Provébio Sioux

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PAJELANÇA – O XAMANISMO BRASILEIRO

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É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã. O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não índígenas) mais comuns no Noorte e Nordeste brasileiro.

Há anos atrás, o amigo Walter Vetillo foi a Belém fazer uma reportagem para a Revista Planeta, cobrindo o VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica onde se realizaou um Encontro de Pajés. Parte da mátéria transcrevo abaixo :

Afinal…quem são os pajés ?

Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança :

” Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em xamanismo, muitas linhagens dos xamãs são mulheres No Brasil não; aqui pajé é sempre somente do sexo masculino – primeira geração, que passa de pai para filho. Para sser um pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, dve ter muitas força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas biocósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.

Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, varia muito o conceito de pajelança, mas eles tem alguma coisa em comum: o misticismo , o segredo. Você as vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento) . O pajé penetra na área da encantaria, uma outra vertende da grande magia que pouca gente conhece., que é passar para uma outra dimensão e e muitos dele quando retornam dessa experiência , voltam curados. Eu fui iniciado pelas mãos de uma curandeira de terceira geração que foi tratada pelos pajés. Doente, ela passou algum tempo desaparecida e quando retornou, além de curada veio com dons incríveis.

A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazonia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .

Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outrois atos com objetivos diversos.

A visão holística da cultura xamanista não pode ser esquecida fornecendo ao pajé um importante elo que o integra ao todo. Nesse sentido Fritjot Capra, em ponto de Mutação, sintetiza: “A característica predominante da concepção xamanista de doença é a crença de que os seres humanos são partes integrantes de um sistema ordenado em que toda a doença é consequência de alguma desarmonia em relação à ordem cósmica. Com grande frequência, a doença também é interpretada como castigo por algum comportamento imoral.

A pajelância autêntica, abrange os pajés reunidos no conceito de “alta pajelança”, cujos segredos são guardados a sete chaves – haja vista não terem interesse em que profanos venham a desfrutar dessas dádivas. Ela se subdivide em diuas correntes :

  • Pajelança de “conta branca” : Atua em favor do bem, curando principalmente doenças físicas e mentais e resolvendo problemas do cotidiano da comunidade.
  • *Pajelança de “conta negra” : Atua em favor do mal. Visa facilitar a vitória na guerra com outras tribos ou a disputa de guerreiros para se tornar líderes. Serve também para matar ou adoecer uma vítima, sendo que em alguns casos é usada para dificílimos trabalhos de cura.

A verdadeira pajelança é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. A presença da mulher é vedada.

Já a pajelança paralela (segunda geração) envolve as várias formas de curandeirismo popular – principalmente as rezadeiras e benzedeiras, que trazem no sangue a eugenia nativa, além de estar representadas em alguns rituais da Umbanda.

Finalmente, a pajelança afim (terceira geração) engloba o curandeirismo popular originado da pajelança mater, porém com atuação mais aberta que a anterior. Aoresenta influências visíveis de outras magias, seitas, misturando-se a -se a outras culturas folclóricas e crendices de povos diversos. É a pajelança com maior influência no Brasil, e suas benzedeiras, que utilizam ervas e rezasa para tirar o “quebranto” , muitas vezes conseguem imbuir-se de dons que são inerentes aos pajés. Já as rezadeiras, embora sejam incluídas nesse grupo, são originárias do Nordeste, submetendo-se assim a uma influência maior do catolicismo.

A pajelança deve ser usada por quem realmente a domina, manipulando o universo de magias que a constituem. A princípio todos os métodos usados são indutivos, sincronizados a um objeto (instrumento de poder) e resguardado pelos dons natos do pajé. Sua maior finalidade está na força de cura ou no resultado que produz a partir de três fatores básicos :

1 Força Mental – É um dos instrumentos fundamentais de um pajé. Existe um arquétipo-modelo que fornece meios para a paranormalidade aguçar-se à medida que o pajé passa a usar elementos oriundos da natureza: comer determinadas frutas ou raízes, ingerir certas bebidas sagradas através de fórmulas secxretas, etc. Esse comp0lexo aguça a paranormalidade e está associado a outros exercícios como a entonação de mantras.

2 Sincronia de elementos – Constitui o poder de invopcar elentos das diversas dimensões através de cânticos mântricos e imagens. Quando associado à natureza, esta força ostenta a verdadeira fórmula que muitos pajés, bruxos e outros magos guardam a sete chaves. O próprio maracá, qunado sacudido cadencialmente, cria uma estrutura energética que permite a abertura para a paranormalidade.

3 Agentes auxiliares – O auxílio a esses trabalhos provém de seres de diversos planos dimensioonais invocados para operar como reforço, com os elementais da natureza, os encantados (seres energéticos de outras dimensões) e outros agentes chamados “tetaianos” ou seja, otimizados pelas comunicações biocósmicas (espíritos de pajés e de outros seres).

Um elemento insispensável na pajelança é o maracá. O maracá de um xamã é recebido ou confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. em alguns casos é passado de pai para filho; ou ainda, o “escolhido” é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação..

Outro elemento fundamental é o tauari , uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os cantatos que o pajé queira fazer.

Se o maracá e o charuto, são importantes para um pajé, pois assumem significados sagrados em suas mãos, existem outros elementos secundários uisados ao lçongo dos trabalhos desenvolvidos.

  • Mascar certos vegetais ou mesmo cheirá-los, ou até mesmo comer ou beber, também faz parte do ritual de entrada de um xamã. Essa situação varia muitoi de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado. O importante é que eles, usando recursos tiotalmente naturais, provocam os mesmos efeitos de certos enteógenos.
  • Chás ou pós de ervas, alucinógenos ou não, facilitam as viagens e a comunicação, com entidades de outros planos, bem como aguçam a paranormalidade.
  • Porções para mascar, feitas com plantas e raizes especiais, desenvolvem a sensibilidade do pajé e facilitam suas viagens, as quais poderão trazer soluções para os casos pendentes.
  • Cantos nativos produzem vibrações e facilitam contatos com outros pajés, pessoas ou ouitros seres invocados nos cânticos.

Dentro dessa estrutura a pajelança é associada a rituais de grande beleza e magia, qu extasiam a todos que se envolvem no processo de participação, ou mesmo como meros observadores.

Segundo Thor, o perfeito domínio sobre este incrível mundo mágico-natural pode por vezes levar alguns pajés de alta linhagem a alterar suas partículas atômicas, tornar-se invisíveis e deslocar-se no espaço, surgindo em outros lugares. Aqui vale a pena lembrar as experiências relatadas por Castañeda em seus livros, descrevendo casos semelhantes com Dom Juan e D. Genaro.

Geralmente o pajé exerce uma influência muito grande sobre sseu povo – sua figura está para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importânciae destaque assumam uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo. Por outro lado, como um médico, o pajé segue as normas e obedece as éticas moldadas pela sociedade., e não poderia deixar de assumir um arquétipo blinbdado para sua tribo. Dificilmente alguma coisa lhe é negada, e ele, com justiça, exerce o poder e goza de fama e do respeito de todos. Os pajés vivem bastante tempo, e os mais poderosos são chamados de sacaca por sinal, o mesmo nome de um conhecido vegetal da Amazônia Oriental, detentor de inúmeras utilidades.

Extraído do site: http://www.xamanismo.com.br/

Regras e Leis da Umbanda

Saudações irmãos, aqui quem vos fala sou eu, o neófito, com mais um artigo chato.

Recebo muitos e-mails em relação ao que é certo ou errado dentro dos terreiros, hoje, percebi que muitos dirigentes não esperam o guia do filho dar o nome e já vai falando ao filho quem é e isso pode causar dois grandes problemas: O filho por autossugestão ou animismo dar o nome que o dirigente deu, ou o guia dar um nome totalmente diferente, o que deixa o médium ainda mais inseguro.

Também recebo e-mails sobre qual o tempo certo de incorporar e fiz um pequeno artigo aqui, existem também aqueles métodos certos para “despachar” uma vela, de costa com a mão esquerda pra trás, dá uma voltinha e pula amarelinha, entre outros diversos mecanismos que utilizam como REGRAS IMUTÁVEIS para que não ocorram quizilas entre vocês e os orixás.

Também existem aquelas regras que o filho só pode receber apenas UM GUIA POR LINHA do começo até o final de sua vida, descartando o dinamismo universal que existe na espiritualidade. Outros, que os falangeiros de Orixás em HIPOTESE alguma podem falar, o que podemos perceber que isso, em muitas casas do sul, é uma irrealidade.

Existem também aquelas Leis que o filho pode ter apenas um falangeiro, existem aquelas Leis que quem tem Xangô na cabeça não pode rodar com Obaluaie e Nanã não toma a cabeça de homem. Existem DIVERSAS REGRAS E LEIS das quais MUITAS herdamos do candomblé e outros cultos de nação, independente se a mitologia ioruba é rica ou pobre, se o culto dos Orixás eram de elevado nível e o tempo degradou todo esse conhecimento junto com a grande demanda de babalaôs incompetentes que tivemos, a realidade é uma SÓ: Muita superstição e pouca Ciência, muita crença, muita balela para pouco trabalho.

Obviamente temos diversas tradições, das quais muitos por medo ou por comodidade, insistem em segui-las, e como disse, ou porque é cômodo, ou porque há o medo de represálias do mundo espiritual e consequentemente do castigo Divino e outros por simplesmente não se preocuparem com isso, apenas seguem ou não.

Código de Hamurabi, representando a Lei do Talião (Olho por Olho, Dente por Dente) é nessa Lei Arcaica que muitas religiões ainda atuam.

Pedir licença na encruzilhada, sair de frente no cemitério, se benzer ao passar em uma igreja (Muitos Umbandistas o fazem), entre outros fatores que são leis que beiram a superstição.

Obviamente na Espiritualidade existem Leis, existem Regras, mas diferente das que são pregadas pelos homens, são leis baseadas em ciência, conhecimento, experiência, se você tem dois falangeiros de Ogum e seu dirigente acha errado, parabéns pra ele, se você tem um boiadeiro de frente como chefe de cabeça, ótimo, sinal que sua vibração é fortemente aliada ao culto de eguns, à missão de força, manipulação de energias densas, limpeza e não que é ERRADO ou tem que tirar o BOIADEIRO da frente.

E quando falam que o Orixá briga pela sua cabeça? Esse pra mim é o ápice de qualquer ignorância, por dois motivos: Primeiro que eu não acredito em Orixás como Deuses Mitológicos carregados de fúrias e paixões, segundo que eu sou um verdadeiro m…. e diferentemente e como muitos crentes acreditam, que o inimigo quer nossas almas, também me nego a acreditar que Seres de Alto Patamar Vibratório guerreiam entre si pela minha cabeça cheia de pensamentos pecaminosos.

Então são várias LEIS que ouvimos dentro da Umbanda, várias REGRAS que devem ser abolidas, tenho muita esperança porque percebo que existem muitos Umbandistas que procuram estudo, procuram conhecimento, eles ficam atrás de várias informações, independente se discordo ou não de algumas filosofias do Saraceni, é um fato que ele auxiliou a muitos buscarem conhecimento, entenderem melhor a Umbanda, infelizmente, muitos de seus “súditos” se tornaram charlatões, caçadores de níqueis e que vivem da Umbanda, mas como sempre digo, pra todo esperto tem um trouxa e em alguns milênios as pessoas terão consciência que nasceram autossuficientes e que o melhor curso, além das suas faculdades evolutivas é o seu desprendimento para com seus mentores, o que estou desenvolvendo um artigo específico de tanto que me perguntam de cursos disso ou daquilo.

Existem muitas regras taxativas, baseadas em crendices e superstições. Reflitam, analisem, questionem, quebrem paradigmas, ignorem paradoxos. A Umbanda é Livre, é compreensão, é amor, é maternidade, quaisquer características que fogem destes princípios não condiz com a Umbanda que cultuamos.

Cada casa tem a sua regra, a sua cartilha, o seu mecanismo de funcionamento, de acordo com o aprendizado do dirigente ou dos guias que lhe instruíram, mas nem sempre são instruções dos mentores espirituais e sim vícios do dirigente, então não é nenhum problema se questionarem, mesmo porque, como eu disse, a Umbanda é compreensão, e até acho saudável o questionamento, a busca pelo entendimento de certos fundamentos que muitas vezes não fazem sentido.

A única regra que devem se apegarem é a prática do bem e da caridade através da manifestação do Espírito, é a prática do amor, do auxílio, do altruísmo, a forma de como praticam essas regras, é que PODEM e DEVEM ser questionadas, porque onde existe o fator humano, TUDO é propenso a falhas, tudo é propenso a erros e mais importante, tudo é propenso a MONETIZAÇÃO.

E repito, se sofrerem represálias por questionamentos, saiam do lugar, todo aquele que não gosta de ser questionado é porque DEVE alguma coisa.

Apenas reflitam…

Lack´Ech (É uma expressão Maia que significa “Eu sou você e Você sou Eu”)
*”Eu sou você e você sou eu.
O que você faz aos outros, você faz a você.
Como você ajuda os outros, é como você se ajuda.
Quando você ajuda os outros, é quando você se ajuda.
Nós estamos todos conectados debaixo do
Por Marcelo Galla
http://www.marcelodalla.com/

Neófito .’.

Um Pouco Sobre Oferendas na Encruzilhada


Cícero: – É surpreendente, meu “velho”, o que acabas de elucidar sobre a Quimbanda. Não te interrompi uma vez, dado o excepcional interesse com que te ouvia, nessas discriminações. Além de ter notado que as oferendas diferem

bastante das usuais ou dos “despachos ou ebós” tão falados, tenho ainda a perguntar por que, nas características de cada exu-guardião, frisas que ele não recebe essas oferendas ou qualquer outra, nas encruzilhadas de ruas?

Preto-velho: – Este “preto-véio” vai responder: – essas encruzilhadas de ruas, além de serem impróprias para qualquer operação positiva, dado que a maioria das pessoas que as encontram olham para essas coisas com vibrações negativas de toda sorte, assim como desprezo, deboches, medo, aversões, etc., e muitas mesmo as pisam, outras tiram materiais, etc. Com isso, estão, naturalmente, quebrando o encanto que porventura pudesse existir nelas.

Por outro lado, não podem servir para as operações necessárias e positivas com os exus, porque essas encruzilhadas de rua são mais “moradia” ou “habitat” dos espíritos classificados ou conhecidos com os “rabos de encruza” e de toda sorte de espíritos vadios, almas penadas ou aflitas de toda espécie de que vivem indo sempre na lábia desses quiumbas velhacos e trapalhões, que procuram envolvê-los de todas as maneiras e para todos os fins…

De forma que um desses tais “despachos ou ebós”, ali postos se torna um perigo, mais para os que botam, porque, via de regra, não obedecem à direção de um Exu e muito menos de um caboclo ou preto-velho, etc. Esses filhos que despacham nas encruzilhadas de ruas não sabem que estão alimentando essas classes de espíritos, que imediatamente os cercam, envolvem, etc., para não perderem mais o fornecimento das coisas de que eles gostam. Em realidade, eles passam mais a atuar nos que botam os “despachos”, do que naqueles para quem, eventualmente, são dirigidos. Então, pobres desses filhos que vivem alimentando 117 as “encruzilhadas” de rua…

Por que, oh! “zi-cerô”, é preciso que se diga: – esses quiumbas – espíritos viciados – não largam suas presas facilmente. Não querem perder a fonte de seus gozos, prazeres e sensações várias. Como entender isso diretamente? Vou dar-te um exemplo: – um indivíduo é viciado num entorpecente qualquer e um outro – aquele que fornece – é a fonte, em torno da qual ele gira constantemente, atrás de satisfazer o seu vício. No dia em que essa fonte não fornecer, ele se desespera e se tona capaz de tudo… até de matar. Isso está em relação com o caso dos aparelhos dominados por esses quiumbas… e com os que botam “despachos” nas encruzilhadas de rua.

“Zi-cerô”. Quem gosta mesmo de pipoca, farofa, dendê, fita preta e amarela, sangue, carnes diversas e outras coisas mais, não é propriamente o Exu guardião… Quem “come” ou quem faz tudo para se saciar nas encarnações desses “despachos” são os espíritos do “reino da quimbanda”. “Cicero” … quem “baixa” dando gargalhadas histéricas, grosseiras, fazendo contorções tremendas, jogando o aparelho de joelhos, com o tórax para trás, cheio de esgares e mãos tortas de forma espetacular, dizendo nomes feios e imorais, etc., não são os Exus de lei – os batizados, os cabeças de legião! São os velhacos Quiumbas, que, nessa altura, já envolveram o infeliz médium que, por certo, criou condições para que eles entrassem na sua faixa neuropsíquico mediúnica. Já estão “amarrados” nas garras deles… Como vai ser difícil a libertação…

Extraído do Livro “Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de Um Preto-Velho” de W.W da Matta.

Paz Profunda

Neófito da Luz .’.

Tempo para Desenvolvimento Mediúnico (Incorporação)

Saudações prezados leitores e irmãos de senda.

Um cordial Saravá!!!

Algumas pessoas me indagam sempre sobre como estão atrasados ou adiantados no desenvolvimento mediúnico, e com a experiência que eu tive no decorrer dos anos, não existe estar atrasado ou adiantado, existe o tempo certo de preparação de cada um. Para alguns, chegar em um centro e já receber em três meses é considerado um prodígio, enquanto que outros que demoram três anos, estão atrasados ou não firmam direito.

Algumas considerações devem ser analisadas de forma minuciosa ao realizarmos tais julgamentos, mesmo porque, cada médium tem o seu tempo certo de “maturação”, decorrente do seu corpo perispiritual, da linha da qual ele trabalha, de qual patamar vibratório ele pertence e qual mediunidade é correspondente.

Com isso, cria-se muita vaidade, fulano já conseguiu receber em três meses depois de vestir branco, o fulano tá adiantado, que fulano firme, enquanto outro fica ali há um ano e só recebe raras irradiações e já é julgado não servir para ser médium em muitos casos, por isso, tentarei esmiuçar um pouco sobre o que a experiência me ensinou e repassar um pouco disso a vocês.

Uma outra lenda comumente utilizada nas casas é que o FILHO JÁ NASCE FEITO, como se fosse um JEDI (Para os Geeks de Plantão), e a história não é bem assim, todos nós já nascemos iniciados em relação ao despertar mediúnico, é MUITA PRESUNÇÃO de um dirigente achar que ele que “prepara” o “santo” do médium e todos os seus guias, todos nós já nascemos como uma pedra bruta pronta a ser lapidada, alguns já nascem com lapidação prévia, já trazem consigo parte do aprendizado para poderem repassar aos demais, são os que nascem com a missão do sacerdócio, mas o que difere esse de um filho iniciante é apenas a sua missão, um dos motivos que eu ABOMINO veementemente é o bater cabeça ao dirigente do centro, eu sou um errante como outro qualquer, se fui designado a ter a minha casa, alguma dívida muito grande eu tenho para carregar comigo essa carga e isso não me faz melhor do que o médium que me assiste, portanto, se a Umbanda prega a humildade, todos nós SOMOS IGUAIS dentro de um centro.

Todos nós já nascemos feitos para o trabalho mediúnico, o que vai diferir um do outro é a missão da qual foi incumbida. Apenas isso!!!

Já estressei demais nos artigos que escrevi como de começa a mediunidade, como funciona a incorporação, e confesso ficar extremamente decepcionado com filhos que já antes de ler o que está nos artigos, me enchem de perguntas, das quais, já estão todas respondidas no blog, para aquele que busca, é sempre bom peneirar, procurar, minerar as informações, muitos querem as informações de mãos beijadas e é aí onde começa toda a complicação, outros, acreditam na primeira coisa que leem, abrem o Google, buscam o que precisam e no primeiro site, já assumem aquilo como verdade, por isso, eu repito, temos que peneirar e tem um artigo no site que diz sobre isso aqui.

Hoje podemos presenciar uma mistura demasiada no tocante a faixa etária na Umbanda, médiuns dos oito aos setenta anos que iniciam-se nas casas umbandistas, muitos pela dor, outros pelo amor, outros apenas por curiosidade, alguns, iniciam-se no processo de incorporação com dez anos de idade, outros com sessenta anos de idade, muitos existe a pressa, a necessidade imediata do trabalho, seja para o saldo de dívidas, seja porque a corrente espiritual que o adepto carrega, precisa trabalhar, outros, os guias espirituais não possuem tanta pressa, vai da metodologia da corrente espiritual da qual você serve.

Obviamente, a firmeza do filho é um agravante nos trabalhos, mas nem sempre o desenvolvimento mediúnico de incorporação deve ser analisado pelos trancos, pelas vibrações que o filho recebe, pelo contrário, muitos filhos mesmo ali quietinhos, sem receberem tantos solavancos, estão sendo desenvolvidos pela espiritualidade, seja pelo aprendizado da observação, seja porque os guias espirituais devem preparar os seus chakras para tal.

A preparação para um médium que realizará consultas, indubitavelmente será diferente de um médium de limpeza, consequentemente, bem diferente de um médium de cura e mais diferente ainda de um médium que assumirá determinado cargo na casa, cada um tem o seu tempo, eu mesmo demorei um ano para incorporar o primeiro baiano, que Deus o tenha Sr. Zé do Coco (Rsrs), meu irmão que entrou comigo, em três meses já estava trabalhando com preto-velho, obviamente isso chateia muito o médium iniciante, que está ali de corpo e alma e nada de sentir uma vibração, nada de sentir um tranco, nem mesmo um arrepio, mas compreendo que o fruto só cai no tempo certo, e o meu preparo mediúnico demandou muito mais tempo, não por eu ser melhor ou pior, mas porque depois eu fui convidado a abrir os trabalhos devido a uma pequena clarividência que me auxiliava em sentir quem estava por perto, em ao menos, “imaginar” que tipo de guia espiritual estava ali, o que para alguns, eu estava atrasado, para o meu padrinho na época, era necessário eu aprender observando os demais, participar de outros trabalhos que não envolviam a incorporação, depois de ter aprendido grande parte do mecanismo da casa, foi quando comecei a sentir as vibrações espirituais.

O tempo não é importante, não é uma escola onde todos tem o ano letivo para passar ou repetir, o desenvolvimento mediúnico é gradativo, obviamente, como eu disse, a dedicação também faz parte, não adianta um médium seguir uma conduta que degrada seu corpo espiritual, como mulheres, bebidas e afins, porém, como eu sempre venho dizendo, não é uma EXATA, existem médiuns que não precisam TANTO seguir os preceitos, enquanto outros, no mínimo de desvio, já tem sérias consequências.

É o que eu digo, cada médium tem a sua vibração, cada médium tem a sua cobrança, alguns médiuns possuem guias espirituais extremamente severos, enquanto outros, mais amenos, isso dependerá do seu orixá, da sua missão em Terra, se você está há 3 anos em uma casa de branco e ainda não incorporou, utilize outra perspectiva de análise, veja o que está aprendendo estando desincorporado, observe como as entidades chegam, como os dirigentes trabalham, às vezes essa demora é apenas para te tornar um observador minucioso, às vezes essa demora é porque não exista tanta pressa dos seus mentores ou porque ainda não é o seu tempo certo e obviamente, não devemos descartar também, o que você anda fazendo fora do centro?

Ignorem o dito popular, fulano nasceu feito, fulano já incorporou as sete linhas com apenas quatro meses. Com qual qualidade ocorre essa incorporação? É muito mais anímica? É mistificada? Realizam trabalhos bem feitos? Uma cura? Falam ao filho de forma sábia e plausível? São vários fatores que devemos colocar em mente antes de louvar alguém que incorporou tão rápido!

Apenas um simples artigo.

Namastê.

Neófito da Luz .’.

Malandros na Umbanda

Saudações irmãos de senda.

Aqui é mais um post desse cara ranzinza, mas de bom coração, o neófito.

Vamos falar um pouco desse movimento de malandragem dentro da Umbanda, do qual eu era TOTALMENTE CARREGADO DE PRECONCEITO, como nasci em um bairro muito ruim, que você tinha duas opções: Estudava ou ia pra onda do crime, onde preferi estudar, por estar no meio da malandragem, de muita gente metida a esperta, aprendi a repudiar veementemente esse tipo de pessoa e quando fiquei sabendo desse mesmo movimento na Umbanda, TRIPUDIEI, mas como sempre digo, eles sabem nos convencer quando querem e tentei dar uma chance a essa linha e me surpreendi.

Recorri aos estudos da Antropologia, do Movimento e de alguns conselhos dos meus próprios mentores.

HISTÓRIA DA MALANDRAGEM

Podemos definir a malandragem com um arsenal de formas de tirar vantagem sobre alguma coisa, é a artimanha, no popular, o famoso xaveco obtermos vantagens e saídas de alguma enrascada. Me deparei que precisamos lidar com isso durante o dia, é inevitável termos que executar com sutileza, destreza e inteligência tudo na vida, seja a “média” com o chefe, com a namorada, a malandragem está mais presente em nossas vidas do que eu gostaria de assumir. Obviamente existem diversas classes de malandragem, estou tentando falar da mais sutil possível, o arquétipo do malandro é aquele muito utilizado pela Lei de Gerson, é aquela lei que diz: “Levar vantagem em tudo!”.

O Brasileiro é malandro por si só, um adágio muito conhecido que pode substituir a Lei de Gerson, é o famoso Jeitinho Brasileiro comumente utilizada quando precisamos contornar alguma situação ou superar alguma burocracia de nosso cotidiano. Também conhecido como “Dar o Migue”.

Zé Carioca

A malandragem nasceu com o objetivo de contrair a justiça individual contra a camada opressora e até burguesa. É uma forma de tirar vantagem a partir das inúmeras desvantagens que temos, seja classe social, intelectual ou até mesmo a aparência, a malandragem é contornar alguma deficiência substituindo por algo que possuímos proficiência. É um movimento não somente brasileiro, como mundial, no famoso conto de “Mil e Uma Noites” nos deparamos com Aladim, um jovem árabe, vadio, arruaceiro que se metia nas altas confusões (como dizia SBT), conseguiu se apoderar da lâmpada mágica ficando rico da noite pro dia e ainda conquistar a princesa Jasmine. Existem mais alguns dos quais podemos recordar, como o Manda-Chuva, aquele gato que vivia na rua de Nova York, podemos lembrar de Gastão, um personagem da Walt Disney que vivia através da sorte e dos jogos, o próprio Zé Carioca que vivia através da malandragem e pequenas artimanhas para poder viver.

Como podemos observar, é um movimento que vai muito além do Brasil, a malandragem é mundial e teve como intuito, a fuga peranta as camadas opressoras e de pequenas anarquias que visavam protestar o sistema da sociedade.

Podemos saber muito sobre a malandragem através das músicas de Bezerra da Silva, com isso, existia o seu grande Adágio: “Malandro é Malandro e Mané é Mané”

MODO DE VIDA DO MALANDRO – ESCOLHA OU NECESSIDADE?

Muitas vezes, a malandragem é um ato de revolta contra as autoridades sociais, contra o sistema que sabemos ser falho, os malandros optam por quebrar o modo de vida falho do sistema que somos inseridos e vivem da forma mais hedonista possível, ou seja, visando o prazer acima de tudo. O Hedonismo é um movimento que foca em viver a vida da forma mais prazerosa possível, o hedonismo é um movimento grego, idealizado pro Aristipo de Cirene em 420 a.c. Justamente por não se preocuparem com o status quo muitas vezes e sim com uma forma prazerosa de vida, arraigada de mulheres, musicas, bebidas, a boemia em si, tão taxados como vadios e vagabundos. É um movimento muito comum em seres menos favorecidos, o que causa simpatia por muitos outros nas mesmas condições.

Chicó e João Grilo – O Auto da Compadecida

Desde a idade média, o malandro sabia usar a lábia e a esperteza para tirar proveito dos mais favorecidos, como mesmo disse, malandragem é um movimento que visava a justiça individual. Importante salientar que muitos malandros possuíam excelente coração, como podemos presenciar no personagem Zé Carioca, importante salientar também que muitos ciganos também tinha que saber viver da malandragem como forma de sustento, portanto, vendo o outro lado da moeda, criei muita empatia por esse movimento e não julguei apenas por um ponto de vista e pela limitada visão que eu tinha. Os próprios negros do Bronx, que eram o estereótipo do malandro estadunidense. Eram conhecedores das manhas das ruas, usavam ternos quadriculados, chapéus de abas largas e ajudavam muito a sua sociedade com pequenos delitos.

Podemos perceber que muitos desfavorecidos e que são arquétipos da umbanda hoje, possuem histórias parecidas, os quilombolas, os cangaceiros, muitos ciganos, baianos, entre outras linhas.

Também vale ressaltar que nem todos trazem o arquétipo do malandro da lapa, também existia a malandragem nordestina, que dançavam muito xaxado, gostavam de jogos e bebiam muita água de coco com bebidas alcoólicas, por muitos eram gente à toa e para outros, grandes revolucionários. Podemos destacar como arquétipos de malandros nordestinos, o próprio Chicó e João Grilo, personagens principais do Auto da Compadecida de Suassuna.

MALANDROS NA UMBANDA

Como já sabemos um pouco sobre o que é o movimento da malandragem, e podemos perceber que ele é muito mais comum em nosso cotidiano do que imaginamos, a Umbanda novamente, em teu seio de sabedoria materna trouxe mais um arquétipo para que tivesse o objetivo de nos ajudar e driblar as dificuldades da vida, nada melhor do que um arquétipo eficiente para isso, mais adequado com o nosso cotidiano, podemos perceber que os caboclos trazem a sabedoria do guerreiro, do conhecimento, da cura, enquanto os preto-velhos, além da sabedoria de vida, da experiência de diversas situações, nos ensinam as mirongas, as crianças, trazendo-nos a alegria e a pureza, então estava faltando alguém aí pra nos ensinar elementos do cotidiano muito presentes em nosso dia-a-dia, trazendo conosco o arquétipo dos malandros.

Como disse na linha de Piratas, se formos perceber, essa linha já agia em segredo há muito tempo, com a chegada do Zé Pelintra na linha de baianos muito comum nos cultos no Sudeste, originalmente, sendo um mestre da Jurema, em segredo a espiritualidade já trazia um espírito que carregava esse arquétipo e silenciosamente já trabalhava um culto determinado a essa linha, a linha dos malandros, assim como eu acho que vem acontecendo com outras linhas dentro do panteão Umbandistas.

Zé Pelintra na Esquerda.

Impossível falar sobre os malandros na Umbanda sem citar o emblemático Zé Pelintra, que no meu caso, só costuma vir na esquerda, diferente de outros que vem como baiano. Comecei a trabalhar há muito pouco tempo com malandros e em minha linha, se apresentou um tal de Malunguinho, que eu não fazia ideia de quem era, até conhece-lo através do culto ao catimbó, ele é muito mais conhecido como mestre juremeiros a malandro, mas chegou em minha linha trazendo uma malandragem diferente da estereotipada do carioca da lapa, e sim um malandro nordestino, mais exatamente baiano. Malungo é uma gíria utilizada na escravidão que significava companheiro, um termo comumente utilizado entre os malandros e fiquei muito feliz em saber que existiam pequenas histórias sobre essa entidade chamada Malunguinho, que pode vir também como exú, o que tem muito a ver com o arquétipo do malandro, porque muitos deles também atuam na esquerda.

OS malandros vem para trazer a alegria, nos ensinar a arte de driblar os problemas da vida, nos ensina que por mais que uma situação nos pareça desfavorável, com inteligência e sutileza podemos sair dessa situação. Eu mesmo confundia demasiadamente malandros com marginais, e através de poucos relatos dos meus mentores, um pouco de pesquisa e acompanhamento do Sr. Malunguinho em seu trabalho, percebi o meu equívoco e coincidentemente li um post e um irmão com o Nick feeyama me disse isso, que eu não tenho problemas em voltar atrás de minhas certezas e esse post sobre malandros seria a minha “libertação”.

Os malandros vem nos ensinar a fazer uma boa limonada mesmo com os limões azedos, nos ensinar a contornar os problemas comuns em nossa sociedade, e que o movimento da malandragem, do jeitinho brasileiro é muito mais presente e comum do que imaginamos. É um movimento que nos ajuda a corrigir os equívocos da Lei, do sistema social, eles vem com o objetivo de nos fazer enfrentar as dificuldades da vida com esperteza e sutileza, nos ensinam sempre brincando e trazendo muitas analogias de nosso cotidiano.

Indubitavelmente é uma linha que veio pra acrescentar e auxiliar de forma rápida, objetiva e compreensível aos dias de hoje, como lidarmos com nossas dificuldades e problemas. Trazem um arquétipo mais moderno de resolução de questões e justamente por isso, está muito presente em muitas casas de Umbanda.

E como disse, nem todos seguem o esteriótipo do malandro da Lapa, o que eu sirvo mesmo, é o Malunguinho e tem trejeitos totalmente nordestinos.

Salve a Malandragem.

Paz e Luz.

Neófito da Luz .’.

Referências: Wikipedia

Linha dos Piratas na Umbanda

Saudações irmãos de fé.

Meu sumiço repentino deve-se a algumas pesquisas mais aprofundadas que eu estou realizando e procurando metodologias de trabalho para implantar em meu templo.

Um dos assuntos dessa semana, é sobre uma nova linha que se aproxima de muitos terreiros umbandistas, a linha dos Piratas.

Sinceramente, isso não é algo que me surpreende por dois principais motivos: O primeiro é que na minha linha já aparecia um marinheiro, chamado Tiago, totalmente diferente das indumentárias dos marinheiros mercantes ou militares, conforme já coloquei no post sobre marinheiros, aparece utilizando bandana, longos brincos e uma faixa branca na cintura, e sem camisa, o que demonstra não ser militar e nem tampouco mercante e sim um bucaneiro, um corsário ou afins. O segundo motivo é algo que eu sempre menciono no blog, o surgimento de novas linhas de trabalho, bem como o amadurecimento da Umbanda e o estudo aprofundado da liturgia, a cada passo que aprendemos mais, novas oportunidades se abrirão.

É inevitável que existe diversos espíritos que buscam o auxilio espiritual e a evolução acima de tudo, um médium pode trabalhar em media com 10, 20 guias espirituais, o que seria muito pouco mediante a vastidão de habitantes no outro plano, com isso, novos arquétipo surgem ou até mesmo a individualidade dos mesmos, como os tropeiros que já mencionei, a linha dos marinheiros, a linha dos malandros, dos quais muitos são muito parecidos com baianos, exus ou até mesmo juremeiros, e agora essa subdivisão da linha das águas, a linha dos piratas.

ETIMOLOGIA

Vem do grego peirates que significa intentar, experimentar.

Assassins Creed – Black Flag

HISTÓRIA DA PIRATARIA

Os primeiros relatos da pirataria, remontam em 730 a.C no livro “Odisséia” de Homero, navegavam nas rotas comerciais com o objetivo de saquear riquezas, qualquer coisa que flutuava nas águas com indícios de transporte de metais preciosos, dinheiro, pessoas importantes, sofriam o saque dos piratas, muitos também tinham o intuito de sequestrar pessoas importantes afim de solicitar o resgate. É inevitável que existia muita maldade entre os homens, porém, como não podemos generalizar, muitos eram piratas por diversos motivos.

Podemos compreender a grosso modo que os piratas seriam uma mistura do arquétipo de escravos, malandros e homens do mar, muitos viam a pirataria como uma forma de sair da escravidão, muitos piratas eram escravos que foram melhor aproveitados pelos capitães e contramestres pela sua força ou pela sua diposição de trabalho, muitos viam a pirataria também como uma forma melhor de ganhar dinheiro, sair da vida pobre e condenada das quais eram submetidos, muitos prefeririam dar a vida nos mares a viver como proletários e até escravos na Terra, outros viam como forma de ganhar dinheiro fácil e outros apenas pela paixão de aventura e pelo conhecimento de novas terras.

Quem quiser pesquisar um pouco mais a respeito da vida dos piratas, achei uma fonte bacana em nosso amigo wikipedia que pode compreender maiores informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirata

Entre os piratas, existiam outras classes como bucaneiros, flibusteiros, corsários, que eram piratas porém endossados pelo governo, recebiam aval de um determinado governo para saquear a favor deles ou até mesmo como forma de isentá-los (o país que assinou) de maiores problemas, seriam um certo tipo de agrado.

PIRATARIA NA UMBANDA

Em poucas fontes na Internet, podemos perceber que os piratas trabalham de forma mais densa que os marinheiros, seria como se fosse guias de esquerda que atuam na corrente das águas, eu mesmo, tenho por experiência própria a diferença de vibrações que me causa o Sr. Martinho e o Sr. Tiago, enquanto o primeiro traz uma vibração mais tranquila, mais leve, uma forma de trabalho mais sutil, o segundo vem de uma forma mais peculiar, trazendo uma vibração mais densa e consultando os registros de minha memória, as vezes que o Tiago veio era para resolver situações mais complicadas de ordem mais densa, o que corrobora com alguns pouquíssimos textos que li sobre alguns piratas na Umbanda.

Às vezes fica evidente como a espiritualidade nos prepara silenciosamente para novos aprendizados, novos arquétipos, um irmão meu já trabalhava com um “baiano” mais malandro, mais despojado do que o outro que vinha, anos depois esse “baiano” é o malandro que ele trabalha hoje enquanto sua linha de baiano é o mesmo que vinha eventualmente e agora mais presente, no meu caso mesmo, o Sr. Chico Preto que vinha muito na linha de baianos, hoje ele vem na linha da Jurema, e assim vai.

Silenciosamente a espiritualidade envia guias que se encaixam de certa forma no arquétipo daquela linha de trabalho, mas ela nos induz a abrir a gama de trabalho fazendo com que esse guia que seria um “baiano”, um “marinheiro”, na verdade é um malandro, um mestre juremeiro e até mesmo um pirata, o que consequentemente nos induz a trazer uma nova linha de trabalho dentro dos terreiros.

Consultando alguns irmãos, a opinião é bem dividida, uns dizem que as pessoas começaram a INVENTAR muitas linhas, enquanto outros, acham importante essa nova gama de formas de trabalho que chegam na Umbanda, são novos horizontes, novas ferramentas com o intuito de ajudar e otimizar a nossa evolução bem como a evolução daqueles que almejam a Luz Maior.

Muitos dizem que a linha do Saraceni inventou Orixás, o que pra mim é a dificuldade de abrir a cabeça para novos horizontes, tudo muda, antes o que era impossível realizar, com apenas dois toques com a ponta dos dedos realizamos, tudo evolui, a Umbanda evoluiu drasticamente nos últimos anos e temos que ter a mente atenta para mudanças que ainda ocorrerão, acho que flexibilidade e aceitação são chaves primordiais para permitirmos que isso aconteça, para algumas pessoas que entendem um pouco mais de tecnologia, entenderão a analogia, a Umbanda é Open-Source, cada um pega essa base e faz dela o que bem entende, se sua casa cultua 8 orixás, 16 orixás, 32 orixás, 256 orixás, que o faça dentro de um conjunto de boas práticas e com sabedoria, apenas isso, se pra você Egunitá é uma invenção, ótimo, se pra você é um Orixá diferente da qualidade de Iansã, ótimo também, se funciona, é o que importa. Para se locomover entre países, podemos utilizar carros, aviões, trens, navios, ônibus, qual deles é o mais correto? Será aquele que mais cabe no seu bolso ou aquele que pra você pode ser o mais rápido, não existe uma forma correta e sim aquela que está dentro das suas condições e/ou dos seus objetivos.

Existe uma frase simples que pode denotar o que eu quero dizer: “Quem nasce pra ser lagartixa, nunca chega a ser jacaré”.

Da mesma forma que eu senti um boiadeiro que na verdade era um tropeiro, se é a espiritualidade me induzindo silenciosamente a conhecê-lo e posteriormente dividir entre linhas de boiadeiros e tropeiros, não sei, mas já é uma outra entidade que foge do arquétipo de boiadeiros.

Mas voltando ao escopo do assunto (Eu me empolgo), algumas casas particularmente já trazem essa linha antes ou depois do trabalho dos marinheiros, existem poucos pontos também em torno da linha, mas se for mais uma vasta falange de bons trabalhadores, que sejam bem vindos, por que não?

Pelo pouco que concluí, e pela experiência que eu tive com o Tiago (pode ser Thiago tb) é que ele é mais sério mesmo, trabalha com elementos mais densos como pólvoras, velas escuras, bebidas mais fortes e charuto, enquanto o Martinho não bebe, fuma raramente e trabalha apenas com velas e água, o que denota intensamente a diferença de escala vibratória dos dois, o Tiago faz poucas brincadeiras, mas em sua grande parte é sério, dá muita consulta, dança e puxa ponto, fala muito enrolado. Importante ressaltar que o cigano que meu irmão trabalha, que é um cigano excelente, ele é um pirata!

Compreendo que toda energia tem sua polaridade, e como existe o Exu Marabô, que é um exú que eu trabalho que atua fortemente na vibração das águas, porém na polaridade negativa, assim entendo que é a forma de trabalho dos piratas da Umbanda, trazem a polaridade negativa de toda a energia aquática.

No próximo trabalho pedirei ao cambono obter maiores informações sobre essa linha assim que o Tiago estiver em Terra, na posse de novas informações, volto a postar no blog.

Como disse, nem todos são obrigados a aceitarem, para muitos pode ser uma invenção, eu ainda não sei bem o que dizer, mas acredito que se isso ocorreu em pontos muito distintos no nosso país, eu vi uma menção no blog do Queiroz, uma outra menção de um carioca e de uma nordestina, dificilmente pessoas de locais distintos, de linhas distintas podem inventar ao mesmo tempo sobre alguma coisa, obviamente tem explicação científica para isso, mas não entrarei no mérito da questão.

Também achei uma outra rara referência nesse blog: http://umbandistas.com.br/blog/destaques/linha-dos-piratas-na-umbanda/

Quem quiser assistir também um pouco sobre a pirataria, essa semana eu devorei um seriado chamado Black Sails.

Salve o Povo do Mar.

Neófito da Luz .’.