Linha dos Piratas na Umbanda

Saudações irmãos de fé.

Meu sumiço repentino deve-se a algumas pesquisas mais aprofundadas que eu estou realizando e procurando metodologias de trabalho para implantar em meu templo.

Um dos assuntos dessa semana, é sobre uma nova linha que se aproxima de muitos terreiros umbandistas, a linha dos Piratas.

Sinceramente, isso não é algo que me surpreende por dois principais motivos: O primeiro é que na minha linha já aparecia um marinheiro, chamado Tiago, totalmente diferente das indumentárias dos marinheiros mercantes ou militares, conforme já coloquei no post sobre marinheiros, aparece utilizando bandana, longos brincos e uma faixa branca na cintura, e sem camisa, o que demonstra não ser militar e nem tampouco mercante e sim um bucaneiro, um corsário ou afins. O segundo motivo é algo que eu sempre menciono no blog, o surgimento de novas linhas de trabalho, bem como o amadurecimento da Umbanda e o estudo aprofundado da liturgia, a cada passo que aprendemos mais, novas oportunidades se abrirão.

É inevitável que existe diversos espíritos que buscam o auxilio espiritual e a evolução acima de tudo, um médium pode trabalhar em media com 10, 20 guias espirituais, o que seria muito pouco mediante a vastidão de habitantes no outro plano, com isso, novos arquétipo surgem ou até mesmo a individualidade dos mesmos, como os tropeiros que já mencionei, a linha dos marinheiros, a linha dos malandros, dos quais muitos são muito parecidos com baianos, exus ou até mesmo juremeiros, e agora essa subdivisão da linha das águas, a linha dos piratas.

ETIMOLOGIA

Vem do grego peirates que significa intentar, experimentar.

Assassins Creed – Black Flag

HISTÓRIA DA PIRATARIA

Os primeiros relatos da pirataria, remontam em 730 a.C no livro “Odisséia” de Homero, navegavam nas rotas comerciais com o objetivo de saquear riquezas, qualquer coisa que flutuava nas águas com indícios de transporte de metais preciosos, dinheiro, pessoas importantes, sofriam o saque dos piratas, muitos também tinham o intuito de sequestrar pessoas importantes afim de solicitar o resgate. É inevitável que existia muita maldade entre os homens, porém, como não podemos generalizar, muitos eram piratas por diversos motivos.

Podemos compreender a grosso modo que os piratas seriam uma mistura do arquétipo de escravos, malandros e homens do mar, muitos viam a pirataria como uma forma de sair da escravidão, muitos piratas eram escravos que foram melhor aproveitados pelos capitães e contramestres pela sua força ou pela sua diposição de trabalho, muitos viam a pirataria também como uma forma melhor de ganhar dinheiro, sair da vida pobre e condenada das quais eram submetidos, muitos prefeririam dar a vida nos mares a viver como proletários e até escravos na Terra, outros viam como forma de ganhar dinheiro fácil e outros apenas pela paixão de aventura e pelo conhecimento de novas terras.

Quem quiser pesquisar um pouco mais a respeito da vida dos piratas, achei uma fonte bacana em nosso amigo wikipedia que pode compreender maiores informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirata

Entre os piratas, existiam outras classes como bucaneiros, flibusteiros, corsários, que eram piratas porém endossados pelo governo, recebiam aval de um determinado governo para saquear a favor deles ou até mesmo como forma de isentá-los (o país que assinou) de maiores problemas, seriam um certo tipo de agrado.

PIRATARIA NA UMBANDA

Em poucas fontes na Internet, podemos perceber que os piratas trabalham de forma mais densa que os marinheiros, seria como se fosse guias de esquerda que atuam na corrente das águas, eu mesmo, tenho por experiência própria a diferença de vibrações que me causa o Sr. Martinho e o Sr. Tiago, enquanto o primeiro traz uma vibração mais tranquila, mais leve, uma forma de trabalho mais sutil, o segundo vem de uma forma mais peculiar, trazendo uma vibração mais densa e consultando os registros de minha memória, as vezes que o Tiago veio era para resolver situações mais complicadas de ordem mais densa, o que corrobora com alguns pouquíssimos textos que li sobre alguns piratas na Umbanda.

Às vezes fica evidente como a espiritualidade nos prepara silenciosamente para novos aprendizados, novos arquétipos, um irmão meu já trabalhava com um “baiano” mais malandro, mais despojado do que o outro que vinha, anos depois esse “baiano” é o malandro que ele trabalha hoje enquanto sua linha de baiano é o mesmo que vinha eventualmente e agora mais presente, no meu caso mesmo, o Sr. Chico Preto que vinha muito na linha de baianos, hoje ele vem na linha da Jurema, e assim vai.

Silenciosamente a espiritualidade envia guias que se encaixam de certa forma no arquétipo daquela linha de trabalho, mas ela nos induz a abrir a gama de trabalho fazendo com que esse guia que seria um “baiano”, um “marinheiro”, na verdade é um malandro, um mestre juremeiro e até mesmo um pirata, o que consequentemente nos induz a trazer uma nova linha de trabalho dentro dos terreiros.

Consultando alguns irmãos, a opinião é bem dividida, uns dizem que as pessoas começaram a INVENTAR muitas linhas, enquanto outros, acham importante essa nova gama de formas de trabalho que chegam na Umbanda, são novos horizontes, novas ferramentas com o intuito de ajudar e otimizar a nossa evolução bem como a evolução daqueles que almejam a Luz Maior.

Muitos dizem que a linha do Saraceni inventou Orixás, o que pra mim é a dificuldade de abrir a cabeça para novos horizontes, tudo muda, antes o que era impossível realizar, com apenas dois toques com a ponta dos dedos realizamos, tudo evolui, a Umbanda evoluiu drasticamente nos últimos anos e temos que ter a mente atenta para mudanças que ainda ocorrerão, acho que flexibilidade e aceitação são chaves primordiais para permitirmos que isso aconteça, para algumas pessoas que entendem um pouco mais de tecnologia, entenderão a analogia, a Umbanda é Open-Source, cada um pega essa base e faz dela o que bem entende, se sua casa cultua 8 orixás, 16 orixás, 32 orixás, 256 orixás, que o faça dentro de um conjunto de boas práticas e com sabedoria, apenas isso, se pra você Egunitá é uma invenção, ótimo, se pra você é um Orixá diferente da qualidade de Iansã, ótimo também, se funciona, é o que importa. Para se locomover entre países, podemos utilizar carros, aviões, trens, navios, ônibus, qual deles é o mais correto? Será aquele que mais cabe no seu bolso ou aquele que pra você pode ser o mais rápido, não existe uma forma correta e sim aquela que está dentro das suas condições e/ou dos seus objetivos.

Existe uma frase simples que pode denotar o que eu quero dizer: “Quem nasce pra ser lagartixa, nunca chega a ser jacaré”.

Da mesma forma que eu senti um boiadeiro que na verdade era um tropeiro, se é a espiritualidade me induzindo silenciosamente a conhecê-lo e posteriormente dividir entre linhas de boiadeiros e tropeiros, não sei, mas já é uma outra entidade que foge do arquétipo de boiadeiros.

Mas voltando ao escopo do assunto (Eu me empolgo), algumas casas particularmente já trazem essa linha antes ou depois do trabalho dos marinheiros, existem poucos pontos também em torno da linha, mas se for mais uma vasta falange de bons trabalhadores, que sejam bem vindos, por que não?

Pelo pouco que concluí, e pela experiência que eu tive com o Tiago (pode ser Thiago tb) é que ele é mais sério mesmo, trabalha com elementos mais densos como pólvoras, velas escuras, bebidas mais fortes e charuto, enquanto o Martinho não bebe, fuma raramente e trabalha apenas com velas e água, o que denota intensamente a diferença de escala vibratória dos dois, o Tiago faz poucas brincadeiras, mas em sua grande parte é sério, dá muita consulta, dança e puxa ponto, fala muito enrolado. Importante ressaltar que o cigano que meu irmão trabalha, que é um cigano excelente, ele é um pirata!

Compreendo que toda energia tem sua polaridade, e como existe o Exu Marabô, que é um exú que eu trabalho que atua fortemente na vibração das águas, porém na polaridade negativa, assim entendo que é a forma de trabalho dos piratas da Umbanda, trazem a polaridade negativa de toda a energia aquática.

No próximo trabalho pedirei ao cambono obter maiores informações sobre essa linha assim que o Tiago estiver em Terra, na posse de novas informações, volto a postar no blog.

Como disse, nem todos são obrigados a aceitarem, para muitos pode ser uma invenção, eu ainda não sei bem o que dizer, mas acredito que se isso ocorreu em pontos muito distintos no nosso país, eu vi uma menção no blog do Queiroz, uma outra menção de um carioca e de uma nordestina, dificilmente pessoas de locais distintos, de linhas distintas podem inventar ao mesmo tempo sobre alguma coisa, obviamente tem explicação científica para isso, mas não entrarei no mérito da questão.

Também achei uma outra rara referência nesse blog: http://umbandistas.com.br/blog/destaques/linha-dos-piratas-na-umbanda/

Quem quiser assistir também um pouco sobre a pirataria, essa semana eu devorei um seriado chamado Black Sails.

Salve o Povo do Mar.

Neófito da Luz .’.

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