Os diferentes tipos de liturgia umbandista – Parte I – Exu

Aranauam saudosos irmãos.

Está aí a maior razão entre conflitos de diversas casas, a razão que os sacerdotes em sua grande maioria, ignoram ou menosprezam outros sacerdotes de outras casas.

O simples fato da grande diferença litúrgica entre os terreiros. Como de costume, darei sim minhas opiniões, mas também, farei o papel de advogado do inimigo, tentando imprimir algumas coisas a favor, darei ao leitor o benefício da reflexão. Pois como eu venho dizendo sempre, a liturgia dentro do terreiro variará de como os mentores do próprio sacerdote aprenderam e entendem a Umbanda.

Como o texto é muito grande, ele será dividido em partes, cada tópico, um post.

Existem alguns pontos que geram demasiada discordância entre os terreiros e até em mim, alguns:

  1.  –  O Mistério, A Vibração, O Orixá Exú;
  2. –  Oferendas, se é necessário e quais os elementos para tal;
  3. –  As Sete Linhas, que causa demasiada discordância entre vários autores e sacerdotes;
  4. –  Saraceni, Rivas, W.W da Matta, Zelio Fernandino;
  5. –  Aumbandhan, Umbanda, Umbandomblé, Umbanda Traçada;
  6. –  Orixás, catiços, guias, mentores, falangeiros;
  7. –  Mediunidade, Sacramentos e Iniciações.

Assim como o Cristianismo, a Umbanda gera uma gama interminável de interpretações, o Cristianismo ainda leva a vantagem de possuir a escritura sagrada, a Bíblia, uma codificação da própria religião e mesmo assim, levou a diversas vertentes de igreja, quem dirá a Umbanda, sem codificação alguma e ficamos sujeitos às comunicação dos autores e sacerdotes com suas entidades.

Hoje presenciamos várias liturgias, vamos começar pelo mistério ou orixá ou até mesmo vibração Exu.

Para alguns, exu é o mensageiro do orixá, é aquele que deve comer primeiro para que não castigue ou não pregue peças aos orixás, é um orixá que carrega muita quizila. É como se fosse, Loquei, o Deus da mentira e das brincadeiras na mitologia Nórdica, também pode ser considerado como Hermes, na mitologia grega, aquele que carrega a mensagem dos Deuses, no mito africano, além de ser tudo isso, é o orixá da fertilidade, em muitas ferramentas do candomblé ou em outras casas de nação possui o símbolo fálico.

Para outras liturgias é o agente mágico que atua no astral, com o direito de ir e vir atuando em várias vibrações e planos espirituais, é aquele que trabalha nas trevas em prol da luz.

Para outros, são os policiais, o soldado do astral que trabalha sob as ordens dos orixás, principalmente Ogum.

Para outros são seres infernais que precisam de luz, por isso estão na baixa escala, estão na região mais baixa do plano espiritual e fizeram várias maldades e foram dados aos mesmos a oportunidade de e redimirem praticando a caridade e atuando nas trevas.

No candomblé, Exu é o próprio orixá, ele não fala e recebe as oferendas, na Umbanda ou Umbanda traçada já é uma entidade, que fala, que possui nomes compreendidos pela nossa língua, como Tranca Ruas, Rei das Sete Encruzilhadas, entre outros.

Em algumas liturgias, o exu nem é considerado parte da Umbanda e sim uma outra vertente da Umbanda que trabalha o polo negativo do Mundo Astral, que é a quimbanda. Mesmo a quimbanda, temos muitas interpretações, dizem que a Quimbanda é somente a utilização de exus para a prática do mal, para outros, são os mesmos exus da Umbanda, só que atuando para a maldade e para alguns ainda são entidades diferentes que levam o mesmo nome.

Em um único assunto, Exu, já abrimos várias oportunidades e interpretações para o mesmo nome, para a mesma entidade.

Ainda dentro do contexto Exu, já abrindo um outro tópico, a diferenciação das oferendas para essa mesma vibração:

Uns acham que o exu exige corte, temos que sacrificar algum animal em prol de sua energia, como exu necessita da energia vital, já conheci sacerdotes que doam o sêmen em suas entregas, por ser também o orixá da fertilidade. Existem sacerdotes que entregam o animal vivo, que o orixá só absorverá a essência e o animal seguirá vivo.

Também existem os exus que pedem apenas farofa, marafo e pimenta, a farofa pode ser feita com dendê, com água, com cachaça ou pura e as quatro juntas divididas.

Eu já tive apresentações de cinco ou seis guardiões, tenho 14 anos de estudo umbandista e prática da mediunidade, claro que me afastei por três anos, mas em nenhuma hipótese exu meu solicitou oferenda, não quero me fazer entender que os meus guardiões são os melhores e não precisam disso, a grande questão é que talvez a minha frequência vibratória não necessita de oferendas.

Será que estou errado? Será que estou certo? Será que minha comunicação não está adequada? Ou será que existem mil maneiras de se fazer Neston? [risos].

O que eu quero dizer é que dependendo do sacerdote que eu dizer isso, ele vai falar que estou com egun, estou com algum quiumba se passando por exu ou pior ainda, estou com problemas anímicos.

Um outro ponto de suma importância é a aparência fluídica dos exus, muitos dizem que já viram exu com chifres, patas de quadrúpedes, como cavalo, bode, boi; deformados, uns sem roupas outros com roupas, geralmente de preto e vermelho, alguns com dentes vampíricos, caninos extremamente finos, outros com olhos felinos, enfim, já vi a descrição de vários tipos de exus.

Confesso sim, que já presenciei no astral entidades com essa aparência, mas nenhuma delas eu senti a vibração Exu, dois exus meus de frente se apresentam totalmente de branco, um deles se plasmou com roupa de gala totalmente branca o outro, com roupas simples de cangaço mas de branco também. Quando vi isso, eu achei que estava enlouquecendo, achei que era pura obra anímica, obra da minha imaginação, até um outro médium na casa ter clarividência e me dizer:

“Meu, esse exu que deu comunicação em você tá todo de branco, o que é isso?”

Confesso que foi um momento de êxtase, não, eu não estava louco e precisamos respeitar tudo o que vemos no astral, nos abdicando de paradigmas e nos livrando de preconceitos e sabedorias pré-estabelecidas.

Numa oportunidade que tive de me comunicar com ele, ele simplesmente disse que é a roupagem do meu orixá de frente, como ele é o mensageiro direto do mesmo, nada tão errado se plasmar, vibrar e estar na mesma cor, no mesmo feixe energético, simples assim. Com ele, aprendi o termo agente mágico que depois colocarei um post sobre isso.

Isso é que estamos falando de roupagem fluídica, sem mencionar a forma que os mesmos incorporam em seus médiuns, alguns exus apresentam-se de forma corcunda, com garras, utilizando de diversos termos torpes, lida com energia densa e tudo mais. Muitos médiuns que presenciei, verifiquei exus irados, carregados de paixões e estigmas, cheios de raiva e o principal, que odeiam crianças!

Tive a oportunidade de estar uma vez com o meu guardião que atua com cura e uma criança no meio da assistência estar com começo de pneumonia, muita mucosa saindo de seu nariz também.

Esse guardião pegou a criança no colo, girou em uma velocidade absurda, não pude presenciar com exatidão porque fiquei extremamente tonto, rodava, rodava, rodava fez algo no peito dessa criança, imediatamente o exu saiu e meu ere me tomou colocando a minha testa sobre a criança, logo depois que o ere subiu, vomitei incessantemente algo amarelo, mucoso e se me permitem, nojento, vomitei muito, mas a criança depois de 3 dias já não tinha nada no pulmão.

Gostaria de dizer que não estou escrevendo isso por vaidade, e sim para que fique ilustrado que existem algumas lendas que devem ser quebradas. Primeiro, que exu e ere não ficam no mesmo plano ou no mesmo ambiente. NA minha opinião, é besteira, pura besteira, de uma hora pra outra trabalhei com as duas vibrações. Segundo, ere não gostar de criança ou a criança ter medo de exu, outra besteira. A criança tinha cinco anos, só para título de informação.

Existem casas que afirmam com veemência isso, como eu disse, o meu objetivo aqui é postar acontecimentos e dar a vocês o benefício da reflexão.

Importante salientar que isso não quer dizer que eu estava ou não com algum egun e era o mesmo nas duas oportunidades, como disse, darei a todos os benefício da reflexão.

Acho que se criou muitas lendas, muito antropomorfismo em virtude de crenças, superstições e falsas fés, o exu é demoníaco, logo, a criança sairá de perto dele por ser pura, nunca vi nenhum exu como as imagens que costumamos comprar, inclusive, o Marabô usa capa azul.

Um outro fator que é interessante é em algumas casas os médiuns terem que usar o preto e o vermelho, os artefatos dos exus, trabalhar com o altar tampado e ambiente escuro. Meus guardiões nunca exigiram isso também, pelo contrário, trabalho com guardião é tão digno quando qualquer outro, logo, por que não vestir branco? Se o meu próprio guardião chefe o faz?

(Pro texto não ficar muito extenso e chato, vou postar sem revisão e depois reviso com calma esse e o próximo que continuarei sobre o mesmo assunto…)

Paz Profunda

Neófito da Luz

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2 comentários sobre “Os diferentes tipos de liturgia umbandista – Parte I – Exu

  1. Nooossa, agora foi d+.Em casa, preocupada com o que fazer para compensar o desgaste fluidico do meu Orixa, Exus, eis que me disseram:’soh falta vc por na cabeça q esta matando seu Orixa de fome e dar papinha de Neston-pare com isso!’- mas existem mil maneiras, penso que o amor neles e coisas simples como ouvir o proximo e orientar pelo que nos dizem eh uma delas…

  2. eu acho e para mim a maior aferenda que uma entidade quer receber ,pode ser exu ou outra qualquer ,é a sua fé ,amor e dedicação ,porque tudo isto gera uma energia vamos dizer branca que ao manipulala as entidades curam e descarregam inclusive o própio médium

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