A Evolução Litúrgica na Espiritualidade (Umbanda)

Prezados irmãos de senda, aqui quem vos fala é o Neófito, com mais um “blábláblá umbandístico”.

Exaustivamente estou escrevendo posts sobre as diversas liturgias umbandistas que existem por aí, a flexibilidade existente na religião, bem como diversas escolas espiritualistas que estudam e codificam a liturgia umbandista onde existem poucas relações entre as mesmas.

Também afirmo de diversas formas que existem diversas maneiras de praticar o bem, desde que respeitamos um conjunto de boas práticas, o que é relativo para cada pessoa e o bom senso, que temos que ter em cada um de nós.

Enfim, o que eu presencio de forma muito ampla é uma modificação massiva nas Leis Espiritualistas, muitas coisas estão mudando, o Kardecismo perdendo o preconceito e muitos centros cedendo espaço aos preto-velhos e caboclos, vejo muitos centros de Umbanda com uma liturgia mais branda, utilizando recursos menos densos, muitos baianos já desprezando bebidas, alguns guias desprezando oferendas.

Assim como nós, habitantes do plano físico, os habitantes do plano extrafísico também evoluem, aprendem, estudam, diferentemente do que muitos acreditam que os guias ficam presos no passado e no conhecimento antigo, eles conhecem nossas denominações hodiernas.

Negar a evolução da espiritualidade, bem como os rituais, as formas de trabalho é o mesmo que negar que caminhamos sempre ao progresso, em nossa vida, caminhamos sempre para frente, sem a possibilidade de retrocesso, sempre temos que olhar para frente, o que ficou para trás, não passa de experiência, aprendizado, não é mutável.

Muitos criticam meus pensamentos, muitas vezes sei que existem guias que ainda precisam utilizar o álcool e outros elementos densos para a realização de trabalhos, mas outros já não possuem essa necessidade, outros conseguem apenas com a imposição de mãos realizar o mesmo trabalho de um que solicita o ebó entre outros recursos ritualísticos de limpeza da Umbanda.

Saliento e ressalto que não é menosprezar essa forma de trabalho, e sim pensar para frente, obviamente se uma entidade vir em minha matéria pedir fumo, cachimbo ou outros elementos, ele com certeza o terá, eles sabem do porque dessa necessidade, vide um dos mentores que eu trabalho chamado Chico Preto, mas venho percebendo que isso vem diminuindo intensamente, outro dia consultei com um baiano extremamente firme que já não fumava e nem bebia, ele me disse que utiliza de outros recursos para realização de trabalho e que não necessitaria de um “choque” no campo espiritual do filho, confesso que isso ainda estou refletindo sobre esse “choque” mencionado por ele.

A Janela do conhecimento vem se abrindo, muitos umbandistas bem intuídos vêm trazendo bastante conhecimento, coincidentemente conheci hoje o Blog do Pai Gero, do “Umbanda do Bem” e vi que a semelhança da doutrina com o que também me é ensinado pelos mentores é muito grande, o que colabora com a certeza de que não estou “viajando” tanto quanto eu achava, ou seja, cada dia fica mais explícito essa modificação na forma litúrgica da Umbanda, a presença de guias que trazem para seus médiuns novos ensinamentos, quebras de paradigmas, hoje podemos vivenciar a existência de novas linha de trabalho, como os cangaceiros, malandros, alguns centros cultuando também linhas de piratas, já existem centros dedicando linhas específicas para caboclos e pretos-velhos quimbandeiros, ou seja, estão dividindo melhor as vibrações e as correntes de trabalho.

A Espiritualidade vem trazendo novos ensinamentos, temos que estar aberto a novas ideias e a mudanças para compreendê-las, rituais antigos estão caindo em desuso ao passo que as entidades evoluem, as pessoas evoluem e a prática umbandista vem se intensificando entre jovens, pessoas mais instruídas e pessoas que querem estudar e compreender a fundo os desígnios da religião, é inegável que ainda existe uma grande parcela de dirigentes anacrônicos que estão presos ao que aprenderam não abrindo para novas ideias, muitos tem a intuição mas preferem seguir aquilo que já conhecem impedindo a realização de mudanças, venho presenciando um choque cultural muito grande entre os adeptos antigos e novos, outro dia estive em um debate sério sobre a litúrgica umbandista sobre a necessidade de “despachar” exu durante a abertura, uns defenderam a tese de fazer um padê para agradar exu antes do trabalho, outros defenderam apenas a necessidade de louvar os exus na abertura de costas para o altar, outros ainda a necessidade de fazer o padê e queimar a fundanga em uma tábua para afastar as energias deletérias, outros disseram nem precisar cantar para exu e eu, simplesmente, defendi a ideia de cantar para exu DE FRENTE para o altar, o que causou espanto na maioria e alguns protestos.

Para um simples fundamento, existiram cinco opiniões diferentes, qual a certa? Te respondo com a maior FACILIDADE: Aquela que dá certo para você!

Tem exu que pede ferramenta, tem exu que não pede, tem casa que tem a tronqueira e pasmem, já conheci uma casa muito grande que não tinha isso vai depender de uma série de coisas, por isso, eu sempre digo meus irmãos, o principal mecanismo de força de uma casa é a SUA FIRMEZA, A SUA DEDICAÇÃO E A SUA CONVICÇÃO DE QUE ESTÁ FAZENDO A COISA CERTA.

Hoje já presenciamos muitos guias chamando os filhos pelo nome de batismo, mencionando os dias da semana, o nome dos meses, isso foi duramente criticado durante nosso bate-papo, aí questionei: Gente, mas o guia vive conosco, não seria imbecil ele não aprender as coisas modernas estando tão presentes em nossas vidas? Eis que os mais velhos falaram – Que eles trazem o conhecimento da vida que tiveram e isso impede que eles trouxessem novos conhecimentos do mundo moderno. Respeito a opinião, mas discordo veementemente de tal afirmação, mas tudo bem é o que eu falo: Para cada qual é dado conforme seu conhecimento.

O objetivo desse post é apenas um desabafo, apenas uma pequena observação da evolução que venho presenciando em muitos umbandistas, obviamente isso não muda a outra grande e maior parcela de pessoas ainda presas aos vícios e superstições, às pessoas que acham que os guias são adivinhos e gênios da lâmpada mágica, estamos vivenciando um despertar espiritual, é um processo do qual ainda demorarão alguns anos, a Umbanda antiga está morrendo, pessoas com maior grau de instrução estão adentrando nos terreiros, questionando certos fundamentos e com isso, abrindo um canal para novos conhecimentos e estarem mais receptivos aos ensinamentos provindos de seus próprios guias espirituais.

A Umbanda ainda é um bebê, como todo bebê, passa por processos, aprendizados, tropeços, erros, acertos, erros novamente e vai tateando e se adaptando ao que melhor se encaixa ao seu contexto, e para isso, temos grandes nomes dentro da religião que estão realizando um processo de “re-doutrinação” dentro do meio o que é produtivo e bom para todos nós, independente de qual linha é a sua Umbanda, sejam sempre íntegros, receptivos às aspirações cósmicas e abertos.

Eu mesmo tive que participar desse processo, sempre fui defensor de uma doutrina engessada dentro de um contexto, a Umbanda pura, sem atabaques, sem fumos, sem nada, até eu ser contrariado por um catimbozeiro, chamado Chico Preto, que fazia questão de usar um cachimbo que parecia uma escopeta, é o guia mais cantarolador que eu tenho, exige o toque do atabaque nos trabalhos, porque pra ele sem cantoria não tem alegria e sem alegria não tem labor; Posteriormente a esse fato incomum, fui contrariado novamente por um cangaceiro chamado Mané Baiano que me levou a um lugar muito bacana, através de um sonho extremamente esclarecedor relatado aqui no blog; Recentemente tive contato com a linha de malandro dando comunicação a um cara que nunca ouvi falar o nome, um malandro chamado Malunguinho e um Zé Pelintra que aparece de terno e chapéu preto. Cito esses últimos porque são entidades de linhas que nunca fiz o menor esforço para aprender e pelo contrário, como postei aqui no blog, eu era munido de relativo preconceito com tais linhas também por presenciar o trabalho das mesmas em certos médiuns, os Zés Pelintras que eu conheci, só sabiam falar coisas inúteis e usava 51 nos trabalhos, nunca fui muito aberto ao catimbó por considerar primitivo, nunca fui a favor de cangaceiro pela história da qual fui instruído, aos malandros pelo próprio nome que já traz um denotação pejorativa, mas com o tempo, tiveram a devida paciência de me ensinar, eu fui estando mais receptivo às lições do Mundo Espiritual e consequentemente a isso, mais calmo, mais maduro e equilibrado. Juntamente com esses mentores, também surgiu um preto-velho e um caboclo kimbandeiro, mencionando a necessidade de uma linha e culto específico para eles, o que também presenciei em outras doutrinas dentro da Umbanda, a chegada de linhas kimbandeiras para também realizarem o trabalho espiritual.

Juntamente com essa grande onda de novas frentes de trabalho, não muito novo, temos a corrente médica dentro da Umbanda, por muitos considerado a Linha do Oriente, do qual discordo veementemente, linha do Oriente é uma coisa e linha de Corrente Médica é outra, são egrégoras diferentes, Linha do Oriente ela é organizadora, ela que sustenta todas as religiões do globo e não são incorporantes.

Hoje meu pensamento é que se foi permitido pelo meu guia-chefe e pela alta hierarquia da minha corrente espiritual a chegada desses espíritos e desde que eles venham trazer a Palavra do Bem, da Prática e da Caridade e perpetuar os ensinamentos dos mestres cósmicos, que sejam bem vindos em minha matéria e que sejam louvados como todas as demais linhas que sempre respeitei dentro da Umbanda.

Ao passo que o nosso conhecimento vai expandindo, ficamos suscetíveis a novas ideias e com elas, a aproximação de mentores mais iluminados e cientes de nossa dedicação e vontade de aprender, hoje estou menos preconceituoso e mais receptivo, mas isso não impede que eu continue contestador, pesquisador e exigente com a forma de trabalho e a seriedade que devemos ter dentro dos trabalhos espirituais.

O mundo Espiritual, assim como a Terra, é vasto, existem centenas de milhares de atingir o objetivo, não é uma conta exata, independente de sua crença, de sua filosofia umbandista, de sua litúrgica, de como você enxerga os processos, sejam receptivos, aceitem os ensinamentos dos guias e que todos quebremos velhos paradigmas, hoje também já presencio muitas mulheres no atabaque, mesmo menstruadas o que era uma ofensa espiritual enorme nos cultos antigos, hoje já vejo ogãs trabalharem também como médiuns, o que era um grande problema até pouco tempo, nada impede tais questões, a espiritualidade é muito mais que essa fachada amarrada e engessada que pregávamos, a espiritualidade é amor, e amor é liberdade, compreensão, amizade e respeito. Muitas são as formas de se chegar ao Pai e consequentemente à Iluminação, procurem aquelas que vocês e seus guias espirituais mais se adequam, se precisa de atabaque, de fumo ou não, o importante é saberem porque estão fazendo isso, do mesmo jeito que cada um tem a sua caligrafia como regra e para as mesmas palavras escrevemos de formas bem diferentes, assim também é a espiritualidade que tem a flexibilidade de fornecer a cada um a ferramenta da qual somos mais eficientes em utilizar.

Gradativamente, todos chegaremos lá, por isso, estejam receptivos, quebrando paradigmas, procurando novas referências, novas fontes de aprendizado e ensinamentos com seus guias, através da intuição, sonhos, materializações, viagens, como quiserem…

E volto a repetir, isso não significa que eu não continue repudiando algumas superstições e nem tampouco alguns conjuntos de boas práticas que são inerentes à saúde espiritual da casa e dos adeptos.

Paz Profunda .’.

Neófito da Luz

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Uma “Muito Breve” Consideração sobre a Linha dos Mestres na Umbanda

Aranauam a todos.

Já realizei um post sobre a chegada da linha de cangaceiros na corrente espiritual da qual eu sirvo, juntamente com isso, gostaria de escrever também sobre a linha de mestres que vem surgindo com força dentro da Umbanda.

Antes da linha de cangaceiro, conforme já mencionei em outro post, se aproximou Sr. Chico Preto, me falando que trabalhava como um mestre, muito cultuado no catimbó. Juntamente com o Sr. Chico Preto, também se aproximou um outro mentor chamado Manoel da Mina, tentei realizar pesquisas do mesmo e não encontrei na internet, só achei algo sobre com uma irmã que está no Ceará e me disse muito dele, inclusive que ele aparece em mediuns que estão próximos a um cargo na casa e foi duas semanas antes de me tornar pai pequeno no antigo centro.

Na época, em meados de 2009 procurei muito saber sobre a linha de Mestres, o culto ao Catimbó, existia sim algumas semelhanças com a forma de trabalho do Chico Preto e do Manoel da Mina, o cachimbo, as cantigas, a forma de trabalhar com alegria, cantoria e ensinamentos, mas outros elementos do catimbó caíram em desuso, o culto à Jurema por exemplo não foi prioridade e nem muito o aspecto da bruxaria européia, apesar de ambos serem feiticeiros, talvez se adequaram à forma de trabalho da Umbanda.

No Catimbó verifiquei que cultuavam o Tronco da Jurema, tinha muitos preceitos católicos e alguns sacrifícios, e sacrifício é algo que eu abomino e de forma alguma eu aceitarei, eu sou umbandista, e umbanda não tem sacrifícios com sangue. Percebi que mesmo eles mesmo sendo da linha de Mestres como costumam dizer, eles tinham uma metodologia totalmente diferente dos trabalhos na Jurema, achei interessante, como ele se adequou à forma de trabalho dentro da liturgia Umbandista, repetindo e ressaltando.

Um outro exemplo clássico é o Sr. Zé Pelintra, de nordestino, com chapéu de palha e cachimbo se transformou em um malandro, carioca da Lapa, muito respeitado e louvado dentro da liturgia umbandista.
Está ocorrendo uma convergência maciça no Plano Espiritual, uma readequação da forma de trabalho e uma aceitação maior por parte de todos os dirigentes espirituais.

Tive dois grandes exemplos, a chegada do Sr. Chico Preto depois de 11 anos de Umbanda, eu, já achando que minha linha de trabalho já estava firmada, veio, tomou a frente, trouxe a responsabilidade e hoje desempenha um importante papel dentro da minha linha de trabalho e agora, a aproximação do Sr. Mané Baiano trazendo consigo a egrégora dos cangaceiros para agregar ainda mais à minha linha de trabalho.

A Umbanda está se transformando, velhos conceitos, velhos paradigmas já estão sendo quebrados, a Umbanda está sofrendo uma grande readequação e está voltando a atrair pessoas, agora os mediuns querem estudar, querem aprender, antigos vícios, costumes e até mesmo superstições estão sendo abolidas. Grandes Movimentos Umbandistas estão sendo criados e isso vem sendo extremamente benéfico. Vejo de forma positiva muitas vezes a formação de escolas umbandistas, livros e aprendizados, mas lembre-se, sempre importante OUVIR as suas próprias entidades, aprendam, para formar opiniões e aprender novos conceitos, mas sempre ouçam suas próprias entidades, vocês são capazes.

Com toda essa transformação circunstancial, era evidente a chegada de novas correntes de trabalho, e a linha de cangaceiros e de mestres dentro do Universo Umbandista está cada vez mais comum.

Alguns terreiros ainda mantém a tradição do Culto à Jurema em seus rituais, mas indubitavelmente outros mestres aprenderam outras formas de trabalho que são mais condizentes com a Umbanda, então, queridos irmãos, se sentirem um mestre ou dois ao lado de vocês, não é imperativo recorrer ao estudo da Jurema e o Catimbó para que o mesmo possa trabalhar em sua matéria, muito pelo contrário, ele se adequará ao que vocÊ sabe e pode acrescentar ou não novas formas de trabalho.

O Sr. Chico Preto que chegou em 2009 me mostrou muito isso, me ensinou como funciona o catimbó sem necessitar de nenhum ritual propício para que ele possa vir trabalhar, a Egrégora Umbandista o acolheu e ele se adaptou às formas de trabalho e encantamentos da religião, de nossa frequência vibratória.

O interessante do culto aos mestres é que não tem uma liturgia fixa como marujos ou boiadeiros, existem entidades de todos os jeitos, ou é mineiro, ou é pernambucano, cada um tem uma característica muito peculiar de trabalho.
É como se fosse uma linha “livre”, onde cada um traz o seu axé, a sua forma de trabalhar e cultuar, é bem interessante essa individualidade na forma de trabalho na linha de mestres. Não é uma linha que possui um arquétipo bem definido.

Geralmente são espíritos que não são ligados com Orixás como aprendemos com nosso caboclos, preto-velhos, entre outras dentro das Sete Linhas da Umbanda, os Mestres são verdadeiros Magos que sabem manipular com maestria os elementais e possuem capacidade para transitar nas Sete Vibrações ou Sete Linhas da Umbanda, não se espantem se um mestre precisar vir dentro da Linha de Caboclos. Costumo dizer que os Mestres são espíritos agregados que trabalham ou possuem afinidades com nossas próprias linhas de trabalho, sinto fortemente que pedem a permissão ao meu guia chefe e com a permissão do meu Próprio Orixá, eles me irradiam e realizam seus trabalhos.

Um fato curioso, é que esse é um processo que já aconteceu antes, na década de 1950 com a chegada dos baianos, que também não ocorria ligação com nenhum outro orixá e foram imantados dentro da vibração de Iansã e Oxóssi.

A Umbanda é uma Verdadeira Mãe, que abraça a todos os Espíritos que tem por finalidade praticar o bem e a caridade, através dessa idéia, estão ocorrendo essas inúmeras mudanças. Algumas casas umbandistas já estão dedicando trabalhos exclusivos para a Linha de Mestres e assim também me foi solicitado.

Não acredito que temos que nos formar na Jurema, fazer o trabalho dentro do culto do Catimbó, orando terço, cultuando o tronco, para trabalharmos com esses mestres, o coração limpo e a mente aberta, estarmos receptíveis e suscetíveis ao conhecimento que eles irão nos transmitir são essenciais.

Srs, não há religião maior que a Verdade, como diz o Sr. Chico Preto, nós aqui da Terra somos muito apegados a títulos, formações, entre outros conceitos que são irrisórios dentro da Espiritualidade.

Basta ter o conhecimento e a dedicação que qualquer um é capaz!

E concordo, não é um diploma que me torna um sacerdote, e sim minhas intenções e minha ligação com o Cosmico.

Namastê.

Neófito da Luz.