Elemental Fogo

In Lak’ech = Um cumprimento Maia que significa “Eu sou outro você”.

Exaustivamente ouvimos que a Umbanda é uma religião que cultua a natureza bem como suas vibrações. Em muitas escolas, aprendemos que a Umbanda cultua o desdobramento ou qualidades ou até mesmo vibrações do Criador. Que os orixás nada mais são que forças da natureza presentes em nosso orbe. Baseado em tais afirmações, achei interessante começar a escrever sobre os elementais, começando pelo elementar FOGO, muito utilizado na liturgia umbandista, seja no ato de queimar a pólvora, comumente chamada de fundanga ou até mesmo tuia, seja na defumação, o ato de queimar as ervas e purificar o ambiente, seja no próprio fumo, onde as entidades queimam os condesadores de energia para realizar os seus trabalhos magísticos e também nas velas, no ato de acender a vela estamos automaticamente evocando a energia do elementar Fogo.

O Fogo desde os primórdios de nossa cultura é considerado um elementar de extrema importância, principalmente em rituais iniciáticos. O Fogo é a evocação da Energia Ígnea.

A Palavra Ígnea vem do Latim Ignis, que é originário do sânscrito Agni, o Deus do Fogo. No Panteão Hindú é um Deus Imortal, porque a chama não morre, a todo momento ela é reacesa e também é um Deus Jovem, porque o Fogo se Renova. No Zoroastrimo é também chamado de Atar.

Na mitologia Romana, o Deus do Fogo é Vulcano, e na Grega é Hefesto. Todas as grandes mitologias atribuíam o Fogo a Uma Energia Divina. No esoterismo, diz-se que os espíritos elementais dos fogos são as salamandras. Pouco se sabe sobre as salamandras, apenas que são espíritos gigantescos usando armadura de fogo, alguns dizem que possuem formato de dragão e outros dizem que são humanóides cobertos de fogo. Diz-se que o home,m não tem o conhecimento e nem pode lidar diretamente com as salamandras, pois como atuam no mundo ígneo, é capaz de transformar o homem em cinzas em questão de instantes. Apenas especulações, mas é importante sabermos um pouco de tudo… Conhecimento nunca é demais.

Nos rituais Afro-Brasileiros há uma controversia, para alguns o Deus do Fogo é Xangô, para outros, Ogum. Dentro do que eu estudei e que me foi ensinado, é Xangô.

Na Alquimia é o Elemento Preponderante para qualquer reação química, o Fogo é o Agente Transmutador, é o que altera e modifica partículas. É o elemento de combustão, de ignição, que gera calor e luz.

Peguei apenas um trecho de um site que eu gosto muito, o howstuffworks:

O que é fogo?

Os antigos gregos consideravam o fogo um dos elementos fundamentais do universo, junto com a água, a terra e o ar. Esse conjunto faz sentido intuitivamente: você pode sentir o fogo assim como pode sentir os outros três elementos. Você pode também vê-lo, cheirá-lo e movê-lo de um lugar para o outro.

Mas o fogo é algo completamente diferente. Terra, água e ar são formas de matéria (eles são feitos de milhões de átomos agrupados). O fogo não é matéria, mas sim um efeito secundário visível e tangível da matéria emmodificação (é parte de uma reação química).

Normalmente o fogo surge de uma reação química entre o oxigênio na atmosfera e algum tipo de combustível (madeira ou gasolina, por exemplo). Obviamente, a madeira e a gasolina não pegam fogo espontaneamente só porque estão cercados de oxigênio. Para que a reação de combustão ocorra, você precisa aquecer o combustível até sua temperatura de ignição.

Percebemos que em todas as filosofias o Fogo é Extremamente Importante, principalmente nas liturgias religiosas.

Posso dissertar várias páginas sobre o elemento Fogo, mas fugiria do escopo e as pessoas tendem a fugir de posts muito longos, então vou dividí-lo em partes. Por agora, preciso ser mais objetivo no assunto e posteriormente entrarei em maiores detalhes.

Conforme já mencionado anteriormente, o Fogo é um elemento de extrema importância para o ritual umbandista, aliás, em todas as religiões, sejam pagãs, neopagãs, o fogo tem importância primordial para qualquer ritual.

Na Umbanda, não foge o caso, o fogo está presente em todos os sacramentos, mas qual o valor espiritual e metafísico que o fogo representa?

Como já mencionado, fogo é o elemento da combustão, ignição, ele gera calor e luz, o fogo queima, transmuta, transforma, então vamos exemplificá-lo dentro de nossos rituais.

A queima da pólvora,  que é um elemento de aceleração de partículas, é capaz de romper a camada material infiltrando na camada espiritual e realizando a limpeza, em outras palavras, é uma função extremamente poderosa de limpeza no campo físico e extrafísico. A junção do Fogo que é o elementar que transcende os sentidos físicos com a pólvora, que é um acelerador de partículas, é um excelente meio para queima de miasmas e outras cargas deletérias, geralmente é utilizada por mentores que atuam no feixe negativo do Cosmico, muito comumente utilizada para o trabalhos dos guardiões, onde o trabalho é feito de uma forma mais intensa atuando no choque de forças.

No caso da defumação, o princípio é parecido, o elemento fogo transcende o portal da matéria e junto com as ervas, que são elementos do reino vegetal que também são ótimos condensadores e catalisadores de energia, atua na limpeza, firmeza, potencialização  e proteção dos templos. Cada erva possui a sua qualidade vibratória e está inerente às vibrações dos Orixás. As Ervas também são agentes mágicos e já é comprovado cientificamente pela aromaterapia e feng-shui todas suas qualidades e benefícios, seja pela queima, pelo banho ou pela ingestão das mesmas. É sabido que cada erva é utilizada para um determinado fim e a união do poder das ervas com a combustão da mesma, torna um agente extremamente eficaz para diversas funções. Sem contar com o elemento ar, o principal veículo de condução de energia que será comentado em posts posteriores.

A queima do fumo segue praticamente o mesmo princípio, mesmo porque a entidade não traga o fumo, ela só defuma o ambiente e o consulente se necessário, importante salientar que o recepiente de onde está armezado o fumo também é essencial, no caso, o Chico Preto exige o cachimbo de barro, que sabemos que é uma mistura heterogênea de terra e água, outros dois elementais que serão discutidos em posts posteriores no blog. Alguns também exige o cachimbo de madeira, nào a trabalhada, mas a madeira rústica, que é um elemento do reino vegetal também e ajuda no trabalho magístico das entidades.

Temos a vela, que é feita de cera animal ou pode ser feita também de parafina, que é um composto do petróleo, ótimo condutor e de baixa combustão, dentro da vela temos o pavio, que conduz muito bem o calor sendo suprimido pela evaporação da cera da vela. A vela possui inúmeros significados que eu preparei um post somente para isso, vou focar apenas no caso da Umbanda nesse post, que é um sinal de elevação, devoção e comunhão com o guia ou o orixá que estamos demandando nossa vibração. A Chama da Vela simboliza a Luz, o Elo de ligação entre a Luz que nos Anima que a Luz dos Guias e Orixás, que provém da mesma Fonte de Energia: Deus.

Importante salientar que nem os guias e Orixás dependem da vela para possuírem luz, muito se ouve falar que acendemos velas para dar mais luz aos guias, o que seria muito fácil, seria só eu acender vela todo dia pra mim que com 40 anos me tornaria um Deus. A Vela é apenas o elo de ligação, entre a Nossa Fonte de Energia e a dos nossos mentores, é uma forma de simbolizar a Luz que nos une e de certa forma de entrar em sintonia com aquela vibração para que possamos agradecer ou solicitar. Através da vela, podemos transmutar nossos pedidos de acordo com a vibração do Orixá que está recebendo-a. É uma forma de fundirmos com a energia daquele que estamos acendendo vela.

Por isso, em minha opinião, a cor da vela é mais um adorno, um ponto de referência de nosso veículo mental para uma determinada vibração do que a utilizada propriamente dita. A Chama não tem cor e a parafina é um colorante, o que no ponto de vista espiritual, não significa muita coisa.

A cor é uma referência apenas para que possa ajudar em nossa firmeza com a cor vibratória daquele orixá, por exemplo, como a cor vibratória de Oxóssi é o verde, acendemos a vela verde afim de entrarmos em sintonia com essa vibração, mas a eficácia do trabalho é muito mais a mente, ao poder ali direcionado juntamente com a fé, onde a cor não tem nenhuma importância.

Posteriormente elucidarei mais sobre o assunto e tentarei esmiuçar um pouco mais esse tópico.

Essa semana estive muito ocupado com o trabalho e só consegui me dedicar ao mundo extrafísico, ontem e hoje.

In Lak’ech

Neófito da Luz.

Anúncios

Meu Contato

Srs,

Como muitos irmãos enviam suas dúvidas através de comentários e os mesmos solicitam que eu não aprove o comentário, interessante me enviar um e-mail direto para que eu possa tentar ajudar com as dúvidasq

Lembrem-se, até jogo cartas ou runas, mas não realizo ainda esse tipo de consulta e nem trago o amor de volta [risos].

Meu e-mail é neofitodaluz@gmail.com

Trabalho Assistencial dos Guardiães

Aranauam irmãos.

Estava conversando com uma irmão essa semana e ele me relembrou de um fato curioso que só corrobora com a afirmação que exú não é só os seres da encruzilhada ou que atuam nas trevas, Exú é muito mais que isso. Segue abaixo um trecho do ocorrido:

No meio do ano de 2006, estávamos tendo uma gira normal e um guardião chamado Tranca-Rua das Almas, um querido guardião de nossa casa, havia nos comunicado que na próxima gira, que excepcionalmente seria de exú também, ele não poderia comparecer porque haveria um desencarne em massa no plano Terrestre e ele teria que prestar auxílio aos irmãos recém-desencarnados. Obviamente ficamos atônitos, ele era um guardião sempre presente na casa, ele só não vinha, quando seu medium tinha que trabalhar com o Sr. Marabô para algum trabalho de cura ou com o Sr. Meia-Noite para alguma quebra de demanda,  mas no próximo trabalho, como não tinha nada agendado, indubitavelmente seria ele.  Ainda mais perplexos no pensamento de tantos espíritos no outro plano, logo foi solicitada a assistência de um Exú, dito apenas um espírito que atua nas trevas e nada mais que isso.

Ele foi questionado pelos filhos da casa e ele tornou a repetir: Ainda não tenho permissão para dizer, mas fui convocado para prestar auxílio imediato no outro lado do Globo, aos desencarnados e aos feridos.

Eu lembro facilmente que era na gira de sábado que ocorreu esse comunicado.  Consultando nosso querido amigo Google, procurei a data do tsunami com exatidão, e foi no dia 16/17 de julho de 2006, onde nessa data, numa sexta-feira, ocorreu um tsunami enorme provocando feridos e mortos na Tailandia e Indonésia.

Podemos concluir facilmente que os exús não são apenas agentes ou policiais do Astral, responsáveis por quebrar demandas e fazer e desfazer trabalhos de magia negra. Já tivemos exemplos aqui no blog do Sr. Marabô que atua exclusivamente com cura, também tem o centro de uma irmã que o Sr. Veludo é um exú que também atua nessa linha. Mas além desses fatores, ficou esclarecido que exú é apenas um agente que atua no campo negativo, também atua nas trevas irrefutavelmente, mas não é uma entidade que atua unica e exclusivamente nas Trevas.

A grande certeza que tivemos, é que indubitavelmente não foi um processo anímico do medium, mesmo porque, para quem se lembra, esse tsunami chegou praticamente de surpresa, sem nenhuma previsão de acontecimentos, então foi uma maravilhosa prova que os Guardiães são muito mais que feiticeiros.

A nomenclatura “Das Almas” denota também a possibilidade da entidade trabalhar sob os auspícios de Obaluaie e Omulu, o que contribui enfaticamente para que essa entidade atue nos portais de grande transição de espíritos. Seja cemitério, seja o umbral ou a câmara de passagem para o reino dos mortos.

Fica ainda mais claro da importância de toda a Egrégora Espiritual existente na Umbanda, no outro lado, todos trabalham em conjunto com um Propósito Comum: A Disseminação do Grande Amor Cósmico. Todos correndo para a Senda do Conhecimento e da Caridade.

Esse post foi apenas com o intuito de afirmar veementemente que Exú é muito mais do que vemos em muitos livros, e ainda ouso dizer, que muitos ainda são Exús por opção. Fatalmente uma entidade que é convocada para realizar um trabalho dessa magnitude, podemos concluir que não é qualquer iniciando e sim um espírito de Grande Conhecimento que também presta seus serviços para outras finalidades.

Por isso, é imprescindível pararmos de banalizar os trabalhos dos Exús, é algo que sempre falo, Exú é uma linha que é extremamente SUBUTILIZADA.  Evocado apenas para desmanchar coisas ruins, por muitos mediuns, são tratados como guardinhas e faxineiros, que ou protegem a casa,  ou realizam apenas a limpeza, e isso vem sendo provado e comprovado que não é uma verdade.

Vejam seus guardiães, seus exús ou quaisquer outras denominações que utilizem, como um irmão, um amigo, um grande companheiro de jornada, que assim como nós, quer caminhar para a Senda da Evolução, eles possuem muito mais experiência que nós, mas também dependem de nós para que possam galgar os degraus da evolução, justamente por isso, irmãos, vamos evocá-los também para trabalhos dignos condizentes com a “especialidade” de cada um deles, seja para cura, para doutrina, para proteção, para limpeza, para consulta, isso é algo que cada um de vocês devem ter plena ciência.

Saravá Sr. Tranca-Rua das Almas, obrigado por mais uma lição, se assim podemos dizer, obrigado por fazer parte de um trabalho tão importante como o auxílio às vítimas do Tsunami e obrigado por mostrar gradativamente, o verdadeiro poder e objetivo da Egrégora Exú.

Exú é Mojibá.

Saravá Povo da Esquerda.

Saravá Guardiães da Umbanda.

Saravá Irmãos Queridos.

Namastê.

Neófito da Luz.

Palavras sobre Mediunidade por Pinga-Fogo.

Aranauam.

Estava procurando informações a respeito desse guardião do qual desconheço quase que completamente. Foi solicitado a mim realizar um trabalho com o Guardião Caveira e juntamente com essa solicitação, apareceu mais essa entidade.
Me deparei com um texto muito interessante e decidi postá-lo aqui, um texto do qual concordo veementemente e alguns posts antigos comprovam essa idéia.
Segue:

A Influência do Veículo Mediúnico – por Exu Pinga-Fogo

Após preparar seu caldeirão com fogo, no qual “lavou” seus pés e mãos, Seu Pinga-Fogo iniciou a palestra, proferida logo após a jira de caboclos.  Desejou-nos uma boa noite e suas primeiras palavras nos ofereceram o tema a ser desenvolvido:
A influência do veículo mediúnico na vida e nas atitudes de seus consultados

Jira de Caboclos – Homenagem a Ogum – 15 de Abril, 2002.

Se vocês desenvolvem a parte espiritual, se querem aprender a encaixar, a receber a sintonia—seja dos caboclos, pretos-velhos, ou qualquer das falanges trabalhadoras da Lei da Pemba—devem também aprender que efeito isso traz se o médium não está preparado.

Não basta só a fé e a boa-intenção, mas a consciência também é necessária.  Consciência de que a verdadeira sintonia com o plano astral, no sentido de atendimento em prol da caridade, tem que ser baseada na disciplina, disciplina, disciplina—setenta e sete vezes.  É na disciplina onde nós encontramos a responsabilidade e a consciência.

É muito bonito o fenômeno espiritual—a paz que os mentores nos trazem, o carinho, a amizade, a dedicação, as curas—mas a disciplina e essa consciência têm que ser exercitadas sempre, sempre.  O Rabi da Galiléia disse “orai, mas vigiai”—essa vigília deve existir sempre.

Quando uma pessoa está para ser atendida por um espírito, ela está depositando toda a fé dela na solução do problema que ela traz ali, naquele momento.  No momento quando vou atender uma pessoa, ela vai jogar para a mim toda a responsabilidade do problema e o que eu falar, ela vai fazer.  Agora: o espírito é a água e o médium, a jarra.  Se a jarra está suja, a água vai sair suja.  Temos que ter essa consciência porque ela vai agir na sua coroa, tanto na mediunidade consciente quanto inconsciente.  Mesmo se o médium é inconsciente, a responsabilidade também é dele.  “Ah, mas eu não me lembro…”.  Você não lembra, mas você está atuando, na sua parte espiritual.  Não existe o fenômeno sem a passividade mediúnica.  Seja o fenômeno de vidência, de audiência, de clarividência, de psicofonia, de sensibilidade, qualquer que seja, ele necessita da passividade mediúnica para acontecer.  Vamos estar conscientes disso: da responsabilidade.  Façamos como Francisco de Assis, sejamos humildes e primeiro peçamos ao Pai: “Senhor, fazei de mim um instrumento de tua paz”.  Com o coração envolvido de amor e olhando no próximo uma pessoa que precisa de evolução, nós podemos, então, chamar as nossas entidades e atender.  Mas devemos ter o cuidado, junto aos nosso guias, de sempre motivar a pessoa para o progresso e para a evolução.  O espírito nunca define a situação para ninguém—isso seria uma transgressão do livre-arbítrio de cada um.  O médium deve ter cuidado, porque as pessoas perguntam e perguntam muito.  Elas querem saber de tudo, elas querem a resposta “certa”.  Elas querem tirar delas mesmas a responsabilidade dos seus próprios atos—inconscientemente, mas é isso que acontece: “eu posso fazer, mas o espírito não me falou pra fazer…”  Em todo o setor, o livre-arbítrio é uma lei, seja nos sentimentos, seja nos problemas materiais.  Lembrem sempre, meus filhos, da vigilância e da disciplina, sempre.

Vamos nos livrar da vaidade, a vaidade que leva o médium ao ponto de pensar que sem ele, não haveria o fenômeno; que se não fosse ele, que por causa dele, que… a, sim, você começa a se distanciar dos verdadeiros princípios do amor.  A humildade é a base.  A minha capa é amarela, bonita; a luz do sol, brilha; e nem tanto deixa de valer mais que o ouro que está guardado no cofre e ninguém vê [1]. Fazer a caridade necessita força e fé.  Não é a qualidade de fenômeno mas, sim, o que você está jogando para a pessoa.  Vocês estão se preparando para a vida do Santo, junto com essa vida de atendimento.  Não é pôr o pé no fogo que vai determinar se o espírito está ali ou não, é o que ele vai falar, o que ele vai fazer.  Não é o número de mandingas que você vai passar para a pessoa fazer de segunda a sexta-feira, mas é o que você vai tocar no coração dela com sua palavras.

A principal coisa que o médium tem que aprender é amar, amar.  Amai-vos uns aos outros, como o Rabi vos amou.  Sempre use a força de Exu, a força determinante que há de proteger vocês das emboscadas, pois o mal existe e está por aí: o mal feito, a bruxaria, o vudu.  Peça a Exu a proteção, sempre, o dono dos caminhos.

Vocês vão ser muito felizes, fazendo o bem sabendo que estão realmente fazendo o bem.  Cuidado para não se iludirem: fujam do fanatismo e fujam também do comodismo.  Nós não devemos ser fanáticos, mas também não devemos ser comodistas.  A nossa reforma moral foi pra ontem.  Não julguem.  Cada um tem o seu momento, cada um tem o seu ponto, mas vamos fazer o melhor de nós.  Vamos nos preocupar mais conosco do que com os outros, e, se a pessoa erra, vamos dar apoio a ela através do nosso exemplo e do nosso perdão.  Vamos seguir o caminho da vida e vamos viver felizes, em paz e alegres.  A fé independe da quantidade de orações, da quantidade de jiras que você faz por semana, da quantidade de banhos de descarrego que você toma, mas da qualidade de seus pensamentos ao encarar a vida, ao encarar você mesmo, ao encarar o sol que se põe e a noite que entra, e as pessoas que vivem ao seu redor, porque elas são as fontes da sua evolução.  É através das pessoas que estão ao nosso redor que nos é dada a oportunidade de desenvolver a nossa paciência, nossa compreensão, nossa humildade, nosso perdão.  Porque se não for por elas, vão ter que trocar as pessoas, porque vai ter que ser por alguém.  Mas por trás desse alguém tem um passado, ou seja, um presente, porque nós somos tudo aquilo que nós fomos, e o que nós vamos ser vai depender de nossas atitudes, do que nós construimos a cada dia, na nossa fé.

Usem essa jira, filhos, esse contato com a espiritualidade superior, esse contato em que cada caboclo vem abraçar seu filho e vocês percebem, na matéria, como a força grande.  É o contato que vem mostrar a cada um que a vida existe, ela compensa.  Nós não temos tempo a perder com tristeza, com desânimos, com indagações que não vão nos levar a lugar nenhum.  Vamos construir, sempre, vamos nos ajudar.  Vamos amar ao próximo e ajudar as pessoas que estão em nossa volta, da melhor maneira possível.  Aproveitem esse momento de axé.  Aproveitem esse momento de cada mês quando vocês vêm se abrir para o plano espiritual e deixem que as melhores qualidades de seus corações se desabrochem.  Permitam que essa mesma vibração, esse bem-estar que todos sentem neste trabalho possa transcorrer no dia-a-dia de vocês, como uma rotina.  Você acorda e escova os dentes; pois você vai aprender a acordar e pensar em felicidade.  Lembre da linha que eu disse do fanatismo: não é você falar só sobre espiritismo, não é você comentar só sobre esse assunto; não é só esse assunto que é positivo, tudo que é positivo é positivo.  Nós devemos viver, vamos viver a vida, respeitando e amando, sempre.  E aí, filhos, o fenômeno mediúnico se encaixa numa perfeita sintonia com as mais bem-intencionadas almas no propósito de colaborar na mediunidade de vocês ao auxílio do próximo; aí, sim.

Que Ogum, com sua força, com suas armas, possa defender o caminho e o propósito de cada um.  Que a força desses lanceiros possa iluminar esse trabalho.
[1] Com o intuito de facilitar a compreensão dessa frase (de alto valor metafórico e, consequentemente, de significado subjetivo e potencialmente obscuro) o editor toma a liberdade de apresentar sua interpretação pessoal, a qual deve ser analisada criticamente pelo leitor.  No contexto da importância da humildade no serviço mediúnico, o ouro representa o médium vaidoso (com um valor potencial, somente; de certa forma artificial, aparente, ilusório), que não é útil para o serviço ao bem do próximo (está no “cofre”, inacessível ao uso pelo Plano Maior).  Já o médium humilde (como a luz do sol), embora seja pouco valorizado pela maioria dos homens, está constantemente a serviço do Bem.  Como a luz do sol, esse médium trabalha sem cessar e sem buscar recompensa, beneficiando a todos, indiscriminadamente; como a capa de Seu Pinga-Fogo, ele é simples mas, em sua simplicidade, traz em si a beleza natural de tudo que serve de instrumento ao trabalho do Plano Maior.

Extraído do site: http://www.umbandausa.com/index.php?option=com_content&view=article&id=131:influencia-do-veiculo-mediunico-exu-pinga-fogo&catid=70:exu-&Itemid=29

Linha dos Preto-Velhos – Quenguelê.

Prezados irmãos, como alguns já sabem, ainda estou em busca de um lugar para trabalhar até estabelecer o meu próprio, de acordo com a Vontade deles.

Nesse interim, estou acendendo velas, firmando a minha cabeça, estudando e solicitando orientações e confirmações. Essa noite me deparei com a lembrança de uma entidade que se apresenta na linha de preto-velho, chamado Quenguelê, mas ele tem uma grande particularidade, ele vem ereto, anda normalmente e aparece com um estigma no rosto, como uma queimadura de ferro quente. Aparente ser um negro de alta estatura e forte.

Era algo que eu nunca havia me preocupado, como era pai pequeno da casa, tinha uma liberdade razoável de trabalho e não me preocupava em cair em esteriótipos, mas decidi refletir sobre o fato desse espírito, que diz que ficou em Quilombo e ajudou a liderar uma revolução, ainda há o fato de se crermos em esteriótipo, ele poderia vir como baiano.

Como já disse, seu nome é Quenguelê, fuma um cachimbo grande de barro, usa um pano na cabeça, outro fato que achei curioso dentro da linha de preto-velho, porque até então, só havia presenciado chapeus no Ori dos preto-velhos e não um pano na cabeça.

Obviamente recorri a uma matéria que sempre me dei bem na escola, a história, fiz uma pesquisa razoável sobre a escravatura e inclusive, seus hábitos e roupas. Para meu sossego, existiam escravos que usava essa bandana, tanto no quilimbo quanto na fazenda ho homem branco, geralmente eram os mais jovens, que também eram “chegados” dos brancos, faziam trabalhos de maior proximidade, eram negros de maior confiança entre os brancos e dentro dos quilombos, também ocorria a hierarquia, onde alguns escravos usavam o pano branco, para identificar a casta guerreira ou religiosa. A forma que ele amarra esse pano também é interessante, o pano é grande e a ponta fica abaixo dos ombros, como se fosse um cigano.

Agora sobre a forma que ele se apresenta, de forma ereta, andando como um soldado aparentendo uns 42 anos, procurei em muitos documentos sobre a escravatura e algumas coisas me geraram ainda mais dúvidas. A expectativa de vida de um escravo era de no máximo, estourando, 45 anos, como em nossa Umbanda apresentam-se escravos de 65, 70 e até 80 anos? Dentro de um contexto, então seria mais comum um preto-velho vir ereto a um preto-velho vir encurvado, andando como se fosse um ancião. De certa forma, fico agradecido, porque eu não “viajei” na incorporação do mesmo. [risos].

Tive muito poucas informações sobre ele e com ele, apenas que era um quilombola, fazia parte do corpo revolucionário junto com outros grandes nomes da revolução da escravatura e que dentro do seu culto religioso, havia traços deixados pela colônia portuguesa mesclado com o culto afro, o vodu e outras práticas africanas.

Existiam os quilombos, onde eles poderiam viver conforme sua cultura, religião e respeitavam até as hierarquias de sociedade. Seus habitantes eram chamados de quilombolas. Temos o quilombo de Palmares onde segundo textos, eram formados de quase 50.000 negros onde a expectativa de vida subia significaticamente, existindo anciões que viviam até os seus 80 anos. OS quilombos eram agrupamentos de terra que ficavam dentro de matas fechadas, integrando até parte de índios junto aos quilombos, onde houve uma comunhão de pensamentos e culturas, onde os negros também aprenderam a manipular as ervas brasileiras e assim, agregando o conhecimento dentro da magia natural. Os quilombos existiam em todos os lugares do Brasil, agrupando grande quantidade de negros e índios.

Como é uma linha que representa a humildade e servidão, que representa a sabedoria, nada surpreendente a grande maioria dos espíritos dessa falange se esterioriparem como negros anciões, trazendo consigo o conhecimento e a sabedoria que se perderam no tempo.