Mistério de Zé Pelintra

Esta é uma questão fundamental para entendermos de uma vez por todas o mistério de Sr Zé Pelintra. Se você procurar a palavra Pelintra no dicionário, lá estará:

“Pelintra: s.m. e s.f. Pessoa pobre e mal trajada, com pretensão a exibir-se e desejo de ostentação. Adj. Mal trajado e pretensioso. Bras. Adamado; bem trajado.” Fonte: dicionário online português

Esta definição é uma definição literal e ajuda a confundir a cabeça de todas as pessoas que tentam entender Zé Pelintra ao pé da letra. Um mistério, uma falange de Umbanda, que é fundamentada e sustentada por mistérios divinos, nunca deve ser interpretada racionalmente no que diz respeito ao nosso racional frio e pseudo intelectual. O nome Pelintra, que no dicionário quer dizer uma coisa, no simbolismo sagrado é outra completamente diferente. Pessoa pobre e mal trajada… para nós, o preconceito com a classe menos favorecida é latente.

Desde do início da raça humana, creio eu, os menos afortunados são tidos como inferiores e mal trapilhos, como a ralé onde apenas por serem simples de posses e vestimentas são tidos como inferiores diante do abastado e poderoso revestido de seda e puro linho.

Seo Zé Pelintra, enquanto mestre de jurema, sempre foi de vestimenta simples, porém, ostentava seu tesouro desde o início, a alegria e a versatilidade em seus trabalhos, onde tinha condições de transitar em todos os níveis vibratórios para ajudar a quem o procurava.

Por isso, lá na Jurema, era conhecido como malandro, porque era amigo de todos e para ele nunca existiu e nem existirá portas fechadas, seja na fumaça da esquerda ou na fumaça da direita. Malandro este que, quando migrou para as macumbas cariocas (sua passagem definitiva marca a Umbanda), logo foi revestido da vestimenta do antigo malandro, chique, garboso, ostentador, porém, sempre simples e muito trabalhador como sempre.

Zé Pelintra é um mistério que quebra todo e qualquer preconceito ou a maioria deles, ele é simples e, ao mesmo tempo, muito complexo e, por isso, muitas vezes fica difícil entender por completo este guia que hoje é amado por milhares de umbandistas em todo o mundo.

Sua figura principal é a de um senhor de meia idade, mulato ou negro, que usa um terno branco, gravata vermelha e chapéu com fita vermelha, acompanhado por um sapato bicolor vermelho e branco com camisa também branca. Ele está longe de ser um marginal, mas representa todos os que se sentem marginalizados por preconceitos, sejam eles de que origem for, pois seu próprio nome já é repleto de simbolismo acerca deste seu trabalho, o de recuperar a autoestima, ajudar os que mais necessitam e, acima de tudo, resgatar espíritos encarnados ou não da marginalidade que muitas vezes são colocados por uma sociedade moralista, preconceituosa e inflexível com quem não se adapta de alguma forma com seus mandamentos de viver como um robô pré-programado, onde apenas se obedece e nunca se escuta a própria natureza.

Zé Pelintra veio para nossa religião que, por natureza, é uma religião plural e destruidora de tabus e preconceitos para mostrar que bom é aquele que confia em si, levanta a cabeça e caminha. Talvez, por isso, que Sr. Zé é Pelintra, para provar que mesmo aos olhos dos moralistas e preconceituosos de plantão, ele pode se vestir como malandro, ser boêmio e dançarino, sorrir e curtir a vida e, mesmo assim, ter a Luz que muitos tentam alcançar através de atos que para eles significam pureza, mas que não alcançam, porque não têm uma coisa que Sr. Zé ensina a todos: que Deus é alegria, satisfação e vida!

De que adianta vestir batas e ostentar jejuns, se pelo coração e pela boca só sai julgamentos e ódios por todos os que não seguem suas doutrinas?

Sr. Zé vem todo paramentado e cada parte de seu paramento tem um simbolismo e um  significado. Mas espero que fique claro que a malandragem de Sr. Zé é Divina, e a marginalidade que insistem em falar a que Sr. Zé pertence está no coração de quem não entende os mistérios de Deus e, por ignorância, refutam o diferente e o inovador, seja na espiritualidade ou na vida de uma maneira geral.

*** * ***

Por MARCEL OLIVEIRA – Extraído do livro “Zé Pelintra – A Revelação” – Publicado no Jornal de Umbanda Sagrada Ano XV, nº 174, Nov 2014

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Uma “Muito Breve” Consideração sobre a Linha dos Mestres na Umbanda

Aranauam a todos.

Já realizei um post sobre a chegada da linha de cangaceiros na corrente espiritual da qual eu sirvo, juntamente com isso, gostaria de escrever também sobre a linha de mestres que vem surgindo com força dentro da Umbanda.

Antes da linha de cangaceiro, conforme já mencionei em outro post, se aproximou Sr. Chico Preto, me falando que trabalhava como um mestre, muito cultuado no catimbó. Juntamente com o Sr. Chico Preto, também se aproximou um outro mentor chamado Manoel da Mina, tentei realizar pesquisas do mesmo e não encontrei na internet, só achei algo sobre com uma irmã que está no Ceará e me disse muito dele, inclusive que ele aparece em mediuns que estão próximos a um cargo na casa e foi duas semanas antes de me tornar pai pequeno no antigo centro.

Na época, em meados de 2009 procurei muito saber sobre a linha de Mestres, o culto ao Catimbó, existia sim algumas semelhanças com a forma de trabalho do Chico Preto e do Manoel da Mina, o cachimbo, as cantigas, a forma de trabalhar com alegria, cantoria e ensinamentos, mas outros elementos do catimbó caíram em desuso, o culto à Jurema por exemplo não foi prioridade e nem muito o aspecto da bruxaria européia, apesar de ambos serem feiticeiros, talvez se adequaram à forma de trabalho da Umbanda.

No Catimbó verifiquei que cultuavam o Tronco da Jurema, tinha muitos preceitos católicos e alguns sacrifícios, e sacrifício é algo que eu abomino e de forma alguma eu aceitarei, eu sou umbandista, e umbanda não tem sacrifícios com sangue. Percebi que mesmo eles mesmo sendo da linha de Mestres como costumam dizer, eles tinham uma metodologia totalmente diferente dos trabalhos na Jurema, achei interessante, como ele se adequou à forma de trabalho dentro da liturgia Umbandista, repetindo e ressaltando.

Um outro exemplo clássico é o Sr. Zé Pelintra, de nordestino, com chapéu de palha e cachimbo se transformou em um malandro, carioca da Lapa, muito respeitado e louvado dentro da liturgia umbandista.
Está ocorrendo uma convergência maciça no Plano Espiritual, uma readequação da forma de trabalho e uma aceitação maior por parte de todos os dirigentes espirituais.

Tive dois grandes exemplos, a chegada do Sr. Chico Preto depois de 11 anos de Umbanda, eu, já achando que minha linha de trabalho já estava firmada, veio, tomou a frente, trouxe a responsabilidade e hoje desempenha um importante papel dentro da minha linha de trabalho e agora, a aproximação do Sr. Mané Baiano trazendo consigo a egrégora dos cangaceiros para agregar ainda mais à minha linha de trabalho.

A Umbanda está se transformando, velhos conceitos, velhos paradigmas já estão sendo quebrados, a Umbanda está sofrendo uma grande readequação e está voltando a atrair pessoas, agora os mediuns querem estudar, querem aprender, antigos vícios, costumes e até mesmo superstições estão sendo abolidas. Grandes Movimentos Umbandistas estão sendo criados e isso vem sendo extremamente benéfico. Vejo de forma positiva muitas vezes a formação de escolas umbandistas, livros e aprendizados, mas lembre-se, sempre importante OUVIR as suas próprias entidades, aprendam, para formar opiniões e aprender novos conceitos, mas sempre ouçam suas próprias entidades, vocês são capazes.

Com toda essa transformação circunstancial, era evidente a chegada de novas correntes de trabalho, e a linha de cangaceiros e de mestres dentro do Universo Umbandista está cada vez mais comum.

Alguns terreiros ainda mantém a tradição do Culto à Jurema em seus rituais, mas indubitavelmente outros mestres aprenderam outras formas de trabalho que são mais condizentes com a Umbanda, então, queridos irmãos, se sentirem um mestre ou dois ao lado de vocês, não é imperativo recorrer ao estudo da Jurema e o Catimbó para que o mesmo possa trabalhar em sua matéria, muito pelo contrário, ele se adequará ao que vocÊ sabe e pode acrescentar ou não novas formas de trabalho.

O Sr. Chico Preto que chegou em 2009 me mostrou muito isso, me ensinou como funciona o catimbó sem necessitar de nenhum ritual propício para que ele possa vir trabalhar, a Egrégora Umbandista o acolheu e ele se adaptou às formas de trabalho e encantamentos da religião, de nossa frequência vibratória.

O interessante do culto aos mestres é que não tem uma liturgia fixa como marujos ou boiadeiros, existem entidades de todos os jeitos, ou é mineiro, ou é pernambucano, cada um tem uma característica muito peculiar de trabalho.
É como se fosse uma linha “livre”, onde cada um traz o seu axé, a sua forma de trabalhar e cultuar, é bem interessante essa individualidade na forma de trabalho na linha de mestres. Não é uma linha que possui um arquétipo bem definido.

Geralmente são espíritos que não são ligados com Orixás como aprendemos com nosso caboclos, preto-velhos, entre outras dentro das Sete Linhas da Umbanda, os Mestres são verdadeiros Magos que sabem manipular com maestria os elementais e possuem capacidade para transitar nas Sete Vibrações ou Sete Linhas da Umbanda, não se espantem se um mestre precisar vir dentro da Linha de Caboclos. Costumo dizer que os Mestres são espíritos agregados que trabalham ou possuem afinidades com nossas próprias linhas de trabalho, sinto fortemente que pedem a permissão ao meu guia chefe e com a permissão do meu Próprio Orixá, eles me irradiam e realizam seus trabalhos.

Um fato curioso, é que esse é um processo que já aconteceu antes, na década de 1950 com a chegada dos baianos, que também não ocorria ligação com nenhum outro orixá e foram imantados dentro da vibração de Iansã e Oxóssi.

A Umbanda é uma Verdadeira Mãe, que abraça a todos os Espíritos que tem por finalidade praticar o bem e a caridade, através dessa idéia, estão ocorrendo essas inúmeras mudanças. Algumas casas umbandistas já estão dedicando trabalhos exclusivos para a Linha de Mestres e assim também me foi solicitado.

Não acredito que temos que nos formar na Jurema, fazer o trabalho dentro do culto do Catimbó, orando terço, cultuando o tronco, para trabalharmos com esses mestres, o coração limpo e a mente aberta, estarmos receptíveis e suscetíveis ao conhecimento que eles irão nos transmitir são essenciais.

Srs, não há religião maior que a Verdade, como diz o Sr. Chico Preto, nós aqui da Terra somos muito apegados a títulos, formações, entre outros conceitos que são irrisórios dentro da Espiritualidade.

Basta ter o conhecimento e a dedicação que qualquer um é capaz!

E concordo, não é um diploma que me torna um sacerdote, e sim minhas intenções e minha ligação com o Cosmico.

Namastê.

Neófito da Luz.

Uma “Muito Breve” Opinião sobre os Mestres na Umbanda

Aranauam a todos.

Já realizei um post sobre a chegada da linha de cangaceiros na corrente espiritual da qual eu sirvo, juntamente com isso, gostaria de escrever também sobre a linha de mestres que vem surgindo com força dentro da Umbanda.

Antes da linha de cangaceiro, conforme já mencionei em outro post, se aproximou Sr. Chico Preto, me falando que trabalhava como um mestre, muito cultuado no catimbó. Juntamente com o Sr. Chico Preto, também se aproximou um outro mentor chamado Manoel da Mina, tentei realizar pesquisas do mesmo e não encontrei na internet, só achei algo sobre com uma irmã que está no Ceará e me disse muito dele, inclusive que ele aparece em mediuns que estão próximos a um cargo na casa e foi duas semanas antes de me tornar pai pequeno no antigo centro.

Na época, em meados de 2009 procurei muito saber sobre a linha de Mestres, o culto ao Catimbó, existia sim algumas semelhanças com a forma de trabalho do Chico Preto e do Manoel da Mina, o cachimbo, as cantigas, a forma de trabalhar com alegria, cantoria e ensinamentos, mas outros elementos do catimbó caíram em desuso, o culto à Jurema por exemplo não foi prioridade e nem muito o aspecto da bruxaria européia, apesar de ambos serem feiticeiros, talvez se adequaram à forma de trabalho da Umbanda.

No Catimbó verifiquei que cultuavam o Tronco da Jurema, tinha muitos preceitos católicos e alguns sacrifícios, e sacrifício é algo que eu abomino e de forma alguma eu aceitarei, eu sou umbandista, e umbanda não tem sacrifícios com sangue. Percebi que mesmo eles mesmo sendo da linha de Mestres como costumam dizer, eles tinham uma metodologia totalmente diferente dos trabalhos na Jurema, achei interessante, como ele se adequou à forma de trabalho dentro da liturgia Umbandista, repetindo e ressaltando.

Um outro exemplo clássico é o Sr. Zé Pelintra, de nordestino, com chapéu de palha e cachimbo se transformou em um malandro, carioca da Lapa, muito respeitado e louvado dentro da liturgia umbandista.
Está ocorrendo uma convergência maciça no Plano Espiritual, uma readequação da forma de trabalho e uma aceitação maior por parte de todos os dirigentes espirituais.

Tive dois grandes exemplos, a chegada do Sr. Chico Preto depois de 11 anos de Umbanda, eu, já achando que minha linha de trabalho já estava firmada, veio, tomou a frente, trouxe a responsabilidade e hoje desempenha um importante papel dentro da minha linha de trabalho e agora, a aproximação do Sr. Mané Baiano trazendo consigo a egrégora dos cangaceiros para agregar ainda mais à minha linha de trabalho.

A Umbanda está se transformando, velhos conceitos, velhos paradigmas já estão sendo quebrados, a Umbanda está sofrendo uma grande readequação e está voltando a atrair pessoas, agora os mediuns querem estudar, querem aprender, antigos vícios, costumes e até mesmo superstições estão sendo abolidas. Grandes Movimentos Umbandistas estão sendo criados e isso vem sendo extremamente benéfico. Vejo de forma positiva muitas vezes a formação de escolas umbandistas, livros e aprendizados, mas lembre-se, sempre importante OUVIR as suas próprias entidades, aprendam, para formar opiniões e aprender novos conceitos, mas sempre ouçam suas próprias entidades, vocês são capazes.

Com toda essa transformação circunstancial, era evidente a chegada de novas correntes de trabalho, e a linha de cangaceiros e de mestres dentro do Universo Umbandista está cada vez mais comum.

Alguns terreiros ainda mantém a tradição do Culto à Jurema em seus rituais, mas indubitavelmente outros mestres aprenderam outras formas de trabalho que são mais condizentes com a Umbanda, então, queridos irmãos, se sentirem um mestre ou dois ao lado de vocês, não é imperativo recorrer ao estudo da Jurema e o Catimbó para que o mesmo possa trabalhar em sua matéria, muito pelo contrário, ele se adequará ao que vocÊ sabe e pode acrescentar ou não novas formas de trabalho.

O Sr. Chico Preto que chegou em 2009 me mostrou muito isso, me ensinou como funciona o catimbó sem necessitar de nenhum ritual propício para que ele possa vir trabalhar, a Egrégora Umbandista o acolheu e ele se adaptou às formas de trabalho e encantamentos da religião, de nossa frequência vibratória.

O interessante do culto aos mestres é que não tem uma liturgia fixa como marujos ou boiadeiros, existem entidades de todos os jeitos, ou é mineiro, ou é pernambucano, cada um tem uma característica muito peculiar de trabalho.
É como se fosse uma linha “livre”, onde cada um traz o seu axé, a sua forma de trabalhar e cultuar, é bem interessante essa individualidade na forma de trabalho na linha de mestres. Não é uma linha que possui um arquétipo bem definido.

Geralmente são espíritos que não são ligados com Orixás como aprendemos com nosso caboclos, preto-velhos, entre outras dentro das Sete Linhas da Umbanda, os Mestres são verdadeiros Magos que sabem manipular com maestria os elementais e possuem capacidade para transitar nas Sete Vibrações ou Sete Linhas da Umbanda, não se espantem se um mestre precisar vir dentro da Linha de Caboclos. Costumo dizer que os Mestres são espíritos agregados que trabalham ou possuem afinidades com nossas próprias linhas de trabalho, sinto fortemente que pedem a permissão ao meu guia chefe e com a permissão do meu Próprio Orixá, eles me irradiam e realizam seus trabalhos.

Um fato curioso, é que esse é um processo que já aconteceu antes, na década de 1950 com a chegada dos baianos, que também não ocorria ligação com nenhum outro orixá e foram imantados dentro da vibração de Iansã e Oxóssi.

A Umbanda é uma Verdadeira Mãe, que abraça a todos os Espíritos que tem por finalidade praticar o bem e a caridade, através dessa idéia, estão ocorrendo essas inúmeras mudanças. Algumas casas umbandistas já estão dedicando trabalhos exclusivos para a Linha de Mestres e assim também me foi solicitado.

Não acredito que temos que nos formar na Jurema, fazer o trabalho dentro do culto do Catimbó, orando terço, cultuando o tronco, para trabalharmos com esses mestres, o coração limpo e a mente aberta, estarmos receptíveis e suscetíveis ao conhecimento que eles irão nos transmitir são essenciais.

Srs, não há religião maior que a Verdade, como diz o Sr. Chico Preto, nós aqui da Terra somos muito apegados a títulos, formações, entre outros conceitos que são irrisórios dentro da Espiritualidade.

Basta ter o conhecimento e a dedicação que qualquer um é capaz!

E concordo, não é um diploma que me torna um sacerdote, e sim minhas intenções e minha ligação com o Cosmico.

Namastê.

Neófito da Luz.

Uma breve Homenagem ao Sr. Chico Preto

 

chico-preto

Raras são as informações que se obtém dele, o nome desse blog foi justamente em homenagem a esse grande Pai, a esse grande Espírito do qual o Cosmico me presenteou, é um amigo, um pai, um irmão, um protetor, um verdadeiro mestre da Escola da Vida.

Eu me lembro como se fosse ontem a sua primeira aparição… Era uma gira de baianos, onde em minha mente, plasmou-se uma entidade como se fosse um roceiro, o mais interessante, foi que eu o vi em uma árvore, em um local que parecia uma chácara, uma fazenda, estava ali, um belo senhor simpático, chapéu diferenciado, não era bem de palha, um material diferenciado, calças dobradas e uma camiseta amarela.

O que mais me chamou a atenção foi o tamanho do seu cachimbo, é um cachimbo muito grande e feito artesanalmente, o cabo de madeira e onde guardamos o fumo, material de barro, feito também artesanalmente.

Em questão de segundos fui influenciado pela sua vibração, uma vibração extremamente sutil, diferenciada da vibração de baianos que eu já estava habituado, lentamente foi tomando conta dos meus sentidos e quando dei por mim, já estava com a visão meia turva, falando diferente com um sotaque extremamente mineiro, muito simpático e alegre.

Mas veio, falou muito pouco, talvez por não estar habituado com a minha energia, não tenha incorporado de uma forma tão completa, mas ele solicitou o cachimbo, da forma que eu havia visto e disse apenas que o nome dele era “Amor” e que trabalhava na falange da “Caridade”, talvez para me ensinar que nome não é tudo, porque é a primeira coisa que eu quero saber de uma entidade é o nome, para eu correr atrás das pesquisas.

Após algumas semanas de trabalho, ele foi moldando-se mais à minha energia e foi trabalhando da forma que ele realmente atuava, já com o seu cachimbo, e diga-se de passagem, me deu a maior vontade de entrar do nada em uma casa do norte e acabei achando logo os dois juntos, o cachimbo e o seu chapéu, achei uma bênção. Mais solto, mais desenvolto em minha matéria e com o axé da casa, entoou um ponto assim:

Eu vim de Minas
Mas Nasci no Piauí
Saravá Sr. Chico Preto
O que vem fazer aqui?

Confesso que eu estava “assistindo” de uma visão pouco privilegiada o seu trabalho, mesmo assim, me encantei na primeira vez que o vi.

Com o passar do tempo, após alguma labuta e nenhuma informação eu obtive, em um dos trabalhos ele trouxe mais alguns pontos:

Sr. Chico Preto, Chico Preto Tenha dó (bis)
Venha cá salvar seus filhos
Tu é mestre do Catimbó

Todo mundo quer, quer, quer, quer
Chico Preto quimbandeiro lá do povo da Guiné

Lá na Jurema teve um fuá
Levaram o Milharal
Quem levou foi Chico Preto
Pra levar todos os Mal

Aí fui me apaixonando, pelo seu sotaque, pela sua alegria, pela forma que conduzia os trabalhos, um carisma singular, e com isso, foi atraindo a atenção dos filhos da corrente e dos assistentes que ali adentravam.

Aí veio um outro grande problema: Ele pediu uma batida de milho, mais uma vez, corri atrás de algo bem peculiar de seu trabalho,  a facilidade que eu tive pra achar seu cachimbo se inverteu, mas procurando, procurando, achei uma casa do norte que vendia batida de milho, e logo comprei.

Mesmo não sabendo nada sobre Chico Preto, comecei a procurar a pesquisar o catimbó e em alguns fóruns, conheci a Aparecida, uma mulher de 52 anos que já conhecia o catimbó desde os 10, e começou a me falar muito de Chico Preto, inclusive, do uso de cachimbos artesanais no culto à Jurema, vulgo Catimbó, onde a fumaça é a principal fonte de trabalho do catimbó devido às raízes da pajelança. Vi que a forma que eles trabalham, não condizia muito com a minha crença esotérica na Umbanda, atuavam também sobre uma camada de trabalho mais densa.

Aí foi quando comecei a me perguntar em meu limitado conhecimento: Como um adepto à Umbanda Esotérica, pode começar a vibrar com uma energia mais densa? Um guia de catimbó na minha corrente umbandista sendo que eu nem sei o que é isso? Por que comigo?

Para responder calmamente a essas perguntas, como é de sua característica, a calma e o humor são ímpares nessa entidade, ele me explicou que primeiramente, não há ninguém tão ignorante que não tenha o que ensinar e nem tão sábio que não tenha o que aprender, com a permissão de minhas entidades, ele “enconstou” para contribuir com o meu crescimento e aprender algumas coisas que ocorriam ali dentro do casuá. Depois, ele me perguntou: Quem te disse que só atuo no catimbó? Que sou apenas um juremeiro? Eu trouxe essa força, primeiro para contribuir com a casa, segundo para que você aprenda a ser menos preconceituoso.

De qualquer forma fiquei muito alegre com sua chegada, ele é um guia que canta muito, faz todo mundo cantar com ele, é um ser extremamente dócil e humilde, abraça a todos, conversa com todos, sabe fazer as pessoas que chegam até ele se sentirem muito à vontade.

Como de costume, antes de me deitar realizo todo um ritual de limpeza, energizando uma grande luz branca pousando sobre meu coronário, atuando nos meus sete chakras principais e depois toda as más energias repousam sobre a Terra, sendo absorvidas pela vibração de Obaluaie, nesse dia, havia algo muito estranho, comecei a sentir um calor no corpo e me apareceu um mentor muito bem vestido e de muita luz, causando um calor intenso sobre meu cardíaco e plexo solar, com  aparição desse mentor de luz, me começou a vir várias impressões, ensinamentos, entre outras soluções para minhas dúvidas, o mentor estava vestido com roupas orientais, grande quantidade de panos sobre suas vestes, mas como é inerente a mim, questionei o seu nome, ele com um sorriso que logo reconheci, disse: Pode me chamar de Chico Preto.

Com isso, uma outra resposta me veio de imediato, quando venho como um mineiro faceiro, venho de forma humilde, para todos aqueles humildes de coração, com carência de conhecimento, não sintam-se diminuídos a chegarem a mim, não venho para doutores e letrados, venho apenas para aqueles aflitos que buscam na simplicidade da palavra, sua salvação, para aqueles que buscam entre seus semelhantes, ou seja, o sotaque, o fumo, a bebida, buscam um amigo.

E assim solucionei a minha dúvida sobre um guia de catimbó ter encostado, o que eu entendi é que talvez tenha escolhido essa forma de trabalho, primeiro para eu conhecer mais o culto ao catimbó, segundo para que pudesse me ensinar que os guias podem plasmar-se e diminuir sua vibração para atuar em seu orbe, e ele acrescentou: Já fui sim uma pessoa simples que viveu no que vocês chamam de roça, já nasci e me criei por essas Terras e agora escolhi vim de uma forma semelhante para atuar também na Umbanda, que é um Grande Pronto Socorro Celestial.

Aprendi que nem todos os guias que optaram por trabalhar em uma vibração mais densa são espíritos atrasados, mas podem ser espíritos de grande evolução que por sua humildade, também auxiliam os irmãos mais atrasados. E gostaria de salientar que esse Chico Preto foi o que praticamente assumiu todos os trabalhos de consulta e que conduz a gira quando o sacerdote da casa está desincorporado. Chamou a responsabilidade pra ele e graças a Deus tem dado conta.

Como ele mesmo diz: Sem alegria nada se faz, sem sorriso nada se conquista, vamos cantar, vamos sorrir, aqui dentro quero farra, quero ver felicidade.

 

Saravá Sr. Chico Preto

Salve os Mistérios Umbandistas

Salve os Grandes Mestres Cósmicos

 

 

O Encontro Zé Pelintra e Lampião

cangaceiro

 

 

Um dia desses, passeando por Aruanda, escutei um conto muito interessante. Uma história sobre o encontro de Zé Pelintra com Lampião…

Dizem que tudo começou quando Zé Pelintra, malandro descolado na vida, tentou aproximar – se de Maria Bonita, pois a achava uma mulher muito atraente e forte, como ele gostava. Virgulino, ou melhor, Lampião, não gostou nada da história e veio tirar satisfação com o Zé:

_Então você é o tal do Zé Pelintra? Olha aqui cabra, devia te encher de bala, mas não adianta…Tamo tudo morto já! Mas escuta bem, se tu mexer com a Maria Bonita de novo, vou dá um jeito de te mandar pro inferno…

_Inferno? Hahahaha, eu entro e saiu de lá toda hora, num vai ser novidade nenhuma pra mim!_ respondeu o malandro _ Além do mais, eu nem sabia que a gracinha da “Maria” tinha um “esposo”! Então é por isso que ela vive a me esnobar!

_Gracinha? Olha aqui cabra safado, tu dobre a língua pra falar dela, se não tu vai conhecer quem é Lampião! _ disse Virgulino puxando a peixeira, já que não era e nunca seria, um homem de muita paciência.

_Que isso homem, tá me ameaçando? Você acha que aqui tem bobo?_ e Zé Pelintra estralou os dedos, surgindo toda uma falange de espíritos amigos do malandro, afinal ele conhecia a fama de Lampião e sabia que a parada era dura.

Mas Lampião que também tinha formado toda uma falange, ou bando, como ele gostava de chamar, assoviou como nos tempos de sertão e toda um “bando” de cangaceiros chegaram para participar da briga. A coisa parecia já não ter jeito, quando um espírito simples, com um chapéu na cabeça, uma camisa branca, cabelos enrolados, chegou dizendo:

_Oooooooxxxxxx! Mas o que que é isso aqui? Compadre Lampião põe essa peixeira na bainha! Oxente Zé, tu não mexeu com Maria Bonita de novo, foi? Mas eu num tinha te avisado, ooooxx, recolhe essa navalha, vamo conversar camaradas…

_Nada de conversa, esse cabra mexeu com a minha honra, agora vai ter! _ Disse Lampião enfurecido!

_To te esperando olho de vidro! _ respondeu Zé Pelintra.

_Pera aí! Pela amizade que vocês dois tem por mim, “Severino da Bahia”, vamo baixar as armas e vamo conversar, agora!

Severino era um antigo babalorixá da Bahia, que conhecia os dois e tinha muita afeição por ambos. Os dois por consideração a ele, afinal a coisa que mais prezavam entre os homens era a amizade e lealdade, baixaram as armas. Então Severino disse:

_Olha aqui Zé, esse é o Virgulino Ferreira da Silva, o compadre Lampião, conhecido também como o “Rei do Cangaço”. Ele foi o líder de um movimento, quando encarnado, chamado Banditismo ou Cangaço,  correndo todo o sertão nordestino com sua revolta e luta por melhores condições de vida, distribuição de terras, fim da fome e do coronelismo,  etc. Mas sabe como é, cometeu muitos abusos, acabou no fim desvirtuando e gerando muita violência…

_É, isso é verdade. Com certeza a minha luta era justa, mas os meios pelo qual lutei não foram, nem de longe, os melhores. Tem gente que diz que Lampião era justiceiro, bem…Posso dizer que num fui tão justo assim_ disse Lampião assumindo um triste semblante.

_ Eu sei como é isso. Também fui um homem que lutou contra toda exploração e sofrimento que o pobre favelado sofria no Rio de Janeiro. Nasci no Sertão do Alagoas, mas os melhores e piores momentos da minha vida foram no Rio de Janeiro mesmo. Eu personificava a malandragem da época. Malandragem era um jeito esperto, “esguio”, “ligeiro”, de driblar os problemas da vida, a fome, a miséria, as tristezas, etc. Mas também cometi muitos excessos, fui por muitas vezes demais violento e, apesar de morrer e terem me transformado em herói, sei que não fui lá nem metade do que o povo diz_ dessa vez era Zé Pelintra quem perdia seu tradicional sorriso de canto de boca e dava vazão a sua angústia pessoal…

_Ooxx, tão vendo só, vocês tem muitas semelhanças, são heróis para o povo encarnado, mas, aqui, pesando os vossos atos, sabem que não foram tão bons assim. Todos têm senso de justiça e lealdade muito grande, mas acabaram por trilhar um caminho de dor e sangue que nunca levou e nunca levará a nada.

 

_É verdade, bem, acho que você não é tão ruim quanto eu pensava Zé. Todo mundo pode baixar as armas, de hoje em diante nós cangaceiros vamo respeitar  Zé Pelintra, afinal, lutou e morreu pelos mesmos ideias e com a mesma angústia no coração que nós!

_ O mesmo digo eu! Aonde Lampião precisar Zé Pelintra vai estar junto, pois eu posso ser malandro, mas não sou traíra e nem falso. Gostei de você, e quem é meu amigo eu acompanho até na morte.

_Oooooxxxxx! Hahahaha, mas até que enfim! Tamo começando a nos entender. Além do mais, é bom vocês dois estarem aqui, juntos com vossas falanges, porque eu queria conversar a respeito de uma coisa! Sabe o que é…

E Severino falou, falou e falou… Explicando que uma nova religião estava sendo fundada na Terra,  por um tal de Caboclo das Sete Encruzilhadas, uma religião que ampararia todos os excluídos, os pobres, miseráveis e onde todo e qualquer espírito poderia se manifestar para a caridade. Explicou que o culto aos amados Pais e Mães Orixás que ele praticava quando estava encarnado iria se renovar, e eles estavam amparando e regendo todo o processo de formação da nova religião, a Umbanda…

_…é isso! Estamos precisando de pessoas com força de vontade, coragem, garra para trabalhar nas muitas linhas de Umbanda que serão formadas para prestar a caridade. E como eu fui convidado a participar, resolvi convidar vocês também! Que acham?

_Olha, eu já tenho uma experiência disso lá no culto a Jurema Sagrada, o Catimbó! Tô dentro, pode contar comigo! Eu, Zé Pelintra, vou estar presente nessa nova religião chamada Umbanda, afinal,  se ela num tem preconceito em acolher um “negô” pobre, malandro e ignorante como eu, então nela e por ela eu vou trabalhar. E que os Orixás nos protejam!

_Bem, eu num sô homem de negar batalha não! Também vou tá junto de vocês, eu e todo o meu bando. Na força de “Padinho” Cícero e de todos os Orixás, que eu nem conheço quem são, mas já gosto deles assim mesmo…  

E o que era pra transformar – se em uma batalha sangrenta acabou virando uma reunião de amigos. Nascia ali uma linha de Umbanda, apadrinhada pelo baiano “Severino da Bahia”, pelo malandro mestre da Jurema “Zé Pelintra” e pelo temido cangaceiro “Lampião”. 

Junto deles vinham diversas falange. Com o malandro Zé Pelintra vinham os outros malandros lendários do Rio de Janeiro com seus nomes simbólicos: “Zé Navalha”, “Sete Facadas”, “Zé da Madrugada”,  “7 Navalhadas”, “Zé da Lapa”, “Nego da Lapa”, entre muitos e muitos outros.

Junto com Lampião vinha a força do cangaço nordestino: Corisco, Maria Bonita, Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Zé do Sertão, Sinhô Pereira, Xumbinho, Sabino, etc.

Severino trazia toda uma linha de mestres baianos e baianas:  Zé do Coco, Zé da Lua, Simão do Bonfim, João do Coqueiro, Maria das Graças, Maria das Candeias, Maria Conga, vixi num acaba mais…

Em homenagem ao irmão Severino, o intermediador que evitou a guerra entre Zé Pelintra e Lampião, a linha foi batizada como “Linha dos Baianos”, pois tanto Severino como seus principais amigos e colaboradores eram “Baianos”.

E uma grande festa começou ao som do tambor, do pandeiro e da viola, pois nascia ali a linha mais alegre, mais divertida e “humana” da Umbanda. Uma linha que iria acolher a qualquer um que quisesse lutar contra os abusos, contra a pobreza, a injustiça, as diferenças sociais, uma linha que teria na amizade e no companheirismo sua marca registrada. Uma linha de guerreiros, que um dia excederam – se na força, mas que hoje lutavam com as mesmas armas, agora guiados pela bandeira branca de Oxalá.

E, de repente, no meio da festa, raios, trovões e uma enorme tempestade começaram a cair. Era Iansã que abençoava todo aquele povo sofrido e batalhador,  igualzinho ao povo brasileiro. A Deusa dos raios e dos ventos acolhia em seus braços todas aqueles espíritos, guerreiros como ela, que lutavam por mais igualdade e amor no nosso dia – dia.

E assim acaba a história que eu ouvi, diretamente de um preto – velho, um dia desses em Aruanda. Dizem que Zé Pelintra continua tendo uma queda por “Maria Bonita”, mas deixou isso de lado devido ao respeito que tem pelo irmão Lampião. Falam, ainda, que no momento ele “namora” uma Pombagira, que conheceu quando começou a trabalhar dentro das linhas de Umbanda. Por isso é que ele “baixa”, às vezes, disfarçado de Exu…

 “Oxente eu sou baiano, oxente baiano eu sou

Oxente eu sou baiano, baiano trabalhador

Venho junto de Corisco, Maria Bonita e Lampião

Trabalhar com Zé Pelintra

Pra ajudar os meus irmãos…!”

 

Característica da Entidade Zé Pelintra

 

 

 

 

Não tenho interesse em pesquisar as raízes antropológicas da entidade e nem tampouco esmiuçar o modo de vida que o chamado José Gomes da Silva viveu. Eu gostaria apenas de desmistificar nesse tópico o arquétipo dessa entidade, ou melhor, as múltiplas facetas que envolvem esse espírito tão misterioso.

Sabe-se que é uma entidade que tem suas raízes no catimbó, no culto à Jurema, um grande mestre nos feitiços e na cura, conhecido por muitos como o médico dos pobres, também leva outros epítetos como Dono da noite, rei da Magia e como ele mesmo gosta de dizer, “Sou Zé Pelintra e não pilantra, eu sou pai e não padrasto”.

No catimbó, essa entidade trabalha com cachimbo, sotaque carregado e chapéu de palha, confesso que não sabia disso, através de informações que obtive do próprio e algumas pesquisas realizadas com alguns irmãos do culto a Jurema, consegui mesclar tais informações e fortalecer a minha convicção naquilo que estou escrevendo. Mas… Voltando, ele se apresenta com chapéu de palha, andava com gingado, sotaque carregado, usava um cachimbo, pois no culto à Jurema, a fumaça é o elemento primordial para a utilização da magia dentro do culto, portanto, o cachimbo por produzir maior fumaça e ser produzido artesanalmente, é muito utilizado pelos mestres juremeiros, o Zé do catimbó tomava sua pinga geralmente na cuíca e enfim, trabalhava como grande parte dos juremeiros existentes dentro do culto.

Quando essa entidade adquiriu grande reconhecimento, o seu nome propagou nos quatro cantos do Brasil, foi também cultuado nos terreiros cariocas, aí essa falange passou por uma transformação muito grande, de um negro mulherengo do sertão nordestino, virou um sambista farrista das favelas cariocas, aí, todo o seu arquétipo foi modificado, talvez, de acordo com o funcionamento dos terreiros e a vibração dos médiuns do qual o Sr. Zé trabalhava.

Hoje o Sr. Zé se apresenta de terno branco, muito típico dos malandros das favelas cariocas, chapéu combinando com seu terno, sapato de sambista, sotaque mais puxado para o malandro, fumando cigarro ou até mesmo charuto, enfim, foi modificada toda uma cultura em cima de uma entidade. Muitos “Zés” pedem esse chapéu branco e alguns até bengala. 

Eu, quando via o Sr. Zé Pelintra pedindo chapéu de palha e pedindo seu cachimbo ou charuto eu achava algo totalmente estranho, porque o pai da casa trabalhava com um tipo de Zé Pelintra totalmente diferente, andava numa ginga diferente, o que eu conheço, pedia seu cachimbo, pinga no copo de vidro, chapéu branco e tudo mais, totalmente diferente do outro Sr. Zé que conheci, muito mais simples, uma forma de trabalho totalmente distinta. Eu estava ficando meio maluco.

Estou escrevendo esse “post” justamente por alguns médiuns ficarem muito em dúvida, é claro que isso não se resume apenas com a falange do Sr. Zé Pelintra, muitas entidades podem vir completamente diferentes no médium justamente por mesmo que carregue o nome da falange, é outra entidade, outro espírito, que varia a vibração, seu grau de luz, o médium do qual está ocupando e a forma de trabalho da casa, isso é uma regra imutável, em outras palavras, cada espírito, mesmo levando o nome como Rompe-Mato, Sete Flechas, são entidades individuais que carregam o nome de sua falange, que veremos depois o que realmente é uma falange. 

Existem centenas de Zé Pelintra, cada qual com o seu conhecimento, portanto, é pífio caracterizá-lo em apenas em uma forma de trabalho, se o seu usa chapéu de palha, chapéu de couro ou chapéu panamá, não importa, o que importa é o seu grau de conhecimento e os resultados do seu trabalho dentro do centro. Tem o Zé feiticeiro, o quimbandeiro, o curandeiro e o mandingueiro, independente da característica do seu Zé, Saravá a corrente do Zé Pelintra.

Portanto, é muito comum os médiuns iniciantes compararem suas entidades ou acharem que está fazendo algo errado, mas confiem em sua intuição, fiquei atônito quando vi o Sr. Zé pela primeira vez vindo assim, mas procurei, persisti e vi que graças a Deus, não era o que eu temia, ou seja, pura ilusão do meu consciente.

Namastê

Neófito da Luz

Saravá os Baianos – Tatiana Tieme Yano

 

 

A gira de baianos é uma das maiores e uma das mais “concorridas” na linha de Umbanda, sendo formada por espíritos muito alegres que nela vem trabalhar. Porém, nem sempre o baiano que vem trabalhar foi um espírito que viveu na Bahia, podendo ter tido sua última encarnação em muitos locais.

 

São descontraídos, adoram dançar, mas também não tem papas na língua, falam aquilo que precisa ser dito diretamente, são ótimos direcionadores e movimentam o axé de uma forma bastante enérgica. Por isso também a afinidade que as pessoas tem com esses espíritos.

 

Trabalham em nível mais terra, e lidam muito bem tanto com energias mais densas como sutis, são ótimos quebradores de demanda, e desfazem qualquer feitiço. Mas também ao falar, passam a mensagem de uma forma bem real, de um jeito alegre e bonito!

 

Há diversos baianos, que trabalham em diversas irradiações, mas trazem a força principal de Iansã (direcionadora, movimentadora). Há baianos da fé, do amor, do conhecimento, da justiça, da lei, da evolução e geração.

 

Uma das falanges mais conhecidas é a de seu Zé Pelintra, (mestre originário do culto a Jurema, o Catimbó, e que mais tarde veio para a Umbanda) . Praticamente em todo centro de Umbanda tem um Zé Pelintra!

 

Conhecido como o malandro, malicioso, esperto, apresenta – se com o seu terno branco, gravata vermelha e chapéu de lado, tem aquele jeito típico e lida bem com os “dois lados”, alguns até vem como Exu Zé pelintra, mas a maioria vem na direita como baiano. Há também outras falanges na mesma linhagem do malandro, como o Zé da Madrugada, Sete facadas, Zé Navalha, entre outros.

 

Há também baianos cangaceiros como os Jacinto, Raimundo, Lampião, Corisco, etc. Não esquecendo das queridas baianas, Maria do Socorro, Baiana das Miçangas, Maria Bonita (cangaceira), e muitas e muitos outros.

 

Utilizam elementos mágicos como o cigarro, cigarro de palha, charuto, batida de coco, coco, água de coco, cocada, ou seja, tudo que vem do coco, flores coloridas, ervas, velas amarelas e de todas as cores também, alguns marafo. Lembrando que esses elementos fazem parte da liturgia e são usados para trabalhar o médium, trabalhar o consulente, limpar ambiente, harmonizar, etc. Tudo tem um fundamento!!!

 

É isso, os baianos são maravilhosos, como todos os outros guias, mas cada um traz uma força típica e uma energia diferente. Que possamos todos nos irmanar nessa energia durante suas festividades!

 

Salve a Bahia!