Saravá Sr. Tranca-Ruas

Saudações fraternais amados irmãos.

Conforme prometido e um pouco demorado, porque não dependia apenas da minha boa vontade [risos], aqui estou escrevendo sobre esse tão conhecido guardião e tão presente na coroa de tantos filhos e tronqueira de terreiros, tão famoso quanto Zé Pelintra e um dos guardiões que tenho prazer em servir, Sr. Tranca-Ruas das Almas.

Apresenta-se como um guardião do polo negativo da Umbanda, também conhecido como Exu, a forma que ele se apresenta varia totalmente de médium para médium, bem como sua respectiva irradiação e qualidade. Isso significa que normalmente é um Exu oriundo da Vibração Ogum, ele também se apresenta na irradiação de Oxóssi, como o Sr. Tranca-Ruas das Matas, de Xangô como Tranca-Ruas das Pedreiras e também outras qualidades que faz junções com outras irradiações, como Tranca-Ruas das Almas, Das Sete Encruzilhadas, Embaré, entre outras muitas falanges.

Conforme explanado no post do Sr. Pena Verde, não entrarei em detalhes da história da falange de Tranca-Ruas porque cada mentor tem sua consciência única, e não entrarei no mérito se foi príncipe, duque, mendigo, entre outros adjetivos e classes sociais.

O meu se apresenta com uma capa azul e detalhes dourados, não apareceu com camisa e utiliza calça preta com detalhes brancos, estou falando o que eu sirvo, logicamente falando, não presenciei chifres e nem pata de quadrúpedes. Se caracteriza por fala mansa, sempre de excelente humor, um verdadeiro amigo, um irmão mais velho, é um mentor que gosto muito de servir e é muito bem aceito dentro dos centros do qual eu trabalhei.

Em uma oportunidade, do qual já foi mencionada no blog, avisou que iria se ausentar devido a um desencarne massivo na Terra, posteriormente ocorreu os tsunamis que devastaram a Ásia, ou seja, exus não atuam somente na Umbanda e nem tampouco com demandas e outros trabalhos de magia e sim também no direcionamento de almas desencarnadas, principalmente o meu que traz a qualidade “das Almas” em seu nome. Também fui instruído que a Umbanda é apenas uma faceta da espiritualidade, conforme já mencionei aqui no blog também em uma conversa que tive em uma noite com uma entidade de aparência árabe e a mesma sorriu e disse que no terreiro o chamam de Chico Preto. Sinceramente não sei dizer com precisão se a missão do Sr. Tranca-Ruas nessa ocasião foi de direcionar, catequisar ou recrutar…

A origem mágica do seu nome, Trancar é empregar força, o que significa Ogum, o nome Ruas, simboliza caminhos, o que traz a vibração também da linha dos Guardiões. É um dos exus da alta hierarquia dos guardiões, imprescindível para a proteção do terreiros justamente pelo poder de atuar no campo santo do orixá que o imanta (ou irradia) junto com o poder de controlar os caminhos, trancando ou abrindo dependendo da necessidade. Interessante ressaltar que muitos dizem que seu nome é referente ao seu poder de trancar os caminhos do inimigo, isso não se faz a mais absoluta verdade, muitas vezes, precisamos trancar certos aspectos de nossa vida para que possamos ter uma maior abertura em outros, como diz aquele antigo ditado: “Quando Deus tranca uma porta, ele abre uma janela” e nessa parábola é bom associarmos ao poder desse maravilhoso Guardião.

Existe também um livro que fala sobre ele, do qual eu particularmente não gostei, mas fica a dica quem quiser procurar saber mais sobre o assunto.

Não falarei de oferenda, porque cada Tranca-Rua trabalha diferente um do outro, apesar da falange trazer em si uma missão específica e também uma direcionamento espiritual, elas trabalham de forma diferente porque varia a vibração, o médium, a evolução do mentor, entre outras diversas características, ele traz o nome da falange, ele é um espírito que foi digno em trazer o nome Tranca-Rua, porém, ele tem a sua própria maneira de trabalhar, já presenciei os que vem ereto como já presenciei os que chegam corcundas, já presenciei dos mais calados aos mais faladores, isso varia muito.

A característica principal dessa falange é a proteção, é o bloqueio de demandas, é o trabalho duro em prol da Lei, um dos motivos de ser extremamente requisitado nas tronqueiras.

 Axé.

Neófito.

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Os Mecanismos da Cura Espiritual

A mediunidade de cura oferece ao médium a possibilidade de curar um ser doente, buscando fluidos em fontes energéticas da natureza. Mas será que doenças cármicas também podem ser curadas espiritualmente? Por Edvaldo Kulcheski A mediunidade de cura é a capacidade possuída por certos médiuns de curarem moléstias por si mesmos, provocando reações reparadoras de tecidos e órgãos do corpo humano, inclusive as oriundas de influenciação espiritual. Assim como existem médiuns que emitem fluidos próprios para a produção de efeitos físicos concretos (ectoplasmia), temos igualmente os médiuns que emitem fluidos que operam todas as reparações acima referidas. Na essência, o fluido é sempre o mesmo, uma substância cósmica fundamental. Mas suas propriedades e efeitos variam imensamente, conforme a natureza da fonte geradora imediata, da vibração específica e, em muitos casos (como este de cura, por exemplo), do sentimento que precedeu o ato da emissão. A diferença entre os dois fenômenos é que no primeiro caso (ectoplasmia), o fluido é pesado, denso, próprio para elaboração de formas ou produção de efeitos objetivos por condensação, ao passo q~e no segundo (curas), ele é sutilizado, radiante, próprio para alterar condições vibratórias já existentes.


MÉDIUM CURADOR
 
Além do magnetismo próprio, o médium curador goza da aptidão de captar esses fluidos leves e benignos nas fontes energéticas da natureza, irradiando-os em seguida sobre o doente, revigorando órgãos, normalizando funções, destruindo placas e quistos fluídicos produzidos tanto por auto-obsessão como por influenciação direta. O médium se coloca em contato com essas fontes ao orar é Se concentrar, animado pelo desejo de fazer uma caridade evangélica. Como a lei do amor é a que preside todos os atos da vida espiritual superior, ele se coloca em condições de vibrar em consonância com todas as atividades universais da criação, encadeando forças de alto poder construtivo que vertem sobre ele e se transferem a.o doente. Por sua vez, este se colocou na mesma sintonia vibratória por meio da fé ou da esperança. Os fluidos radiantes interpenetram o corpo físico, atingem o campo da vida celular, bombardeiam os átomos, elevam-lhes a vibração íntima e injetam nas células uma vitalidade mais intensa. Em conseqüência, acelera as trocas (assimilação, eliminação), resultando em uma alteração benéfica que repara lesões ou equilibra funções no corpo físico. Nas operações cirúrgicas feitas diretamente no corpo físico, os espíritos operadores incorporam no próprio médium que dispõe desta faculdade. Este, como autômato, opera o paciente com os mesmos instrumentos da cirurgia terrena, porém sem anestesia e dispensando qualquer precaução de assepsia. Em certos casos, embora raros, o espírito incorporado logra o mesmo resultado cirúrgico utilizando objetos de uso doméstico (facas, tesouras, garfos ou estiletes comuns) como instrumentos operatórios, igualmente sem quaisquer cuidados anti-sépticos. O cirurgião invisível incorporado no médium corta as carnes do paciente, extirpa excrescências mórbidas, drena tumores, desata atrofias, desimpede a circulação obstruída, reduz estenoses ou elimina órgãos irrecuperáveis. Semelhantes intervenções, além de seu absoluto êxito, são realizadas em um espaço de tempo exíguo, muito acima da capacidade do mais abalizado cirurgião do mundo físico. Em tais casos, os médicos desencarnados fazem seus diagnósticos rapidamente, com absoluta exatidão e sem necessidade de chapas radiográficas, eletrocardiogramas, hemogramas, encefalogramas ou quaisquer outras pesquisas de laboratório. Nessas operações mediúnicas processadas diretamente na carne, os pacientes operados tanto podem apresentar cicatrizes ou estigmas operatórios como ficarem livres de instrumentos da cirurgia terrena. Normalmente são espíritos experimentados, que ajudam no diagnóstico e na intervenção cirúrgica quaisquer sinais cirúrgicos. Em seguida à operação, eles se erguem lépidos e sem qualquer embaraço ou dor, manifestando-se surpreendidos por seu alívio inesperado e a eliminação súbita de seus males. Quando opera incorporado no médium, o espírito sempre é auxiliado por companheiros experimentados na mesma tarefa, que cooperam e ajudam no controle da intervenção cirúrgica, no diagnóstico seguro e rápido e no exame antecipado das anomalias dos enfermos a serem operados. Entidades experimentadas na ciência química transcendental preparam os fluidos anestesiantes e cicatrizantes, transferindo-os depois do mundo oculto para o cenário físico através da materialização na forma líquida ou gasosa, conforme seja necessário.
 
CIRURGIAS À DISTÂNCIA
Embora o êxito das operações mediúnicas dependa especialmente do ectoplasma a ser fornecido por um médium de efeitos físicos e controlado pelos espíritos de médicos desencarnados, há circunstâncias em que, devido ao teor sadio dos próprios fluidos do enfermo, as operações produzem resultados miraculosos no corpo físico, apesar de processadas somente no perispírito. O processo de “refluidificação”, com o aproveitamento dos fluidos do próprio doente, lembra algo do recurso de cura adotado na hemoterapia praticada pela medicina terrena, na qual o médico incentiva o energismo da pessoa debilitada extraindo-lhe algum sangue e, em seguida, injetando-o novamente nela, em um processo que acelera a dinâmica do sistema circulatório. No entanto, mesmo que se tratem de operações mediúnicas feitas diretamente na carne do paciente ou mediante fluidos irradiados à distância pelas pessoas de magnetismo terapêutica, o sucesso operatório exige sempre a interferência de espíritos desencarnados, técnicos e operadores, que submetem os fluidos irradiados pelos “vivos” a um avançado processo de química transcendental nos laboratórios do lado espiritual. E quais são as diferenças entre as cirurgias realizadas com a presença do paciente e as realizadas à distância? No primeiro caso, os técnicos desencarnados utilizam o ectoplasma do médium de efeitos físicos e também os fluidos nervosos emitidos pelas pessoas presentes. Esta aglutinação polarizada sobre o enfermo presente possibilita resultados mais eficientes e imediatos. No segundo caso, os espíritos operadores procuram reunir e projetar sobre o doente os fluidos magnéticos obtidos pelas pessoas que se encontram reunidas à distância, no centro espírita. Porém como se tratam de fluidos bem mais fracos do que os fornecidos pelo médium de fenômenos físicos, eles são submetidos a um tratamento químico especial pelos operadores invisíveis, a fim de se obterem resultados positivos. Mesmo assim, os fluidos transmitidos à distância servem apenas para as intervenções de pouco vulto, pois, sendo fluidos heterogêneos, exigem a “purificação” à qual nos referimos. Existem alguns fatores que impedem as cirurgias à distância de serem tão eficazes e seguras como as intervenções diretas. Para muitos desses voluntários doadores de fluidos, faltam a vontade disciplinada e a vibração emotiva fervorosa, que potencializam as energias espirituais. Além disso, alguns deles não gozam de boa saúde, fumam em demasia, ingerem bebidas alcoólicas em excesso ou abusam de alimentação carnívora. Aliás, nos dias destinados a esses trabalhos espirituais, os médiuns deveriam se submeter a uma alimentação sóbria, já que, depois de uma refeição por vezes indigesta, o indivíduo não tem disposição para tomar parte em uma tarefa que exige concentração mental segura.
 
DIFICULDADES PARA OS ESPÍRITOS CURADORES
Durante o tratamento fluídico operado à distância, a cura depende muito das condições psíquicas em que os doentes forem encontrados durante a recepção dos fluidos. Os espíritos terapeutas enfrentam sérias dificuldades no serviço de socorro aos pacientes cujos nomes estão inscritos nas listas dos centros espíritas, pois além das dificuldades técnicas resultantes de certo desequilíbrio mental do ambiente onde eles atuam/ outros empecilhos os aguardam, em virtude do estado psíquico dos próprios doentes. Às vezes, o enfermo tem a mente saturada de fluidos sombrios, em face de conversas maledicentes, intrigas, calúnias e fofocas. Em outros casos, lá está ele em excitação nervosa por causa de alguma violenta discussão política ou desportiva, bem como é encontrado envolto na fumarada intoxicante do cigarro ou na bebericagem de um alcoólatra. Outras vezes, os fluidos irradiados das sessões espíritas penetram nos lares enfermos, mas encontram o ambiente carregado de fluidos agressivos, provenientes de discussões ocorridas entre seus familiares. É evidente que os desencarnados têm pouco êxito em sua tarefa abnegada de socorrerem os enfermos quando estes vibram recalques de ódio, vingança, luxúria, cobiça ou quaisquer outros sentimentos negativos.
 
CIRURGIAS DURANTE O SONO
 
As operações cirúrgicas realizadas no perispírito durante o sono só atingem a causa mórbida no tecido etérico deste, porém, depois de algum tempo, começam a desaparecer seus efeitos mórbidos na carne, pelo mesmo fenômeno de repercussão vibratória. Neste caso, como os enfermos operados ignoram o que lhes aconteceu durante o sono ou mesmo em momento de vigília e repouso, opõem dúvidas quanto a essa possibilidade. Uma vez que esses doentes, tendo sido operados no perispírito, não comprovam de imediato qualquer alteração benéfica em seu corpo físico, geralmente supõem terem sido vítimas de uma fraude ou um completo fracasso quanto à intervenção feita. Acontece que a transferência reflexa das reações produzidas por essas operações se processa muito lentamente, levando semanas ou até meses para manifestarem seus efeitos benéficos no organismo. Além disso, há casos em que o enfermo recebe assistência de seus guias espirituais devido à circunstância de emergência, que não altera o determinismo de seu resgate cármico. Toda cura se dá pela ação fluídica, já que o espírito age através dos fluidos. Tanto o perispírito como o corpo físico são de natureza fluídica, embora em diferentes estados, havendo relação entre eles. O agente da cura pode ser encarnado ou desencarnado e nela podem ser utilizados ou não processos como passes, água fluidificada e outros, além da intervenção no perispírito ou no corpo. Na cura por efeitos físicos, a alteração orgânica no corpo físico é imediatamente visível ou passível de constatação pelos sentidos ou aparelhamentos materiais. Na ação fluídica sobre o perispírito, a cura será avaliada depois, pelos efeitos posteriores no corpo físico. Agindo através dos centros anímicos, órgãos de ligação com o perispírito, atinge-se este, que também se beneficia ao se purificar pela aceleração vibratória, tornando-se, assim, incompatível com as de mais baixo padrão. Na ação fluídica sobre o perispírito, a cura será avaliada depois, pelos efeitos posteriores no corpo físico. Agindo através dos centros anímicos, órgãos de ligação com o perispírito, atinge-se este, que também se beneficia ao se purificar pela aceleração vibratória, tornando-se, assim, incompatível com as de mais baixo padrão. É desta forma que se operam as curas de perturbações espirituais, na parte que se refere ao perturbado propriamente dito. Sabemos que a maior parte das moléstias de fundo grave e permanente não podem ser curadas porque representam resgates cármicos em desenvolvimento, salvo quando há permissão do Alto para curá-las. Entretanto, há benefícios para o doente em todos os casos, porque se conseguirá, no mínimo, uma atenuação do sofrimento.
A CURA NA MÃO DE TODOS
A faculdade de curar pela influência fluídica é muito comum e pode se desenvolver por exercício. Todos nós, estando saudáveis e equilibrados, podemos beneficiar os doentes com passes, irradiações, água fluidificada etc. Aprendendo e exercitando, desenvolvemos nosso potencial de ação sobre os fluídos. O poder curativo está na razão direta da pureza dos fluidos produzidos, como qualidades morais ou pureza de intenções, da energia da vontade, quando o desejo ardente de ajudar provoca maior força de penetração, e da ação do pensamento, dirigindo os fluidos em sua aplicação. A mediunidade de cura, porém, é bem mais rara, espontânea e se caracteriza pela energia e instantaneidade da ação. O médium de cura age pelo simples contato, pela imposição das mãos, pelo olhar, por um gesto, mesmo sem o uso de qualquer medicamento. No evangelho, existem numerosos relatos onde Jesus ou seus seguidores curam por ação fluídica, alguns deles examinados por Allan Kardec no livro A Gênese, capítulo XV.
 
CONDIÇÕES FUNDAMENTAIS PARA A CURA
É lícito buscar a cura, mas não se pode exigi-Ia, pois ela dependerá da atração e fixação dos fluidos curadores por parte daqueles que devem recebê-los. A cura se processa conforme nossa fé, merecimento ou necessidade. Quando uma pessoa tem merecimento, sua existência precisa continuar ou as tarefas a seu cargo exigem boa saúde, a cura poderá ocorrer em qualquer tempo e lugar, até mesmo sem intermediários (aparentemente, porque ajuda espiritual sempre haverá). No entanto, às vezes, o bem do doente está em continuar sofrendo aquela dor ou limitação, que o reajusta e equilibra espiritualmente, o que nos faz pensar que nossa prece não foi ouvida. Para tanto, vejamos o que diz Emmanuel no livro Seara dos Médiuns, no capítulo “Oração e Cura”: “Lembremo-nos de que lesões e chagas, frustrações e defeitos em nossa forma externa são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus. A cura só se dará em caráter duradouro se corrigirmos nossas atuais condições materiais e espirituais. A verdadeira saúde e equilíbrio vêm da paz que em espírito soubermos manter onde, quando, como e com quem estivermos. Empenhemo-nos em curar males físicos, se possível, mas lembremos que o Espiritismo cura sobretudo as moléstias morais”. De uma maneira primorosa, Allan Kardec nos situa sobre o assunto: “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo está, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada, mas depende também da energia da vontade, que, quanto maior for, mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou espírito”. Daí então se depreende que são quatro as condições fundamentais das quais depende o êxito da cura: o poder curativo do fluido magnético animalizado do próprio médium, a vontade do médium na doação de sua força, a influenciação dos espíritos para dirigir e aumentar a força do homem e as intenções, méritos e fé daquele que deseja se curar.www.ippb.org.br

Defumação, Ervas e os Poderes Psíquicos

PERGUNTA: — A deformação feita pela queima de ervas odorantes afasta os maus fluidos, ou trata-se apenas de crendice?

RAMATIS: — Antigamente era crendice colocar prego enferrujado no vinho para reconstituir o sangue, mas, hoje, a farmacologia moderna prepara qualquer medicação contra a anemia, acrescentando-lhe “citrato de ferro”, ou seja, algo de prego enferrujado! No futuro, a Botânica também demonstrará, cientificamente, que durante a queima de ervas odorantes desprendem-se energias ocultas, potencializadas no éter vegetal e que podem afastar os maus fluidos do ambiente onde atuam.
Sem dúvida, seria absurdo alguém mobilizar fumaça de ervas, para limpar paredes, abrir janelas ou descascar batatas. Mas não é insensato a fumaça afastar, dispersar fluidos nocivos, obediente à mesma lei de correspondência vibratória, que permite ao homem-matéria acomodar-se numa cadeira material, e o espírito desencarnado sentar o seu corpo astral numa cadeira confeccionada de substância astralina.

PERGUNTA: — Como poderíamos ter uma ideia melhor do efeito energético da defumação atuando simultaneamente no plano astral e etérico?
RAMATIS: — Desde o instante em que as ervas principiam a germinar no seio da terra até o momento em que são colhidas, elas extraem do solo toda a sorte de minerais, vita minas, proteínas, sais químicos e umidade, além de imantadas pelos raios solares, eflúvios elétricos e magnéticos provindosda própria Lua, além de impregnados do ectoplasma terráqueo, supercarregadas de éter-físico, prana e da energia vigorosa que é o fogo “kundalíneo”.
Algumas plantas são fontes prodigiosas de utilidades benfeitoras à humanidade, já na sua contextura física, comoé a carnaubeira, vegetal da família das palmáceas. O homem
pode extrair dela: açúcar, sal, álcool, ração para o gado, madeira para habitação, combustível para iluminar, resina para cola, medicamento para sífilis, úlceras, erupções e reumatismo.
São mais de 40 utilidades já catalogadas nessa planta maravilhosa, cujo poder e serventia, considerados apenas no campo físico, ainda prolongam-se pelo mundo
etéreo-astralino, num campo de forças incomuns!
Enfim, todo o potencial que se elabora no seio da planta, durante os meses de sua vivência no solo seivoso da terra, depois é liberto em alguns minutos da defumação, projetando em torno um potencial de forças, que, além de sua manifestação
propriamente física, ainda desagregam miasmas e bacilos astralinos disseminados no ambiente humano. A queima de ervas defumadoras também obedece a uma determinada disciplina mental ou concentração, atraindo a cooperação de
espíritos de pretos-velhos, caboclos e bugres, simpáticos a tal processo tradicional de defesa psíquica, os quais ajudam a amenizar na limpeza das pessoas enfeitiçadas.
Considerando que a matéria é energia condensada em “descida” vibratória do mundo oculto, a defumação representa uma operação inversa ou liberação de energias, as quais passam a repercutir novamente nos planos etéricos e astralinos de onde se originaram.
O perfume, ou a exalação natural das plantas, também age na emotividade e na mente do ser, pois o seu odor associa idéias e reminiscências místicas, conforme
acontecia nos templos iniciáticos do Egito, da Grécia, Índia e Caldéia. A defumação composta de incenso, sândalo e mirra, tão tradicional e estimulante para o espírito, que produzia uma condição receptiva e inspirativa simultaneamente
nos planos físico, astral e etéreo, ainda hoje é uma espécie de bálsamo espiritual, quando feita nos templos católicos.

PERGUNTA: — Mas a defumação pode afastar espíritos mal-intencionados?

RAMATIS: — Há certos tipos de ervas cuja reação etérica é tão agressiva e incômoda, que torna o ambiente indesejável para certos espíritos, assim como os encarnados afastam- se dos lugares saturados de enxofre ou gás metano dos
charcos. Aliás, as máscaras contra gases provam suficientemente quanto à existência de certas fumacinhas que também podem aniquilar os seres humanos!
Há perfumes que inebriam determinadas pessoas, mas causam cefaléias, tonturas e até náuseas noutras criaturas. O odor ácido e picante do alho e da cebola, que aguça o apetite nas saladas das churrascarias, depois é detestado pela
produção do mau hálito. Durante a queima de ervas produzem- se reações agradáveis ou desagradáveis no mundo oculto, porque, além de sua propriedade física, elas também libertam outras energias provenientes do armazenamento do éter e do magnetismo físico no duplo etérico do vegetal.
O cheiro ou a exalação das ervas e flores que afetam o olfato dos encarnados também é um campo vibratório
Cada espécie vegetal no mundo possui a sua característica fundamental e atende a uma necessidade na Criação. A mesma seiva venenosa da cicuta, que mata, hoje serve benfeitoramente na medicina homeopática, curando convulsões, estrabismo, efeitos de comoção no cérebro ou da espinha.
Deus não criou as espécies vegetais apenas como enfeites do mundo; pois elas atendem simultaneamente às necessidades da vida manifesta no plano físico, etéreo e astralino.

Magia de Redenção
Hercilio Maes
Ramatis

Exú Guardião, o Executor das Leis Cármicas

Muito diferentemente do que se doutrina a respeito da entidade espiritual conhecida como Exú Guardião ou simplesmente Exú, são os mesmos, seres dotados de inúmeras e seriíssimas tarefas em nosso mundo planetário. Portanto, Exú nunca foi, não é e nunca será o diabo, nem muito menos um ser espiritual das trevas. Entendendo-se trevas como sendo sinônimo de maldade e de atraso espiritual.

De fato, falar sobre o Exú Guardião não é tarefa simples, mas é certamente deveras gratificante. Não é simples, posto que os conceitos que consubstanciam a verdade sobre a entidade espiritual Exú muito longe se encontram da doutrina corriqueira e da difamação ignominiosa que se estende sobre esse ser espiritual. Quando falamos ser gratificante é porque na verdade estamos fazendo valer nada mais nada menos que a própria justiça divina ao colocar o verdadeiro Exú Guardião dentro dos seus verdadeiros princípios, fundamentos e atributos reais.
Vejamos então de maneira bastante simplificada um pouco sobre a verdadeira entidade espiritual conhecida como Exú Guardião ou simplesmente Exu:

Surgimento do Exú Guardião em nosso planeta:

Professa a sagrada Doutrina Astral de Umbanda que na casa do “Pai” existem de maneira sintética, duas grandes moradias, uma conhecida como reino virginal e a outra conhecida como reino natural que é o mundo da energia-massa ao qual está vinculado nosso planeta Terra.

Ensinam os mentores espirituais da Umbanda que, os seres espirituais que hoje se encontram no reino natural, viviam em processo evolutivo no reino virginal (o reino da anti-matéria). Em tal reino viviam integrados em processo evolutivo experimentando-se masculino e feminino, se assim podemos definir, como um ser uno. Porém, em determinado instante desta cadeia evolutiva, milhões de seres espirituais passaram então a sentir fortissima necessidade de experimentarem-se em suas individualidades.

 

Ante a impossibilidade de tal processo ocorrer no reino virginal e tendo em vista que esse desarranjo vibratório impossibilitava a permanência destes seres em tal local, a Misericórdia Divina entendeu por bem plasmar o que chamamos de reino natural (ou matéria) para então servir de local onde iria abrigar esses milhões de seres espirituais em seu novo processo evolutivo.

E assim, surgiu o que nós conhecemos como universo natural ou reino da matéria com seus planetas, suas galáxias, etc. Após a Divindade Suprema plasmar essa nova casa planetária nomeou seus emissários divinos, seres de indescritíveis sabedoria e luz, para que arquitetassem toda a construção deste novo reino e assim foi feito. Porém além de arquitetar todo esse novo reino espiritual, existia a necessidade de manipular essas energias para execução e concretização da vontade divina.

Daí veio a surgir a necessidade da presença de seres espirituais de grande poder e força energética. Esses seres originais executores dos arquitetos divinos é o que temos hoje como sendo conhecidos por Exús Cósmicos ou Indiferenciados. São cósmicos porque sua atividade singe-se a execução dos rearranjos estruturais das energias que deram forma ao reino natural.

São indiferenciados, posto que sempre viveram em nosso reino sem passarem pela divisão da matéria, vivendo assim na própria essência divina da qual são “constituídos”. Mas a tarefa era gigante, exigindo a força e a presença de considerável quantidade de seres espirituais para por em prática a realização da vontade divina que era a formação e estruturação do reino natural.

Esses Exús tidos como indiferenciados subordinaram-se diretamente aos seus comandantes , ou seja os Orixás Ancestrais. Estes últimos são os Sete Espíritos de Deus responsáveis diretamente pelo reino natural.

 

Ante a impossibilidade de tal processo ocorrer no reino virginal e tendo em vista que esse desarranjo vibratório impossibilitava a permanência destes seres em tal local, a Misericórdia Divina entendeu por bem plasmar o que chamamos de reino natural (ou matéria) para então servir de local onde iria abrigar esses milhões de seres espirituais em seu novo processo evolutivo.

E assim, surgiu o que nós conhecemos como universo natural ou reino da matéria com seus planetas, suas galáxias, etc. Após a Divindade Suprema plasmar essa nova casa planetária nomeou seus emissários divinos, seres de indescritíveis sabedoria e luz, para que arquitetassem toda a construção deste novo reino e assim foi feito. Porém além de arquitetar todo esse novo reino espiritual, existia a necessidade de manipular essas energias para execução e concretização da vontade divina.

Daí veio a surgir a necessidade da presença de seres espirituais de grande poder e força energética. Esses seres originais executores dos arquitetos divinos é o que temos hoje como sendo conhecidos por Exús Cósmicos ou Indiferenciados. São cósmicos porque sua atividade singe-se a execução dos rearranjos estruturais das energias que deram forma ao reino natural.

São indiferenciados, posto que sempre viveram em nosso reino sem passarem pela divisão da matéria, vivendo assim na própria essência divina da qual são “constituídos”. Mas a tarefa era gigante, exigindo a força e a presença de considerável quantidade de seres espirituais para por em prática a realização da vontade divina que era a formação e estruturação do reino natural.

Esses Exús tidos como indiferenciados subordinaram-se diretamente aos seus comandantes , ou seja os Orixás Ancestrais. Estes últimos são os Sete Espíritos de Deus responsáveis diretamente pelo reino natural.

 
 

Seres esses que são conhecidos como “rabo-de-encruza”. São seres que arrependidos das suas práticas foram arrebanhados pelos Exús Espadados. Estes últimos espíritos ainda têm uma personalidade frágil, sendo muitas vezes subornados por seus antigos chefes, os magos-negros do submundo astral. Quando isso ocorre e são pegos em flagrante, são levados para tratamentos mais profundos em hospitais que se encontram instalados em plena zona do submundo astral, aonde passarão longos anos desintoxicando-se, para só então retornarem às mesmas atividades aonde reiniciaram sua recuperação espiritual.

As atividades dos Exús no Templo:

O Exú Guardião é a entidade espiritual que nos Templos de Umbanda é encarregado da guarda vibratória e da proteção espiritual. Cuidam os Exús de efetuarem a defesa espiritual contra os ataques das hostes do submundo astral que a todo momento buscam invadirem os santuários da Umbanda com o objetivo de destruírem ou mesmo perturbarem as diversas atividades desempenhadas . Cuidam ainda, de atuarem nos inúmeros trabalhos de desmanche de magia-negra e feitiçarias que são levadas pelos consulentes que lá acorrem.

Para a defesa vibratória do Templo, os Exús manipulam uma variedade enorme de energias, assim como de entidades espirituais tidas como elementares, que são seres ainda em sua fase inicial de evolução em nosso Planeta, sendo constituídos de puras e poderosas energias. Juntamente com os elementares do fogo esses guardiões destroem as larvas, miasmas, bactérias astrais, etc., que são trazidas por seres espirituais encarnados e desencarnados aos templos para tratamentos diversos.

Os Exús Guardiões atuam em seus médiuns, na região conhecida como subconsciente. Local onde são armazenados o vivencial de vidas passadas e onde também se encontram nossas animalidades vividas nos reinos da natureza por onde estagiamos.

 

O fato é que, os distúrbios da personalidade, as fobias, taras e neuroses de maneira geral têm como causa-origem situações mal vividas em nosso ontem e que, em nosso hoje, manifestam-se de maneira contínua ou esporádica. Nos médiuns essa manifestação dá-se por intermédio de flashes esporádicos, tendo em conta que a grande maioria deles cumpre missão probatória de resgates de erros passados.

Ao agir nesta região o Exú Guardião vai expurgando todas as animalidades e traumas em verdadeiro processo de desintoxicação, visando proporcionar ao médium a evolução e a consciência de si mesmo.

Portanto, é de certa forma comum observar em templos de Umbanda, médiuns apresentarem posturas e expressões grosseiras. Na realidade o que estes médiuns estão expressando são seus graus conscienciais e seus traumas armazenados e nunca, exteriorizando a vibração do verdadeiro Exú.

A bem da verdade, é bom que se diga que às vezes, por ingenuidade, alguns médiuns acreditam que fazendo caretas e pantomimas irão fazer acreditar que o “seu” Exú é o mais forte e poderoso, provocando assim o respeito, o temor e a admiração. Pura ingenuidade.

Infelizmente, em alguns locais que dizem professar a Umbanda, esquecem que a mesma é Amor e Sabedoria. E assim, irresponsavelmente inveredam por caminhos escusos que longe estão de refletirem a luz da Umbanda. Nesta triste situação associam-se com seres da revolta, do ódio, da insubmissão e passam a serem usados e manipulados por esses seres. Assim, o que esses pobres médiuns expressam é o desequilíbrio do ser astralizado com o qual se associaram.

É dispensável dizer que esses médiuns só acarretaram para si e sua família, dores, humilhações de dissabores de ordem espiritual e mesmo material. Infelizmente, em vista do pouco esclarecimento espiritual existente, essas entidades se denominam como sendo os verdadeiros Exús, causando assim uma série de embaraços e confusões quanto a real personalidade do Exú Guardião.

 

Porém esses locais são facilmente reconhecidos e identificáveis; invariavelmente, neles existem o palavreado grosseiro e de baixo calão. Nesses locais imperam as promessas de trabalhos escusos (feitiçarias de todas as montas), indecorosos e luxuriantes, aonde as fofocas e picuinhas imperam e a verdade, o amor e o progresso espiritual inexistem. Deles devem todos buscar distância, pois esses lugares podem ser tudo na vida, mas certamente jamais serão uma casa de Umbanda.

Por fim, os Exús Guardiões, manipulam as energias etéricas no campo vibracional dos entrecruzamentos energéticos (encruzilhadas). Infelizmente, as encruzilhadas de ruas são confundidas por alguns como sendo a verdadeira encruzilhada dos Exús Guardiões. Na verdade, essas encruzilhadas de rua são portais vibracionais de acesso ao submundo astral. Por ai já se percebe o quanto é perigoso a manipulação de energias em tais locais.

A verdadeira encruzilhada dos Exús guardiões, são os entrecruzamentos vibratórios das linhas de força ou tatwas, que são as energias que vêem do plano astral e entrecruzam-se em nossa casa planetária. É nesse campo de força, de luta e de trabalho, que o Exú manipula o Axé (energia), concretizando todo processo de imantação e desagregação dessas forças em benefício do Planeta e de seus habitantes.


Shandar

Desobsessão do Sr. Marabô

Disponibilizamos um trecho do livro Os Dragões, que mostra um trabalho de desobsessão realizado pelos espiritos que se apresentam na falange do Sr. Exu Marabô.

Sem se opor à minha presença, partimos em direção às furnas do mal. Clarisse, eu, Cornelius e mais um grupo de defesa do Hospital Esperança.

Chegando ao local, presenciei algo inusitado. O ciclope da mitologia grega não era pura imaginação. Indaguei de chofre:

— Quem são os ciclopes, Clarisse?

— Espíritos rudes a serviço do mal. Estamos na região subcrostal chamada Pântano das Escórias, subúrbio enfermiço do Vale do Poder. Aqui são feitos prisioneiros os servidores da maldade organizada que não obtiveram êxito em seus planos nefandos. Castigos e sevícias de todo o porte são levados a efeito nestas plagas.

— Por que viemos aqui?

— Venha! Vamos encontrar nossa equipe.

Logo adiante estava Eurípedes com uma equipe de vinte a trinta defensores. Tinha o braço ferido. Quem imagina os espíritos isentos dessa contingência, não concebe com exatidão os mecanismos fisiológicos e anatômicos do corpo espiritual, sujeito, nas proximidades vibratórias da Terra, às mesmas injunções de saúde e doença, dor e prazer. Um corte de dez centímetros na altura do ombro do benfeitor era cuidado com carinho por uma diligente enfermeira da equipe. A diferença ficava por conta do domínio mental. Enquanto era tratado, conversava atentamente com os presentes sem demonstrar uma nesga de sofrimento. Os ciclopes o feriram com seus chicotes impiedosos. Tive ensejo, ali mesmo, de manifestar meu carinho ao amigo querido. Embora minha surpresa, o tempo e a experiência foram me mostrando que tudo era possível ocorrer em tais tarefas socorristas. Incêndios, tiroteios, ciladas, guerras armadas e outras tantas manifestações de violência já conhecidas da humanidade. Não cheguei a ver os ciclopes naquela ocasião, mas só a onda de crueldade deixada no ambiente já me apavorava. Clarisse não regateava esclarecimentos a mim.

— Estamos no inferno de Dante, dona Modesta.

— Parece-me ser até pior do que ele descreveu.

— Sem dúvida.

— O que faremos agora?

— A tarefa por aqui já está cumprida. As entidades que necessitavam de socorro já foram levadas para onde prosseguirá o trabalho.

— Eram almas arrependidas?

— Não. Eram escravos da perversidade. Servidores inconscientes das sombras. Foram necessárias mais de quatro horas de intensas iniciativas para alcançar resultados no amparo. Ainda assim, veja o estado de nossos companheiros. Eurípedes ferido, os defensores exaustos e tudo isso apenas para que seis entidades pudessem ter acesso à manifestação mediúnica.

— Vão se comunicar a essa hora da noite? Que centro abriria suas portas? – expressei sabendo que já passava da meia-noite no relógio terreno.

— Os verdadeiros servidores cristãos só se utilizam do relógio com intuito disciplinar. Não condicionam o ato de servir aos ponteiros limitantes do tempo. Visitaremos o Centro Umbandista Pai Guiné, nos arredores de Uberaba.

— O pai-de-santo Ovídio?

— Ele mesmo.

Tive de confessar, em um primeiro momento, meu preconceito. Guardava respeito pelas demais religiões, entretanto, nunca havia refletido sobre quem seriam e onde estariam as cartas vivas do Cristo. Por uma tendência natural asilei o despeito. Ainda bem que foi algo muito passageiro em meu coração, porque as experiências fora e dentro da vida corporal, cada dia mais, apresentavam-me uma realidade distante das ilusões que adulamos sob o fascínio impiedoso do orgulho na sociedade terrena dos mortais.

Após as despedidas, a equipe de Eurípedes regressou ao hospital. O pedido de socorro foi uma medida preventiva. Apesar dos feridos e exaustos, todos guardavam o clima da paz.

Por nossa vez, partimos para o Centro Pai Guiné. Era um ambiente agradável em ambos os planos. Ao som dos atabaques, eram cantados os pontos em ritmo vibratório de alta intensidade. Cada canto era como uma verdadeira queima de fogos de artifício. Uma bomba energética explodia no ar em multicores.

Em uma das várias dependências astrais da casa havia uma enfermaria com oitenta leitos bem alinhados. Tudo nesse salão era limpeza e calmaria. Lá não se ouviam mais os cantos, e a conexão com o plano físico limitava-se ao trânsito de enfermeiros pelos vários portais interdimensionais. Regressamos ao ponto de intersecção vibratória com o plano físico.

Seis macas estavam dispostas no canzuá (terreiro). Em cada qual havia uma entidade de aspecto horripilante. Olhos que quase saíam das órbitas oculares, pele murcha, enrugada e suja, garras enormes no lugar das unhas, com dez centímetros, nas mãos e nos pés, todas retorcidas como as de águia. Magérrimos e nus. Causavam náuseas pelo odor. Olhavam para nós deixando claro que nos viam e, literalmente, grunhiam como porcos com a boca semiaberta. Alguns deles estavam muitos inquietos nas macas. Retorciam-se como se estivessem com dor, sem manifestar nenhum som. Vários hematomas estavam expostos em todos eles, devido aos castigos impostos nos paredões de penitência.

— As garras são colocadas para impedir a fuga. Não andam nem têm grande habilidade manual – informou Clarisse, com manifesto sentimento de piedade.

— Como serão socorridos?

— Pela incorporação profunda ou vampirismo assistido.

— Nos médiuns umbandistas?

Mal terminei a pergunta e vi uma cena nada convencional. Um dos enfermeiros da casa pegou uma das entidades no colo e jogou-a no corpo do médium.

Demonstrando câimbras na panturrilha, o médium, incontinenti, absorveu mental e fisicamente o comunicante que se ajeitou no corpo do medianeiro como se deitasse em um colchão, buscando a melhor posição. Os atabaques aceleraram o ritmo, criando um frenesi de energia no ambiente. Formavam-se pequenos redemoinhos de cor violeta e prata, que se desfaziam e refaziam em vários cantos do terreiro. Modulavam conforme a nota musical dos hinos cantados.

O médium estrebuchou no chão. Convulsões e grunhidos seguidos de gritos de dor. Ovídio, o pai-de-santo aproximou-se e disse:

— Oxalá proteja seus caminhos, filho de Zambi (Deus).

— Eu sou filho do capeta. Quem és tu para falar comigo? – redarguiu a entidade, que agora falava com facilidade por intermédio do médium.

— Sou um tarefeiro da luz.

— Eu sou uma escória da sombra.

— Engano, criatura!

— Não vê minhas garras? Sabe o que isso?

— Conheço essa técnica. São ferrolhos do mal.

— Vejo que estais acostumados ao mal.

— Vim desses vales da sombra e da morte – falava Ovídio com firmeza na voz.

— Mas andas e és livre. Estais no corpo, enquanto eu… Eu sou um verme roedor… Ou quem sabe uma águia que não voa… Nem sequer consigo andar graças a essa maldição que colocaram em meus pés… Nem comer mais… Veja minhas mãos… Eu tenho fome e sede.

— Em que te posso ser útil irmão? – indagou Ovídio debaixo de uma forte vibração.

— Quero bebida e comida. Quero que cortem minhas garras.

— Laroyê! Laroyê1 – gritou Ovídio já incorporado por um de seus guias que entoava o canto: “Eu sou Marabô2, rei da mandinga. Eu sou Marabô, exu de nosso Senhô. Laroyê!”

Uma energia colossal movimentou-se com a chegada do Exu Marabô. Os filhos-de-santo o saudavam com palmas rítmicas e pontos próprios da entidade. Muitos deles iam até Marabô, baixavam a cabeça em sinal de reverência à sua frente e batiam três palmas rítmicas na altura do abdômen do médium.

— Que tu quer, homem esfarrapado. Bebida pra mode se arrebentá mais?

— Não, senhor Marabô. Não é isso não.

— Não mente pra Marabô. Marabô sabe ler os ói (olhos). Nos ói tá a visão, mas tá também a verdade e a mentira.

— Eu não minto, senhor. Quero liberdade.

— Pra fazer o que dá na cabeça? Home tu preso é um perigo, livre é um desastre.

— O que o senhor vai fazer por mim? Não pedi a ninguém pra sair daquela joça de lugar fedorento. Por que me trouxe aqui?

— Não fui eu quem trouxe home. O véio Bezerra da luz é teu protetor. Sirvo a ele na graça de Oxalá, Pai de poder e misericórdia.

— Que queres comigo?

— Está feliz na matéria do cavalo (médium)?

— Sei que não é minha. Quero uma só pra mim.

— Esta gostando do contato?

— Só fartó bebida e comida.

— Olha suas garras.

— Não pode ser! O que aconteceu?

– O cavalo (médium) ta dissolvendo suas algemas.

– Pra sempre?

– Pra sempre!

– Quanto vai me custar?

– Nada. É serviço de Pai Oxalá. É de graça. Pedido do veio Bezerra de Menezes. Se voltar pro inferno, elas crescem de novo. Se subir com Bezerra da luz, vai ser cuidado no hospital da sabedoria, onde reina os filhos de Gandhi.

– Filhos de Gandhi? Por que se interessaria por escórias como nós. Veja lá nas macas os amigos estropiados – e apontou para a sala ao lado.

– Nada retira do ser humano a condição de Filho do Altíssimo…

Doutrinando Guias e Orixás???

Saudações fraternais amados irmãos…

Muito se ouve o termo de doutrinar os seus orixás e mentores nos trabalhos mediúnicos. Mas que raios de autoridade nós temos para ensinar espíritos supostamente de luz que suspostamente viriam em nosso auxílio e dos quais necessitam de nossa doutrina??? Pra mim é no mínimo um paradoxo, eu chamo um professor de matemática porque tenho dificuldade em uma matéria mas eu tenho que ensiná-lo como agir com essa matéria. Paradoxal, não?

Isso ocorre muito na nação, o médium que se diz inconsciente, tem que vir o Iaô ou até mesmo o Babá ensinar a dança para o Orixá, e incrivelmente cada barracão de nação tem a sua forma peculiar de dança, mesmo seguindo os preceitos da tradição, mas cada casa coloca o seu “plus” no pé de dança do Orixá. É o Orixá que precisa desse ensinamento ou o médium? É o guia que precisa aprender a se comportar ou é a grande parcela do médium durante o fator mediúnico?

Muitas casas, quando o mentor chega pela primeira vez, o filho mais velho o ensina a saudar a casa, como faz as devidas saudações à assistência, ao atabaque, à entrada da corrente, entre outros fatores. Como saudar cada irmão da casa, será mesmo que o guia que precisa de tudo isso ou é a nossa mente inferior que cuida desse fator?

Todos nós sabemos que no começo somos totalmente conscientes, e apesar de muita gente da nação negar, pelas “curas” realizadas no roncó, pelo ejé (sangue) derramado na coroa auxilia na incorporação inconsciente, digo com total e absoluta certeza: Balela. É muito fácil falar que tá inconsciente sendo que o espírito que está supostamente incorporado não fala…

Sempre repito no blog, que a comunicação se dá com a firmeza do médium e o esclarecimento do guia, com o seu conhecimento, cada dia que passa, essa afirmação fica ainda mais evidente quando se presencia novos médiuns adentrando nas casas e repetindo o que os mentores mais velhos da casa fazem, isso gera um processo anímico intensivo e se não se atentar, acabamos virando fantoches de nosso próprio subconsciente, em suma, eu prefiro e muito que vocês firmem a cabeça a repetir o que os mais velhos e os guias mais antigos fazem no centro, é interessante ressaltar que serve como referência e não como BASE PRINCIPAL DE APRENDIZADO.

Isso devido a dois principais motivos:

  1. Você não sabe se ali, onde você se espelha, existe realmente tem uma entidade ou o médium em um processo anímico, o que significa que muitas vezes o guia atuando é na verdade o processo anímico do médium em piloto automático;
  2. Não necessariamente os seus mentores trabalharão de forma similar aos mentores mais antigos da casa, como sempre repito no blog, cada um tem a sua corrente mediúnica, o seu grau evolutivo, bem como o grau evolutivo dos mentores que te acompanham, a bagagem de aprendizado entre outros fatores.

Vale salientar que estou falando de ANIMISMO e não MISTIFICAÇÃO, existe um post no blog que relata essa diferença aqui. Muito observo nas casas, um caboclo pulando com uma perna só e quase todos os guias da corrente fazendo a mesma coisa, o estalar dos dedos durante o passe, a postura de mãos e braços, muitas vezes é perceptível cópias na casa. No começo é normal copiarmos, isso é um processo inerente a todo médium, mas ao passo que a mediunidade vai se desenvolvendo, é necessário dar o espaço necessário ao trabalho do mentor que está servindo durante a comunicação, nem todo marinheiro vem cambaleando, nem todo boiadeiro vem laçando e nem todo exú vem corcunda, isso é importante enfatizar a todo momento.

Também existe um processo de adaptação do mentor que você trabalha no chão que ele pisa, isso em virtude do respeito ao chão que ele está pisando e aos mentores que dirigem a casa, então ele pode adaptar algumas formas de trabalho para que fique dentro do processo da casa, aí pode entrar o fator do guia mais antigo da casa querer “doutrinar” o seu guia para trabalhar dentro da casa, e esse “doutrinar” é muito mais na cabeça do médium ao mentor que está ali irradiando, mesmo porque sabemos que no começo da mediunidade, é muito mais o médium que o mentor.

Existia um médium na casa logo quando comecei que trabalhava muito bem, os guias chegavam bonitos e isso é algo legal para se usar como referência, até o caboclo dele chegar e arrancar a camisa, ali eu já comecei a me questionar de todas as formas possíveis, toda vez que vinha, o caboclo rasgava a camisa, até eu refletir e perceber que ali não era entidade e sim a vaidade de um médium, mas mesmo assim, custou acreditar nessa possibilidade, já que ali era um médium que eu respeitava demais e achava linda as entidades dele, ou seja, toda aquela minha admiração nem era totalmente pelas entidades, muitas vezes talvez era a própria vaidade dele que me encheu os olhos, porém, não alimentou o meu coração e nem tampouco a minha sede de conhecimento.

Não há doutrina mais eficiente entre você e seus mentores do que a conversa, o conhecimento de ambos, o respeito de limites, se um médium tem um caboclo que pula de joelho e o mesmo tem problemas na mesma região, obviamente um guia de luz não vai pular para arrebentar o joelho do médium, e se assim o fizer, indubitavelmente levará a dor (Isso falando normalmente), há casos em que a entidade deixa a dor por alguma lição a ser apresentada ao médium.

É o que eu sempre digo aqui no blog, vejo muitas pessoas temerem as entidades, medo de sofrer represálias, nem brinca com a entidade com temor, vejam seus mentores como companheiros de jornada, como amigos espirituais e muitos dos quais já são seus amigos muito antes de você nascer, são verdadeiros irmãos e amparadores e não Deuses da Cólera que vem para punirem, afastem esse pensamento, tem que ocorrer o respeito, mas também a conversa mútua, o carinho e dedicação e isso se dá com velas, com orações, com pedidos e durante a incorporação, com conversa…

Seus guias não precisam de doutrina, eles já vêm doutrinados, quem precisa de doutrina é você, claro, salva raras exceções porque também existem mentores em início de carreira, mas para ser um mentor de luz, ele já passou por todo processo de aprendizado nas escolas espirituais, não chegará “cru” fazendo um monte de besteiras como muito dirigente acha que acontece.

Aprendam vocês o fundamento da casa, como funciona, exija do seu sacerdote os procedimentos e como funciona a cartilha da casa, você se sentirá mais seguro para incorporar e a comunicação será melhor, justamente porque você já sabe o que acontece, como acontece e porquê acontece, e lembrem-se sempre, “incorporação” é muito mais doação do médium, com isso, sejam um recipiente limpo para o seu mentor para que ele possa realizar um trabalho bem feito.

Apenas isso.

Abraços fraternos,

Neófito.

Existe relação Entre a Luz da Vela e a Luz do Mentor?

Antes da saudação, a enfática resposta é NÃO!!!

Saudações amados irmãos…

Muito se ouve que ao acender velas estamos dando Luz aos guias e novamente repito, isso NÃO EXISTE!!!

Se acender vela ajudasse na iluminação do mentor, muitos exus seriam praticamente arcanjos, muitos dos meus mentores seriam praticamente Deuses e isso não ocorre…

A chama da Vela simboliza vários fatores, serve para as mais variadas funções, exceto iluminar ainda mais os seus guias. A vela é uma magia que é para reversão dos seus próprios pedidos, a vela é uma forma de simbolizar aquele momento, aquela comunhão com o espírito, santo, protetor, qualquer denominação que queira dar. O Fogo é o elemento que transmuta, é o elemento que migra dimensões, a sua energia alcança as mais sutis camadas, mas sua função é direcionamento vibratório, é uma função ritualística, mágica e simbólica de um pedido, de uma oração, de um agradecimento e de iluminação, não daquele que a recebe e sim daquele que a acende e direciona o seu pedido a essa vibração.

Prezados irmãos, querem ajudar seus mentores a evoluírem na Senda Espiritual, não se enganem com velas, com oferendas, nada disso deixa o seu mentor mais FORTE como costumo ouvir e a chama da vela não o tirará das sombras, seria uma moeda muito fácil para evoluirmos se fosse acendendo velinhas. Não se enganem, a evolução se dá com trabalho árduo, vigiando seus atos, praticando o amor e a caridade, perdoando, compreendendo, e novamente, trabalho árduo. Se fosse tão simples, acenderia duas velas por dia para mim para ascender ao Altíssimo.

Não se iludam que isso deixará seus mentores mais FORTES, mesmo porque isso é crença popular e como alguns que me conhecem, sabem, não confio muito em crenças populares, acho supersticiosas em sua grande maioria e sem o devido fundamento para sustentar certos argumentos.

Não existe em hipótese alguma essa relação entre chama de vela e luz de entidade, isso é falácia.

É muito comum ouvir: “Acenda vela para o seu anjo da guarda que ele precisa de luz”. Isso é mais uma crença popular infundada, acreditamos que anjos já são seres que não necessitam de ciclo reencarnatório e já atingiram um patamar evolutivo suficiente para não depender de elementos materiais físicos, nem tampouco é afetado pelas paixões do qual somos submetidos diariamente, nesse preâmbulo, acho um pouco inadmissível um ser que já atingiu tamanho patamar evolutivo estar sem luz e ainda depender da vela para que ele saia das trevas, não há o menor sentido lógico para isso.

Como eu sempre enfatizo no blog, busquem o conhecimento, não repassem aquilo que aprenderam, sempre se questionem, reflitam, a evolução é conhecimento, é a prática do mesmo, tornando-o sabedoria, não há evolução com ignorância e não há luz nas trevas, meditem, reflitam, questionem sempre, tentem encontrar o meio lógico para o que ouvem, dêem a si o benefício da dúvida e não fazer como muitos, passam para frente aqui que aprenderam sem se questionar, sejam um filtro de conhecimento, analisem, raciocinem e saiam das trevas.

Abraços Fraternos.

Neófito.