O Canto do Sabiá e o Pio da Coral

Por Thiago Luiz Ferreira Miranda

Já com algum tempo de leituras e pesquisas incessantes sobre o assunto, a Umbanda me aparece com o curioso aspecto de religião em formação. Muitas são suas faces. Teses são apresentadas sobre seus múltiplos aspectos, almejando sempre a expressão completa, a totalidade das Leis que a regem, ou seja, sua Codificação.

Do muito e do pouco já dito, aparecem alguns pontos comuns, a presença das manifestações espirituais de antepassados culturais brasileiros como o preto-velho, o caboclo, o boiadeiro e tantos outros que se “manifestam” nos inumeráveis terreiros espalhados por este Brasil afora. Do uso da magia para fins diversos e cânticos sagrados (as curimbas), não há terreiro ou tenda que não possua.

Estamos então diante de um caldeirão fervendo chamado Umbanda. Seus mistérios vão desde o seu nome correto – uns dizem possuir origem sânscrita! – passando por sua origem, histórica ou mítica, e pelos Orixás – quais seus nomes corretos, quais deles devem ser cultuados e de que forma. Uma dentre as várias correntes existentes no movimento umbandista, vem crescendo em aceitação, seja em sua prática ritualística, seja em sua parte teórica e mesmo no esboço para uma filosofia na ou da Umbanda. Digo pois da Umbanda Esotérica, cujo divulgador mais conhecido foi W.W. da Matta e Silva (1917 -1988) escritor de nove livros sendo que, o primeiro é também o mais importante deles, “Umbanda de Todos Nós”, primeira edição em 1956.

As dificuldades de entendimento desta raiz estão – assim como toda a Umbanda – imersos ainda em alguns véus, principalmente aos novos umbandistas, ou melhor, aos umbandistas que não tiveram a oportunidade de conviver com os primeiros praticantes desta religião. Infelizmente eu também não tive esta oportunidade, não obstante meu espírito intrigado e sedento por conhecimento das coisas às quais me interesso não me deixam desistir da pesquisa, da investigação, da procura pelos primórdios desta religião bem como suas diversas correntes que quem sabe num futuro próximo ou distante venham a se unir em nome de um conhecimento único ou constituir escolas de entendimento que apesar de distintas em suas práticas apenas fazem engrandecer a Umbanda.

Dois problemas lançarei à discussão neste texto. O primeiro deles é sobre a origem histórica desta Umbanda Esotérica e o segundo, sobre a mudança paradigmática operada por esta corrente no entendimento do Orixá, influenciando drasticamente em suas formas de culto, bem como o ponto arquimediano que vem permitindo esta operação.

Dois motivos principais me impulsionam a publicar este texto em caminhos virtuais: a busca por novas informações que possam engrandecer meus conhecimentos e a discussão por parte de todo o meio umbandista, principalmente os seguidores desta corrente, sobre as trilhas abertas nas Matas da Jurema por este diferente pensamento instaurado e nem sempre, creio eu, tão bem analisado ou discutido em seus alicerces. A sua adoção depende de modificações profundas no consciencial umbandista e que dificilmente estão sendo percebidas. E se o canto da Sabiá dentro das Matas da Jurema é sedutor, a picada da Coral é certeira, venenosa e quase sempre mortal.

Deixo claro que nenhuma das palavras que direi neste momento em nada afetam a importância dos personagens envolvidos, seja pelas idéias, seja pela influência que vem exercendo no espírito de tantos. Meu objetivo único é conhecimento, conhecimento, conhecimento. Respeitados aqueles que possuem conhecimento. Respeitada é a religião cujos integrantes tem conhecimento de suas origens e de sua doutrina.

No início deste texto disse que o maior divulgador da Umbanda Esotérica, teria sido Mestre Yapacani. Ao que nos consta, realmente o foi. Mas alguns fatos me levam a crer que apesar de reconhecida importância, não fora este insigne mestre o iniciador de tal doutrina dentre o meio umbandista. No ano de 1941 fora realizado, dos dias 19 a 26 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro, até então capital brasileira, o Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, com a participação de médiuns pertencentes a diversas Tendas, almejando por objetivo a apresentação de teses relacionadas à Umbanda em suas diversas matizes e interesses (estas teses estão registradas em um livro editado em 1942 pela Federação Espírita de Umbanda na época sito à rua São Bento n. 28 – RJ) Dentre elas estava a Tenda Espírita Mirim cujo delegado representante fora o sr. Diamantino Coelho Fernandes.

No dia 19 de outubro do transcorrido ano a Tenda Espírita Mirim apresentava a seguinte tese:

“O Espiritismo de Umbanda na Evolução dos Povos – Fundamentos históricos e filosóficos”. Eis pequena parte da tese (transcrição literal) : “O vocábulo UMBANDA é oriundo do sanskrito, a mais antiga e polida de todas as línguas da terra, a raiz mestra, por assim dizer, das demais línguas existentes no mundo. Sua etimologia provém de AUM-BANDHÃ (om-bandá) em sanskrito, ou seja, o limite no ilimitado… A significação de UMBANDA (o correto seria Ombanda) em nosso idioma, pode ser traduzida por qualquer das seguintes fórmulas: Princípio Divino; Luz Irradiante; Fonte Permanente de Vida; Evolução Constante.”

Bem, nos encontramos diante do primeiro problema. Tais afirmações seriam editadas no ano de 1956 por Pai Matta o qual requer autoridade intelectual sobre tal tese, não por ter ele mesmo formulado tais explicações mas, como por ele mesmo escrito, em Umbanda do Brasil pag.74 em sua 2ª edição “…essa Revelação que originalmente nos foi feita pelo Astral Superior da Lei de Umbanda.” Lembremo-nos que a primeira publicação de seu primeiro livro ” Umbanda de Todos Nós” seria em 1956 ou seja, aproximadamente 15 anos após o Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda. Estamos portanto diante de duas informações, de dois fatos que não se coadjuvam.

Segundo pesquisas feitas pela Internet existe uma Federação no Rio de Janeiro tendo por nome Primado de Umbanda que professa os mesmos conceitos expostos por Mestre Yapacani, quanto à designação de 7 Orixás (Orixalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá) bem como a concordância com a origem sanscrita da palavra Umbanda e o Nheenghatu (língua indígena derivada do Abanheegá, também indígena) usada com diversas finalidades dentro deste movimento, por exemplo, quanto à formação de nomes iniciáticos e mântras sagrados. Ao consultar a bibliografia usada por tal Federação bem como por todos os terreiros a ela filiados, constatei a não utilização dos livros de W.W. da Matta e Silva não obstante, dois livros formam citados como fonte e ambos anteriores a 1956 ou seja, anteriores à publicação de Umbanda de Todos Nós. Portanto, ou esqueceram de citar o uso de tal bibliografia, ou realmente estas explicações são anteriores a W.W. da Matta e Silva.

E curiosamente a entidade fundadora desta Federação chama-se Tenda Espírita Mirim, cujo fundador sr. Benjamim Figueiredo, médium do conhecido Caboclo Mirim, mesma entidade que apresentou a tese sobre as origens sanscritas da palavra Umbanda no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda.

Gostaria que pesquisadores, umbandistas ou não, mas sinceros e que de fato sejam conhecedores deste momento histórico na Umbanda possam me disponibilizar informações com as respectivas “provas” para que possamos traçar linhas mais claras sobre o desenvolvimento desta corrente na Umbanda. Volto a afirmar que meu interesse neste momento é única e simplesmente histórico e que quaisquer afirmações não influenciarão em nada a figura de Mestre Yapacani, portentoso médium cujo esforços em muito ajudou e ainda vem ajudando de forma vigorosa o movimento umbandista através de seus livros, mesmo após 45 anos de suas primeiras publicações e 12 anos de seu desenlace.Com todas suas bênçãos, Saravá Pai Matta!

Iniciarei neste momento o segundo ponto que me propus a discutir neste texto, as mudanças operadas pela Umbanda Esotérica no culto aos Orixás e o ponto arquimediano desta mudança. Peço a partir de agora um pouco da paciência dos leitores e atenção redobrada, pois talvez o texto se torne algo mais denso para compreensão.

Nada mais claro nos é hoje que, com a vinda dos africanos para o Brasil, vieram com eles também a suas religiões. Estas, com o passar dos tempos e outras causas que não cabe a este texto discutir se uniram e se amalgamaram constituindo então aquilo que hoje chamamos de Candomblé. O Candomblé possui como cerne de sua adoração os Orixás, chamados por uns de Inkices e por outros Voduns. Estes de modo geral foram antepassados dos povos que para cá vieram, como por exemplo, Xangô era rei da cidade de Oyó e Ogum da cidade de Irê. Com uma série de contos sagrados os itán-ifá, que hoje simplesmente identificamos por “lendas” do candomblé, constituem todo a base deste sério sistema religioso possuindo inclusive uma profunda filosofia nos conceitos para entendimento do Homem e a profunda integração com a Natureza.

Estes mesmos Orixás eram lembrados por seus feitos quando humanos, e pelos motivos de suas transformações em Orixás. A transformações destes homens importantes em Orixás por vezes remetem a uma guerra ou a uma grande paixão, podendo passar por grande ódio ou desilusão, ou por possuírem poderes de cura. Eram lembrados também por suas principais características na Terra ( Aye ), como ser justo, ou brigão, vaidoso, charmoso ou mesmo vingativo. A lembrança destes Orixás, portanto seus cultos consiste em oferendas destas ou daquelas comidas, panos de diversas cores, ou bebidas que mais os agradam e isto também relacionado a todo um sistema de práticas de magias e curandeirismos daquele povo, ou melhor daqueles povos.

Geralmente estes importantes homens ao se transformarem em Orixás tornavam-se elementos da Natureza como um rio, uma árvore, o mar, ou do Orum poderiam ter domínio de uma força natural como os trovões, as chuvas, as matas. Então podemos ressaltar que para os povos africanos e também em seus cultos no Brasil, a ligação dos Orixás é com a Natureza sendo eles próprios os elementos da Natureza ou Forças Divinizadas dela e não com os astros, cuja presença em todo o sistema de culto aos Orixás é inexpressiva ou mesmo inexistente. “Os iorubás como povos da floresta, pouco se interessam pelos astros, para eles, florestas e rios são mais importantes que a Lua ou as estrelas.” “A morada dos deuses iorubás, emblematicamente, não fica no céu, mas sob a superfície da terra.” ( Prandi ,R. 2002 ).
Tentarei agora a delimitar o problema que quero expressar.

A noção da “morada dos Orixás sobre a superfície da terra” é um conceito importantíssimo para este culto pois representa, a meu ver, um profundo enraizamento do homem na Natureza. Tudo está aqui e aos nossos olhos e mãos. Isto é o Orixá: os rios, o mar, as matas, as folhas e o vento e tudo isto que é a Natureza é o Orixá. Guardemos claramente isto em nossa mente e espírito.

Vejamos agora a mudança operada na Umbanda Esotérica:

Por diversas vezes Pai Matta em seus livros cita o nome de um pesquisador francês, Saint-Yves D’Alveydre. Este pesquisador parece ter sido escritor de alguns livros, dentre eles “L’ Archéomètre”, ou “O Arqueômetro”. Poucas informações temos sobre o livro ou o autor mas, sabemos que ele apresenta um alfabeto dito como adâmico ou wattan, ou seja, um dos ou o primeiro alfabeto surgido entre os homens, segundo Mestre Yapacani. Sabemos ainda que este arqueômetro permitiu a ligação entre o dito alfabeto adâmico com os alfabetos hebraicos, sanscrito e latino, e destes com a numerologia bem como aos signos astrológicos.

Creio eu que a aplicação que a Umbanda Esotérica faz é, associar o nome dos Orixás à estas correlações dadas por Saint-Yves associando o nome do Orixá com suas correspondências numerológicas e astrológicas e daí a correlação com cores e dias da semana. Esta nos parece ser a grande diferença existente no ritual da Umbanda Esotérica. Isto a meu ver implica em drástica mudança ante o entendimento e culto do Orixá.

O Orixá como anteriormente dissemos, não está relacionado com o culto das estrelas ou quaisquer outras correspondências astrológicas, (apoiados estamos sobre pesquisas de respeitados antropólogos). O Orixá relaciona-se com as coisas da Natureza e não com a Lua ou as estrelas, segundo a Tradição. Não que na Umbanda Esotérica a Natureza e seus reinos, sejam descartados mas tornam-se moradas deste ou daquele Orixá pelas influências astrológicas que estas exercem sobre este ou aquele reino. Então a relação do Orixá com a Natureza torna-se secundária!

Apenas sete tornam-se os Orixás cultuados, Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá, sendo estes dois últimos termos completamente desconhecidos. Com uma interpenetração um pouco maior neste estudos e atenção nas leituras conseguimos entender o surgimento deste dois termos. Yori é cultuado por todos como Ibeji, são as crianças, os erês, os populares meninos-de-angola. Existe uma discussão se Ibeji é Orixá ou não, mesmo nos cultos africanos onde parece realmente não ser. Aqueles que queiram se aprofundar nesta discussão, ver livro Os Candomblés da Bahia, Roger Bastide.

Quanto a Yorimá, peço a licença para a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino para reprodução de um pequeno trecho do artigo “Os Sete Grandes Mistérios” publicada na “Revista Umbanda – Uma Religião Brasileira” em seu número sétimo, mês maio/junho, do ano 1995, seu autor, William do Carmo Oliveira. Hei-la:

“Yorimá: conhecido nos meios externos da Umbanda , como Obaluayê, Omulu, Shapanan, Yorimá é o termo sagrado do Orixá que assim era fonetizado pela Antiga Raça Vermelha. Representa a terra.” Apresentando um mito de Obaluaye, que interpretado sob correlações numerológicas, chega-se a um mesmo valor numérico do termo Shapanan e Yorimá. Seriam portanto uma mesma força, um só Orixá.

A explicação dada para tais modificações seria que, os termos Yorimá e Yori seriam termos litúrgicos esquecidos nas “noites do tempo”, num glorioso passado da humanidade, de forma pura e límpida estas sete vibrações eram cultuadas. Os mais habituados a tais leituras verificam que sempre referentes aos termos Yorimá e Yori, estão vocábulos como, desvelado, reimplantado ou reaparecido. Estes mesmos termos constituiriam a “Coroa do Verbo”, isto significa, termos sagrados para a movimentação das energias. Realmente, existe um mito narrando um nome oculto de Omulu/Obaluaiê, sendo, por algum motivo, muito perigoso ser pronunciado. Seria Yorimá!?

Na página virtual do “Primado de Umbanda”, complementar a estas informações, dizem: “… os fundamentos continuam os mesmos.” Será? As alterações também estão nas cores que representam as divindades. Estas anteriormente lembravam d’algum modo o Orixá e seus feitos ou moradas – por exemplo o verde das matas de Oxossi, ou o azul dos mares de Yemanjá, na Umbanda Esotérica sob as correspondências astrológicas tornam em amarelo, Yemanjá, Oxossi em azul, Ogum em alaranjado e Xangô, verde.

Problemas podem ser identificados; o primeiro relaciona-se ao ponto arquimediano desta operação, ou seja, o “arqueômetro”. Este livro ou aparelho faz relações entre os alfabetos wattan, sânscrito, hebraico e latino, não parece fazer diante das línguas e dialetos africanos. Não havendo a ligação entre estes alfabetos, improvável se torna a relação. Talvez o motivo de ligar estes termos litúrgicos africanos a um passado na Índia ou de um antepassado comum entre eles, expressados por Pai Matta e seus seguidores seja este.

Um último problema que vejo seria que Orixás tão queridos e importantes como Oxum, Iansã ou Nanã não mais podem assumir a “cabeça” de um filho, função esta restrita aos sete Orixás supracitados. Quais funções passam a assumir estes Orixás? Será que, sendas futuras, assim como fazemos nós, também chorarão termos sagrados, esquecidos nas brumas de um passado áureo, que incautos reformadores e seguidores pouco vigilantes não souberam honrar ?!

Espero que não tenha sido eu, pedante ao ponto de afastar-vos de meus escritos. Também deixo claro que sou “filho” da Umbanda Esotérica e que minha vivência nesta religião já trilhada por 6 anos initerruptos de práticas e estudos. Porém de olhos bem abertos tento caminhar. Que a beleza do canto do Sabiá e a força presente na Cobra Coral acompanhem a todos os que por Amor à Verdade caminham devagar porém firmes

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Algumas considerações sobre pombagiras.

 

Saudações fraternais, irmãos.

Vamos falar um pouco sobre pombagiras (também conhecidas como pomba-giras ou bombogiras), uma linha tão mal compreendida como os exus, que estimula um excesso anímico por parte de muitos mediuns.

Não irei estender ainda mais o assunto sobre o dia da semana, oferendas, entre outras coisas porque pombagira é energia feminina da vibração Exu, é a vibração sendo manifestada com toda a doçura da Energia Feminina, a Fecundidade, a Vida.

Já falamos anteriormente que a vibração Exú também é a fecundidade, então temos aí a energia capaz de gerar vidas, o que também não é novidade para ninguém, mas o intuito desse post é falar um pouco mais sobre essa linha tão mal compreendida e consequentemente, mal utilizada.

Vamos salientar um pouco sobre a forma de trabalho dessa linha, mas antes, seria interessante deixar algumas coisas um pouco claras:

Primeiramente, pombagira não são garotas de programa e nem meretrizes de exus, eu tenho pavor quando ouço uma pombagira falar que “dorme” com outro exu, entre outras coisas. Pior ainda é quando a pombagira ou exu fala que “trabalha” com o exu ou pombagira do medium e com isso, ambos irão dormir juntos também.

Confundem demais a espiritualidade com o mundo material.

Nem todas as pombagiras foram meretrizes em sua vida terrena, e nenhuma hoje o é, existe na liturgia cristã demônios que favorecem atos sexuais como o Incubus, que é do gênero masculino e as sucubus, para o gênero feminino e isso sincretizou-se com as pombagiras e os exus na Umbanda justamente pela semelhança de funções entre eles.

Pombagira que chega no terreiro se esfregando em outros mediuns ou outros exus que vivem virando garrafas de champanhe, não são pombagiras, são os mediuns ou espíritos de baixa vibração. Pombagira não é prostituta, elas carregam a vibração da Lei Divina, por atuar em um plano vibratório mais próximo do plano material, elas ajudam a mulher estimular sua autoestima, valorizar a sua beleza, faz com que as mulheres sintam-se mais bonitas, quem nunca percebeu uma medium bem incorporada com uma pombagira ficar ainda mais bonita? A Pombagira atua no chakra básico, ela vem pra valorizar a mulher, valorizar seus traços femininos, como hoje a mediunidade é consciente e semiconsciente, auxilia nos trejeitos fazendo-as sentirem necessárias, atraentes. Isso é apenas mais um dos grandes poderes de pombagiras.

Uma outra coisa medíocre é quando ouço uma pombagira chamar o medium de bicha ou “puta”.  Fico horrorizado com a doutrina de muitas casas, uma doutrina pobre, sem fundamento, orientada ao vício. Pombagira de Lei trata com respeito os mediuns, é o que eu sempre digo aqui no blog, muita gente confunde os nossos queridos cumpadres e irmãs da encruzilhada como agentes do mal, prostitutas, como os gênios da lâmpada, que são pagos para a realização de nossos mais excusos desejos.

Irmãozinhos, o Universo está cheio de Espíritos, e junto com eles, todos os tipos de intenções possíveis, desde Espíritos que aceitam pinga para fazer amarrações, até Espíritos que não aceitam nada para ajudar uma multidão.

Antes de perguntar que tipo de Vibração, que tipo de Mentor você possui, pergunte a si mesmo quem você é e qual o seu objetivo dentro da espiritualidade. Com essa resposta, você saberá que tipo de “mentor” você atrairá para você!

Eu já vi pombagiras sérias, que fazem um excelente trabalho, e já vi aquelas “sujas”, que adoram se esfregar em mediuns e falar bobeiras, nós, da Terra, consequentemente adoramos uma sacanagem não? Todos nós temos a energia sexual muito constante e presente em nossas vidas, uns mais, outros menos, mas todos nós temos, quando isso é incentivado por um amigo espiritual então que nos “entende” é confortante não

É onde muita gente confunde, o mentor que ajuda, não é aquele que incentiva, mas é aquele que apoia e nos força a fazer direito, não é nem o que julga e nem o que incentiva, é aquele que nos sugere, nos ajuda a melhorar.

Uma outra coisa hedionda, e antes que eu seja taxado de preconceituoso, nada contra homossexuais, mas é nojento como a grande maioria utiliza as pombagiras para serem o que não possui a devida coragem de ser. Uma vez veio um homem incorporado com pombagira se esfregar em mim, imediatamente já disse: Minha mãe, agô, se afaste que eu não sou conivente com putaria dentro de terreiro, “ela” imediatamente se afastou.

É normal homem dar passagem para pombagiras muito eventualmente, eu mesmo já trabalhei três ou quatro vezes durante todos esses anos, mas nenhuma vez foi para dar consulta, trabalhar em assistência, ela veio, pediu o que queria e foi embora, normalmente, homens que trabalha sempre com pombagiras, a grande maioria que quer trabalhar sempre, são pessoas com dificuldade em assumir sua própria orientação ou se sente mais à vontade em trabalhar com elas porque a pombagira aflora a Força Feminina dentro dos mediuns.

Novamente não é preconceito, existe casos e casos, mas indubitavelmente quando uma pombagira vem muito em homens, ou ele a evoca por se sentir mais à vontade em ser mulher ou ele utiliza de “animismo” para tentar assumir quem é.

A espiritualidade respeita o preconceito terreno, a pombagira possui inúmeros mediuns mulheres para trabalhar, não precisa ficar vindo em homens para realização de seus trabalhos, e, não sejamos hipócritas, é muito estranho um homem com pombagira, isso é no mínimo constragedor.

Nao é preconceito, irmãozinhos, é lógica, é reflexão, antes de me tacarem pedras, primeiramente pensem…

Isso é muito comum no candomblé, vem aquele monte de pombagiras em homens, e é incrível, como elas são muito piores em mediuns homens, muito piores mesmo, por que? Vamos pensar..

Pombagira que chega em centro querendo esfregação, chamar a atenção, pedir pra ficar cantando, pedir ponto a todo momento, mandar abrir espaço para ela dançar, é no mínimo uma Pombagira que não é da Lei, pra não dizer que é o próprio medium que necessita de holofotes para ele.

Pombagira são moças lindas, que vem com o intuito de trazer à sensualidade, que é comumente confundida com vulgaridade, vem para trazer a Força Feminina à tona, a graça, o dengo da mulher, o charme existente na Força Feminina, acima de tudo isso, pombagira é uma irmã de Lei, vem pra trabalhar, vem com a Força Cosmica para fazer a diferença, não é para agir como uma meretiz dentro do terreiro e confundir ainda mais a cabeça de iniciantes.

Isso também acontece muito com a linha de ciganas, ultrapassam os limites da Graça e é onde começa a vulgaridade.

Assim como outras linhas, elas vem para trabalhar, ledo engano dos mediuns  ao achar que porque algumas foram mulheres da vida, não possuem nada a ensinar, somente rebolar e vir falar ainda mais baboseiras dentro de centro.

Já temos o SEXO estampado em todos os meios de comunicação, TV, rádio, internet, email, não precisamos mais disso dentro das reuniões mediúnicas, concordam?

Por isso, mediuns, amados irmãozinhos, antes de trabalharem com o espiritismo, espiritualismo, umbanda ou quaisquer outras doutrinas, perguntem-se a si mesmo o que vocês realmente são e o que querem, e ao decidir-se sobre isso, estudem, estudem e dediquem-se, para que não seja mais uma vítima das armadilhas espirituais e terrenas e que não seja mais um CANAL de disseminação negativa de tão brilhante religião.

Pombagira é amor, é doçura, é graça, é magia, é amizade, é fraternidade, quaisquer outras coisas diferentes disso, não é pombagira.

Pombagira é exatamente o que está na imagem do Post, é o estímulo do amor, da união entre casais, é o que traz a graça, é o que traz a sedução para o amado. Muito diferente de meretrício e sexo desenfreado.

Meus mais sinceros votos de Paz e Luz.

Com Amor.

Neófito.

Culto à Umbanda Branca ou Umbanda Pura.

Aranauam, prezados irmãos.

Nesse post tentarei realizar uma síntese do que é essa tal “Umbanda Branca” ou “Umbanda Pura”. Essas denominações são provenientes dos praticantes da Umbanda em geral com o intuito de diversificar alguns tópicos, como ausência de atabaques, de determinadas linhas, entre outras questões que serão retratadas adiante.

Primeiramente, a Umbanda raiz, não existia a utilização de atabaques, existia apenas três linhas de trabalho, das quais eram:

– As crianças ou erês, que simbolizavam a pureza, a alegria, a sutileza de uma das fases de nossa vida, vinham para alegrar o ambiente e realizar trabalhos como cura ou até mesmo aconselhamento;

– Os caboclos que retratavam a jovialidade e a fase adulta, a fase de experiências, de força, de resolução de problemas e do constante aprendizado, representado por índios e outros espíritos que habitavam as matas. Muito evocados para passes, conselhos e limpeza;

– Os preto-velhos, que retratavam a experiência, a maturidade, a sabedoria, composta de espíritos de antigos escravos, anciões de tribos onde trazia grande conhecimento das forças naturais e o emprego das mesmas para os trabalhos de cura e outras mazelas que adquirimos no decorrer de nossas vidas.

Essa é a tríade que compunha a Umbanda em seus primórdios, não se utilizava atabaque, geralmente o nome dos centros eram de santos católicos devido ao forte sincretismo umbandista com os fundamentos cristãos.

A Umbanda branca raramente utilizam de artifícios como fumo ou bebidas para a realização dos trabalhos, não se trabalha com exus, na verdade, o lugar deles é como guardião do centro e não na matéria do médium.

Não existe saias ou quaisquer outros aparatos utilizados pelo médium, como cocar, chapéu, faixa, roupa colorida, roupa de guia, maquiagem, nada disso, a Umbanda Pura é simples, o foco da Umbanda Branca é a prática da caridade através da mediunidade. É um trabalho relativamente silencioso e eficaz.

Em outras palavras, Umbanda Branca é simplicidade de corpo e alma, visa apenas viabilizar a energia espiritual para os necessitados.

Mas quer dizer que a Umbanda de hoje com atabaque, com cocares, com marinheiros, boiadeiros, com chapéu para os guias não é Umbanda?

Sim, ainda é Umbanda, mas por isso ocorre essas vertentes, nesse caso não seria a Umbanda Branca. Não é a Umbanda Raiz ou como alguns ainda denominam, umbanda pura.

A primeira não ocorreu uma miscigenação com outros cultos como omolocô, tambor de mina, até mesmo o candomblé, alguns fundamentos foram convergidos e adaptados para a realidade de hoje. Outros espíritos que não se encaixavam nas vibrações ou até mesmo na forma de trabalho da umbanda tradicional precisava trabalhar, precisava de uma forma para trazer seus encantos, sua magia, seu conhecimento, isso foi fazendo com que novos guias chegassem e que criasse novas linhas de trabalho.

Essas linhas hoje são várias, como boiadeiros, mineiros, baianos, marinheiros, mestres, malandros, linha de zunguim, entre outras diversas linhas que atuam dentro da égide umbandista.

Um exemplo disso, eu percebo muito em alguns dos meus mentores, não trabalham com atabaque, preferem um ambiente mais escuro com luzes coloridas, não utilizam muito fumo e bebidas, mas outros, como meu baiano, marujo ou até mesmo o próprio Chico Preto, preferem trabalhar com música, atabaque, o cachimbo, a cerveja, ou seja, cada qual tem a sua forma de trabalho e não faço nenhuma objeção em ceder essa forma de trabalho a eles.

É o que eu vivo falando, a Umbanda é apenas uma forma de encaixar a forma de trabalho de diversos espíritos dispersos nas mais variadas moradas do Plano Superior.

Eu particularmente prefiro a forma de trabalho do meu caboclo, preto-velho que é mais silencioso, é mais esotérico, mas isso não vai me fazer desprezar a forma que outros mentores meus trabalham, como o batuque, o pito e a bebida.

Existem mil formas de praticar a Umbanda, claramente dentro do conceito de Boas Práticas que eu vivo repetindo aqui, sem sacrifícios, sem vaidade, sem antropomorfismo e sem superstições.

A Umbanda Branca não utilizava desses artifícios e era mais eficaz, existia comunicação mais complexa, maior dedicação dos médiuns e simultaneamente a isso, maior simplicidade. O mentor vinha fazer o seu trabalho e ia embora.

A Umbanda de hoje não está melhor ou pior, a Umbanda é a mesma, o que ocorreu, foi a mudança da cabeça do médium, acabou o respeito, acabou a dedicação e o empenho por parte de muitos, isso foi degradando a “incorporação” e consequentemente a eficácia do trabalho dentro dos terreiros.

Comece você fazendo a diferença, mudando, quer que isso mude? Comece dentro de sua própria casa, fale com o seu sacerdote, dê ideias, sugestões, se ele for humilde, ele as aceitará para que a casa de vocês possa crescer ainda mais e agregar a muitos outros que chegarão.

A Umbanda de hoje é bem diferente da Umbanda Branca, os preceitos e conhecimentos se perderam com o decorrer dos dias, novas falanges foram chegando, novas atitudes ocorrendo, sou da época que vinha um caboclo ou preto-velho contar suas histórias, falar conosco de igual pra igual, como amigos, como irmãos, como mentores, hoje não se vê mais isso, independente se é Umbanda Branca, Preta, Amarela, o elemento principal não mudou, que é você, médium, o poder de fazer a diferença está em suas mãos, independente de como você cultua, de quem você trabalha, independente se você incorpora o próprio Orixá, se você não tiver amor e dedicação ao que faz, nada fará a diferença.

Enfim meus amados, a Umbanda Branca é só uma denominação, uma Forma de Trabalho diferente, a Forma Inicial da Umbanda, já vi muitos médiuns se gabarem por falarem: Eu sou da umbanda branca, não sou da mistura, sou da Umbanda Tradicional. O que eu respeito muito, centros que mantiveram essa tradição, mas isso não significa que a prática é superior ou até melhor, só significa que é diferente. Talvez seja mais objetiva? Efetiva? Por não ter tantos pontos para dispersarem a atenção? Mas continua sendo a Umbanda, a prática do amor e da caridade através do contato mediúnico com seres de outro plano. Simples assim.

Não adianta você ser da Umbanda Branca se é um médium pífio dentro dos trabalhos, não adianta ser da Umbanda Branca se não tem a devida dedicação para com seu corpo espiritual, físico e seus amigos espirituais.

Umbanda Branca é muito bacana, é tradicional.  Mas será que conserva o conhecimento do Senhor Sete Encruzilhadas? Do que foi deixado por Zelio Fernandino de Moraes? Não sabemos.

Mas voltando ao escopo do assunto, a Umbanda Branca é isso, a primeira prática da Umbanda com o seu “fundador”. Visa a simplicidade dos cultos, bem como a efetividade dos trabalhos.

Ela é mais uma Grande Prática dentro do Conjunto Infinito de Receitas Umbandistas. Para ser sincero, em muitas coisas, é o meu culto preferido, mas em outras, já vi a eficácia do cachimbo de certos guias, a alegria causada por alguns pontos no atabaque e também a maravilha que certos mentores causam aos nossos olhos.

Outro fenômeno bacana que eu ando presenciando, é a chegada dos preto-velhos e caboclos em centros kardecistas. Quem sabe não seja uma retomada às raízes? É indiscutível que centros kardecistas pregam demais estudos e conhecimentos, muito diferentes da grande maioria dos terreiros que já colocam o médium de branco no meio da corrente sem saber de nada. Quem sabe dali não sai uma nova safra de médiuns bem capacitados para essa comunicação com os mentores umbandistas?

O tipo de culto Umbandista é questão de opção, acima de tudo, vibração, é o que eu sempre digo, seus próprios mentores o levarão ao local onde se sentem melhores para trabalhar.

Namastê.

Neófito da Luz.

Umbanda – Monolatria, Monoteísmo, Panteísmo ou Politeísmo.

Saudações Fraternais Prezados Irmãos.

Antes de começar a redigir esse tópico, primeiro vou fazer um breve comentário dos  conceitos do título do post:

Monolatria: É a crença em mais de um Deus, porém é escolhido apenas um para se devotar, na mitologia Nordica era muito comum acreditar em Deuses de Asgard, mas geralmente a devoção era realizada para apenas um deles, seja Thor, Odin ou os demais.

Monoteísmo (do grego Mono: Um, Theos: Deus): É a crença da existência de um Único Deus, como as maiores religiões do mundo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

Panteísmo (do grego Pan: Tudo, Theos: Deus): É a crença de Uma Fonte de Energia, seja qualquer denominação como Deus, Universo, Cósmico e que Anima a todas as coisas. Está na Natureza, está nas pessoas. Essa Energia anima todo o Universo e é muito comum encontrar essa forma de pensamento em filosofias orientais como o Budismo, Taoísmo, Confucionismo, entre outros.

Politeísmo (do grego Poli: Muitos, Theos: Deus) : É a crença em Diversos Deuses, cada um atuan do em um Campo, cada um tendo o seu poder particular sobre pontos e circustâncias naturais, como a Justiça, como a Guerra, muito comum em religiões antigas como o Hinduísmo, Xintoísmo e as próprias religiões africanas.

E realmente nas práticas Umbandistas presenciamos essas quatro categorias dentro da prática, ou seja, a Umbanda é uma religião aberta, Universalista, o que por um lado é excepcional, abre as portas para diversos irmãos das mais diferentes crendices, por um outro lado, é péssimo, não existe a Uniformidade de Informações, cada um a compreende e pratica de uma forma diferente, não existe uma Regra e sim especulações onde cada casa trabalha de uma forma. No meu atual ponto de vista, não vejo nada bom nesse aspecto.

A Umbanda como Monolatria.

Algumas liturgias Umbandistas, principalmente as que usam como base o Candomblé acredita nos Orixás como Verdadeiros Deuses, como Ogum o Deus da Guerra, Xangô o Deus da Justiça e dos Trovões, em algumas casas, até mesmo o Deus do Fogo (Nem nisso há uma descrição uniforme sobre o assunto), onde esses Deuses punem, possuem total autonomia para fazer o necessário com os filhos da Terra. Era muito comum acreditar nos Deuses mas escolher um de sua Devoção, seja pela posição social ou pela região que o adepto ocupava. Até hoje se vê muitas casas praticando dessa forma, com isso, veio o termo Filho do Orixá.

A Umbanda Monoteísta

Algumas casas de Umbanda acreditam que os Orixás são vibrações da Natureza, dispersas no Cosmico, outras que são tronos Divinos, qualidades de Deus e outras acreditam que são apenas semi-Deuses, mas que existe apenas Um Único Deus, essa Umbanda tem uma raíz muito mais cristã que africana propriamente dita. Acredita em um Deus Unico e nas Palavras de Cristo.

A Umbanda Panteísta

Há aquela prática que acredita que Deus está em todas as coisas, é uma Umbanda mais mística, a Centelha Divina anima qualquer coisa existente no Universo, Deus, assim como os Orixás que são suas próprias vibrações, estão na cachoeira, nas matas, nas árvores, no ceu, no mar, em qualquer lugar.

A Umbanda Politeísta

Parecida com o conceito da Monolatria, acreditam na existência de vários Deuses chamados Orixás, e para cada situação da qual o filho passa, ele evoca um orixá diferente, seja Xangô em problemas de Justiça, seja Oxum em problemas com o amor, seja Obaluaie com problemas de doença. São Deuses que atuam em diferentes aspectos da Natureza e da Vida Terrestre. Não evocam a um Deus Unico e sim os Deuses em seus campos sagrados, como Ogum para vencer demanda ou quebrar olho gordo.

Existem também algumas casas que mesclam as categorias supracitadas, eu como venho de uma linha mais mistico-esotética, acredito em Vibrações, os Orixás são vibrações Naturais dispersas no Cosmico, quando fala que se é filho do Orixá, eu entendo que eu nasci com aquela Vibração Nativa, no meu caso Xangô, justamente com essa Vibração Nativa eu tenho um Papel determinado para preencher durante minha existência, ser Justo acima de tudo é uma delas, é uma vibração que também atua nos escritores, pesquisadores, advogados, então são as armas que eu tenho para que eu possa ter uma existência tranquila na Terra e sendo assim, prosseguir com a missão que me foi dada.

Não acredito e nunca acreditei em Orixás como Deuses, como seres que viveram na Terra Encantada, como seres que já encarnaram, talvez seus falangeiros possam até ter vivido na Terra em algum dia, mas Orixás são desdobramentos Vibratórios do Divino, mas como é um conceito muito complexo de se absorver logo de cara, talvez pelas alegorias, as lendas, tenham dando essa impressão sobre os Orixás.

A Monolatria acredita muito em Orixás como Deuses, mas escolhemos apenas um deles para Devoção, seja por afinidade, seja por região ou até mesmo porque você é “filho” dele. Já conheci muitos filhos que não negam a existência de outros orixás, mas sua devoção é apenas por Ogum, o Deus da Guerra, o vencedor de Demandas. Eu tiro base pelo meu Blog, o post mais acessado, SEMPRE, é sobre OGUM.

Já vi muitos filhos também louvarem a todos os Orixás, dependendo de qual era sua necessidade, apelava sempre para o Orixá correspondente à sua necessidade, problemas jurídicos, por exemplo, era Xangô que tinha sua devoção, problemas com o conjuge, era sempre Oxum ou até mesmo Obá, e assim por diante.

Já o Monoteísmo é muito comum em algumas casas de Umbanda, quando louvam a Deus e Cristo em suas aberturas, ou até mesmo a Olorun ou Oxalá, para alguns Zambi ou Obatalá. Mas a Umbanda raíz, mencionada por Sete Encruzilhadas era Monoteísta e seguia as palavras de Cristo.

O objetivo desse post era apenas uma pincelada mesmo para que todos pudessem refletir sobre o assunto de como vêem a Umbanda. Muitos hoje, ainda cultuam Orixás como Deuses, passíveis de paixões, o antropomorfismo ainda fala muito alto em muitas casas, principalmente as de nação. Xangô se enfureceu, terá o seu filho um alto preço por causar a fúria do mesmo. Muitos comentários sobre o filho apanhar de Ogum por ter quebrado algum preceito ou contrato. E assim vai, as raízes antropomórficas ainda são muito enfáticas nos dias de hoje.

Minha Concepção eu já mencionei, Orixá não tem paixão, Orixá é uma Vibração Pura, não carrega o ódio, não carrega a vingança, nunca vou “apanhar”de Xangô porque ele ficou bravo comigo.

Só para ilustrar o conceito de Antroporfismo de forma prática, lembrem-se na Mitologia Grega, Zeus Punia os humanos quando erravam na Terra,  Afrodite com seus feitiços, não hesitava em venenar alguém que fugia dos seus propósitos, Artemis puniu um Rei por falar que sua filha seria mais bonita que ela, e assim por diante. É colocar os Deuses com a psiquê humana, o que é muito comum hoje em dia.

Então como disse, foi apenas um post para reflexão, como enxergam os Orixás? Como pais? Como Deuses? Como Vibrações? Muitas pessoas com 10, 15 anos de Umbanda nunca chegaram a pensar sobre o assunto, então é sempre interessante construir os alicerces em cima de fundamentos, qual a sua concepção sobre isso?

Reflita, ouça seus guias, com isso, obterão as respostas que desejam.

Não quis dar uma conclusão ao artigo, apenas um meio de refletirem.

Que a Graça Cosmica estejam com vocês.

Meus sinceros votos de Paz Profunda.

Neófito da Luz.

Oferendas de Orixás – segundo o Candomblé

 


   

Ao preparar as comidas de santo, deve-se observar os tabus de cada um deles. Por exemplo, o azeite de dendê nunca deve ser oferecido a Oxalá, o mel é proibido a Oxóssi, o carneiro não pode sequer entrar em uma casa consagrada a Iansã etc.

Os filhos de santo devem observar todas as quizilas dos seus Orixás e, sendo parte do Orixá, também não podem consumi-las. A ijoyé encarregada de preparar as comidas dos Orixás é a Ìyá Basé, um cargo outorgado apenas a mulheres de grande sabedoria e respeito junto à comunidade. Ela é a mãe que conhece todos os segredos da cozinha e que sabe que o principal ingrediente para uma boa comida de santo, capaz de alcançar as mais altas dádivas, é o amor.

O primeiro Orixá cultuado também é o primeiro a comer, Exu ele come tudo que a nossa boca come, as oferendas dadas ele mais comumente são os padês a base de farinha de mandioca branca, combinada com azeite de dendê ou mel de abelha, água, bebida alcoólica e acaçá vermelho feito com farinha de milho amarelo e enrolado em folha de bananeira. Em algumas ocasiões também são utilizados pimenta, cebola, bife e moedas nas oferendas a este Orixá. Nas oferendas a Ogum são dados inhame assado com azeite de dendê e feijoada. Normalmente a feijoada de Ogum segue exatamente o mesmo modo de preparo das feijoadas tradionais, Ogum gosta de carnes “gordas” de fartura, isso se deve ao fato de que a feijoada é uma comida “comunitária”, que deve por excelencia ser servida a toda a comunidade do terreiro. E em casos muito especiais só o Orixá “come”. Por tanto, talvez, esse não seja o prato mais indicado para um presente individual a Ogum. Lembre-se que Ogum é um Orixá que não gosta de perder tempo com coisas elaboradas, ele prefere as coisas simples, como um inhame acara ou cará, assado com dende e mel, na maioria dos casos isto lhe basta. Em algumas casas a feijoada é feita com feijão “cavalo”, com feijão “fradinho”, mas a grande maioria adota mesmo a boa de deliciosa feijoada de feijão preto, retira-se uma parte para o Orixá e o restante se reparte com os amigos numa boa roda de conversa regada a cerveja (se bem que a cerveja pode não ser aceita em algumas Casas), mas em geral é isso. Na verdade depende muito tambem do Chefe do Terreiro da Personificação do orixá e da adaptação vibracional necessaria.

Oxóssi come axoxó feito com milho vermelho cozido decorado com fatias de coco. Ele também aprecia frutas e feijão fradinho torrado. As comidas devem ser colocadas sob o telhado ou aos pés de uma arvore. A oferenda dada a Obaluaiê é a pipoca. Utilizando areia da praia para estoura-las e enfeitando com fatias de coco.

Oxumare prefere que sejam dados em oferenda a ele, bata doce amassada e modelada em forma de cobra e também farofa de farinha de milho com ovos, camarões e dendê. Ossaim prefere acaçá, feijão, milho vermelho, farofa e fumo de corda. O acarajé de forma arredondada com dendê é a oferenda consagrada a Iansã, mas também é do agrado de Obá. Obá também tem preferência por um bolinho de nome abará que consiste em uma massa de feijão fradinho temperado com dendê enrolado em folha de bananeira e cozido em banho-maria. O omolocum, feijão fradinho cozido com cebola, camarões e azeite de oliva e decorado com ovos cozidos e descascados é de Oxum.

Iemanjá prefere peixe de água salgada, regados ao azeite e assados, milho branco cozido e temperado com camarões, cebola e azeite doce, manjar com leite de coco e acaçá. A Nanã é oferecido efó, mungunzá, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa. O amalá pertence a Xangô. O amalá (pirão de inhame) deve untar o fundo da gamela e sobre ele é colocado o caruru decorado com pedaços de carne, camarões, acarajé e quiabo, doze unidades de cada e enfeitado com um orobô. É válido lembrar que a oferenda deve ser servida quente. Oxalufã só aceita comidas brancas e tem preferência por milho branco cozido e sem tempero. O inhame pilado é oferenda de Oxaguiã. As comidas oferecidas a Orixás Funfun, devem ser sempre colocadas em louças brancas.

Com Odus que são complexos de lidar e o melhor é consultar um Babalaô para saber se há necessidade de fazer alguma coisa. Em determinadas circunstancias os Orixás podem cobrar de alguém a atenção devida a Ele, essa cobrança se dá de diferentes formas, as vezes até severas, como doenças. Porém isso não quer dizer que tudo o que uma pessoa passa de infortúnios na sua vida seja cobrança de Orixá. Muitas vezes esses problemas são fruto do nosso comportamento com o mundo, nos expomos a perigos, nos arriscamos em aventuras, somos demasiados confiantes e não medimos as consequencias dos atos. O resultado quase sempre são perdas.

Fazer oferenda para Orixá não garante sucesso em tudo, a menos que seja um pedido dos orixas, porque não se pode andar fazendo rituais a torto e a direito. Antes que se busque uma Casa séria e competente, não simplesmente dando ouvidos a quem te diz que isso ou aquilo é cobrança e repense a relação que você deseja ter com o seu orixá, não dê nada pensando em retorno financeiro e só faça a oferenda se for para agradecer pela vida, pelos dons e por respeito aos orixas, com certeza sem cobrança eles ajudam a encontrar a superação dos problemas pessoais.

Carlinhos Lima – Astrologo, Tarologo e Pesquisador