Bate-Papo Com “Nego-Veio”

Abaixo está mais um texto de um irmão que respeito muito, o Fernando Sepe, aliás, um dos poucos ainda sérios que são conhecidos na mídia Umbandista.

À noite, quando a maioria das pessoas estão dormindo, diversas falanges espirituais se desdobram em trabalhos socorristas de assistência à humanidade encarnada. Devido ao sono, a queda natural do metabolismo e das ondas cerebrais, o corpo espiritual desprende-se naturalmente do corpo físico.

Aproveitando-se desse fato natural e inerente a todo ser humano muitos amigos espirituais trabalham nessa hora da noite retirando essas pessoas do seu corpo físico, dando um toque sensato a elas diretamente em espírito, ou, simplesmente, trabalhando as energias do assistido com mais liberdade a partir do plano espiritual da vida.

Um dia desses, durante um trabalho de assistência, estava conversando com um Preto Velho, que responde nas lidas de Umbanda, pelo nome de pai José da Guiné. Segue o diálogo:

— Pai José, esse trabalho de assistência na madrugada é enorme, não? O médium umbandista muitas vezes nem imagina o tamanho dele, não é mesmo?

— É sim fio. trabalho grande, toda noite. Mas são poucos que lembram da espiritualidade dia-dia e mantém sintonia elevada antes de dormir. Isso acaba por barrar as possibilidades de trabalho em conjunto conosco, você sabe disso. A maioria dos médiuns por aí pensam que o único dia de trabalhoespiritual é o dia de trabalho no terreiro. É uma pena.

— É verdade, as pessoas tendem a se preparar muito para o dia de trabalho no terreiro, mas esquecem dos outros dias.

_ Preparar? Muitas vezes eles nem se preparam fio. A maioria chega lá cheia de problemas e preocupações na cabeça. Dá um trabalhão danado acoplar na aura toda encardida de pensamentos e sentimentos estranhos deles. E nego num tá falando que preparação é tomar um banho de erva antes do trabalho, não…

— Ué, mas o banho de erva é importante, não é pai?

— É, claro que é. Mas num é tudo. Antes do banho de erva, seria melhor um banho de bom-humor, com folhas de tranqüilidade e flores de simplicidade, hehehe… Isso sim ajudaria. Num adianta colocar roupa branca, defumar, tomar banho, se o coração tá sujo, se a boca maldiz, se o rosto está sem alegria e o espírito apagado. Limpeza interna fio, antes de limpeza externa…

— Tá certo…

— Tá certo, mas você muitas vezes num faz isso né? Hehehe… Tudo bem, todo mundo tem lá seus dias ruins, o problema é quando isso se torna constante. Fio, a Umbanda é muito rica em rituais, em expressões exteriores de alegria e culto a divindade. Mas isso deve ser utilizado sempre como uma forma de exteriorizar o que de melhor trazemos dentro de nós. Não uma fuga do que carregamos aqui dentro. Volta seus olhos pra dentro e lá presta culto aos Orixás. Só depois disso, canta e dança…

— Quando estiver participando de um trabalho, esteja por inteiro, em corpo físico, coração e mente. Não faça das reuniões espirituais um encontro social. Antes de começar os trabalhos, medita, ora, entra em sintonia com o trabalho que já está acontecendo. Durante os cantos, busca a sintonia com os Orixás.
Nesse momento, você e Eles não estão separados pela ilusão da matéria. Tão juntos. Em espírito e verdade…

— Acompanha as batidas do atabaque e faz elas vibrarem em todo seu ser. Defuma seu corpo, mas defuma também sua alma, queimando naquela brasa seu ego, sua vaidade, seu individualismo, que lhe cega os sentidos.

— Trabalha, aprende, louva, cresce meu fio. Mas o mais importante: Leva isso pra fora do terreiro! Lá dentro, todo mundo é filho de pemba, todo mundo tá de branco, todo mundo ama os Orixás…

— Mas aqui fora, logo na primeira dificuldade, duvidam e esquecem dos ensinamentos lá recebidos. Aqui fora, num tem caridade, fraternidade, Orixá, espiritualidade. Mas a Lei de Umbanda não é pra ficar contida no terreiro. A Lei de Umbanda é pra estar presente em cada ato nosso. Em cada palavra, em cada expressão de nosso ser…

— Percebe fio? Você é médium o tempo todo, não só no dia de trabalho, mas todo dia. Você é médium até quando tá dormindo…hehehe
Pai José fez uma pausa e eu fiquei a pensar a respeito da responsabilidade do trabalho mediúnico. De quantos médiuns por aí nem tinham idéia do trabalho espiritual que as muitas correntes de Umbandadesenvolvem. De como, a vivência de terreiro, demandava uma mudança interior, uma postura diferente em relação à vida. Enquanto pensava a respeito, pai José disse:

— É por aí mesmo fio. A partir do momento que a pessoa internaliza os valores espirituais, um novo mundo, cheio de novas perspectivas surge. Novas idéias, novos ideais. Uma forma diferente de encarar a vida. Esse é o resultado do trabalho. A caridade não é mais uma obrigação, mas torna-se natural e inerente ao próprio ser, assim como a respiração. A sintonia acontece esteja onde ele estiver, carregando consigo a Lei da Sagrada Umbanda em seu coração…

— Lembre-se: Aruanda não é um lugar! Aruanda é um estado de espírito… Você a carrega para onde for. Isso é trabalho. Isso é sacerdócio. Isso é viver buscando a espiritualização…

— Por isso, meu fio, faz de cada trabalho espiritual que você participar um passo em direção a esse caminho. Um passo em direção a unidade com o Orixá. Cada reunião, um passo… Sempre!
Notas do médium: Pai José de Guiné é um espírito que há muito tempo eu conheço, trabalhador incansável nas lidas da cura espiritual. Apresenta-se como um negro, com cerca de 50 anos, sempre com seu chapéu de palha a cobrir-lhe a cabeça e seu olhar firme e determinado. Tem um jeito muito direto e reto de falar as coisas sempre nos alertando a respeito de posturas incompatíveis com o trabalhoespiritual. É um espírito muito bondoso com quem já aprendi muitas coisas.

Fica aí o toque dele, que muito me serviu, a respeito de levar o terreiro para o nosso dia-dia.

Texto de Fernando Sepe.

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Umbanda – Monolatria, Monoteísmo, Panteísmo ou Politeísmo.

Saudações Fraternais Prezados Irmãos.

Antes de começar a redigir esse tópico, primeiro vou fazer um breve comentário dos  conceitos do título do post:

Monolatria: É a crença em mais de um Deus, porém é escolhido apenas um para se devotar, na mitologia Nordica era muito comum acreditar em Deuses de Asgard, mas geralmente a devoção era realizada para apenas um deles, seja Thor, Odin ou os demais.

Monoteísmo (do grego Mono: Um, Theos: Deus): É a crença da existência de um Único Deus, como as maiores religiões do mundo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

Panteísmo (do grego Pan: Tudo, Theos: Deus): É a crença de Uma Fonte de Energia, seja qualquer denominação como Deus, Universo, Cósmico e que Anima a todas as coisas. Está na Natureza, está nas pessoas. Essa Energia anima todo o Universo e é muito comum encontrar essa forma de pensamento em filosofias orientais como o Budismo, Taoísmo, Confucionismo, entre outros.

Politeísmo (do grego Poli: Muitos, Theos: Deus) : É a crença em Diversos Deuses, cada um atuan do em um Campo, cada um tendo o seu poder particular sobre pontos e circustâncias naturais, como a Justiça, como a Guerra, muito comum em religiões antigas como o Hinduísmo, Xintoísmo e as próprias religiões africanas.

E realmente nas práticas Umbandistas presenciamos essas quatro categorias dentro da prática, ou seja, a Umbanda é uma religião aberta, Universalista, o que por um lado é excepcional, abre as portas para diversos irmãos das mais diferentes crendices, por um outro lado, é péssimo, não existe a Uniformidade de Informações, cada um a compreende e pratica de uma forma diferente, não existe uma Regra e sim especulações onde cada casa trabalha de uma forma. No meu atual ponto de vista, não vejo nada bom nesse aspecto.

A Umbanda como Monolatria.

Algumas liturgias Umbandistas, principalmente as que usam como base o Candomblé acredita nos Orixás como Verdadeiros Deuses, como Ogum o Deus da Guerra, Xangô o Deus da Justiça e dos Trovões, em algumas casas, até mesmo o Deus do Fogo (Nem nisso há uma descrição uniforme sobre o assunto), onde esses Deuses punem, possuem total autonomia para fazer o necessário com os filhos da Terra. Era muito comum acreditar nos Deuses mas escolher um de sua Devoção, seja pela posição social ou pela região que o adepto ocupava. Até hoje se vê muitas casas praticando dessa forma, com isso, veio o termo Filho do Orixá.

A Umbanda Monoteísta

Algumas casas de Umbanda acreditam que os Orixás são vibrações da Natureza, dispersas no Cosmico, outras que são tronos Divinos, qualidades de Deus e outras acreditam que são apenas semi-Deuses, mas que existe apenas Um Único Deus, essa Umbanda tem uma raíz muito mais cristã que africana propriamente dita. Acredita em um Deus Unico e nas Palavras de Cristo.

A Umbanda Panteísta

Há aquela prática que acredita que Deus está em todas as coisas, é uma Umbanda mais mística, a Centelha Divina anima qualquer coisa existente no Universo, Deus, assim como os Orixás que são suas próprias vibrações, estão na cachoeira, nas matas, nas árvores, no ceu, no mar, em qualquer lugar.

A Umbanda Politeísta

Parecida com o conceito da Monolatria, acreditam na existência de vários Deuses chamados Orixás, e para cada situação da qual o filho passa, ele evoca um orixá diferente, seja Xangô em problemas de Justiça, seja Oxum em problemas com o amor, seja Obaluaie com problemas de doença. São Deuses que atuam em diferentes aspectos da Natureza e da Vida Terrestre. Não evocam a um Deus Unico e sim os Deuses em seus campos sagrados, como Ogum para vencer demanda ou quebrar olho gordo.

Existem também algumas casas que mesclam as categorias supracitadas, eu como venho de uma linha mais mistico-esotética, acredito em Vibrações, os Orixás são vibrações Naturais dispersas no Cosmico, quando fala que se é filho do Orixá, eu entendo que eu nasci com aquela Vibração Nativa, no meu caso Xangô, justamente com essa Vibração Nativa eu tenho um Papel determinado para preencher durante minha existência, ser Justo acima de tudo é uma delas, é uma vibração que também atua nos escritores, pesquisadores, advogados, então são as armas que eu tenho para que eu possa ter uma existência tranquila na Terra e sendo assim, prosseguir com a missão que me foi dada.

Não acredito e nunca acreditei em Orixás como Deuses, como seres que viveram na Terra Encantada, como seres que já encarnaram, talvez seus falangeiros possam até ter vivido na Terra em algum dia, mas Orixás são desdobramentos Vibratórios do Divino, mas como é um conceito muito complexo de se absorver logo de cara, talvez pelas alegorias, as lendas, tenham dando essa impressão sobre os Orixás.

A Monolatria acredita muito em Orixás como Deuses, mas escolhemos apenas um deles para Devoção, seja por afinidade, seja por região ou até mesmo porque você é “filho” dele. Já conheci muitos filhos que não negam a existência de outros orixás, mas sua devoção é apenas por Ogum, o Deus da Guerra, o vencedor de Demandas. Eu tiro base pelo meu Blog, o post mais acessado, SEMPRE, é sobre OGUM.

Já vi muitos filhos também louvarem a todos os Orixás, dependendo de qual era sua necessidade, apelava sempre para o Orixá correspondente à sua necessidade, problemas jurídicos, por exemplo, era Xangô que tinha sua devoção, problemas com o conjuge, era sempre Oxum ou até mesmo Obá, e assim por diante.

Já o Monoteísmo é muito comum em algumas casas de Umbanda, quando louvam a Deus e Cristo em suas aberturas, ou até mesmo a Olorun ou Oxalá, para alguns Zambi ou Obatalá. Mas a Umbanda raíz, mencionada por Sete Encruzilhadas era Monoteísta e seguia as palavras de Cristo.

O objetivo desse post era apenas uma pincelada mesmo para que todos pudessem refletir sobre o assunto de como vêem a Umbanda. Muitos hoje, ainda cultuam Orixás como Deuses, passíveis de paixões, o antropomorfismo ainda fala muito alto em muitas casas, principalmente as de nação. Xangô se enfureceu, terá o seu filho um alto preço por causar a fúria do mesmo. Muitos comentários sobre o filho apanhar de Ogum por ter quebrado algum preceito ou contrato. E assim vai, as raízes antropomórficas ainda são muito enfáticas nos dias de hoje.

Minha Concepção eu já mencionei, Orixá não tem paixão, Orixá é uma Vibração Pura, não carrega o ódio, não carrega a vingança, nunca vou “apanhar”de Xangô porque ele ficou bravo comigo.

Só para ilustrar o conceito de Antroporfismo de forma prática, lembrem-se na Mitologia Grega, Zeus Punia os humanos quando erravam na Terra,  Afrodite com seus feitiços, não hesitava em venenar alguém que fugia dos seus propósitos, Artemis puniu um Rei por falar que sua filha seria mais bonita que ela, e assim por diante. É colocar os Deuses com a psiquê humana, o que é muito comum hoje em dia.

Então como disse, foi apenas um post para reflexão, como enxergam os Orixás? Como pais? Como Deuses? Como Vibrações? Muitas pessoas com 10, 15 anos de Umbanda nunca chegaram a pensar sobre o assunto, então é sempre interessante construir os alicerces em cima de fundamentos, qual a sua concepção sobre isso?

Reflita, ouça seus guias, com isso, obterão as respostas que desejam.

Não quis dar uma conclusão ao artigo, apenas um meio de refletirem.

Que a Graça Cosmica estejam com vocês.

Meus sinceros votos de Paz Profunda.

Neófito da Luz.

Ritual de Iniciação dos Cherokees

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de uma montanha durante toda a noite e não pode remover avenda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido. O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.Talvez alguns humanos possam feri-lo.Os insetos e cobras podem vir picá-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele não remove a venda.
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem. Finalmente…..
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida. Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele. Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo. Nós também nunca estamos sozinhos! Mesmo quando não percebemos, Deus está olhando para nós, ‘sentado ao nosso lado’. Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.

Algumas considerações pessoais sobre a Liturgia Umbandista.

Paz Profunda Prezados Irmãos.
 

Estou ilustrando enfaticamente no blog os diferentes tipos de liturgia umbandista, os últimos posts frisou muito bem isso e gerou algumas dúvidas ou até questionamento da minha opinião pessoal sobre a prática.
Não sou o dono da verdade, apenas me coloco em estado de serventia aos guias e mentores, tento manter-me aberto aos ensinamentos únicos dos que me acompanham e tento tirar as dúvidas sempre que possível.
Obviamente algumas coisas eu chego a não concordar e é onde eu procuro estudar sobre o assunto. Como meu canal de comunicação ainda não está muito bem estabelecido devido alguns excessos praticados nos últimos anos, vagarosamente estou voltando a galgar os degraus da evolução e assim, percorrer juntamente com eles na Senda da Caridade.

Claro que isso vai incomodar algumas pessoas mas é minha opinião sobre o que eu conheço de Umbanda e o que foi passado, também estou colocando algumas opiniões pessoais.
Segue alguns tópicos bem básicos:
– Caboclo que é a força do terreiro, se fosse diferente, teríamos vários exús como chefes de ori ou até mesmo de templos e não os caboclos. Muitos dizem que não evocar exú na abertura é perigoso.
– Sou contra o ritual de cantar para 250 orixás na abertura, se torna cansativo e desgastante, orixás e guias sabem os seus devidos lugares, não será um ponto que vai trazê-los ou não para a vibração do Terreiro;
– Exús são soldados do astral, são os guardiões dos terreiros, os que atuam na baixa e média vibração, os vigilantes, não é preciso evocá-los na abertura, eles já possuem seu ponto de firmeza no terreiro;
– Meus caboclos e boiadeiros não dançam, assim como os falangeiros dos Orixás, enche aos olhos um guia dançando bonito, dando aquele “show” dentro do casuá, mas acho que incentiva a vaidade e ainda mais o animismo. Dos que dançam em minha linha, são apenas os baianos e os mestres, esses sim, exigem explicitamente a curimba; Para eles é aberto uma rara excessão,
– Quem quer ver dança, quer ver “show” de orixás, que procurem outro terreiro, sou a favor da prática da caridade, sou a favor da objetividade! Quem vai necessitado, quer ser atendido, curado, quem vai atrás de ver uma dança, quer farra, e terreiro não é local de farra;
– Importante salientar que não acho futilidade o ato de dançar em si, a dança simboliza a limpeza, o movimento Cosmico, com a dança se limpa o ambiente e a entidade, o grande problema é que muitos mediuns confundem a dança de seus guias com sua própria dança, é onde mora o perigo. Muitas religiões consideram a dança sagrada e um meio de se devotar a Deus, mas muitas vezes não é o que acontece nos terreiros, o guia dança demais, 10, 20 minutos perdendo a objetividade da casa, para alimentar um único objetivo: O Ego;
– Sou contra o ritual de batida de cabeça, se Umbanda é humildade, quem sou eu para exigir que alguém, cheio de problemas como eu, bata cabeça para mim?
– Erê é o mensageiro direto do Orixá e Exú não é o seu escravo, é apenas o seu “guarda-costa”, em um sentido extremamente simplista;
– A roupa do terreiro é branco, não verde e branco, vermelho, roxo, é branco;
– A gira dos exús é de frente com o altar, luzes acesas e de branco. Mesmo atuando no polo negativo do Cosmico, são irmãos como os caboclos e pretos-velhos;
– Medium rodando o barracão todo pra receber? Circo! Medium firme tem a comunicação rápida e firme, diferente disso, muito tempo pra receber e rodar, é medium carente de atenção;
– Roupagem de guias? Como disse, o uniforme do Terreiro é branco, nada de calça de boiadeiro, roupa de orixá, o uniforme é branco;
– Aparatos de guias? De acordo apenas com alguns; Chapeus, alguns lenços, cigarros, bebidas, fitas para os ciganos, punhais, somente isso. Capas, cocares, arco e flecha, chicotes, cordas, não sou de acordo;
– Reuniões semanais, e não mensais, quinzenais ou trimestrais, o mal não espera, a doença não espera, temos que estar de prontidão para socorrer os necessitados;
– Junto com a calça e a camisa branca, a toalha para que não toquemos nas pessoas e sim utilizamos as toalhas, para enxugar o medium também é importante;
– Bebidas e fumos? Depende do mentor e do grau de incorporação do medium;
– Orixás não castigam, não ficam magoados com seus filhos, orixá é a vibração Pura de uma Qualidade Divina, trabalhamos com os representantes dessa força. Ele não tem quizila, não fica irritadiço e nem influencia em seus defeitos;

– Em relação às oferendas, ainda tenho muito o que estudar, particularmente acho desnecessário, mas preciso ter mais conhecimento sobre o assunto para falar com propriedade, os meus em quatorze anos, nunca me pediram.

Logo mais posto mais algumas considerações pessoais sobre o assunto.

 
Paz Profunda.
Neófito da Luz.

A Tristeza dos Orixás – Vale a Pena Reler

 

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Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

_ Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

_Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.

_Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.

_É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãeinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.

Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

_ Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:

_Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:

Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

_ Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos – velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.

Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado.  Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

Exe ê o babá (Salve o Pai Oxalá)

Por Fernando Sepe

Linha de Caboclos – Parte II

Antes de começar a falar de caboclos da Umbanda propriamente dito, decido começar falando sobre índios, que é a forma da qual essa linha se apresenta.

Continuando o assunto de caboclos, que é o segundo post mais acessado do blog, tentarei esmiuçar um pouco mais o maravilhoso trabalho dessa falange.

Vou ser repetitivo em alguns pontos, mas me ajudará a desenvolver o assunto.

São espíritos que possuem a roupagem fluídica de indios, que viveram séculos, antes de chegarmos à era moderna. Eram um povo de singular sabedoria, até recomendo a lerem o livro:  http://edconhecimento.com.br/livros/haiawatha-o-mestre-da-raca-vermelha/ Para conhecerem um pouco mais da cultura dos iroqueses.

Interessante mencionar que para muitos, a raça vermelha, a que originou os apaches, sioux, iroqueses eram descendentes diretos dos Atlantes, um povo de exímio conhecimento, sabedoria e ciência que viveu na Terra. Eram um povo de grande evolução e com o cataclisma foram obrigados a migrar para diversos locais do Globo e um deles, as Américas. E o conhecimento desse povo evoluído não foi de todo extinguido, sobreviveu juntamente com os índios que habitavam as Américas. E um povo muito estudado na cultura indígena americana foram os iroqueses (em inglês e francês: Iroquois, pronunciado irocuá). Eram excelentes guerreiros e possuíam grande ciência sobre os mistérios que rondam o Universo. Muito importante tomar cuidado com muita documentação que se lê na internet a respeito do assunto, muitos comentários infundados, um grande exemplo disso, é o faraó Akhenaton, que trouxe muito conhecimento, foi um avatar que trouxe muita sabedoria que contradizia às crenças da época e foi considerado um herege. Sobre os iroqueses, também houve um avatar, um missionário que trouxe paz às seis tribos que formavam os iroqueses, eram os sênecas, cayugas, onondagas, oneidas, mohawks e tuscarora. O nome desse grande unificador foi Haiawatha.

No Brasil também tivemos grandes tribos como os tupinambás, aimorés, que tinham um rico conhecimento sobre os mistérios do Universo, hoje conhecido como física.

Conheciam ervas, a posição das estrelas, o movimento da Terra, algumas tribos indígenas, assim como os astecas, possuíam até observatório astronômico. Então, muita coisa antes da tecnologia do homem branco já era existente, com o empenho, estudo e dedicação dos índios.

Os índios também possuíam uma sociedade organizada, baseada em hierarquias e tarefas dentro da tribo, as penas indicavam as iniciações decorrentes de trabalhos e conquistas. Dando ao cacique, o chefe da tribo, o maior número de penas. Lembrando que Cacique é um termo dado pelos colonizadores, nas tribos tupis, o nome correto para o chefe da tribo é Morubixaba.

Outro papel de grande destaque dentro das tribos eram os xamãs, também conhecidos como pajés, eram os curandeiros, os dirigentes espirituais, os ritualistas, eram os que ligavam a sua tribo com o mundo espiritual, através de ervas, fumo, música ou até mesmo o transe mediúnico.  Eram chamados também de feiticeiros.

Uma grande observação sobre a grande maioria das tribos é que não existiam classes sociais, todos eram tratados com igualdade, mesmo o cacique e o pajé que recebiam certo destaque pelas sua funções na aldeia.

Outras funções, eram os soldados, os batedores, os diplomatas, os caçadores, funções importantes para o bom funcionamento da sociedade indígena.

As Iniciações na maioria das tribos eram ocorridas aos 13 anos, que para os índios era a chegada da fase adulta.

Então para que o Cosmico pudesse nos amparar com todo o conhecimentio perdido, deu a oportunidade espíritos que viveram essa época de grande conhecimento pudessem voltar e trazer os ensinamentos da época, em minha opinião, baseado nisso, deu-se a linha de Caboclos.

Uma falange de espíritos antigos, sábios e guerreiros que possuíam tanta ciência quanto ao do homem Branco, e compreendia muito melhor a natureza e seus fenônemos sem o uso de tecnologia, apenas com a observação e experiência e nós fomos agraciados pela volta de tao evoluído povo aos dias hodiernos.

É uma  verdadeira hoste de irmãos, amigos espirituais, espíritos de grande Luz e Conhecimento que pousam na Egrégora Umbandista. São espíritos de diversas épocas, dos locais e tribos mais variados que existem. Alguns viveram em Terras Brasileiras, outras em Terras Estrangeiras. Uns se apresentam de roupas, mocassins, outros apenas de penacho, descalço, são espíritos que trazem consigo a cultura em que viveram, que se plasmam em homenagem aos tempos em que o homem considerava a Natureza, em que o homem era Panteísta, acreditava que a Energia de Deus estavam em tudo. Importante salientar que até para matar um animal, o índio orava e agradecia ao Grande Pai por aquela fartura e matava o suficiente para a tribo.

Eram homens simples, mas que respeitavam a Verdade Universal e a Lei Cosmica, e hoje estão conosco, na egrégora Umbandista para resgatar o conhecimento perdido.

Tentarei achar uma forma de esmiuçar as falanges e as legiões dos caboclos de Oxóssi, colocar aqui o que eu acredito em um próximo post. Vou deixar pendente essa questão porque ainda estou bem confuso em relação a estrutura da linha de Oxóssi, se é que a mesma exista.

Os diferentes tipos de liturgia umbandista – Parte III – Escolas

Após 100 anos de fundação da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, essa religião cresceu e se diversificou, dando origem a diferentes vertentes que têm a mesma essência por base: a caridade, a fé e a humildade.

O surgimento dessas diferentes vertentes é conseqüência do grau com que as características de outras práticas religiosas e/ou místicas foram absorvidas pela Umbanda em sua expansão pelo Brasil, reforçando o sincretismo que a originou e que ainda hoje é sua principal marca.

A descrição abaixo foi elaborada por mim, como uma forma útil de condensar as diferentes práticas existentes, possibilitando um melhor estudo das mesmas. É importante frisar que ela não é fruto de um consenso entre os umbandistas e nem é adotada por outros estudiosos da religião.

Umbanda Tradicional

  • Outros nomes: É também conhecida como Linha Branca de Umbanda e Demanda, Umbanda Branca e Demanda e Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
  • Origem: É a Umbanda original, fundamentada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por Pai Antônio e Orixá Malet, através do seu médium Zélio Fernandino de Morais (10/04/1891 – 03/10/1975), surgida em São Gonçalo, RJ, em 16/11/1908, com a fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
  • Foco de divulgação: O principal foco de divulgação dessa vertente é a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
  • Orixás: Nesta vertente existe uma forte vinculação dos Orixás aos santos católicos, sendo que aqueles foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de oito Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho: de Oxalá (onde inclui as Crianças), de Iemanjá (onde inclui Iemanjá, Oxum e Nanã), de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Iansã e de Santo ou das Almas (onde inclui as almas recém-desencarnadas, os exus coroados e as entidades auxiliares).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as) e Crianças e não há giras para Boiadeiros, Baianos, Ciganos, Malandros, Exus e Pombagiras (estes três últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda).
  • Ritualística: A roupa branca é a única vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas e pontos riscados nos trabalhos, porém os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “O livro dos espíritos”; “O livro dos médiuns”; “O evangelho segundo o Espiritismo”; e “O Espiritismo, a magia e as sete linhas de Umbanda”.

Umbanda Kardecista

  • Outros nomes: É também conhecida como Umbanda de Mesa Branca, Umbanda Branca e Umbanda de Cáritas.
  • Origem: É a vertente com forte influência do Espiritismo, geralmente praticada em centros espíritas que passaram a desenvolver giras de Umbanda junto com as sessões espíritas tradicionais, sendo uma das mais antigas vertentes, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada.
  • Foco de divulgação: Não existe um foco principal de divulgação dessa vertente na atualidade.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos Orixás nem aos santos católicos.
  • Linhas de trabalho: Nesta vertente não é utilizada essa classificação das formas de agrupar as entidades.
  • Entidades: Os trabalhos de Umbanda são realizados apenas por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as) e, mais raramente, Crianças.
  • Ritualística: A roupa branca é a única vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e não são encontrados o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas e atabaques.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “O livro dos espíritos”; “O livro dos médiuns”; “O evangelho segundo o Espiritismo”; “O céu e o inferno”; e “A gênese”.

Umbanda Mirim

  • Outros nomes: É também conhecida como Umbanda Esotérica e Iniciática, Aumbandã e Escola da Vida.
  • Origem: É a vertente fundamentada pelo Caboclo Mirim através do seu médium Benjamin Gonçalves Figueiredo (26/12/1902 – 03/12/1986), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 13/03/1924, com a fundação da Tenda Espírita Mirim.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: a Tenda Espírita Mirim (matriz e filiais); e o Primado de Umbanda, fundado em 1952.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho: de Oxalá, de Iemanjá (onde inclui Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã), de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, das Crianças e de Yofá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as) e Crianças e não há giras para Exus e Pombagiras, uma vez que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
  • Ritualística: A roupa branca com pontos riscados bordados é a única vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de fumo, defumadores e a imagem de Jesus Cristo nos trabalhos, porém as guias, velas, bebidas, atabaques e demais imagens não são usados nas cerimônias, havendo o uso de termos de origem tupi para designar o grau dos médiuns nelas.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Okê, Caboclo”; “O livro dos espíritos”; “O livro dos médiuns”; e “O evangelho segundo o Espiritismo”.

Umbanda Popular

  • Outros nomes: É também conhecida como Umbanda Mística.
  • Origem: É uma das mais antigas vertentes, fruto da umbandização de antigas casas de Macumbas, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada. É a vertente mais aberta a novidades, podendo ser comparada, guardada as devidas proporções, com o que alguns estudiosos da religião identificam como uma característica própria da religiosidade das grandes cidades do mundo ocidental na atualidade, onde os indivíduos escolhem, como se estivessem em um supermercado, e adotam as práticas místicas e religiosas que mais lhe convêm, podendo, inclusive, associar aquelas de duas ou mais religiões.
  • Foco de divulgação: Não existe um foco principal de divulgação dessa vertente na atualidade, uma vez que não existe uma doutrina comum em seu interior. Entretanto, é a vertente mais difundida em todo o país.
  • Orixás: Nesta vertente encontra-se um forte sincretismo dos santos católicos com os Orixás, associados a um conjunto de práticas místicas e religiosas de diversas origens adotadas pela população em geral, tais como: rezas, benzimentos, simpatias, uso de cristais, incensos, patuás e ervas para o preparo de banhos de purificação e chás medicinais. Considera a existência de dez Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã e Ibejis. Em alguns lugares também são cultuados mais dois Orixás: Ossaim e Oxumaré.
  • Linhas de trabalho: Existem três versões para as linhas de trabalho nesta vertente:
  1. Na mais antiga, são consideradas a existência de sete linhas de trabalho: de Oxalá (onde inclui as Crianças), de Iemanjá (onde inclui Iemanjá, Oxum, Nanã), de Ogum, de Oxóssi, de Xangô (onde inclui Xangô e Iansã), do Oriente (onde agrupa as entidades orientais) e das Almas (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas);
  2. Na intermediária, também são consideradas a existência de sete linhas de trabalho: de Oxalá, de Iemanjá (onde inclui Iemanjá, Oxum, Nanã), de Ogum, de Oxóssi, de Xangô (onde inclui Xangô e Iansã), das Crianças e das Almas (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas);
  3. Na mais recente, são consideradas como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras, Exus-Mirins e Malandros(as).
  • Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais, incensos, pontos riscados e atabaques nos trabalhos.
  • Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

Umbanda Omolocô

  • Outros nomes: Não possui.
  • Origem: É fruto da umbandização de antigas casas de Omolocô, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada. Começou a ser fundamentada pelo médium Tancredo da Silva Pinto (10/08/1904 – 01/09/1979) em 1950, no Rio de Janeiro, RJ.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os noves livros escritos por Tancredo da Silva Pinto; as tendas criadas por seus iniciados; e o livro “Umbanda Omolocô”, escrito por Caio de Omulu.
  • Orixás: Nesta vertente encontra-se um forte sincretismo dos Orixás com os santos católicos, sendo que aqueles estão vinculados às tradições africanas, principalmente as do Omolocô. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.
  • Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras e Malandros(as).
  • Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais, incensos, pontos riscados e atabaques nos trabalhos. Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas no Omolocô, incluindo o sacrifício de animais.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “A origem de Umbanda”; “As mirongas da Umbanda”; “Cabala Umbandista”; “Camba de Umbanda”; “Doutrina e ritual de Umbanda”; “Fundamentos da Umbanda”; “Impressionantes cerimônias da Umbanda”; “Tecnologia ocultista de Umbanda no Brasil”; e “Umbanda: guia e ritual para organização de terreiros”.

Umbanda Almas e Angola

  • Outros nomes: Não possui.
  • Origem: É fruto da umbandização de antigas casas de Almas e Angola, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada.
  • Foco de divulgação: Não existe um foco principal de divulgação dessa vertente na atualidade, uma vez que não existe uma doutrina comum em seu interior.
  • Orixás: Nesta vertente encontra-se um forte sincretismo dos Orixás com os santos católicos, sendo que aqueles estão vinculados às tradições africanas, principalmente as do Almas e Angola. Considera a existência de nove Orixás: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Obaluaiê, Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã.
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho: de Oxalá, do Povo d’Água (onde inclui Iemanjá, Oxum, Nanã e Iansã), de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, das Beijadas (onde agrupa as Crianças) e das Almas (onde inclui Obaluaiê e agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Exus e Pombagiras.
  • Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais, incensos, pontos riscados e atabaques nos trabalhos. Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas no Almas e Angola, incluindo o sacrifício de animais.
  • Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

Umbandomblé

  • Outros nomes: É também conhecida como Umbanda Traçada.
  • Origem: É fruto da umbandização de antigas casas de Candomblé, notadamente as de Candomblé de Caboclo, porém não existe registro da data e do local inicial em que começou a ser praticada. Em alguns casos, o mesmo pai-de-santo (ou mãe-de-santo) celebra tanto as giras de Umbanda quanto o culto do Candomblé, porém em sessões diferenciadas por dias e horários.
  • Foco de divulgação: Não existe um foco principal de divulgação dessa vertente na atualidade.
  • Orixás: Nesta vertente existe um culto mínimo aos santos católicos e os Orixás são fortemente vinculados às tradições africanas, principalmente as da nação Ketu, podendo inclusive ocorrer a presença de outras entidades no panteão que não são encontrados nas demais vertentes da Umbanda (Oxalufã, Oxaguiã, Ossain, Obá, Ewá, Logun-Edé, Oxumaré).
  • Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Falangeiros de Orixá, Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras e Malandros(as).
  • Ritualística: Embora a roupa branca seja a vestimenta principal dos médiuns, essa vertente aceita o uso de roupas de outras cores pelas entidades, bem como o uso de complementos (tais como capas e cocares) e de instrumentais próprios (espada, machado, arco, lança, etc.). Nela encontra-se o uso de guias, imagens dos Orixás na representação africana, fumo, defumadores, velas, bebidas e atabaques nos trabalhos. Nesta vertente também são utilizadas algumas cerimônias de iniciação e avanço de grau semelhantes à forma como são realizadas nos Candomblés, incluindo o sacrifício de animais, podendo ser encontrado, também, curimbas cantadas em línguas africanas (banto ou iorubá).
  • Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

Umbanda Eclética Maior

  • Outros nomes: Não possui.
  • Origem: É a vertente fundamentada por Oceano de Sá (23/02/1911 – 21/04/1985), mais conhecido como mestre Yokaanam, surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 27/03/1946, com a fundação da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são a sede da fraternidade e suas regionais.
  • Orixás: Nesta vertente existe uma forte vinculação dos Orixás aos santos católicos, sendo que aqueles foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de pelo menos nove Orixás: Oxalá, Ogum, Ogum de Lei, Oxóssi, Xangô, Xangô-Kaô, Yemanjá, Ibejês e Yanci, sendo que um deles não existe nas tradições africanas (Yanci) e alguns deles seriam considerados manifestações de um Orixá em outras vertentes (Ogum de Lei/Ogum e Xangô-Kaô/Xangô).
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, fortemente associadas a santos católicos: de São Jorge (Ogum), de São Sebastião (Oxóssi), de São jerônimo (Xangô), de São João Batista (Xangô-Kaô), de São Custódio (Ibejês), de Santa Catarina de Alexandria (Yanci) e São Lázaro (Ogum de Lei).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados principalmente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), e Crianças.
  • Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de uma cruz, um quadro com o rosto de Jesus Cristo, velas, porém os atabaques, as guias, as bebidas e fumo não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Evangelho de Umbanda”; “Manual do instrutor eclético universal”; “Yokaanam fala à posteridade”; e “Princípios fundamentais da doutrina eclética”.

Umbanda Esotérica

  • Outros nomes: É também conhecida como Aumbandã, Aumbhandan, Conjunto de Leis Divinas e Senhora da Luz Velada.
  • Origem: É a vertente fundamentada por Pai Guiné de Angola através do seu médium Woodrow Wilson da Matta e Silva (28/06/1917 – 17/04/1988), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1956, com a publicação do livro “Umbanda de todos nós”. Sua doutrina é fortemente influenciada pela Teosofia, pela Astrologia, pela Cabala e por outras escolas ocultistas mundiais e baseada no instrumento esotérico conhecido como Arqueômetro, criado por Saint Yves D’Alveydre e com o qual se acredita ser possível conhecer uma linguagem oculta universal que relaciona os símbolos astrológicos, as combinações numerológicas, as relações da cabala e o uso das cores.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os noves livros escritos por Matta e Silva; e as tendas e ordens criadas por seus discípulos.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de sete Orixás: Orixalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá, sendo que dois deles não existem nas tradições africanas (Yori e Yorimá).
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, que recebem o nome dos Orixás: de Oxalá, de Yemanjá, de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yori (onde agrupa as Crianças) e de Yorimá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados somente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças e Exus, sendo que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
  • Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias feitas de elementos naturais, um quadro com o rosto de Jesus Cristo, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais e tábuas com ponto riscado nos trabalhos, porém os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Doutrina secreta da Umbanda”; “Lições de Umbanda e Quimbanda na palavra de um Preto-Velho”; “Mistérios e práticas da lei de Umbanda”; “Segredos da magia de Umbanda e Quimbanda”; “Umbanda de todos nós”; “Umbanda do Brasil”; “Umbanda: sua eterna doutrina”; “Umbanda e o poder da mediunidade”; e “Macumbas e Candomblés na Umbanda”.

Umbanda Guaracyana

  • Outros nomes: Não possui.
  • Origem: É a vertente fundamentada pelo Caboclo Guaracy através do seu médium Sebastião Gomes de Souza (1950 – ), mais conhecido como Carlos Buby, surgida em São Paulo, SP, em 02/08/1973, com a fundação da Templo Guaracy do Brasil.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são os Templos Guaracys do Brasil e do Exterior.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados em relação às tradições africanas, havendo, entretanto, uma ligação dos mesmos com elas. Considera a existência de dezesseis Orixás, divididos em quatro grupos, relacionados aos quatro elementos e aos quatro pontos cardeais: Fogo/Sul (Elegbara, Ogum, Oxumarê, Xangô), Terra/Oeste (Obaluaiê, Oxóssi, Ossãe, Obá), Norte/Água (Nanã, Oxum, Iemanjá, Ewá) e Leste/Ar (Iansã, Tempo, Ifá e Oxalá).
  • Linhas de trabalho: Considera como linha de trabalho cada tipo de entidade: de Caboclos(as), de Pretos(as)-Velhos(as), de Crianças, de Baianos, etc.
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Ciganos(as), Exus e Pombagiras.
  • Ritualística: Roupas coloridas (na cor do Orixá) são a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias, fumo, defumadores, velas e atabaques nos trabalhos, porém não são utilizadas imagens e bebidas nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente não possui um livro específico como fonte doutrinária.

Umbanda do Aumpram

  • Outros nomes: É também conhecida como Aumbandhã e Umbanda Esotérica.
  • Origem: É a vertente fundamentada por Pai Tomé (também chamado Babajiananda) através do seu médium Roger Feraudy (?/?/1923 – 22/03/2006), surgida no Rio de Janeiro, RJ, em 1986, com a publicação do livro “Umbanda, essa desconhecida”. Esta vertente é uma derivação da Umbanda Esotérica, das quais foi se distanciando ao adotar os trabalhos de apometria e ao desenvolver a sua doutrina da origem da Umbanda, a qual prega que a mesma surgiu a 700.000 anos em dois continentes míticos perdidos, Lemúria e Atlântida, que teriam afundado no oceano em um cataclismo planetário, os quais teriam sido os locais em que terráqueos e seres extraterrestres teriam vividos juntos e onde estes teriam ensinado àqueles sobre o Aumpram, a verdadeira lei divina.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: os livros escritos por Roger Feraudy; e as tendas e fraternidades criadas por seus discípulos.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência dos 7 Orixás da Umbanda Esotérica (Oxalá, Yemanjá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Yori e Yorimá) e mais Obaluaiê, o qual consideram o Orixá oculto da Umbanda.
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, que recebem o nome dos 7 Orixás: de Oxalá, de Yemanjá, de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yori (onde agrupa as Crianças) e de Yorimá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados somente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças e Exus, sendo que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
  • Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso da imagem de Jesus Cristo, fumo, defumadores, velas, cristais e incensos nos trabalhos, porém as guias e os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “Umbanda, essa desconhecida”; “Erg, o décimo planeta”; “Baratzil: a terra das estrelas”; e “A terra das araras vermelhas: uma história na Atlântida”.

Umbanda de Síntese

  • Outros nomes: É também conhecida como Umbanda Iniciática, Ombhandhum e Proto-Síntese Cósmica.
  • Origem: É a vertente fundamentada pelo médium Francisco Rivas Neto (1950 – ), surgida em São Paulo, SP, em 1989, com a publicação do livro “Umbanda: a proto-síntese cósmica”. Esta vertente começou como uma derivação da Umbanda Esotérica, porém aos poucos foi se distanciando cada vez mais dela, conforme ia desenvolvendo sua doutrina conhecida como movimento de convergência, que busca um ponto de convergência entre as várias vertentes umbandistas. Nela existe uma grande influência oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito, e há a crença de que a Umbanda é originária de dois continentes míticos perdidos, Lemúria e Atlântida, que teriam afundado no oceano em um cataclismo planetário.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: o livro “Umbanda: a proto-síntese cósmica”; a Faculdade de Teologia Umbandista, fundada em 2003; o Conselho Nacional da Umbanda do Brasil, fundado em 2005; e as tendas e ordens criadas pelos discípulos de Rivas Neto.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência dos 7 Orixás da Umbanda Esotérica, associados, cada um deles, a mais um Orixá, de sexo oposto, formando um casal: Orixalá-Odudua, Ogum-Obá, Oxóssi-Ossaim, Xangô-Oyá, Yemanjá-Oxumaré, Yori-Oxum, Yorimá-Nanã. Por esta associação nota-se que alguns Orixás tiveram seu sexo modificado em relação a tradição africana (Odudua e Ossaim).
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, que recebem o nome dos Orixás principais do par: de Oxalá, de Yemanjá, de Ogum, de Oxóssi, de Xangô, de Yori (onde agrupa as Crianças) e de Yorimá (onde agrupa os Pretos-Velhos e as Pretas-Velhas).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados somente por Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças e Exus, sendo que estes últimos não são considerados trabalhadores da Umbanda e sim da Quimbanda.
  • Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras de Umbanda e a roupa preta, associada ao vermelho e branco, nas de Exu, sendo admitidos o uso de complementos por sobre a roupa dos médiuns, tais como cocares de caboclos. Nela encontra-se o uso de guias, fumo, defumadores, velas, bebidas, cristais e tábuas com ponto riscado nos trabalhos, porém os atabaques não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa o seguinte livro como principal fonte doutrinária: “Umbanda: a proto-síntese cósmica”.

Umbanda Sagrada

  • Outros nomes: Não possui.
  • Origem: É a vertente fundamentada por Pai Benedito de Aruanda e pelo Ogum Sete Espadas da Lei e da Vida, através do seu médium Rubens Saraceni (1951 – ), surgida em São Paulo, SP, em 1996, com a criação do Curso de Teologia de Umbanda. Sua doutrina procura ser totalmente independente das doutrinas africanistas, espíritas, católicas e esotéricas, pois considera que a Umbanda independe dessas tradições.
  • Foco de divulgação: Os principais focos de divulgação dessa vertente são: o Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, fundado em 1999; o Instituto Cultural Colégio Tradição de Magia Divina, fundado em 2001; a Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo; os livros escritos por Rubens Saraceni; e os colégios e tendas criadas por seus discípulos.
  • Orixás: Nesta vertente não existe o culto aos santos católicos e os Orixás foram reinterpretados de maneira totalmente distinta das tradições africanas, não havendo nenhuma vinculação dos mesmos com elas. Considera a existência de catorze Orixás: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê, Iemanjá, Oiá, Oxumaré, Obá, Iansã, Egunitá, Nanã, Omulu. Os sete primeiros são chamados Orixás Universais e os outros sete, Orixás Cósmicos, sendo que alguns deles seriam considerados manifestações do mesmo Orixá nas tradições africanas (Obaluaiê/Omulu e Oiá/Iansã/Egunitá).
  • Linhas de trabalho: Considera a existência de sete linhas de trabalho, chamadas de tronos divinos, que agrupam os catorze Orixás em casais: Fé (Oxalá-Oiá), Amor (Oxum-Oxumaré), Conhecimento (Oxóssi-Obá), Justiça (Xangô-Iansã), Lei (Ogum-Egunitá), Evolução (Obaluaiê-Nanã) e Geração (Iemanjá-Omulu).
  • Entidades: Os trabalhos são realizados por diversas entidades: Caboclos(as), Pretos(as)-Velhos(as), Crianças, Boiadeiros, Baianos(as), Marinheiros, Sereias, Ciganos(as), Exus, Pombagiras e Exus-Mirins.
  • Ritualística: A roupa branca é a vestimenta usada pelos médiuns durante as giras e encontra-se o uso de guias, fumo, defumadores, velas, bebidas e pontos riscados nos trabalhos, porém os atabaques e as imagens não são utilizados nas cerimônias.
  • Livros doutrinários: Esta vertente usa os seguintes livros como principais fontes doutrinárias: “A evolução dos espíritos”; “A magia divina das sete pedras sagradas”; “A magia divina dos elementais”; “A magia divina dos sete símbolos sagrados”; “A tradição comenta a evolução”; “As sete linhas de evolução”; “As sete linhas de Umbanda: a religião dos mistérios”; “Código de Umbanda”; “Deus, deuses, divindades e anjos”; “Formulário de consagrações umbandistas: livro de fundamentos”; “Hash-Meir: o guardião dos sete portais de luz”; “Lendas da criação: a saga dos Orixás”; “O ancestral místico”; “O código da escrita mágica simbólica”; “O guardião da pedra de fogo: as esferas positivas e negativas”; “O guardião das sete portas”; “O guardião dos caminhos: a história do senhor Guardião Tranca-Ruas”; “Orixá Exu-Mirim”; “Orixá Exu: fundamentação do mistério Exu na Umbanda”; “Orixá Pombagira”; “Orixás: teogonia de Umbanda”; “Os arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás”; “Os guardiões dos sete portais: Hash-Meir e o Guardião das Sete Portas”; “Rituais umbandistas: oferendas, firmezas e assentamentos”; e “Umbanda Sagrada: religião, ciência, magia e mistérios”.

Extraído do site:

http://registrosdeumbanda.wordpress.com/2009/07/05/as-umbandas-dentro-da-umbanda/