O Mistério, o Orixá e a Linha de Trabalho Exu

 

Exu é sem sombra de dúvida a divindade mais incompreendida de todas. Taxado muitas vezes de Diabo ou demônio, Exu é cultuado em muitas e muitas culturas com outros nomes. Aqueles que o  cultuam, o adoram e gostam muito dele, tendo uma visão muito diferente das pessoas que não o conhecem.

Quando fala – se em Exu, estamos falando em um dos três aspectos em que ele manifesta – se. Podemos dizer que acima de tudo Exu é um Trono da Vitalidade, uma divindade que vitaliza toda criação dando força e vigor para tudo realizar – se. Esse Trono da Vitalidade é cultuado em muitas culturas com nomes diversos. Na África ele é cultuado como Exu, quem vem do Yorubá e quer dizer esfera, mas é também cultuado em muitos outros povos, sendo Loki para os nórdicos, Seth para os egípcios, estando presente em Shiva dos hindus,  em Hermes e Dionísio dos gregos e podemos dizer em todas as divindades fálicas (aquelas que tem como símbolo um falo ereto). Percebemos então que ele é uma força divina da criação, e que está em tudo, sendo cultuado em todas as culturas. Esse é o aspecto “mistério” de Exu.

Na África esse Trono recebeu o nome de Exu e todo um culto em seu nome foi sistematizado.  A Exu o falo ereto foi consagrado (Ogó em Yorubá) e esse virou o seu símbolo. Ele foi e ainda é uma divindade cultuada pela sua força e vitalidade, além de muitas vezes estar ligado ao próprio vigor sexual. Apesar disso para melhor compreender esse Orixá é necessário que entenda – se que ele não atua apenas no campo sexual, mas sim, em todos os campos de nossa vida, nos vitalizando quando estamos apáticos em algum sentido e nos desvitalizando quando nos excedemos em outro. Exu também nos cultos afros (Candomblé, Culto de Nação) é considerado o mensageiro dos Orixás sendo aquele que traz aos homens a mensagens das divindades, ou seja, dos Orixás. Apesar disso é cultuado como um Orixá da mesma “grandeza” de todos os outros. Em suas lendas e em seu arquétipo humano, achamos talvez o “mais humano dos Orixás”. Muito dual Exu traz em si a luz e as trevas e isso é demonstrado em seu arquétipo ora benevolente ora cruel. A ele também é atribuído um ótimo senso de humor (com sarcasmo claro) além de muitas vezes ser o causador de confusões. Apesar disso é retratado como muito esperto e inteligente. Esse é o Orixá Exu.

Na Umbanda Exu além de Mistério e Orixá é principalmente “linha de trabalho”. Nela muitos espíritos incorporam e prestam a caridade dando o nome de Exus. Para entendermos essa linha vejamos: Um espírito encarna e em sua vida carnal, comete erros e torna – se uma pessoa desvirtuada, criando um verdadeiro inferno consciencial dentro de si mesmo. Quando ele desencarna é atraído e vive esse “inferno” pessoal. Depois de algum tempo seu negativismo esgota – se e ele sente a necessidade do trabalho para resgate. Então nessa hora, entra a linha de trabalho Exu, dando condições desse espírito trabalhar para o Criador, dentro de suas condições, e assim voltar novamente a caminhar rumo a Ele. Esse espírito torna – se um “Exu de Lei” (espírito humano que traz a força e qualidades desse Orixá) e dizemos assenta – se a esquerda de um Orixá a qual ele responde e trabalha. Assim esse espírito começa a fazer um trabalho específico dos Exus no astral denso, trazendo a força do Orixá Exu e de mais um Orixá a qual ele responde e o qual ele também acessa e fundamenta suas forças.

A maioria dos Exus que conhecemos tem essa história. Mas é importante entendermos que muitos espíritos denominados Exus já alcançaram um grande grau de evolução consciencial, mas continuam trabalhando nas trevas densas por escolha própria e por achar que lá ele serve melhor ao Criador e aos Orixás. Também temos alguns casos de espíritos muito elevados que nunca tiveram uma “queda” nem passagem por nenhum plano astral denso, mas que também por opção assenta – se nas trevas densas e lá começa a fazer todo um trabalho de sustentação da Lei e de resgate. (os livros O Guardião da Meia – Noite e o Guardião Tranca – Ruas mostram esses dois casos- Rubens Saraceni).

Exu então é Guardião, verdadeiros “policiais” do astral inferior, contendo ataques oriundos do baixo – astral, protegendo as casas que realizam trabalho espiritual de qualquer tipo, são também grandes desobsessores, realizando desobsessões dificílimas, recolhem e manipulam facilmente energias densas sendo muito bons para o “descarrego” e limpeza espiritual, além de cortarem e desmancharem as nefastas magias negativas. Resumindo Exu normalmente segura e segura muito bem a BUCHA! São grandes trabalhadores, muito protetores também. Tem um jeito muito humano e tudo que tem que falar, falam na cara, não mandando recado. Também fazem maravilhosos trabalhos de cura.

Utilizam – se como elementos magísticos cigarros, velas (preta e vermelha basicamente podendo ser utilizadas outras como a branca, roxa etc), charutos, pinga, pólvora (fundanga), punhais, pedras, ervas, etc, etc. Temos Exu em todas as sete vibrações e que respondem por cada um dos Orixás. Através da interpretação do seus nomes simbólicos chegamos a qual força e em qual campo eles trabalham.  

Deixamos claro aqui que Exu não é o Diabo nem o demônio, título esse que muitas religiões querem dar a ele. Também não é aquela manifestação ridícula de um espírito que baba, rosna e só sabe falar palavrão. Também dentro da Umbanda em hipótese nenhuma utiliza – se O SACRIFÍCIO ANIMAL OU SANGUE COMO ELEMENTO MAGÍSTICO” (AQUI NÃO ESTAMOS CRITICANDO, APENAS DEIXANDO CLARO QUE ISSO NÃO É PRÁTICA DE UMBANDA). Também de forma alguma Exu dentro da Umbanda presta – se a trabalho de magia negativa. Por isso o chamamos de Exu de Lei, pois trabalha dentro da Lei da criação e dentro da Lei Religiosa de Umbanda, sendo assim NUNCA PRESTANDO – SE PARA TRABALHOS NEGATIVOS DENTRO DE UM VERDADEIRO TERREIRO DE UMBANDA!

Essas são as características e manifestações de Exu. Escrevi resumidamente e muito pode ser falado sobre esse assunto. A todos sugiro que caso consigam, leiam o “Livro dos Exus” e o “Guardião da Meia Noite”, dois livros psicografados por Rubens Saraceni que explica muito bem esse mistério divino.

Laroyê Exu! Exu Mojibá! – Fernando Sepe

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