Recomendação de Livro – Caminhos para Deus

Para quem quer aprender mais sobre a sabedoria secular indiana de forma didática, prática e objetiva, recomendo de olhos fechados esse livro.

Neófito da Luz .’.

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Conto HIndu – Os Sete Sábios Cegos


Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos.

Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas os consultavam.

Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre o qual seria o mais sábio.

Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

– Somos cegos para que possamos ouvir e compreender melhor do que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando como se quisessem ganhar uma competição. Não agüento mais! Vou-me embora.

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:

– Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar os seus músculos e eles não se movem; parecem paredes…

– Que bobagem! – disse o segundo sábio, tocando na presa do elefante. – Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra…

– Ambos se enganam – retrucou o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca.

É uma cobra mansa e macia…

– Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia as orelhas do elefante. – Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante…

– Vejam só! – Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. – Este animal é como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.

E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.

Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante.

Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

– Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos…!

Contos Sufis – A Parábola e a Fruta


Um Mestre Sufi contava sempre uma parábola no final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam o seu significado.
– Mestre, – perguntou um deles, certo dia – tu contas-nos contos mas nunca nos explicas o que significam.
– As minhas desculpas. – disse o Mestre – Como compensação, deixa-me que te ofereça um belo pêssego.
– Obrigado, Mestre – disse o discípulo, comovido.
– Mais ainda: como prova do meu afecto, queria descascar-te o pêssego. Permites que o faça?
– Sim, muito obrigado. – disse o discípulo.
– E, já que tenho a faca na mão, não gostarias que eu cortasse o pêssego em pedaços, para que te seja mais fácil comê-lo?
– Sim, mas não quero abusar da tua generosidade, Mestre…
– Não é um abuso; sou eu que me estou a oferecer. Quero apenas agradar-te. Permite-me também que mastigue o pêssego antes de to oferecer…
– Não, Mestre! Não gostaria que fizesses isso! – queixou-se o discípulo, surpreendido.
O Mestre fez uma pausa e disse:
– Se vos explicasse o sentido de cada conto, seria como dar-vos de comer fruta mastigada.

Parábolas Zen – A Certeza e a Dúvida


Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou:
– Existe Deus? – perguntou.
– Existe – respondeu Buda.
Depois do almoço, aproximou-se outro homem.
– Existe Deus? – quis saber.
– Não, não existe – disse Buda.
No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:
– Existe Deus?
– Você terá que decidir – respondeu Buda.
Assim que o homem foi embora, um discípulo comentou, revoltado:
– Mestre, que absurdo! Como o Senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?
– Porque são pessoas diferentes, e cada uma chegará a Deus por seu próprio caminho. O primeiro acreditará em minha palavra. O segundo fará tudo para provar que eu estou errado. E o terceiro só acredita naquilo que é capaz de escolher por si mesmo.

Entidade Incorpora em Qualquer Ocasião? (Part. II)

Saudações irmãos de senda, aqui é o neófito para mais um bate-papo sobre os assuntos corriqueiros da Umbanda.

Esse artigo, juntamente com o “Firmeza de Cabeça” é um dos mais lidos e tentarei colocar alguns relatos que corroboraram com a minha ideia no primeiro artigo, que gerou muitos conflitos de opiniões.

Existiu uma irmã aqui no blog, eu já até comentei em um artigo que eu não me lembro qual, do seu namorado sempre incorporar o seu exu, seja quando brigam, seja qualquer discussão em um bar. Com todo o respeito, me pergunto se o Mundo Espiritual anda tão tranquilo para que um mentor com tanto tempo para vir apartar um relacionamento, me questiono por que um exu desse não vai impedir algo pior? Será que não existe uma Ordem no Mundo Espiritual que previne essas intervenções fúteis? Pergunto-me onde fica o Livre Arbítrio em uma ocasião dessas… Pode ser em qualquer lugar.

Também presenciei esse mesmo fato em um dirigente aqui em Guarulhos, como convivi com ele desde pequeno, qualquer coisa que contrariava o que ele falava, ele já “virava” no Exú Caveira. O Exu vivia mais tempo na matéria dele do que o próprio médium. O que eu ficava mais admirado, isso nos meus 18 anos, é a mãe dele deixa-lo fazer tudo, seja para sair, seja para quaisquer outras ocasiões que eles precisavam. O que eu achei extremamente interessante, foi quando ele foi assaltado e o exu não apareceu para salva-lo. Estranho não?

Existem também vários casos daquelas pessoas que usam as suas entidades para que falem coisas que elas mesmas não possuem coragem, aí utilizam a entidade para falar alguma “verdade”, usam a entidade para dar alguma advertência, e isso é MUITO MAIS COMUM que imaginam, eu saí de uma casa, porque existia um Zé Pelintra que além de adorar se vangloriar com seus feitos, sejam em sua vida ou como guia espiritual, também adorava pegar um filho pra dar aquela bronca demasiada. Foi esse mesmo dirigente que quando eu parei de ir, o Zé Pelintra dele disse que me “varreu”.

Como toda religião, infelizmente convivemos com a dicotomia, com a dualidade, com a divisão do bem e do mal, isso não acontece somente nos terreiros não, existem aqueles cultos evangélicos do pastor que sai correndo tocando os fiéis e com a sua “Força Provida do Espírito Santo” vai derrubando um por um. Me questiono muito às vezes sobre a reencarnação, estamos em 2015 e ainda existem pessoas que acreditam nessas coisas? E nosso aprendizado acumulado no decorrer de nossas reencarnações? Será que não guardamos nada em nosso pré-consciente? Será que realmente viemos de outras existências?

Uma vez, estava dormindo na minha casa quando fui acordado com violência e quando fui abrir a porta, supostamente o “João Baiano” de um filho o pegou e o trouxe até à minha casa para pedir ajuda. Até onde isso é verdadeiro? Até onde é a intervenção do espírito e até onde é a necessidade inconsciente do filho afim de atenção?

Apesar de ser umbandista, sou relativamente cético com muitas situações que me chegam nos e-mails, tive também um problema com uma filha que incorporava em todo lugar, fosse na assistência, fosse no carro, fosse em qualquer lugar, estava ela “Espiritando” (Termo comum em muitas casas para incorporando), até onde é castigo do guia? Até onde isso é realmente necessário? Será que um guia que passa por toda uma escola doutrinária, todo um preparo para praticar sua missão de caridade dentro da Egrégora umbandista não teve o preparo de saber que temos uma vida fora do centro? Que isso pode prejudicar nossas relações profissionais, sociais e até mesmo familiares?

Pra você médium, que recebe em todo lugar por qualquer motivo, pra você que como me relatou já recebeu na escola, desculpem-me a sinceridade, sendo espírito ou não, isso é total descontrole de vocês, claro que ainda tenho muito o que aprender e caminhar nos degraus umbandistas, mas até então, em meus quase 20 anos de religião e sendo pai pequeno durante 6 anos, todas as vezes que eu presenciei e quando tinha realmente alguma coisa, era zombeteiro (Odeio usar esse termo, mas é o que tem pra hoje [rs]) e não um caboclo, um preto-velho, claro que EXISTEM RARAS EXCEÇÕES, alguma necessidade imperativa e emergencial do mentor ter que vir, resolver algum problema para evitar um mal maior, óbvio que existe, porque toda generalização é um erro, porém, raríssimas são as vezes que ocorrem essas necessidades sem que interfira o livre arbítrio ou o merecimento do médium, e pra você que não tem nenhuma manifestação mediúnica e mesmo assim acha que está com alguma coisa, procure uma ajuda, todos nós precisamos de ajuda e estamos suscetíveis a desiquilíbrios, todos nós passamos por isso.

Repito… Se você está incorporando em qualquer lugar, procure imediatamente uma ajuda, um auxílio espiritual, seja uma questão de ordem espiritual ou material, devem falar com um dirigente espiritual para que possam solucionar essa questão, mas repito, tentem discernir se é uma vontade, uma emoção ou uma necessidade, até mesmo uma dependência de querer incorporar como refúgio dos problemas ou como carência, às vezes temos tanto amor à entidade que a queremos sempre próximas de nós e isso pode impactar tanto na irradiação quanto na autossugestão.

E por último, mais dois relatos que eu presenciei, um exu que incorporou a sua filha e para castiga-la, enfiou o braço da mesma em um espelho que tínhamos na mesma, ela se rasgou toda e voou sangue no terreiro, sim, meus irmãos, a cena foi chocante para muitos, muitos assistentes nem voltaram com receio disso, o que prejudicou um pouco a reputação da casa e assustou até a alguns médiuns que pediram licença depois, e digo-lhes com total certeza: Não existia nenhuma manifestação mediúnica ali, não de guias espirituais, porque normalmente sentimos a vibração, mas a filha que estava passando por problemas com drogas e “sugeriu” que o exú viesse castiga-la.

O outro relato refere-se a um suposto caboclo que quando vinha rasgava a camisa independente do lugar que estivesse, o cavalo não poderia ficar nervoso e ia pra cima da pessoa. Devo mesmo comentar alguma coisa sobre esse fato? [Risos].

Minhas considerações finais para todo esse texto é simples: Mentor Espiritual tem uma vasta lista de tarefas a realizarem e mesmo para qualquer intervenção mediúnica, eles precisam da permissão de vocês. Se você recebe na escola, no trabalho, na balada ou durante o sexo, ou você ou o seu guia espiritual precisa de um tratamento, e para quaisquer um dos casos, aconselho estudar o que é a mediunidade, seja no centro kardecista, umbandista, entender o papel fundamental da mediunidade, do dom de servir e acima de tudo, do respeito, porque espírito que faz você passar por uma situação constrangedora como essas, luz não tem, e se não tem o mínimo de luz, não é guia espiritual, é apenas mais um perdido entre os dois mundos. E se você vibra com essa frequência espiritual, mais um motivo para estudar, evoluir e compreender a mediunidade. Se não é nem o mentor espiritual e nem outro espírito qualquer, mais um motivo para procurar estudar, compreender e sair dessa maré ruim, todos nós em momentos de nossas vidas somos sucumbidos à provações, expiações, temos vontade de sumir, morrer e alguns casos graves, até suicidar, porém, quando se atinge um grau de conhecimento e compreensão das coisas, sabemos que aquele velho adágio é extremamente verossímil: “Não há mal que dure para sempre e nem bem que não se acabe”.

E é isso. Leia a introdução aqui!

Mais um artigo de um cara chato mas que vale a reflexão.

Paz Profunda.

Neófito da Luz .’.

 

 

Passes Espirituais

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Paula Calloni de Souza

Os métodos de cura com as mãos ganham cada vez mais adeptos no Brasil e já começam a ser aceitos como complementação eficiente ao tratamento médico convencional.

Para o químico industrial Gilberto Alcoba Marques, de 47 anos, o tratamento com passes foi mais do que uma simples tentativa de cura. Espírita há vinte e cinco anos, ex- fumante inveterado, Gilberto era o que ele mesmo classificou de “papa-passes” típico. Ou seja, aquela pessoa que conhece a doutrina, mas sem grandes aprofundamentos, e apenas procura o bem-estar proporcionado pelos passes em centros espíritas. Até que, por volta de dez anos atrás, durante exames de rotina, veio a notícia: Gilberto tinha um tumor na garganta. Após passar pela orientação do centro espírita que freqüentava, foi encaminhado a um tratamento com passe do tipo P3A. Enquanto isso era acompanhado de perto pelo tratamento médico convencional, tomando medicamentos e fazendo periódicos exames de reavaliação. Um ano após os dois tratamentos, com medicina tradicional e passes, a surpresa: o tumor havia desaparecido.

Em outra área da medicina – a das doenças mentais –, projetos pioneiros que aliam ciência e espiritualidade vêm merecendo atenção redobrada. Nas Casas André Luiz, tem sido acompanhada a evolução de 650 pacientes submetidos aos tratamentos espirituais. Os resultados devem sair em janeiro do próximo ano. Para o diretor técnico e clínico da instituição, o psiquiatra Frederico Leão, “a proposta é exatamente mostrar que as revelações e os conceitos da teoria espírita são demonstráveis do ponto de vista científico. É possível a terapia espiritual andar de mãos dadas com a ciência,o que traz benefícios complementares ao tratamento convencional”.

A aplicação de passes, sempre precedida de uma preleção do Evangelho, é, geralmente, o primeiro contato de ordem prática que se tem dentro de um centro espírita kardecista. Era praticado por Jesus e, no kardecismo, exige quatro anos de preparação. “O passe nada mais é senão a concentração de energias que o médium capta do cosmos, de entidades espirituais superiores e de si mesmo”, explica William Jones, presidente da Instituição Espírita Seara Bendita. Fundada em 1951, por José Klors Werneck, a Seara atende cerca de vinte e cinco mil pessoas por mês.

Ao passar pelo setor de orientação, o indivíduo ganha uma pequena ficha, na qual são prescritos os tipos de passe que deverá tomar e por quanto tempo. O público em geral não entende o que significam tantos números e letras: A2, P3C, P4. Trata-se de uma padronização efetivada pela Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP), que classifica os tipos de passe adequados a cada enfermidade, física ou espiritual. Eles são de dois tipos básicos: o magnético, em que é utilizado fluido do ser humano aplicador; e o espiritual, vindo de entidades desencarnadas evoluídas, capazes de emitir fluidos mais puros e com maior poder curativo. E o que sente um médium que aplica passes? A maioria dos entrevistados revelou o aquecimento das mãos como sensação principal.

Como Agem os Passes?

O perispírito possui centros de recepção de energia ligados ao corpo físico através dos plexos, que, por sua vez, são terminações nervosas ligadas aos diversos sistemas que fazem o organismo funcionar. Energias deletérias vindas do ambiente, de pessoas encarnadas ou desencarnadas ou do próprio corpo mental do indivíduo (pensamentos negativos), podem desequilibrar essas energias, trazendo doenças no plano mental ou físico. O passe pode reequilibrar esses centros de força através da aplicação de fluidos saudáveis.

Alguns fatores parecem ser primordiais na eficácia do tratamento com passes: a fé, a busca pela elevação moral e o aspecto psicológico. Para o psiquiatra Franklin Ribeiro, dirigente do Centro Espírita João Evangelista, no qual trabalha há dezenove anos, o relacionamento que se estabelece entre aquele que procura a casa espírita e os que o acolhem se assemelha ao relacionamento mãe-bebê. Em Missionários da Luz, André Luiz recebe esclarecimentos que definem uma mulher doente que recebe o passe “como a criança frágil sequiosa do carinho materno”. Também Herculano Pires, em Obsessão, Passe e Doutrinação, destaca: “O efeito psicológico resulta dos estímulos provocados no paciente por sua presença num ambiente de pessoas interessadas em ajudá-lo, o que lhe desperta sensação de segurança e confiança em si mesmo”. O dr. Franklin completa: “A minha crença, a crença da pessoa de que aquilo vai funcionar, cria a ligação, e isso a ciência reconhece. Está criado o vínculo entre o passista e o receptor. E, a partir daí, estando a pessoa conectada a uma fonte adequada, a imposição de mãos vai determinar a passagem de energia”. Para ele, a fé é elemento primordial na cura, não importando a que religião pertença o indivíduo.

O dr. Franklin Ribeiro é presidente do Comitê de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina e membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Espírito e Religião (NEPER), do Instituto de Psiquiatria da USP, que foi criado em 1998.

Obstinado, o dr.Franklin Ribeiro informa que o preconceito da ciência em relação aos tratamentos espirituais está sendo vencido. O NEPER se reúne a cada quinze dias no Hospital das Clínicas, em São Paulo, apresentando estudos, teses e debatendo curas espirituais e fenômenos mediúnicos. “O momento é propício para que haja essa aliança entre ciência e espiritualidade, porque nós estamos vivendo uma época em que o materialismo precisa de um contraponto, para que se possa manter o equilíbrio entre os seres humanos”, analisa. “Como médico psiquiatra, o que observei é que o que funciona é a associação entre: abordagem biológica, farmacológica, psicológica e espiritual, sendo que todas elas se complementam. Em nenhum momento se excluem”.

Entre Dois Mundos

Muita gente não sabe, mas as técnicas de cura via passe utilizadas no kardecismo têm alguns pontos em comum com outros tipos de cura de origem oriental, que fazem uma convergência entre dois mundos: Ocidente e Oriente. Na base de todas as curas orientais, estão as ciências esotéricas e antigas escrituras em sânscrito encontradas na Índia, China, Japão e Tibete, que remontam a mais de cinco mil anos. O fluido universal é o mesmo.

São conhecidas no Brasil como “terapias alternativas”. O National Institute of Health, entidade ligada ao governo americano, faz importante distinção entre terapias alternativas e terapias complementares. Lá, o termo “alternativo” é dado aos tratamentos que, supostamente, substituiriam o tratamento médico, o que representa um risco. Já a terapia dita “complementar” é aquela que anda paralelamente ao caminho médico convencional. É vista como salutar na prevenção, na recuperação ou na melhoria das condições de vida dos doentes. O uso corrente do termo “alternativo” como vem sendo feito no Brasil seria, portanto, inadequado.

Entre as práticas complementares indicadas por aquele instituto estariam o reiki, a cura prânica e o johrei, que também se valem do uso e manipulação do chamado “fluido vital” ou “campo magnético” citado pelo autor espírita Salvador Gentile no livro Passe Magnético – Fundamentos e Aplicação.

E as semelhanças de conceito não param por aí. Assim como na cura prânica, os passes espíritas atuam sobre os chamados “centros de força”, conhecidos na literatura hindu como chacras, localizados no perispírito. No livro Entre a Terra e o Céu, o autor André Luiz sublinha a importância  desses centros de força, que são como usinas de recepção e armazenamento de energia espiritual, ligados ao corpo físico por terminações nervosas denominadas plexos. E explica: “(…) Vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estes centros estabelecem para nosso uso um veículo de células elétricas, que podemos definir como um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado”. Na mesma obra, André Luiz exemplifica o chacra coronário, situado no alto da cabeça, que “na Terra é considerado pela filosofia hindu como sendo o lótus de mil pétalas, por ser o mais significativo em razão de seu alto poder de radiações”.

O médico psicoterapeuta e curador prânico, Maurício Angelicola, não se surpreende. E vai além: o mestre Choa Kok Sui, que codificou e sintetizou a cura prânica trazendo-a para o Ocidente em 1987, recomenda a leitura de Allan Kardec como fonte segura de reforma íntima e elevação espiritual. A principal diferença, no entanto, é que a cura prânica não utiliza a energia de entidades superiores desencarnadas. Ela apenas os invoca para proteção do ambiente.

“É inadmissível que um curador prânico não se preocupe com sua própria elevação moral e espiritual, a reforma íntima, essencial também no Espiritismo”, alerta o dr. Maurício, que já deu cursos sobre a técnica para alguns grupos espíritas. “Posso dizer que eles são um segmento que têm muito preparo, têm embasamento teórico e ético”. Outro ponto em comum com o kardecismo é que a cura prânica leva em conta o carma. Em alguns casos, a cura total não é permitida pelo plano espiritual, pois faz parte da evolução do espírito. No entanto, é possível minimizar o sofrimento do doente. “Lidei com alguns doentes de câncer que não puderam se curar, mas através da cura prânica não sofreram os efeitos colaterais da quimioterapia. Mesmo não tendo esperança de sobreviver fisicamente, tiveram uma melhora em sua qualidade de vida”, explica.

Para William Jones, com exceção de casos raros, é impossível curar doenças do carma, pois isto iria contra as Leis Divinas. “Isso tiraria a prova pela qual aquele espírito tem que passar e atrasaria sua expiação. O perispírito, que sobrevive à morte física, é como uma fita magnética em que estão gravados todos os registros das encarnações anteriores. Se um indivíduo fumou demais numa encarnação, pode reencarnar com problemas como bronquite asmática. Isso é, então, uma conseqüência de seus atos anteriores. É uma prova que lhe vai  trazer aprendizado. Para isso não há cura, mas pode ser amenizado através do tratamento espiritual, se houver merecimento”, ensina.

Segundo o dr. Maurício Angelicola, são onze os chacras mais importantes. Eles necessitam de limpeza, energização, e são centros de força que contêm pétalas, raízes, ramificações, teias de proteção, formatação, velocidade, coloração e possibilidade de apresentar excesso ou falta de energia. O fluido é chamado de prana, e a técnica consiste em fracionar ou manipular esse fluido universal em matizes específicos, pois cada um dos chacras tem conexão com as glândulas endócrinas e com os sistemas nervoso, circulatório, respiratório, digestivo, etc. Para Angelicola, tal preocupação com a limpeza e o detalhamento das características energéticas de cada chacra, fazem da cura prânica uma das técnicas mais seguras como tratamento coadjuvante à medicina. À semelhança dos médiuns preparados no kardecismo em instituições idôneas, os curadores prânicos têm de ser saudáveis, não-promíscuos, éticos e devem se abster de vícios como o álcool e o fumo. E são, obrigatoriamente, vegetarianos.

Reiki e Johrei

A preocupação em relação aos hábitos perniciosos e a não-utilização de seres desencarnados nas emissões de fluidos também são a tônica  entre os canalizadores de outro tipo de cura com as mãos, o reiki. Segundo Gilberto Falchi, mestre reiki do Tradicional Sistema Usui, e membro da Reiki Alliance, a utilização desse método remove pouco a pouco a vontade de consumir carne vermelha, álcool e outros elementos considerados tóxicos pela maioria das filosofias espiritualistas. “Reiki é transformação, vai na causa, eleva a energia, muda valores”, diz ele. Atua no nível celular, metabólico e imunológico, despertando um processo de autocura. Também leva em conta as doenças cármicas. Na gravidez, acalma mãe e bebê. Enquanto na cura prânica as aplicações de energia universal são feitas nos chacras e, como nos passes, sem tocar o paciente, o reiki age tocando os seguintes pontos: olhos, têmporas, atrás da cabeça, alto da nuca e peito; altura do estômago, umbigo, abaixo deste, virilha; nas costas, escápula, pulmão, rins e região glútea. São cinco minutos em cada ponto, num total de uma hora (escola tradicional). Diferentemente do passe espírita, que indica uma sessão por semana, o reiki age em terapias compostas por, no mínimo, quatro sessões seguidas, e pode ser aplicado em qualquer lugar por um canalizador. Eis uma diferença crucial também: o passe espírita só deve ser utilizado dentro da instituição espírita, por questão de segurança.

De acordo com Falchi, como a energia cósmica do reiki é pura, ela por si só já higieniza o ambiente e o aplicador. E só flui através de canalizadores que têm o amor e a ética como princípios de conduta. “Por ser uma energia divina, ela não vai se chocar com nenhuma religião, crença ou técnicas. Pelo contrário, conheço espíritas que acreditam que o passe espírita conjugado a uma terapia reiki acelera a resposta do organismo. O reiki aumenta a imunidade natural”. A psicóloga e terapeuta reiki, Valéria Silva de Morais, concorda. Valéria trabalhou durante um ano no Projeto Esperança, dirigido pela Rai Association, com sede na Suíça. O projeto atua na Igreja Santa Edwiges, atendendo moradores da favela Heliópolis, de São Paulo, portadores do vírus HIV. “Percebemos que durante o primeiro ano em que receberam reiki, a carga viral dos aidéticos diminuiu, aumentando a imunidade, com diminuição drástica de doenças oportunistas. Acredito muito no reiki como uma ferramenta de prevenção”.

Para ser um canalizador de reiki é preciso fazer cursos de iniciação. Gilberto Falchi recomenda o sistema original, clássico, que exige quatro iniciações. E conclui: “Ninguém cura ninguém. O canalizador de reiki é portador de uma ferramenta e a disponibiliza para as pessoas”.

Canalizar a energia vital do universo através das mãos também é o princípio de outra técnica, o Johrei. Ao contrário do reiki e da cura prânica, carrega em sim um conceito religioso, “que tem no espiritualismo e no altruísmo as bases essenciais para a concretização de um mundo ideal”. Seu codificador, Mokiti Okada, fundou a Igreja Messiânica Mundial em 1935, no Japão. No Brasil, a Igreja Messiânica chegou em 1955. Objeto de pesquisas na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, a terapia Johrei demonstrou ser capaz de revitalizar as células NK, responsáveis pela defesa do corpo humano. Após uma oração inicial, em que se coloca como instrumento divino, o ministrante, como é chamado o canalizador, aplica a energia em sessão que dura de dez a trinta minutos. Ambos ficam sentados frente a frente.Não há toque: a distância entre o ministrante e o receptor é de trinta centímetros a um metro. Não é utilizada energia humana. Pode ser aplicada em qualquer lugar e também à distância. Para ser canalizador de Johrei é necessário um curso e a convicção de querer servir ao próximo. Após o curso, o ministrante recebe o ohikari,medalha que deve ser carregada até a altura do plexo solar, através do qual se canaliza a energia.

A Sutil Sukyo Mahikari

Ainda no rol das terapias orientais, a Arte Mahikari merece um capítulo à parte. Fundada no Japão em 1959, pelo mestre Kotama Okada, a Mahikari emprega a energia cósmica através das mãos, denominando-a “Luz da verdade”. Esta energia, também para eles, provém de Deus e é purificadora, capaz de eliminar as essências tóxicas espiritual, mental e física, permitindo a aquisição natural de saúde e prosperidade. Assim como no Johrei, os canalizadores, chamados kumitês, recebem, após um curso de iniciação que dura três dias, uma medalha. Neste caso, ela é denominada omitama, cujo símbolo estaria ligado diretamente a Deus através de ondas espirituais.

Irradiar a “luz espiritual” pela palma da mão é considerada uma arte, denominada Okyome. São vinte e sete pontos ao todo, mas no início são utilizados apenas alguns pontos principais, cuja energização dura cerca de quarenta minutos. Não há limite de sessões por semana, e embora não haja toques constantes, eles são breves e suaves.

A energia atua sutil e gradualmente, auxiliando a elevação espiritual. Discrição  também é característica dos dirigentes do belo templo situado na Vila Mariana, em São Paulo. Nenhum deles quis se pronunciar  oficialmente à revista. “Não tente entender Deus. Sinta-o. Apenas vivenciando o Mahikari, você entende”, dizem. O temor é o de uma massificação e desvirtuamento da técnica, atraindo equivocadamente pessoas não afinizadas com o movimento, atrás de milagres. Que, aliás, nenhuma das técnicas aqui abordadas promete.

Embora não se defina como uma religião, a Sukyo Mahikari tem um altar para reverências e agradecimento a Deus. A constante exigência de curvar-se em reverência, dentro do templo, pode causar um certo estranhamento a um ocidental que chega pela primeira vez. Encontram-se pessoas de todas as raças e credos, tanto aplicando, quanto recebendo. É necessário tirar os sapatos antes de entrar e lavar as mãos em água purificada. Após pequena consulta onde são perguntados dados acerca do modo de vida (a religião não é questionada) e eventuais problemas, somos convidados a receber Okyome. Inicialmente sentados, frente a frente, depois de costas para o canalizador e, por fim, deitados de costas sobre um pequeno colchonete com travesseiro e lençol. Não há som no ambiente, que é espantosamente limpo, com predominância de tons arenosos. O silêncio só é cortado às vezes pelas orações em japonês.

A sensação predominante é a de relaxamento e extrema paz interior. Convidada a acompanhar a reportagem, a médium kardecista de cura, Regina Fernandes, disse ter sentido profunda serenidade no ambiente, principalmente no corredor central. Ao receber a luz espiritual nas costas, onde tem problemas de origem ciática, descreveu: “Foi como se minha coluna estivesse dentro de um tubo de energia. Senti também muito amor e abnegação por parte dos aplicadores. Alguns deles me pareceram até familiares, espiritualmente falando”. Ao final, perguntada se voltaria de novo ao local, respondeu: “Sim, com certeza”.

Para Ieda Uehara, praticante de Arte Mahikari há dezesseis anos, o amor ao próximo é fundamental. “Oração envolve ação. É preciso traduzir gratidão e perdão em atitude”. Segundo acredita, ter saúde é uma conseqüência de ser feliz. “Querer ser feliz, é meio caminho da cura”.

O que se pode concluir de tudo isso? Que a cura está dentro de nós mesmos. Nenhuma das técnicas defendeu, em hipótese alguma, o abandono da medicina tradicional. Em todos os métodos abordados, destacam-se dois elementos principais: a fé de quem recebe, e o amor ao próximo de quem aplica. Gilberto Marques, que se livrou do câncer na garganta, é taxativo: “O que me curou foi a minha fé”. Impressionado com o resultado em sua própria vida, Gilberto quis desenvolver mediunidade de cura. Para tanto, teve que abandonar o vício do fumo, premissa essencial para a formação de todo  médium. “Minha própria doença não me fez parar de fumar. Mas a vontade de servir ao próximo, sim”.

Os Tipos de Passe

C (choque anímico) – doutrinação mais intensa de espíritos perturbadores, através de vibrações que agem como um jato de luz nos corações dos mesmos.

PE – destinado aos assistidos, nos trabalhos de cura, e aos assistentes, como preparação aos trabalhos.

Pasteur 1 (P1 – magnético) – destinado à assistência a perturbações de ordem material.

Pasteur 2 (P2 – magnético) – para as perturbações espirituais e desequilíbrios psíquicos.

P3A (magnético) – perturbações e acidentes materiais graves.

P3C – socorro de emergência, influências espirituais profundas, depressão, estafa, esgotamento, estresse de ordem espiritual e psíquica, queda de padrão vibratório e enfermidades de fundo espiritual.

P3E – perturbações espirituais avançadas, com ação direta sobre obsessores.

Pasteur 4 – para crianças, até 12 anos de idade, cujos tipos de passes se subdividem em:

P4A – indicado para doenças materiais, como as próprias da idade, epidêmicas, de poluição ambiental ou climáticas, por desnutrição, hereditárias ou as causadas por acidentes;

P4B – indicado nas perturbações espirituais, tais como as decorrentes de infestação de ambiente, chamamentos familiares, encarnações completivas e razões cármicas.

Kishna e o Amor nos Campos do Coração Espiritual

O amor nos campos do coração espiritual

:: Wagner Borges ::

(Quando as Passagens Interplanos se Abrem, Cheias de Flores e de Luz…)

Krishna, nas ondas da intuição, mergulhei em meu coração.
Surpreso, descobri que o Seu Coração Espiritual estava dentro dele e, também, no coração de todos os seres.
Tremi, quando vi Você dentro de mim!
Então, lembrei-me do bija-mantra com o qual os hindus reverenciam a pulsação do Seu Amor no coração da própria vida: “HARE”.
Quietinho, entreguei-me à prece e ofereci a Você os frutos do trabalho desse dia. Sei que o Darma que me acompanha não é meu, é Seu.
É Sua Luz que brilha nos meus olhos, quando falo das coisas do espírito.
É Você que sorri, através do meu sorriso, quando faço uma piada criativa e fico igual criança arteira…
É o Seu Amor que flui pelas minhas mãos e pelos meus chacras, quando, silenciosamente, irradio energias a favor da humanidade.
Ah, meu Grande Amigo, quando vejo as tragédias do mundo, é em Você que penso.
E quando a tristeza tenta entrar em meu coração, lembro-me do Seu sorriso e concentro-me em um de Seus mantras… E ela logo vai embora, desconcertada!
Ah, Krishna! Que amor é esse que sinto por Você?
Cara, Você roubou meu coração!
E eu não sei mais se sou eu que amo, ou se é o Seu Grande Amor passando por mim… E enchendo o mundo de luz silenciosa e serena.
O que sei é que sempre penso em Você, quando vejo a miséria, a perda de uma criança, e a dor do mundo. Sim, penso em Você e oro em silêncio.
E, muitas vezes, quando tenho a notícia da partida de alguém querido, percebo o Seu sorriso dentro do meu coração e, então, sei que tudo está bem e que uma passagem luminosa e cheia de flores foi aberta entre a Terra e o Céu…
Govinda, não sei mais o que dizer… Só sei sentir Você.
Como agora, enquanto escrevo essas linhas e percebo uma luz azul e dourada descendo sobre minha cabeça, trazendo intuições e toques sutis para um trabalho espiritual.
Como agora, quando o Grande Amor transborda por todos os poros do meu corpo e eu novamente não sei quem ama o que…
Só sei que o meu coração não é mais meu, é Seu!
Gopala, abençoe mais essa jornada espiritual, que, também é Sua.

P.S.: Outro dia, alguém me perguntou: “Você está apaixonado?”
E eu respondi: “Sim, desde que eu nasci!”
Uma de minhas paixões é o Krishna.
E o sorriso d’Ele abre passagens luminosas e cheias de flores, por entre os planos… E, também, nos corações.
Oxalá, o sorriso d’Ele viaje junto com esses escritos, para inspirar outras consciências, por aí…

(O Amor não é oriental ou ocidental, é só o Amor. E só quem ama é que sabe que isso não se explica, só se sente).

Om Maharaja!

Amor e admiração.
Trabalho e lucidez.
Alegria e harmonia.
Paz e Luz.