Passes Espirituais

ezequiel_ametista

Paula Calloni de Souza

Os métodos de cura com as mãos ganham cada vez mais adeptos no Brasil e já começam a ser aceitos como complementação eficiente ao tratamento médico convencional.

Para o químico industrial Gilberto Alcoba Marques, de 47 anos, o tratamento com passes foi mais do que uma simples tentativa de cura. Espírita há vinte e cinco anos, ex- fumante inveterado, Gilberto era o que ele mesmo classificou de “papa-passes” típico. Ou seja, aquela pessoa que conhece a doutrina, mas sem grandes aprofundamentos, e apenas procura o bem-estar proporcionado pelos passes em centros espíritas. Até que, por volta de dez anos atrás, durante exames de rotina, veio a notícia: Gilberto tinha um tumor na garganta. Após passar pela orientação do centro espírita que freqüentava, foi encaminhado a um tratamento com passe do tipo P3A. Enquanto isso era acompanhado de perto pelo tratamento médico convencional, tomando medicamentos e fazendo periódicos exames de reavaliação. Um ano após os dois tratamentos, com medicina tradicional e passes, a surpresa: o tumor havia desaparecido.

Em outra área da medicina – a das doenças mentais –, projetos pioneiros que aliam ciência e espiritualidade vêm merecendo atenção redobrada. Nas Casas André Luiz, tem sido acompanhada a evolução de 650 pacientes submetidos aos tratamentos espirituais. Os resultados devem sair em janeiro do próximo ano. Para o diretor técnico e clínico da instituição, o psiquiatra Frederico Leão, “a proposta é exatamente mostrar que as revelações e os conceitos da teoria espírita são demonstráveis do ponto de vista científico. É possível a terapia espiritual andar de mãos dadas com a ciência,o que traz benefícios complementares ao tratamento convencional”.

A aplicação de passes, sempre precedida de uma preleção do Evangelho, é, geralmente, o primeiro contato de ordem prática que se tem dentro de um centro espírita kardecista. Era praticado por Jesus e, no kardecismo, exige quatro anos de preparação. “O passe nada mais é senão a concentração de energias que o médium capta do cosmos, de entidades espirituais superiores e de si mesmo”, explica William Jones, presidente da Instituição Espírita Seara Bendita. Fundada em 1951, por José Klors Werneck, a Seara atende cerca de vinte e cinco mil pessoas por mês.

Ao passar pelo setor de orientação, o indivíduo ganha uma pequena ficha, na qual são prescritos os tipos de passe que deverá tomar e por quanto tempo. O público em geral não entende o que significam tantos números e letras: A2, P3C, P4. Trata-se de uma padronização efetivada pela Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), que classifica os tipos de passe adequados a cada enfermidade, física ou espiritual. Eles são de dois tipos básicos: o magnético, em que é utilizado fluido do ser humano aplicador; e o espiritual, vindo de entidades desencarnadas evoluídas, capazes de emitir fluidos mais puros e com maior poder curativo. E o que sente um médium que aplica passes? A maioria dos entrevistados revelou o aquecimento das mãos como sensação principal.

Como Agem os Passes?

O perispírito possui centros de recepção de energia ligados ao corpo físico através dos plexos, que, por sua vez, são terminações nervosas ligadas aos diversos sistemas que fazem o organismo funcionar. Energias deletérias vindas do ambiente, de pessoas encarnadas ou desencarnadas ou do próprio corpo mental do indivíduo (pensamentos negativos), podem desequilibrar essas energias, trazendo doenças no plano mental ou físico. O passe pode reequilibrar esses centros de força através da aplicação de fluidos saudáveis.

Alguns fatores parecem ser primordiais na eficácia do tratamento com passes: a fé, a busca pela elevação moral e o aspecto psicológico. Para o psiquiatra Franklin Ribeiro, dirigente do Centro Espírita João Evangelista, no qual trabalha há dezenove anos, o relacionamento que se estabelece entre aquele que procura a casa espírita e os que o acolhem se assemelha ao relacionamento mãe-bebê. Em Missionários da Luz, André Luiz recebe esclarecimentos que definem uma mulher doente que recebe o passe “como a criança frágil sequiosa do carinho materno”. Também Herculano Pires, em Obsessão, Passe e Doutrinação, destaca: “O efeito psicológico resulta dos estímulos provocados no paciente por sua presença num ambiente de pessoas interessadas em ajudá-lo, o que lhe desperta sensação de segurança e confiança em si mesmo”. O dr. Franklin completa: “A minha crença, a crença da pessoa de que aquilo vai funcionar, cria a ligação, e isso a ciência reconhece. Está criado o vínculo entre o passista e o receptor. E, a partir daí, estando a pessoa conectada a uma fonte adequada, a imposição de mãos vai determinar a passagem de energia”. Para ele, a fé é elemento primordial na cura, não importando a que religião pertença o indivíduo.

O dr. Franklin Ribeiro é presidente do Comitê de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina e membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Espírito e Religião (NEPER), do Instituto de Psiquiatria da USP, que foi criado em 1998.

Obstinado, o dr.Franklin Ribeiro informa que o preconceito da ciência em relação aos tratamentos espirituais está sendo vencido. O NEPER se reúne a cada quinze dias no Hospital das Clínicas, em São Paulo, apresentando estudos, teses e debatendo curas espirituais e fenômenos mediúnicos. “O momento é propício para que haja essa aliança entre ciência e espiritualidade, porque nós estamos vivendo uma época em que o materialismo precisa de um contraponto, para que se possa manter o equilíbrio entre os seres humanos”, analisa. “Como médico psiquiatra, o que observei é que o que funciona é a associação entre: abordagem biológica, farmacológica, psicológica e espiritual, sendo que todas elas se complementam. Em nenhum momento se excluem”.

Entre Dois Mundos

Muita gente não sabe, mas as técnicas de cura via passe utilizadas no kardecismo têm alguns pontos em comum com outros tipos de cura de origem oriental, que fazem uma convergência entre dois mundos: Ocidente e Oriente. Na base de todas as curas orientais, estão as ciências esotéricas e antigas escrituras em sânscrito encontradas na Índia, China, Japão e Tibete, que remontam a mais de cinco mil anos. O fluido universal é o mesmo.

São conhecidas no Brasil como “terapias alternativas”. O National Institute of Health, entidade ligada ao governo americano, faz importante distinção entre terapias alternativas e terapias complementares. Lá, o termo “alternativo” é dado aos tratamentos que, supostamente, substituiriam o tratamento médico, o que representa um risco. Já a terapia dita “complementar” é aquela que anda paralelamente ao caminho médico convencional. É vista como salutar na prevenção, na recuperação ou na melhoria das condições de vida dos doentes. O uso corrente do termo “alternativo” como vem sendo feito no Brasil seria, portanto, inadequado.

Entre as práticas complementares indicadas por aquele instituto estariam o reiki, a cura prânica e o johrei, que também se valem do uso e manipulação do chamado “fluido vital” ou “campo magnético” citado pelo autor espírita Salvador Gentile no livro Passe Magnético – Fundamentos e Aplicação.

E as semelhanças de conceito não param por aí. Assim como na cura prânica, os passes espíritas atuam sobre os chamados “centros de força”, conhecidos na literatura hindu como chacras, localizados no perispírito. No livro Entre a Terra e o Céu, o autor André Luiz sublinha a importância  desses centros de força, que são como usinas de recepção e armazenamento de energia espiritual, ligados ao corpo físico por terminações nervosas denominadas plexos. E explica: “(…) Vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estes centros estabelecem para nosso uso um veículo de células elétricas, que podemos definir como um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado”. Na mesma obra, André Luiz exemplifica o chacra coronário, situado no alto da cabeça, que “na Terra é considerado pela filosofia hindu como sendo o lótus de mil pétalas, por ser o mais significativo em razão de seu alto poder de radiações”.

O médico psicoterapeuta e curador prânico, Maurício Angelicola, não se surpreende. E vai além: o mestre Choa Kok Sui, que codificou e sintetizou a cura prânica trazendo-a para o Ocidente em 1987, recomenda a leitura de Allan Kardec como fonte segura de reforma íntima e elevação espiritual. A principal diferença, no entanto, é que a cura prânica não utiliza a energia de entidades superiores desencarnadas. Ela apenas os invoca para proteção do ambiente.

“É inadmissível que um curador prânico não se preocupe com sua própria elevação moral e espiritual, a reforma íntima, essencial também no Espiritismo”, alerta o dr. Maurício, que já deu cursos sobre a técnica para alguns grupos espíritas. “Posso dizer que eles são um segmento que têm muito preparo, têm embasamento teórico e ético”. Outro ponto em comum com o kardecismo é que a cura prânica leva em conta o carma. Em alguns casos, a cura total não é permitida pelo plano espiritual, pois faz parte da evolução do espírito. No entanto, é possível minimizar o sofrimento do doente. “Lidei com alguns doentes de câncer que não puderam se curar, mas através da cura prânica não sofreram os efeitos colaterais da quimioterapia. Mesmo não tendo esperança de sobreviver fisicamente, tiveram uma melhora em sua qualidade de vida”, explica.

Para William Jones, com exceção de casos raros, é impossível curar doenças do carma, pois isto iria contra as Leis Divinas. “Isso tiraria a prova pela qual aquele espírito tem que passar e atrasaria sua expiação. O perispírito, que sobrevive à morte física, é como uma fita magnética em que estão gravados todos os registros das encarnações anteriores. Se um indivíduo fumou demais numa encarnação, pode reencarnar com problemas como bronquite asmática. Isso é, então, uma conseqüência de seus atos anteriores. É uma prova que lhe vai  trazer aprendizado. Para isso não há cura, mas pode ser amenizado através do tratamento espiritual, se houver merecimento”, ensina.

Segundo o dr. Maurício Angelicola, são onze os chacras mais importantes. Eles necessitam de limpeza, energização, e são centros de força que contêm pétalas, raízes, ramificações, teias de proteção, formatação, velocidade, coloração e possibilidade de apresentar excesso ou falta de energia. O fluido é chamado de prana, e a técnica consiste em fracionar ou manipular esse fluido universal em matizes específicos, pois cada um dos chacras tem conexão com as glândulas endócrinas e com os sistemas nervoso, circulatório, respiratório, digestivo, etc. Para Angelicola, tal preocupação com a limpeza e o detalhamento das características energéticas de cada chacra, fazem da cura prânica uma das técnicas mais seguras como tratamento coadjuvante à medicina. À semelhança dos médiuns preparados no kardecismo em instituições idôneas, os curadores prânicos têm de ser saudáveis, não-promíscuos, éticos e devem se abster de vícios como o álcool e o fumo. E são, obrigatoriamente, vegetarianos.

Reiki e Johrei

A preocupação em relação aos hábitos perniciosos e a não-utilização de seres desencarnados nas emissões de fluidos também são a tônica  entre os canalizadores de outro tipo de cura com as mãos, o reiki. Segundo Gilberto Falchi, mestre reiki do Tradicional Sistema Usui, e membro da Reiki Alliance, a utilização desse método remove pouco a pouco a vontade de consumir carne vermelha, álcool e outros elementos considerados tóxicos pela maioria das filosofias espiritualistas. “Reiki é transformação, vai na causa, eleva a energia, muda valores”, diz ele. Atua no nível celular, metabólico e imunológico, despertando um processo de autocura. Também leva em conta as doenças cármicas. Na gravidez, acalma mãe e bebê. Enquanto na cura prânica as aplicações de energia universal são feitas nos chacras e, como nos passes, sem tocar o paciente, o reiki age tocando os seguintes pontos: olhos, têmporas, atrás da cabeça, alto da nuca e peito; altura do estômago, umbigo, abaixo deste, virilha; nas costas, escápula, pulmão, rins e região glútea. São cinco minutos em cada ponto, num total de uma hora (escola tradicional). Diferentemente do passe espírita, que indica uma sessão por semana, o reiki age em terapias compostas por, no mínimo, quatro sessões seguidas, e pode ser aplicado em qualquer lugar por um canalizador. Eis uma diferença crucial também: o passe espírita só deve ser utilizado dentro da instituição espírita, por questão de segurança.

De acordo com Falchi, como a energia cósmica do reiki é pura, ela por si só já higieniza o ambiente e o aplicador. E só flui através de canalizadores que têm o amor e a ética como princípios de conduta. “Por ser uma energia divina, ela não vai se chocar com nenhuma religião, crença ou técnicas. Pelo contrário, conheço espíritas que acreditam que o passe espírita conjugado a uma terapia reiki acelera a resposta do organismo. O reiki aumenta a imunidade natural”. A psicóloga e terapeuta reiki, Valéria Silva de Morais, concorda. Valéria trabalhou durante um ano no Projeto Esperança, dirigido pela Rai Association, com sede na Suíça. O projeto atua na Igreja Santa Edwiges, atendendo moradores da favela Heliópolis, de São Paulo, portadores do vírus HIV. “Percebemos que durante o primeiro ano em que receberam reiki, a carga viral dos aidéticos diminuiu, aumentando a imunidade, com diminuição drástica de doenças oportunistas. Acredito muito no reiki como uma ferramenta de prevenção”.

Para ser um canalizador de reiki é preciso fazer cursos de iniciação. Gilberto Falchi recomenda o sistema original, clássico, que exige quatro iniciações. E conclui: “Ninguém cura ninguém. O canalizador de reiki é portador de uma ferramenta e a disponibiliza para as pessoas”.

Canalizar a energia vital do universo através das mãos também é o princípio de outra técnica, o Johrei. Ao contrário do reiki e da cura prânica, carrega em sim um conceito religioso, “que tem no espiritualismo e no altruísmo as bases essenciais para a concretização de um mundo ideal”. Seu codificador, Mokiti Okada, fundou a Igreja Messiânica Mundial em 1935, no Japão. No Brasil, a Igreja Messiânica chegou em 1955. Objeto de pesquisas na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, a terapia Johrei demonstrou ser capaz de revitalizar as células NK, responsáveis pela defesa do corpo humano. Após uma oração inicial, em que se coloca como instrumento divino, o ministrante, como é chamado o canalizador, aplica a energia em sessão que dura de dez a trinta minutos. Ambos ficam sentados frente a frente.Não há toque: a distância entre o ministrante e o receptor é de trinta centímetros a um metro. Não é utilizada energia humana. Pode ser aplicada em qualquer lugar e também à distância. Para ser canalizador de Johrei é necessário um curso e a convicção de querer servir ao próximo. Após o curso, o ministrante recebe o ohikari,medalha que deve ser carregada até a altura do plexo solar, através do qual se canaliza a energia.

A Sutil Sukyo Mahikari

Ainda no rol das terapias orientais, a Arte Mahikari merece um capítulo à parte. Fundada no Japão em 1959, pelo mestre Kotama Okada, a Mahikari emprega a energia cósmica através das mãos, denominando-a “Luz da verdade”. Esta energia, também para eles, provém de Deus e é purificadora, capaz de eliminar as essências tóxicas espiritual, mental e física, permitindo a aquisição natural de saúde e prosperidade. Assim como no Johrei, os canalizadores, chamados kumitês, recebem, após um curso de iniciação que dura três dias, uma medalha. Neste caso, ela é denominada omitama, cujo símbolo estaria ligado diretamente a Deus através de ondas espirituais.

Irradiar a “luz espiritual” pela palma da mão é considerada uma arte, denominada Okyome. São vinte e sete pontos ao todo, mas no início são utilizados apenas alguns pontos principais, cuja energização dura cerca de quarenta minutos. Não há limite de sessões por semana, e embora não haja toques constantes, eles são breves e suaves.

A energia atua sutil e gradualmente, auxiliando a elevação espiritual. Discrição  também é característica dos dirigentes do belo templo situado na Vila Mariana, em São Paulo. Nenhum deles quis se pronunciar  oficialmente à revista. “Não tente entender Deus. Sinta-o. Apenas vivenciando o Mahikari, você entende”, dizem. O temor é o de uma massificação e desvirtuamento da técnica, atraindo equivocadamente pessoas não afinizadas com o movimento, atrás de milagres. Que, aliás, nenhuma das técnicas aqui abordadas promete.

Embora não se defina como uma religião, a Sukyo Mahikari tem um altar para reverências e agradecimento a Deus. A constante exigência de curvar-se em reverência, dentro do templo, pode causar um certo estranhamento a um ocidental que chega pela primeira vez. Encontram-se pessoas de todas as raças e credos, tanto aplicando, quanto recebendo. É necessário tirar os sapatos antes de entrar e lavar as mãos em água purificada. Após pequena consulta onde são perguntados dados acerca do modo de vida (a religião não é questionada) e eventuais problemas, somos convidados a receber Okyome. Inicialmente sentados, frente a frente, depois de costas para o canalizador e, por fim, deitados de costas sobre um pequeno colchonete com travesseiro e lençol. Não há som no ambiente, que é espantosamente limpo, com predominância de tons arenosos. O silêncio só é cortado às vezes pelas orações em japonês.

A sensação predominante é a de relaxamento e extrema paz interior. Convidada a acompanhar a reportagem, a médium kardecista de cura, Regina Fernandes, disse ter sentido profunda serenidade no ambiente, principalmente no corredor central. Ao receber a luz espiritual nas costas, onde tem problemas de origem ciática, descreveu: “Foi como se minha coluna estivesse dentro de um tubo de energia. Senti também muito amor e abnegação por parte dos aplicadores. Alguns deles me pareceram até familiares, espiritualmente falando”. Ao final, perguntada se voltaria de novo ao local, respondeu: “Sim, com certeza”.

Para Ieda Uehara, praticante de Arte Mahikari há dezesseis anos, o amor ao próximo é fundamental. “Oração envolve ação. É preciso traduzir gratidão e perdão em atitude”. Segundo acredita, ter saúde é uma conseqüência de ser feliz. “Querer ser feliz, é meio caminho da cura”.

O que se pode concluir de tudo isso? Que a cura está dentro de nós mesmos. Nenhuma das técnicas defendeu, em hipótese alguma, o abandono da medicina tradicional. Em todos os métodos abordados, destacam-se dois elementos principais: a fé de quem recebe, e o amor ao próximo de quem aplica. Gilberto Marques, que se livrou do câncer na garganta, é taxativo: “O que me curou foi a minha fé”. Impressionado com o resultado em sua própria vida, Gilberto quis desenvolver mediunidade de cura. Para tanto, teve que abandonar o vício do fumo, premissa essencial para a formação de todo  médium. “Minha própria doença não me fez parar de fumar. Mas a vontade de servir ao próximo, sim”.

Os Tipos de Passe

C (choque anímico) – doutrinação mais intensa de espíritos perturbadores, através de vibrações que agem como um jato de luz nos corações dos mesmos.

PE – destinado aos assistidos, nos trabalhos de cura, e aos assistentes, como preparação aos trabalhos.

Pasteur 1 (P1 – magnético) – destinado à assistência a perturbações de ordem material.

Pasteur 2 (P2 – magnético) – para as perturbações espirituais e desequilíbrios psíquicos.

P3A (magnético) – perturbações e acidentes materiais graves.

P3C – socorro de emergência, influências espirituais profundas, depressão, estafa, esgotamento, estresse de ordem espiritual e psíquica, queda de padrão vibratório e enfermidades de fundo espiritual.

P3E – perturbações espirituais avançadas, com ação direta sobre obsessores.

Pasteur 4 – para crianças, até 12 anos de idade, cujos tipos de passes se subdividem em:

P4A – indicado para doenças materiais, como as próprias da idade, epidêmicas, de poluição ambiental ou climáticas, por desnutrição, hereditárias ou as causadas por acidentes;

P4B – indicado nas perturbações espirituais, tais como as decorrentes de infestação de ambiente, chamamentos familiares, encarnações completivas e razões cármicas.

Anúncios

Mediunidade ou Loucura? A Mediunidade Consciente!!!

Axé amados irmãos.

Quem de nós no ato de uma comunicação não nos deparamos com a seguinte pergunta: Será que estou incorporado? Será que sou eu? Mas o que é isso?

Isso afeta 100% dos mediuns na Umbanda, já foi muito comum, a mediunidade inconsciente, mas como sempre afirmo no blog, isso está cada vez mais raro segundo alguns, segundo o Neófito, isso foi extinto!

Sim, não acredito mais em pessoas que falam que não lembram de nada, isso é absolutamente impossível, inegável lembrarmos de alguns tópicos ou dependendo de como foi a comunicação, lembrarmos de tudo, vale salientar que isso não quer dizer que sua comunicação foi mal realizada. Também é INEVITÁVEL em alguns momentos, conseguirmos “passar a frente” das entidades, sim, meus caros, isso pode acontecer, mesmo estando em um estado alterado de consciência, podemos a qualquer momento, “cortar” esse processo.

Por esses motivos, temos que esquecer problemas pessoais, esquecer quaisquer mazelas que deixamos do lado de fora no terreiro, porque o canal de comunicação é sutil, e como seu corpo e dotado de meios seguros de sobrevivência, não apagamos, ficamos sempre em um onírico estado de alerta.

Naturalmente nós que estamos iniciando a caminhada mediunica, é imprescindível acreditarmos que estamos realizando a comunicação, a incorporação, temos que acreditar, isso é uma máxima; Vejo muitos mediuns segurando o processo ou até mesmo desconfiando, o que desacelera ainda mais o mecanismo mediúnico da “incorporação”.  A principal causa dos mediuns iniciantes segurarem é que não querem mistificarem, não querem enganarem a si, aos irmãos e aos consulentes, vejo muitos mediuns falando: “Eu tenho medo de fingir”.

Primeiramente, temos que ter consciência de nossa dedicação, nosso empenho e acima de tudo na Fé em nossos guias, se estamos ali de coração aberto, de coração limpo e receptivos às vibrações sutis e verdadeiras do Universo, você NÂO ESTARÁ ENGANANDO NINGUÉM, VOCÊ NÃO ESTARÁ MISTIFICANDO. Se deu vontade de pular de joelho, o faça, se ocorreu a vontade de dar um belo grito de guerra, o faça, deixe a vibração tomar conta de cada cm do seu ser, deixe a energia do seu mentor fluir sobre seus chakras, tenha fé nessa comunhão, nesse sincronismo energético. Se sentiu vontade de dançar, dance, de girar, gire e qualquer excesso, tenho a certeza que seu dirigente terá o discernimento e a didática de te informar se algo não for de acordou com a doutrina da casa.

NÃO SEJAM TÍMIDOS, NÃO TENHAM VERGONHA, é natural no mecanismo de incorporação, durante o começo da jornada, o mentor mudar um pouco a aproximação, a vibração ou até mesmo a forma de chegar, isso é totalmente natural, às vezes até pensamos ser outra entidade, mas muitas vezes não o é, é um processo de adaptação, a acoplagem fluidica do corpo espiritual ao corpo material ele tem um custo, e esse custo deve ser minimizado para que ambos sejam beneficianos desse processo e consequentemente, dando uam comunicação firme e confiável.

A Grande sacada para facilitar todo esse processo é CONFIANÇA! Confiem em quem os acompanha, pelo menos eles, temos a certeza que quererão o melhor de vocês. Sigam o post “Firmeza de Cabeça” tão conhecido aqui no blog.

Não hesitem quando sentir vontade de dançar, girar, fumar, repito, liberem esse fluído energético maravilhoso e se deixem levar pela vontade, pelo processo de acoplagem de seus mentores, retire o sentimento de dúvida, tenham fé, bom senso, amor e ACIMA DE TUDO: A VONTADE, que é o que eu sempre digo no blog, a Vontade é a Energia Divina Manifestada. Querer é Poder!!!

Muitas vezes pensamos que somos nós, isso é um processo que infelizmente o acompanharão em grande parte da vida, somos mecanismos principais do processo de incorporação e, infelizmente, somos falhos, o que significa que algumas vezes, esse processo também será falho, não é uma EXATA, a incorporação depende de vários fatores, e a principal, é a sua mente, o que  nem sempre está 100%.

Sempre enfatizo no blog a importância da dedicação e do estudo, conheço pessoas que só conseguem proferir uma palavra de carinho ou de amor, incorporado, desculpem-me e sinceridade, esse tipo de medium não passa de marionete!

Temos que ser princípios ativos de nossos mentores, afinal, trabalhamos com eles e é nossa obrigação propagar e perpetuar seus ensinamentos, nem sempre temos a disponibilidade de incorporar para poder proferir uma palavra amiga, e com isso, você vai pedir a esse necessitado esperar uma semana para poder falar com um guia seu?

Isso será assunto para outro post, o escopo desse é sobre a incorporação, essa inexorável dúvida presente em todos os mediuns da Umbanda, e eu digo com total verdade, ACREDITEM, o estado alterado de consciência existe e quanto mais liberdade vocês fornecem a ele, mais graças poderão presenciar, e isso é indizível!

Não estão loucos, estão apenas influenciados e irradiados pelos nossos irmãos espirituais, nossos companheiros de jornada, são nossos mentores, mas acima de tudo, nossos irmãos, amigos e grandes companheiros de Senda, que visam o aprimoramento de todos que os cercam, seja de seu aparelho (cavalo, burro, medium), seja do consulente e ou de qualquer um que os cercam!

A mediunidade existe para a propagação do bem, para o auxílio aos encarnados, a Umbanda atua de forma presente no mundo físico, no mundo material da pessoa, é nela que são depositadas a confiança dos necessitados, é nela que está o imediatismo, a possibilidade de uma resposta imediata para nossos problemas, é nela que existe o amparo, a doação e a caridade, e você, meu querido medium, foi o escolhido pelas hostes cósmicas para a realização desse trabalho. Você foi convocado e agraciado por esse dom divino de ajudar simultaneamente os amigos espirituais e os carnais, então faça disso, o seu propósito, o seu objetivo, não temos espaço para dúvidas, para descrenças, para a loucura e sim para o objetivo de se conectar ao Bem Maior!

Seja a propagador da Fé que você foi destinado, ou o propagador da justiça, o propagador da força, do amor, da transmutação, da cura, do conhecimento, ou de qualquer outra vibração divina da qual você foi confiada.

Seja você consciente ou semiconsciente, faça desse trabalho o propósito da vida de quem te procura, seja aquele que muda, aquele que consola, aquele que ama, isso só depende de você, se não confia que está incorporado, confie que Deus destinou a você a capacidade de propagar a Sua misericórdia, então durante sua incorporação, ACREDITE, ORE, SEJA UMA FERRAMENTA DE SUA GRAÇA, afinal, a limitação é apenas na cabeça de vocês!

A Consciência é um Presente para Você Testemunhar que Você é Dotado do Poder de Mudar!!!

Paz e Luz.

Neófito

 

Doutrinando Guias e Orixás???

Saudações fraternais amados irmãos…

Muito se ouve o termo de doutrinar os seus orixás e mentores nos trabalhos mediúnicos. Mas que raios de autoridade nós temos para ensinar espíritos supostamente de luz que suspostamente viriam em nosso auxílio e dos quais necessitam de nossa doutrina??? Pra mim é no mínimo um paradoxo, eu chamo um professor de matemática porque tenho dificuldade em uma matéria mas eu tenho que ensiná-lo como agir com essa matéria. Paradoxal, não?

Isso ocorre muito na nação, o médium que se diz inconsciente, tem que vir o Iaô ou até mesmo o Babá ensinar a dança para o Orixá, e incrivelmente cada barracão de nação tem a sua forma peculiar de dança, mesmo seguindo os preceitos da tradição, mas cada casa coloca o seu “plus” no pé de dança do Orixá. É o Orixá que precisa desse ensinamento ou o médium? É o guia que precisa aprender a se comportar ou é a grande parcela do médium durante o fator mediúnico?

Muitas casas, quando o mentor chega pela primeira vez, o filho mais velho o ensina a saudar a casa, como faz as devidas saudações à assistência, ao atabaque, à entrada da corrente, entre outros fatores. Como saudar cada irmão da casa, será mesmo que o guia que precisa de tudo isso ou é a nossa mente inferior que cuida desse fator?

Todos nós sabemos que no começo somos totalmente conscientes, e apesar de muita gente da nação negar, pelas “curas” realizadas no roncó, pelo ejé (sangue) derramado na coroa auxilia na incorporação inconsciente, digo com total e absoluta certeza: Balela. É muito fácil falar que tá inconsciente sendo que o espírito que está supostamente incorporado não fala…

Sempre repito no blog, que a comunicação se dá com a firmeza do médium e o esclarecimento do guia, com o seu conhecimento, cada dia que passa, essa afirmação fica ainda mais evidente quando se presencia novos médiuns adentrando nas casas e repetindo o que os mentores mais velhos da casa fazem, isso gera um processo anímico intensivo e se não se atentar, acabamos virando fantoches de nosso próprio subconsciente, em suma, eu prefiro e muito que vocês firmem a cabeça a repetir o que os mais velhos e os guias mais antigos fazem no centro, é interessante ressaltar que serve como referência e não como BASE PRINCIPAL DE APRENDIZADO.

Isso devido a dois principais motivos:

  1. Você não sabe se ali, onde você se espelha, existe realmente tem uma entidade ou o médium em um processo anímico, o que significa que muitas vezes o guia atuando é na verdade o processo anímico do médium em piloto automático;
  2. Não necessariamente os seus mentores trabalharão de forma similar aos mentores mais antigos da casa, como sempre repito no blog, cada um tem a sua corrente mediúnica, o seu grau evolutivo, bem como o grau evolutivo dos mentores que te acompanham, a bagagem de aprendizado entre outros fatores.

Vale salientar que estou falando de ANIMISMO e não MISTIFICAÇÃO, existe um post no blog que relata essa diferença aqui. Muito observo nas casas, um caboclo pulando com uma perna só e quase todos os guias da corrente fazendo a mesma coisa, o estalar dos dedos durante o passe, a postura de mãos e braços, muitas vezes é perceptível cópias na casa. No começo é normal copiarmos, isso é um processo inerente a todo médium, mas ao passo que a mediunidade vai se desenvolvendo, é necessário dar o espaço necessário ao trabalho do mentor que está servindo durante a comunicação, nem todo marinheiro vem cambaleando, nem todo boiadeiro vem laçando e nem todo exú vem corcunda, isso é importante enfatizar a todo momento.

Também existe um processo de adaptação do mentor que você trabalha no chão que ele pisa, isso em virtude do respeito ao chão que ele está pisando e aos mentores que dirigem a casa, então ele pode adaptar algumas formas de trabalho para que fique dentro do processo da casa, aí pode entrar o fator do guia mais antigo da casa querer “doutrinar” o seu guia para trabalhar dentro da casa, e esse “doutrinar” é muito mais na cabeça do médium ao mentor que está ali irradiando, mesmo porque sabemos que no começo da mediunidade, é muito mais o médium que o mentor.

Existia um médium na casa logo quando comecei que trabalhava muito bem, os guias chegavam bonitos e isso é algo legal para se usar como referência, até o caboclo dele chegar e arrancar a camisa, ali eu já comecei a me questionar de todas as formas possíveis, toda vez que vinha, o caboclo rasgava a camisa, até eu refletir e perceber que ali não era entidade e sim a vaidade de um médium, mas mesmo assim, custou acreditar nessa possibilidade, já que ali era um médium que eu respeitava demais e achava linda as entidades dele, ou seja, toda aquela minha admiração nem era totalmente pelas entidades, muitas vezes talvez era a própria vaidade dele que me encheu os olhos, porém, não alimentou o meu coração e nem tampouco a minha sede de conhecimento.

Não há doutrina mais eficiente entre você e seus mentores do que a conversa, o conhecimento de ambos, o respeito de limites, se um médium tem um caboclo que pula de joelho e o mesmo tem problemas na mesma região, obviamente um guia de luz não vai pular para arrebentar o joelho do médium, e se assim o fizer, indubitavelmente levará a dor (Isso falando normalmente), há casos em que a entidade deixa a dor por alguma lição a ser apresentada ao médium.

É o que eu sempre digo aqui no blog, vejo muitas pessoas temerem as entidades, medo de sofrer represálias, nem brinca com a entidade com temor, vejam seus mentores como companheiros de jornada, como amigos espirituais e muitos dos quais já são seus amigos muito antes de você nascer, são verdadeiros irmãos e amparadores e não Deuses da Cólera que vem para punirem, afastem esse pensamento, tem que ocorrer o respeito, mas também a conversa mútua, o carinho e dedicação e isso se dá com velas, com orações, com pedidos e durante a incorporação, com conversa…

Seus guias não precisam de doutrina, eles já vêm doutrinados, quem precisa de doutrina é você, claro, salva raras exceções porque também existem mentores em início de carreira, mas para ser um mentor de luz, ele já passou por todo processo de aprendizado nas escolas espirituais, não chegará “cru” fazendo um monte de besteiras como muito dirigente acha que acontece.

Aprendam vocês o fundamento da casa, como funciona, exija do seu sacerdote os procedimentos e como funciona a cartilha da casa, você se sentirá mais seguro para incorporar e a comunicação será melhor, justamente porque você já sabe o que acontece, como acontece e porquê acontece, e lembrem-se sempre, “incorporação” é muito mais doação do médium, com isso, sejam um recipiente limpo para o seu mentor para que ele possa realizar um trabalho bem feito.

Apenas isso.

Abraços fraternos,

Neófito.

Animismo x Mistificação – Imprescindível a Leitura

Realmente existe a diferença entre a mistificação e o animismo porém ela é de caráter moral ou intencional. A mistificação é o embuste , a mentira aplicada no sentido de levar vantagens pessoais ou prejudicar a outrem interferindo na comunicação ou na total inexistência do espírito. O animismo é a interferência na comunicação em diferentes graus sem a intenção de prejudicar ou levar vantagens porém desvirtuando a mensagem podendo ocorrer também a inexistência do espírito ; Ou seja a diferença básica é que a mistificação é dolosa enquanto o animismo é sem dolo.

A definição dada pela ciência do animismo é o sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais.

Edgard Armond em sua obra ” Mediunidade” (Cap 11 – pag 56 ) diz : ” A mediunidade consciente é aquela que mais permite interferência dos fatores subconscientes do médium ,que se costuma denominar animismo e que tem servido de motivo para se bater, injustamente , na tecla da mistificação.”

Conforme a definição Espírita como no livro “Mecanismos da Mediunidade”(pag 163- Cap XXIII) diz André Luiz: ” Alinhando apontamentos sobre mediunidade , não será lícito esquecer algumas considerações em torno do animismo ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação”.

Analisando a tudo isto , uma vez produzidos pelo médium, seja consciente ou não, advém não do Plano Espiritual mas sim do médium onde portanto fogem da linha de trabalho da Umbanda desenvolvida pelos Mentores e Guias pois quem em sã consciência se julga apto espiritualmente para dar consultas ou adotar práticas ritualísticas e magísticas próprias dos Guias dentro dos Templos? Por tal motivo e principalmente por segurança ,caridade e honestidade nos Templos sérios e honestos que os Mentores Espirituais educam mediunicamente os filhos da casa orientando na fase antecedente e posterior aos trabalhos para melhorar a receptividade( vida regrada, bons pensamentos, banhos, prática de orar ,estudo, etc) como também durante os trabalhos (deixar os problemas pessoais fora do Templo, meditação , concentração , contenção da ansiedade ,etc) para com isto diminuir ao máximo o efeito anímico e impedir a tendência dele se transformar em mistificação.

Segue André Luiz : ” Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais , com a própria inteligência encarnada comandando manifestações ou delas participando com diligência , numa demonstração que o corpo espiritual pode efetivamente desdobrar-se e atuar com os seus recursos e implementos característicos , como consciência pensante e organizadora , fora do corpo físico.”

Realmente a ação de nosso espírito( nós mesmos melhor assim dizer) agir fora do nosso corpo é sabido( aqui o animismo se confunde com o desdobramento e projeção astral) mas a análise em questão é a de estarmos fisicamente num Templo. Oras, lógico que não iremos sair de nosso corpo para incorporar nele mesmo ; Portanto os pensamentos e ações que deveriam vir dos Guias sofrem a interferência dos pensamentos e ações do médium seja uma interferência consciente ou proveniente do subconsciente. Aí está o animismo que varia de intensidade de acordo com o grau de interferência e este é observado pelo Mentor Espiritual do Templo que em grau mínimo é tolerado(onde geralmente é cuidado através de orientações coletivas), em grau médio é acompanhado (neste caso o médium recebe orientação individual ) e em grau máximo é tratado ( neste caso a linha divisória entre animismo e mistificação é tênue e no caso do médium honesto e bem intencionado é um desvio mediúnico a ser corrigido com presteza).

Dentro do Espiritismo o animismo não é caracterizado como problema pois devido a forma adotada onde o contato da assistência com a Espiritualidade é praticamente inexistente se comparada aos rituais Umbandistas onde as pessoas tem o contato direto com os Guias. A analogia feita por Ramatís das comunicações mediúnicas da Umbanda e do Espiritismo em seu livro “Mediunismo” (Hercílio Maes-Cap VI-pag 57) retrata bem : “…a prática mediúnica do Espiritismo é semelhante a uma agência de informações civil , em que é bem mais importante o assunto do seu fichário, do que mesmo as pessoas que o informam; A Umbanda , no entanto, é como uma agência de informação sobre assuntos militares onde antes de tudo convém conhecer a graduação do informante , pois, assim como acontece realmente no mundo físico, é muito grande a diferença e responsabilidade entre aquilo que diz o cabo e o que informa o general …”.

Ou seja , no Espiritismo se a mensagem é boa não importa quem a deu e, como conhecemos nos Centros Espíritas, as mensagens duvidosas não são repassadas ,sendo apenas desconsideradas e somente as de teor mais elevado e consideradas confiáveis chegam as mãos daqueles que ali se achegam em busca de notícias de entes queridos desencarnados. Na Umbanda a conversa é direta onde a presença do cambono nem sempre ocorre e aí o animismo nos centros Espíritas torna-se completamente diferente no sentido da responsabilidade, honestidade e caridade do animismo nos Templos Umbandista. Então torna-se imperativo analisar animismo sob a ótica Umbandista e não Espírita até por que somos Umbandistas e o nosso dia a dia religioso é diferente em inúmeros aspectos que vai desde a adoção de rituais e culmina na proximidade encarnado-desencarnado que a Umbanda oferece.

Aproveitando Ramatís e esta mesma obra(Mediunismo) Ele afirma (Cap-XIX-pag 136-137):
PERGUNTA= Então a comunicação do médium completamente anímico não passa de mistificação inconsciente?
RAMATÍS= Quando o médium não tem o intuito de enganar os que o ouvem , não podeis admitir a mistificação inconsciente . A comunicação anímica é decorrente da falsa suposição íntima de a criatura julgar-se atuada por espíritos , por cujo motivo transmite equivocadamente suas próprias idéias . A mistificação , no entanto, é fruto da má intenção .
Segue a frente Ramatís afirmando: ” A criatura anímica , quando em transe , pode revelar também o seu temperamento psicológico, as suas alegrias ou aflições , suas manhas ou venturas , seus sonhos ou derrotas”
E na página 139 afirma: “O médium totalmente anímico é sempre vítima passiva do seu próprio espírito que pensa e expõe sua mensagem particular sem qualquer interferência exterior ; O médium propriamente dito , mesmo quando obsidiado , ainda é um medianeiro, um instrumento das intenções ou desejos de outrem “.

Usamos referências de obras Espíritas e fora da DE ,caso de Ramatís, como ilustrativas pois servem para exemplificar alguns pontos de vista, porém reafirmo ilustrativas, pois a realidade Umbandista deve ser observada sob a ótica Umbandista. É certo que a Espiritualidade é uma só e os espíritos habitam um Universo Espiritual único , porém cada corrente religiosa é supervisionada por espíritos e nem por isso fazem católicos, protestantes, espíritas, candomblecistas, umbandistas ,budistas, hinduistas, etc, serem iguais . O cotidiano de cada corrente religiosa embasado nos diferentes níveis evolutivos, culturais, kármicos e morais é o que dá o grande diferencial da ação da Espiritualidade na Terra. São escolas diferentes com salas de aulas diferentes reunindo em cada uma o que há de mais próximo em relação a similaridades espirituais dentro do universo individual de cada ser com o único intuito de evolui-los onde cada uma nas suas diferenças conduzem a todos a este único objetivo , observando a capacidade de assimilação individual e após a coletiva.

Particularmente eu somente refiro-me as interferências nas comunicações nos Templos sérios e honestos como animismo pois tenho a absoluta certeza e confiança que nestes Templos Umbandistas os Mentores Espirituais amorosos e caridosos por natureza são também zelosos , responsáveis e atentos eliminando do seio Sagrado de seus Templos indivíduos maldosos que utilizam a prática da mistificação que iria não só macular os dedicados e honestos filhos da casa , prejudicar os necessitados que confiantes ali buscam soluções aos seus mais diversos problemas como também enlamear o sagrado nome da Umbanda. De forma alguma posso conceber mistificação em verdadeiros Templos Umbandistas e sendo assim os pequenos deslizes que ocorrem diz-me a lógica serem frutos de animismo.

Quanto a fazer a distinção se é animismo, mistificação ou se o médium consciente está realmente “tomado” , existem meios para isso ? Podemos inumerar uma série de “métodos” porém creio não caber a nós tal julgamento neste caso pois a partir do momento que “achamos” automaticamente já julgamos e demos a sentença em relação a nosso irmão de estrada, o que é incompatível a um verdadeiro Umbandista que é plenamente consciente que dentro de um Templo Umbandista sério e honesto quem dirige tem maior competência e conhecimento para julgar o caso.

Se a dúvida é em relação a um irmão,fazemos o que é coerente para um adepto que confia na envergadura moral e intelectual dos Espíritos Superiores ,deixamos nas mãos da Espiritualidade que tem a capacidade moral e técnica para detectar e sanear o problema ou então estaremos atestando a nossa desconfiança e descrença na capacidade do Guia Chefe do Templo a ponto de fazermos testes e posterior julgamento às vezes condenatório de irmãos honestos e bons trabalhadores que por serem médiuns conscientes e às vezes justamente naquele dia por algum motivo ,que foge a nossa capacidade de espíritos encarnados e imperfeitos de entender , os colocamos no rol dos médiuns duvidosos , enquanto os Mentores com sua infinita capacidade de compreensão e discernimento tem a justificativa e relevam desde que não haja a mínima possibilidade de prejuízo ao próximo.

Quantos de nós bons pais , bons filhos, bons irmãos ou bons amigos falhamos por motivos variados e nem por isso nos fazem dignos de dúvida em nossas relações. Já disse o Cristo: ” Com a medida que julgares será a medida com que serás julgado.” Somos Umbandistas e isto não nos fazem perfeitos e infalíveis para julgar ninguém dentro de um Templo Umbandista sério e honesto. Devemos sim cuidar de nossas obrigações religiosas e deixar a Espiritualidade cuidar das obrigações que a competem ; Se a dúvida é em relação a nós mesmos então após cada incorporação devemos humildemente ir até os pés do Mentor Espiritual do Templo (Guia Chefe) e perguntar se fomos mediunicamente corretos , se de alguma forma interferimos com o trabalho de nosso Guia, se é necessário fazermos alguma coisa para melhorarmos mais, enfim nos aconselhar sempre.

Muitos podem pensar: “Ah! Mas vamos perturbar o Guia Chefe toda vez.”…. Parece assim mas não é. Por vezes desconhecemos a boa vontade e atenção que Eles tem por todos , principalmente aos médiuns responsáveis ,honestos ,preocupados em se aprimorar cada vez mais e assim servir mais e melhor ao próximo, ao Templo, a Espiritualidade e ao Criador. Os Guias conhecem a responsabilidade e ficam extremamente felizes e gratificados quando observam que nós também adquirimos a consciência desta responsabilidade; Para Eles ver que nós somos responsáveis , honestos e dedicados vale muito mais que homenagea-los com milhões de oferendas , porque a luz da consciência de um trabalhador ilumina muito mais que milhões de velas .

Anjo Ariano
Luz e Paz.

A ameaça e a tortura psicológica dentro dos Terreiros

Prezados irmãos de senda.

Eu acho inconcebível o número de e-mails que eu recebo mencionando a ameaça recebida por parte de mentores e orixás dentro de terreiros, baseado nesses fatos, decido escrever uma síntese de tudo o que envolve esse mecanismo de ameaças dentro de terreiros.

Primeiramente é importante salientar que além de ameaças, presencio torturas psicológicas, como se a pessoa sair do centro, ela perderá guarda dos filhos, emprego e até a pessoa amada, antes de mais nada, gostaria de ressaltar que isso se configura CRIME, ou seja, em nossa sociedade, qualquer ameaça é passível de CRIME segundo a nossa instituição penal (O que considero relativamente falida) mas eventualmente funciona.

Com isso, subentende-se que um mentor, que se diz de Luz, sair lá de Aruanda ou de qualquer outro lugar da qual é oriundo e ameaçar o médium por não realizar certas VONTADES dentro do centro é no mínimo ridículo,  recebi um caso de uma irmã que queria terminar o seu relacionamento, seu namorado supostamente recebeu o exu no meio de um bar onde estavam conversando e disse a ela que se terminasse com ele, as coisas na vida dela desandariam de forma intensa.

É onde eu me pergunto: Até onde vai a ignorância a respeito da religião.

E às vezes, o cidadão faz isso de forma inconsciente, ele mistura o animismo, seu estado emocional e com isso, ou acha que está recebendo seu próprio mentor e na verdade não há nada ali, ou ele entra em uma sintonia pútrida, dando vazão a outros espíritos se aproveitarem da situação ou é PURO FINGIMENTO, em nenhum dos três fatores é algo honorável ou até mesmo aceitável, é simplesmente hediondo.

Por isso vivo enfatizando, a maior arma que vocês possuem é o conhecimento, com estudos, uma mente analítica vocês deixam de sofrer certas mazelas provenientes nos cultos, com o estudo, com o aprendizado, você se previne de certas influências lamentáveis que ocorre dentro e fora do centro com a utilização ignorante da mediunidade. Por isso, sou chato e categórico, ESTUDEM!

Recentemente recebi um e-mail de uma irmã que ia pedir licença do centro e na gira de exu, ela recebeu tantas ameaças que ficou com medo de sair, preferiu se preocupar mais com as represálias dentro do terreiro a seus problemas pessoais fora dele, com isso, o médium permanece insatisfeito na corrente prejudicando toda a firmeza do lugar.

ESPÍRITOS DE LUZ não ameaçam, se um dia forem ameaçados, dê as costas e vão embora, ali não tem mentor nenhum, tem o animismo do sacerdote ou um guimba bem do maldito dirigindo o lugar, não existe tortura psicológica, o LIVRE ARBÍTRIO foi dado para todos os seres humanos que nem DEUS interfere.

Essa metodologia de sair do centro vai apanhar do Orixá, vai tomar “PEIA” como costumam dizer é retrógrado demais, inadmissível, um espírito de Luz nunca vai interferir no seu Livre Arbítrio, ele vai te orientar, vai te avisar de possíveis circunstâncias indesejadas durante o novo caminho, mas ameaçar? Pelo amor né? Estamos em pleno 2014 e ainda existem sacerdotes que usam a metodologia do medo para adquirir respeito?

Não confundam a orientação, aquilo que temos desde a infância com a vovó, de se você ir por esse caminho, você PODE VIR a se machucar com, SE VOCÊ SAIR DO CENTRO, VAI PERDER O EMPREGO. Orientação é uma coisa, ameaça é outra e é totalmente diferente, assim como a tortura psicológica, se não fizer vou te derrubar, vou tirar seu emprego, repito, ou é um espírito do mais baixo patamar vibratório ou é o próprio médium em uma famosa sessão anímica.

Meus sinceros votos de paz e luz a todos.

Neófito da Luz.

O oportunismo por trás da Umbanda.

Namastê, caros senhores.

Essa semana, juntamente com a outra, me deparei com duas situações lamentáveis, que infelizmente já presenciei em vários outros casos e como estava em uma linha mais amena no blog, decidi me omitir. Mas como prometi a vocês, o blog terá muito sobre a Umbanda como antes, mas também terá uma visão mais analítica e crítica das situações que presencio e aos irmãos que me escrevem solicitando auxílio.

Antes, gostaria de deixar algumas coisas aqui categoricamente claras, eu vou denominá-las como um manual de defesa contra CHARLATANISMO, claro que é de acordo com o meu ponto de vista. Segue alguns:

1)      Espíritos de Luz não ameaçam, independente de qualquer situação,  a liderança e o respeito se dá através da igualdade e compreensão e não através do medo, isso é fato! A ameaça pode partir de três maneiras:

  • a)   Animismo mediúnico: A forte emoção do médium durante a psicofonia provoca uma exaltação em seu amago e exterioriza através do mentor. Muito comum com a linha de exús;
  • b)    Espírito atrasado (Eguns, Quiumba, etc);
  • c)    Próprio médium. Às vezes não há nada ali, somente um medium achando que está incorporado e utiliza de suas emoções e do medo para atingir um determinado objetivo;

2)      Espíritos de Luz não forçam uma situação, muitas vezes eu já vi um médium interessando em outro médium da corrente e forçar a situação de sua entidade fazer um elo de ligação entre ambos, forçando uma certa situação, como por exemplo, um exu falando que trabalha com a pombagira da outra médium e que eles “saem” eventualmente e por isso, pode acontecer também com o cavalo deles. Coisas desse tipo, NÃO EXISTE!

3)      Espíritos de luz incorporarem no médium durante uma transa, principalmente pombagiras, isso é MEDÍOCRE.

4)      A cobrança dos Trabalhos: Espírito de Luz não cobra, não pede dinheiro, o dom é divino e o que vem de Deus é gratuito para que possamos utilizar em prol de outros irmãos, para aqueles que cobram, fica aqui o meu completo desprezo, se abraçou a causa, faça com amor e dedicação e não utilize como proveito pobre dessa situação. Sou totalmente contra esse negócio de cobrar A MAO, cobrar A CABEÇA e assim por diante.

5)      Ebó, oferenda com matança, não é UMBANDA, isso é no mínimo o vulgo UMBANDOMBLÉ. Na umbanda não existe esse tipo de sacrifício, se isso ocorre, não é umbanda pura, e sim a famosa mistureba que muitas casas de hoje realizam.

6)      Mentores não vem aos montes na casa de pessoas que necessitam de ajuda, existe muitos casos de dirigentes ou médiuns que vai em casas de filhos que necessitam  incorporar as 580 linhas da Umbanda. Isso não é Umbanda, isso é circo, no máximo virá uma entidade de firmeza, uma de proteção e um orixá para fechar o trabalho. Esses mesmos não vêem e pedem 50 maços de cigarros ou um engradado de cerveja, isso não são mentores de luz e sim o próprio médium se aproveitando da situação. Raros os casos, se a casa tem firmeza e ocorre uma reuniãozinha familiar, sem problemas, agora o médium ir sozinho realizar trabalho na casa de filhos! Não!

7)      Nunca presenciei em toda a minha vida médium totalmente inconsciente, não existe o APAGAR, isso ainda é vício, isso ainda é cartilha de pai de santo antigo para não perder a credibilidade para com seus filhos.

8)      Não existe espírito falar que só trabalha com certo tipo de charuto ou bebida, alguns podem até brincar com a situação, mas negar o trabalho porque não tem os seus “apetrechos”, não é o ESPÍRITO e sim o MÉDIUM.

9)      Espíritos que agridem alguns médiuns, que utilizam chicotes, que dão tapas fortes em diversos lugares, testam o filho com o caldeirão de dendê fervendo, com pólvora, não são espíritos, e se o são, não estão em um nível adequado de evolução, seres de luz não necessitam machucar a carne para testar seus filhos, isso não é espírito e sim o médium.  Se o guia do médium se submete a isso, é a cabeça dele e não o seu guia, seres de luz não necessitam provar nada a ninguém.

Claro que virá aquele papinho de médium firme, não sentirá a dor, até pode ser, mas de qualquer forma vai agredir a sua matéria, se nossa matéria fosse suscetível aos poderes do mentor que incorpora, teríamos levitação, teríamos médiuns dançando na fogueira sem se queimar, o médium não sentir dor é uma coisa, agora a matéria não sofrer com isso, ou seja, a pessoa incorporada desafia as leis da física, é BALELA!

Eu não sou o dono da verdade, mas isso é um relato de toda a experiência que eu tive. Todos os meus estudos, pesquisas, observações e isso é para evitar que outros irmãos caiam em falácia de mediuns ou dirigentes que se dizem mensageiros de Aruanda e propagam erroneamente os mandamentos da religião.

Isso é para evitar oportunistas que dependem da Umbanda para viver, o que não difere em nada de dirigentes evangélicos que se aproveitam da fé, da ignorância e da vulnerabilidade dos fieis para obterem ganhos financeiros. Esse tipo de dirigente é tão medíocre quanto eles.

Eu estou evitando utilizar a palavra sacerdote e substituindo por dirigente porque pessoas assim não merecem tal denominação.

Caros leitores, todos nós passamos por momentos de fraqueza, aflição, desespero, angustia, vulnerabilidade, carência, esses são sentimentos que nos impedem de enxergar a razão, ficamos cegos, sem raciocínio é onde esse povo se aproveita.

A grande massa de e-mails que eu recebo é devido a relatos de certos trabalhos dubitáveis e incoerentes dos quais também presenciei em minha andança. Dirigente de terreiro se tornou o pastor da Igreja, muitos ainda são honestos, propagam com amor as palavras do Evangelho, mas muitos não merecem nem o titulo de dirigente por disseminarem de forma tão erradicada conceitos do Amor Universal.

Paz Profunda.

Neófito da Luz.

Animismo e Mediunidade

 

097eagle_20spiritreal

Definição de animismo

A palavra ANIMISMO vem do latim ANIMA que significa alma e foi usada, pela primeira vez, por Alexander Aksakov em seu livro “Animismo e Espiritismo” para designar “todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e, mais especialmente, os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo.”

André Luiz em seu livro “Mecanismos da Mediunidade”, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, define animismo como sendo “o conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.” Já Richard Simonetti em seu livro “Mediunidade – Tudo o que você precisa saber”, diz que animismo, “na prática mediúnica, é algo da alma do próprio médium, interferindo no intercâmbio.”

Ramatis no livro “Mediunismo”, pela psicografia de Hercílio Maes, diz que “animismo, conforme explica o dicionário do vosso mundo, é o “sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais”.

“O fenômeno anímico, portanto, na esfera de atividades espíritas, significa a intervenção da própria personalidade do médium nas comunicações dos espíritos desencarnados, quando ele impõe algo de si mesmo à conta de mensagens transmitidas do Além-Túmulo.”

Partindo de definições como estas o termo passou a ser usado de forma negativa e pejorativa para tudo aquilo que fosse produzido por um médium, mas que não tivesse qualquer contribuição ou participação de espíritos desencarnados. Com essa definição o animismo passou a ser o pesadelo de todos os médiuns, especialmente os iniciantes, por ser usado como sinônimo de mistificação e fraude.

Animismo e mistificação

No entanto, mistificação é outra coisa completamente diferente, caracterizada pela fraude consciente do médium e a simulação premeditada do fenômeno mediúnico, com intenção de enganar os outros. Médium mistificador, portanto, é aquele que FINGE, premeditada e conscientemente, estar em transe mediúnico, recebendo comunicação de espíritos desencarnados quando, na verdade, está apenas inventando a mensagem para impressionar ou agradar as pessoas que estão à sua volta.

A atuação anímica do médium, por sua vez, acontece de forma quase sempre insconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é criação mental do comunicante, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente.

É o que nos diz Hermínio C. Miranda em seu livro “Diversidade dos Carismas”, quando afirma que“o fenômeno fraudulento nada tem a ver com animismo mesmo quando inconsciente. Não é o espírito do médium que o está produzindo através de seu corpo mediunizado, para usar uma expressão dos próprios espíritos, mas o médium como ser encarnado, como pessoa humana, que não está sendo honesto nem com os assistentes nem consigo mesmo. O médium que produz uma página por psicografia automática, com os recursos do seu próprio inconsciente não está, necessariamente, fraudando e sim, gerando um fenômeno anímico. É seu espírito que se manifesta. Só estará sendo desonesto e fraudando se desejar fazer passar sua comunicação por outra, acrescentando-lhe uma assinatura que não for a sua ou atribuindo-a, deliberadamente, a algum espírito desencarnado.”(grifo nosso)

Animismo não é defeito mediúnico

O animismo não é, portanto, defeito mediúnico e nem deve ser tratado como distúrbio ou desequilíbrio da mediunidade ou do médium. Na verdade, como parte dos fenômenos psíquicos humanos, deve ser considerado também parte do fenômeno mediúnico já que, como diz Richard Simonetti no livro já citado, “o médium não é um telefone. Ele capta o fluxo mental da entidade e o transmite, utilizando-se de seus próprios recursos“.(grifo nosso) “Se o animismo faz parte do processo mediúnico sempre haverá um porcentual a ser considerado, não fixo, mas variável, envolvendo o grau de desenvolvimento do médium.”

Hermínio Miranda, no livro já citado, diz que, “em verdade, não há fenômeno espírita puro,(grifo nosso) de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, anímicas.”

Interessante também vermos algumas anotações de Kardec referentes a instruções dos espíritos, em “O Livro dos Médiuns”: “A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra.” (…) “O espírito do médium é o intérprete porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância e, na ponta do fio, uma pessoa inteligente que a receba e comunique.”

Em nota de rodapé, José Herculano Pires que traduziu a 2ª edição francesa de “O Livro dos Médiuns” diz que “o papel do médium nas comunicações é sempre ativo. Seja o médium consciente ou inconsciente, intuitivo ou mecânico, dele sempre depende a transmissão e sua pureza.”

Quando Kardec, ainda no mesmo livro, pergunta se “o espírito do médium não é jamais completamente passivo”, os espíritos lhe respondem dizendo que “ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.”

Hermínio Miranda, citando ensinamento dos espíritos no livro de Kardec, diz ainda que “assim como o espírito manifestante precisa utilizar-se de certa parcela de energia que vai colher no médium para movimentar um objeto, também para uma comunicação inteligente ele precisa de um intermediário inteligente, ou seja, do espírito do próprio médium. (…) O bom médium, portanto, é aquele que transmite, tão fielmente quanto possível, o pensamento do comunicante, interferindo o mínimo que possa no que este tem a dizer. Reiteramos, portanto, que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica. (grifo nosso) O cuidado que se torna necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita de animismo, como se o animismo fosse um estigma e sim, ajudá-lo a ser um instrumento fiel traduzindo, em palavras adequadas, o pensamento que lhe está sendo transmitido sem palavras pelos espíritos comunicantes.

Animismo como coadjuvante no fenômeno mediúnico


Quando Kardec, ainda no “O Livro dos Médiuns”, pergunta aos espíritos se “o espírito do médium influi nas comunicações de outros espíritos que ele deve transmitir”, recebe a seguinte resposta: “Sim, pois se não há afinidade entre eles, o espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências.” Em seguida, Kardec lhes pergunta se “é essa a causa da preferência dos espíritos por certos médiuns”, ao que os espíritos respondem: “Não existe outro motivo. Procuram intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento.” 

 

Vemos, portanto, que mais que parte integrante, o animismo é, até certo ponto, condição necessária para o fenômeno mediúnico, garantindo a sintonia adequada para que a transmissão seja o mais fiel possível às idéias do comunicante. Sem o conteúdo do médium é muito mais difícil para o espírito transmitir-lhe suas idéias e o que pretende com elas. De posse do conteúdo mental e até emocional do médium, no entanto, torna-se muito mais fácil para o espírito fazer-se entendido podendo, assim, transmitir com mais naturalidade e desenvoltura o seu raciocínio.

No livro “Mediunismo”, Ramatis nos diz que “mesmo na vida física é necessário ajustar-se cada profissional à tarefa ou responsabilidade que favoreça o melhor êxito ou eficiência para alcance dos objetivos em foco. (…) Da mesma forma, o espírito do médico desencarnado logrará mais êxito ao se comunicar com o mundo material, se dispuser de um médium que também seja médico. Quando o médium e o espírito manifestante afinizam-se pelos mesmos laços intelectivos e morais, ou coincide semelhança profissional, as comunicações mediúnicas tornam-se flexíveis, eloqüentes e nítidas. (…) Os espíritos não se preocupam em eliminar radicalmente o animismo nas comunicações espíritas porque o seu escopo principal é o de orientar os médiuns, aos poucos, para as maiores aquisições espirituais, morais e intelectivas, a ponto de poderem endossar-lhes, depois, as comunicações anímicas, como se fossem de autoria dos desencarnados.”


Notamos, assim, que a preocupação com o animismo é muito mais de médiuns e dirigentes, do que dos espíritos que se comunicam nas reuniões mediúnicas. 

Mediunidade consciente, semiconsciente e inconsciente


Mediunidade consciente é aquela em que o médium, como o próprio nome diz, permanece consciente durante todo o transe, registrando a mensagem e quase tudo o que se passa à sua volta durante a comunicação e participando ativa e conscientemente do fenômeno, imprimindo à mensagem muito de suas características pessoais. Neste caso, a comunicação se faz mente a mente, telepática e/ou energeticamente, sem o desdobramento do médium. Mais de 70% dos médiuns apresentam este tipo de fenômeno.


Mediunidade inconsciente é aquela em que, ao contrário da anterior, o médium, a partir da ligação com o espírito comunicante, fica inconsciente, incapaz de registrar qualquer parte da mensagem ou mesmo de qualquer coisa que ocorra à sua volta durante o transe. Neste caso, o médium é totalmente afastado de seu corpo físico, permanecendo projetado durante a comunicação, e o espírito assume o comando do órgão físico correspondente ao tipo de mensagem (psicografia – braço e mão; psicofonia – garganta; ectoplasmia – cérebro) a ser transmitida, sem que o conteúdo da mensagem passe pela sua mente.

Entre as duas, poderíamos citar a mediunidade semiconsciente que é aquela em que o médium percebe o que se passa à sua volta, mas não é capaz de registrar completamente todos os detalhes, nem mesmo da mensagem que está transmitindo. Neste caso o médium é afastado parcialmente de seu corpo físico e o comunicante se coloca entre este e o seu perispírito, ligando-se tanto com a sua mente como com o órgão físico correspondente ao tipo de mensagem, atuando duplamente.

Importante notar que fenômeno mediúnico consciente não é o mesmo que fenômeno anímico. 


No fenômeno consciente, a mensagem não é do médium, embora ele esteja consciente de todo o processo e participe do fenômeno que ocorre com ele, sem interferir no seu conteúdo, sem deturpar a idéia central da mesma. O estilo, o vocabulário, a forma e o tom da mensagem são seus, mas o tema, a idéia, a essência e o conteúdo são da entidade. Por este motivo, médiuns conscientes costumam transmitir mensagens muito parecidas em termos de estilo e forma, porque é mais ou menos como se recebecem dos mentores um tema e alguns tópicos para redação e coubesse a eles desenvolvê-los, com seu jeito e palavras.

Já no fenômeno anímico, é o espírito do próprio médium que se comunica e dá a mensagem através de seu próprio corpo em transe, na maioria das vezes sem que tenha consciência de que é ele mesmo que está passando a mensagem, mesmo que esteja consciente do fenômeno e durante o fenômeno. Ou seja, ele pode até estar consciente de tudo, mas não tem consciência de que é ele mesmo que está se comunicando e transmitindo uma mensagem. Ele pode acompanhar o desenrolar da comunicação, mas não sabe que o comunicante é ele mesmo, ou uma porção inconsciente de sua própria consciência ou espírito…


Importante ressaltar também que é possível a espíritos encarnados se afastarem de seu corpo físico, em desdobramento ou projeção, e se manifestarem por intermédio de outros encarnados que sejam médiuns sem que, no entanto, este seja um fenômeno anímico. Na verdade, este é um fenômeno mediúnico entre encarnados (ou entre vivos como, incorretamente, se convencionou chamar, já que vivos somos todos encarnados e desencarnados), pois caracteriza-se pela interação espiritual de duas consciências encarnadas diferentes.

 

Por Maísa Intelisano