Liturgia da Linha de Exús

Saudações irmãos.

Ainda continuando com a minha experiência no último terreiro que eu visitei, do qual me relembrei de vários tópicos, um deles é a forma que é composta o ritual dos exús.

A primeira delas, é cantar para exú de costa pro altar, algo que já mencionei no blog, respeito as casas que ainda praticam esse culto, porém, discordo veementemente pelo fato de Exú também estar na Lei, independente do polo do qual ele trabalha, que é o polo negativo, para muitos, isso tem denotação pejorativa, o negativo aqui é o polo da força e não que é uma força ruim ou acintosa, perniciosa, entre outros adjetivos que denotam malevolência. É como a energia elétrica, a corrente só é transmitida em sua plenitude quando é unido os dois polos, positivo e negativo para que ocorra a corrente elétrica, assim é a Força Cósmica, o Yin-Yang, tudo é composto pela dualidade, e a Umbanda não fugiria desse conceito. Muitos dizem que a Quimbanda é complementar à Umbanda, um fator que eu concordo de verdade, existe o polo positivo e o polo negativo, sem problemas.

Como os exús são vistos como seres negativos, talvez houve a crença em que eles não trabalham na Luz e servem às Trevas, então criou-se o hábito de realizar trabalhos no escuro, e costa pro altar e todos vestidos de roupa escura. Acho até um simbolismo rico, por ter toda a crença que o exú atua nas trevas e tudo mais, mas uma coisa o Sr. Rei das Sete Encruzilhadas me disse: Muitos se confundem em atuar nas trevas com habitar nas trevas, e talvez isso fez eu mudar de ideia em relação ao culto realizado à linha dos exús.

Eu sou realmente contra cantar para os exús de costa pro altar, eu sinceramente acho que é diminuir a maravilha da linha, eu cantaria de frente como se fosse pra qualquer outra linha, exús são trabalhadores da Lei e guardiões escolhidos pelos nossos orixás, tanto é que tem exús que atuam com Oxalá, Xangô, Ogum e todos os outros orixás, portanto, não vejo nenhum problema em entoar seus pontos de frente com o altar assim como todos os demais trabalhadores da Senda Umbandista.

Portanto, Exús são nossos compadres, guardiões, amigos e são parte da Umbanda.

Sobre as roupas escuras, também entendo o simbolismo da linha, o motivo da cor preta que tem diversos simbolismos positivos, inclusive, um deles judaico-cristão que diz que o preto afasta os maus espíritos, tradição essa existente até hoje com os padres e até mesmo em velórios que é tradição se vestir de preto. Acho legal, nada impede disso acontecer, porém, na casa onde eu era pai pequeno, os exús também usavam branco, financeiramente é mais viável e na casa onde eu trabalhava, não existia uma gira somente pra eles, e sim no final de cada mês, os caboclos trabalhavam, os baianos e depois virava para os exús, portanto, como já estavam todos de branco, já aproveitávamos o ensejo e o trabalho ocorria de forma tranquila.

E por último, algo muito comum é trabalhar com as luzes apagadas, eu sinceramente acho que é simbólico, respeito, portanto, culto aos exús em minha casa era também com as luzes acesas, mesmo os exús atuando nas trevas, exú é luz, exú é serventia da Grande Espiritualidade, mesmo atuando nas trevas, não é lá que fazem sua morada, portanto, luzes acesas.

Obviamente cada um desses tópicos foi previamente conversado com os exús da casa e nenhum apresentou nenhuma objeção, eu mesmo já trabalhei com alguns e nenhum fez uma objeção essa “mudança” na tradição, o Marabô muitas vezes pedia para apagar onde ele atuava com cura, porém, ele atuava sob lâmpadas coloridas para a cromoterapia, então era necessário trabalhar com as luzes apagadas para que as luzes verde, azul e laranja pudessem ser mais iluminadas sobre o filho que precisava da cura.

Conforme ressaltei, nada contra as casas que ainda atuam dessa forma, tudo é simbólico e o que vale realmente é o coração focado e a mente firme para que possa ser praticada a caridade para os que ali adentram em busca de força, de fé, de cura para seus males.

Apenas um simples comentário.

Neófito da Luz.

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Linha de Erês

Paz Profunda prezados irmãos.

Venho aqui mais uma vez contribuir com minha modesta opinião sobre a linha de erês,  uma linha que em suma representa algumas contradições, mas não tanto quanto exús.

Etimologicamente, a palavra erê vem do iorubá iré, que significa brincadeira, diversão. Na Umbanda é também chamados de ibeji, beijada, dois-dois, ou ibeijada, sua saudação é Oni Beijada, Oni Beji ou até Caminha Beijada.

No candomblé geralmente levam o nome do elementar do orixá, como Pipoquinha, Pedrinha, Pedrão, Raiozinho, entre outros, já na Umbanda, levam nomes de crianças brasileiras como Pedrinho, Cosminho, Crispim, entre outros.

Geralmente é uma linha desprezada nas casas de Umbanda, cultuadas apenas no dia 27 de setembro que é comemorado pelo sincretismo o dia de São Cosme e Damião. O dia das festividados dos erês.

São composta de espíritos que se apresentam até os sete anos, um dos meus erês diz que já desencarnou muito novo, durante a Peste Negra, porém já reencarnou novamente, morreu como adulto, mas preferiu “homenagear” essa existência.

Eu particularmente dou um valor especial a essa linha, acho que são excelentes trabalhadores, mesmo porque, geralmente o Cosminho que é o erê que eu mais trabalho, é muito de falar e atuar com cura, inclusive, não faz guerras de bolos, não faz algumas bagunças comuns na linha. E é uma linha que pelo menos tenho o costume de trazer em Terra trimestralmente, pela sua grande vibração, pela alegria, pela paz interior que trazem e pela limpeza fenomenal que realizam nos chakras de seus filhos.

A vibração Cósmica da qual o erê participa é bem particular de cada casa, em algumas dizem que o Ibeji que é o nome da vibração da qual são oriundos, outras casas culturam Yori, geralmente é o nome dado à linha de erê pela Umbanda Esotérica, principalmente na liturgia do W.W da Matta. Em minha concepção erê tem a sua vibração peculiar, porém é imantada pela energia do Orixá que o traz.

As cores também variam de casa a casa, algumas colocam como as cores das sete linhas, justamente pelo erê ser o mensageiro direto do orixá, ele atua sob as sete vibrações cósmicas, em minha opinião, ele sim é o mensageiro do orixá e não o exú, como algumas casas cultuam. Erê é a vibração mais pura que existe na Umbanda, simbolizando a infância, a inocência, inclusive, em Mateus 19 presenciamos o seguinte texto: “Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”.  É a linha que também simboliza a paz, o amor, toda a inocência que temos e perdemos. Cultuo sua cor apenas como rosa, que é o símbolo do amor, da purificação dos sete chakras, é uma cor que cria uma sintonia de paz, uma sensação de alegria e atua diretamente no chakra cardíaco.

Geralmente as linhas de boiadeiros e até exús são as evocadas para limpeza, mas para limpeza teúrgica, uma limpeza com energias mais sutis, mais leves, indubitavelmente a linha de erês é a mais indicada para essa situação.

Muitos dizem que os erês só vem para brincar, fazer bagunça e sujeira, criou-se essa lenda e animicamente, todos os mediuns que trabalham com essa poderosa linha, acabam deixando-se levar e banalizando o excelente trabalho que pratica essa linha. Erê é diversão, é brincadeira, mas erê é trabalho, é coisa séria, e limpeza, é cura, é amor, é uma palavra de paz, infelizmente muitos se esquecem disso. Coíbo veementemente a guerra de comida e doces, mesmo porque sou contra qualquer tipo de desperdício de comida.

Importante salientar que dentro da liturgia que eu pratico, erê não tem quizila, erê não tem medo de exú, erê não corre de preto-velho, erê é uma das pontas do triângulo da Umbanda, é a infatilidade, a introdução que temos durante toda nossa vida, é o início do ciclo. Erê não foge de tronco, erê não corre de exú, erê trabalha e é coisa séria.

Recentemente voltei a trabalhar com a Umbanda atendendo alguns seletos pacientes apenas em minha casa, um dos primeiros a dar o sinal de vida para conversar e trabalhar foi ele, o Cosminho, talvez por eu valorizar tanto o trabalho da linha e saber o objetivo da mesma, eu tenho maior facilidade pra trabalhar com ela. Lembrem-se gente, erê é o mensageiro do orixá, é uma linha que atua em um dos maiores patamares vibratórios de nossa Egrégora, vamos trabalhar com erês porque eles resolvem, e como resolvem.

Seus elementos são água, doces em geral, refrigerantes e sucos, suas oferendas seguem a mesma ordem, seu dia da semana é domingo, o primeiro dia da semana, o início do ciclo. Aceitam velas coloridas, rosas claras ou azul claras.

Impossível enumerar as crianças que trabalham em nossa egrégora umbandista, mas já vi em linha de erês, vir até indiozinhos, já presenciei na linha de erê um indiozinho chamado Guaraná que trabalhava muito bem.

Suas roupagens fluídicas são as mais variadas.

Salve a Linha dos Erês

Salve os Orixás

Paz Profunda.

Neófito da Luz