Preceitos, Sacrifícios e Superstições

Saudações amados…

Primeiro começaremos com a palavra “Preceito”, falar um pouco dessa palavra tão amada, odiada e controversa dentro dos cultos umbandistas.

Etimologia

Do latim praeceptuim seria uma ordem ou até mesmo a proibição da realização de determinados atos, ou até mesmo nos abstermos deles. Podemos defini-lo também como um conjunto de normas que existem em muitos meios litúrgicos, como na Igreja Católica, Candomblé e até mesmo em muitas templos Umbandistas. Podemos entender que são regras estabelecidas afim de atingir o sucesso de um determinado ritual.

Utilização do Preceito e sua relação com sacrifícios e superstição.

Os preceitos variam de casa a casa, o que entra mais uma vez naquele meu conceito que REGRAS não EXISTEM e se EXISTEM, é para serem QUEBRADAS ou ao menos QUESTIONADAS. Algumas casas que “fazem” o santo pede ao filho para ficar de obrigação durante três meses, ou seja, sem sexo, sem álcool e sem carne. Outras casas, reduzem para 21 dias e assim vai variando de acordo com a experiência de trabalho de casa dirigente. O meu pupilo, do qual abriu uma casa, para obtenção do sucesso mediúnico, absteve-se do álcool e do sexo casual, só terá relações sexuais quando realmente tiver uma namorada firme, o que não ocorre há 3 anos.

Só com simples exemplos, já podemos compreender que o preceito nada mais é que concepções individuais de cada centro, de cada dirigente. Existem muitos dogmas que exigem o sacrifício renunciando aos maiores prazeres que podemos ter, no hinduísmo, existem vários tipos de sacrifícios que possuem como objetivo principal o aperfeiçoamento do ser, no hinduísmo são conhecidos como Yajna, então todo sacrifício está ligado à renúncia e evolução do ser, podemos compreender que nos sacrificarmos é mostrar a Algo ou Alguém a nossa dedicação e irrefutável adoração para um determinado objetivo, correto?

Podemos compreender que o Preceito é renunciar a algo, e quando estamos renunciando a algo, estamos fazendo um sacrifício a isso, que recorrendo à etimologia da palavra sacrifício podemos compreendê-la como SACRO OFÍCIO.

Então podemos entender que o preceito é um sacrifício a algo, é uma renúncia e no caso em questão, para os Orixás e Guias, isso me remete novamente a tempos imemoriais, onde era necessário o sacrifício de animais para acalmar Deuses, não tínhamos a compreensão de como ocorriam os terremotos, tempestades, chuvas torrenciais e como somos condicionados desde novo à adoração de Ídolos e “Endeusar” o desconhecido, criamos seres extraterrestres, Deuses antropomórficos, Anjos e Demônios para não nos sentirmos sozinhos no Universo e consequentemente isso tornou-se um hábito que virou tradição ou cultura, como queiram, e perpetuou os costumes até os dias de hoje. Vale lembrar que não estou questionando a existência de ETs, Anjos e tudo mais, é apenas para ilustrar uma ideia.

Um irmão me disse uma vez: Se está ou não certo, tenho que respeitar como é cultuado os Orixás, se é antigo ou não, como estou no culto aos orixás, devo vestir a camisa que me foi concedida.

Acho nobre o pensamento, sem dúvidas, mas quem disse que temos que fazer tudo isso? O Orixá chegou a você e criou dezenas de regras e fundamentos para você seguir cegamente ou te foi passado por um dirigente mais experiente (ou pelo menos devia) e repassou o que seu antigo dirigente que repassou o que seu antigo dirigente passou?

Vejo muitos dirigentes AFIRMANDO que o sexo denigre o corpo espiritual e com isso, prejudica o seu trabalho espiritual, com isso, volto novamente àquela excelente médium que fazia programas e trabalhava muito melhor que qualquer puritano dentro do centro. Será que é necessária toda essa carga de preceitos?

Não estou entrando no mérito se sexo faz bem ou não nos momentos que precedem os trabalhos, nem estou fazendo uma apologia para isso, mas convido-os a se questionarem, qual a necessidade de ficar 21 dias após uma obrigação pro Orixá? Purificação? Será que cultuamos seres tão LIMITADOS a ponto de Exigir tamanho sacrifício? Com que fim?

Já fui novo, já fui solteiro, e lembro-me de um trabalho que ocorreu excepcionalmente no domingo, os filhos foram avisados de última hora, fui em uma churrascaria no mesmo dia e tive relações com a mina namorada, eu totalmente envolto de culpa, acendi uma vela pedindo perdão aos meus orixás porque teria que trabalhar (Nessa época já não falava tudo pra minha madrinha pra não ser julgado, quem tem que me julgar são apenas os que eu sirvo e mais ninguém) e senti que tinha que ir trabalhar, e quem foi o sortudo a ajudar no descarrego da casa e do filho? Eu! No final do trabalho ainda recebi um elogio pela minha firmeza. Tenho certeza que se ela soubesse que tive relações 6h antes e comi carne pra caraca, o discurso seria outro!

Esses preceitos podem até ter sua relevada significância, mas acho que não pode se ruma regra, cada pessoa tem uma vibração diferente, uma fraqueza diferente, um ponto de força diferente, para alguns, talvez seria impeditivo um bom trabalho, para outros, talvez não interferiria em nada, como foi o meu caso. Então eu acho que criar regras engessadas generalizando a todos, é errado, do mesmo modo que algumas pessoas bebem um pouco e já ficam tontas, outras mesmo não bebendo, são muito mais resistentes, assim também é nosso corpo espiritual. Após acender a vela, senti vontade de trabalhar, me senti capaz e apto para julgar e a tradição, a superstição, deu lugar a certeza e a vontade de fazer o meu melhor, por isso, sempre digo no blog, a vontade e a capacidade falam mais alto que qualquer outra coisa.

Não acredito em Orixás castigadores, não acredito em medidas punitivas, pelo menos não é o que os meus demonstram, nem tampouco muitos que conheci, já temos tantos problemas na vida, já temos tantas inseguranças, incertezas, mágoas, você entrar dentro de um terreiro pra ser ainda mais humilhado? Vá pra …

Sobre esse monte de obrigações da época da Pedra Lascada, ainda mesmo que eu estou sendo hipócrita, respeito quem ainda tem essa tendência, de sacrificar animais, de raspar a cabeça, fazer as curas, mesmo sabendo que isso é desnecessário, pelo menos pra mim, evolutivamente falando, não faz mais o menor sentido PARA MIM, nunca necessitei, mas posso entender que ainda existem pessoas que devem passar por esse processo, mas o que mais me revolta, é que muitos o fazem sem saber porque, fazem porque muitos possuem a promessa de ter seus “Caminhos Abertos”.

Venho pensando muito sobre a atitude dos guias e orixás que decorrem de diversos centros, vejo pessoas MORRENDO DE MEDO porque trocaram os orixás em sua feitura, pessoas que POSSUEM PAVOR porque seu dirigente morreu e precisam urgente tirar a MAO dele. Me questiono muito: Somos tão medíocres, somos tão sensíveis a ponto de ter nossas vidas modificadas por uma pessoa como nós? Só porque ela tem um título significa que são melhores que nós? Estão acima de nós? Que possuem um pdoer sobrenatural porque “fizeram”a nossa cabeça? Será que realmente precisamos dessa feitura?

Existem dirigentes que tem seu potencial mediúnico muito inferior a um filho iniciante da casa.

Quantos doutores não erram seu diagnóstico? Quantos Ph.D. não erram suas teorias? Quantas mentes ilustres da história chegaram a conclusões com tanta convicção e séculos depois foram “derrubados”? Até hoje me pergunto, em 2015, quantos evangélicos acreditam cegamente em seu pastor como o enviado de Cristo e os mesmos se enriquecem às custas da santa ignorância de seus fiéis? E na Umbanda é diferente? No Candomblé é diferente? Conheço um dirigente aqui em Guarulhos que é extremamente ignorante, mas a casa é cheia de filhos (tão ou mais ignorantes quanto ele) e ele andando extremamente bem, de Azera com motorista enquanto seus filhos vendem o Vale Alimentação para alimentar “o santo”?

Acho que a simplicidade fala mais alto que qualquer coisa, se o Orixá não entende que você está sem dinheiro, não tem tempo para buscar alguma coisa ou não consegue fazer a sua oferenda e te castigará por isso, mais uma vez um grande “Vá pra …”. Já foi o tempo de conseguir as coisas na base do medo, pessoas esclarecidas, inteligentes, sabe que o respeito só pode ser verdadeiro quando você tem um líder, quando você idolatra, compreende, admira alguém, quando você segue algo ou alguém por medo de represália, isso não é respeito e sim OPRESSÃO, uma prática ainda mesmo que arcaica, muito comum em diversos terreiros.

Se Orixá Representa Vida, tem que ser às custas da Vida de Outrem???

Se realmente Guias e Orixás são tão ignorantes ao ponto de exigir tantos sacrifícios, se um dia eu tiver prova cabal dessa afirmação, eu fecho esse blog e mando tudo para onde a luz do sol não alcança. O sacrifício é inerente para o desenvolvimento humano, quantas vezes deixamos de pensar em nós para agradar a outros? A Própria mediunidade já é um sacrifício, você doando seu corpo, seu tempo, tendo que se abster de algumas coisas no dia dos trabalhos, já é um grande sacrifício? E ainda querem mais? Para muitos, principalmente pra mim, murchar o ego, perdir desculps para certa pessoa, já é um sacrifício e é esse tipo de sacrifício que acredito que eles cobrem, o sacrifício de você ser alguém melhor. Evoluído e não ter que matar bichos para acalmar o santo!

Muitas religiões “populares” infelizmente sofrem com o tradicionalismo mal fundamentado, a superstição, o medo de experimentar e a fé cega e inabalável em algo que eles mesmos não entendem, vejo por esse blog, quantas pessoas me elogiam e quantas me apedrejam porque eu não respeito. Sim, eu respeito sim se você tem argumentação válida para isso, não com desculpas medíocres dizendo que o Orixá é assim, quem te disso isso? Seu dirigente que se enriquece às suas custas?

Uma coisa é fato, se somos uma Centelha Divina, porque somos tão sensíveis às energias de outrem? Simples… Porque nos deixamos nos influenciar? Quantas pessoas são curadas com pílula de açúcar? Quantas pessoas em doenças terminais, como o Câncer sofrem de cura espontânea? Quantas pessoas com vitiligo, que é dito uma doença evolutiva deixa de crescer? Tudo vai do que acreditam. Se acreditam piamente que Orixá é essa energia imbecil que cobra, que exige, que te suga, assim o será, agora se acreditam no Deus Misericordioso, no Orixá que é desdobramento puro do Universo, que é aquele que te consola, te compreende e te ajuda, assim ele também o será.

Feliz ou infelizmente somos capazes de criar nosso próprio universo, nossa própria versão da realidade, existe um artigo no blog de uma conversa que eu tive com um exu que ajuda a ilustrar essa ideia: http://www.umbandadochico.com.br/blog/2013/11/12/a-questao-da-percepcao-um-caso-de-ponto-de-vista/

Se acha que Orixá é gastar R$ 4000,00 em uma feitura para ele ter “orgulho” de você ou que sua mediunidade ficará mais firme (sim, eu já busquei por isso também) tudo bem, mas te digo, é muito mais fácil dizer que está inconsciente com uma entidade que só vem pra dançar e comer, é muito simples dizer que é inconsciente nessas condições.

Dirigentes não são Deuses, Pastores não são Deuses, parem de acreditar cegamente em tudo o que veem e ouvem, tenham sua personalidade, questionem, tenham sua concepção individual das coisas, podemos ter um outro exemplo. O que esperar de uma entidade de um filho que tem problemas de alcoolismo e que exige a cachaça em seus trabalhos, mesmo sabendo que o filho é consciente e que OBVIAMENTE a entidade não levará tudo? Se é esse tipo de Umbanda que querem acreditar, idolatrar, parabéns, vão com fé, depois não digam que a religião é ridícula ou que é malévola.

Se você é daquele que acha que sua vida vai virar porque trocaram seu orixá! Vá com fé, te respeito, porque cada um tem o seu tempo, porém, quando acordar, não culpe o orixá e sim a sua ignorância.

Se você é daquele que acha que se o dirigente morreu, a sua energia, a sua centelha morrerá com ele, parabéns! Você precisou so seu dirigente para nascer? Você precisou dele para o que? Ele foi apenas uma ajuda, um pequeno elo de ligação entre você e seu orixá, porque o orixá é seu, ele já nasceu pronto pra você, o dirigente só facilita o intermédio, pelo menos, deveria.

Todos nós somos centelhas pulsantes no Universo, autossuficientes, temos a nossa própria luz, mas muitos são como a Lua, passam a vida toda achando que tem alguma luz, mas a luz da lua é o reflexo do sol, ela possui uma fonte de luz secundária, assim agem muitas pessoas, buscam ídolos, fontes externas de adoração e acabam sendo apenas reflexo daquilo que admiram, não contendo sua própria luz, ignoram suas propria personalidade e com isso, deixam de fazer questionamentos. Muitas vivem nas Trevas da Ignorância, não assumem a responsabilidade do presente mais valioso que receberam: O Livre Arbítrio. Questionem, tenham como principal ídolos, vocês mesmos, alguns irmãos no blog, acham que eu sou iluminado, obiviamente o meu ego rejubila-se com isso, mas a verdade é que sou outro errante, buscador, cheio de defeitos e qualidades, que tem vários problemas, que muitas vezes mal se entende, mas pelo menos, sou fiel a mim mesmo.

Superstição cega o homem, faz ele perder a razão, seguir o que outros dizem sem questionarem ou ao menos entenderem o ponto de vista, chegarão ao mesmo lugar. Se acreditam piamente que Deus os condenará ao fogo Eterno por mazelas em sua vida Terrena, parabéns!!! Para quem é pai, sabem que nós, mesmo com personalidade imperfeita, é inconcebível condernamos nosso filho a um mal eterno, mesmo com nossa personalidade manchada de miasmas, quem dirá Deus, o Grande Pai Eterno criador de todo o Universo, como Ele em toda sua misericórdia nos condenaria ao Inferno, à Punição do Foto Eterno, na suposta morada do “kapeta” pela nossa ignorância? Basta refletir durante 2 minutinhos! Para aqueles locais que pregam tanto a Palavra do senhor, mas em 90% do culto só se fala do inimigo.

Fui apedrejado por muitos quando falei da Quaresma, já imaginava, posso estar errado em tudo o que eu falo, porém, eu estudo, pesquiso, vou atrás, posso estar errado, mas tenho argumentos para sustentar a minha ideia, não faço porque um dirigente que às vezes tem uma personalidade muito pior que a minha, o faz e eu o seguirei cegamente, mesmo porque, confesso achar uma grande hipocrisia falarmos que somos todos iguais, viemos todos sim, da mesma essência, porém, não somos todos iguais e nunca seremos, sempre haverá pessoas melhores que nós e piores que nós, sempre haverá pessoas com atitudes deprimentes e pessoas com atitudes louváveis, assim é a vida, independente se iremos todos para o mesmo buraco, podemos ser iguais em essência, porém, muito diferentes em vibrações.

E o que nos fará melhor ou pior que outros, não é um brajá, não é uma toquinha dizendo que sou mago e nem tampouco um título de sacerdote, é a minha prática, é o meu empenho, é o meu estudo e minha ligação honesta com o mundo espiritual, muitos nasceram pra seguir, infelizmente faz parte da evolução, muitas vezes somos capachos, quantos centros já entrei que o dirigente fazia um ou outro de motorista sem nem ajudar com a gasolina? Ótimo, você está fazendo de coração, mas o bom senso existe não? Todo local sempre haverá o bem intencionado e sempre haverá o mal intencionado que se aproveita disso.

E aqueles centros que testam a entidade? Colocando em risco a integridade física e moral do filho? Muitos podem achar lindo, eu acho uma baboseira, uma lambança, dirigente que é dirigente só de olhar para o filho sabe se ele está em condições ou não de trabalhar, essas atitudes só o deixará mais inseguro, menos propício a um bom trabalho.

Tem dirigentes que andam até pensos, com tanto brajá no pescoço. Pra que? Somos condicionados a títulos, ostentação, é intrínseca à nossa personalidade, muitos confiarão mais em um dirigente que tem 1000 brajás no pescoço a um que só tem um mísero fio de Oxalá, somos condicionados a isso. Mesma coisa quando estamos em alguma arte marcial e vemos um faixa preta, o que julgamos que aquele atingiu a maestria, mas quantas vezes, já presenciei a derrota do mesmo para alunos com 2 ou 3 faixas abaixo? Isso porque artes marciais tem todo um treinamento, na Umbanda, o cara tem uma grana, tá entediado e decide abrir uma casa sem preparo algum ou tem um espaço no fundo de casa e começa o centro. Sim, isso pode ser desígnio da espiritualidade, OK, mas antes de achar que tá tudo escrito, acredito no livre arbítrio.

Acredito piamente na compreensão de nossos amigos espirituais, da mesma forma que compreendemos manias, hábitos e atitudes de nossos filhos, de crianças de um modo geral, justamente porque já passamos por isso, quantas vezes meus filhos cometem alguma atitude que pra mim sobe o sangue, mas relembro que eu já fui igual, rapidamente sou tomado por uma onda de compaixão, compreensão e amor, logo, voltando para o aspecto religioso, se aquilo que eu sigo, não for melhor do que eu, não serve pra mim, como já exemplifiquei acima, só sigo e respeito, o que eu admiro, e pra eu admirar tem que ter o mesmo nível ou ser muito superior a mim e baseado nessa premissa, que compreendo meus amigos espirituais. Sem represálias, sem julgamentos, sem opressões e sim compreensão, fraternidade e amor.

DA mesma forma que já passaram tudo o que passamos, somos crianças aos olhos de muitos deles, e por que não ser compreendido pelos mesmos?

Já temos tantos problemas na vida, se o mundo espiritual for mais um, prefiro não seguir nada.

Portanto, saí totalmente dessas crendices de Orixá que castiga, que você vai ter a vida torta se fizeram o seu “santo” errado, que seu exú precisa de frango, posso até ACREDITAR que possam existir essas coisas, obviamente, eu posso, no mundo material só vivemos em conjecturas, mas isso não existe no MEU UNIVERSO, porque NÃO é algo bom pra mim, não deixo isso me abalar, o primeiro dirigente que passou a mão na minha cabeça faleceu há 8 anos, o segundo que também me fez pra Ogum, supostamente errou o meu “santo” até eu passar pelo terceiro, que eu fiz tudo pra Xangô, isso não me mudou em nada, apenas me fortaleceu, me fez pesquisar ainda mais e me fez acreditar que há uma Umbanda amorosa, fraterna, simples e compreensível lá fora e não ao que eu fui condicionado a acreditar.

Um dia isso chegou a ser realidade pra mim, como já postei em vários artigos, hoje não faz parte da minha realidade, vi que foram apenas tradições e ensinamentos supersticiosos, tradicionalistas e ignóbeis.

Apenas um desabafo de um rabugento.

Paz Profunda.

Neófito da Luz.’.

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Falangeiros de Orixás

Saudações maninhos… Como foram de carnaval?

Aqui estou eu para tentar elucidar um pouco sobre a diferença de Orixás, Falangeiros e os Guias Espirituais dos quais trabalhamos.

Existe muita confusão quanto a esse aspecto e gostaria de tentar esmiuçar um pouco sobre um assunto tão complicado.

É notório que lemos em várias literaturas, aquelas legiões e/ou falanges de orixás, a mais conhecida é a falange de Ogum, que tem como chefes de falange Ogum Beira-Mar, Ogum Iara, Ogum Rompe-Mato, entre outros, outros falangeiros como os de Xangô, já começamos a encontrar algumas discórdias entre as literaturas, das quais existem Xangô Kaô, Xangô Sete Cachoeiras, Pedra Branca entre outros.

Primeiramente gostaria de elucidar dentro do que eu acredito a diferença entre Orixás, Falangeiros e Chefes de Falange ou Legiões:

  1. Orixás – Desprendimentos vibratórios Naturais, compreendemos como “Qualidades” de Deus ou “Centelhas Divinas”, são vibrações Universais que habitam o Cosmos trazendo para nós seus aspectos positivos e negativos, possuímos aquela Centelha nativa, da qual nascemos no momento em que foi concebida nossa existência e temos aqueles que nos regem em cada reencarnação que habitamos, afim de nos auxiliar a evoluir e concluir aquela missão da qual fomos incumbidos. Em suma, nunca encarnaram, nunca se casaram e nem tampouco se encantaram, em minha humilde opinião, essas histórias são alegorias para ilustrar como funcionam essas vibrações, energias, forças.

     

  2. Falangeiros de Orixás – São espíritos que atingiram um patamar de alta evolução natural daquela vibração, são os representantes naturais de nossos orixás, são espíritos que trazem consigo a vibração pura do Orixá bem como a sua energia elementar, RARAMENTE falam, apesar que em muitas casas, são trazidos para a realização de consultas, isso vai depender da cultura da casa, muitas vezes eles mesmos dão seu próprio nome ou enviam um erê ou outro mensageiro para dar o respectivo. É nesse assunto que encontramos diversas opiniões a respeito do assunto, os falangeiros não são Orixás, porque Orixás são Vibrações, os falangeiros são seus representantes, são aqueles que traz a energia pura e consequentemente, são incorporantes, alguns exemplos de falangeiros:

Ogum

  • Ogum Beira-Mar;
  • Ogum Sete Espadas;
  • Ogum Marinho;
  • Ogum de Ronda;
  • Ogum Sete Ondas;
  • Ogum Rompe-Mato;
  • Ogum Pedreira;
  • Ogum Naruê;
  • Ogum Dilê;
  • Ogum Sete Encruzilhadas;
  • Ogum Sete Estradas;
  • Ogum Megê;
  • Ogum Iara.

Xangô

  • Sete Pedreiras;
  • Pedra Branca;
  • Sete Cachoeiras;
  • Pedra Preta;
  • Pedra Bruta;
  • Cachoeira

Normalmente, são os mais conhecidos, foram os falangeiros mais estudados, esses são representantes da vibração pura do Orixá, obviamente existem diversos outros falangeiros. Esses falangeiros são conhecidos por muitos dirigentes como qualidades do orixá, representam o campo de atuação do Orixá correspondente, por exemplo, Orixás que carregam outras vibrações, como o caso de Ogum Rompe-Mato que carrega a vibração de Oxóssi, Xango Cachoeira que carrega a vibração de Oxum e assim por diante.

Encontramos muitas literaturas informando a qualidade de outros orixás, por exemplo, Oxóssi Ibualamo, Xangô Alafin, essas são denominações na nação e diferem um pouco na Umbanda, no Candomblé existem as QUALIDADES dos Orixás e junto com as qualidades, suas respectivas características, na Umbanda o termo qualidade não faz muito sentido e é substituído pelo tipo do falangeiro. Ex. Você é filho de Ogum, ao invés de indagarmos qual a qualidade, indagamos qual é o falangeiro, no caso, alguns exemplos foram citados acima, o mesmo ocorre com Xangô e outros Orixás.

Obviamente, alguns foram migrados da Nação, no caso de Ogum Megê, que na verdade vem de Meji, que significa duas cabeças, Ogum Xoroquê é um grande exemplo de sua existência tanto no Candomblé, como na Umbanda, é natural que herdemos algumas raízes da Nação justamente por ser nossa única referência ao culto dos orixás.

  1. Guias Espirituais – São os chamados “catiços” por muitos da nação, são espíritos que já tiveram sua encarnação na Terra, são espíritos incorporantes que dão consulta, trabalham sob as irradiações dos Orixás, são os caboclos, erês, preto-velhos e todas as demais linhas que compõem a egrégora umbandista, nesses também temos algumas subdivisões, das quais:
    1. Chefes de Legião – São guias espirituais que já atingiram alto patamar vibratório, raramente são incorporantes, eles são responsáveis por toda uma legião de falanges do mundo espiritual, por exemplo, APENAS PARA EXEMPLIFICAR, em algumas literaturas, dizem que o Caboclo das Sete Encruzilhadas é o chefe da legião de todos os caboclos que compõem a legião da Jurema, Sete Flechas e outros caboclos que trazem nomes de tribos, como Tupã, Tupi, Aimoré, Guarani, entre outros;
    2. Chefes de Falange – São os guias espirituais chefe de cada falange de guias espirituais, por exemplo, podemos ter um Pena Branca chefe de falange de todos os Pena Brancas, são os direcionadores dos guias espirituais que carregam o mesmo nome, são os mentores dos guias espirituais que trazem o nome de toda uma falange, nem todos são incorporantes;
    3. Guias Espirituais – São os guias que estão sob o comando dos exemplos acima, ainda possuem larga estrada para o caminho evolutivo, porém, já atingiram um grau vibratório necessário para trazer maiores encargos magísticos, são os mais comuns durante os trabalhos umbandistas;
    4. Protetores – Como eu sempre digo no blog, nem todo guia espiritual está isento do processo reencarnatório, muitos ainda possuem a missão de reencarnar e passar pelas mazelas do corpo carnal afim de atingir seu objetivo de evolução, entre esses espíritos, são mais comuns essas linhas que surgiram depois da Umbanda Tradicional, como baianos, marinheiros, cangaceiros, entre outros, vale enfatizar que NEM TODOS os guias que atuam nessas linhas são protetores, alguns já atingiram um patamar vibratório como chefe de falange ou até mesmo guia espiritual. Alguns exus também fazem parte desse grupo.

Mas o foco é o título do blog, os falangeiros em suma são os representantes da Força, na Umbanda não acreditamos que incorporamos os Orixás e sim seus representantes naturais, dos quais denominamos falangeiros, apenas para recapitular, raramente falam, raramente trabalham em consultas, normalmente chegam apenas para limpar o ambiente para que os guias espirituais possam trabalhar. Trabalham com maior eficácia com os elementais.

Apenas uma síntese para acabar com algumas pequenas dúvidas, ainda está em estudo o nome de outros falangeiros de Orixás, a tendência é que se apresentem e que paremos de utilizar denominações da nação, existem muitos centros de Umbanda que dedicam pelo menos uma vez ao ano, um trabalho destinado aos falangeiros e como os mesmos chegam muito pouco durante os trabalhos, a tendência de aprendemos com eles se torna mais reduzida, eu mesmo não dou muita importância ao culto dos Orixás, minha ligação é mais enfática com os guias espirituais.

Uma outra dúvida que existe, é se é possível ter mais de um falangeiro do Orixá e SIM, é possível, um filho trabalhar por exemplo com Ogum Rompe-Mato, Ogum Dilê e até mesmo um terceiro, por exemplo, Ogum Malê, vale lembrar que isso depende da missão do filho, vai depender de como ele realiza os seus trabalhos e da necessidade espiritual do mesmo, obviamente, filhos destinados a abrir uma casa, terão mais guias espirituais para a contenção do que filhos que tem apenas como missão evolutiva trabalhar dentro de uma casa de caridade.

Eu sempre digo aqui, sua linha será formatada de acordo com a sua missão, e sim, sua missão pode mudar, você pode evoluir, temos o livre arbítrio, se no meio do percurso você tiver mais saldo que débitos, obviamente novos guias espirituais se aproximarão e trarão mais força para a sua linha para que você possa desempenhar com maestria sua designação. Se existe algo escrito, temos a capacidade de mudar e nisso, obviamente novos mentores se aproximarão.

Tudo é dinâmico.

Namastê.

Neófito da Luz .’.

Saravá Sr. João do Coco – Obrigado pela Viagem!

Saudações Irmãos

O Artigo é para compartilhar uma experiência excepcional que eu tive, não diria que chega aos pés dos contos de Wagner Borges, mas realmente me deixou exalando felicidades.

Sempre acreditei que existe no plano extra físico, locais semelhantes aos vividos no meio físico, isso sempre foi algo que sempre tive comigo, conforme já explanado no Cristianismo (No reino de meu pai há diversas moradas), bem como outras literaturas orientais, como no taoísmo e até mesmo no hinduísmo, tive o privilégio de vivenciar algo que seria difícil descrever…

Primeiramente, João do Coco é um baianinho que eu trabalho, tem por volta de 11 anos, apresenta-se com a tez bem queimada pelo sol, bem bronzeado, chapeuzinho de palha bem pequeno, camisa azul e calça branca, não é porque é um mentor que eu sirvo, mas é de uma simpatia e simplicidade que sempre me encantou, extremamente dócil, fala fina, sotaque puxado, brincalhão ao extremo, ainda não sei o motivo e porque isso aconteceu comigo, mas tentarei relatar a experiência.

Estava no aconchego de minha cama, quando de repente eu apaguei e quando percebi, estava em uma roda de fogueira, todo mundo dançando e cantando, era um local simples, mas carregado de extrema alegria, simplicidade e uma energia indizível, uma vibração contagiante e fantástica, me deparei com pessoas muito simples, porém felizes, nas mais variadas faixas etárias.

Era muito estranho, parecia festa de São João, mas no momento eu não reconhecia ninguém, mas fui convidado a curtir, a vivenciar aquele estado alegre de espírito, muitas piadas, muitos contos, muitas histórias, pessoas que eu mal conhecia, mas fui contagiado por tanta alegria e nem quis saber se conhecia alguém ou não, fui logo me enturmando, aquela fogueira regada a muitas piadas, não me recordo se havia comida, não em atentei ao detalhe, mas me chamou atenção aquela festa, aquele forró comendo solto, o sanfoneiro, o repique, a zabumba, todo mundo alegre, brincando e me recebendo muito bem, do nada, me deparo com o João do Coco, brincando, pegando em minha mão e me chamando para o meio das danças, eu sou um cara relativamente materialista, gosto de frequentar bons lugares, ter um determinado luxo e confesso, sem o mínimo de hipocrisia, sem demagogia, pela primeira vez percebi na pele como conseguimos ser felizes ou ter vislumbres de felicidades com tão pouco, um povo relativamente simples e extremamente amáveis, receptivos.

Diferentemente de outros sonhos que eu obtive, de onde vieram fundamentos, ensinamentos litúrgicos da casa que me foi solicitada, esse foi um sonho que ainda estou refletindo sobre cada momento, ainda vívido em minha memória, a cada instante, tento extrair novas lições que sei que nada acontece por acaso, um deles foi o instante simplista que eu tive, tive um relapso de aprendizado quanto o materialismo em meu cotidiano, a simplicidade daquelas pessoas me encantaram de forma singular, eu ouso dizer que a alegria é inenarrável.

Presenciei de uma ótica privilegiada o modo que muitos de nossos mentores espirituais viveram, principalmente os que ocupam o arquétipo de baianos, mestres, cangaceiros e até mesmo malandros, se realmente ali for um pedaço de Aruanda, quero ser um guia espiritual, Rsrs. Claro que sempre tive comigo que a vida de guias espirituais não é o trabalho exacerbado, aquele fanatismo demasiado e de estar sempre alerta, existe vida após a morte, e, para VIDA eu digo a Curtição, a Alegria, a roda de Amigos, a música, sim, se não foi uma projeção intensiva do meu pré-consciente, o que eu também sempre desconfio, foi uma experiência incrível oriunda de um guia espiritual do qual nada esperei muito além do excelente trabalho que ele presta na linha de baianos.

Alguém já compartilhou de experiências semelhates? Comentem…

Namastê.

Neófito da Luz .’.

Os Tropeiros na Umbanda

Saudações Fraternais queridos irmãos de fé.

Aqui quem vos fala é o neófito trazendo mais um assunto “nada a ver” pra gente refletir…

Há algumas semanas atrás, me deparei com uma situação curiosa, um boiadeiro sentado, usando poncho (Depois de muita pesquisa pra entender o que ele usava, achei essa denominação), cachimbo (O que difere muito de boiadeiros que eu conheci), que gosta de trabalhar sentado (O que também não tem nada a ver com nenhum boiadeiro que eu conheci), que falava “portunhol” (O que também nunca vi em um boiadeiro) e foi muito estranho, o vi particularmente materializado sentado em minha cama e depois a imagem do mesmo foi projetando sobre minha mente, depois de uma ou duas semanas buscando sobre os objetos, ou melhor, os paramentos utilizados pelo guia espiritual, o arquétipo apresentado e que difere de forma gritante dos boiadeiros que pude “visualizar”, vi que muitos espíritos vem se apresentando na Umbanda de forma bem singular e diferenciada de muitos paradigmas que tivemos até então, o que corrobora com a minha ideia da evolução que a religião vem sofrendo e pela particularidade que vem se apresentando cada linha de trabalho, cada falange e cada guia em si.

Também deixou em minha mente que é um tropeiro, que fala particularmente espanhol e me lembra muito os gaúchos, justamente pelo tipo de chapéu que o mesmo se apresentou, fui também procurar sobre esse chapéu e depois de muita pesquisa, tanto quanto o poncho e o tipo de chapéu é chamado Serrano.

Obviamente fui pesquisar e procurar sobre a atividade dos tropeiros, sobre sua relação com os gaúchos e sobre a sua relação com o sotaque apresentado, segue abaixo alguns tópicos da pesquisa:

É uma atividade que existiu do século XVII até o início do século XX, possuíam grande importância econômica, eram bons condutores de animais de carga, como mulas, cavalos, burros, foram extremamente importantes para o desenvolvimento de rotas de comércio dentro do país, ajudavam na abertura de estradas e fundação de muitas vilas e cidades. O seu sotaque também tem um certo fundamento, o Sul era controlado pela Espanha segundo a história relacionada ao Tratado de Tordesilhas, e o Uruguai (Vice Reino do Prata) era a casa da mãe Joana, um território disputado entre Brasil, Argentina e até mesmo o Paraguai, sem contar que toda a região Sul do Brasil eram formados por espanhóis, o Sul foi primordial para o início da Pecuário e o caminho do Ouro, muito disputado entre as colônias na época.

É muito bacana quando temos alguma intuição, alguma mensagem e constatamos isso através do meio científico e histórico, com isso, podemos perceber que a tendência da Umbanda trazer para si espíritos com arquétipos mais específicos, que trazem mais que seu arquétipo, trazem a sua consciência individual ou ao menos uma quebra de paradigmas tão engessada nos trabalhos umbandistas, é algo que eu sempre venho falando no blog, estamos rumo ao progresso e cada dia que passa, novos espíritos, novos estudos, novos seres trazem todos os seus encantos para essa grande egrégora espiritual de trabalhadores que a Umbanda vem abraçando, mas como sempre digo aqui no artigo, a Umbanda é apenas um meio de delimitar toda uma egrégora de espíritos iluminados e trabalhadores.

Não estou dizendo de forma alguma que é uma nova linha na Umbanda, mas sim um espírito que foge um pouco do conceito dos boiadeiros que todos conhecemos, foge dos padrões daqueles homens sertanejos, que lidam com força bruta, que trazem consigo a força, a “brutalidade” do homem do campo e da força necessária para lidar com a boiada; Se existirá uma linha específica pra eles, acho pouco provável, justamente pelo seu arquétipo de trabalho com o gado se encaixar perfeitamente na falange dos boiadeiros, porém, é mais um espírito único de consciência única como eu sempre digo, que traz a pureza de sua essência, talvez a personalidade de alguma existência vivida, não traz consigo toda aquela força que os boiadeiros passam, porém, o mesmo me trouxe relativa sabedoria, contos da antiguidade, mas ainda sei muito pouco sobre ele, não soube nem seu nome, nem como vai trabalhar e se irá trabalhar.

E como sempre digo, meu intuito de postar artigos relacionados a história e linhas é para trazer luz a muitos médiuns que podem sofrer com a mesma situação e como a internet tem pouca referência sobre diversos assuntos específicos, os iniciantes podem ao menos ter aqui como uma pequena referência para seus caminhos. Recentemente recebi um ótimo e-mail referente ao caboclo do Sol e da Lua, uma irmã trabalha com um caboclo do mesmo nome do qual tem inúmeras semelhanças com o que eu sirvo, e isso só me deu a certeza de continuar postando certas particularidades para que juntos, possamos compreender que não estamos loucos, que existe sim uma força lá fora e muita coisa que achamos que é fruto e nossa mente fértil, na verdade é influência de uma força superior que tem como objetivo a prática do bem e da caridade.

Como disse, ainda sei muito pouco sobre esse guia espiritual, mas sim, sei que ele é oriundo da linha de boiadeiros, fala com um sotaque espanhol carregado, trabalha sentado e fuma cachimbo, e foge deveras do estereótipo de boiadeiros que estamos acostumados, e agradeço ao Cósmico por ser agraciado a mais um degrau de experiência dentro dessa “Umbanda, essa desconhecida!”;

Se alguém possui uma experiência parecida, por favor, comentem abaixo para que possamos trocar conhecimentos sobre o assunto!

Paz Profunda.

Neófito da Luz .’.

Referências: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=496

Sincretismo x Universalismo

Saudações Prezados irmãos…

Gostaria de me desculpar com alguns irmãos de senda, acho que eu não soube me colocar muito bem sobre o sincretismo e tentarei ser breve.

O Universalismo é uma coisa, é abraçar todas as religiões do mundo, bem como suas doutrinas, estuda-las separadamente e julgar o que é melhor para você e concluir as suas ideias, sim, eu sou universalista, estudei muitos filosofias orientais e tento praticar o que mais me convém em meus trabalhos, isso é TOTALMENTE DIFERENTE DE SINCRETIZAR, falar que VISHNU seria OXALÁ, os DEVAS seriam Anjos ou elementais e SHIVA seria na verdade o exú, existe sim o arquétipo, o Deus da Guerra, a Deusa do Amor, o Deus da Justiça, mas arquétipos que se encontram em todas as mitologias, nunca me verão colocando a imagem de Marte ou Ares e louvando Ogum, isso é sincretizar, nunca me verão parando os trabalhos sobre a Quaresma, isso é sincretizar; Nunca me verão rezando “Pai Nosso” em meus trabalhos, isso é sincretizar, o sincretismo é associar ritos de uma religião e migrar para a outra, a utilização de santos católicos nos centros umbandistas também é sincretismo.

Apenas sintetizando:

Sincretizar = ASSOCIAR OS RITOS encontrando semelhanças ou relações entre eles;

Universalizar = SOMAR os ritos sem relacioná-los, usar REIKI nos trabalhos, cromoterapia, evangelização de parábolas.

Sou a favor da soma de conhecimentos, acho que quanto mais se conhece, mais se agrega, quanto mais se aprende, mais temos ferramentas para combater malefícios, sejam físicos ou espirituais e como enfatizei no último artigo, a Umbanda DEVE agir com as próprias pernas, temos que ter um fundamentos específicos, ter coerência litúrgica, muitos me indagam porque outras doutrinas INVENTAM Orixás, eu sou TOTALMENTE contra falar que é INVENÇÃO DE ORIXÁS, muito pelo contrário, acho que dentro daquela egrégora, há a existência do Orixá, seja ele Iofá, seja Egunitá, seja Yorimá, Logunan Tempo, Oroiná, dentro daquela egrégora, existe aquela vibração, aquela energia e ela deve ser respeitada e louvada.

A UMBANDA NÃO SÓ DEVE, COMO ELA ESTÁ REINVENTANDO CULTO ÀS VIBRAÇÕES NATURAIS QUE CHAMAMOS DE ORIXÁS.

Vejo muitas pessoas da Nação criticando como estão sendo cultuados os orixás, mas tudo evolui, e precisamos retirar o véu de Isis. A cada passo que aprendemos com eles, como as coisas funcionam, mais temos que rever certos conceitos daquilo que sabíamos, podemos relembrar a mudança do geocentrismo para o heliocentrismo, quando muitos creram veementemente que a Terra era o centro do Universo e foi constatado que além de ser um fato inverossímil, ainda custou a vida de gênios porque a Santa e Querida Igreja mandou pra fogueira Giordano Bruno; Como exemplifiquei no último artigo, antes tínhamos a certeza de que o átomo era formado apenas por três elementos, ao passo que nossos mecanismos de pesquisas evoluem, nossa conhecimento evoluiu e com ele, novas dúvidas surgem, com esse campo científico em expansão, encontraram mais outros quatro elementos que formam o átomo e cada qual com sua peculiaridade.

Existe uma alegoria que eu gosto muito de utilizar em minhas palestras, seria o Alegoria da Caverna de Platão, que está constituído no livro da República (Para saber mais: http://www.brasilescola.com/filosofia/mito-caverna-platao.htm) que entra justamente no fato de que eu sempre menciono no blog, existem diversas metodologias de trabalho, dentro da Espiritualidade, existem diversas egrégoras que constituem outros planos e justamente por esse motivo, menciono veementemente que cada casa tem a sua forma peculiar de trabalho e o certo e o errado são inexistentes quando a intenção é nobre, obviamente não podemos negar que existem guias espirituais mais evoluídos que outros, isso é um fato e uma constante evolutiva existente em todos os planos de existência, justamente por isso, que não acredito em INVENÇÃO DE ORIXÁS, talvez as pessoas que os cultuem estejam em um patamar vibratório diferente dos que ainda não conhecem o culto aos mesmos.

Estranhamente, em um sonho, um dos caboclos que eu sirvo me disse que era pra eu aprender a cultuar Obá e Euá, eu em meu limitado conhecimento, já tinha dado esses orixás como extintos, tanto é que o seu culto cada dia fica mais raro, foi quando conheci uma irmã que é da linha do Saraceni e a mesma mencionou que em sua liturgia, os dois orixás foram “relembrados”. Portanto, é óbvio que está ocorrendo um resgate cultural de culturas antepassadas regradas a uma nova fase de conhecimento e evolução daqueles que atuam.

As casas que possuem mais estudos, ao passo que eu vou aprendendo e conhecendo, verifico que os cultos codificados estão extinguindo o sincretismo e trazendo rituais nativos da própria umbanda e outros rituais pagãos totalmente criticados pela “Santa Igreja”, ´portanto, em muitos rituais bem fundamentados dentro da Umbanda, o sincretismo está praticamente extinto, e é isso que eu tentei dizer no último artigo, eu sou UNIVERSALISTA, diferente de ser a favor do SINCRETISMO, principalmente porque o nosso sincretismo é intrínseco a fundamentos católicos dos quais eu tenho total aversão, RESPEITO quem é, porém, eu tenho verdadeira ojeriza à liturgia. Isso sem contar o Kardecismo que tem muito sincretismo católico mesclado em seus fundamentos, o que não convém entrar no mérito do assunto por agora.

Um outro grande problema do sincretismo em minha humilde opinião é o sectarismo dogmático, a tradição mal fundamentada e estudada apenas baseadas em conjecturas, e é a hora que a tradição mostra a sua força, muitas das coisas que seguimos é por osmose, é porque o outro fez ou falou e fazemos igual por força do hábito, e é esse tipo de conceito que vem perdendo força em muitas casas.

Então, como podem observar, o sincretismo não está relacionado ao universalismo, eu empregarei indubitavelmente a utilização de cromoterapia, reiki e outras ciências orientais que eu julgo imprescindíveis para o objetivo da casa que é a cura física e espiritual, com isso, somarei essas ciências alternativas com o ritual umbandista, muitas vezes em dias separados, as ciências orientais serão métodos que auxiliarão a conquista de objetivos dentro do templo, seria bem diferente se eu colocasse fundamentos taoístas, hindus, budistas entre outros no meio dos rituais, agora consegui me fazer entender de forma mais clara?

Pra mim, em minha modesta opinião e dentro daquilo que eu acredito, não vejo com bons olhos o sincretismo, em diversos aspectos que já citei em artigos, porém, cada qual segue uma Lei dentro da Espiritualidade e cada um tem o seu conhecimento dentro da egrégora umbandista, e com isso, ainda existem dois tipos de mentores espirituais: Aqueles que respeitam nossos fundamentos e seguem a liturgia dentro daquilo que acreditamos e aqueles que tentam nos orientar para qual seria o melhor caminho para o trabalho, qual é a metodologia do seu guia chefe, só você poderá saber, dentro do que eu acredito e sinto veementemente pelo que me é ensinado, o sincretismo será abolido totalmente dento dos trabalhos, mas devo respeitar aqueles que seguem essa linha.

Espero realmente que eu tenha deixado claro em relação ao que eu acredito ser sincretismo e universalismo, a diferença de ambos,

E por fim, a Umbanda é muito nova, ainda vai acontecer muita coisa, assim como diversas liturgias passam por diversas mudanças, temos aí o Cristianismo que existe há mais de 2000 anos e cada hora aparece uma igreja diferente, com um ritual diferente e com uma forma de trabalhar diferente, assim também é a Umbanda, que tem apenas 100 anos e ainda é muito nova em relação à outros ritos, o que contribui demasiadamente com a ideia de que ainda vai amadurecer muito, não duvido que logo menos ao invés de 16 orixás, apareçam 24 orixás, assim como no começo eram apenas caboclos, pretos-velhos e erês, hoje já temos mais de 10 linhas de trabalho, das quais ciganos, médicos, caboclos Kimbandeiros, pretos-velhos, pretos-velhos Kimbandeiros, boiadeiros, marinheiros, baianos, cangaceiros, malandros, juremeiros ou mestres, exús, entre outras que vem chegando, como alguns centros trazendo a linha de piratas, a linha de zunguim (que são caboclinhos da mata muito cultuada no nordeste), entre outras linhas que poderão surgir, sem contar linha de mineiros que alguns centros já cultuam e trazem esse arquétipo para dentro dos trabalhos, não acredito em invenções, acredito que a Umbanda vem se moldando, novas linhas se apresentarão para os trabalhos, novos dirigentes com alto grau de instrução vem se apresentando e sairemos daquela tradição imposta por receio de preconceito ou porque nascemos com tais fundamentos e iremos caminhar, enfim, com nossas próprias pernas, ao passo que as trevas da ignorância se dissiparão (Isso daqui uns mil anos, porque o Cristianismo tem 2000 e ainda vive nessas condições, rsrsrs) e todos nós chegaremos ao tão sonhado objetivo: Evolução Espiritual!

Portanto, para matar dois coelhos em uma “caixa d´agua”, falei sobre o sincretismo e já pegando o gancho, acredito sim na existência dos Orixás Iofá, Yorimá, Yori como cultuado em vertentes umbandistas, se o dirigente sabe como “cultuar” essas vibrações, que ele seja feliz, assim como outros orixás como Logunan Tempo, Egunitá, que podem ser desdobramentos de energia que ao passo que ampliamos nosso conhecimento, ampliamos nossa capacidade de percepção das vibrações universais e com isso, trazemo-la para dentro de nosso trabalho, tenho sim curiosidade de aprender mais sobre eles e ao passo que me for permitido, chegará o momento para tal fato, portanto, ainda não obtive nenhuma resposta sobre eles, se há a necessidade de trazê-los para dentro dos meus trabalhos.

Paz Profunda.

Neófito da Luz .’.

Como São Designados nossos Mentores Espirituais?

Um fraterno Saravá a todos.

Muito indagamos porque temos certos guias espirituais, muito indagamos como eles surgem em nossa vida e porquê, para essa dúvida, pesquisei muito e até queimei quase 1kg de vela para tentar obter maiores elucidações a respeito do assunto.

Primeiramente é interessante elucidar que existem alguns tipos diferentes de designações, das quais citarei algumas:

A primeira é que existem alguns que nos acompanham desde antes do nascimento, seja por determinação de nossa vibração nativa em nossa atual existência ou pela afinidade no grau de conhecimento, existe o guia espiritual responsável por toda sua linha espiritual, que geralmente é um caboclo e ele é o comandante espiritual da sua linha determinado pelo Orixá e pela sua missão em sua existência. Com isso, devemos compreender que além da afinidade existente, são companheiros determinados pelos Superiores Cósmicos para nos acompanharem durante nossa missão, geralmente o seu guia-chefe é um dos que possuem maior patamar vibratório em sua linha, porém, não é uma regra, porque já é mais do que um assunto estressado falarmos que aquele que tenta padronizar o Mundo Espiritual acabará louco.

Juntamente com o seu guia-chefe, existem outros espíritos que o acompanham desde o nascimento, logicamente o seu guardião, que é o polo negativo do seu orixá, alguns guias de trabalho e também alguns chefe de linha, denominação que eu dou para cada chefe de linha de sua corrente, por exemplo, o meu chefe de linha dos marinheiros é o Sr. Martinho Parangolá, dos baianos, o Sr. Zé Baiano e assim vai.

Importante salientar que para muitos médiuns, a sua linha ainda não está totalmente formada, ela será adequada com o decorrer do tempo, seja pela missão configurada, pela casa que você frequenta ou pela determinação dos seus chefes durante o tempo, dependendo da casa que você está, você vibrará com um certo tipo de trabalho e consequentemente se aproximará entidades afins com aquela energia. Existe também o fato que nem todos te acompanharão pelo resto de sua vida, sim, existem aqueles que deixarão de incorporar mas continuará com você e existem aqueles que se afastarão de verdade; Existem muitas mudanças no âmbito espiritual, por exemplo, você pode se afastar por tempo indeterminado, seu guia espiritual pode ter sido escalado para uma nova missão, você pode ter sido “trocado” por não representar uma conduta adequada àquele que você está servindo, enfim, existem diversos motivos. Quantos médiuns se afastam ou mudam de casa e começa a aparecer entidades diferentes? Claro que possuímos aquele “core”, aquelas peças-chaves que nos acompanharão para onde formos, mas também existe muitos fatores que podem alterar a sua corrente mediúnica, conforme já citei, mudança de casa, mudança de missão, afastamento do médium, evolução do médium ou do guia espiritual, alteração na egrégora, por exemplo, se eu estou no Candomblé e trabalho com um “caboclo boiadeiro” que canta, dança, fuma e come, se eu for pra outra casa e aquele guia não estiver de acordo com a sua forma de trabalho, ou pode vir um da mesma falange, ou ele pode se afastar dando lugar a um outro boiadeiro ou até mesmo tentar se adaptar às mudanças impostas.

Ao contrário do que muitos pensam, eles são dotados de consciência única e não são marionetes ou espíritos que estão ao nosso dispor, eles também tem o poder de escolha e podem optar por não trabalharem com você, ou podem também aceitar todas nossas mazelas e estarem ao nosso lado, tudo depende de vários fatores que podemos ficar o resto do ano mencionando.

Existem também aqueles que estão de acordo com suas ideias, seus objetivos e por algum motivo, seja para trabalho, seja um desígnio ou missão, se aproximam de nossa linha e com a permissão de nosso Orixás e de nosso guia-chefe, também desempenham o papel de incorporação em nossa matéria, já citei o nome de alguns aqui no Blog, em 2008 a chegada do Sr. Chico Preto, depois de 11 anos de Umbanda, a chegada de Mané Baiano por volta de 2011 que é um cangaceiro, são alguns que apareceram muito tempo depois durante meu trabalho umbandista para trazer novos ensinamentos e também aprenderem, para trazer novas vibrações e para que também possam desempenhar seus papéis de perpetuar os ensinamentos sagrados.

Nos últimos trabalhos também estou sentindo a chegada de um guia que trabalhará na linha de malandros, e como eles sabem, que estou sempre disposto a novas experiências e que hoje sou uma pessoa relativamente isenta de preconceito e tenho como principal ideia, qualquer espírito que tenha a permissão do Altíssimo e de meus guias-chefe para trabalhar em minha matéria, que sejam bem vindos.

Claro que também temos aqueles guias espirituais que estão em nosso lado na contenção, não são incorporantes, mas são peças-chaves para nossa evolução espiritual, estão ali nos ajudando e auxiliando os guias incorporantes de nossa corrente espiritual, existem aqueles que descem raramente, e para isso, por alguns motivos específicos: Seja porque já alcançou um estágio onde não precisa mais incorporar, seja porque sua função na linha seja apenas gerenciar sua corrente mediúnica e suas tarefas se resumem a outras ocupações, seja porque não ocupa uma posição de grande importância em sua linha, ou seja, pode ser um guia que só chega quando o seu de trabalho está ausente ou porque não é a principal função dele. Existem aqueles que descem raramente em festas também, que seria o seu segundo ou terceiro guia da linha.

Ao contrário do que muitos pensam, nem todos os nossos guias de frente incorporam, alguns chegam somente para dar o nome e supervisionar o nosso trabalho espiritual, alguns como já alcançaram determinada evolução espiritual, não são mais incorporantes e se ocupam com outras tarefas, principalmente àqueles que são designados a gerenciar um templo espiritual, nem todo Exu de Frente desce e dá o nome bem como o próprio caboclo, existem dirigentes que deixam como nome da casa, o segundo caboclo porque o primeiro não permitiu, esse último motivo do qual ainda tento descobrir.

Alguns médiuns chegam a incorporar até 7, 8 guias de uma mesma linha, seja caboclos, baianos ou quaisquer outras linhas dentro de sua falange, enquanto outros, trabalha com um único guia a vida inteira, isso se deve também a alguns motivos, já é sabido que nem todos os médiuns possuem a mesma quantidade de guias que outros, houve uma época em que tabelavam o número de guias que podíamos ter na linha e isso caiu em desuso porque ocorreram vários fatores que contradizem essa ideia, cada pessoa tem a sua missão determinada pelo Cósmico, se você é um médium de cura, e sua missão é essa, obviamente você não terá 15 exus de porteira, se você é um médium de limpeza, obviamente você não terá 15 caboclos de cura e nenhum de limpeza, então tudo é determinado pela sua missão, vibração e pra isso, você nasce com a Vibração Orixá correspondente.

Um outro aspecto importante, gostaria de ressaltar para nem todos acreditarem nessas falanges que lemos pela internet, isso não foi confirmado por nenhum guia, se o Pena Branca é da mesma falange que o Águia Branca é o chefe, se o Cobra Coral é um guia subalterno de Arariboia, isso é um assunto que ainda é muito pouco estudado, um irmão que tem um caboclo chamado Sol Nascente e Tira-Teima veio me indagar porque ele tem entidades que não tem estudos, que parece que são espíritos de terceira, porque são pouco conhecidos e não ocupam nenhuma posição de destaque em literaturas, digo-lhes com toda a certeza que existem novas falanges se apoderando do Mundo Espiritual e conforme já mencionei em alguns posts, outros raramente se apresentam nas casas, como é o caso de Urubatão, Caboclo Tupã, Sultão das Matas, entre outros que sua vasta falange vem ficando cada vez mais rara, em contrapartida, conheci um caboclo chamado “Águia Valente”, pouco difundido nos cultos umbandistas e presenciei um trabalho fantástico, o mesmo caso de um outro caboclo chamado Búfalo Branco, NUNCA ouvi falar em nenhum lugar sobre o caboclo, mas trabalhou com maestria na ocasião que presenciei, vale aquilo que sempre falei, mais vale um médium excepcional com um caboclo desconhecido a um médium tolo com um chefe de falange, o chefe se limitará ao médium que por sua vez não é adequado, causando um trabalho deficiente.

Nada é uma regra e assim como o Universo, cada partícula atômica de nosso corpo, é tudo dinâmico, tudo é mutável e ao passo que expandimos nosso conhecimento, mais evidenciamos a nossa ignorância, até o final do século XX, o átomo era formado por apenas 3 elementos, os próton, nêutrons e elétrons, hoje já conseguimos dividir ainda mais essas partículas formando os quarks, fótons, léptons e o famoso bóson de Higgs (ESTRANHO QUE ALCANÇAMOS SETE ELEMENTOS NÃO?) quem quiser saber mais sobre, segue um resuminho: http://super.abril.com.br/universo/boson-higgs-nao-deu-nem-pro-comeco-697828.shtml

Então padronizar um tipo de conhecimento, limitar e delinear o Mundo Espiritual é o mesmo que procurar em um quarto escuro, um gato preto que não está lá, como dizia Voltaire, então não existem padrões e sim aquilo que eu sempre digo, boas práticas, o que também é relativo, para muitos é excepcional passar galo vivo nas pessoas e sujar todo mundo de ovo, em meu conceito de boas práticas isso nunca aconteceria.

Se você possui dois falangeiros de Ogum, parabéns, isso pode acontecer e muitos dirigentes NEGAVAM VEEMENTEMENTE essa ideia, se o seu Ogum fala, parabéns também, nada é uma regra e tento não ser presunçoso ao fato de criar regras rígidas para isso, cada um é cada um, cada qual sabe no fundo de sua alma o que veio fazer e se você tem 15 caboclos e 5 Oguns, que faça jus a essa responsabilidade que recebeu.

Afinal, todos nós estamos aqui com um único objetivo: Nos aperfeiçoar e chegar até o Altíssimo!

Paz Profunda.

Neófito da Luz .’.

Sincretismo: Uma Verdadeira Lambança

Saudações, Prezados Irmãos de Senda.

Depois de levar uma dezena de pedradas quanto ao meu posicionamento aos trabalhos na Quaresma, eu não aprendo, e vamos lá expor a minha inútil opinião sobre o sincretismo.

Etimologia

Oriunda do termo grego sygkretismós, “reunião de vários Estados da ilha de Creta contra o adversário comum”.

O que é Sincretismo?

Podemos entender que sincretismo é uma junção de doutrinas e fundamentos que são absorvidas pelo culto em questão, podemos lembrar que o Cristianismo na verdade foi um grande compilado de religiões pagãs e outras cultos romanos da época, sim, a vocês que acham que o Cristianismo é puro, meus pêsames, e digo mais, se existe uma certeza que eu tenho sobre Cristo, é que ele não era Cristão! Rsrs

Mas sem mais delongas, podemos observar isso nos cultos afros, para muitos, Ogum e São Jorge é a mesma entidade e fim de conversa! Muitos centros de Umbanda cultuam os orixás com imagens de santos católicos, isso deve-se somente ao fato de termos as raízes cristãs tão impostas em nossa cultura e pela nossa colônia portuguesa. Porque Ogum aqui não poderia ser Ares? Marte? Thor? Montu? Até mesmo o Guerreiro Arjuna nos contos de Gita? Hachiman nos contos míticos japoneses? Mas por que São Jorge? Justamente pela nossa pesada e chata imponência católica que temos em nossas raízes desde os primórdios; Mas como todo personagem Mítico, Jorge também além de não ter sido nenhum santo e nenhum exemplo de conduta, também está envolvido em várias lendas, como o cavalo albino, a morte do dragão, todas ilustrações de vagas ideias antropomórficas impregnadas em nossas mentes ávidas por ídolos.

O Sincretismo na Umbanda

É sabido que Zélio Fernandino de Moraes, o dito fundador da Umbanda tinha raízes católicas e espíritas, tanto que os sete centros abertos pelo seu mentor Sete Encruzilhadas levava no nome de “Espírita” e o nome de um santo católico como podemos observar o nome de seu primeiro centro foi chamado de “Tenda Espirita de Umbanda Nossa Senhora da Piedade”. Muitas casas adoram a imagem de São Jorge como se fosse Ogum, isso pela semelhança em seus arquétipos, ambos guerreiros, ambos “montados no cavalo”, ambos trazem para si a energia e a bravura que são preponderantes na Guerra, assim também como Santa Bárbara para Iansã, Nossa Senhora dos Navegantes para Iemanjá, se presenciarem, ambos possuem arquétipos semelhantes, e como a Umbanda era muito “popular” era muito mais fácil associar nomes complicados de Orixás com nomes corriqueiros em nosso cotidiano, obviamente, ninguém iria colocar a imagem de Marte, o Deus Romano da Guerra ou Ares, o Deus grego da guerra para sincretizar Ogum, por ser um conhecimento mais restrito para muitos.

Conforme mencionei, a Umbanda possui várias vertentes, a vertente designada pelo Zélio indubitavelmente sofreu centenas de mudanças para até o dia de hoje, fato que comprova a veracidade dessa informação é a Tenda Mirim, fundada em 1924, passou a ignorar o culto aos santos católicos em sua casa, com exceção de Jesus Cristo. Entendo que na época de Zélio, já era chocante ter em uma mesa branca a existência de um índio, dito ignorante por muitos, ainda trazendo nomes de “santos” africanos, obviamente Sete Encruzilhadas com todo o seu conhecimento quis fazer com que a transição para o novo culto fosse extremamente suave e o mais sutil possível para não abalar intensamente nossa cultura e nem tampouco nosso vago conhecimento de como funciona o mundo espiritual.

Sincretizar os santos obviamente é uma questão de opinião e prática, como diz o meu artigo, eu acho uma verdadeira lambança essa mistura, o sincretismo não fica somente nessa associação de imagens de santos com orixás, é a reza do pai nosso na abertura de muitos centros, sim, pai-nosso é uma prática CATÓLICA e não Cristã, e sim CATÓLICA, tanto que muitas vertentes do Cristianismo, como presbiterianos, pentecostais não rezam o pai nosso durante o culto justamente por não fazer parte da tradição cristã original.

Diversos traços católicos são encontrados no culto umbandista, a reza já citada, as imagens, a própria defumação,( utilizada pelos católicos, mas absorvida pelos cultos pagãos como forma de trazer à energia natural dos elementares), para isso, existem os dois lados, como sempre falo, a Umbanda é uma verdadeira mãe abrigando em seu seio todos os ritos que praticam o amor e a caridade, em contrapartida, eu não acho interessante justamente pela falta de identidade que a mesma possui, podem me criticar, mas uma vez vi um médium se debatendo inteiro em um trabalho, não sei se era o kabrunko na matéria dele, que raios que era, na hora a gira foi interrompida, assim com os atabaques, o baiano do dirigente começou a colocar a mão na cabeça do pirilampo e começou a rezar pai nosso e ave Maria (Desculpem, é demais pra mim). Mas como eu digo, é questão de opinião, de egrégora, de aprendizado. Como podem observar em meus posts, não sou nenhum pouco simpático ao catolicismo, respeito toda a iconografia, todos os aspectos eclesiásticos, mas eu acho uma das maiores hipocrisias da história, alguém pregar acabar com a fome e não vende muitos bens de um país considerado um dos mais ricos do mundo, mas Ostentação tá na moda!

Eu li um livro de Decelso, escrito em 1967 chamado “Umbanda de Caboclos”, ele compara e sincretiza as divindades iorubas (Orixás) com as indígenas, segue um trecho dessa comparação:

IARA – Divindade ou “deusa” das águas = Iemanjá;
TUPI – Divindade ou “deus” do Fogo = Erê;
CARAMURU – Divindade do Trovão = Xangô;
URUBATÃO – Divindade ou “deus” = Ogum;
AIMORÉ – Divindade ou “deus” da caça = Oxóssi;
JUREMA – Divindade das matas, cachoeira = Oxum;
JANDIRA – Divindade dos grandes rios = Nanã
MITÃ – Divindade criança = Ibeji;
IURUPARI – Divindade do mal = Elebá ou Exu;
ANHANGÁ – Divindade da peste = Omulu.
GUARACI – Divindade representativa do Sol = ORUM;
JACI – Divindade da Lua = OXU;
PERUDÁ – Divindade do Amor = OBA;
CAAPÓRA – Divindade protetora dos animais = OSSONHE (Ossãe);
CURUPIRA – Divindade dos Campos = CORICO-TÔ;
IMBOITATÁ – Divindade dos Montes = OKÊ;
TUPÃ – Divindade Suprema, pode ser identificada como Oxalá, ou melhor, Obatalá ou Zambi.

Com isso, compreendemos que é possível sincretizar os Orixás com outros cultos, como a Umbanda tem grande influência indígena, por que não cultuar Ogum com a Imagem de Urubatão, por exemplo? O Sincretismo é apenas uma percepção material e não espiritual, podemos observar os cultos do Primado de Umbanda, do próprio pai Rivas onde a utilização de imagens é praticamente inexistente. E depois de 100 anos de religião, acho que já passou da hora de entender que Ogum é Ogum, pode sim, entrar no arquétipo da Imagem do Guerreiro, isso também é muito mencionado nos livros de Joseph Campbell onde “humanizamos” qualquer tipo de ídolo denominado herói, mas se formos partir dessa premissa, Ogum pode ser outras divindades de Guerra como mencionei no começo do artigo. Ainda existe a teoria de serem todos a mesma Divindade, mas com outras denominações devido à região, por que não? Não Seria Peter, Pedro, Petrus, o mesmo nome com terminologias diferentes? Se formos partir dessa premissa, o que é algo para se pensar, obviamente São Jorge não está incluso, porque ele foge de todo o panteão mítico, não é um Deus que nasceu em uma incontável Era e sim um ser que viveu na Idade Média e conforme já frisei, não tinha nada de santo.

O Sincretismo e a Influência Católica é tão enraizada na liturgia Umbandista que até o dia de Ogum na Umbanda é o mesmo dia de São Jorge na Igreja

Existem casas que sincretizam Ogum como o Arcanjo Miguel, o que ainda pode fazer mais sentido que São Jorge, em termos de vibração, desprendimento divino, Segundo a Angiologia, são seres que estão mais próximos de Deus e que já alcançou a Grande Iluminação, é dessa mesma forma que eu compreendo os Orixás, que também são partes Dele, tanto que os nomes de Arcanjos (Vem da raiz arch que deriva de arché, que refere-se a “ponto de partida” “suprema substância subjacente” o que governa”) se forem observarem toda a etimologia, podem verificar:

Miguel – Vem do Hebraico Mikael – Mi – Quem/Aquele; Ka – como; El – Deus (Quem/Aquele Como Deus);

Gabriel – Vem do Aramaico Gavriel – Ga – Homem; Vri – Forte; El – Deus (Homem Forte de Deus) – Também tradicionalmente considerado do Anjo da Morte;

Rafael – Vem do Aramaico Rafael – Rafa – Cura; El – Deus (Cura de Deus).

Interessante mencionar que as três maiores religiões monoteístas, falam de Anjos em suas escrituras, a Torá, a Bíblia e o Alcorão.

Sincretismo é apenas uma forma de referência, uma forma de referenciar alguma coisa que não sabemos, ter uma relação, apenas isso, mas como a Espiritualidade é compreensível com nossa ignorância, permitem que essas coisas ocorrem, uma vez, em um centro, Tranca-Ruas desceu para trabalhar e um dirigente chamou-o de Tiriri, um irmão que também conhecia toda a forma de sua manifestação, chegou perto dele e perguntou: Meu pai, vós não é o Tranca-Ruas? Ele disse: – Se for pra me deixar trabalhar e fazer o que eu devo fazer, pode até me colocar saia rodada e me chamar de Maria Padilha.

Às vezes é evidente que o dirigente não confia somente na força da Egrégora da Umbanda e tem que apelar para outros ritos, defumação recitando o Salmos como já presenciei, Oração a São Jorge Guerreiro em Giras de Ogum, como eu disse, é questão de opinião e não estou entrando no mérito do certo ou errado e sim a falta de identidade existente nos centros umbandistas, como disse uma irmã essa semana, mencionando que passou da hora da Umbanda andar com suas próprias pernas e isso vem acontecendo com codificações doutrinárias, como mesmo mencionei o Primado de Umbanda.

Para muitos que me conhecem, sabem que eu sou universalista, aprecio todas as formas de alcançar a Deus, desde que estejam bem fundamentadas e argumentadas, justamente pela ojeriza com muitos ritos eclesiásticos eu prefiro que a Umbanda que eu pratico, tenha uma raiz mais oriental, menos dogmática e Deus em sua infinita sabedoria, trouxe a mim irmãos de Jornada afim com meus interesses e propostas para que possamos galgar juntos para a senda da evolução.

Em minha modesta opinião, uma meditação antes dos trabalhos, bem como uma evangelização teria muito mais utilidade do que um conjunto de palavras decoradas, obviamente, para a constituição de uma egrégora e um ambiente de trabalho firme, vale muito mais a firmeza e desprendimento do médium a qualquer ritual engessado e decorado, se você está rezando um Pai Nosso pensando na camisa do filho ao lado, aquele que está em silêncio pedindo ao Altíssimo amparo e sabedoria terá muito mais poder durante os trabalhos que você.

Algumas considerações pessoais sobre todo o sincretismo umbandista

Muitos dizem que na Umbanda, os escravos utilizavam as imagens para esconder os orixás, mas eu reflito, se a Umbanda foi fundada em Novembro de 1908 e a abolição da escravatura realizada em maio de 1888, não faz muito sentido essa “desculpa” não? O que constata que os escravos não praticavam a Umbanda e se a praticavam, Zélio apenas publicou a reinvenção da roda. Alguém está errado aí!

Acho que deixei claro a minha opinião que discordo veementemente do sincretismo, e que se for pra acreditar em mitologia (Porque um homem com uma lança em um cavalo branco é coisa de filme não?) prefiro acreditar nas antigas que possuem toda uma alegoria filosófica por trás e não a ostentação de poder tão imposta pelos nossos colonos eclesiásticos.

Se fosse sincretizar Orixá, como eu acredito em desprendimento de Deus e não um ser vivente que saiu matando todo mundo, estourou a espada no chão e se “encantou” como se a Lei do Carma não existisse, eu preferiria sincretiza-lo como um Arcanjo ou até mesmo um Deva (Seres de Grande Pureza no Hinduísmo) porque é assim que eu vejo a vibração Orixá.

Acho o sincretismo um grande aliado ao “emburrecimento” e degradação do culto umbandista, na verdade, às vezes acho que é uma carência exacerbada que resulta uma necessidade demasiada de aceitação por todos. Esse emburrecimento é no sentido de que muitas casas que eu conheci que acham que Ogum é São Jorge, são as mesmas que cultua o Exú como o servo de satanás, um ser chifrudo com pata de cavalo e vermelho, como a maioria das imagens dos exús que aceitamos e engolimos com todo o prazer). E a parte da carência é que queremos ser aceitos, então copiamos algo impregnado na nossa cultura que é esse monte de santos e ritos “aceitos” pela sociedade.

Veja o período de quaresma é mais um grande ponto que demonstra nossa amarração litúrgica com o sincretismo cristão

Discordo veementemente do sincretismo entre orixás e santos católicos, mas tento respeitar o máximo que eu posso, mesmo porque aqui em nosso plano só vivemos em conjecturas, mas podemos sim retirar aos poucos o véu de Isis e através de muitas pesquisas, migrarmos das Trevas de nossa Ignorância para a Luz da Sabedoria Universal.

As Imagens de Santos são apenas um potencializador de energia, muitos de nós, infelizmente ainda precisamos ver para crer, ou pelo menos ver através de um de nossos sentidos para acreditarmos na existência de algo, sentir através do nosso sexto sentido não é o suficiente, temos que ver e para isso, criamos diversas ferramentas, criamos ícones, ídolos para que possam suprimir nossa vasta solidão nessa Imensidão chamada Universo, precisamos crer em alguma coisa e para isso, precisamos “ver” e para isso, criou-se esses sincretismos para auxiliar-nos em nosso mecanismo de fé sem que abandonássemos nossa zona de conforto (nossa cultura católico-cristã).

O sincretismo culturalmente falando, é bem vindo, pois abraça as pessoas de outras liturgias e facilita a aceitação dos mesmos para uma nova liturgia, no caso a Umbanda, mas junto com esse ponto extremamente positivo, vem com outros muitos negativos, como o exú ser o diabo, como a necessidade de rezar o Salmos, o terço e toda aquela herança cultural que tivemos, com isso, MUITAS VEZES, desprezamos a sabedoria indígena, africana e afins  se perdendo em tantos ritos católicos e cristãos dentro da Umbanda.

O Cristianismo é uma corrente importante de nossa herança religiosa, tanto que muitos ritus espiritualistas usa como base, porém, Oxalá também não é Jesus Cristo, Oxalá é uma Manifestação de Fé da Própria Vibração de Deus e Jesus foi um dos muitos Avatares que veio em nossa Terra para trazer os ensinamentos do Altíssimo, assim também, como tivemos Krishna, Buda, Akhenaton, Confucio, Haiawatha, Moisés e muitos outros missionários Portadores da Palavra, portanto, graças ao nosso berço impositivo e religioso, só aceitamos Cristo como filho de Deus, o que é uma ignorância na minha opinião, existiram muitos outros Iluminados de outros continentes que vieram trazer os mesmos ensinamentos e também operar grandes milagres.

A História só é contada por aqueles que possuem poder e persuasão sobre a massa, portanto, sempre desconfiei de supostos “Santos” e sejam fiéis aos princípios umbandistas adotados pelos guias espirituais, independente da corrente do qual é oriunda o seu mentor, seja transparente e fiel aos princípios ensinados por eles.

E como eu sempre digo, isso aqui é apenas um espaço para divulgação de minhas ideias e conhecimento, não de traduz a mais absoluta verdade, e confesso, pode ter um monte de baboseira nesse blog, mas tenho certeza que instigo a muitos refletirem.

Tenham a certeza que pelo menos sou extremamente sincero em minhas palavras e honesto com minhas buscas, pois vou deixar uma máxima de Bruce Lee abaixo:

“Um homem sábio pode aprender mais com uma pergunta tola do que um tolo com uma resposta sábia.”

Paz Profunda

Neófito da Luz .’.

Nota: Não quis entrar no mérito de outros santos e seus respectivos orixás para o texto não ficar muito extenso.