Descarrego e Puxada

Extraído de casadavovomariarosa.blogspot.com

Saudações fraternas, irmãos.

Um dos assuntos discutidos nessa semana, foi a eficiência do trabalho cujo o título foi supracitado… Primeiramente, gostaria de salientar que odeio e muito utlizar esses dois termos, primeiro “descarrego” acho um termo meio ruim, complicado, me passa uma impressão meio pejorativa, depois vem o termo “Puxada” que faz com que fique ainda pior.

Sistematicamente esses dois são muito utilizados em todos os trabalhos mediúnicos, o ato de descarregar também ocorre em reuniões kardecistas.

Descarregar o medium é basicamente limpá-lo, dissipar qualquer miasma astral que pode estar em seu corpo perispiritual, conhecido também como receber ou dar um passe. Essa troca de fluídos de cargas positivas por cargas deletérias deve ser realizada por um medium experiente, um medium que tenha boa firmeza espiritual e que acima de tudo, tenha uma conduta de vida ao menos, mais correta. O ato de praticar o passe é de extrema responsabilidade, você doa todos os seus fluídos, dependendo do medium, consegue ser uma ponte entre os fluídos astrais para o consulente que está recebendo, eu já vi pessoas possuírem a facilidade de obter essa energia espiritual e apenas transferí-la à pessoa que está recebendo o passe, é um dom raro, porém existe e é muito eficaz.

Também tem aqueles mediuns que conseguem doar a sua carga etérea, seus fluídos espirituais ao consulente, mas isso requer uma grande dose de responsabilidade, porque você vai doar o que você tem, e ninguém consegue doar ouro se só carrega bronze, por isso é um dos motivos que eu vivo enfatizando aqui, antes de todo trabalho mediúnico, purifique seu corpo e sua mente, entregue-se às hostes espirituais e seja um bom medium, ou seja, um bom intermediador entre os dois planos.

Para aqueles mediuns que adoram viver de forma irresponsável e excessiva, indubitavelmente, não serão bons mediuns de cura ou bons mediuns de passe.

Eu já disse inúmeras vezes aqui, o medium de cura é aquele que deve agir com maior responsabilidade, porque os pacientes dependem totalmente de seus fluídos e de seu conhecimento, por isso, eu digo, todo medium é um recepiente, e ele é capaz de escolher que tipo de produto ele quer armazenar, ou até mesmo, somos uma antena, que tipo de frequencia queremos sintonizar?

Então descarregar o medium é praticamente isso, pode ser realizado de forma SUTIL, apenas com passes e energias cósmicas, sutis, existentes no plano espiritual e pode ser utilizado de uma forma mais densa, mais telúrica, como o banho de ebós, banho de ervas e outros elementos que alguns terreiros de umbanda costumam passar no corpo, como animais vivos e ovos.

A puxada já é algo mais complicado, é o ato de transportar aquele espírito que traz a carga negativa para o consulente na matéria de outro medium, eu particularmente não gosto dessa forma de trabalho, porque o medium que “recebeu”essa carga pode não estar firme e começar a proferir um monte de “abobrinhas”. Particularmente, a forma de trabalho dos meus mentores não realiza a puxada, nunca entendi o porque, mas entendo eu que problemas entre eles, que seja resolvido entre eles, o que eu já vi o meu caboclo estalar o dedo em algumas posições estratégicas do filho, pegar uma vela e colocá-la na porta, mas puxada propriamente dita, eu nunca vi.

Esse texto será discutido com maiores detalhes depois, foi a pergunta de uma irmã e espero ter respondido.

Aranauam.

Neófito da Luz

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Egrégora Umbandista

No post anterior eu falei sobre a egrégora da Umbanda, mas particularmente esse é somente um dos diversos nomes que essa egrégora carrega.

A Umbanda nada mais é que uma prática litúrgica que visa praticar o mediunismo com todos aqueles que possuem esse dom de interligar o plano espiritual com o plano material, a Umbanda está intrinsecamente ligada à prática da mediunidade, ou seja, é apenas uma das diversas formas de praticar a mediunidade dentro de uma grande variedade litúrgica.

A grosso modo é… A Umbanda é uma das diversas formas de praticar o bem e a caridade através da troca de fluídos entre os diversos planos.

Um grande fato que corrobora com a minha afirmação é a diversidade gigantesca de prática entre os terreiros, cada um pratica de uma forma, não existindo um elo, um pilar oficial, um manual de práticas dentro do terreiro Umbandista.

Cada um pratica da forma que aprendeu, assim como muitos centros kardecistas, presencio uma grande diversidade litúrgica entre eles, não há forma correta e nem tampouco errada, mas existem ao menos boas práticas.

É como dirigir um carro, aprendemos na auto-escola vários fundamentos, mas alguns ignoram a seta, outros ignoram as placas de limite de velocidade, outros ignoram sinalizações em si, ou seja, todas essas formas te levará a algum lugar, resta saber como você chegará a esse lugar. Com multas? Com sinistros? Colisões? Depende de você.

Assim é o espiritualismo, eu tenho meu conceito de boas práticas, como já as enumerei em diversas oportunidades aqui no blog, mas isso não significa que todos praticam dessa forma.

Um exemplo disso, é o caso das oferendas, ou eu não tenho absolutamente nada, ou meus mentores nunca exigiram oferendas, é a forma de trabalho deles, já fui muito criticado por isso, uma vez joguei buzios com um sacerdote muito famoso em Guarulhos e o mesmo jogou diversas vezes e disse: “Estranho, seu orixá e nem seu exú quer comer”.

Está aí um termo que discordo totalmente, mas por enquanto não é o escopo do post.

Muitos dos meus mentores, preferem trabalhar no silêncio, com meia-luz, com bastante erva queimada ou até incenso, optam por água em grande parte das vezes que trabalharam, é dessa forma que me ensinaram, talvez nao estejam condizentes com a Umbanda de hoje, mas talvez a única forma de se manifestarem é dentro dos trabalhos da Umbanda. Talvez daqui a alguns anos, exista uma nova religião com prática mediúnica com elementos menos densos, não sabemos!

O único caboclo meu que fumou foi o Sr. Rompe-Mato, que pediu duas vezes na vida um charuto e o Sr. Urubatão da Guia um dia pediu o cachimbo do Chico Preto e mandou queimar várias ervas para um trabalho, mas só. Será que são antiquados?

O que eu quero dizer a todos vocês é para pensarmos fora da caixa, não quero reinventar a roda, mas talvez seja hora de sairmos do vício de rituais alegóricos e arcaicos, assim como oferendas com o sangue, entre outros e começar a pensar de forma mais evolutiva, ao menos, conversar com nossos guias e propor uma forma diferenciada de trabalho.

Dessa forma parece que eu quero afirmar que temos que ensinar como eles trabalham, pelo contrário, o medium deve pensar fora da caixa e deixar o guia trabalhar livremente, livre de paradigmas, livre de rituais que viciamos praticar.

Não quero inventar uma Umbanda New Age, mas gostaria que muitos se atentassem em “ouvir” mais e deixar a entidade trabalhar um pouco mais, ficamos mto presos a animismos e certas tradições.

Por exemplo, o ato de bater cabeça? O ato de cantar para 500.000 orixás na abertura. Já estão todos ali, não ficarão “chateados” senão os louvarmos, porque o orixá é parte de nossa essência, hipócrita é no meio do ponto relembrar a noite anterior que tivemos com a vizinha, isso sim, é hipocrisia.

Eu só sinto que as coisas irão mudar, o mundo está mudando, tudo está mudando, estamos em constante transformação, está na hora de libertarmos de vícios.

Quem diria que muitos centros kardecistas, licenciados pela federação, aprovariam o trabalho de pretos-velhos e caboclos? Isso é magnífico, essa União Cosmica entre a liturgia mediúnica. Isso é um grande exemplo de progresso.

Eu estou afastado há quase três anos, se eu for realizar um balanço, fora alguns problemas pessoais que eu tive, de resto, fui muito feliz, capotei o carro a 135km/h e saí ileso, o carro estava em auditoria de seguro, ou seja, a seguradora correria grande risco de não ressarcir o carro, quase não foi coberto, mas meu exu, com a graça Divina, permitiu que tudo desse certo.

Está na hora de nos livrarmos dessa escravização que se sairmos, os nossos guias nos castigarão, a vida não andará, sua conduta de vida e a forma que você pratica a mediunidade fala muito mais forte do que estar toda semana em um terreiro.

Da ultima vez que conversei com eles, não tive cobrança alguma de não achar um lugar, minha vida está indo muito bem, graças a Deus, não estou acima do bem e do mal, só acho que os mentores espirituais possuem sabedoria o suficiente para entender porque você não está frequentando um lugar.

Antes estar em casa, meditando, ajudando as pessoas, solicitando a eles que vá ajudar os filhos, do que passar nervoso em centros ruins e ainda levar certos miasmas pra casa.

Umbanda é apenas o nome que se dá a uma Grande Egrégora que existe no plano espiritual, é apenas uma das diversas práticas, onde seus próprios mentores, poderão se adequar a outras liturgias e acima de tudo, se desprender de certos dogmas e rituais.

A Umbanda é apenas um apelido, apenas uma denominação ritualística para esses milhares de espíritos que atuam sob a égide divina onde já estão isentos de certos vícios e paradoxos do Plano Material, estão prontos para trabalhar dentro de qualquer vibração, basta você ativar o Poder que há em você e vibrar de forma sutil com as Hostes Cosmicas.

Aruanda é só um dos nomes para esse grande exército divino que trabalham em prol do benefício terreno.

Tudo é UNO! A Imagem desse post simboliza bem isso!

A Umbanda não é nada mediante a todo esse Poder existente em nossos mentores, é apenas uma forma que encontramos de LIMITAR o grande poder que existe nos mesmos. É apenas uma forma de engatinhar e conhecer todo o benefício que o Grande Universo nos concede, a Umbanda talvez seja passageira, mas o Amor Divino, a Prática do Amor e da Caridade, os Nossos Mentores e nossos amigos espirituais, esses laços maravilhosos, serão eternos!

Neófito da Luz

Ceticismo x Amor à Umbanda

Cérebro

Paz profunda.

Sempre tive uma certa propensão aos mistérios do outro mundo, minha mãe me dizia que muito novo, eu tinha vários amigos imaginários e tinha o hábito de tocar na barriga de mulheres grávidas e “advinhar” o sexo da criança. Também tinha um hábito estranho de tocar na ferida ou na dor das pessoas, e isso as aliviava. Isso ocorreu até meus sete anos. Com meus 10 anos, tive a felicidade de conhecer um amigo que me levou à Ordem Rosa Cruz, onde me senti muito bem com os ensinamentos da Ordem Juvenil. Dos meus dez aos dezesseis anos, comecei a buscar e conhecer o Mundo Espiritual, lembro-me de certas visões e muitas coisas que eu costumava ouvir e graças a Deus, tendo uma familia com certa formação espiritualista, não recorreram às igrejas ou centros psíquicos para esquizofrênicos. Sempre buscando aprender sobre as coisas novas.

Em dezembro de 1996, conheci um centro de um cliente do meu pai, um comércio de grande destaque nessa década e fui em um centro extremamente fino, onde tive o prazer de conhecer a primeira linha da Umbanda, os ciganos. Um cigano totalmente austero, mas que disse as coisas que eu precisava ouvir, na época, só pensava em coisas de adolescentes, curtir, jogar bola e namorar, claro que também tinha o tempo para meus estudos, mas não eram tão enfáticos. Fui nesse centro do qual eu gostei muito, me chamaram para entrar na corrente, mas como a mensalidade era muito alta, eu acabei desistindo.

Depois disso, comecei a procurar de forma discreta, porque eu assumo, tinha sim, vergonha da religião.

Era uma sexta-feira de 1997, em meados de setembro, quando já conhecia a RosaCruz, o Kardecismo e decidi por intuição, conhecer a Umbanda. As circunstâncias eram favoráveis, meu pai tinha um comércio em Guarulhos onde conheci um rapaz que trabalhava em terreiros, como já havia ouvido falar e sentia algumas vibrações incomuns, decidi conhecer.

Em meus dezessete anos, me dirigi sozinho para um terreiro em festa de Cosme e Damião, lá conheci um marinheiro que depois vim a trabalhar com ele, chamado Nego Gerson, para mim, a idéia de ter um amigo do outro plano, era FORMIDÁVEL! Não me conhecia, e foi me falando várias coisas, o que me causou muito mais interesse por essa maravilhosa religião, ter amigos espirituais, que “sabem de tudo” e ainda por cima, poderiam me ensinar várias coisas, cheguei ao êxtase de qualquer mente curiosa.

Participei desse centro, do qual era muito humilde, porém, maravilhoso, como eu era muito novo lá, tudo pra mim era lindo, deslumbrante, aquela fase de que tudo é novo, tudo é extremamente interessante, aquele ar de mistério me sondava e me causava ainda mais perplexo.

Feliz ou Infelizmente, a minha mente questionadora, após uns nove, dez meses de roupa branca, onde eu já abria alguns trabalhos devido à minha dedicação na casa, começou a causar certos sentimentos em irmãos mais velhos.

Aí começaram a vir entidades para me “assustar”, falar que a abertura dos trabalhos iria começar a prejudicar a minha vida, ia me prejudicar em diversos aspectos, o que começou a me causar medo, angústia e comecei a indagar certas coisas.

Depois de várias análises, eu com apenas 18 anos, comecei a ver que ali não era pra mim, o padrinho da casa não fazia uma boa comunicação com a entidade, começou a ter muito medium caindo no terreiro, começou uma forte invasão de pessoas de outras correntes, o padrinho não tomava atitude então decidi tomar eu a atitude de pedir licença da casa.

Para não estender sobre o assunto, lembro-me que ainda frequentei mais dois terreiros antes de ser chamado pelo terreiro do meu pai, mas confesso que em meados dos meus 24, 25 anos eu já estava bem cético sobre a religião, porque frequentei em toda minha vida uns 5 terreiros no máximo, mas visitar, sim, já perdi a conta. Minha mente inquieta me fazia buscar, buscar e buscar respostas para várias coisas.

Aí trabalhei no centro do meu pai onde após dois anos, fui chamado pra ser pai pequeno, e começar a adquirir maiores responsabilidades com os filhos da casa.

Eu confesso que eu tenho uma linha mais dura de trabalho, sou exigente quanto aos trabalhos espirituais, não tolero boatos, injustiças ou falácia dentro do terreiro, e também odeio circos. Trabalhei nesse centro de 2005 a 2011 onde foi fechado por diversos desinsteresses entre os filhos e incompatibilidade extrema entre a forma de trabalho do meu pai e a minha visão, após quatro meses que eu pedi licença, descobri que o centro foi fechado.

Enfim, não serei hipócrita com vocês, ainda nutro muito amor e carinho pelos meus mentores, mas confiar em terceiros, acho que será muito improvável. Hoje eu tenho uma visão muito mais de pesquisa, de análise do que de fé e amor à religião propriamente dita.

Todo o meu amor e minha dedicação é direcionada aos meus mentores, à religião em si, confesso que tive muito desgosto, esses últimos dois anos, dos quais conheci muitos terreiros, vi sim, alguns terreiros de lei, mas algum para eu realmente participar, será difícil.

Aprendi a não depender de outros mediuns, não quero soar como arrogante, mas eu aprendi que nós somos totalmente capazes de solicitar auxílio aos nossos mentores, uma vez o Chico me disse, não nos utilize como muleta, aprenda que somos também parte de sua força de vontade, um dia você entenderá isso.

Confesso que estou começando a entender, talvez a Umbanda seja uma fase que todos nós um dia tenhamos que passar, para entender que sim, existe alguém do outro lado que nos ame e zela por nós, e até onde há essa necessidade de oferendas e Luz? Até onde realmente existe essa necessidade viciante por trabalho?

Eu sou da seguinte opinião, onde há dúvidas, não existe a presença divina, e sim só tristeza. Eu preferi seguir o meu caminho e se for necessário, que eles me auxiliem a um dia, conduzir os trabalhos segundo eles.

Hoje, acima de um medium, um filho de fé, me tornei um pesquisador, um analista talvez cético de tanta decepção que presenciei, de tanta mistificação e falta de preparo de tantos irmãos de fé.

Não me isento de erros, sou um aprendiz da Luz também, mas não sou hipócrita.

Quero passar para vocês que voltarei a postar, estou mais fundindo com as coisas, toda a tristeza, os obstáculos de minha vida foram destruídos, hoje estou novamente de bem comigo e com o Plano Espiritual, mas confesso a vocês, minha dedicação será somente a mim e aos meus irmãos que assim solicitarem, não procurarei mais terreiros para saborear o fel da dúvida, da frustração, e sim, me dedicarei a eles, os mentores, para que me auxiliem de forma sábia um local onde posso dar continuidade aos meus objetivos com a Luz Maior.

Hoje meu amor não é mais à Umbanda, meu amor é para com aqueles que fazem parte da Egrégora do Amor e da Caridade, para aqueles que ainda recorrem a mim em suas frustrações e dúvidas. Para aqueles mentores que aparecem quando eu vou me deitar, independente da denominação que recebem ou da egregora da qual faz parte.

Hoje não sou mais o neófito cego de fé e otimista, sou o neófito caminheiro da Luz e um questionador nato! Por isso, o meu blog será mais direcionado ao aspecto racional da Umbanda e não toda aquela devoção para com a religião.

O amor com os mentores continua, firme e forte, meu objetivo para trilhar o caminho da prática do amor e da caridade, agora está intacto, estou isento de qualquer miasma ou trevas, mas agora, não me entregarei a qualquer um com o meu coração, porque aprendi que nós mediuns, somos autossuficientes e não precisamos de outro medium, firme ou não para nos inserir dúvidas, porque a resposta está dentro de nós!

Neófito da Luz.