Você pode harmonizar e pacificar as pessoas

Você está satisfeito com a sua contribuição ao mundo? Você acha que a sua parte já está de bom tamanho? Seria um erro pensar que somos pequenos para contribuir com o mundo. Você é espírito imortal, não é? Jesus Cristo, Ghandi, eu, você, o presidente dos Estados Unidos, todos somos espíritos imortais. Todos nós temos a mesma natureza de filhos de Deus, feitos à sua imagem e semelhança. Portanto, somos perfectíveis. Podemos contribuir. Se consultarmos a consciência, não só podemos, como devemos contribuir.

Talvez você já esteja se esforçando bastante, talvez suas responsabilidades já estejam exigindo muito de você. Há situações que realmente nos consomem bastante energia. Só não devemos esquecer que a energia é potencialmente infinita.

Existem pequenas coisas que podemos fazer em nosso pequeno mundo sem precisar de condições especiais. Uma dessas coisas é a harmonização dos ambientes em que permanecemos a maior parte do tempo. Nossa casa, nosso local de trabalho ou estudo.

Você contribui com o seu pequeno mundo à medida que faz algo em benefício das pessoas à sua volta, das pessoas que convivem com você no cotidiano. E isso só depende de você!

Nós somos protagonistas desse momento histórico! Por que “nós”? Por que nós despertamos para a realidade da reencarnação, que demonstra os resultados da Lei de causa e efeito. Colhemos o que plantamos. Estamos imbuídos da necessidade de realizar nossa reforma íntima. Se você não tivesse o menor interesse em ajudar o próximo, se você só se preocupasse consigo mesmo, não estaria perdendo o seu tempo lendo um assunto como esse; não gastaria cinco minutos do seu precioso tempo visitando este site.

Você tem a capacidade e a responsabilidade de harmonizar e pacificar as pessoas que compõe seu grupo de convívio. Como você faz isso?

Com o exemplo: Supere a si mesmo, nem que seja um mínimo de cada vez. A capacidade é um estado de espírito como qualquer outro. Acredite em sua capacidade e dê bons exemplos de conduta. Faça o que sabe que deve ser feito. Não tenha vergonha de ser bom. Não se preocupe se você parecer sem graça no começo. Poucas pessoas estão acostumadas com a ética e as atitudes corretas.

Com atitude positiva: Você pode, em pouco tempo, se tornar conhecido por sua atitude positiva diante da vida. Enaltecendo as qualidades do próximo ao invés dos defeitos; evitando falar mal dos outros; vendo o lado positivo das pessoas e das situações; valorizando a saúde e não a doença; elogiando em vez de criticar.

Com amor: Você conhece a diferença entre amar e gostar? Amar é desejar todo o bem possível, e isso você pode fazer. Deseje só coisas boas para todos os que o cercam, independente de gostar deles ou não.

O amor move o mundo, pois o amor é ação. Gosto muito do pensamento oriental, de suas filosofias e meditações. É realmente fascinante. Mas nossa realidade é extremamente dinâmica. Precisamos resolver as coisas através da ação. E amar é agir. Desejar o bem firmemente para os que convivem conosco, mesmo (e principalmente) para os mais difíceis, é um poderoso antídoto contra o desânimo e a falta de energia.

Já disse há pouco que a energia é potencialmente infinita. Ela está em toda parte. Nós temos a capacidade de absorvê-la pelo poder da vontade. Experimente! Imagine seu corpo absorvendo energia do Cosmos, do mar, das estrelas, do Sol. Sinta-se como um grande e potente ímã, atraindo irresistivelmente a energia esparsa no universo. Do mesmo modo, você é capaz de exteriorizar energia para o ambiente e para as pessoas que o cercam.

Talvez você já faça a sua parte, quem sabe até esteja sobrecarregado. Mas nenhuma dessas atitudes citadas dependem de condições especiais. Dependem da sua vontade. Se você parar para pensar, poderá se surpreender com quantas coisas dependem exclusivamente da sua vontade.

Veja mais em http://www.espiritoimortal.com.br/

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Reencarnação – porque esquecemos as vidas passadas?

Morel Felipe Wilkon

A reencarnação é uma realidade

O leitor Roger Silva  fez um comentário num artigo sobre reencarnação intitulado “Porque esquecemos as vidas passadas” (se quiser ler, clique sobre o título), de autoria de Ana Blume. Publico a seguir o seu comentário, a minha resposta ao seu comentário, e, no final, deixo um link para um trabalho primoroso realizado pelo Paulo Neto sobre as pesquisas científicas acerca da reencarnação. Aproveito para recomendar o trabalho do Paulo Neto, que você pode conferir clicando aqui: www.paulosnetos.net

Acho muito interessante essa visão que é compartilhada pela budismo, uma noção de darma e karma, do que precisa ser aprendido e o que se deve pagar. Mas não acredito, pois o que acontece se você não lembra o que fez? Comete o mesmo erro. As lembranças nos ensinam os caminhos errados e o que deve ser corrigido. Já disseram “Quem esquece a história, corre o risco de cometer os mesmos erros”. Então, sendo Deus tão onipotente e onisciente seria incapaz de fazer tal asneira. Lembrar é preciso. O aprendizado só se consolida com os erros.– Roger, darma é uma palavra do sânscrito que tem um grande leque de significados. Mas, para o budismo, seria o que no Cristianismo chamamos de Verdade, como quando Jesus diz “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Todosconheceremos a Verdade um dia. Mas uma existência é um período de tempo insignificante para chegarmos à Verdade. Por mais esforçados que sejamos, por mais diligentes, disciplinados e obedientes ao que entendemos ser a Vontade de Deus, é impossível conhecermos a Verdade em uma única existência.

Carma é uma palavra que também vem do sânscrito e que quer dizer ação. Sabemos que a cada ação corresponde uma reação. Podemos associar a noção de carma, então, ao que no Espiritismo chamamos de Lei de ação e reação, que nas palavras de Jesus, é “a cada um de acordo com as suas obras”.

Precisamos aprender, sim. Mas não há como aprender tudo em tão pouco tempo. Eu me dei conta, há alguns anos, de que mesmo que me esforce muito, não terei condições de ler todos os livros que gostaria. Não é possível, o tempo não é suficiente. Se não há tempo para ler, que é apenas um contato superficial com o conhecimento transmitido através do livro, como poderei “aprender” realmente?

Precisamos de inúmeras reencarnações para aprendermos alguma coisa. Se não houvesse a reencarnação, se nossa vida se resumisse a esse breve passeio pela Terra, como aprenderíamos o que precisamos aprender? É visível que há pessoas que aprendem com mais facilidade que outras. Há pessoas que são moralmente mais elevadas que outras. Há, mesmo, pessoas que alcançaram um grau de elevação extraordinário. Deveríamos supor, então, que estas pessoas foram creadas por Deus com vantagens sobre as demais? Por que Deus crearia algumas poucas pessoas bastante elevadas e com facilidade de aprendizado e outras tantas em situações difíceis?

Existe uma ordem que preside a tudo, e a Lei é a mesma para todos. As pessoas que hoje são melhores é porque já aprenderam mais, já experimentaram e conquistaram mais. São espíritos velhos que fizeram bom proveito de suas oportunidades.

Não reencarnamos para “pagar” nada. O Universo é harmonia. Qualquer erro que cometemos é contrário à harmonia do Universo, e compete a nós repará-lo.

Todos os nossos pensamentos, palavras e ações, de todas as nossas existências, ficam gravados em nosso subconsciente. Não podemos lembrar o que fizemos em outras existências, pois animamos nova personagem, estamos revestidos de outro corpo, temos outro cérebro físico, e este cérebro não pode armazenar informações que não foram experimentadas por ele.

Embora não os lembremos conscientemente, já que o cérebro físico não pode armazenar informações que não passaram por ele, somos o resultado do que pensamos, falamos e fizemos. A cada nova existência terrena nosso ponto de partida é o estado em que nos encontrávamos no final da reencarnação anterior ou o que tenhamos conquistado no intervalo entre uma reencarnação e outra.

Por isso as diferenças entre as pessoas. Cada qual apresenta como sua marca registrada o somatório da sua bagagem espiritual conquistada através de inúmeras existências.

Cometemos, sim, muitas vezes, os mesmos erros. Há erros que são repetidos em várias existências, às vezes envolvendo os mesmos espíritos, reencarnados próximos uns dos outros. Esse quadro se mantém até que haja o aprendizado efetivo através da conscientização e do reajuste entre as partes envolvidas.

Gosto de História, estudei História, mas o homem repete os mesmos erros sempre, mesmo com o conhecimento da História. Desde os primeiros registros da civilização o homem repete os mesmos erros. Aos poucos o grau de gravidade dos seus erros vai sendo amenizado, não por conhecimento da História, mas porque somos hoje os mesmos homens que construíram a História que conhecemos. A História narra a nossa história. Os diversos períodos da História foram construídos por nós em nossas existências anteriores.

O que nos ensina não são as lembranças, mas a conscientização. Os criminosos contumazes não sofrem de amnésia. Lembram dos seus erros e não se importam com eles, pois ainda não se conscientizaram, não se deram conta de que os erros que cometemos atingem, em primeiro lugar, a nós mesmos.

Para alcançarmos um estado de harmonia com as Leis divinas teremos que reparar todos os nossos erros.

Deus, sendo, como você diz, onipotente e onisciente, crearia seres programados para serem criminosos? Ou para sofrerem a vida inteira? Pois, se não existisse reencarnação, teríamos que admitir que os homens não existiam antes de nascer, e, se são creação divina, Deus, sendo onisciente, ou seja, sabendo tudo, os teria creado para serem assim, criminosos e eternos sofredores. Não podemos admitir isso.

Somos o fruto de uma longa evolução. Somos o resultado do que fizemos de nós mesmos. Você tem razão em sustentar que o aprendizado só se consolida com os erros. Mas, por errarmos muito, precisaremos de um longo tempo, para nós inimaginável, até evoluirmos a ponto de não mais errarmos.

O esquecimento de nossas reencarnações anteriores, ao invés de ser um empecilho para o nosso aprendizado, é um ato providencial da Sabedoria Divina. Analisando, como você bem lembrou, a História, percebemos que gradativamente vamos amenizando os nossos erros. Voltemos no tempo dois mil anos e nos depararemos com as carnificinas nas arenas romanas, que era a maior diversão da época. Depois vieram as invasões bárbaras, em que imperava a crueldade sem limites. A Idade Média, com a perseguição de todos os que pensavam diferente do que era proclamado pela Igreja e a condenação à morte na fogueira. A escravidão no Brasil, em que homens eram proprietários e muitas vezes algozes de outros homens.

Quem cometeu todos esses erros? Nós. Nós estivemos envolvidos com erros brutais, coletivos ou individuais. Quantas tragédias já protagonizamos em reencarnações anteriores? Admita, por um instante, que, numa reencarnação passada, o espírito que hoje é seu filho foi assassinado por você, ou que a mulher que hoje é sua esposa o traiu com seu melhor amigo, ou que o espírito que hoje é sua mãe foi abusado por você em outra existência. Você suportaria conviver com essas lembranças? Acredito que não.

Mantemo-nos ligados aos espíritos com os quais formamos vínculos emocionais fortes. Voltamos a reencarnar próximos uns dos outros para nos reajustarmos, pois a Lei é perfeita e não admite que a desarmonia seja mantida indefinidamente. Com nova roupagem terrena, temporariamente esquecidos dos papéis que exercemos conjuntamente no passado, somos atraídos novamente para junto daqueles com quem precisamos nos rearmonizar. Temos nova chance, nova oportunidade. Não lembramos, mas percebemos nitidamente laços de simpatia ou antipatia, atração ou aversão que não são plenamente explicáveis se desconsiderarmos o processo reencarnatório.

Quantos casamentos nós vemos em que os cônjuges parecem nutrir raiva um do outro e mesmo assim unem-se e têm filhos em comum? Quantos casos de mãe ou pai que adora um filho e não suporta outro? De onde vem essa aversão por esse filho? Pode-se alegar que haja uma incompatibilidade de gênios, mas isso é efeito, não causa. A causa está no passado. Não há efeito sem causa. Tudo o que não tem causa conhecida nesta existência tem sua causa em existências passadas.

Recomendação de Leitura…

Livro muito bom que esmiuça muitas ideias e nos dá um bom rumo para maiores pesquisas e entendimentos sobre o mundo espiritual como um todo.

A leitura é um pouco complicada e vagarosa, mas vale a pena pela riqueza dos conhecimentos transmitida pelo livro.

 

Concentrar para Incorporar

Saudações irmãos de fé.

Otimizando os mecanismos de busca do WordPress, o título desse POST é um dos mais buscados nesse blog e vou tentar esmiuçar um pouco sobre isso.

Não existe formas corretas, existe aquela que melhor se adapta a cada médium, a espiritualidade é vasta e impregnada de sabedoria, logo, não existe uma regra oficial mediante tantos assuntos presentes no Astral.

Eu costumo dizer que para uma concentração eficiente, ela deve começar fora do terreiro, sim, ser médium não é só trabalhar durante o final de semana, durante míseras horas em um dia na semana, ser médium conforme já explanei algumas vezes, é propagar e perpetuar o ensino daqueles que lhe acompanham e principalmente, os ensinamentos dos mestres cósmicos e isso é a todo momento, é praticar a bondade e a compreensão da hora que você acorda até a hora que você dorme. A prática mediúnica é no cotidiano e isso é uma inegável verdade.

A sua conduta diz quem você é, obviamente, claro que toda generalização é errônea bem como todo julgamento também, mas vocês devem se julgar, é bíblico: “Orai e Vigiai”. Não adianta pedir, receber e não vigiar seus atos, o seu estado de vigília deve ser amplo e eficiente.

Sabendo que sua conduta de vida está OK, não guarda mazelas, rancores e outros sentimentos que corrompem o seu espírito, é o momento de adentrar no terreiro e praticar aquilo que viemos para fazer, o bem e a caridade, não importando a quem, e para isso, temos que fazer com que nossa incorporação, seja consistente, seja firme, para que possamos ser ferramentas do Astral para operar as graças tão almejadas nos terreiros.

Como já mencionei anteriormente, não existe uma receita de bolo, existe boas práticas, por exemplo, se for incorporar um caboclo, eu sempre penso nas matas, nos animais, na flora e fauna existente, tento imaginar o cheiro, o barulho dos pássaros, a paz de espírito que eu sinto quando estou dentro de uma mata virgem, e posteriormente a isso, me imagino no meio da mata, recebendo uma luz enorme proveniente dos céus tomando conta do meu chacra coronário e fluindo para os demais chacras.

Se for para pensar em um boiadeiro, o cenário muda um pouco, mas o princípio é o mesmo, em uma fazenda enorme, cheio de pastos verdejantes, com uma boiada extensa, para os baianos, a mesma coisa, procuro imaginar a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, e assim vai. Ouso a dizer que na Aruanda existem cenários parecidos onde muitos deles atuam, existem diversas egrégora no Astral e muitas delas permanecem tradicionais aos locais que os espíritos viveram em terra, “No Reino de meu Pai há diversas moradas”, já dizia um dos Grandes Mestres que encarnou na Terra.

Concentrar é tentar limpar a mente, esvaziá-las dos problemas que estamos vivendo, existem mais informações aqui e aqui para que possam auxiliá-los nesse mecanismo, a fé nos seus mentores é primordial, e não menos importante, a fé em vocês mesmos, vocês são capazes de operar milagres, sejam incorporados ou não, os mentores usam seus fluídos, sua matéria para magia, não é surpreendente que também sejam capazes de fazer.

Saibam que estão ali para cumprir um trabalho Cósmico, e nada naquele momento é mais importante que isso, esquecer seus problemas já é um grande passo, ter fé em você, um outro grande passo e deixar com que seu corpo seja controlado por você e por eles é o passo final para isso.

O texto não pode ser muito extenso porque deixei dos links para complementar a leitura de todos vocês.

Na verdade, foi apenas um gancho para chegarem a esse texto e depois lerem os outros dois.

Muita Paz e Luz

Neófito.

Discurso Filosófico de Allan Kardec sobre Espiritismo, Práticas e Objetivos.

Senhores e prezados irmãos espíritas,

Livro "Viagem Espírita"

Livro do qual foi extraído o discurso.
Não sois escolares em Espiritismo. Hoje colocarei, pois, de lado, questões práticas sobre as quais, devo reconhecer, estais suficientemente esclarecidos, para enfocar o problema sob uma perspectiva mais larga e, acima de tudo, em suas consequências. Este lado do assunto é grave, o mais grave incontestavelmente, pois que revela o objetivo para o qual tende a doutrina espírita e os meios para atingi-lo. Serei um pouco longo, talvez, pois o assunto é vasto, e, todavia, restaria ainda muito a dizer para completá-lo. Assim, solicitarei vossa indulgência considerando que, podendo permanecer um tempo muito restrito entre vós, sou forçado a dizer, de uma só vez, o que em outras circunstâncias poderia ser dividido em muitas partes.
Antes de abordar o ângulo principal do assunto, creio dever examiná-lo de um ponto de vista que me é, de certa forma, pessoal. Se se tratasse tão somente de uma questão individual, seguramente outra seria a minha atitude. Entretanto ela se prende a vários assuntos de caráter geral e disso pode resultar um esclarecimento de utilidade para toda gente. Esse foi o motivo que me levou a optar por tal iniciativa, aproveitando, assim, a ocasião para explicar a causa de certos antagonismos com que deparamos, não sem algum espanto, em nosso caminho.
No estado atual das coisas aqui na Terra, qual é o homem que não tem inimigos? Para não tê-los fora preciso não habitar aqui, pois esta é uma consequência da inferioridade relativa de nosso globo e de sua destinação como mundo de expiação. Bastaria, para não nos enquadrarmos na situação, praticar o bem? Oh, Não! O Cristo aí está para prová-lo. Se, pois, o Cristo, a bondade por excelência, serviu de alvo a tudo quanto a maldade pôde imaginar, como nos espantarmos com o fato de o mesmo suceder àqueles que valem cem vezes menos?
O homem que pratica o bem – isto dito em tese geral – deve, pois, preparar-se para se ferir na ingratidão, para ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo dotados de força para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, obstinam-se em anular, pela maledicência ou a calúnia, aqueles que os ofuscam. Ouve-se constantemente dizer que a ingratidão com que somos pagos endurece o nosso coração e nos torna egoístas. Falar assim é provar que se tem o coração fácil de ser endurecido, uma vez que esse temor não poderia deter o homem verdadeiramente bom. O reconhecimento já é uma remuneração pelo bem que se faz; praticá-lo tendo em vista esta remuneração, é fazê-lo por interesse. Por outro lado, quem sabe se aquele que beneficiamos, e do qual nada esperamos, não será estimulado a mais elevados sentimentos por um reto proceder? Este pode ser, talvez, um meio de levá-lo a refletir, de suavizar sua alma, de salvá-lo! Esta esperança constitui uma nobre ambição. Se nos inferiorizarmos, não realizaremos o que nos compete realizar.
Não podemos, entretanto, supor que um benefício, aparentemente estéril na Terra, seja para sempre improdutivo. É, muitas vezes, um grão semeado e que não germina senão na vida futura daquele que o recebeu. Muitas vezes temos observado certos Espíritos, ingratos como homens, tomados de emoção na espiritualidade, pelo bem que lhes foi feito. E essa lembrança, neles despertando pensamentos benéficos, facilita-lhes enveredarem para o caminho do bem e do arrependimento, contribuindo para abreviar seus sofrimentos. Só o Espiritismo poderia revelar este resultado da benevolência, só a ele está dado, pelas comunicações recebidas do além-túmulo, revelar o lado caridoso desta máxima: Um benefício nunca está perdido, substituindo o sentido egoísta que se lhe atribui. Mas, retornemos ao que nos concerne.
Pondo qualquer questão pessoal de lado, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não creiais que me lamente! Longe disto! Quanto maior é a animosidade deles, melhor comprova a importância que a doutrina espírita assume aos seus olhos. Se se tratasse de algo sem consequências, uma dessas utopias que já nascem inviáveis, não lhe prestariam atenção. Não tendes visto escritos vasados em um tom de hostilidade que não se encontra nos meus, – quanto à ideologia, – e nos quais as expressões não são mais parcimoniosas do que o atrevimento dos pensamentos? Contra eles, todavia, não dizem uma única palavra! O mesmo se daria se as doutrinas que luto por difundir permanecessem circunscritas às páginas de um livro. Entretanto, – o que pode parecer mais espantoso, – é que tenho adversários mesmo entre os adeptos do Espiritismo: Ora, nesta área é que uma explicação se torna necessária.
Entre os que adotam as ideias espíritas há como bem sabeis três categorias bem distintas: 1. Os que creem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que deles não deduzem qualquer consequência moral;
2. Os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a si mesmos;
3. Os que aceitam pessoalmente todas as consequências da doutrina e que praticam ou se esforçam por praticar sua moral.
Estes, vós bem o sabeis; são os VERDADEIROS ESPÍRITAS, os ESPÍRITAS CRISTÃOS. Esta distinção é importante, pois bem explica as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreendermos as atitudes de determinadas pessoas. Ora, o que preceitua essa moral? Amai-vos uns aos outros; perdoai os vossos inimigos; retribuí o mal com o bem; não tenhais ira, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme; sede severos para convosco mesmos e indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos do verdadeiro espírita, daquele que se atém ao fundo e não à forma, do que coloca o espírito acima da matéria. Este pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois não deseja o mal a quem quer que seja e, com maiores razões, não procura fazer o mal a ninguém.
Este como vede senhores, é um princípio geral do qual toda a gente pode tirar um benefício. Se, pois, tenho inimigos, eles não podem ser contados entre os Espíritas desta categoria, pois, admitindo que tivessem motivos legítimos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, esse não seria um motivo para me odiarem e, com melhores razões se nunca lhes fiz qualquer mal. O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que equivale dizer: Fora da caridade não pode existir verdadeiros espíritas. Solicito-vos inscrever, daqui para frente, esta divisa em vossas bandeiras, pois ela resume ao mesmo tempo o objetivo do Espiritismo e o dever que ele impõe.
Estando, pois, admitido que não se possa ser um bom espírita com sentimentos de ódio no coração, eu me alegro de não ter amigos senão entre estes últimos, pois se eu cometer faltas eles saberão desculpá-las. Veremos, em seguida, a que imensas e férteis consequências conduz este princípio.
Vejamos então as causas que excitaram certas animosidades.
Desde que surgiram as primeiras manifestações dos Espíritos, muitas pessoas viram nisso um meio de especulação, uma nova mina a ser explorada. Se essa ideia seguisse o seu curso teríeis visto pulular por toda a parte médiuns e pseudo médiuns, oferecendo consultas a um dado preço por sessão. Os jornais estariam cobertos por seus anúncios e reclames. Os médiuns teriam se transformado em ledores da sorte e o Espiritismo se enquadraria na mesma linha da adivinhação, da cartomancia, da necromancia, etc. Nesse conflito, como poderia o público discernir a verdade da mentira? Pôr o Espiritismo a salvo, em meio a tal confusão não seria coisa fácil. Tornou-se imperioso impedir que fosse levado por essa via funesta. Era preciso cortar pela raiz um mal que o teria atrasado por mais de um século. Foi o que me esforcei por fazer, demonstrando desde o princípio a face grave e sublime dessa nova ciência, fazendo-a sair do caminho puramente experimental para fazê-la penetrar no da filosofia e da moral, mostrando, enfim, que haveria profanação em explorar a alma dos mortos, enquanto cercamos seus despojos de respeito. Desse modo, assinalando os inevitáveis abusos que resultariam de semelhante estado de coisas, eu contribui, e disso me glorifico, para descreditar a exploração do Espiritismo e, por isso mesmo, levar o público a considerá-lo como uma coisa séria e santa.
Creio ter prestado algum serviço à causa; mas se tivesse feito apenas isso já me felicitaria. Graças a Deus meus esforços foram coroados de êxito, não apenas na França, mas também no estrangeiro, e posso dizer que os médiuns profissionais são hoje raras exceções na Europa. Onde quer que minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob seu verdadeiro ponto de vista, isto é, sob o ponto de vista exclusivamente moral. Por toda a parte os médiuns, devotados e desinteressados, compreendendo a santidade de sua missão, veem-se cercados da consideração que lhes é devida, qualquer que seja sua posição social. E essa consideração cresce na razão mesma da inferioridade da posição realçada pelo desinteresse.
Não pretendo absolutamente dizer que entre os médiuns profissionais não existem muitos que sejam honestos e dignos de consideração. Mas a experiência provou, a mim e a muitos outros, que o interesse é um poderoso estimulante à fraude, pois tem em mira o lucro; e se os Espíritos não colaboram, o que frequentemente ocorre, pois não estão por conta de nossos caprichos, a astúcia, fecunda em expedientes, encontra facilmente meio de supri-los. Para um que agisse lealmente haveria cem que abusariam e que prejudicariam a consideração do Espiritismo. Por outro lado os nossos adversários não descuidaram de explorar, em proveito de suas críticas, as fraudes que puderam testemunhar, disso concluindo que tudo no Espiritismo é falsidade e que urge, portanto, oporem-se a esse charlatanismo de um novo gênero. Em vão objeta-se que a doutrina não é responsável por tais abusos. Conheceis o provérbio: “Quando se deseja matar seu cão, diz-se que ele está raivoso”.
Que resposta mais peremptória se poderia dar à acusação de charlatanismo do que poder dizer: Quem vos convidou a vir? Quanto pagastes para entrar?. Aquele que paga quer ser servido; exige uma compensação pelo seu dinheiro; se não lhe é dado o que espera, tem o direito de reclamar. Ora, para evitar essa reclamação, cuida-se de servi-lo a qualquer preço. Eis o abuso, mas esse abuso que ameaça se tornar uma regra, ao invés de uma exceção, é preciso deter. Agora que uma opinião se formou a este respeito, o perigo não é de se temer senão para as pessoas inexperientes. Aqueles, pois, que se queixarem de ter sido enganados, ou de não haver obtido as respostas que desejariam, podemos dizer: “Se tivésseis estudado o Espiritismo saberíeis em que condições ele pode ser experimentado com frutos; saberíeis quais são os legítimos motivos de confiança e de desconfiança, o que, em suma, se pode dele esperar; e não teríeis pedido o que ele não pode dar; não teríeis ido consultar um médium como a um cartomante, para solicitar aos Espíritos revelações, conselhos sobre heranças, descobertas de tesouros e cem outras coisas semelhantes que não são da alçada do Espiritismo. Se fostes induzido em erro, deveis apenas culpar-vos a vós mesmos”.
É evidente que não se pode considerar uma exploração a cotização que se paga a uma sociedade para que enfrente as despesas da reunião. A mais vulgar equidade diz que não se pode impor esse gasto àquele que é convidado, se ele não é bastante rico, nem bastante livre com relação ao seu tempo para fazê-lo. A especulação consiste em se fazer uma indústria da coisa, a convocar o primeiro que chega, curioso ou indiferente, para ter seu dinheiro. Uma sociedade que assim agisse seria tão repreensível, mais repreensível ainda do que o indivíduo, e não mereceria nenhuma confiança. Que uma sociedade arque com todas as suas necessidades; que ela proveja a todas as suas despesas e não as deixe ao encargo de um só, isto é muito justo, e não há aí nem exploração, nem especulação. Todavia, já não seria o mesmo se o primeiro que se chegasse pudesse adquirir o direito de entrada, pagando-o, pois isto seria desnaturar o objetivo essencialmente moral e instrutivo das reuniões deste gênero, para delas fazer uma espécie de espetáculo de curiosidades. Quanto aos médiuns, eles se multiplicam de tal forma, que os médiuns de profissão seriam hoje completamente supérfluos.
Tais são, Senhores, as ideias que me esforcei por fazer prevalecer e confesso-me feliz por ter obtido êxito muito mais facilmente do que esperava. Mas, compreendei, aqueles que frustrei em suas esperanças não são meus amigos. Eis-nos, pois, em presença de um grupo que não me pode ver com bons olhos, o que, convenhamos, pouco me inquieta. Se nunca a exploração do Espiritismo tentou se introduzir em vossa cidade, eu vos convido a renegar essa nova indústria, a fim de não comprometerdes a vós mesmos com essa solidariedade e para que as censuras que se levantarem não venham a cair sobre a doutrina pura.
Ao lado da especulação material, há uma à qual poderíamos chamar especulação moral, isto é, a satisfação do orgulho, do amor próprio; aqueles que, sem interesse pecuniário, acreditaram ser possível fazer do Espiritismo um pedestal honorífico para se colocarem em evidência. Também não os favoreci, e meus escritos, assim como meus conselhos, contrapuseram-se a mais de uma premeditação, mostrando que as qualidades do verdadeiro espírita são a abnegação e a humildade, conforme a máxima do Cristo: “Aquele que se eleva será abaixado”. É a segunda categoria que não me quer mais bem, e a que se poderia chamar a das ambições frustradas e dos amores-próprios feridos.
Em seguida vêm as pessoas que não me perdoam por ter sido bem sucedido; para as quais o sucesso de minhas obras é uma causa de desgosto, que perdem o sono quando assistem aos testemunhos de simpatia que, espontaneamente, são-me dispensados. É o clã dos ciumentos, que não é mais benevolente, e que é reforçada pelas pessoas que, por temperamento, não podem ver um homem erguer um pouco a cabeça sem tentar um movimento para fazê-lo submergir.
Uma camarilha das mais irascíveis, acreditai, se encontra entre os médiuns, não pelos médiuns interesseiros, mas pelos que são muito desinteressados, materialmente falando; refiro-me aos médiuns obsedados, ou melhor, fascinados. Algumas observações a este respeito não serão sem utilidade.
Por orgulho, estão de tal forma persuadidos de que tudo o que recebem é sublime e só pode vir de Espíritos Superiores, que se irritam com a menor observação crítica, a ponto de se alterar com seus amigos quando estes têm a inabilidade de não admirar o que é absurdo. Nisto reside a prova da má influência que os domina, pois, supondo-se que, por falta de capacidade de julgamento ou de conhecimento não fossem capazes de enxergar claro, este não constituiria um motivo para se porem de prevenção contra os que não concordam com sua opinião; mais isso não agradaria os Espíritos obsessores que, para melhor manter o médium sob sua dependência, lhe inspiram o afastamento, a aversão mesma por quem quer que possa lhes abrir os olhos.
Há, em seguida, aqueles cuja susceptibilidade é levada ao excesso; que se melindram com a mínima coisa, com o lugar que lhes é dado numa reunião e não os coloca em bastante evidência, com a ordem estabelecida para a leitura de suas comunicações, ou com a recusa da leitura daquelas cujo tema não parece oportuno para uma assembleia; pelo fato de não serem solicitados, com bastante insistência, a dar o seu concurso; outros acham ruim porque a ordem dos trabalhos não é invertida para favorecer suas conveniências; outros gostariam de se colocar como médiuns titulares de um grupo ou de uma sociedade, ali fazer chover ou fazer sol, e que seus Espíritos diretores fossem tomados por árbitros absolutos de todas as questões, etc. etc. Esses motivos são tão pueris e tão mesquinhos, que não se ousa confessá-los. Mas nem por isso deixam de constituir uma fonte de surda animosidade que, cedo ou tarde, se trai, ou pelas malquerenças, ou pelo afastamento. Sem ter razões ponderáveis a oferecer, muitos põem de lado os escrúpulos e apresentam pretextos ou alegações imaginárias. O fato de, absolutamente, não me conformar a essas pretensões surge como um erro, ou melhor ainda, um crime aos olhos de algumas pessoas que, naturalmente, me deram as costas, gesto esse ao qual, mais uma vez reagi, a seu ver, erroneamente, não lhes dando maior importância. Imperdoável! Concebei esta palavra nos lábios de pessoas que se dizem espíritas? Essa palavra deveria ser riscada do vocabulário do Espiritismo.
Esse desagrado, a maior parte dos diretores dos grupos ou das sociedades, como eu, tem experimentado, e eu os convido a fazer como eu, isto é, a não dar importância a médiuns que antes constituem um entrave que um recurso; em sua presença está-se sempre pouco à vontade, com temor de os ferir com ações por vezes as mais insignificantes.
Este inconveniente foi, dantes, mais relevante do que agora. Quando os médiuns eram mais raros do que hoje, tinha-se de se contentar com aqueles de que se dispunha. Hoje, entretanto, que eles se multiplicam diante de nossos olhos, o inconveniente diminui em razão mesmo da escolha e à medida que se compenetra melhor dos verdadeiros princípios da doutrina.
Pondo-se de lado o grau da faculdade, as qualidades de um bom médium são a modéstia, a simplicidade e o devotamento; ele deve oferecer seu concurso tendo em vista ser útil e não para satisfazer a sua vaidade; não deve jamais ater-se às comunicações que recebe pois, de outra forma, poderia fazer crer que nelas põe algo de seu, algo que tem interesse em defender; deve aceitar a crítica, mesmo solicitá-la, e se submeter às advertências da maioria sem pensamento oculto; se o que ele escreve é falso, mau, detestável, é preciso que se lhe diga sem receio de feri-lo, e mesmo na certeza de que tal não ocorrerá. Eis os médiuns verdadeiramente úteis numa reunião e com os quais nunca teremos motivos de descontentamentos, pois bem compreendem a doutrina. São esses também que recebem as melhores comunicações, uma vez que não se deixam dominar por Espíritos orgulhosos. Os Espíritos mentirosos os receiam, pois se reconhecem impotentes para deles abusar.
Em seguida vem a categoria das pessoas que jamais estão contentes; umas acham que vou muito rápido, outras com muita lentidão; é verdadeiramente a fábula do Moleiro, seu filho e o asno. Os primeiros reprovam-me por haver formulado princípios prematuros, de me colocar como chefe de uma escola filosófica. Mas acontece que, pondo-se a ideia espírita à parte, não poderia eu acaso arrogar-me, como tantos outros, a autoria de um sistema filosófico, fosse este o mais absurdo? Se os meus princípios são falsos, por que não apresentam outros que os substituam, fazendo-os prevalecer? Ao que parece, entretanto, de modo geral eles não são julgados irracionais, já que encontram aderentes em tão grande número. Mas, não será exatamente isso que excita o mau humor de certas pessoas? Se esses princípios não encontrassem partidários, se fossem ridículos a partir do primeiro enunciado, seguramente deles não se falaria.
Os segundos, que pretendem que não vou bastante rapidamente, desejariam me empurrar, com boa intenção, quero crer, pois é sempre melhor pressupor o melhor que o pior, num caminho em que não quero me arriscar. Sem, pois, me deixar influenciar seja pelas ideias de uns, seja pelas de outros, sigo a rota que eu mesmo tracei: tenho um objetivo, vejo-o, sei como e quando o atingirei e não me inquietam os clamores dos que passam por mim.
Crede, Senhores, as pedras não faltam em meu caminho. Passo por cima delas, mesmo das mais altas e pesadas. Se se conhecesse a verdadeira causa de certas antipatias e de certos afastamentos, muitas surpresas nos aguardariam. É preciso acrescentar as pessoas que são postas, relativamente a mim, em posições falsas, ridículas e comprometedoras e que procuram se justificar, em última instância, recorrendo a pequenas calúnias; os que esperavam atrair-me a eles pela adulação, crendo poder levar-me a servir aos seus desígnios e que reconheceram a inutilidade de suas manobras para atrair minha atenção; aqueles que não elogiei nem incensei e que isso esperavam de mim; aqueles, enfim, que não me perdoam por ter adivinhado suas intenções e que são como a serpente sobre a qual se pisa. Se todas essas pessoas decidissem se colocar, por um instante sequer, em uma posição extraterrena e ver as coisas um pouco mais do alto, compreenderiam bem a puerilidade de quanto as preocupa e não se espantariam com a pouca importância que a tudo isso dão os verdadeiros espíritas. É que o Espiritismo abre horizontes tão vastos, que a vida corporal, curta e efêmera, se apaga com todas as suas vaidades e suas pequenas intrigas, ante o infinito da vida espiritual.
Não devo, entretanto, omitir uma censura que me foi endereçada: a de nada fazer para trazer de novo a mim as pessoas que se afastam. Isso é verdadeiro e a reprovação fundamentada; eu a mereço, pois jamais dei um único passo nesse sentido e aqui estão os motivos de minha indiferença.
Aqueles que vêm a mim, fazem-no porque isto lhes convém; é menos por minha pessoa do que pela simpatia que lhes desperta os princípios que professo. Os que se afastam fazem-no porque não lhes convenho ou porque nossa maneira de ver as coisas reciprocamente não concorda. Por que, então, iria eu contrariá-los, impondo-me a eles? Parece-me mais conveniente deixá-los em paz. Ademais, honestamente, falta-me tempo para isso. Sabe-se que minhas ocupações não me deixam um instante para o repouso, e para um que parte, há mil que chegam. Julgo um dever dedicar-me, acima de tudo, a estes e é isso que faço. É orgulho? Desprezo por outrem? Oh, seguramente, não! Eu não desprezo ninguém; lamento os que agem mal, rogo a Deus e aos Bons Espíritos que façam nascer neles melhores sentimentos, eis tudo. Se eles retornam, são sempre bem-vindos, mas correr atrás deles, jamais o faço, em razão do tempo que de mim reclamam as pessoas de boa vontade; em segundo lugar, porque não ligo a certas pessoas a importância que elas dão si mesmas. Para mim, um homem é um homem, isto apenas! Meço seu valor por seus atos, por seus sentimentos, nunca por sua posição social. Pertença ele às mais altas camadas da sociedade, se age mal, se é egoísta e negligente de sua dignidade é, a meus olhos, inferior ao trabalhador que procede corretamente, e eu aperto mais cordialmente a mão de um homem humilde, cujo coração estou a ouvir, do que a de um potentado cujo peito emudeceu. A primeira me aquece, a segunda me enregela.
Personagens da mais alta posição honram-me com sua visita, porém nunca, por causa deles, um proletário ficou na antecâmara. Muitas vezes, em meu salão, o príncipe se assenta ao lado do operário. Se se sentir humilhado, eu direi que ele não é digno de ser espírita. Mas, sinto-me feliz em dizer, eu os vi, muitas vezes, apertarem-se as mãos, fraternalmente, e, então, um pensamento me ocorria: “Espiritismo, eis um dos teus milagres; este é o prenúncio de muitos outros prodígios!”
Dependeria de mim abrir as portas do grande mundo; jamais fui nelas bater; isso me tomaria um tempo que creio poder empregar mais utilmente. Eu coloco em primeira instância as consolações que é preciso dar aos que sofrem; levantar a coragem dos abatidos, arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime; não vale mais isto do que os lambris dourados? Tenho milhares de cartas que para mim mais valem do que todas as honrarias da Terra e que vejo como meus verdadeiros títulos de nobreza. Não vos espanteis se deixo ir aqueles que me dão as costas.
Tenho adversários, eu o sei; mas o número deles não é tão grande quanto se poderia crer segundo a enumeração que fiz; eles se encontram nas categorias que citei, mas são apenas individualidades, e o número é pouca coisa comparado aos que desejam testemunhar-me simpatia. Aliás, eles jamais conseguiram perturbar minha tranquilidade; jamais suas maquinações nem suas diatribes me emocionaram; e devo acrescentar que essa profunda indiferença de minha parte, o silêncio que oponho aos seus ataques, não é o que os exaspera menos. Por mais que façam, jamais conseguirão fazer-me sair da moderação e da regra que tenho por conduta. Nunca se poderá dizer que respondi à injúria com injúria. As pessoas que me conhecem na intimidade sabem que jamais me ocupo com eles; que na Sociedade jamais foi dita uma única palavra, foi feita uma única alusão relativamente a qualquer um deles. Mesmo pela Revista jamais respondi às suas agressões, quando dirigidas à minha pessoa, e Deus sabe que elas não têm faltado!
Ademais, de que adianta seu malquerer? De nada! Nem contra a doutrina nem contra mim. A doutrina espírita prova, por sua marcha progressiva, que nada tem a temer. Quanto a mim, não ocupo nenhuma posição, por isso nada existe que me pode ser tirado; não peço nada, nada solicito e, assim, nada me pode ser recusado. Não devo nada a ninguém, desse modo nada há que me possa ser cobrado; não falo mal de ninguém, nem mesmo daqueles que o dizem de mim. Em que poderiam, então, prejudicar-me? É certo que se pode atribuir a mim o que eu não disse e isso já se fez mais de uma vez. Mas, aqueles que me conhecem são capazes de distinguir o que digo daquilo que não sou capaz de dizer e eu agradeço a quantos, em semelhantes circunstâncias, souberam responder por mim. O que afirmo, estou sempre pronto a repetir, na presença de quem quer que seja, e quando afirmo não ter dito ou feito uma coisa, julgo-me no direito de ser acreditado.
Aliás, o que são todas essas coisas em face do objetivo que nós, Espíritas sinceros e devotados, perseguimos juntos? Desse imenso futuro que se desenrola diante dos nossos olhos? Acreditai-me, Senhores, fora preciso ver como um roubo feito à grande obra, os instantes que perdêssemos preocupados com essas mesquinharias. De minha parte agradeço a Deus por me haver, já aqui na Terra, concedido tantas compensações morais ao preço de tribulações tão passageiras, bem como pela alegria de assistir ao triunfo da doutrina espírita.
Peço-vos perdão, Senhores, por vos haver, por tão longo tempo, entretido com assuntos relativos a mim, mas acredito útil estabelecer nitidamente a posição, a fim de que vos seja possível saber em quem vos ater conforme as circunstâncias, e para que estais bem convencidos de que minha linha de conduta está traçada e que dela nada me fará desviar. De resto, creio que destas observações mesmas, fazendo abstração da pessoa, poderão resultar alguns ensinamentos úteis.
(Allan Kardec, reuniões gerais dos espíritas de Lyon e de Bordeaux, e publicado no livro Viagem Espírita em 1862.)

A Religião e o Progresso

Hoje geralmente se pensa que a Igreja admite o fogo do inferno como um fogo moral e não como um fogo material. Tal é, pelo menos, a opinião da maioria dos teólogos e de muitos eclesiásticos esclarecidos. Contudo, é apenas uma opinião individual, e não uma crença adquirida pela ortodoxia, pois, do contrário, seria universalmente professada. Pode-se julgar pelo seguinte quadro, que um pregador traçou do inferno, durante a última quaresma, em Montreuil-sur-Mer:

“O fogo do inferno é milhões de vezes mais intenso que o da Terra, e se um dos corpos que ali queimam sem se consumir viesse a ser lançado no nosso planeta, empestá-lo-ia de ponta a ponta!”

“O inferno é uma vasta e sombria caverna, guarnecida de pregos pontiagudos, de lâminas de espadas afiadas, de navalhas bem cortantes, na qual são precipitadas as almas dos danados!”

Seria supérfluo refutar esta descrição; no entanto, poderíamos perguntar ao orador onde colheu um conhecimento tão preciso do lugar que descreve. Por certo não foi no Evangelho, onde não se trata de pregos, nem de espadas, nem de navalhas. Para saber se essas lâminas são bem afiadas e bem cortantes, é preciso tê-las visto e experimentado. Será que, novo Enéas ou Orfeu, ele próprio teria descido a essa caverna sombria que, aliás, muito se assemelha ao Tártaro dos pagãos? Além disso, ele deveria ter explicado a ação que pregos e navalhas poderiam ter sobre as almas e a necessidade de serem bem afiados e de boa têmpera. Já que conhece tão bem os detalhes interiores do local, também deveria ter dito onde está situado. Não é no centro da Terra, pois supõe a hipótese de um dos corpos que ela encerra ter sido lançado em nosso planeta. Então é no espaço? Mas a astronomia aí fixou o seu olhar muito antes, sem nada descobrir. É verdade que não olhou com os olhos da fé.

Seja como for, o quadro é feito para seduzir os incrédulos? É bastante duvidoso, pois é mais adequado para diminuir o número de crentes.

Em contrapartida, citaremos o seguinte trecho de uma carta escrita de Riom, e relatada no jornal Vérité, em seu número de 20 de março de 1864:

“Ontem, para minha grande surpresa e satisfação, ouvi com os próprios ouvidos esta serena confissão da boca de um eloqüente pregador, em presença de numeroso e atônito auditório: Não há mais inferno… o inferno não existe mais… foi substituído admiravelmente pelos fogos da caridade e do amor, que resgatam as nossas faltas!”

“Nossa divina doutrina (o Espiritismo) não está encerrada inteiramente nestas poucas palavras?”

É inútil dizer qual dos dois teve mais simpatias do auditório; mas o segundo poderia até ser acusado de heresia pelo primeiro. Outrora teria expiado, infalivelmente, na fogueira ou numa masmorra a audácia de haver proclamado que Deus não manda queimar suas criaturas.

Esta dupla citação nos sugere as seguintes reflexões:

Se uns acreditam na materialidade das penas, enquanto outros a negam, necessariamente uns laboram em erro e outros têm razão.

Este ponto é mais capital do que parece à primeira vista, porque é o caminho aberto às interpretações numa religião fundada na unidade absoluta da crença e que, em princípio, repele a interpretação.

É bem certo que até hoje a materialidade das penas tem participado das crenças dogmáticas da Igreja. Por que, então, nem todos os teólogos lhe dão crédito? Como nem uns, nem outros o verificaram por si mesmos, o que leva alguns a ver apenas uma imagem onde outros vêem a realidade, senão a razão que, nos primeiros, supera a fé cega? Ora, a razão é o livre-exame.

Eis, pois, a razão e o livre-exame entrando na Igreja pela força da opinião.
Poder-se-ia dizer, sem metáfora, pela porta do inferno; é a mão posta no santuário dos dogmas, não pelos leigos, mas pelo próprio clero.

Não se julgue esta uma questão de menor importância, pois contém em si o germe de toda uma revolução religiosa e de um imenso cisma, muito mais radical que o protestantismo, porque não ameaça somente o catolicismo, mas o protestantismo, a Igreja grega e todas as seitas cristãs. Com efeito, entre a materialidade das penas e as penas puramente morais, há toda a distância do sentido próprio ao sentido figurado, da alegoria à realidade. Desde que se admitam as chamas do inferno como alegoria, torna-se evidente que as palavras de Jesus: “Ide ao fogo eterno” têm um sentido alegórico. Daí a conseqüência de que o mesmo deve acontecer com outras de suas palavras.

Mas a conseqüência mais grave é esta: Uma vez que se admita a interpretação sobre um ponto, não há motivo para a rejeitar sobre outros; é, pois, como dissemos, a porta aberta à livre discussão, um golpe mortal desferido no princípio absoluto da fé cega. A crença na materialidade das penas liga-se intimamente a outros artigos de fé, que lhe são corolários; transformada essa crença, as outras se transformarão pela força das coisas e, assim, gradualmente.

Já temos uma aplicação disto. Há poucos anos ainda, o dogma: Fora da Igreja não há salvação, estava em toda a sua força; o batismo era condição tão imperiosa, que bastava que o filho de um herético o recebesse clandestinamente e à revelia dos pais, para ser salvo, porquanto tudo que não fosse rigorosamente ortodoxo era irremissivelmente condenado. Mas, tendo a razão humana se levantado contra esses bilhões de almas votadas às torturas eternas, quando delas não dependera ser esclarecidas na verdadeira fé; contra essas inúmeras crianças que morrem antes de adquirir a consciência de seus atos e que, nem por isso, são menos danadas, se a negligência ou a fé religiosa de seus pais as privou do batismo, a Igreja viu-se forçada, nesse ponto, a renunciar ao seu absolutismo. Hoje ela diz, ou, pelo menos, diz a maioria de seus teólogos, que essas crianças não são responsáveis pelas faltas dos pais; que a responsabilidade só começa no momento em que, tendo a possibilidade de se esclarecerem, o recusam e, por isto, estas crianças não são danadas por não haverem recebido o batismo; que o mesmo se dá com os selvagens e os idólatras de todas as seitas. Alguns vão mais longe: reconhecem que, pela prática das virtudes cristãs, isto é, da humildade e da caridade, pode-se ser salvo em todas as religiões, porque depende, também, da vontade de um hindu, de um judeu, de um muçulmano, de um protestante, quanto de um católico, viver cristãmente; que aquele que vive assim está na Igreja pelo espírito, mesmo que não o esteja pela forma. Não está aí o princípio: Fora da Igreja não há salvação, ampliado e transformado no Fora da caridade não há salvação? É precisamente o que ensina o Espiritismo e, contudo, é por isto que ele é declarado obra do demônio. Por que essas máximas seriam o sopro do demônio na boca dos espíritas e não na dos ministros da Igreja? Se a ortodoxia da fé está ameaçada, então não o é pelo Espiritismo, mas pela própria Igreja, porque ela sofre, mau grado seu, a pressão da opinião geral e porque, entre seus membros, encontram-se alguns que vêem as coisas de mais alto e nos quais a força da lógica leva a melhor a fé cega.

Talvez parecesse temerário dizer que a Igreja marcha ao encontro do Espiritismo; entretanto, é uma verdade que reconhecerão mais tarde. Avançando para o combater, nem por isso ela deixa, pouco a pouco, de lhe assimilar os princípios, mesmo sem o suspeitar.

Esta nova maneira de encarar a questão da salvação é grave. Posto acima da forma, o Espírito é um princípio eminentemente revolucionário na ortodoxia. Sendo reconhecida possível a salvação fora da Igreja, a eficácia do batismo é relativa, e não absoluta: torna-se um símbolo. Não trazendo a criança não batizada a pena da negligência nem da má vontade dos pais, em que se torna a pena incorrida por todo o gênero humano pela falta do primeiro homem? Em que se torna também o pecado original, tal qual o entende a Igreja?

Muitas vezes os maiores efeitos decorrem de pequenas causas. O direito de interpretação e de livre-exame, pueril na aparência, uma vez admitido na questão da materialidade das penas futuras, é um primeiro passo cujas conseqüências são incalculáveis, porque representa uma brecha na imutabilidade dogmática, e uma pedra arrancada arrasta outras. Forçoso é convir: a posição da Igreja é delicada. Todavia, só há um dos dois partidos a tomar: ficar estacionária, a despeito de tudo, ou ir para frente. Mas, então, não poderá escapar deste dilema: se se imobilizar de modo absoluto nos erros do passado, será infalivelmente superada, como já o é, pelo fluxo das idéias novas, depois isolada e, por fim, desmembrada, como o seria hoje, se tivesse persistido em expulsar do seu seio os que crêem no movimento da Terra, ou nos períodos geológicos da criação; se entrar na via da interpretação dos dogmas transforma-se e aí entra pelo simples fato de renunciar à materialidade das penas e à necessidade absoluta do batismo.

O perigo de uma transformação, aliás, está clara e energicamente formulado na seguinte passagem de um opúsculo publicado pelo padre Marin de Boylesve, da Companhia de Jesus, sob o título de O milagre e o diabo, em resposta à Revue des Deux-Mondes:

“Há, entre outras, uma questão que, para a religião, é de vida ou de morte: a questão do milagre. A do diabo não o é menos. Tirai o diabo, e o Cristianismo desaparece. Se o diabo não passar de um mito, a queda de Adão e o pecado original entrarão no domínio das fábulas. Por conseguinte a redenção, o batismo, a Igreja, o Cristianismo, numa palavra, não tem mais razão de ser. Por isso a Ciência não poupa esforços para apagar o milagre e suprimir o diabo.”

Desse modo, se a ciência descobrir uma lei da Natureza, que faça entrar nos fatos naturais um fato que é reputado miraculoso; se provar a anterioridade da raça humana e a multiplicidade de suas origens, todo o edifício se desmorona. Uma religião é muito frágil quando uma descoberta científica lhe é uma questão de vida e morte. Eis uma confissão desastrada. Por nossa conta, estamos longe de partilhar as apreensões do padre Boylesve em relação ao Cristianismo. Dizemos que o Cristianismo, tal qual saiu da boca de Jesus, mas apenas tal qual saiu, é invulnerável, porque é a lei de Deus.

A conclusão é esta: Nada de concessão, sob pena de morrer. Esquece o autor de examinar se há mais chances de viver na imobilidade. Nossa opinião é que há menos e que é preferível viver transformado a não viver de modo algum.

Num e noutro caso, a cisão é inevitável. Pode mesmo dizer-se que já existe; a unidade doutrinária está rompida, pois não há acordo perfeito no ensino; uns aprovam o que outros censuram; uns absolvem o que outros condenam. Assim, vêem-se fiéis indo de preferência àqueles cujas idéias mais lhe convêm. Dividindo-se os pastores, o rebanho igualmente se divide. Dessa divergência a uma separação, a distância não é grande; um passo a mais e os que estão na vanguarda serão tratados como heréticos pelos que ficaram na retaguarda. Ora, eis o cisma estabelecido; aí está o perigo da imobilidade.

A religião, ou melhor, todas as religiões sofrem, mau grado seu, a influência do movimento progressivo das idéias. Uma necessidade fatal as obriga a se manterem no nível do movimento ascensional, sob pena de soçobrarem. Assim, todas têm sido forçadas, de tempos em tempos, a fazer concessões à Ciência, a minimizar o sentido literal de certas crenças ante a evidência dos fatos. A que repudiasse as descobertas da Ciência e suas conseqüências, do ponto de vista religioso, mais cedo ou mais tarde perderia a sua autoridade e o seu crédito e aumentaria o número de incrédulos. Se uma religião qualquer pode ser comprometida pela Ciência, a culpa não é da Ciência, mas da religião fundada sobre dogmas absolutos, em contradição com as leis da Natureza, que são leis divinas. Repudiar a Ciência é, pois, repudiar as leis da Natureza e, por isto mesmo, renegar a obra de Deus, fazê-lo em nome da religião seria pôr Deus em contradição consigo mesmo e fazê-lo dizer: Estabeleci leis para reger o mundo; mas não acrediteis nessas leis.

O homem não tem sido capaz, nas diferentes épocas, de conhecer todas as leis da Natureza. A descoberta sucessiva dessas leis constitui o progresso; daí, para as religiões, a necessidade de pôr suas crenças e seus dogmas em harmonia com o progresso, sob pena de receberem o desmentido dos fatos constatados pela Ciência. Só com esta condição uma religião é invulnerável. Em nossa opinião, a religião deveria fazer mais do que se pôr a reboque do progresso, que apenas acompanha constrangida e forçada; deveria ser uma sentinela avançada, porque é honrar a Deus proclamar a grandeza e a sabedoria de suas leis.

A contradição que existe entre certas crenças religiosas e as leis naturais fez a maioria dos incrédulos, cujo número aumenta à medida que se populariza o conhecimento dessas leis. Se fosse impossível o acordo entre a Ciência e a religião, não haveria religião possível. Proclamamos altamente a possibilidade e a necessidade desse acordo, porque, em nosso entender, a Ciência e a religião são irmãs para a maior glória de Deus e devem completar-se entre si, em vez de se desmentirem reciprocamente. Elas se estenderão as mãos, quando a Ciência não vir na religião nada de incompatível com os fatos demonstrados e a religião não tiver que temer a demonstração dos fatos. O Espiritismo, pela revelação das leis que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível, será o traço de união que lhes permitirá se olhem face a face, uma sem rir, a outra sem tremer. É pela concordância da fé e da razão que diariamente tantos incrédulos são reconduzidos a Deus.

AllanKardec.

Fonte: Revista Espírita jul/1864 – tradução de EvandroNoleto Bezerra – Editora: FEB

Apontamentos Luminosos dos Amparadores Extrafísicos

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(Dissolvendo as Sombras, de Dentro e de Fora)

1. As emanações da má intenção são um verdadeiro deleite para os espíritos trevosos, que se locupletam nelas. Eles vibram nas ondas maléficas e se associam aos homens por meio delas; primeiro no pensamento, depois no domínio da vontade e, finalmente, no comando invisível das mentes incautas que lhes deram guarida.

2. Urge que a humanidade terrícola tome providências eficazes contra os assédios psíquicos das sombras. Começando pelo expurgo psíquico dos próprios pensamentos maldosos e pela consecução de atos sadios e hígidos.

3. Mudando o padrão psíquico, mudam as vibrações. Mudando o homem, internamente, muda o mundo de fora, por repercussão direta. Mudando o padrão das energias, mudam as companhias extrafísicas correspondentes.

4. Quando os pensamentos buscam o Alto, as energias mudam para melhor, e os agentes das sombras não as toleram. Logo, é de suma importância que os trabalhadores espirituais ergam seus pensamentos, principalmente nos momentos de dramas e vicissitudes. É vital a manutenção da serenidade e da razão nos objetivos e nas atitudes.

5. Manter a luz da paz acesa no próprio espírito não é tarefa fácil. Requer esforços contínuos e o exercício da paciência aliada a uma forte determinação de não se deixar levar pelas emoções inferiores. É tarefa portentosa, para os fortes de espírito, dispostos para as grandes escaladas da sabedoria, pelas cordilheiras psíquicas de si mesmo, para os altos cumes daquela paz que não é desse mundo.

6. Há pencas de espíritos atormentados agarrados no manto de maldade que muitos homens carregam, sem saber. São “sombras carregando sombras”, por semelhança de propósitos deletérios.

7. É preciso coragem para vencer a inércia espiritual!

8. Alguns espíritos trevosos se utilizam de artefatos sombrios, plasmados por suas mentes doentias nas energias do Astral inferior. Eles instalam esses equipamentos psíquicos na aura da vítima, notadamente na área da cabeça, área de atuação dos chacras coronário e frontal, para obscurecer o processo mental normal e infundir idéias negativas, além de bloquear a passagem das energias celestes que estimulam os pensamentos mais elevados e a dinâmica sadia do psiquismo.

Para evitar tal influência nefasta, recomenda-se o exercício da prece e da meditação diária, dentro das possibilidades de tempo de cada um.  Outra medida efetiva é a dilatação da aura da cabeça, pela força da vontade, expandindo a luz amarelo-dourada, de dentro para fora, formando um halo brilhante em torno e, com isso, desagregando as formas mentais deletérias e os artefatos daninhos.

9. O “orai e vigiai”, ensinado há dois milênios pelo meigo Jesus, ainda é o melhor remédio contras as influências espirituais perniciosas.

10. O pior mal não é aquele que vem de fora, mas o que nasce no coração do próprio homem. Um é chamariz do outro, naturalmente. As sombras de fora gostam das sombras de dentro!

11. Se os homens pudessem ver o efeito de seus pensamentos densos no espaço invisível em torno deles mesmos, com certeza ficariam muito envergonhados da poluição psíquica que geram. E, mais ainda, se vissem os seus “despojos energéticos” sendo consumidos pelos verdugos extrafísicos que se alimentam de sua imaturidade, ficariam estarrecidos. Talvez, só assim fossem capazes de mudar alguma coisa em suas mentes.

12. As mentes presas no atoleiro dos pensamentos maldosos jamais compreenderão os altos vôos das consciências pacíficas.

13. O desejo de vingança é um veneno para o homem, mas é uma iguaria para as sombras que se alimentam do mal engendrado por ele.

14. Que os estudantes e trabalhadores espirituais se conscientizem da responsabilidade e da importância de suas atividades espirituais (individuais ou coletivas). A irradiação de pensamentos positivos e de energias salutares tem o poder de dissolver as grossas camadas que envolvem o espaço invisível em torno do mundo. Isso minimiza a influência das sombras desencarnadas sobre as sombras que os encarnados carregam por dentro.

15. Como se ensina nas escolas do Astral Superior, “Paz e Luz” aos homens de boa vontade.

P.S: Que esses apontamentos conscienciais sirvam de alerta aos estudantes e trabalhadores espirituais que se deixam engolfar pela leviandade e pelas emoções pesadas. Que eles ponderem, com prudência e coerência, sobre os caminhos que vêm trilhando e vençam a inércia que tolhe seus potenciais criativos.

Agradecemos ao Alto pela oportunidade do intercâmbio criativo entre os planos.

– Ramatís e Os Iniciados* –

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 23 de maio de 2006.)