A Umbanda como Bengala

Bengala

Axé queridos irmãos de fé.

Esse será mais um post com caráter observatório que presenciei durante a minha peregrinação dentro da religião.

A dependência demasiada de alguns irmãos de fé, principalmente alguns mediuns dos mentores para tomarem decisões em suas vidas.

Já é evidente e já deixei claro a minha atual desconfiança com a comunicação de muitos mediuns para com o seu mentor, e isso não me isenta, porque às vezes eu mesmo entro em parafuso se estou ou não, “incorporado”.

O grande problema é que a falta de conhecimento de muitos mediuns aliada a uma comunicação inapropriada gera uma consequência terrível, o medium infelizmente vai falar o que quer para aquele consulente que deposita toda sua fé e esperança naquela entidade. Quantas vezes já presenciei você notar que ali não tem entidade nenhuma, e a pessoa depositar toda sua fé, confidenciar seus segredos, pedir conselhos e quem sabe, saber alguma coisinha que está por vir…

Deixa eu dar minha breve e modesta opinião sobre o assunto: Acredito sim que existem certas tendências no seu destino, acredito piamente que você deve ter algo traçado, destinado a fazer, mas a realização vai depender unica e exclusivamente da sua força de vontade. Tem muitos mediuns que para qualquer coisinha que for fazer, sempre tem que consultar a entidade, vira praticament eum dependente químico, não anda com suas próprias pernas.

Quantas vezes presenciei apenas o ano passado, você sentir, porque minha gente, quem é medium sente, que aquela entidade que você está conversando é praticamente o medium mistificando, seja inconsciente ou conscientemente.

Para esses que mistificam de forma inconsciente, precisam de estudo, de doutrina, quem sabe o tempo ensina, a dedicação ensina, muitos mediuns até entendo que estão lá com ótimo coração, dedicados, empenhados em praticar a caridade, mas no primeiro foco da entidade, já soltam o seu corpo e deixa a “comunicação” falha, suscetível a interferências do próprio medium.

E quando você vai fazer a consulta com a entidade, você ouve mais perguntas que respostas? Ou a entidade começa a falar coisas que nem acontece na sua vida, aquela entidade que fica “adivinhando” as coisas?

Ser medium é extremamente difícil, principalmente dentro da Umbanda, nem todo dia você está bem, nem todo dia a comunicação está perfeita, e nesses dias, seu moral é totalmente degradado, porque uma pessoa mais esperta, percebe na hora que ali não tem praticamente nada do que o próprio medium, graças a essas circunstâncias, muita gente não crê no poder da mediunidade e na existência dos mentores.

Mas voltando ao escopo do assunto, me entristece e até me assusta muitas pessoas contando com esses mediuns para decidirem suas vidas, em um momento de desespero, não conseguimos perceber se ali é o medium ou o mentor porque estamos tão tristes e desesperados para resolver nossos problemas que não nos atentamos aos sinais, aí a suposta entidade concede um conselho errado, a vida da pessoa piora e onde fica a culpa? Na Umbanda.

Ou quando ocorre do guia começar a dar conselhos genéricos e superficiais:

Cuidado com seus amigos… Olha, tem gente com inveja de você, para de sair mais de noite porque está previsto acontecer um assalto… Enfim, são tantos que eu precisaria de vários posts…

Outra coisa que eu acho muito engraçado, é o guia se engrandecendo pelos seus feitos, relembrando as pessoas quando falou isso ou aquilo e aconteceu, para isso eu dou uma simples denominação: Vaidade do Medium!

Já vi pessoas saírem chorando de uma consulta onde era perceptível que não havia NADA ali, só um medium se fazendo de baiano e já de fogo, cambaleando, é lamentável… Para os fracos, ocorre o placebo mental, ouve da entidade que nem é entidade que não vai dar certo, você já energiza toda aquela negatividade  e frustração então a tendência de dar errado é muito maior!

Enfim, o objetivo do post é confiar primeiramente em vocês e na intuição, eu percebi que muitos que leem esse blog não são mediuns, tem muitos simpatizantes e trouxeram-me casos bem parecidos, sobre coisas que as entidades falam, como são genéricas as informações, enfim…

Uma das piores é o mentor olhar pra sua cara e perguntar se você é medium, e não aconteceu comigo apenas uma vez não, aí eu me pergunto, ou eu realmente mistifiquei todos esses anos ou misticando está o medium que está me atendendo…

Uma vez falei com um mentor que possuía um hábito chamado rinotilexomania, ou seja, o vulgo tirar “catota do nariz”. Gente… Pelo amor de Deus né?

Então, como eu disse no ultimo post, estou muito mais focado em depender de mim do que depender de uma consulta, uma irmã veio me trazer um caso que se ela não fizesse um trabalho em até 21 dias, certos espíritos iriam tirar a vida dela, e que a entidade disse isso, duas entidades do mesmo medium. Eu não sou um exímio conhecedor da Espiritualidade, agora uma entidade ter o poder de tirar uma vida em troca de uma mera entrega, vulgo despacho?

Eu ando recebendo muito mais e-mails de assistentes e consulentes do que mediuns, e quando eu acho que já vi de tudo, surge algo para me surpreender.

Senhores, somente uma coisa pra nos livrar de todos esses males: Estudo! É o medium se empenhar em estudar, limpar seu corpo e espírito para que a comunicação possa sair de forma adequada, é o que eu digo, existem iogues e monges que meditam horas e horas por dia e não consegue um transe inconsciente, quem dirá e nós Umbandistas que vivenciamos isso semanalmente, alguns quinzenalmente e assim por diante? A mediunidade consciente é muito COMUM atualmente, é a mais COMUM, então temos obrigação de honrar nosso compromisso de medium para com a espiritualidade e para com nossos mentores afim de levar adiante a bandeira da prática do amor e da caridade, ultimamente a Umbanda vem servindo para levar a bandeira da dúvida e indignação e isso tem que mudar.

E acima de tudo, confiar em nossos próprios intintos, intuição e nossa comunicação, afim de não sofrer frustrações e desilusões com o que nos foi contado.

Confesso que não tive muito tempo de revisar, depois eu vou dar uma relida e corrigir alguns erros de concordância, mas como prometi que ia postar rápido, segue aí o blog que eu havia conversando com alguns irmãos através do e-mail.

Desculpem se esse ano estou mais ácido, menos polido, é que minha indignação está atingindo o ápice! Rs

Neófito da Luz.

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Umbanda no Fim dos Tempos?

Saudações Fraternais queridos irmãos.

Recebi alguns e-mails perguntando o porque do meu sumiço repentino. Posso enumerar diversos fatores que contribuíram para isso mas para aqueles que aspiram a Luz Maior, não é desculpa. Quem quer arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. Logo, nada justifica o meu sumiço repentino. Me desculpem.

Precisei sim, me afastar, rever alguns conceitos, estudar um pouco mais a Doutrina, visitar mais casas, e sim, confesso que a minha decepção pelos adeptos da religião fica cada dia mais evidente. Cada dia que passa, quero menos depender de mediuns e sim, depender unica e exclusivamente de mim e dos meus mentores.

Existe um termo muito comentado dizendo “Não sou dono da verdade”, o que eu discordo, eu sou DONO sim da MINHA verdade e da minha concepção de vida, eu sou DONO da verdade que me faz bem, da verdade que me causa alegria, felicidade que me engrandece, sim, eu sou DONO de uma das VERDADES, a que me faz feliz e se adequa ao meu modo de vida.

Visitando algumas casas, pude verificar o indizível desleixo de muitos sacerdotes, inclusive a sujeira do lugar, seja física ou espiritual, mediuns sem doutrina que ficam degladiando-se em toda a corrente, machucando outros mediuns, derrubando atabaques. Infelizmente é incrível quando a religião realmente se adequa à massa, fica submersa a uma ignomínia infinita.

Sim, estou decepcionado com toda a vaidade que presencio dentro dos centros que visitei, um “mentor” querendo aparecer mais do que o outro, um medium recebendo quatro, cinco caboclos em um mesmo trabalho, um baiano que só toma bebida refinada, outra entidade dizendo que só fuma cubano.

Sim, estou indignado com a hipocrisia, com o ego, com a vaidade presente e preponderante nos terreiros, tenho saudades dos preto-velhos que se nao tinha o seu fumo para acender o cachimbo, usavam de qualquer outro artifício para causar o “fumacê”, saudade dos caboclos que não exigiam Heineken ou Serra Malte, e sim, um suco para que pudessem completar sua mandinga, saudades dos exús, que não precisavam ostentar suas capas de cetim aveludado, que podiam fazer qualquer trabalho com Marafo e não “Red Label”. Saudades dos exús que trabalhavam de forma eficiente com um cigarro “Derby” e não charuto cubano importado aromático.

É minha gente… É o antropomorfismo hediondo e ignorante prevalecendo nos terreiros, é a falta de doutrina, de estudo e o oportunismo exacerbado de muitos sacerdores e até mesmo mediuns que se aproveitam da ignorância dos que ali, desesperadamente adentram a procura de socorro.

Ultimamente o que eu ando reparando de guias “chiques”, que só tomam coisas de primeira, que exigem a sua roupa para trabalhar, que a roupa tem que ser de tecido fino, desculpem-me, se for pra depender de guias que ainda infla mais o meu ego, que não me ensina o valor da simplicidade e sim do status, ignoro e aprendo pelos meus próprios passos.

Simplicidade e Humildade não são questionáveis, qualquer imbecil sabe o que é e se essa guerra de vaidades dentro do terreiro é correta, sim, prefiro uma boa literatura a seguir exemplos tão vis.

Isso porque nem vou querer entrar no detalhe daquele show gastronomico, vamos encher a barriga do Orixá para ter o meu pedido realizado… Não consigo limitar a linha entre o fanatismo e a ignorancia, infelizmente!

O maior dos problemas da Umbanda, indubitavelmente é a MISTIFICAÇÃO, seja consciente ou inconsciente.

Sei que serei criticado duramente com esse post, mas não me importo, não vivo disso, e tenho plena consciência do amor pelos meus mentores e pela seriedade que sempre levei a religião, ao contrário de muitos, não procurei desde cedo por cobrança, e sim por curiosidade e amor, a bandeira da prática da caridade, o altruísmo incondicional e o amor recíproco entre terrícolas e habitantes de outro plano.

O que infelizmente presencio hoje é um arsenal de mediuns despreparados,  com a comunicação, ou como queiram dizer, incoporação, em um estado deficiente, dando consultas, utilizando elementos de baixa vibração para trabalhar com magia, presencio “mentores” dando consulta e dizendo coisas infundáveis, desagradáveis, mentores que possuem os mesmos erros do seu próprio medium. Um guia de luz denunciando quem é que enviou a demanda, delatando familiares… Que guia de luz é esse que ao invés de solucionar o problema prefere disseminar a discórdia, a vingança e o ódio delatando quem foi o emissor da demanda? Será que eu que sou tão ignorante a ponto de discordar disso ou tem alguma coisa errada?

Me pergunto exaustivamente, onde iremos parar? Muitos vão dizer: A Espiritualidade sabe o que faz e nós em nossa limitada ignorância não devemos questionar. Sim, é a mesma desculpa que outros fanáticos de outras doutrinas utilizam para o que não podem explicar ou que suas mentes trevosas não podem conceber.

Eu realmente fico triste de como a religião mudou em 15 anos, tenho inveja daqueles que a conheceram ainda antes que eu e puderam sim, presenciar essa maravilhosa doutrina em toda sua essência, sinto imensurável tristeza e me questiono de forma exacerbada:  Onde Vamos Parar???

É medium falando: Eu tenho um pé de Dança maravilhoso, o meu guia dança que é uma beleza, sem falar em mediuns que utilizam suas pombagiras de forma demasiadamente vulgar porque não possuem a coragem de se assumirem e aceitar quem são.

Cada vez que mais adeptos adentram à religião, menos preparados estão os sacerdotes e mais banalizada fica a religião.

Importante salientar que não estou dizendo que existem casas sérias, em nome de Deus, rogo que existam, existem casas que o axé ainda é forte, que existe estudo, existe preparo, existe direção, mas são poucas, quase raras. Visitei dezenas de terreiros esse ano que passou, e posso falar com propriedade, de uns 50 visitados, 2 em minha concepção eu digo, vale a pena explorar a corrente. Obvio que desses dois, capaz de entrar e começar a fazer parte da corrente, muito “podre” será exposto, como um deles mesmo, o sacerdote dormia com os ogans.

Saudades daquela Umbanda simples, de mediuns dedicados, daquele guia que falava e você poderia SEGUIR COM FÉ que dava certo, saudades daquelas mandigas de onde o consulente voltava pra agradecer, saudades daquela simplicidade e eficiência que havia na Umbanda.

Sinceramente, eu em minha limitada existência desconheço os desígnios da Espiritualidade, mas sou de uma filosofia deísta, Deus existe, mas outras forças atuam em nosso plano, e acho pura hipocrisia deixar essa responsabilidade para a espiritualidade, não acredito em um Deus interferente, porque senão o que seria do Livre Arbítrio?

Penso eu que a Espiritualidade está assistindo com Tristeza o futuro de tal maravilhosa religião, sem poder interferir de forma eficaz, porque o Livre Arbítrio é Sagrado, então cada um colherá o que plantou, mas até aí, o que será da Imagem da Religião?

Profundamente chateado com tudo o que eu vi, presenciei, tenho certeza que para muitos o que falei é normal, é aceitável, mas para mim que questiono e reflito sobre tudo, se for procurar bem mesmo e com calma, vão perceber que está tudo errado!

Saudações

Neófito da Luz