Malandros na Umbanda

Saudações irmãos de senda.

Aqui é mais um post desse cara ranzinza, mas de bom coração, o neófito.

Vamos falar um pouco desse movimento de malandragem dentro da Umbanda, do qual eu era TOTALMENTE CARREGADO DE PRECONCEITO, como nasci em um bairro muito ruim, que você tinha duas opções: Estudava ou ia pra onda do crime, onde preferi estudar, por estar no meio da malandragem, de muita gente metida a esperta, aprendi a repudiar veementemente esse tipo de pessoa e quando fiquei sabendo desse mesmo movimento na Umbanda, TRIPUDIEI, mas como sempre digo, eles sabem nos convencer quando querem e tentei dar uma chance a essa linha e me surpreendi.

Recorri aos estudos da Antropologia, do Movimento e de alguns conselhos dos meus próprios mentores.

HISTÓRIA DA MALANDRAGEM

Podemos definir a malandragem com um arsenal de formas de tirar vantagem sobre alguma coisa, é a artimanha, no popular, o famoso xaveco obtermos vantagens e saídas de alguma enrascada. Me deparei que precisamos lidar com isso durante o dia, é inevitável termos que executar com sutileza, destreza e inteligência tudo na vida, seja a “média” com o chefe, com a namorada, a malandragem está mais presente em nossas vidas do que eu gostaria de assumir. Obviamente existem diversas classes de malandragem, estou tentando falar da mais sutil possível, o arquétipo do malandro é aquele muito utilizado pela Lei de Gerson, é aquela lei que diz: “Levar vantagem em tudo!”.

O Brasileiro é malandro por si só, um adágio muito conhecido que pode substituir a Lei de Gerson, é o famoso Jeitinho Brasileiro comumente utilizada quando precisamos contornar alguma situação ou superar alguma burocracia de nosso cotidiano. Também conhecido como “Dar o Migue”.

Zé Carioca

A malandragem nasceu com o objetivo de contrair a justiça individual contra a camada opressora e até burguesa. É uma forma de tirar vantagem a partir das inúmeras desvantagens que temos, seja classe social, intelectual ou até mesmo a aparência, a malandragem é contornar alguma deficiência substituindo por algo que possuímos proficiência. É um movimento não somente brasileiro, como mundial, no famoso conto de “Mil e Uma Noites” nos deparamos com Aladim, um jovem árabe, vadio, arruaceiro que se metia nas altas confusões (como dizia SBT), conseguiu se apoderar da lâmpada mágica ficando rico da noite pro dia e ainda conquistar a princesa Jasmine. Existem mais alguns dos quais podemos recordar, como o Manda-Chuva, aquele gato que vivia na rua de Nova York, podemos lembrar de Gastão, um personagem da Walt Disney que vivia através da sorte e dos jogos, o próprio Zé Carioca que vivia através da malandragem e pequenas artimanhas para poder viver.

Como podemos observar, é um movimento que vai muito além do Brasil, a malandragem é mundial e teve como intuito, a fuga peranta as camadas opressoras e de pequenas anarquias que visavam protestar o sistema da sociedade.

Podemos saber muito sobre a malandragem através das músicas de Bezerra da Silva, com isso, existia o seu grande Adágio: “Malandro é Malandro e Mané é Mané”

MODO DE VIDA DO MALANDRO – ESCOLHA OU NECESSIDADE?

Muitas vezes, a malandragem é um ato de revolta contra as autoridades sociais, contra o sistema que sabemos ser falho, os malandros optam por quebrar o modo de vida falho do sistema que somos inseridos e vivem da forma mais hedonista possível, ou seja, visando o prazer acima de tudo. O Hedonismo é um movimento que foca em viver a vida da forma mais prazerosa possível, o hedonismo é um movimento grego, idealizado pro Aristipo de Cirene em 420 a.c. Justamente por não se preocuparem com o status quo muitas vezes e sim com uma forma prazerosa de vida, arraigada de mulheres, musicas, bebidas, a boemia em si, tão taxados como vadios e vagabundos. É um movimento muito comum em seres menos favorecidos, o que causa simpatia por muitos outros nas mesmas condições.

Chicó e João Grilo – O Auto da Compadecida

Desde a idade média, o malandro sabia usar a lábia e a esperteza para tirar proveito dos mais favorecidos, como mesmo disse, malandragem é um movimento que visava a justiça individual. Importante salientar que muitos malandros possuíam excelente coração, como podemos presenciar no personagem Zé Carioca, importante salientar também que muitos ciganos também tinha que saber viver da malandragem como forma de sustento, portanto, vendo o outro lado da moeda, criei muita empatia por esse movimento e não julguei apenas por um ponto de vista e pela limitada visão que eu tinha. Os próprios negros do Bronx, que eram o estereótipo do malandro estadunidense. Eram conhecedores das manhas das ruas, usavam ternos quadriculados, chapéus de abas largas e ajudavam muito a sua sociedade com pequenos delitos.

Podemos perceber que muitos desfavorecidos e que são arquétipos da umbanda hoje, possuem histórias parecidas, os quilombolas, os cangaceiros, muitos ciganos, baianos, entre outras linhas.

Também vale ressaltar que nem todos trazem o arquétipo do malandro da lapa, também existia a malandragem nordestina, que dançavam muito xaxado, gostavam de jogos e bebiam muita água de coco com bebidas alcoólicas, por muitos eram gente à toa e para outros, grandes revolucionários. Podemos destacar como arquétipos de malandros nordestinos, o próprio Chicó e João Grilo, personagens principais do Auto da Compadecida de Suassuna.

MALANDROS NA UMBANDA

Como já sabemos um pouco sobre o que é o movimento da malandragem, e podemos perceber que ele é muito mais comum em nosso cotidiano do que imaginamos, a Umbanda novamente, em teu seio de sabedoria materna trouxe mais um arquétipo para que tivesse o objetivo de nos ajudar e driblar as dificuldades da vida, nada melhor do que um arquétipo eficiente para isso, mais adequado com o nosso cotidiano, podemos perceber que os caboclos trazem a sabedoria do guerreiro, do conhecimento, da cura, enquanto os preto-velhos, além da sabedoria de vida, da experiência de diversas situações, nos ensinam as mirongas, as crianças, trazendo-nos a alegria e a pureza, então estava faltando alguém aí pra nos ensinar elementos do cotidiano muito presentes em nosso dia-a-dia, trazendo conosco o arquétipo dos malandros.

Como disse na linha de Piratas, se formos perceber, essa linha já agia em segredo há muito tempo, com a chegada do Zé Pelintra na linha de baianos muito comum nos cultos no Sudeste, originalmente, sendo um mestre da Jurema, em segredo a espiritualidade já trazia um espírito que carregava esse arquétipo e silenciosamente já trabalhava um culto determinado a essa linha, a linha dos malandros, assim como eu acho que vem acontecendo com outras linhas dentro do panteão Umbandistas.

Zé Pelintra na Esquerda.

Impossível falar sobre os malandros na Umbanda sem citar o emblemático Zé Pelintra, que no meu caso, só costuma vir na esquerda, diferente de outros que vem como baiano. Comecei a trabalhar há muito pouco tempo com malandros e em minha linha, se apresentou um tal de Malunguinho, que eu não fazia ideia de quem era, até conhece-lo através do culto ao catimbó, ele é muito mais conhecido como mestre juremeiros a malandro, mas chegou em minha linha trazendo uma malandragem diferente da estereotipada do carioca da lapa, e sim um malandro nordestino, mais exatamente baiano. Malungo é uma gíria utilizada na escravidão que significava companheiro, um termo comumente utilizado entre os malandros e fiquei muito feliz em saber que existiam pequenas histórias sobre essa entidade chamada Malunguinho, que pode vir também como exú, o que tem muito a ver com o arquétipo do malandro, porque muitos deles também atuam na esquerda.

OS malandros vem para trazer a alegria, nos ensinar a arte de driblar os problemas da vida, nos ensina que por mais que uma situação nos pareça desfavorável, com inteligência e sutileza podemos sair dessa situação. Eu mesmo confundia demasiadamente malandros com marginais, e através de poucos relatos dos meus mentores, um pouco de pesquisa e acompanhamento do Sr. Malunguinho em seu trabalho, percebi o meu equívoco e coincidentemente li um post e um irmão com o Nick feeyama me disse isso, que eu não tenho problemas em voltar atrás de minhas certezas e esse post sobre malandros seria a minha “libertação”.

Os malandros vem nos ensinar a fazer uma boa limonada mesmo com os limões azedos, nos ensinar a contornar os problemas comuns em nossa sociedade, e que o movimento da malandragem, do jeitinho brasileiro é muito mais presente e comum do que imaginamos. É um movimento que nos ajuda a corrigir os equívocos da Lei, do sistema social, eles vem com o objetivo de nos fazer enfrentar as dificuldades da vida com esperteza e sutileza, nos ensinam sempre brincando e trazendo muitas analogias de nosso cotidiano.

Indubitavelmente é uma linha que veio pra acrescentar e auxiliar de forma rápida, objetiva e compreensível aos dias de hoje, como lidarmos com nossas dificuldades e problemas. Trazem um arquétipo mais moderno de resolução de questões e justamente por isso, está muito presente em muitas casas de Umbanda.

E como disse, nem todos seguem o esteriótipo do malandro da Lapa, o que eu sirvo mesmo, é o Malunguinho e tem trejeitos totalmente nordestinos.

Salve a Malandragem.

Paz e Luz.

Neófito da Luz .’.

Referências: Wikipedia

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Pretos-Velhos e Caboclos Kimbandeiros

Saudações fraternas queridos irmãos de senda.

Aqui quem vos fala é o neófito, com mais um texto chato, porém honesto! Rsrs

Gostaria de elucidar um pouco mais sobre essas duas linhas, que em alguns locais já trabalham de forma paralela às linhas comuns como caboclos e pretos-velhos. Mas essas entidades, por possuírem o mistério, a energia da direita, como os caboclos e pretos-velhos, trazem consigo o mistério da magia africana, a facilidade em manipular energias deletérias, energias telúricas e consequentemente, o afastamento ou aproximação de eguns que podem ou não causar efeitos colaterais aos médiuns.

Eu mesmo trabalho com um preto-velho que é totalmente voltado à Kimbanda, Pai João da Costa, e o trabalho dele realmente se difere do outro preto-velho do qual dou passagem, a vibração é mais densa, mais agressiva, porém, é uma vibração de resolução imediata, na ocasião, uma consulente estava com alguns problemas psicóticos e outras questões que não é o escopo do post, e ao invés de dar aquela tranquila passagem do qual estava habituado, que seria o Pai Guiné, senti uma vibração extremamente diferente, de um preto-velho que mal vinha encurvado, pelo contrário, senti um preto-velho relativamente forte e andava relativamente ereto, com uma fala menos calma, mais contundente, muito sério, pediu charuto ao invés de cachimbo, fez o trabalho, pediu a fundanga e outros elementos mais comumente utilizados para exus e completou o trabalho que foi ali solicitado.

Eu não tenho nenhum preconceito contra entidades kimbandeiras, pelo contrário, acho que são de extrema necessidade para manter o equilíbrio e muito comum essas entidades trazerem contigo toda a força da magia ancestral africana, são antigos mestres do sacerdócio ioruba e culto aos ancestrais que trazem consigo a magia que se perdeu com o tempo.

Em hipótese alguma são entidades que praticam o Mal ou que de certa forma, atingem o que contraria a Lei Espiritual.

Os guias kimbandeiros, como já disse, são geralmente espíritos de ancestrais africanos de cultos de tempos remotos, é perceptível a divergência de trabalho em relação a outra linha de preto-velho, bem como a energia que traz, os movimentos são mais bruscos e são profundos conhecedores de outros meios de magia, como os utilizados na Pajelança, na Bruxaria antiga, são verdadeiros detentores de conhecimento com a manipulação de energias telúricas.

Existe uma grande falange de pretos-velhos que trazem consigo o poder da Kimbanda, e assim como outros orixás, foram negligenciados pela liturgia hodierna ou inseridos em sincretismos para facilitar a liturgia moderna. Como já coloquei nesse blog, há uma grande diferença entre a Kimbanda e Quimbanda, vide post aqui.

Assim como existiam os antigos sacerdotes iorubas, também existiam outras classes de espíritos que também traziam o conhecimento das ciências perdidas no tempo, não só na Africa, mas também nas Américas, existia essa mesma manipulação de energia telúrica, deletéria para que pudessem reverter para o bem, assim como existiam os negros kimbandeiros, comumente conhecidos como tatás e n´gangás, também existiam os índios, os espíritos mais jovens, o que denominamos na Umbanda como Caboclos Kimbandeiros, onde existem famosos caboclos dessa falange como Sr. Pantera Negra, Sr. Giramundo e até mesmo Sr. Treme-Terra.

Extraído do site http://www.paimaneco.org.br

As entidades kimbandeiras não se limitam apenas a caboclos e pretos-velhos, porém, é onde fica mais evidente e até mesmo mais conhecida essas características, por se apresentarem de forma mais firme, enérgica e até mesmo mais calada, são imprescindíveis para o equilíbrio da Lei e podem trabalhar tanto no mistério do qual são inseridos no polo direito da Umbanda, como caboclos, preto-velhos e até mesmo em outras linhas, como ciganos, e também podem trabalhar no polo negativo da energia, juntamente com os exús, o que possibilita maior campo de atuação e maior conhecimentos desses espíritos.

Então é importante salientar que não são espíritos que fazem o Mal, pelo contrário, são espíritos com profundos conhecimentos de Magia Ancestral que possuem livre arbítrio para transitar nos dois lados da Força tornando mais eficiente determinados tipos de trabalho.

Se presenciarem uma casa que dedica uma linha específica a eles, não estranhem, algumas casas já estão dando comunicação para essas falanges em especial e tratando-os de forma diferenciados dos caboclos e pretos-velhos tradicionais.

Lack’Ech

Neófito da Luz

Um dos grandes ensinamentos do Sr. da Meia-Noite

Um exú que muito admiro, muito raro, porém de extrema competência, sabedoria e postura, aqui vai um texto sobre ele escrito por Alberto Ebomi

Consulta com Exú e Pomba Gira deveria ser sempre assim:

Boa noite, vocês estão aqui para ouvir e eu vou agradecer a quem escutar. Quando se vai em algum lugar, se deve levar alguma coisa boa. O que se recebe em qualquer lugar corresponde ao que você leva a ele.

Gosto do trabalho aqui… hehe, só chegam perto de mim santinhos… Ihahahahahaha!
Dizendo para minha banda que nada fizeram para merecer da vida o que tem vivido e que Exú dê um jeito para abrir os caminhos. Para esses dou a minha melhor gargalhada!

São seres de dupla medida: uma para si outra para as coisas que os contrariam. São seres medrosos que esquecem que deles mesmos depende as decisões e consequências.

Muitos vêm até a minha banda querendo isso ou aquilo e nada de realmente bom e perene nos trazem.
Trazem lamúrias, trazem queixas, trazem pedidos. Mas dificilmente nos trazem aceitação, renovação, dedicação ou gratidão verdadeiras.

Muitos nos oferecem coisas perecíveis e passageiras para que possamos dar jeito de ajeitar suas vidas, camuflar as falhas que cometeram ou para satisfazer caprichos tratando a banda como mercenários a seu serviço. Pensam que o céu é para eles e para Exu só as podridões.

Dizem respeitar a banda porque querem nossos favores. Dizem respeitar a banda apenas porque tem medo do que a banda possa fazer.

Dizem respeitar a banda, mas ao menor embaraço começam a debandar e caçar outros que façam por eles o que eles mesmos não tem a ousadia de fazer. Dizem respeitar a banda e nos tratam como empregados a soldo de marafo e outras coisas. São seres que não sabe bem o que querem e exigem que Exu saiba. Exu sabe e por isso Exu faz! Porque quem sabe faz, e o que não sabe fazer, pede.

Trocamos, sim. Porque são ingratos e petulantes e pensam que o que vale nada, nada vale! São seres que querem por mágica que a banda dê jeito de melhorar suas vidas. Sem que nada tenham que melhorar em si mesmos.

Querem resguardo, pedem guarida para se manter pomposos e orgulhosos nos caminhos tortos que gostam de andar. Cheios de empáfia e sem a menor vontade de fazer algo por alguém. E nem tem vergonha de vir pedir para a banda fazer o que eles mesmos não fazem! São seres que acreditam que podem comparar Exu com umas porcarias que para nós nem tem muito valor. Por serem ovelhas que só querem o sustento de suas vontades. Seguem ao primeiro sanar qualquer necessidade. Achando mesmo que como são assim, Exu também, tem que ser.

Sem nem pestanejar entregam qualquer coisa que a banda quiser desde que consigam o que desejam sem para isso ter que se esforçar. Por isso tem muito rabo de encruza por aí a se fartar. Achando que o céu é perto, nenhum nem o outro quer se consertar.

São seres que dizem Laroiê sem fé e sem razão e Mojubá sem disso ter qualquer convicção. Para esses, meus ganchos são afiados.

Pedem proteção da banda para continuar os desmandos e com isso pensam poder continuar sem rumo ou comando abusando da liberdade que tem. Achando que cobrir um erro com outro vai fazer o acerto. Querem que Exu sempre fortaleça aquilo que não é conquista deles. Batem no chão e no peito dizendo: Eu tenho Exu! Será que nos têm mesmo ou somos nós que os temos?

Então, já que vem visitar minha banda trate de trazer o melhor que tiver. Não é marafo, não é charuto e muito menos sangue de piá! É ao menos a vergonha na cara, de vir para se melhorar. Se vier pedir demanda, demanda vai levar. Não aquela que pedir, mas aquela que eu mandar. Porque se seu coração é negro não sou eu que vou te clarear. Iahahahahahahaaaa!

Ganhei uma nova estrela e um potente cajado e garanto que não foi por ter ocorrido das lutas ou abandonado meu comando.

Então se vem até a minha banda, traga algo que preste, porque posso até facilitar alguns trajetos, mas, não vou desonrar minha jura a quem em mim confiou para manter o equilíbrio da minha banda.

Boa noite que já vou me retirar e no meu reino vou te esperar. Pense bem quando vier aqui me procurar, tenho pressa, ando rápido e posso muitas coisas estar fazendo. Então não gaste meu tempo com bobagens que você mesmo pode resolver.

Ajo rápido, ando longe mas não gosto de falação. Guarda bem o meu conselho. Respeite a si próprio e num vai ter do que reclamar. Se quer o respeito da minha banda, seja você o primeiro a se respeitar.
Salve o Grande! Porque é o Grande que mais pode! Salve a Minha Banda!

Agradeço a quem ouviu e agradeço mais a quem me escutou. Boa noite!

Essas sábias palavras servem para todo o tipo de gente, principalmente aqueles que pensam que Exu não é entidade e sim um amigo que lhe resolve tudo, que lhe dá o homem ou a mulher que deseja. E não é bem assim que as coisas funcionam, Exu é uma entidade que deve e muito ser respeitada. Eles não são nossos amigos de escola ou do trabalho que conversamos como se não fossem entidades. São entidades poderosas que podem virar tua vida de cabeça para baixo através das menores das brisas.

Bem… cada um reflita sobre si e veja se estas palavras não tem razão em muitas coisas!!!

Salve a Vossa Banda
Laroyê Exu,
Exu é Mojubá!!!

Saravá Sr. Boiadeiro

Uma linha que comumente era apenas cultuada no candomblé, como “caboclo boiadeiro”, também muito cultuada no catimbó e cultos omolokô que eram provenientes também do candomblé, ou pelo menos, uma vertente.

São entidades que se apresentam como verdadeiros trabalhadores oriundos do sertão e outras regiões do mundo, onde tinha como finalidade, o trabalho com o gado. Seja capataz, boiadeiro, vaqueiro, caseiro, em suma, toda essa vasta falange de espíritos que tinham contato com o gado.

Seus ensinamentos são ilustrações da vida cotidiana do caboclo sertanejo, do trabalhador rural, nos trazendo as experiências sofridas na época.

Importante saber que existem os mais variados tipos de boiadeiros, com sotaque mineiro, espanhol (ou castelhano), sotaque baiano e até sotaque gaúcho. Alguns boiadeiros se plasmam como fazendeiros, capatazes e alguns como índios, são índios que tiveram como principal função o trato com o gado e até a caça

A personalidade do boiadeiro varia demais da linha do qual está imantado, alguns são extremamente sérios e falam pouco, outros extremamente brincalhões, o que lembra muito alguns baianos. Eu mesmo tenho a experiência de trabalhar com os dois polos, Sr. Rei do Laço um nordestino arretado e Sr. Laje Grande um índio que fala muito pouco.

O giro do seu laço representa o Movimento da Força, o elemental AR fazendo o processo de limpeza do astral, afastando energias deletérias e incondizentes com os trabalhos do terreiro, o seu ilado é a evocação da energia do reino animal equiparando com a vibração do ambiente do qual está submetido para afastar quaisquer entidades de propósitos contrários. Seus gritos ecoam como verdadeiros mantras trazendo Vibrações Propícias para a realização dos trabalhos de forma limpa e eficaz. É uma linha maravilhosa e deveria ser mais requisitada nos trabalhos umbandistas.

Na Umbanda representam a Força, a vibração do Boiadeiro em minha opinião é a mais densa da Umbanda, são espíritos que lidam direto com obsessores, eguns e outras cargas deleterias. São excelentes doutrinadores e conhecem muito a magia de limpeza. Costumo dizer que uma limpeza bem firme de boiadeiro não necessitamos mais de nada.

Alguns boiadeiros também trabalham junto com os exús, possuem o livre arbítrio para trabalhar na esquerda ou na direita.

É uma linha que quando chega nos trabalhos costuma encantar os olhos, seja pelo seu ilado, com os gestos fortes e curtos ou até mesmo a própria energia que chega no terreiro juntamente com eles. É uma linha fenomenal para lidar com desobsessão, eu sempre costumo evocar boiadeiro quando há a necessidade de uma limpeza densa extrafísica ou até mesmo encaminhar os obsessores para as escolas do astral. Importante lembrar que muitos boiadeiros, a grande maioria trabalha fortemente sob a irradiação de Iansã, a rainha dos ventos, o que é simbolizado no próprio gesto do boiadeiro e lembrando também que Iansã é a rainha dos eguns segundo algumas liturgias. Boiadeiro é Movimento, é Força!!!

Além de possuir como vibração original Iansã, podem vir sob as irradiações de outros orixás, nada impede do boiadeiro trabalhar sob a égide de Xangô, Ogum, entre outras vibrações.

Pouco se sabe sobre a sua falange e seus chefes de linha, por ser uma linha que fala muito pouco, eles são mais de agir que de falar, são grandes trabalhadores do astral.

Alguns bebem cerveja, cachaça ou até cerveja preta, já presenciei boiadeiros pedindo vinho também. Alguns fumam charutos, outros o cigarro e outros até mesmo o cigarro de palha.

Sua saudação é “Xetruá Morumba Xetrö” (Getruá ou Chetruá), isso varia de acordo com a casa também, seu dia normalmente é quarta-feira e suas cores variam demais, alguns utilizam o amarelo e preto, outros o verde e preto, outros até mesmo somente o verde, vai depender da linha do seu boiadeiro ou até mesmo da doutrina da casa.

Suas oferendas também variam muito do boiadeiro que a solicita, alguns solicitam o padê (farofa com dendê, água, ou outros elementos), as bebidas são as mesmas citadas anteriormente. Suas cores também variam conforme já mencionado.

Alguns espíritos que atuam nessa falange são Rei do Laço, Laje Grande, Laje Mineira, Zé Boiadeiro, Zé do Laço, João Boiadeiro, Laço Ligeiro, Mané Boiadeiro, Zé Baião, Zé do Sertão.

 Jetuá Sr. Boiadeiro.

Salva toda a sua banda, salve a sua força.

Neófito da Luz.

Liturgia da Linha de Exús

Saudações irmãos.

Ainda continuando com a minha experiência no último terreiro que eu visitei, do qual me relembrei de vários tópicos, um deles é a forma que é composta o ritual dos exús.

A primeira delas, é cantar para exú de costa pro altar, algo que já mencionei no blog, respeito as casas que ainda praticam esse culto, porém, discordo veementemente pelo fato de Exú também estar na Lei, independente do polo do qual ele trabalha, que é o polo negativo, para muitos, isso tem denotação pejorativa, o negativo aqui é o polo da força e não que é uma força ruim ou acintosa, perniciosa, entre outros adjetivos que denotam malevolência. É como a energia elétrica, a corrente só é transmitida em sua plenitude quando é unido os dois polos, positivo e negativo para que ocorra a corrente elétrica, assim é a Força Cósmica, o Yin-Yang, tudo é composto pela dualidade, e a Umbanda não fugiria desse conceito. Muitos dizem que a Quimbanda é complementar à Umbanda, um fator que eu concordo de verdade, existe o polo positivo e o polo negativo, sem problemas.

Como os exús são vistos como seres negativos, talvez houve a crença em que eles não trabalham na Luz e servem às Trevas, então criou-se o hábito de realizar trabalhos no escuro, e costa pro altar e todos vestidos de roupa escura. Acho até um simbolismo rico, por ter toda a crença que o exú atua nas trevas e tudo mais, mas uma coisa o Sr. Rei das Sete Encruzilhadas me disse: Muitos se confundem em atuar nas trevas com habitar nas trevas, e talvez isso fez eu mudar de ideia em relação ao culto realizado à linha dos exús.

Eu sou realmente contra cantar para os exús de costa pro altar, eu sinceramente acho que é diminuir a maravilha da linha, eu cantaria de frente como se fosse pra qualquer outra linha, exús são trabalhadores da Lei e guardiões escolhidos pelos nossos orixás, tanto é que tem exús que atuam com Oxalá, Xangô, Ogum e todos os outros orixás, portanto, não vejo nenhum problema em entoar seus pontos de frente com o altar assim como todos os demais trabalhadores da Senda Umbandista.

Portanto, Exús são nossos compadres, guardiões, amigos e são parte da Umbanda.

Sobre as roupas escuras, também entendo o simbolismo da linha, o motivo da cor preta que tem diversos simbolismos positivos, inclusive, um deles judaico-cristão que diz que o preto afasta os maus espíritos, tradição essa existente até hoje com os padres e até mesmo em velórios que é tradição se vestir de preto. Acho legal, nada impede disso acontecer, porém, na casa onde eu era pai pequeno, os exús também usavam branco, financeiramente é mais viável e na casa onde eu trabalhava, não existia uma gira somente pra eles, e sim no final de cada mês, os caboclos trabalhavam, os baianos e depois virava para os exús, portanto, como já estavam todos de branco, já aproveitávamos o ensejo e o trabalho ocorria de forma tranquila.

E por último, algo muito comum é trabalhar com as luzes apagadas, eu sinceramente acho que é simbólico, respeito, portanto, culto aos exús em minha casa era também com as luzes acesas, mesmo os exús atuando nas trevas, exú é luz, exú é serventia da Grande Espiritualidade, mesmo atuando nas trevas, não é lá que fazem sua morada, portanto, luzes acesas.

Obviamente cada um desses tópicos foi previamente conversado com os exús da casa e nenhum apresentou nenhuma objeção, eu mesmo já trabalhei com alguns e nenhum fez uma objeção essa “mudança” na tradição, o Marabô muitas vezes pedia para apagar onde ele atuava com cura, porém, ele atuava sob lâmpadas coloridas para a cromoterapia, então era necessário trabalhar com as luzes apagadas para que as luzes verde, azul e laranja pudessem ser mais iluminadas sobre o filho que precisava da cura.

Conforme ressaltei, nada contra as casas que ainda atuam dessa forma, tudo é simbólico e o que vale realmente é o coração focado e a mente firme para que possa ser praticada a caridade para os que ali adentram em busca de força, de fé, de cura para seus males.

Apenas um simples comentário.

Neófito da Luz.

Breve Diálogo Sobre Incorporação – Parte II

Senhores, como eu havia dito, não revisei de forma apropriada o texto e para quem já leu, é estressante ler tudo novamente, então vou repetir alguns assuntos aqui brevemente para prosseguir com os demais.

Nome do Guia

Conforme mencionado, são muito relativos os nomes das entidades bem como o tempo em que elas se identificam se apresentam. Eu aconselho a muitos médiuns não procurarem muito sobre nomes de entidades na internet bem como suas áreas de atuação, formas de trabalho, entre outros fatores, porque infelizmente podemos ter admiração por algum, aquela vontade de querer trabalhar com ele misturar no processo anímico e na hora que sua entidade, de fato, der o nome, você pode se confundir e atrapalhar a comunicação nesse momento.

Sempre de extrema importância manterem-se distantes desse tipo de informação.

Outro fator importante é o fato de que para massagear nosso ego, o que é muito comum, queremos ter caboclos de penas até o chão, com um penacho de grande espessura como um rabo de pavão, é importante ignorar tudo isso, o meu mentor-chefe chama-se Urubatão da Guia, o mesmo não é cacique e sim pajé, e para estar na frente de outras entidades minhas que são caciques, é sinal que o nível hierárquico no outro plano, pouco importa. O Caboclo do Sol que é outro caboclo que eu servi, também nunca o vi com penacho até o chão e graças a Deus nunca deixou ninguém na mão.

Não adita ter um guia de grande Luz, de Grande Poder se o recipiente da qual ele deve trabalhar é ruim, o Sr. Tranca-Ruas costuma me dar um exemplo do copo, ele pega um copo de 500ml e um de 100ml, porém, ele deixa o de 100ml mais cheio, qual copo ao ser derrubado vai espalhar mais água no chão?

Outros também afirmam que só confiam no nome da entidade quando a mesma dá o ponto! Isso também é relativo, às vezes a entidade dá o nome na casa do qual o filho trabalha, mas não é afim com a energia da casa, então não tem o porquê dele “carimbar” com sua energia espiritual, o seu portal de evocação dentro da casa. E outra, esse negócio de ponto da entidade é muito relativo, hoje em dia é muito difícil achar um sacerdote apto a ler o ponto e confirmá-lo.

Conheço uma médium há oito anos, já presenciei excelentes trabalhos de seu marinheiro e sua caboclo e nunca, nunca deixaram o ponto e somente a cabocla se apresentou, Sra. Jurema Caçadora, mas também, nunca deixou seu ponto em lugar nenhum.

Outra coisa muito interessante para nossas mentes curiosas é ver a imagem de nossas entidades, tentem não se apegar a isso, porque quando a entidade se mostrar a você, E TODOS SÃO CAPAZES DISSO, você não a confunda com a imagem que você associou a ela em casa de imagens.

História do Guia.

Uma outra coisa que é muito comentado é a história do guia. Se o mesmo foi príncipe ou carrasco, se o mesmo foi benfeitor ou malfeitor. Obvio que é muito interessante sabermos a história daqueles que trabalhamos juntos, daqueles que estão em nossa convivência, mas nada melhor que eles mesmos lhe contar. Existe a história da falange, mas mesmo dentro da falange do Pena Branca, os guias possuem sua individualidade, seu próprio ciclo reencarnatório, sua personalidade, sua característica, então é muito melhor saber a história da sua entidade.  Um caso é o Zé Pelintra, eu já vi vários Zés e claro, tem o padrão brincalhão característico da linha, mas cada um tem a sua experiência, sua vivência e forma de trabalho, mesmo porque nenhum médium é igual e é ignorância negarmos que temos também parte da responsabilidade na comunicação.

Quantidade de Guias.

Só para concluir de fato o assunto, se a pessoa é filha de Iansã e Obaluaie, por exemplo, obviamente o forte da linha desse filho não será caboclo, e sim preto-velhos, boiadeiros e até exus. Ele pode ter dois caboclos e dez exus sem nenhum problema, claro, nem todos trabalharão com você, mas ficarão próximos e auxiliarão as entidades de trabalho em outras tarefas.

A quantidade de guias varia de acordo com a linha do médium, um filho de Oxóssi, consequentemente terão mais caboclos.

Não é um tema que precisamos estressar sobre o assunto, há médiuns que no longo de sua vida trabalha com cinco, seis caboclos e outros apenas com um ou dois. Vai depender da missão da entidade, dependerá também do patamar vibratório do qual ela está incluída, às vezes é a missão dela te acompanhar até metade da sua vida, te ajudar a amadurecer em certos aspectos ou abrir caminho para entidades de maior luz ou até mesmo ela evoluiu o suficiente para galgar novos degraus.

O que eu não gosto em muitos sacerdotes é delimitar e limitar seus médiuns pode ocorrer do médium não ser um médium padrão e o coitado já fica todo inseguro achando que é da cabeça dele.

Também tem uma lenda sobre não ter caboclos da linha de Pena Branca, Pena Verde, Pena Azul e afins repetidos. Quem cuidou muito de mim e trabalhou muito comigo foi o Sr. Pena Branca, infelizmente nunca mais o senti e comecei a sentir a presença de outro caboclo, eu vi inteiramente o cocar do caboclo e era todo Verde e uma amiga minha também o viu, logo, Sr. Pena Verde começou a estar mais ao meu lado. Já até veio algumas vezes.

É importante frisar, a pessoa pode trabalhar com um preto-velho, mas ter oito exus, a quantidade não é específica.

O Guia de Firmeza.

Todos médiuns tem o guia de firmeza, é aquele que nos sentimos mais a vontade para trabalhar e o melhor, é aquele que vem mais firme, que tem maior sintonia com nossa vibração, é aquele que chega com maior facilidade em nossa matéria e toma conta, a pessoa pode ter mais de um, obviamente e isso vai se tornando notório no decorrer do seu trabalho mediúnico. Isso independe de qual linha, isso é extremamente pessoal ao médium, tem médium que é o baiano, outros o caboclo, no meu caso, um dos meus guias de firmeza é o cigano Ramirez. É aquele guia que você se sente a vontade em trabalhar e não tem medo nenhum quando ele começa a falar, porque sabe que é aquele que faz e acontece. É importante salientar que isso não quer dizer que é porque o guia é poderoso, mas sim é o guia que você tem maior afinidade, geralmente é afinidade psíquica e vibratória.

Todos os médiuns possuem os seus guias de maior confiança, aqueles que você deixa trabalhar livremente. Também tem o fato do próprio médium se sentir bem em trabalhar com a entidade porque ela causa alegria aos filhos e assistência, quando a entidade é muito carismática, fazemos questão de trabalhar com ela porque também nos sentimos bem. É uma das graças da mediunidade consciente e semiconsciente, você também participa das atitudes de sua própria entidade.

Também tem o fator de alguns médiuns trabalharem bem com determinada linha, que eu exemplificarei no próximo assunto.

Função da Linha do Médium.

Como digo, nenhum médium é igual, os médiuns possuem predisposições mediúnicas e energéticas, existem os médiuns de cura, os médiuns de limpeza, os médiuns de consulta, os médiuns videntes, claro que podemos ter uma mistura de um ou outro, mas nenhum é 100% em todos os aspectos. Eu já percebi que meus guias trabalham muito bem com cura e cirurgia espiritual, mesmo porque, eu sou médium de cura, então tenho uma predisposição energética para que possam fazer bem o seu trabalho. Nunca presenciei guias meus fazendo mandinga com elementos, por exemplo, talvez não seja meu forte esse tipo de magia, mas também gostam muito de falar, muitas pessoas procuravam as entidades para conversar. No meu caso, eu sendo um médium de cura e de consulta, consequentemente a minha linha tende mais a esse lado, seja o caboclo, o baiano, o marinheiro, o cigano são guias com conhecimento de cura e consulta.

Existem os médiuns de limpeza, que quebram a demanda, consequentemente a função dos seus guias será mais propícia a isso.

Também tem aqueles médiuns que trabalham muito bem com qualquer exu que possam vir em sua matéria, seu guia de firmeza é o exu, como tem pessoas que são com preto-velhos, tem médiuns que para qualquer problema, é o preto-velho que assume e são com eles que esse médium trabalha muito bem. Independente de qual preto-velho, esse médium pode ter dois ou três preto-velhos muito firmes e dependendo do grau, podem vir sim em outras linhas para auxiliar em um determinado problema. Há sacerdotes que não admitem linhas cruzadas, ou seja, linha de caboclos e vir um preto-velho, já há casas que dependendo da situação, deixam com o que o médium trabalhe com o seu guia de firmeza. Vai depender única e exclusivamente da doutrina do centro.

A grande sacada é perceber a forma que seus guias trabalham para ter a devida certeza de qual é sua especialidade, suas funções e ir de cabeça nelas.

Meu irmão já é um médium que tem muitos exus, fazem trabalhos extremamente densos e telúricos, depois de um trabalho pesado, ele fica muito bem, fica tranquilo, quando certas entidades minhas trabalham com isso, eu absorvo um pouco e não fico tão bem. Claro que é algo que eu posso evoluir e aprender, mas não é a “minha praia”.

Então meus queridos, vocês possuem funções predeterminadas dentro do terreiro, tem médium que é uma PAREDE, é blindado, são os que podem ficar na porteira protegendo a casa, tem os de transporte, que possuem grande facilidade em dar passagens a eguns e outros espíritos que atrapalham de certa forma a vida de alguém, apesar de eu, ser totalmente contra o processo de desobsessão.

Comunicação.

Algo que eu ouço muito no blog é: Como você consegue ouvir? Como você consegue ver? Como eu faço isso?

Mais uma vez eu digo, todos os procedimentos eu compartilhei no “Firmeza de Cabeça”, todos os médiuns, claro, alguns precisam de maior dedicação e outros menos, mas todos nós, mediadores do plano espiritual e terrestre podemos sim, ouvir, vê-los, senti-los.

No caso da vidência, ela se dá de forma gradativa, primeiramente é esboçada uma pequena imagem em sua cabeça, e isso podem durar meses ou anos, você vê fragmentos em seu consciente, é como se imaginassem e na verdade não é imaginação, é o despertar da consciência espiritual que está se fazendo presente.

Você começa a “imaginar” como é o guia, começa a vir informações em sua cabeça e através dessas informações, você começa a projetar a imagem, gradativamente isso vai evoluindo até você conseguir vê-lo materializado em sua frente.

Repito, tem pessoas que já possuem essa predisposição, já nasce com isso nativo, mas nada impede que possamos aprender, evoluir e adquirir essa faculdade, todos nós somos animados pela mesma energia, a Energia Divina, então, em essência, somos TODOS IGUAIS, ou como diz um site que eu gosto muito, SOMOS TODOS UM.

O mesmo ocorre para a audição, para o olfato.

Toda faculdade para ser evoluída depende única e exclusivamente de nossa dedicação, claro, vida noturna, bebidas e mulheres, conforme falei no primeiro post desse ano, degrada e atrasa totalmente suas faculdades mediúnicas, é muita energia que você tem que lidar e prejudica totalmente a sua vibração com a Energia Cósmica, por isso, sempre bom andarmos na linha.

Eu ainda estou em desenvolvimento, sinto saudades do Neófito de 2010 que tinha resposta pra tudo, hoje as coisas estão mais difíceis, mas se já cheguei a um certo ponto, posso chegar novamente, assim como todos nós.

Namastê.

Neófito da Luz.

“Testando” as Entidades. (Testando os Guias Espirituais)

Saudações Fraternais.

Galera, chegou um e-mail de um questionamento, inclusive delicado de um centro aqui em Guarulhos.
O Babalaô acende pólvora na mão dos filhos para ver se está incorporado. Sendo um pouco menos formal, esse cara merece ser mergulhado em um caldeirão ardente de dendê pra ver se ele tem guia também.

Essas e outras práticas de extremo primitivismo me remetem aos tempos tribais, onde eram necessários testes extremamente ignóbeis para comprovar a veracidade de alguma coisa.
Em minha humilde opinião, existem outras formas de “testar” a entidade sem comprometer a integridade física do medium que está incorporado.

Imagine o constrangimento do medium que no dia não está tão firme e para não causar melindres ou não debilitar a sua credibilidade, acaba aceitando submeter-se a isso? Sim, teremos um grande problema!
E senhores, me desculpem. Guia que realmente está firme não se sujeita a vaidades pueris e ignorância do sacerdote, aliás, nem chamo de sacerdote uma pessoa dessas, é no mínimo um líder tribal.

Não são todos os dias que estamos com a comunicação perfeita, cabe ao dirigente do templo enviar o medium apenas para curas ou passes, ou o próprio medium ter a decência de não trabalhar ou evitar trabalhos mais pesados.
Já presenciei mediuns não tão firmes e que sua entidade veio falar de traição, que a “rabo-de-saia” do consulente era adúltera e que havia saído, detalhe? Ela estava comigo no dia.
Isso sim é um medium que deve arder no caldeirão do inferno [risos]. Esse mesmo medium quando veio me chamar pra conversar, eu perguntei de um tio, algo que nunca tive, e ele disse que meu tio em breve iria morrer (BACANA).

É esse espetáculo circense que cada dia degrada ainda mais a imagem da religião. Mas depois mando o meu desabafo pessoal, vamos nos atentar apenas ao assunto do post.

Um terreiro de candomblé que eu visitei, mandava os mediuns incorporados colocarem a mão num caldeirão fervente de água, e alguns guias colocaram a mão e ficou o vermelhão no braço do medium.
Um boiadeiro fazendo isso, fez um grunhido de dor. Vamos considerar alguns fatores:

1) Desculpem-me a expressão, mas quem é o infeliz ser de luz que causa isso ao seu filho? A um filho que desprende do seu tempo, de suas atividades para servir à Luz?
2) Que guiazinho é esse que é controlado por um dirigente errôneo e terrícola? O que ele quer provar para um ser de carne que está bem abaixo dele?
3) Que sacerdote é esse que não confia no axé do seu filho?
4) Estamos em que ano no calendário mesmo?

Pra algumas coisas eu sou categórico e até radical, acho inadmissível esses tipos de testes dentro dos terreiros, qual o propósito de testar a entidade? Ver se está incorporado? Bacana, o interessante é que o próprio guia
do dirigente também “erra”, nessa mesma casa, só tive previsões infundadas. Porque seus próprios guias não o testam no caldeirão? Acho interessante isso.

Aí eu ouvi do dirigente do centro: O medium firme não sente dor, o medium firme não é queimado. Outras afirmações de pessoas com pouco estudo e pouco conhecimento sobre os mecanismos de incorporação.
Queridos senhores, a matéria de quem a entidade usa? Querem me dizer que no plano físico quando estamos incorporados os guias desafiam a lei da física, seria isso? Alguém já viu guia voar? Levitar?
Alguém já viu algum guia trabalhar com alguma labareda entre as mãos?

Caros, convido-os a serem mais inconformados, a se questionarem mais sobre as coisas, quem tem que provar algo pra quem?
Uma outra questão: Obviamente a carne sofrerá por isso, o guia usa nossa matéria, como não queima? Por isso é de extrema importância removermos o véu de ignorância que tapam nossos olhos.

Então mediuns, não caiam nessa parafernalha de testes, podemos nos testar de formas simples, firmar o nome da entidade e ver se a mesma existe, após um passe, o consulente sair bem, uma palavra de consolo de algo que você não sabia, existem tantas formas de testes. Uma pessoa com más vibrações e após a atuação do seu mentor ela melhorar, são inúmeras as formas de se “testar”, não é necessário nenhuma depredação, agressão à sua integridade física.

Se um dia forem submetidos a testes tão infantis e superficiais, saibam que é o momento de mudar de centro, uma casa que ainda trabalha nesses princípios, ainda está bem longe da Luz e da Senda da Evolução.

É um tipo de postagem polêmica e a forma que eu coloco, pode piorar, mas essa é a minha visão, sem polimento, simplesmente a minha visão, sem escolher palavras, sem escolher o texto.

Não tanto em Paz Profunda assim, depois de ler o e-mail da irmã. [risos]

Neófito da Luz