em velocidades altíssimas, e quanto maior sua evolução e sua busca pelos estudos, bem como certas práticas espiritualistas, tendem a acelerar ainda mais esses vórtices, mas como somos muito ligados à carne, eles tendem a trabalhar em velocidade reduzida, e quando iniciamos o nosso desenvolvimento, primeiro precisamos preparar o nosso corpo para vibrar de forma ao menos síncrona ou devidamente satisfatória com o plano espiritual para assim estabelecermos uma comunicação sem ruídos. Imagine quando você brinca de pular corda, a corda está rápida, você precisa saber o tempo certo para entrar na corda sem se “queimar” e pular de acordo com a velocidade que ela está rodando, é assim que também tentamos sincronizar com o nosso “Eu Espiritual”.

Existem formas para ajudar nisso, é regrar a sua vida, como o próprio mestre Jesus dizia: “Orai e Vigiai”, não adianta orar todos os dias se não vigia suas atitudes, não adianta pregar de forma sábia aos irmãos do centro e dentro de sua própria casa, bater em sua mulher ou filhos.

A conduta de vida é importante, pois ela é imprescindível para o seu nível vibratório e consequentemente sua “Forma-Pensamento”, claro que existem pessoas com muito mais facilidade que outras, isso vai de médium para médium, tem médium que se mata de beber na semana e chega no final de semana ainda dá uma excelente comunicação, isso depende de vários fatores que serão elucidados em próximos posts.

O processo adaptativo do guia com o médium se dá ao alinhamento da velocidade desses chacras, as velocidades devem ser parecidas para ocorrer uma acoplagem eficiente, por isso, muitas vezes, o movimento brusco da entidade ao irradiar o médium.

Podem perceber que isso com o tempo diminui de forma significativa, a acoplagem vai se tornando mais eficiente até chegar a um sincronismo perfeito.

Deixar de consumir carne vermelha, bebidas alcóolicas e sexo desenfreado não somente no dia que precede, mas manterem um resguardo referente a isso ajuda muito também, mas como cada pessoa tem o seu organismo físico, também tem o seu organismo espiritual, isso vai de pessoa para pessoa não tendo uma regra.

Importante salientar também que o guia não toma o seu corpo e seu espírito nem fica ao lado ligado pelo cordão de prata; E sim a entidade te irradia em seus pontos vitais para que possa assumir seu mecanismo motor, utilizando também seus recursos psicofônicos, ou seja, ele irradia seus chakras e assume todo o controle de seu corpo, com isso, IMPOSSIBILITA O DESLIGAMENTO TOTAL DE SUA MENTE o que de fato, exclui aquele assunto de MEDIUNIDADE INCONSCIENTE.

O começo da jornada é sempre difícil, sempre demanda tempo, dedicação e conhecimento, peguem um tempo para estudarem, conhecerem suas limitações e suas aptidões, e gradativamente, alcançaremos o que tanto almejamos: A Evolução Espiritual

Contudo, vale salientar que no começo, ver é normal, ouvir é normal, sentir dor é normal, sentir reações fisiológicas como os gases também é normal, o que vai te diferenciar de um médium medíocre para um médium produtivo é o seu grau de desprendimento e dedicação, eu sempre falo no blog, mais vale o grau de desprendimento do médium ao grau de incorporação, ambos estão de certa forma, intrinsecamente ligados, porém, existe o dia que sua irradiação não estará tão forte, em contrapartida, você tendo bom desprendimento, você mesmo pode assumir os trabalhos de forma eficiente.

E lembrem-se: A entidade utiliza o seu corpo como recipiente, se o seu corpo é fragmentado, sujo, pequeno espiritualmente ou até mesmo disforme, irrefutavelmente, a entidade terá que passar a sua mensagem nessas condições, e consequentemente, sofrendo influências do meio da qual ela utiliza como recipiente.
Em suma: Até o mel mais doce azeda em um recipiente sujo!

Meus sinceros votos de Paz e Luz

Neófito.