Na Senda com o Guerreiro

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Viajo a uma velocidade espantosa no espaço. Parece que não mais sou eu que me movimento, mas sim o espaço “passa por mim”, quadro a quadro, e uma distância inexplicável e incontável é vencida em questões de segundos. Quando novamente consigo centrar – me, vejo que estou em uma casa humilde, um pouco escura, com uma lareira acesa e um velho homem sobre ela debruçada. Percebo que esse homem parece retirar algo da lareira. Esforço – me um pouco e vejo ser uma lâmina incandescente. Finalmente o homem percebe que eu estou próximo e me saúda com um singelo “oi”.

 

Diz, que estava me esperando, que ele me mostraria uma coisa, algo importante. Começa a martelar a lâmina tentando dar a ela um formato reto, firme, etc. Enquanto vai fazendo isso, começa a cantarolar uma canção. Finalmente termina, fundi a lâmina com um belo cabo dourado e uma bonita espada está formada. Ele me entrega a espada, perguntando – me:

_ Filho o que você tem em sua mão?

_Ora, uma espada _ respondo eu meio surpreendido por uma pergunta tão “boba”

_Certo, e para que serve uma espada?

_ Bem, uma espada normalmente é uma arma utilizada em batalhas para causar ferimentos nos inimigos…

_Ah sim, nos inimigos _ diz o velho pensativo…

_Sabe foi exatamente para isso que eu te trouxe, aqui. Sou um velho ferreiro e depois de fazer tantas armas, me tornei um mestre também no manejo delas. A espada é símbolo de batalha filho! Símbolo de força que corta todo o mal. O problema é achar o mal. Normalmente a gente procura fora, nos outros, quando em verdade, o mal está dentro da gente. Saímos distribuindo “espadadas” em todo mundo, mas esquecemos de olhar para dentro do coração. Lá pode morar o mais belo diamante ou o mais terrível demônio. Antes de usar essa espada, primeiro olhe o seu coração e veja se nele existe um diamante ou um demônio, só então a usará com sabedoria.

É, isso fazia sentido. Colocar a culpa em outros e distribuir “porrada” era fácil, difícil é lutar contra os monstros internos. 

Logo em seguida, o velho pegou um escudo muito bonito e brilhante, com uma bela pedra vermelha escarlate presa em seu centro. Colocou o escudo em minha mão e me perguntou:

_Filho pra que serve um escudo?

_Bem, o escudo a gente usa para nos defendermos do ataque dos inimigos… 

_Defender dos ataques dos inimigos… _ disse – me novamente pensativo…

_Meu filho, o escudo normalmente é uma arma muito resistente, pois precisa aguentar os impactos das armas inimigas. Mas você já percebeu como o lado interno do escudo é frágil? Tente defender algum ataque com o lado interno e logo o escudo se partirá! Assim também é em nossa vida. Dos ataques externos sempre poderemos nos proteger com um escudo. Mas, e os ataques internos? Esse nenhum escudo do mundo poderá nos defender, pois ele é forte em sua parte externa, mas frágil internamente…

Fiquei surpreso com a explicação do velho. Era inteligente e eu nunca tinha pensado nisso. Quem seria esse estranho velhinho que me passava esses conhecimentos? Não estava entendendo, não ainda…

_Vem filho vamos lá fora. Lá vem a última parte da nossa conversa…

Saímos e me vi em um belo campo. Nesse campo uma estrada reta e infinita abria – se até a linha do horizonte, perdendo – se da minha visão. Lá na frente um brilho enorme como um sol, ou uma estrela. Interessante, a frente o amplo e belo campo ia tornando – se feio, tenebroso e escuro, mas para minha surpresa, o caminho aberto continuava luminoso. Era como uma senda de luz, que trespassava a escuridão:

_Filho você é jovem e ainda terá que trilhar a sua própria senda. Eu sou um ancião que já trilhei muitas sendas e hoje ajudo aqueles que a estão trilhando. Assim faço por muito tempo e ainda assim farei por muito mais.  Agora preste atenção no que irei te dizer. Esse é o caminho reto da sua vida. Você deve segui – lo até o fim. Percebe que no fim uma bela estrela o aguarda. Mas entende também, que quando distancia – se da senda, é jogado em um campo, ou melhor, em um pântano escuro e tenebroso. Por isso, guia – se pelo seu coração e nunca perca o caminho reto da Lei.

E então algo muito diferente aconteceu, muito místico, algo inexplicável…

O velho em pura luz converteu – se, e quando vi o mais belo guerreiro estava a minha frente. Deve ser um pai Ogum, pensei! E realmente o era…

Primeiramente deu – me a espada, e disse que enquanto o meu coração brilhasse, a minha espada seria invencível pois a Justiça a guiaria. Disse – me ainda, que apenas a mão do amor pode utilizá – la com sabedoria…

O Escudo também foi me dado. Com ele me protegeria dos ataques externos, contrários a trilha da minha senda. Mas ele tinha um significado maior, e lembrava – me que internamente é onde mora os verdadeiros perigos e contra esses, o escudo não teria força alguma…

Por fim, o mais surprendente. O caminho luminoso a minha frente sumiu e transformou – se numa bela lança com uma ponta que brilhava como uma linda estrela. Essa lança entrou diretamente em meu peito e lá ficou alojada. Era o caminho reto da Lei. Era a senda de luz que eu teria que trilhar. Ela estava marcada em meu coração, e por ela eu viveria eternamente…

Sou jogado no espaço e faço o caminho de volta na mesma velocidade, novamente a sensação de que eu não me movimento, mas sim o espaço passa por mim em uma velocidade impressionante. Finalmente, acordo! Será que foi um sonho?

Não! Foi real. Choro de agradecimento. Sinto a oportunidade dada e agradeço. A Senda que me leva ao Criador está em meu coração. É um caminho de luz e amor. Por isso choro…

Obrigado luz! Obrigado meu pai Ogum. Obrigado meu pai Oxalá…

Por Fernando Sepe

 

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