Pai Sumé, o espírito guardião do Brasil

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Pai Sumé ou Suman é considerado o protetor da terra do Brasil. Este ensinamento tradicional é conservado por alguns pajés indígenas e caboclos.

No Brasil existem dois tipos básicos de Pajelança (Xamanismo Brasileiro): a Indígena e a Cabocla. A Indígena é a tradicional e milenar arte do pajé e não possui elementos “brancos”. A Cabocla é derivada da anterior e adotou elementos não indígenas das religiões cristãs e africanas. Ambas tradições são um tesouro espiritual para todo o brasileiro.

Para o sábio da floresta a Natureza é viva e tem alma. A Mãe Terra respira, canta e sente dor. Os bichos tem sua inteligência e parte invisível. Tudo tem uma hierarquia e nada fica solto sem nome ou lei. Portanto, cada coisa tem o seu lugar e uma ordem. Montanhas, rios, grutas, florestas e todos os viventes possuem um guardião. Ele é o responsável pela harmonia local e deve responder ao seu superior. Desta maneira, cada elemento da Natureza está entrelaçado com o outro. O guardião da mata fala com o guardião da terra que fala com o guardião do lugar (país, continente, etc.).

Pai Sumé é o responsável pelo que chamamos de Brasil, que não tem a mesma geografia que nós “caras pálidas” criamos através de intrigas, guerras e conquistas. Ele zela por estas terras e criaturas que aqui nascem vivem e morrem. Quando as coisas ficam muito complicadas cá embaixo, Pai Sumé se manifesta em carne e osso para por ordem na casa. Creio que ele já deve estar se preparando para mais uma encarnação!

A tradição conta que muito tempo atrás, quando os brancos não tinham ainda chegado por aqui, Pai Sumé se manifestou, andou, comeu e ensinou entre os nativos.

Neste tempo, dizem os pajés, os indígenas haviam esquecido as tradições mais antigas e viviam segundo seus caprichos. Uns brigavam com os outros e cobiçavam as mulheres de seus parentes. Não conheciam a plantação da mandioca, o segredo das plantas sagradas para falar com os espíritos, a fabricação das canoas e a linguagem das estrelas. Os mais velhos não se lembravam de sua origem e não conseguiam mais contar as histórias de seus ancestrais. A vida estava um caos.

Pai Sumé, chamado também de Tonapa, tomou um corpo de homem muito alvo e apareceu no mundo. Quem morava perto do mar viu Sumé chegando pelas ondas… Ele entrou pela aldeia e começou a ensinar. Ficou um tempo e quando tudo retornou à ordem natural foi embora. Ele fez isso em cada aldeia desta terra e foi visto também nos Andes e na Patagônia. Em cada lugar deixou marcas de sua passagem, como impressões de seus pés, mãos e estranhas inscrições nas pedras dos montes, praias e itapébas (lajes).

Em Santos (SP), muito antigamente, existia uma fonte chamada São Tomé (Sumé foi sincretizado com o apóstolo São Tomé) que ficava no cruzamento das avenidas Bernardino de Campos e Floriano Peixoto de hoje. Na laje da fonte natural se encontrava uma marca do pé de Pai Sumé.

Depois que o sábio Pai restabeleceu a tradição perdida, ele voltou ao Toryba (Paraíso Celestial) de onde continua vigiando.

Certos pajés amazônicos contam que ele escondeu alguns segredos no Norte do país. Pai Sumé teria escrito certos símbolos em pedras e as deixou numa espécie de cova no Acre. As inscrições contêm o destino do Brasil e a verdadeira origem dos primeiros habitantes. Alguns pajés conhecem o caminho da cova e zelam pelo lugar.

Na Pajelança, quando queremos a ajuda de Sumé, cantamos e invocamos seu nome. Também jejuamos e usamos a defumação com certas ervas especiais. Nos tempos de hoje, a intervenção de Pai Sumé é muito importante. Estamos desconectados com a Mãe Terra e com nossas almas. O país está entregue a “demônios estrangeiros” e muitos brasileiros envenenam as águas, matas e lugares onde vivem. Os verdadeiros donos daqui, nossos irmãos indígenas, são dizimados e roubados em nome da modernidade e do lucro.

Uma das maneiras de pedir a ajuda dele é através do Reiki Sumé, que nasceu sob a bandeira de sua herança e dentro da Umbanda. Quando nos colocamos como veículos da energia universal, Pai Sumé nos ajuda a curar e autocurar.

Autor: Edmundo Pellizari
Link: http://casadelei.org.br/pai-sume-o-espirito-guardiao-brasil/

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SIMPLES CHARUTO DE CABOCLO

Ligia segurava o charuto do caboclo que estava a cambonar enquanto a entidade em questão participava dos trabalhos em uma roda de descarrego.
Terminada a tarefa o caboclo dirigiu-se em direção a sua cambone e pediu o charuto de volta agradecendo-a por haver segurado o seu instrumento de trabalho, mas Ligia, não se contendo de sadia curiosidade, perguntou a entidade:
— Senhor caboclo?
— Pois não fia?
— O senhor poderia esclarecer-me uma dúvida?
— Pode fazer pergunta fia!
— O que eu gostaria de saber é o seguinte: por que o senhor sempre me agradece a cada vez que eu entrego o charuto que estou segurando de volta para as suas mãos?
— Suncê quer saber fia?
— Se for possível, gostaria sim.
— Fia, antes de caboclo responder, observe a atuação da nossa linha de trabalho nesta próxima roda de descarrego, sim?
— Sim senhor!
Após trabalhar com todas as pessoas que estavam naquela roda de descarrego a entidade estendeu sua destra a fim de que sua cambone segurasse o seu charuto enquanto ele e as demais entidades que participavam dos trabalhos na roda pudessem finalizar o trabalho.
Ao término daquela roda de descarga a entidade, então, tornou junto à Ligia dizendo:
— Entrega o pito de volta para Caboclo fia!
Ligia devolveu o charuto à entidade que, então, disse-lhe:
— Este caboclo agradece por toda sua atenção.
Ligia sorriu meio que ainda sem entender o porquê daquele agradecimento e o caboclo perguntou a ela:
— E então fia? O que suncê observou do nosso trabalho junto à roda de descarrego?
— Bem, eu observei algumas coisas, mas fica difícil de dizer algo, no aspecto geral, sobre o trabalho dos caboclos em uma roda de descarrego por que cada um trabalha de um jeito diferente em cada assistência.
— Isto até que é verdade, mas o que suncê observou de semelhante no trabalho de qualquer mano caboclo lá na roda?
— A fumaça do charuto! Nenhum dos senhores trabalha sem ela!
— Muito bem observado fia!
A entidade soltava umas baforadas do seu charuto enquanto fitava o semblante de Ligia e, após alguns instantes, perguntou a ela:
— Suncê ainda não entendeu porque que caboclo lhe agradece por segurar o pito dele, não é?
— Não senhor!
— Fia suncê tem o dom para isso e é por esse motivo que caboclo vai dilatar um pouco de sua percepção sensorial.
— Sim senhor!
A entidade estalava os dedos e soltavas algumas baforadas do seu charuto por toda a cabeça de Ligia. O processo durou poucos segundos e quando terminou a entidade solicitou a Ligia que abrisse os olhos.
— Nossa senhor caboclo!
— O que foi fia?
— É que eu fiquei com um pouco de tontura.
— Não se preocupe que já, já ela passa.
— Sim senhor, na verdade ela já está passando.
— Fia este caboclo vai participar de outra roda de descarrego e pede a suncê que continue a observar pra ver se descobre o porquê do nosso agradecimento, sim?
— Sim senhor.
Quando o caboclo terminou de realizar o seu trabalho com o charuto naquela roda ele, então, estendeu o braço para Ligia que, prontamente, segurou o charuto em suas mãos.
Minutos depois de terminada mais uma roda de descarrego a entidade pediu a Ligia:
— Entrega de volta o pito pra Caboclo fia!
Ligia assim o fez e ele novamente agradeceu-a para depois perguntar:
— E agora fia? O que suncê observou do nosso trabalho na roda?
— Nossa senhor caboclo! Parecia que eu estava ficando louca!
— Por que isso fia?
— Parecia que a fumaça do charuto dos senhores funcionava perispiritualmente para os assistidos na roda como se fosse uma espécie de chuveiro que tira todas as sujeiras do corpo físico.
A entidade sorriu com a comparação de Lígia e ela prosseguiu:
— É sério Sr. Caboclo! Quando a roda de descarrego terminou alguma coisa nelas parecia que estava muito mais limpo do que antes: algumas pessoas respiravam melhor, outras estavam como se tivessem retirado um peso do coração, enfim foi muito bonito de se ver.
— Fia antes de ir para a próxima roda de descarrego este caboclo pede que suncê segure o pito dele.
E, estendendo-lhe a destra, o caboclo entregou o charuto a sua cambone solicitando:
— Fia, agora feche os seus olhos e faça uma prece ao Criador pedindo bênçãos por todos aqueles que ainda passarão pelas rodas de descarga na gira de hoje!
— Sim senhor!
Ligia fez a prece com todo o fervor de sua mente e do seu coração e, então, abriu os olhos.
A entidade, assim, disse-lhe:
— Fia este caboclo agradece por suncê ter segurado o pito dele mais uma vez e pede que suncê observe o trabalho de nós em mais uma roda de descarga para ver se agora descobre o porquê dele agradecer a suncê por segurar o pito, tudo bem?
— Sim senhor!
Quando o caboclo terminou de realizar o seu trabalho com o charuto naquela roda ele, então, estendeu o braço e Ligia, prontamente, segurou em suas mãos o charuto da entidade.
O trabalho naquela roda foi finalizado e quando a entidade aproximou-se de Lígia esta estendeu-lhe as mãos na intenção de devolver o charuto para o caboclo, mas este lhe disse:
— Deixe o pito por mais um tempo em suas mãos que na hora certa este caboclo pede de volta a suncê, sim fia?
— Sim senhor!
— Este caboclo agradece por toda sua dedicação fia e pergunta: o que suncê observou nos trabalhos da última roda que caboclo acabou de participar?
— Senhor caboclo eu realmente observei algumas coisas, mas eu peço ao senhor que, se eu houver visto demais, que o senhor fale francamente comigo como sempre o fez.
— Nossa fia Ligia! Mas por que todo este alvoroço?
— Por que se na penúltima roda que o senhor participou eu percebi que a fumaça dos charutos funciona como a água de um chuveiro, nesta última roda parece que eu vi o que funciona como uma espécie de sabão ou sabonete.
A entidade deu um discreto sorriso para sua cambone e esta tornou a dizer-lhe:
— E então Senhor caboclo? Eu vi coisa onde não existia?
— De forma alguma fia! Suncê só viu o que havia para ver!
— Nossa, mas o senhor fala isto de uma maneira tão calma!
— E qual é o espanto nisto fia?
— Por que o desconhecido assusta um pouco e eu não sei nem um pouco do que eu vi.
— Fia, mas é como suncê mesma disse antes: o que tem de assustador em se tomar uma boa ducha?
— Ducha?
— É fia ou, como suncês encarnados mesmo dizem uma boa chuveirada!
— ?????
— Fia conte pra este caboclo o que foi que suncê viu!
— Bem, enquanto o senhor dava umas baforadas em uma pessoa da roda de descarrego milhares de minúsculos seres ficavam a rodear esta assistência em questão sempre na direção da cabeça para os pés. Estas espécies de seres giravam numa velocidade absurdamente alta e direcionada como se estivessem sendo controlados por alguém a distância. Eles apareciam e sumiam como que por encanto quando o senhor terminava o trabalho em uma pessoa participante da roda de descarga e passava para outra. Bom, foi isto que eu vi.
— A fia só está se esquecendo de um detalhe fundamental em tudo que observou da participação deste caboclo na última roda de descarrego!
— Verdade?
— Fia, fale uma coisa pra este caboclo!
— Sim senhor!
— Segundo a sua observação, participar desta última roda de descarrego foi mais fácil ou mais difícil do que a penúltima em que este caboclo participou?
— Ah, é verdade! Bom quem estava na dinâmica do trabalho lá na roda é o senhor, mas para mim que observava dava a nítida impressão que o senhor conseguia realizar o trabalho com muito mais facilidade, tendo em vista que na penúltima roda parecia que o senhor se concentrava muito mais para poder fazer o seu trabalho do que nesta última.
— Não foi impressão sua fia: para este caboclo, trabalhar nesta ultima roda, foi muito mais fácil que na penúltima e você fia teve uma grande parcela de responsabilidade para que caboclo obtivesse esta facilidade.
— Eu?
— Claro fia, não é suncê que é a cambone deste caboclo?
— Sou eu sim senhor, mas não sei dizer qual foi minha contribuição!
— Pense um pouco minha filha! Qual foi a grande diferença entre a penúltima e a última vez que suncê entregou o pito para este caboclo antes dele participar das rodas?
— Na ultima vez, diferentemente da penúltima, eu fiz uma prece ao Criador pedindo bênçãos para todas as assistências que participariam das rodas. Foi isto senhor caboclo? A prece que fiz a Deus?
— Fia toda prece a Tupã é sempre muito válida em nosso trabalho de fazer a caridade, mas suncê pode relembrar para este caboclo o que suncê possuía em mãos quando proferiu a referida prece?
— Meu Deus é verdade! Em minhas mãos estava o charuto do senhor!
— Exatamente fia! E então, suncê descobriu por que caboclo agradece suncê a cada vez que pede o pito dele?
— O senhor me desculpe, mas é que eu ainda não consegui chegar lá!
— Então este caboclo não vai mais fazer mistério fia: Caboclo agradece a suncê por que a cada vez que sunce entrega o pito de volta pra ele, acaba entregando junto boa parte de sua firmeza, de sua vibração, de sua energia.
— Eu???
— Não só suncê, mas cada cambone que trabalha junto a cada mano caboclo que milita em cada terreiro de Umbanda neste mundo de Tupã Nosso Pai.
— Isto é surpreendente!
— Antes da última roda que caboclo participou suncê fez prece sentida a Tupã e entregou o pito pra caboclo trabalhar cheio destas sutilíssimas e importantíssimas vibrações do desejo de caridade ao próximo.
— Sim, mas eu devo ser sincera e dizer que só fiz isto da última vez.
— Este caboclo sabe.
— Mas se das outras vezes que eu segurava o charuto do senhor eu não fazia prece alguma por que o senhor, mesmo assim, me agradecia?
— Independente de suncê fazer preces ou não, a cada vez que suncê entrega o pito para caboclo, suncê passa muito de sua energia para ele.
— Mas e se eu não estiver com energia boa no dia da gira? Eu vou acabar passando o pito para o senhor impregnado com minhas energias não muito positivas, mesmo assim o senhor me agradeceria?
— Já houve alguma gira que suncê entregou o pito pra Caboclo e ele não lhe agradeceu?
— Não senhor!
— Mas já houve giras em que suncê veio trabalhar com uma energia não muito boa, não é verdade?
— Isto é verdade, mas então por que o senhor sempre agradece?
— Fia, na verdade, o que caboclo agradece é a oportunidade de trabalho no bem que suncês dá pra nós. Umbanda é parceria fia!
— Desculpe, mas como é?
— Parceria fia: estar juntos por um objetivo em comum. Quando suncês cambones estão bem, então suncês fazem preces ou não as fazem, mas entregam o pito para nós com as energias boas que suncês estão naquele dia para nós trabalhar em favor do próximo, não é assim?
— É sim senhor!
— Já quando é suncês que não estão bem, daí somos nós que fazemos preces ao Criador, enquanto seguramos o nosso pito, rogando que suncês possam encontrar melhoras para as dificuldades de suncês e ajudar nós a trabalhar em nome da caridade cada vez mais e melhor e daí, somente após esta prece fervorosa, é que nós entregamos o pito de volta pra suncês segurar a fim de que, captando um pouco de nossa energia que deixamos no pito, suncês consigam encontrar um pouco de lenitivo que o merecimento de suncês lhes facultar.
— Meu Deus, mas isto é lindo!
Assim exclamou Ligia com a voz embargada de emoção pungente e sincera.
— Isto é Umbanda fia e Umbanda, como caboclo disse, é parceria: quando suncê não está bem e entrega o pito impregnado de energias não muito positivas para caboclo, ele então, quando pega este pito das suas mãos, agradece a suncê pela oportunidade que suncê está dando a ele de trabalhar junto a Tupã objetivando a sua melhora energética, vibracional.
— Nossa pelo que o senhor me diz a Umbanda é parceria mesmo, hein?
— Com certeza fia e é por isso que cada vez que um mano caboclo pede o pito de volta para seus cambone ele só tem a agradecer a este.
— Mas o ideal, quando o cambone não está bem, é fazer sempre preces, pedir auxílio a alguma entidade e ficar vigilante para sua vibração não cair e, assim, dificultar o trabalho das entidades, não é assim?
— Certamente não é fia!?! Mas este caboclo sabe que a filha põe em prática aqui no terreiro muito do que acabou de perguntar pra caboclo, não é verdade?
— Infelizmente não é sempre, mas graças a Deus acaba sendo a maioria das vezes, mas…
A voz de Lígia mal conseguia sair dos seus lábios tamanha era a emoção de estar aprendendo coisas tão básicas e importantes para o bom andamento de uma gira, mas de uma forma simples e prática. Mesmo percebendo a dificuldade de Lígia em falar, devido à emotividade, o caboclo incentivou-a dizendo:
— Pode falar fia.
E, fazendo um esforço grandioso para não embargar a sua voz com uma honesta emoção, foi que Lígia disse:
— Sabe o que eu acho mais lindo na Umbanda em relação a tudo isto que o senhor acabou de revelar para mim?
— A voz de suncê está embargada não é fia? Embargada de singela emoção por contemplar a prova do que disse Jesus sobre a simplicidade da misericórdia e benevolência das coisas de Deus materializada na religião de Umbanda pela presença de um simples charuto de caboclo, não é verdade fia?
As lágrimas de agradecimento por estar tendo aquela preciosa conversa com o caboclo deslizavam aos borbotões pela face de Ligia e esta emoção tão bonita e sincera a impedia de proferir qualquer resposta em relação à indagação feita pela entidade e ela, assim, só pôde respondê-lo positivamente acenando com a cabeça.
O caboclo então continuou a conversa dizendo:
— Caboclo agradece a Tupã pela parceria entre suncê e este caboclo e respeita cada lágrima de gratidão ao Criador que está deslizando pelo seu rosto, mas deve solicitar licença por um breve instante neste seu processo de agradecimento para pedir a suncê que devolva o pito deste caboclo para que ele possa participar de mais uma roda de descarrego em nome da caridade ao próximo.
As lágrimas continuavam a escorrer pelo rosto de Ligia e ela, assim, só pôde estender as mãos para devolver o charuto sem nada conseguir dizer a entidade.
A entidade pegou o charuto nas mãos, deu as costas para Ligia, andou um passo a frente e ficou parado de costas para sua cambone.
Talvez fosse para substituir um pouco daquelas lágrimas de alegria por um sorriso singelo feito da mesma emoção, talvez não, o fato foi que o caboclo novamente virou-se de frente para Ligia e disse:
— Pensou que caboclo houvesse se esquecido desta vez não é fia Ligia? Mas este caboclo não esquece nunca de agradecer a suncê por haver segurado por mais uma vez o pito dele. Que Tupã abençoe em dobro toda a atenção que suncê dispensa a este caboclo nesta nossa parceria e que seja abençoada também a parceria que Tupã tem com todos nós através da nossa sagrada e amada religião de Umbanda.
Ao que Lígia, já um tanto refeita em suas emoções, respondeu:
— Que assim seja!!!!!

Autor Anônimo

Indeléveis Palavras de Sete Encruzilhadas

Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre poderoso ou humilde, todos tornam-se iguais na morte, mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar estas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar estes humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra , também trazem importantes mensagens do além? Porque o não aos caboclos e pretos-velhos? Acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus?

 

História da Umbanda

Pesquisa Realizada por Lucilia Guimarães e Eder Longas Garcia

Escrever sobre Umbanda sem citarmos Zélio Fernandino de Moraes é praticamente impossível. Ele, assim como Allan Kardec, foram os intermediários escolhidos pelos espíritos para divulgar a religião aos homens. Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo – Rio de Janeiro. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato curioso: começou a falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região, parecendo um senhor com bastante idade.

A princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, Diretor do Hospício de Vargem. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então, também um padre da família que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.

Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do seu leito e declarou: “Amanhã estarei curado”. No dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio.

Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. O Pai de Zélio de Moraes, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não freqüentar nenhum centro espírita , já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura espírita . No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e  convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho.

Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:

” Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?”

Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:

” Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?”

Ele responde:

Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”

O vidente ainda pergunta:

” Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?”

Novamente ele responde;

Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei.”

Depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi o Padre Gabriel Malagrida.

No dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 · Neves · São Gonçalo · RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita , parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto:

Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo”.

Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda. O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras:

Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai”.

Ainda respondeu perguntas de sacerdotes que ali se encontravam em latim e alemão. Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que havia neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: “- Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá”. Após insistência dos presentes fala:

Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo”.

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

Minha caximba, nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque buscá”.

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de”Guia de Pai Antonio”.

No outro dia formou-se verdadeira romaria em frente a casa da família Moraes. Cegos, paralíticos e médiuns que eram dado como loucos foram curados. A partir destes fatos fundou-se a Corrente Astral de Umbanda. Após algum tempo manifestou-se um espírito com o nome de Orixá Malé, este responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia, espírito que, quando em demanda era agitado e sábio destruindo as energias maléficas dos que lhe procuravam.

Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas as seguintes:

  • Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia
  • Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição
  • Tenda Espírita Santa Bárbara
  • Tenda Espírita São Pedro
  • Tenda Espírita Oxalá
  • Tenda Espírita São Jorge
  • Tenda Espírita São Jerônimo

As sete linhas que foram ditadas para a formação da Umbanda são: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxossi e Exu. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das acima mencionadas. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.

Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.

Após 55 anos de atividade, entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.

Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antonio no distrito de Boca do Mato, Cachoeira do Macacú·RJ. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos, no dia 03 de outubro de 1975.

Dia 16 de setembro de 2010, faleceu Dona Zilméia de Moraes, a única dos quatro filhos de Zélio de Moraes, fundador da Umbanda, que ainda estava encarnada. Fica mais órfã a Umbanda a partir de agora. Deixamos aqui nossa homenagem a essa querida e doce mãe de santo. Saravá!

 

Concentrar para Incorporar

Saudações irmãos de fé.

Otimizando os mecanismos de busca do WordPress, o título desse POST é um dos mais buscados nesse blog e vou tentar esmiuçar um pouco sobre isso.

Não existe formas corretas, existe aquela que melhor se adapta a cada médium, a espiritualidade é vasta e impregnada de sabedoria, logo, não existe uma regra oficial mediante tantos assuntos presentes no Astral.

Eu costumo dizer que para uma concentração eficiente, ela deve começar fora do terreiro, sim, ser médium não é só trabalhar durante o final de semana, durante míseras horas em um dia na semana, ser médium conforme já explanei algumas vezes, é propagar e perpetuar o ensino daqueles que lhe acompanham e principalmente, os ensinamentos dos mestres cósmicos e isso é a todo momento, é praticar a bondade e a compreensão da hora que você acorda até a hora que você dorme. A prática mediúnica é no cotidiano e isso é uma inegável verdade.

A sua conduta diz quem você é, obviamente, claro que toda generalização é errônea bem como todo julgamento também, mas vocês devem se julgar, é bíblico: “Orai e Vigiai”. Não adianta pedir, receber e não vigiar seus atos, o seu estado de vigília deve ser amplo e eficiente.

Sabendo que sua conduta de vida está OK, não guarda mazelas, rancores e outros sentimentos que corrompem o seu espírito, é o momento de adentrar no terreiro e praticar aquilo que viemos para fazer, o bem e a caridade, não importando a quem, e para isso, temos que fazer com que nossa incorporação, seja consistente, seja firme, para que possamos ser ferramentas do Astral para operar as graças tão almejadas nos terreiros.

Como já mencionei anteriormente, não existe uma receita de bolo, existe boas práticas, por exemplo, se for incorporar um caboclo, eu sempre penso nas matas, nos animais, na flora e fauna existente, tento imaginar o cheiro, o barulho dos pássaros, a paz de espírito que eu sinto quando estou dentro de uma mata virgem, e posteriormente a isso, me imagino no meio da mata, recebendo uma luz enorme proveniente dos céus tomando conta do meu chacra coronário e fluindo para os demais chacras.

Se for para pensar em um boiadeiro, o cenário muda um pouco, mas o princípio é o mesmo, em uma fazenda enorme, cheio de pastos verdejantes, com uma boiada extensa, para os baianos, a mesma coisa, procuro imaginar a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, e assim vai. Ouso a dizer que na Aruanda existem cenários parecidos onde muitos deles atuam, existem diversas egrégora no Astral e muitas delas permanecem tradicionais aos locais que os espíritos viveram em terra, “No Reino de meu Pai há diversas moradas”, já dizia um dos Grandes Mestres que encarnou na Terra.

Concentrar é tentar limpar a mente, esvaziá-las dos problemas que estamos vivendo, existem mais informações aqui e aqui para que possam auxiliá-los nesse mecanismo, a fé nos seus mentores é primordial, e não menos importante, a fé em vocês mesmos, vocês são capazes de operar milagres, sejam incorporados ou não, os mentores usam seus fluídos, sua matéria para magia, não é surpreendente que também sejam capazes de fazer.

Saibam que estão ali para cumprir um trabalho Cósmico, e nada naquele momento é mais importante que isso, esquecer seus problemas já é um grande passo, ter fé em você, um outro grande passo e deixar com que seu corpo seja controlado por você e por eles é o passo final para isso.

O texto não pode ser muito extenso porque deixei dos links para complementar a leitura de todos vocês.

Na verdade, foi apenas um gancho para chegarem a esse texto e depois lerem os outros dois.

Muita Paz e Luz

Neófito.

Doutrinando Guias e Orixás???

Saudações fraternais amados irmãos…

Muito se ouve o termo de doutrinar os seus orixás e mentores nos trabalhos mediúnicos. Mas que raios de autoridade nós temos para ensinar espíritos supostamente de luz que suspostamente viriam em nosso auxílio e dos quais necessitam de nossa doutrina??? Pra mim é no mínimo um paradoxo, eu chamo um professor de matemática porque tenho dificuldade em uma matéria mas eu tenho que ensiná-lo como agir com essa matéria. Paradoxal, não?

Isso ocorre muito na nação, o médium que se diz inconsciente, tem que vir o Iaô ou até mesmo o Babá ensinar a dança para o Orixá, e incrivelmente cada barracão de nação tem a sua forma peculiar de dança, mesmo seguindo os preceitos da tradição, mas cada casa coloca o seu “plus” no pé de dança do Orixá. É o Orixá que precisa desse ensinamento ou o médium? É o guia que precisa aprender a se comportar ou é a grande parcela do médium durante o fator mediúnico?

Muitas casas, quando o mentor chega pela primeira vez, o filho mais velho o ensina a saudar a casa, como faz as devidas saudações à assistência, ao atabaque, à entrada da corrente, entre outros fatores. Como saudar cada irmão da casa, será mesmo que o guia que precisa de tudo isso ou é a nossa mente inferior que cuida desse fator?

Todos nós sabemos que no começo somos totalmente conscientes, e apesar de muita gente da nação negar, pelas “curas” realizadas no roncó, pelo ejé (sangue) derramado na coroa auxilia na incorporação inconsciente, digo com total e absoluta certeza: Balela. É muito fácil falar que tá inconsciente sendo que o espírito que está supostamente incorporado não fala…

Sempre repito no blog, que a comunicação se dá com a firmeza do médium e o esclarecimento do guia, com o seu conhecimento, cada dia que passa, essa afirmação fica ainda mais evidente quando se presencia novos médiuns adentrando nas casas e repetindo o que os mentores mais velhos da casa fazem, isso gera um processo anímico intensivo e se não se atentar, acabamos virando fantoches de nosso próprio subconsciente, em suma, eu prefiro e muito que vocês firmem a cabeça a repetir o que os mais velhos e os guias mais antigos fazem no centro, é interessante ressaltar que serve como referência e não como BASE PRINCIPAL DE APRENDIZADO.

Isso devido a dois principais motivos:

  1. Você não sabe se ali, onde você se espelha, existe realmente tem uma entidade ou o médium em um processo anímico, o que significa que muitas vezes o guia atuando é na verdade o processo anímico do médium em piloto automático;
  2. Não necessariamente os seus mentores trabalharão de forma similar aos mentores mais antigos da casa, como sempre repito no blog, cada um tem a sua corrente mediúnica, o seu grau evolutivo, bem como o grau evolutivo dos mentores que te acompanham, a bagagem de aprendizado entre outros fatores.

Vale salientar que estou falando de ANIMISMO e não MISTIFICAÇÃO, existe um post no blog que relata essa diferença aqui. Muito observo nas casas, um caboclo pulando com uma perna só e quase todos os guias da corrente fazendo a mesma coisa, o estalar dos dedos durante o passe, a postura de mãos e braços, muitas vezes é perceptível cópias na casa. No começo é normal copiarmos, isso é um processo inerente a todo médium, mas ao passo que a mediunidade vai se desenvolvendo, é necessário dar o espaço necessário ao trabalho do mentor que está servindo durante a comunicação, nem todo marinheiro vem cambaleando, nem todo boiadeiro vem laçando e nem todo exú vem corcunda, isso é importante enfatizar a todo momento.

Também existe um processo de adaptação do mentor que você trabalha no chão que ele pisa, isso em virtude do respeito ao chão que ele está pisando e aos mentores que dirigem a casa, então ele pode adaptar algumas formas de trabalho para que fique dentro do processo da casa, aí pode entrar o fator do guia mais antigo da casa querer “doutrinar” o seu guia para trabalhar dentro da casa, e esse “doutrinar” é muito mais na cabeça do médium ao mentor que está ali irradiando, mesmo porque sabemos que no começo da mediunidade, é muito mais o médium que o mentor.

Existia um médium na casa logo quando comecei que trabalhava muito bem, os guias chegavam bonitos e isso é algo legal para se usar como referência, até o caboclo dele chegar e arrancar a camisa, ali eu já comecei a me questionar de todas as formas possíveis, toda vez que vinha, o caboclo rasgava a camisa, até eu refletir e perceber que ali não era entidade e sim a vaidade de um médium, mas mesmo assim, custou acreditar nessa possibilidade, já que ali era um médium que eu respeitava demais e achava linda as entidades dele, ou seja, toda aquela minha admiração nem era totalmente pelas entidades, muitas vezes talvez era a própria vaidade dele que me encheu os olhos, porém, não alimentou o meu coração e nem tampouco a minha sede de conhecimento.

Não há doutrina mais eficiente entre você e seus mentores do que a conversa, o conhecimento de ambos, o respeito de limites, se um médium tem um caboclo que pula de joelho e o mesmo tem problemas na mesma região, obviamente um guia de luz não vai pular para arrebentar o joelho do médium, e se assim o fizer, indubitavelmente levará a dor (Isso falando normalmente), há casos em que a entidade deixa a dor por alguma lição a ser apresentada ao médium.

É o que eu sempre digo aqui no blog, vejo muitas pessoas temerem as entidades, medo de sofrer represálias, nem brinca com a entidade com temor, vejam seus mentores como companheiros de jornada, como amigos espirituais e muitos dos quais já são seus amigos muito antes de você nascer, são verdadeiros irmãos e amparadores e não Deuses da Cólera que vem para punirem, afastem esse pensamento, tem que ocorrer o respeito, mas também a conversa mútua, o carinho e dedicação e isso se dá com velas, com orações, com pedidos e durante a incorporação, com conversa…

Seus guias não precisam de doutrina, eles já vêm doutrinados, quem precisa de doutrina é você, claro, salva raras exceções porque também existem mentores em início de carreira, mas para ser um mentor de luz, ele já passou por todo processo de aprendizado nas escolas espirituais, não chegará “cru” fazendo um monte de besteiras como muito dirigente acha que acontece.

Aprendam vocês o fundamento da casa, como funciona, exija do seu sacerdote os procedimentos e como funciona a cartilha da casa, você se sentirá mais seguro para incorporar e a comunicação será melhor, justamente porque você já sabe o que acontece, como acontece e porquê acontece, e lembrem-se sempre, “incorporação” é muito mais doação do médium, com isso, sejam um recipiente limpo para o seu mentor para que ele possa realizar um trabalho bem feito.

Apenas isso.

Abraços fraternos,

Neófito.

Saravá Sr. Pena Verde

Saudações Amados Irmãos,

A versão 2.0 do Neófito é que promessa é dívida, então a permissão foi dada e a missão será cumprida.

É extremamente importante ressaltar que todo espírito tem sua consciência única, mesmo se apresentando sob o nome de Pena Verde, significa que ele faz parte dessa falange, e não necessariamente foi um Pena Verde durante sua existência, mesmo porque, Pena Verde é um nome magístico que será elucidado posteriormente.

Seguindo a nomenclatura dos caboclos, Pena Verde (Pena = Elemento de Oxóssi, a Pena é simbolizada como ensinamento, é a simbologia dos antigos escribas, os portadores do conhecimento da escrita e do conhecimento. A Cor Verde, é também do Orixá Oxóssi), isso significa que esse caboclo atua na vibração pura e original de Oxóssi.

Em minha linha, além de ser um caboclo extremamente amigo e exímio conselheiro, é sempre evocado para trabalhos de cura, onde a presença do Sr. Marabô não se faz conveniente, como em trabalhos com caboclos ou até mesmo em atendimento domiciliar.

Importante ressaltar que nem todo guia que traz o nome de Pena Verde, é cacique, existe o Pena-Verde flecheiro, existe o Pena-Verde curandeiro, existe o Pena-Verde guerreiro, é mais uma informação imprescindível para o médium umbandista e desavisado.

O Pena Verde do qual eu sirvo, foi um comanche, os comanches viviam em bandos e existiam três tipos, o do Pena Verde do qual eu sirvo chamava-se yamparikas (Eu ouvi erroneamente “ioporuka” e fui buscar na internet) habitou durante o século XVI nas terras norte-americanas, se apresentou para mim com calça de tecido, mocassins, vários adornos nos braços, ora apareceu sem o cocar, ora com o cocar, olhos verdes penetrantes, cor queimada de sol, importante ressaltar que a cor dos olhos não necessita obrigatoriamente que o espírito tenha tido olhos claros em vida, também não significa que foi sua última forma física.

Se apresenta por volta dos cinquenta, cinquenta e cinco anos, com uma postura ereta, forte, imponente.

A cultura indígena norte-americana era bem diferente, não existia a vaidade, viviam em paz, para abater um búfalo ou qualquer outro animal para alimentação de sua tribo, era necessária uma oração, um agradecimento ao Grande Espírito e um pedido de Perdão ao mesmo, e era solicitado que o animal fosse abençoado para sanar a fome de sua tribo, mocassins eram apenas para uso próprio, sem a vaidade de cada um possuir cinco pares, com isso, não era necessário abater mais animais que o necessário, pois os mesmos também possuía uma centelha da Grande Mãe Terra. Esse tipo de procedimento de oração antes do abate do animal é muito semelhante aos procedimentos dos judeus para comida Kasher (É necessário um ritual pelo rabino antes do consumo da carne).

Eram extremamente holísticos, tudo estava ligado ao Grande Espírito, a Mãe Natureza era sabedora de tudo e a Terra era sagrada, onde era provedora de outras fontes de alimentos, remédios, unguentos e outros elementos necessários para a manutenção da saúde da tribo. O conhecimento filosófico dos índios norte-americanos era essencial para a Paz, para a Diplomacia, e também para a Guerra. Eram raras as guerras entre as tribos, as guerras só começaram a serem mais frequentes após a chegada do homem branco às terras dos índios, Pena Verde me disse que não existiam cavalos nas terras de sua tribo, que isso também foi trazido pelo homem branco durante o período de ocupação. O mesmo estava no final de sua vida quando o homem branco chegou em suas terras.

Sr. Pena Verde era um profundo conhecedor dos segredos das ervas, ensinamentos obrigatórios para os pequenos índios de sua tribo, onde o mesmo foi um aprendiz genial do xamã da época. Não é à toa que o mesmo veio fazer parte dessa falange, é um excelente espírito voltado para a cura, um filósofo natural e um grande amigo, sempre presente, austero, porém paciente e sábio. Diferentemente do Sr. Chico Preto que está sempre rindo, sempre abraçando, Sr. Pena Verde é sério, sisudo, traz a sua palavra, seus ensinamentos, com amor, porém com a seriedade de um guerreiro, um coração gigante inversamente proporcional ao tamanho do seu sorriso. [risos].

É uma falange trabalhadora, exímios curandeiros, atuam normalmente em médiuns com vibração de cura, é um caboclo que costuma trazer muito conhecimento, muita parábola, independente da classe que o mesmo está adequado, seja um guerreiro, trará ensinamentos e parábolas da luta, seja um curandeiro que trará o conhecimento e poder das ervas e os outros segredos naturais dispersos na Mãe Natureza, seja um Cacique, que trará o conhecimento patriarcal de uma tribo, independente de qual seja o seu tipo de Pena Verde, saiba que você serve e possui em sua corrente, um espírito de profundo conhecimento e trazendo puramente a vibração do Orixá Oxóssi, que é o Orixá do Conhecimento, da Cura, das Ervas.

O Segredo da Plantação, da germinação faz parte do conhecimento dessa maravilhosa falange.

O Pena Verde que faz parte da minha corrente, costuma gesticular muito ao alto, canta sussurrando, e faz vários gestos como se estivesse distribuindo algum pó mágico sobre o consulente, usa muita água em seus trabalhos e dispensa trabalhos que demandam magia de abertura de caminhos, o Pena qual sirvo é somente um conselheiro e curandeiro, qualquer outro tipo de trabalho, geralmente é designado ao outro caboclo que sirvo, Sr. Sol.

Não postarei aqui oferendas, mesmo porque o meu nunca me solicitou e esse post é apenas para agregar conhecimento aos médiuns que almejam saber um pouco mais da cultura dos caboclos, não sei se essa foi a última encarnação do mesmo, mas sei que sua forma física é um pouco diferente da qual ele possuía ao desencarnar. A forma que ele se apresentou comigo, como paramentos, calças e mocassins, não é uma regra, alguns usam saiote de penas mesmo, outros utilizam um tipo de camiseta, o que eu sirvo, apareceu sem camisa, medindo quase 2m, era um pouco maior que a porta da sala [risos]. Outra observação que ele me passou, é que nem todo Pena Verde só TEM PENA VERDE, como é ilustrado em algumas imagens em casas de Umbanda, existe um irmão dele que usa uma pena verde a cada 3 brancas e também se apresenta como Pena Verde.

Bem, não tive muito tempo para organizar as ideias, e sinto que farei mais posts como esse, mais específico de certas falanges, lembrando que a história desse Pena Verde não retrata necessariamente a história de todos.

E Nem Existiu encarnado um “Pena Verde”, isso é o nome da falange batizada de forma mágica e holística pelos Mestres Cósmicos.

Muita Paz e Luz a todos os irmãos de Senda

Neófito da Luz