Ceticismo x Amor à Umbanda

Cérebro

Paz profunda.

Sempre tive uma certa propensão aos mistérios do outro mundo, minha mãe me dizia que muito novo, eu tinha vários amigos imaginários e tinha o hábito de tocar na barriga de mulheres grávidas e “advinhar” o sexo da criança. Também tinha um hábito estranho de tocar na ferida ou na dor das pessoas, e isso as aliviava. Isso ocorreu até meus sete anos. Com meus 10 anos, tive a felicidade de conhecer um amigo que me levou à Ordem Rosa Cruz, onde me senti muito bem com os ensinamentos da Ordem Juvenil. Dos meus dez aos dezesseis anos, comecei a buscar e conhecer o Mundo Espiritual, lembro-me de certas visões e muitas coisas que eu costumava ouvir e graças a Deus, tendo uma familia com certa formação espiritualista, não recorreram às igrejas ou centros psíquicos para esquizofrênicos. Sempre buscando aprender sobre as coisas novas.

Em dezembro de 1996, conheci um centro de um cliente do meu pai, um comércio de grande destaque nessa década e fui em um centro extremamente fino, onde tive o prazer de conhecer a primeira linha da Umbanda, os ciganos. Um cigano totalmente austero, mas que disse as coisas que eu precisava ouvir, na época, só pensava em coisas de adolescentes, curtir, jogar bola e namorar, claro que também tinha o tempo para meus estudos, mas não eram tão enfáticos. Fui nesse centro do qual eu gostei muito, me chamaram para entrar na corrente, mas como a mensalidade era muito alta, eu acabei desistindo.

Depois disso, comecei a procurar de forma discreta, porque eu assumo, tinha sim, vergonha da religião.

Era uma sexta-feira de 1997, em meados de setembro, quando já conhecia a RosaCruz, o Kardecismo e decidi por intuição, conhecer a Umbanda. As circunstâncias eram favoráveis, meu pai tinha um comércio em Guarulhos onde conheci um rapaz que trabalhava em terreiros, como já havia ouvido falar e sentia algumas vibrações incomuns, decidi conhecer.

Em meus dezessete anos, me dirigi sozinho para um terreiro em festa de Cosme e Damião, lá conheci um marinheiro que depois vim a trabalhar com ele, chamado Nego Gerson, para mim, a idéia de ter um amigo do outro plano, era FORMIDÁVEL! Não me conhecia, e foi me falando várias coisas, o que me causou muito mais interesse por essa maravilhosa religião, ter amigos espirituais, que “sabem de tudo” e ainda por cima, poderiam me ensinar várias coisas, cheguei ao êxtase de qualquer mente curiosa.

Participei desse centro, do qual era muito humilde, porém, maravilhoso, como eu era muito novo lá, tudo pra mim era lindo, deslumbrante, aquela fase de que tudo é novo, tudo é extremamente interessante, aquele ar de mistério me sondava e me causava ainda mais perplexo.

Feliz ou Infelizmente, a minha mente questionadora, após uns nove, dez meses de roupa branca, onde eu já abria alguns trabalhos devido à minha dedicação na casa, começou a causar certos sentimentos em irmãos mais velhos.

Aí começaram a vir entidades para me “assustar”, falar que a abertura dos trabalhos iria começar a prejudicar a minha vida, ia me prejudicar em diversos aspectos, o que começou a me causar medo, angústia e comecei a indagar certas coisas.

Depois de várias análises, eu com apenas 18 anos, comecei a ver que ali não era pra mim, o padrinho da casa não fazia uma boa comunicação com a entidade, começou a ter muito medium caindo no terreiro, começou uma forte invasão de pessoas de outras correntes, o padrinho não tomava atitude então decidi tomar eu a atitude de pedir licença da casa.

Para não estender sobre o assunto, lembro-me que ainda frequentei mais dois terreiros antes de ser chamado pelo terreiro do meu pai, mas confesso que em meados dos meus 24, 25 anos eu já estava bem cético sobre a religião, porque frequentei em toda minha vida uns 5 terreiros no máximo, mas visitar, sim, já perdi a conta. Minha mente inquieta me fazia buscar, buscar e buscar respostas para várias coisas.

Aí trabalhei no centro do meu pai onde após dois anos, fui chamado pra ser pai pequeno, e começar a adquirir maiores responsabilidades com os filhos da casa.

Eu confesso que eu tenho uma linha mais dura de trabalho, sou exigente quanto aos trabalhos espirituais, não tolero boatos, injustiças ou falácia dentro do terreiro, e também odeio circos. Trabalhei nesse centro de 2005 a 2011 onde foi fechado por diversos desinsteresses entre os filhos e incompatibilidade extrema entre a forma de trabalho do meu pai e a minha visão, após quatro meses que eu pedi licença, descobri que o centro foi fechado.

Enfim, não serei hipócrita com vocês, ainda nutro muito amor e carinho pelos meus mentores, mas confiar em terceiros, acho que será muito improvável. Hoje eu tenho uma visão muito mais de pesquisa, de análise do que de fé e amor à religião propriamente dita.

Todo o meu amor e minha dedicação é direcionada aos meus mentores, à religião em si, confesso que tive muito desgosto, esses últimos dois anos, dos quais conheci muitos terreiros, vi sim, alguns terreiros de lei, mas algum para eu realmente participar, será difícil.

Aprendi a não depender de outros mediuns, não quero soar como arrogante, mas eu aprendi que nós somos totalmente capazes de solicitar auxílio aos nossos mentores, uma vez o Chico me disse, não nos utilize como muleta, aprenda que somos também parte de sua força de vontade, um dia você entenderá isso.

Confesso que estou começando a entender, talvez a Umbanda seja uma fase que todos nós um dia tenhamos que passar, para entender que sim, existe alguém do outro lado que nos ame e zela por nós, e até onde há essa necessidade de oferendas e Luz? Até onde realmente existe essa necessidade viciante por trabalho?

Eu sou da seguinte opinião, onde há dúvidas, não existe a presença divina, e sim só tristeza. Eu preferi seguir o meu caminho e se for necessário, que eles me auxiliem a um dia, conduzir os trabalhos segundo eles.

Hoje, acima de um medium, um filho de fé, me tornei um pesquisador, um analista talvez cético de tanta decepção que presenciei, de tanta mistificação e falta de preparo de tantos irmãos de fé.

Não me isento de erros, sou um aprendiz da Luz também, mas não sou hipócrita.

Quero passar para vocês que voltarei a postar, estou mais fundindo com as coisas, toda a tristeza, os obstáculos de minha vida foram destruídos, hoje estou novamente de bem comigo e com o Plano Espiritual, mas confesso a vocês, minha dedicação será somente a mim e aos meus irmãos que assim solicitarem, não procurarei mais terreiros para saborear o fel da dúvida, da frustração, e sim, me dedicarei a eles, os mentores, para que me auxiliem de forma sábia um local onde posso dar continuidade aos meus objetivos com a Luz Maior.

Hoje meu amor não é mais à Umbanda, meu amor é para com aqueles que fazem parte da Egrégora do Amor e da Caridade, para aqueles que ainda recorrem a mim em suas frustrações e dúvidas. Para aqueles mentores que aparecem quando eu vou me deitar, independente da denominação que recebem ou da egregora da qual faz parte.

Hoje não sou mais o neófito cego de fé e otimista, sou o neófito caminheiro da Luz e um questionador nato! Por isso, o meu blog será mais direcionado ao aspecto racional da Umbanda e não toda aquela devoção para com a religião.

O amor com os mentores continua, firme e forte, meu objetivo para trilhar o caminho da prática do amor e da caridade, agora está intacto, estou isento de qualquer miasma ou trevas, mas agora, não me entregarei a qualquer um com o meu coração, porque aprendi que nós mediuns, somos autossuficientes e não precisamos de outro medium, firme ou não para nos inserir dúvidas, porque a resposta está dentro de nós!

Neófito da Luz.

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2 comentários sobre “Ceticismo x Amor à Umbanda

  1. Gostei da sua sinceridade! Mesmo estando na religião X ou Y, cada um tem que trilhar o seu próprio caminho, pois cada pessoa se encontra no seu próprio universo: a forma dele entender e se relacionar com a realidade, e nesse caso a sua própria religião (espiritualidade) , é unica!
    o Chico disse um tempo atrás que:
    “A melhor religião do mundo é o Amor
    A melhor filosofia, a Caridade
    e a melhor ciência é o Discernimento.”

    Abs!

  2. Se não temos a mediunidade desenvolvida. Mais temos ancia de melhorar e de evoluir. … e mais ainda. A sensação de ser extranjero no mundo da perfeição. O que fazer?

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